Posts Tagged ‘Liberdade’

* Presos de consciência não são criminosos comuns, afirma Jornalista.

quarta-feira, março 10th, 2010

Mirian Leitão

O presidente Lula comparou os presos políticos de Cuba a criminosos comuns. Essa declaração é péssima e já é a segunda vez que ele fala isso. Não pode, portanto, dizer que está sendo mal interpretado. Em entrevista à agência de notícias AP, ele afirmou: “Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubano, de deter as pessoas em função da legislação de Cuba, como quero que respeitem o Brasil”.

Isso parece bom, mas vamos pensar no seguinte: o Brasil vive em uma democracia e aqui se prende dentro da lei; enquanto lá, a legislação cubana é ditatorial. Inclusive tem uma que diz que, se a pessoa não cometeu crime nenhum, mas talvez tenha a intenção de cometê-lo, vai presa. E o que é crime? Fazer, por exemplo, um sindicato independente. Se você tem a intenção de fazer um, como o presidente Lula fez, será levado preso e pode ficar anos na prisão. É uma ditadura.

E o presidente de um governo democrático tem sim que condenar o que está acontecendo em Cuba, porque isso não é interferir em assuntos internos do país, mas defender princípios e valores do povo brasileiro. Imagine se nós estivéssemos agora, em 1938, 1940, e o governo brasileiro dissesse que tudo o que Hitler estava fazendo estava dentro da lei. Mas e a legislação que mandava prender judeus, por acaso era justa?

Mandar prender pessoas que se opõem ao governo cubano é uma lei absolutamente ilegítima, injusta e ditatorial. Então, ele não pode comparar. A única comparação possível seria dizer que, no Brasil, os presos criminosos comuns precisam de melhores condições carcerárias. Então, pode condenar a situação daqui e também a de lá.

Porque os presos de Cuba são acusados pelo governo, mas não cometeram crime nenhum. São presos de consciência, como diz a Organização das Nações Unidos (ONU) e isso é completamente diferente dos que roubam, matam e cometem outros crimes no Brasil. O presidente Lula não deveria usar o seu prestígio internacional para validar os crimes do governo cubano.

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* A Igreja não quer impor aos não crentes suas perspectivas, mas iluminar e despertar as consciências com a verdade.

domingo, março 7th, 2010

Resista a tentação de desanimar na leitura destre magnífico texto.

Imprima e leia com calma essa reflexão e veja que beleza de exposição.

Muito interessante.

Caso não entenda da primeira vez, leia uma outra vez, vale a pena.

****

Comunicar as próprias convicções – Ensaio de Ángel Rodríguez Luño

Num encontro para comunicadores que a Conferência Episcopal Italiana promoveu em Novembro de 2002, João Paulo II mencionava o fato de que “as rápidas transformações tecnológicas estão a determinar, sobretudo no campo da comunicação social, uma nova condição para a transmissão do saber, para a convivência entre os povos, para a formação dos estilos de vida e das mentalidades.

A comunicação gera cultura e a cultura transmite-se mediante a comunicação”. Esse nexo entre comunicação e cultura é uma das principais razões pelas quais o mundo da comunicação suscita grande atração entre aqueles que se interessam pela ética.

”As rápidas transformações tecnológicas estão a determinar, sobretudo no campo da comunicação social, uma nova condição para a transmissão do saber, para a convivência entre os povos e para a formação dos estilos de vida e das mentalidades” (1).

A adequada maturidade moral pessoal não é independente da comunicação e da cultura, que se expressa nos fins e estilos de vida socialmente aceites, nas leis, na celebração dos acontecimentos e personagens do passado que melhor correspondem à identidade moral de uma sociedade.

A cultura possui algumas leis próprias, pelo que as ideias – e os sentimentos que fomentam – têm uma consistência e um desenvolvimento bastante autónomo. É como se as ideias, quando passam ao plano da cultura e da comunicação, se separassem das inteligências que as produziram e começassem a ter uma vida própria, desenvolvendo-se com uma força que depende somente de si mesma. Uma força que depende da sua consistência objectiva e do seu dinamismo intrínseco, talvez diferente da intenção que tinham as pessoas que as puseram em circulação.

Por isso, todos os que desejam influenciar a vida social com o espírito do Evangelho devem estar atentos à íntima relação entre comunicação e cultura; se se deseja intervir positivamente na criação e transmissão de modos de vida e de visões do homem, é preciso atender à consistência e ao previsível desenvolvimento das ideias, mais do que à pretensa intenção das pessoas. Uma atitude polémica, uma resposta brilhante ou feroz podem fazer calar um adversário, mas se não se entende o que se expôs, nem se apreciou a consistência das suas ideias e as possíveis linhas de desenvolvimento que estas tinham, provavelmente não se colaborou no crescimento cultural nem mesmo se ofereceu uma alternativa cultural adequada; e assim, as ideias que foram rejeitadas, reduzindo ao silêncio quem as promoveu, continuarão a ter uma vida longa. Somente se se consegue fazer uma proposta que conserve e supere o que de bom e de verdadeiro havia nas ideias que se considera justo combater, é que se dará um influxo cultural real.

Verdade e liberdade

Em mais de uma ocasião, João Paulo II destacou que o conflito entre verdade e liberdade está presente em boa parte dos problemas que afectam a cultura do nosso tempo (2). A esse mesmo assunto se referiu Bento XVI com o conceito de relativismo (3). Diante das posições relativistas, tem-se a tentação de responder mostrando a sua contradição interna: quem considera que toda a verdade é relativa faz, na realidade, uma afirmação absoluta e, por isso, contradiz-se a si mesmo. Trata-se de uma crítica verdadeira, mas culturalmente pouco eficaz, porque não procura entender os pontos de apoio que sustentam os fundamentos relativistas, nem parece compreender a questão que tentam solucionar.

A partir de uma perspectiva ético-social, as posições relativistas têm o seu ponto de partida baseado no facto de que na sociedade atual existe uma pluralidade de projetos de vida e de concepções do bem, que parece propor uma disjuntiva: ou se renuncia à ideia de julgar os diferentes projectos de vida, ou há que abandonar o ideal ou o modus vivendi caracterizado pela tolerância.

Por outras palavras, um modo de vida tolerante requereria admitir que qualquer concepção de vida tem o mesmo valor ou, pelo menos, tem o mesmo direito de existir como qualquer das outras; se isto não se admite, cai-se num fundamentalismo ético e social.

O raciocínio é bastante enganador, mas apresenta-se com aparência de verdade por causa de um fato inegável, que constitui o seu ponto de apoio: ao longo da história e, inclusive, na atualidade, não faltou quem oprimisse violentamente a liberdade das pessoas e dos povos em nome da verdade. Por isso, para que a mensagem evangélica seja retamente entendida, torna-se necessário evitar qualquer palavra, raciocínio ou atitude que possa fazer pensar que um cristão coerente sacrifica a liberdade em nome da verdade. Se fosse dada esta impressão, ainda que involuntariamente, contribuir-se-ia para consolidar o pressuposto fundamental do relativismo: a ideia de que o amor à verdade e o amor à liberdade são incompatíveis, pelo menos na prática.

A comunicação de convicções cristãs e de conteúdos éticos necessita que seja demonstrada com obras, e não somente com palavras, que entre verdade e liberdade existe uma verdadeira harmonia; isto requer, por um lado, estar profundamente convencido do valor e do significado da liberdade pessoal. Mas, por outro, obriga a distinguir cuidadosamente o terreno ético do terreno político e jurídico. Em primeiro lugar, toda a chamada da autoridade se dirige à liberdade; em segundo lugar, o recurso à coação pode ser legítimo.

Ética e política

Nas questões éticas, a consciência abre-se à verdade, que tem um evidente poder normativo sobre as próprias decisões; está em jogo a relação da consciência pessoal com a concepção que se tem do bem humano, às vezes relacionado com princípios religiosos; por sua vez, o âmbito jurídico e político refere-se às relações entre pessoas ou entre pessoas e instituições, que – enquanto reguladas pelas leis – estão submetidas ao poder coactivo que o Estado e os seus representantes podem usar legitimamente.

Estes dois âmbitos – ético e político – estão muito relacionados, e muitas vezes têm um desenvolvimento paralelo. O homicídio intencional, por exemplo, tem ao mesmo tempo uma grave culpa moral e um crime que o Estado tem o dever de perseguir e punir. Mas ainda neste caso, os dois âmbitos apresentam diferenças significativas. Basta pensar, por exemplo, no perdão. Uma coisa é o perdão da culpa moral e outra, bem diferente, o perdão do crime: é desejável que os parentes da vítima de um homicídio perdoem cristãmente ao culpado, mas não seria admissível que o Estado seguisse sistematicamente uma política de impunidade do homicídio intencional. Afirmar o contrário seria um abuso ideológico ou uma grave ofensa contra o bem comum.

