Posts Tagged ‘Liberdade’

* O Islã contra o BlackBerry.

segunda-feira, agosto 9th, 2010

La Repubblica

De celular de sucesso a perigo público. Aquilo que fez a sorte do BlackBerry, isto é, a facilidade de acesso à Internet, a possibilidade de receber e