Neste tipo de diferença torna-se necessário distinguir o plano ético do plano político no que se refere aos princípios morais do Evangelho. Para evitar más interpretações, há que oferecer um fundamento ético às mensagens de tipo moral, explicitando que tal verdade não pretende impor-se mediante o uso do poder político de coação; isto é compatível com a existência, noutro tipo de verdades éticas, de uma dimensão ético-política ou ético-jurídica. Nestes casos, deverá ser oferecida, além disso, uma justificação política ou jurídica, ou seja, deverá ser demonstrado não somente que o comportamento em questão é moralmente equivocado, mas também que existem razões específicas pelas quais o Estado a tem que proibir e punir. Razões que não são idênticas às razões éticas, porque não é missão do Estado perseguir a culpa moral, mas promover e tutelar o bem comum, prevenindo e punindo aquelas condutas que o lesionam (que prejudicam a segurança pública, a liberdade e os direitos dos outros, as instituições de interesse social como a família, etc.).

Ética e Estado

Certamente, o Estado promulga, algumas vezes, leis injustas. Nesses casos, o cidadão de reta consciência deveria poder criticá-las com liberdade.

O Concílio Vaticano II afirmou com clareza o direito e o dever da Igreja de “dar o seu juízo moral, inclusive sobre matérias referentes à ordem política, quando o exijam os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas” (4).

Nestes casos, é importante saber dar à legislação equivocada uma resposta culturalmente eficaz. Não é uma tarefa fácil, porque é preciso ir além das contra-posições polémicas, sabendo assumir a parte de verdade da posição contrária. Quando em consciência se deve criticar uma atuação do Estado, requer-se a explicitação de uma fina sensibilidade pelos valores das instituições democráticas, sensibilidade que não se deveria deixar indefinida pelo fato, certamente muito doloroso, de que, numa determinada ação, uma instituição concreta se tenha comportado de modo injusto.

A firmeza nos princípios éticos deve ser – e parecer – compatível com a consciência de que a realização de bens pessoais e sociais num contexto histórico, geográfico e cultural determinado, se caracteriza por uma contingência parcialmente insuperável.

Em questões práticas, é frequente que não exista uma única solução possível. Inclusive nas decisões da Igreja relativas a coisas não necessárias, devem ser contingentes, precisamente porque se referem a uma realidade que depende muito das circunstâncias, que mudam com o passar do tempo; por isso, é necessário aprender a reconhecer que, nesse tipo de decisões, somente os princípios irrenunciáveis expressam o aspecto duradouro (5). Ninguém pode pretender, em questões temporais, impor dogmas, que não existem (6.). Com isto não se quer dizer que tudo neste mundo é contingente, acidental ou opinável; trata-se antes de perceber com clareza que nos assuntos humanos, também os outros podem ter razão: vêem a mesma questão que tu, mas dum ponto de vista diferente, com outra luz, com outra sombra, com outros contornos. – Somente na fé e na moral é que há um critério indiscutível: o da nossa Mãe a Igreja (7).

A autonomia das realidades temporais

No entanto, poderia ocorrer que a doutrina cristã sobre uma determinada matéria ético-social coincida com a que sustentam todos ou uma boa parte dos cidadãos que legitimamente militam num determinado partido político. Nestes casos, poderia originar-se – involuntariamente – uma situação delicada, porque poderia parecer que os cristãos ou inclusive a Igreja, ao proporem os seus ensinamentos, estão a apoiar uma determinada área política e não a apresentar unicamente a mensagem do Evangelho.

Esta confusão poderia motivar acusações de intromissão ou de falta de respeito para com o Estado; acusações que talvez sejam um simples pretexto político, ou inclusive mal intencionadas; mas o que se deve ter em conta quando se procura informar a cultura com o espírito do Evangelho, é esclarecer serenamente aquela aparência de verdade que podem conter estas condenações. Dois tipos de considerações são oportunas.

A primeira é que todos os cidadãos – também os que formam parte de um órgão legislativo ou de um partido político – têm o direito e o dever de apoiar as soluções que em consciência consideram úteis para o bem do próprio país, alegando – se for possível – as razões que justificam a sua convicção.

Cada um é livre para consultar livros especializados que considera fiáveis, ou de falar com quem entender; se um cidadão se pode inspirar em determinada teoria política ou económica, também pode apoiar-se na Doutrina Social da Igreja. As soluções políticas são medidas pelo seu valor intrínseco e pelas razões que as justificam. Questionar as fontes utilizadas por cada cidadão para formar as suas convicções seria uma falta de respeito à autonomia da consciência dos outros. É fácil ver que a radicalização de tal atitude levaria a conclusões absurdas: por exemplo, afirmar que o Estado, para reforçar o seu estado laical, deveria favorecer o que a Igreja condena, como a escravidão.

A segunda consideração oportuna é a necessidade de se ter uma ideia clara acerca da distinção existente entre a missão do Estado e a da Igreja. A este propósito, Bento XVI deu indicações muito úteis. A distinção entre o que é de César e o que é de Deus, com a consequente autonomia das realidades temporais, pertence à estrutura essencial do cristianismo (8). É tarefa do Estado interrogar-se sobre o modo de realizar a justiça concretamente aqui e agora; neste campo, a Doutrina Social da Igreja apresenta-se como uma ajuda, que “não pretende outorgar à Igreja um poder sobre o Estado. Tampouco quer impor aos que não compartilham da fé as suas próprias perspectivas e modos de comportamento” (9).

Tal doutrina argumenta com base na razão e no direito natural e reconhece que a construção de um justo ordenamento da vida social é uma tarefa política, que “não pode ser uma obrigação imediata da Igreja. Mas, como ao mesmo tempo é uma tarefa humana primária, a Igreja tem o dever de oferecer, mediante a purificação da razão e da formação ética, a sua contribuição específica, para que as exigências da justiça sejam compreensíveis e politicamente realizáveis.

A Igreja não pode, nem deve, empreender por conta própria a iniciativa política de fazer a sociedade o mais justa possível. Não pode, nem deve, substituir-se ao Estado. Mas também não pode, nem deve, ficar à margem na luta pela justiça. Deve inserir-se nela através da argumentação racional e deve despertar as forças espirituais, sem as quais a justiça, que sempre exige também renúncias, não pode afirmar-se nem prosperar” (10).

A realização da justiça é um ponto em que a fé e a política se aproximam. Por isso requer-se uma atenção cuidadosa para que ninguém, com boa vontade, possa pensar que a fé cristã se identifica com uma das partes políticas existentes na sociedade. Certamente, a fé cristã tem algo a dizer às diversas culturas políticas dos homens e dos povos; mas a fé pressupõe a liberdade e oferece-se à liberdade, que por ela se deve amar com as palavras e com as obras.

1 – João Paulo II, Discurso ao Congresso nacional italiano de agentes da cultura e da comunicação, 9-11-2002, n. 2.

2 – Cf. por exemplo: Litt. enc. Redemptor hominis, 4-03-1979, n. 12; Litt. enc. Centesimus annus, 1-05-1991, nn. 4, 17 y 46; Litt. enc. Veritatis splendor, 6-08-1993, nn. 34, 84, 87 y 88; Litt. enc. Fides et ratio, 14-09-1998, n. 90.

3 – Cf. por exemplo: Discurso ao Convênio diocesano promovido pela diocese de Roma sobre o tema “Família e comunidade cristã: formação da pessoa e transmissão da fé”, 7-6-2005; Discurso ao Corpo Diplomático acreditado diante da Santa Sé, 8-01-2007; Discurso a uma Delegação da “Académie des Sciences Morales et Politiques” de Paris, 10-02-2007; Discurso inaugural da V Conferência do Episcopado Latinoamericano, 13-5-2007.

4 – Conc. Vaticano II, Const. past. Gaudium et spes, n. 76.

5 – Cf. Bento XVI, Discurso aos Cardeais, Arcebispos, Bispos e Prelados superiores da Cúria Romana, 22-12-2005.

6 – Temas Actuais do Cristianismo, n. 77.

7 – Sulco, n. 275.

8 – Cf Bento XVI, Litt. enc. Deus caritas est, 25-12-2005, n. 28.

9 – Ibid.

10 – Ibid.

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* Para encontrar a liberdade é necessário subordinar o desejo imediato ao julgamento da razão.

sexta-feira, março 5th, 2010
Rocco Buttiglione

Rocco Buttiglione é um prestigioso intelectual católico que no ano 2004 foi discriminado por sua fé para um cargo na União Européia. Agora escreve um artigo no L’Osservatore Romano no qual explica que a educação de crianças e jovens exige uma série de restrições, assim como a formação na liberdade para procurar a verdade, e uma correta ascese que vai de mãos dadas com a experiência da autoridade.

No texto titulado “Sem proibições não há liberdade”, o também membro da Pontifícia Academia das Ciências Sociais assinala que no centro do debate sobre a “emergência educativa” deve-se ter em conta uma entrevista do Papa Bento XVI na que assinala que “a educação bem conseguida é a formação no reto uso da liberdade”.

Para explicar isto, Buttiglione adverte primeiro que uma primeira etapa nesta educação é extirpar da mente um preconceito corrente: “que para educar na liberdade basta eliminar todo vínculo e abandonar os jovens ao simples desenvolvimento natural de suas paixões”. Isto, explica, é o “pròton psèudos (o ‘engano originário’) da pedagogia moderna.

Depois de explicar que esta maneira de ver as coisas ignora a tendência ao mal, à concupiscência introduzida no homem pelo pecado original que também fere sua vontade, o intelectual assinala que “a pedagogia emancipadora e permissiva de nosso tempo ignorou voluntariamente esta estrutura antropológica do ser humano. A intenção era realizar um homem liberado e os resultados estão muito longe das promessas iniciais”.

Depois de ressaltar que “a liberdade do homem não é a liberdade do instinto” e que só a partir do “verdadeiro bem da pessoa é possível selecionar, ordenar e organizar as estruturas interiores de um ser humano inteligente e livre”, Buttiglione assegura que para encontrar a liberdade é necessário “subordinar o desejo imediato ao julgamento da razão. Devemos selecionar entre os muitos desejos alguns que queremos realizar verdadeiramente e concentrar neles a energia da vida que se chama trabalho”.

O intelectual adverte logo sobre uma tendência atual que busca colocar à espontaneidade como um ídolo e explica a necessidade de aderir-se “verdadeiramente ao bem para procurar a verdade”.

Para obter isto, prossegue, são necessários dois fatores fundamentais no processo educativo “que hoje são sistematicamente ignorados”: a ascese e a experiência da autoridade.

A ascese, explica Buttiglione, “é a capacidade de dizer que não, de resistir à violência com a que o impulso exige ser satisfeito imediatamente sem uma reflexão que se pergunte sobre o fato de que se isso corresponder à verdade ou ao verdadeiro bem da pessoa. O permissivismo contemporâneo difamou a ascese identificando-a com a ‘repressão’. A ascese implica certamente a força de reprimir mas implica também a capacidade de dar à energia proveniente do instinto uma nova forma, correspondente à verdade da pessoa. Sem ascese não há educação da pessoa”.

Ao falar logo depois da experiência da autoridade, o perito católico indica que esta é “a presença do valor em uma pessoa que dá testemunho dele, o faz direta e facilmente perceptível para os outros. A autoridade é a guia no caminho para a experiência do valor. Sem ascese e sem autoridade não há experiência educativa. A autoridade transmite a experiência dos valores para que esta possa provar-se na vida do discípulo. O discípulo não repetirá servilmente esta experiência assim como se realiza na vida do mestre mas a confrontará com sua experiência própria e a filtrará através dela revivendo-a e fazendo-a própria”.

Buttiglione denuncia logo que “a sociedade permissiva oferece ao jovem muitas modalidades de satisfação imediata do próprio instinto, mas deste modo torna mais difícil a formação de uma personalidade livre, capaz de estabelecer uma relação adequada com a verdade e de fazer tal relação a guia da própria construção social. A educação ‘tradicional’ convidava a lutar por controlar as próprias paixões, a procurar a verdade, a orientar as paixões segundo a verdade e para a verdade”.

Com a promoção social da “obediência” às próprias paixões, explica o perito católico, impede-se “que se forme uma personalidade responsável e livre, para criar uma massa livremente manipulável por parte de quem detém o poder. Este é o problema da educação de nosso tempo”.

“O ponto de chegada de boa parte das modernas tendências ‘desconstrucionistas’ é a desconstrução do eu e a abolição da personalidade consciente. Pare reconstruir a educação é necessário voltar a começar a partir de testemunhos autorizados –não deveriam ser os primeiros nisto os pais e os educadores?– que sejam capazes de indicar sem ambigüidade o percurso de uma ascese que permita ser capazes da verdade, que permita avançar no caminho de sua busca”, conclui.

***

Sábias palavras !

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* Caso Zapata revela alto número de mortes nas prisões de Cuba.

sexta-feira, fevereiro 26th, 2010

A organização Arquivo Cuba, uma iniciativa da Free Society Project, Inc., denunciou as “condições barbarescas das prisões cubanas” assim como o alto número de mortes nos cárceres da ilha, logo depois da morte de Orlando Zapata Tamayo que foi tratado brutalmente antes de morrer.

Em uma nota de imprensa Arquivo Cuba explica que “Zapata era membro de vários grupos opositores que procuram a mudança pacífica à democracia em Cuba. Tinha sofrido um anterior presídio de quatro meses de dezembro do 2002 a março do 2003, acusado de desacato pela polícia política (Segurança de Estado)”.

“Em maio do 2004 o sentenciaram a três anos de cárcere por desordem pública e desobediência. Na prisão, aumentaram sua sentença a 36 anos, acusado de desobediência”, explica o texto.

Arquivo Cuba explica que “de 2005 ao dia de hoje, existem ao menos 97 mortes documentadas nas prisões cubanas por suicídio ou suposto suicídio, negligência médica/falta de atenção médica e execução extrajudicial.

Os informes sobre estes acontecimentos provêm principalmente de presos políticos reportando de uma fração das instituições penais existentes na ilha. Por esta razão, teme se que existam muitas outras mortes no sistema carcerário de Cuba”.

“As condições barbarescas das prisões cubanas resultam sistematicamente na má nutrição e a deterioração da saúde, em atos de auto-agressão e no sofrimento extremo dos presos e seus seres queridos. Em condições dantescas é que servem ao redor de 200 detentos políticos junto com dezenas de milhares sentenciados por ‘delitos econômicos’ por procurar no mercado negro a sobrevivência material que o fracassado planejamento central não provê.

O governo cubano não permite inspeções aos cárceres por parte da Cruz Vermelha Internacional nem outras instituições de direitos humanos”.

Por isso, “Arquivo Cuba faz um chamado aos governos, instituições, e todos os seres de boa vontade a que façam o regime cubano responsável por seus crimes e ajudem a que o povo cubano consiga poder exercer seus direitos intrínsecos de viver com segurança e liberdade. Como mínimo, deve-se exigir que a Cruz Vermelha e organismos de Nações Unidas e da comunidade internacional inspecionem as prisões da ilha sem aviso prévio que permita que se alterem as verdadeiras condições de presídio em Cuba”.

Arquivo Cuba explica que “com seu projeto Verdade e Memória, está documentando o custo em vistas do processo político-histórico conhecido como a revolução cubana. Deste modo estuda temas de transição sobre verdade-memória-justiça com o fim de promover uma mudança pacífica para a democracia em Cuba”.

Mais informação em inglês: www.CubaArchive.org

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* Para quem acha que o problema é só com a Igreja Católica.

domingo, fevereiro 21st, 2010

Joelmir Beting: “Lula, ato anti-social com o povo Brasileiro”

O que está em jogo é muito mais do que a defesa de posições de nossa fé, mas  a defesa do Estado Democrático de direito.

Chavez ,na Venezuela, tem conseguido pelo amordaçamento da liberdade impor -de forma ditatorial- sua ideologia.

Nossa “sorte” é que temos -ainda -liberdade- para criticar.

Até quando?  Não sei..

clique aqui e veja

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* Parlamento Norueguês exige liberação de presos políticos cristãos em Cuba

quarta-feira, fevereiro 10th, 2010

Um grupo multipartidário do Parlamento da Noruega, que inclui desde o Partido Socialista de Esquerda ao Partido do Progresso enviou uma carta ao Ministro das Relações Exteriores Jonas Gahr Støre, exigindo-lhe que aumente a pressão sobre o governo Cuba para obter a liberação de Normando Hernández e outros presos políticos do Movimento Cristão Liberação (MCL), quem recentemente dirigiu uma carta ao Ex-presidente da África do Sul –e o preso de consciência– Nelson Mandela.

O grupo, que representa seis dos sete partidos no Parlamento, exigem a liberação de Hernández –cujo estado de saúde poderia custar-lhe a vidana prisão– e outros detentos de consciência condenados em Cuba a 25 ou 30 anos da prisão por promover o “Projeto Varela”, um programa de democratização pacífica de Cuba.

Entretanto, Rogerio Santana, embaixador de Cuba na Noruega, acusou aos líderes noruegueses de ser uns “políticos bananeiros”, que “recebem suas instruções da máfia cubana de Miami”; e assinalou que Hernández não é um preso político, mas “um mercenário e um traidor, pago pelos Estados Unidos para dar informação falsa a respeito de Cuba para legitimar a invasão dos EUA”.

Entretanto, Snorre Valen, um dos políticos que coordenou a protesta contra o castrismo cubano, respondeu assinalando que “trabalhei com o apoio da esquerda na Colômbia e conheço a América Latina melhor que muitos no Parlamento”.

“Para mim um detento político é tal seja em Israel ou em Cuba. Os regimes que encarceram às pessoas por causa de suas opiniões políticas sempre se justificam de diferentes maneiras; mas eu me apóio na informação legítima que existe sobre Hernández”, concluiu Valen.

***

E ainda tem politico Brasileiro que coloca Cuba como modelo.

De que? da falta de liberdade e da asfixia ideologica que mata pouco a pouco a esperança do valente povo Cubano?

Se,de fato, a situação cubana é tão boa – como querem nos fazer crer alguns politicos cegos pela ideologia, porque os Cubanos querem fugir?

Porque fogem os cubanos?  Liberdade!

Engraçado que aqueles que defendem o sistema ditatorial de Cuba no Brasil não querem ir morar lá.

Opção de liberdade que os cubanos não tem pois são proibidos de sairem do pais e só saem com permissão do Governo.

Se pudesse, a maioria sairia.

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* A obsessão totalitária.

quinta-feira, janeiro 28th, 2010

Censurar a imprensa e impedir o fluxo de ideias no Brasil
é a única bandeira genuinamente comunista que sobrou aos petistas


Fábio Portela- Revista Veja


Um observador ingênuo pode não entender a obsessão de petistas, manifestada desde o momento zero do governo Lula, de abolir a liberdade de expressão no Brasil. Afinal, em sete anos de administração do país, alguns fizeram enormes avanços pessoais e coletivos. Aumentaram o patrimônio, passaram a beber bons vinhos e a vestir-se com apuro. A política econômica é modelo até para os países avançados e as conquistas sociais fazem inveja a reformadores de todos os matizes ideológicos. Destoam desse rol de avanços a diplomacia megalonanica e a inconformidade com o livre trânsito de ideias no país. O próximo ataque organizado à liberdade de expressão se dará em março, com a Segunda Conferência Nacional de Cultura (CNC). Apesar do nome pomposo, ninguém irá lá para discutir cultura. Os petistas vão, mais uma vez, tentar encontrar uma forma de ameaçar a liberdade de imprensa e obrigar revistas, jornais, sites e emissoras de rádio e TV a apenas veicular notícias, filmes e documentários domesticados, chancelados pelos soviets (conselhos) petistas e reverentes à ideologia de esquerda.

O evento é a continuação por outros meios da batalha pela implantação da censura à imprensa no Brasil. Isso começou em agosto de 2004, com a iniciativa, abortada, de criar um Conselho Federal de Jornalismo (CFJ). Nos últimos meses foram feitas mais duas tentativas. Uma delas na Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). A outra com o PNDH-3, o Programa Nacional de Direitos Humanos. O que o CFJ, a CNC e o PNDH-3 têm em comum? Todos embutem a criação de um tribunal para censurar, julgar e punir jornalistas e órgãos de comunicação que desobedeçam às normas governamentais. É um figurino de atraso.

Por que essa obsessão não se dissipa? Primeiro, porque ela é a única bandeira que sobrou às esquerdas cujas raízes podem ser traçadas ao seu berço comunista no século XIX. A censura à imprensa é uma relíquia esquerdista, um bicho da era stalinista guardado em cápsula de âmbar e cujo DNA os militantes sonham ainda retirar e com ele repovoar seu parque jurássico. Todas as outras bandeiras foram perdidas. A do humanismo foi dinamitada pela revelação, em 1956, dos crimes contra a humanidade perpetrados por Stalin. A da eficiência econômica e a da justiça social ruíram com a queda do Muro de Berlim, em 1989. Sobrou a bandeira da supressão da voz dos que discordam deles. Mesmo isso não pode ser feito com a dureza promulgada por Lenin (”Nosso governo não aceitaria uma oposição de armas letais. Mas ideias são mais letais que armas.”).

O maior ideólogo da censura à imprensa, cujo nome sai com a facilidade dos perdigotos da boca dos esquerdistas brasileiros, é o italiano Antonio Gramsci (1891-1937). Como a revolução pelas armas se tornou inviável, Gramsci sugeriu a via do lento envenenamento ideológico da cultura, do idioma e do pensamento de um país. É o que tentam fazer os conselhos, conferências e planos patrocinados pelo PT. É neles que se dá a alquimia gramsciana. Ela começa pela linguagem. A implantação da ditadura com o fechamento do Congresso é vendida como “democracia direta”; a censura aparece aveludada como “controle da qualidade jornalística”; a abolição da propriedade privada dilui-se na expressão “novos anteparos jurídicos para mediar os conflitos de terra”. Tudo lindo, pacífico, civilizado e modernizador. Na aparência. No fundo, é o atalho para a servidão. Thomas Jefferson neles, portanto: “…entre um governo sem imprensa e uma imprensa sem governo, fico com a segunda opção”.

Fotos Bettmann/Corbis/Latinstock

Um tema, duas visões

No século XVIII, o futuro presidente americano Thomas Jefferson já enxergava a liberdade de imprensa como um dos pilares da democracia. No século XX, o bolchevique Lenin inaugurou a doutrina esquerdista que vê no jornalismo independente uma ameaça a ser combatida

“Se eu tivesse de decidir entre ter um governo sem jornais e ter jornais sem um governo, eu não hesitaria nem por um momento antes de escolher a segunda opção.”
Thomas Jefferson, em 1787

“Dar à burguesia a arma da liberdade de imprensa é facilitar e ajudar a causa do inimigo. Nós não desejamos um fim suicida, então não a daremos.”
Vladimir Lenin, em 1912

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* O socialismo morreu ou se “reformatou”?

sábado, janeiro 16th, 2010

América Latina Socialista?

América Latina Socialista?

Friedrich Engels viu três grandes obstáculos para a visão socialista: “propriedade privada, religião e esta presente forma de casamento”

Dr. Michael Miller

O jornal The Economist marcou o aniversário de 20 anos da queda do Muro de Berlim com a manchete “Tanto conquistas, para se perder”.

Ao celebrarmos o colapso do comunismo, quem teria imaginado que em menos de uma geração teríamos testemunhado um ressurgimento do socialismo em toda a América Latina e até ouvir a palavra socialista sendo usada para descrever políticas nos Estados Unidos?

Relegamos o socialismo à “lata de lixo da história”, mas o socialismo jamais morreu. De muitas formas, ele realmente ganhou influência. Isso pode parecer reacionário, até McCarthyista — mas só até que entendamos o socialismo do jeito que os socialistas o entendem.

Sim, as ideias econômicas socialistas saíram de moda, mas o socialismo sempre foi mais do que só economia. Tendemos a igualar socialismo com comunismo, revolucionários marxistas e propriedade estatal das indústrias. Mas o socialismo é uma visão muito mais ampla da pessoa, sociedade e igualdade e o que significa ser livre.

Friedrich Engels, que escrevia juntamente com Karl Marx, viu três grandes obstáculos para a visão socialista: “propriedade privada, religião e esta presente forma de casamento”. Também fundamental para o pensamento socialista é uma visão secular e materialista do mundo que adote o relativismo, veja tudo de forma política e identifique a comunidade genuína no Estado, não nas famílias, igrejas ou organizações voluntárias.

A queda do comunismo e duas décadas de globalização não extinguiram as esperanças socialistas. As táticas mudaram, mas as metas permaneceram.

Os defensores do socialismo deixaram a revolução a fim de adotar no lugar o gradualismo dos socialistas fabianos que incentivavam o uso das instituições democráticas para atingir metas socialistas. Eles substituíram radicais como Lênin e Fidel Castro pelo marxismo cultural de Theodore Adorno ou Antonio Gramsci, que queria uma “longa marcha nas instituições” da cultura ocidental.

Essa é a linhagem de Saul Alinsky, Bill Ayers e vários revolucionários da década de 1960 que agora ocupam posições de influência cultural em todo o Ocidente. Estamos vendo o fruto de seus esforços: As visões socialistas da família, religião, arte, comunidade, comércio e política estão impregnando a cultura.

Não estou sugerindo que os americanos ou os europeus estão vivendo em países socialistas. Isso trivializaria o sofrimento dos que viveram atrás da Cortina de Ferro. Em vez disso, estou sugerindo que as idéias socialistas estão transformando o modo como muitos de nós pensamos acerca de muitas coisas importantes. Ideias que eram consideradas radicais apenas 75 anos atrás são agora consideradas bem normais e até respeitáveis.

Olhe, por exemplo, para os índices de pessoas amigadas e o número de pessoas que “não crêem no casamento” ou o vêem como uma instituição “burguesa”. Direta ou indiretamente, elas obtiveram essas idéias de gente como Engels e Adorno, que argumentavam que “a instituição do casamento está edificada… em cima da selvagem opressão sexual, que tem a tendência de compelir o homem a assumir responsabilidade a vida inteira por alguém com quem ele outrora tinha prazer de dormir”. O movimento de “casamento” de mesmo sexo e hostilidade à família tradicional segue a meta de Engels de destruir “esta presente forma de casamento”.

Em outras esferas estamos vendo crescente secularização, o Cristianismo sendo igualado com intolerância e prática religiosa decrescente.

Olhe para a comum aceitação do relativismo ético e cultural e o medo de defender a verdade para evitar o rótulo de extremista. Olhe para a supremacia indiscutida do pensamento materialista e darwinista que domina a comunidade científica — ou como o próprio idioma está impregnado do politicamente correto. Olhe para o sistema de escolas públicas, cada vez mais focado na doutrinação em vez de educação. Fazemos piada de que as universidades são o último bastião do marxismo. Mas quem é que pensamos que escreve os livros didáticos que ensinam os estudantes do ensino fundamental e secundário? A “longa marcha nas instituições” tem sido muito mais bem sucedida do que seus defensores iniciais teriam sonhado.

É claro que seria simplista culpar o socialismo por todos os problemas do Ocidente. Mas o socialismo tem sido o principal veículo de muitas dessas idéias, levando-as à sua normalização como tendência predominante.

Então, como é que, depois de tais fracassos dramáticos, o socialismo continua a seduzir? Talvez porque — como o futuro Papa Bento 16, Joseph Ratzinger, escreveu — o sonho marxista de liberação radical ainda captura a imaginação moderna.

É um sonho que sempre trairá porque a manutenção da liberdade exige certa cultura moral: uma cultura que respeite a verdade e viva de acordo com ela; uma cultura que reconheça a inerente dignidade e natureza espiritual da pessoa; uma cultura que respeite o papel da família e incentive uma variada e rica sociedade civil; uma cultura que reconheça que a cultura e o Cristianismo são mais importantes do que a política; uma cultura que respeite o Estado de direito acima das leis arbitrárias dos homens e rejeite as ilusões utópicas; uma cultura que reconheça que a diferença entre certo e errado não é decidida pela maioria, consenso ou moda; e, finalmente, uma cultura que reconheça que a fonte máxima da liberdade é Deus e não o Estado.

A queda do comunismo na Europa oriental foi uma das grandes vitórias da liberdade humana. Mas embora a Europa oriental tivesse passado por incalculável sofrimento, talvez tenha sido uma vitória fácil demais para nós no Ocidente. Com embalos tranqüilizantes, fomos levados a pensar que o socialismo foi desacreditado, perdeu sua sedução — que as economias de livre mercado e bens abundantes eram suficientes para satisfazer os desejos humanos. Talvez devêssemos ter escutado com mais atenção àqueles como João Paulo II ou Alexander Solzhenitsyn que nos avisaram acerca de um materialismo vazio, um relativismo pérfido e uma cultura corrompida.

Os desafios do pensamento socialista são reais. Mas há esperança. Há esperança de que ressurgirá uma resistência ao crescimento sem precedentes do governo. Há esperança nos milhões de famílias que trabalham muito e nos milhares que fazem sacrifícios pela liberdade diariamente. Ao marcarmos a vitória da liberdade e o colapso do socialismo aplicado, não cheguemos a um ponto em que olhamos com tristeza para o passado como se tivéssemos perdido um precioso presente. Vamos construir uma cultura totalmente nova de liberdade com ordem. Vamos aprender com aqueles que sofreram.

***

Michael Miller é diretor de programas do Instituto Acton para o Estudo da Religião e Liberdade em Grand Rapids, Michigan, EUA.


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* Arcebispo do Rio de Janeiro comenta Plano Nacional de Direitos Humanos: “O Plano da Intolerância”.

sexta-feira, janeiro 15th, 2010

Apresentamos artigo do arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, intitulado “O Plano da Intolerância”, em que o prelado comenta sobre o “Plano Nacional de Direitos Humanos” do governo brasileiro.

* * *

O Plano da Intolerância

Iniciamos o novo século com muitas esperanças e sonhos. Pensávamos que o mundo tivesse chegado a um amadurecimento tal que pudéssemos conviver com o diferente e no respeito mútuo. Entre tantos acontecimentos intolerantes em todos os cantos do mundo, um deles foi simbólico: no início deste milênio, em março de 2001, foi destruída uma das maiores estátuas de Buda em pé já esculpidas pelo homem. Ficava no vale do Bamiyan, a 240 km de Cabul, no Afeganistão, e era do século V da era Cristã. Era também declarada como patrimônio da humanidade pela UNESCO. Havia duas e tinham 55 e 37 metros de altura. Os “donos do poder” da época acharam que não poderiam tolerar tal “idolatria” e não faziam parte da “cultura” do momento. Os governantes passaram e os responsáveis de hoje estão procurando reconstruir o que um dia foi destruído.

Em nosso país, infelizmente, há certa confusão com relação ao “Plano Nacional de Direitos Humanos”. Conheço e respeito as pessoas que o defendem e sei de suas boas intenções, mas não posso aceitar a idéia que passam com relação a o que significa a justa laicidade do Estado. Um dos objetivos do plano é o de “desenvolver mecanismos para impedir a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos da União”, além de outras ideias que mereceriam ser ainda mais discutidas. A humanidade vai amadurecendo em suas convicções e passa a enxergar com mais clareza certas situações melhor que no passado. Não podemos viver com situações e realidades que já passaram. Necessitamos agora, neste momento da história da humanidade, de olhar para o futuro. Em relação a tantos questionamentos desse plano, fiquemos com esta única questão: sobre os símbolos religiosos.

Sei que devido às reações aos vários temas que foram desenvolvidos e colocados nesse “Plano” foram contestados por tantos setores de nosso país e a publicação provavelmente não sairá como decreto e sim como comunicação de sugestões. É bem provável também que esse assunto nem mesmo saia quando o próximo decreto for assinado. Porém, como sempre retornamos a esse assunto e, inclusive, é discutido e polemizado em muitas partes do mundo, creio que sempre é interessante lembrarmos algumas questões inerentes a isso. Teríamos muitas idéias e fatos a serem colocados – fatos com grande repercussão mundial – porém iniciaremos com algumas idéias que acredito que nos ajudem a perceber a importância do momento.

Um país laico é aquele que respeita todas as religiões e sabe também acolher a cultura de seu povo. Ditaduras intolerantes são aquelas que impõem ou uma única religião ou mesmo apenas o ateísmo. Na democracia todos podem se manifestar e são chamados a respeitar as ideias dos outros. Em nosso país existem situações de exclusões mesmo com os que se dedicam a múltiplos trabalhos sociais, que não podem exercer sua cidadania justamente porque professam uma fé: deve-se criar outra instituição. Existem países, como a Alemanha, onde o estado não se alinha com nenhuma religião, mas promove e ajuda as mesmas enquanto fatores de promoção humana e social. Mesmo no estado nascido da revolução francesa, as declarações feitas em dezembro de 2007 pelo presidente Sarkozy foram históricas: “considero que uma nação que ignora a herança ética, espiritual, religiosa de sua história comete um crime contra a sua cultura, contra o conjunto de sua história, de patrimônio, de arte e de tradições populares que impregnam a tão profunda maneira de viver e pensar”, e acrescentou também: “a laicidade não deveria ser a negação do passado. Não tem o poder de tirar a França de suas raízes cristãs. Tentou fazê-lo. Não deveria.”

Porém, infelizmente, o que ora ocorre entre nós não é um início de um processo, e sim um passo a mais dentro de um plano muito mais amplo de destruição de nossas raízes históricas. Hoje, os mesmos que foram beneficiados pela cultura cristã do respeito à vida e à liberdade se insurgem contra a mesma tentando retirar seus sinais. Não poderão com decretos retirar do coração do nosso povo suas raízes, suas devoções, sua cultura e seus sentimentos.

Ora, a laicidade do Estado não pode ser sinônimo de intolerância para com a cultura em que se formou e se desenvolveu o Brasil e para com os símbolos que fazem parte de nossa história. Negar a nossa história e querer elaborar outra, ou mesmo dar-lhe outro significado, significa impor à população uma ideia concebida em laboratório com fins filosóficos claros.

A cultura cristã e católica integra a história de nosso país. Não tem como se negar a história, embora em muitos ambientes queira reinterpretá-la esvaziando-a dos verdadeiros valores nos quais se baseia nossa identidade. Em nosso atestado de batismo está uma Missa celebrada no alvorecer do Brasil, Terra de Santa Cruz! Temos nomes de cidades, ruas, locais e até mesmo em nossa bandeira ideias e símbolos ligados a diversos grupos que fazem parte de nossa história nacional. Há pouco tempo eu estava no Pará e uma das situações que me chamou a atenção foi justamente a história de um povo que conseguiu, mesmo com a globalização, preservar sua cultura, suas músicas, danças, sotaques, tradições e festejos religiosos que estão inseridos em sua alma e sua gente.

Trata-se, antes de tudo, de uma questão de preservação da memória de nossa história e das raízes culturais da nossa identidade brasileira. Querer coibir a ostentação dos símbolos da cultura que berçou e construiu a nossa história é, isto sim, um verdadeiro sinal de intolerância, que provoca o desenraizamento e promove uma ideologia que não ousa dizer o próprio nome. Não se vê, desse modo, necessidade alguma de “impedir a manifestação de símbolos religiosos nos estabelecimentos da União”.

Em alguns lugares do mundo é proibido até mesmo manifestar sua fé dentro de suas próprias residências. Os caminhos escolhidos para arrancar as nossas raízes e deixar nosso povo sem história são muito sérios e podem levar ainda mais a um tipo de sociedade não só mais intolerante, mas muito mais desenraizado e violento. Será que isso levaria também à destruição de muitas de nossas praças e monumentos que ostentam símbolos religiosos? Será que um dia, para vivenciarmos a fé em nosso país, teremos de nos esconder da vida pública?

O papel do Estado laico não é, de modo algum, o de promover uma ideologia laicista, como se o laicismo não fosse também uma forma de religião. É um grande engano achar que o laicismo, projeto de uma minoria que se mostra intolerante, é uma ideologia neutra. E não nos devemos esquecer jamais de que se o Estado é laico a sociedade brasileira não o é. Além de sua história profundamente ligada à fé cristã e católica, o povo brasileiro, em sua grande maioria, professa a fé que recebeu dos seus antepassados e se identifica com os símbolos que a expressam. A função do Estado laico, longe de ser a de provocar o desenraizamento cultural e religioso ou coibir a manifestação pública de símbolos religiosos, é a de garantir a liberdade religiosa à sociedade e a seus membros, em suas múltiplas manifestações, preservada a justa ordem pública e o respeito devido à diversidade.

Os símbolos demonstram também a formação do caráter de nosso povo que, se procurarmos em suas decisões diárias, encontraremos muitos textos do Evangelho que marcam o tipo de vida e nacionalidade, mesmo daqueles que não creem. É como se fosse o DNA de nossa civilização: 99% dos genes são comuns a todos nós. As diferenças são mínimas e quase nem se notam. Se é verdade que a natureza não dá saltos como comentam os cientistas, necessitamos de tomar muito cuidado com os “saltos” laboratoriais que podem ocasionar a nossa perda de identidade e cultura.

Qualquer pessoa ao chegar a um país e ver os seus monumentos e seus símbolos logo se depara com a sua realidade cultural, humana e religiosa. A Igreja sempre procurou e procura estar em defesa dos direitos e valores humanos, porém, apesar desse plano ter muitas teses importantes e interessantes, a dúbia direção ora escolhida é complexa e não ajudará em nada a continuar caminhando na direção de uma nação mais justa e solidária, que é o sonho comum de todos nós. E neste sentido os conhecidos atuais elaboradores deste “plano” sabem muito bem como a Igreja esteve ao seu lado e enfrentou perseguições sérias durante os históricos e duros momentos vividos com a falta de respeito à vida e à liberdade de pensamento.

Nestes dias estamos vivenciando a preparação para a festa de São Sebastião, devoção trazida há 445 anos por Estácio de Sá para a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Teríamos como contar a história da cidade maravilhosa sem esses dados? Aliás, é só pesquisar a história da maioria de nossas cidades para ver onde estão as fontes e as inspirações.

A estátua do Cristo Redentor, que, do cume do Corcovado, a 710 metros de altura, ergue-se como uma maravilha do mundo moderno e um símbolo de identificação do Rio de Janeiro e do Brasil, é o nosso Santuário Arquidiocesano Cristo Redentor do Corcovado, local de peregrinações, orações, celebrações e manifestação da fé do povo brasileiro. Iniciamos uma campanha para a restauração desse monumento, preparando-o para os grandes eventos que ocorrerão futuramente em nossa Cidade Maravilhosa. É um símbolo não só do Rio de Janeiro, mas do Brasil.

Que a fé cristã, simbolizada nesse sinal, que nada ofende as pessoas, seja para todos nós um anúncio de alegre acolhimento na construção da paz e da fraternidade e que acolhe e dá a todos as boas vindas de um povo feliz, livre e que quer viver e construir a paz!

+ Orani João Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro

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* Bispos da Venezuela: A liberdade sempre triunfará sobre a opressão.

sexta-feira, janeiro 15th, 2010

A Conferência Episcopal Venezuelana (CEV), rechaçou qualquer tipo de estatismo e individualismo e chamou os venezuelanos a comprometerem-se na reconstrução do país seguindo o ideal dos independentistas do século XIX, com a certeza de que a vida e a liberdade sempre triunfam sobre a morte e a opressão.

“Tudo aquilo que vai em contra do propósito institucional da Venezuela livre e soberana, justa, solidária e fraterna, não triunfará. A vontade de lavrar um futuro cada vez melhor, na convicção do triunfo definitivo da vida e da liberdade sobre a morte e qualquer forma de opressão, foi, é e será motivo e razão de luta de um povo que crê, ama e espera”, afirmaram os bispos em uma extensa carta pastoral com motivo do próximo bicentenário nacional.

No texto, o Episcopado fez um resumo da história venezuelana que recordou que, embora com imperfeições, os fundadores procuraram no século XIX construir um país cujos habitantes sejam livres, iguais e irmãos.

Entretanto, lamentaram que durante o período democrático iniciado em meados do século passado e apesar dos abundantes recursos do petróleo, a maioria de venezuelanos tenham se sentido relegados e experimentados com crescente desilusão que “a democracia integral não era para todos”.

O desgaste, desgaste dos partidos políticos e o desencanto da população –explicaram-, “criaram uma matriz favorável ao surgimento de alternativas transformadoras, além de uma simples mudança de governo. Isso foi o que prometeu o candidato triunfador (Hugo Chávez) na campanha eleitoral de 1998”.

Entretanto, recordaram que apesar do inicial apoio popular, o nascente governo foi se transformando em um regime totalitário cuja ambição “não só toca o tecido material e organizativo do corpo social, mas também, e sobre tudo, afeta o fundo íntimo, espiritual, da alma nacional”.

Atualmente, afirmaram, milhões de venezuelanos seguem vivendo em condições indignas à condição humana, “as elites de antes e de agora não obtiveram que o povo seja sujeito capacitado e autônomo. E o projeto de socialismo do século XXI, pregado agora, dista muito do que o povo venezuelano aspira e reclama”.

Reconstruir o país

Diante disto, a CEV chamou a comprometer-se a “lutar contra uma anti-cultura de exploração, dominação e arbitrariedade; de divisão, violência e exclusão; e, positivamente, de criar, de verdade, um ‘espaço comum’, espiritual e social, onde a dignidade de cada um seja reconhecida e promovida pela laboriosidade, a consciência e a responsabilidade de todos”.

“Dizemos não ao estatismo, pois está à vista, em qualquer parte, o desastre que produziram e produzem os projetos autoritários e até totalitários, de diversos sinais, que impedem a criatividade e a liberdade cidadãs”, expressaram os bispos.

Depois de denunciar o populismo e esbanjamento de dinheiro, os prelados afirmaram que “Deus e a Pátria nos chamam e interpelam, em primeiro termo, a colaborar na construção ou melhor dizendo a reconstrução material e espiritual da República em um clima de solidariedade e convivência, que inclua a todos e em que todos tenhamos vida em liberdade”.

ACI

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* A liberdade individual pelo mundo, segundo a Freedom House.

quarta-feira, janeiro 13th, 2010

A organização sem fins lucrativos Freedom House, sediada em Washington, nos Estados Unidos, divulgou nesta terça-feira (12) o estudo “Liberdade no Mundo em 2010”, no qual retrata os países conforme o grau de liberdade individual que seus cidadãos possuem. Pelo quarto ano seguido, o mundo ficou “menos livre” segundo a organização, a maior sequência de queda nas liberdades em quase 40 anos de estudo.

De acordo com a Freedom House, 2009 foi um ano marcado pela “intensificada repressão contra defensores dos direitos humanos e ativistas civis”, o que fez com que 40 países registrassem diminuições nos níveis de liberdade medidos pela organização, enquanto apenas 16 melhoraram. “As notícias de 2009 são realmente preocupantes”, disse Arch Puddington, diretor de pesquisa da Freedom House. “O declínio é global, pois afetou países fortes econômica e militarmente, países que mostravam sinais de reforma e os governo mais autoritários se tornaram ainda mais repressivos”, disse ele.

A localização dos países livres coincide com o mapa dos países que possuem democracias representativas nos moldes daquela consagrada pelos Estados Unidos. Assim, a maior parte daAmérica Latina (incluindo o Brasil), Estados Unidos, Canadá, seis países africanos, Israel, India, Mongôlia, Japão, Indonésia e Austrália, e quase a totalidade da Europa são classificados como “países livres”. No total, são 89 países ou territórios nessa condição, que abrigam 3,08 bilhões de pessoas.

No segundo grupo, dos “parcialmente livres”, há 58 países, entre eles Honduras, que caiu para esta classificação após a crise institucional iniciada com a deposição do ex-presidente Manuel Zelaya. Na América Latina, ainda são classificados como parcialmente livres a Colômbia e quatro países governados por presidentes de esquerda: Bolívia, Equador, Paraguai e Venezuela.

No continente, o único país “não livre” é a ilha de Cuba.

Junto com Cuba aparecem como Estados não livres a China, a maior parte da África (onde houve quatro golpes em 2009), a Rússia, várias ex-repúblicas soviéticas, e quase todo o Oriente Médio, classificado como “a região mais repressiva do mundo”. Apesar deste nada honroso título, o Oriente Médio só tem um país na lista chamada “piores dos piores”, que é a Líbia. Os outros companheiros do país de Muamar Khadafi são os asiáticos Mianmar, Coreia do Norte, Tibete (região que oficialmente pertence à China), Turcomenistão e Uzbequistão, e os africanos Eritreia, Guiné Equatorial, Somália e Sudão.

Para criar o ranking de países, a Freedom House elabora e responde questões que abrangem temas como o sistema eleitoral, pluralismo político, funcionamento do governo, liberdade de expressão, de livre associação, estado de direito e direitos individuais. Os analistas da organização atribuem notas aos países e uma média individual é gerada para listar os 194 países e 14 territórios pesquisados.

A Freedom House foi fundada em 1941 por Eleanor Roosevelt, mulher do então presidente dos EUA Franklin Delano Rossevelt (no cargo entre 1933 e 1945) e por Wendell Wilkie, um advogado que concorreu com Roosevelt nas eleições presidenciais de 1940, mas que depois passou a defender seu governo.

Fonte: Época

***

Veja essa notícia que referenda a análise.

Ex-muçulmanos são atacados e recebem ameaças de morte

A agência de notícias International Christian Concern informou que, no dia 18 de dezembro de 2009, muçulmanos fanáticos em Nutangram, Bengala Ocidental, atacaram os cristãos que haviam se convertido do islamismo e ameaçaram queimá-los vivos se não voltassem para sua religião anterior.

Os fanáticos agrediram verbalmente os membros do Khoda-E- Jamat Ibadat Khana (Centro de adoração/ Igreja para ex-muçulmanos) e também ameaçaram incendiar suas casas.

Os muçulmanos também organizaram um boicote social contra os cristãos, e forçaram todos os comerciantes da região a não vender nada para os cristãos e não permitir que eles tivessem acesso à água. Eles também disseram para que os familiares muçulmanos não permitissem que os parentes cristãos usassem o wc.

No dia 19 de dezembro, os cristãos registraram uma queixa na delegacia de Nurshidabad. Quando visitaram o local, viram que eles falavam a verdade.

Uma fonte afirma: “O último ataque deixou os 100 membros da igreja abalados”. Depois que a polícia conversou com os agressores e os alertou a não perturbarem novamente os cristãos, a região ficou em paz novamente.

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* Uganda discute projeto de lei que condena gays à morte.

quinta-feira, janeiro 7th, 2010

O presidente de Uganda, Yoweri Museveni, afirmou a colegas partidários que considera muito repressivo o projeto de lei em trâmite no país, que propõe a pena de morte para homossexuais. “A pena de morte deverá ser retirada. O presidente não acredita nos assassinatos de gays. Eu também não acredito nisso”, disse o ministro da Ética e Integridade de Uganda, James Nsaba Buturo.

“Eu acho que os gays podem ser aconselhados e pararem por si próprios com esse hábito ruim”, afirmou. Segundo Buturo, o presidente instruiu seu partido, o Movimento Nacional de Resistência, a derrubar a provisão, que será votada em fevereiro ou março. A medida se aplicaria a gays sexualmente ativos que vivem com o vírus HIV, ou em casos de estupro entre pessoas do mesmo sexo.

O projeto de lei também determina que qualquer um condenado por uma relação homossexual – o que no texto inclui tocar outra pessoa do mesmo sexo com a intenção de cometer um ato homossexual – cumprirá pena de prisão perpétua. Ainda não está claro se o presidente Museveni apoia essa provisão ou não.

Ativistas de direitos dos gays afirmam que o projeto de lei, que circula em Uganda desde meados do ano passado, irá espalhar o ódio e dificultar ainda mais o combate ao vírus HIV no conservador país africano.

O ativista pelos direitos dos gays, Peter Tatchell, em Londres, disse que mesmo que a pena de morte seja removida do texto da lei, ela ainda assim irá em contradição a várias convenções internacionais sobre os direitos humanos, e isso poderá levar os doadores a reduzirem a ajuda a Uganda.

“Mesmo uma lei sem pena de morte será extremamente repressiva e discriminatória. Mesmo antes dessa lei, relações homossexuais eram punidas com prisão perpétua e existe uma ampla homofobia em Uganda. A situação não vai mudar”, disse Tatchell.

Fonte : Estado de São Paulo
***
Matar ? é uma lei absurda e profundamente desrespeitosa aos direitos humanos básicos.

Ninguém tem o direito de tirar a vida de ninguém.Mesmo com a ressalva de que a  medida se aplicaria a “gays sexualmente ativos que vivem com o vírus HIV, ou em casos de estupro entre pessoas do mesmo sexo”, nem mesmo assim é aceitável.

Tambem prisão perpétua?…é muito forte e desproporcional. Medidas como essas apenas reforçam a imagem mundial de perseguição e em nada ajudam a um relacionamento saudável e respeitoso – mesmo com discordâncias básicas- com esse desafio social e moral.

Nossa fé cristã não aceita o comportamento e a vivência homossexual, mas não aceitaria jamais esse tipo de punição nem muito menos essa visão do problema com referências tão desumanas e radicais.
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* Laicismo deforma a verdadeira liberdade.

sábado, dezembro 26th, 2009
Paulo Gustavo Guedes – Site “Consultor Juridico”.

Depois de provocar muita polêmica em 2004, quando seu uso foi proibido nas escolas públicas francesas, o véu islâmico volta a agitar a política francesa e europeia. Em 22 de junho passado o presidente francês Nicolas Sarkozy manifestou aos deputados e senadores franceses, reunidos solenemente no Palácio de Versalhes, o seu repúdio ao uso da burca e do “chador” e seu apoio a eventual ato legislativo que pretenda proibi-los no território francês.

A burca nada mais é que a versão mais fechada do véu islâmico e o chador aquele que recobre apenas a cabeça. Sarkozy afirmou, na ocasião, que a questão não teria caráter religioso, mas diria respeito à igualdade entre homens e mulheres; para o presidente francês, a burca é sinal da submissão das mulheres.

Também na Turquia e na Alemanha a questão desperta acalorados debates. Um Estado alemão chegou a proibir o uso do véu islâmico pelos professores de escolas públicas, ao tempo em que admitiu o uso de crucifixos e o hábito de freiras católicas.

Nessa mesma linha, em 04 de dezembro de 2008, a Corte Europeia dos Direitos do Homem, sediada em Strasbourg, considerou justificada a expulsão de duas alunas muçulmanas de uma escola pública francesa, por terem se recusado a retirar o véu nas aulas de educação física. As famílias das alunas já tinham perdido em todas as instâncias da justiça administrativa francesa. A Corte Europeia entendeu também que não houve desrespeito à liberdade religiosa.

Contudo, tais medidas podem, sim, ferir gravemente a liberdade de crença e de religião. É compreensível que se proíba o uso de signos religiosos pelos representantes do Estado, como juízes, policiais ou mesmo professores de escolas públicas. Que tal proibição atinja o próprio cidadão na sua vida privada constitui-se numa deturpação do princípio da laicidade.

Não se pode entender a laicidade do Estado sem referência à liberdade religiosa. É a outra face da moeda.

Por que razão o Estado deve ser laico? Porque, representando todos os cidadãos, não poderia abraçar uma opção religiosa sem alienar dessa representação os cidadãos de outra crença ou mesmo os que não professem religião. Assim, a liberdade de religião, aliada a uma nova concepção do Estado e da igualdade, está na origem da laicidade.

De qualquer forma, é aos agentes e funcionários do Estado que o princípio da laicidade se dirige, vedando que expressem, no exercício da função pública, suas preferências religiosas. Os edifícios públicos, da mesma maneira, deveriam manifestar essa neutralidade diante da religião. A laicidade é exigida sempre do Estado, nunca do cidadão, do particular, para o qual vale a liberdade de professar qualquer crença ou religião. A menina que vai à escola francesa não representa o Estado. É para que os cidadãos possam usar crucifixos, véus ou quaisquer signos religiosos que o Estado se laicizou, que se tornou neutro diante da opção religiosa. Vedar à jovem o uso do véu islâmico, mesmo na escola pública, é violentar sua liberdade religiosa, mormente pela importância que a questão tem para as mulheres muçulmanas. Vedar seu uso no território de um país é medida que remete às guerras de religião.

O que tem sido professado na França é uma deturpação da laicidade, o laicismo, versão militante daquela. Ele perde de vista a liberdade religiosa e quer impor à população uma forma de secularização.

Norberto Bobbio estabelece essa distinção. Para ele, a laicidade, ou espírito laico, não é em si mesmo uma nova cultura, mas uma condição de convivência de todas as possíveis culturas. Por outro lado, assevera que o laicismo que “necessite armar-se e organizar-se corre o risco de converter-se numa igreja em oposição às demais.”

Por fim, parece igualmente autoritário o argumento de Sarkozy de que a proibição visaria à igualdade de homens e mulheres. Ainda que se considere o véu islâmico incompatível, mormente na forma da burca, com a visão que temos da mulher no ocidente, ele é certamente um signo religioso. Se uma mulher oculta seu rosto e cabelos, ou o corpo inteiro, por respeito à religião, ou se o faz por medo do marido ou do militante islâmico do bairro, só ela pode saber. Na dúvida, para não ferir algo tão íntimo e inviolável quanto a liberdade de crença e de religião, e não retrocedermos alguns séculos, é melhor deixar que ela retire o seu véu espontaneamente, convencida que venha a ser disso pela cultura ocidental da igualdade, da liberdade e da fraternidade, ue costumavam ser a divisa dos franceses.

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* No mundo, de cada dez, sete não tem liberdade religiosa,segundo estudo do Centro de Pesquisa Pew dos EUA.

quinta-feira, dezembro 24th, 2009

Cerca de 70% da população do mundo vive em áreas nas quais se produzem severas limitações à liberdade religiosa, segundo revela um estudo do Fórum sobre Religião e Vida Pública do Centro de Pesquisa Pew dos Estados Unidos, segundo difunde o L’Osservatore Romano.

O estudo revela também que nos primeiros lugares da classificação de lugares com as maiores restrições da liberdade de profissão da fé e de culto se encontram os países de maioria muçulmana, especialmente no Oriente Médio e no Norte da África.

O estudo, de caráter neutro e sem vontade de juízo crítico dos governos e suas leis, examina a situação de 198 países de todos os continentes, em um período que vai da metade de 2006 à metade de 2008.

Arábia Saudita, Irã, Uzbequistão, China, Egito, Mianmar, Maldivas, Eritreia, Malásia e Brunei são os países com limitações de grau mais elevado em absoluto (5% do total), enquanto que, do lado oposto, Brasil, Japão, Estados Unidos, Itália, África do Sul e Reino Unido, entre outros, estão nos últimos lugares na classificação de Pew.

A análise revela uma contradição onde se afirma que a maior parte dos países (76%) tem constituições ou leis que preveem a liberdade religiosa, mas somente 53 governos respeitam plenamente este direito.

A análise descreve várias realidades nas quais se somam tanto as ações diretas dos governos como as atividades de grupos fundamentalistas.

“O verdadeiro teste do nível de restrições – observa Alan Cooperman, membro da equipe de pesquisas do Instituto Pew – começa precisamente na análise da situação daqueles que pertencem às minorias religiosas.”

O informe distingue os países nos quais as restrições são em geral consequência das políticas dirigidas pelos governos ou sancionadas pelas leis, daqueles nos quais, ao contrário, frente a governos “tolerantes”, dão-se hostilidades entre os diferentes grupos religiosos da sociedade; ou também onde ambas as situações, políticas e sociais, apresentam-se juntas.

Por exemplo, as mais severas limitações são registradas em países como a Arábia Saudita, Paquistão e Irã, onde se somam a hostilidade com relação às minorias religiosas tanto dos governos como dos grupos sociais.

“Neste caso – explica Timothy Shah, professor do Instituto de Cultura, Religião e Assuntos Mundiais da Universidade de Boston –, os dois fenômenos tendem a desenvolver-se juntos: umas vezes, as restrições dos governos são inspiradas pelos grupos fundamentalistas; mas, ao invés de contribuir para deter as hostilidades entre grupos religiosos, as ações das autoridades tendem a exacerbar mais a situação.”

Pelo contrário, na Nigéria ou em Bangladesh, os governos agem com políticas menos severas, mas na sociedade as ocasiões de choque entre os grupos religiosos não conseguem ser aplacadas.

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* Ironia da decisão Suiça de proibir os minaretes islâmicos.

sexta-feira, dezembro 11th, 2009

Dizem que a Suíça deu duas coisas ao mundo: relógios e Rousseau. Os cínicos devem acrescentar à lista a grande surpresa deste final de ano : contra todas as previsões, os suíços resolveram proibir a construção de minaretes islâmicos no seu espaço nacional. Os minaretes são estruturas arquitectónicas, em forma de torre, que permitem chamar os fiéis para a oração.

Não mais. O Partido do Povo da Suíça, a maior organização partidária do país, resolveu convocar um referendo. E o povo, sempre soberano, rejeitou a “islamização” do seu espaço público. Em certos cantões, e sobretudo com o apoio feminino (por que será?), a rejeição foi esmagadora.

A atitude dos suíços horrorizou a Europa e alguns intelectuais de serviço, disparando da esquerda, acusam os nativos de intolerância extrema. Os suíços têm ódio e medo perante o estrangeiro, dizem os críticos; e assim se explica o repúdio da religião islâmica e da sua expressão arquitectónica, uma atitude incompreensível e até irracional quando sabemos que os muçulmanos representam 5% da população suíça e são, na sua maioria, procedentes dos balcãs e da Turquia, e não necessariamente de países árabes extremistas.

Não pretendo contestar a opinião dos críticos. Sou um conservador liberal. Acredito na separação entre o Estado e a Igreja e, além disso, a liberdade de culto é condição basilar para qualquer sociedade civilizada. É por isso que prefiro viver no Ocidente e não, por exemplo, no Islã.

Acontece que, no meio da novela suíça, dois pormenores parecem escapar aos críticos.

Em primeiro lugar, nenhum deles parece questionar por que motivo os suíços se organizaram para impedir a construção de minaretes mas não, por exemplo, a construção de mais igrejas ou sinagogas.

Acusações de racismo servem apenas para iludir a verdade mais desconfortável: o terrorismo moderno, que teve a sua apoteose com os atentados de Nova York em 2001, não se pratica em nome da Bíblia ou da Torah. Goste-se ou desgoste-se, ele é praticado em nome de uma particular interpretação fundamentalista do Corão. Uma interpretação que muitas mesquitas na Europa, e sobretudo no Reino Unido, promoveram e promovem clandestinamente, adulterando uma vocação que deveria ser espiritual, e não marcial.

Mas existe um segundo pormenor que importa relembrar. Disse no início que a Suíça legou ao mundo relógios e Rousseau. Deixando de parte os relógios, fiquemos com Rousseau. Sobretudo com a sua particular concepção de “democracia direta” (e referendária) que constitui uma das vacas sagradas da esquerda clássica. Se os estados justos são aqueles onde prevalece a “vontade geral”, não se percebe por que motivo a “vontade geral” dos suíços horroriza assim tanto os seus herdeiros.

Para quem sempre divinizou a soberania popular, criticar os suíços é coisa de reacionário.

J P Coutinho

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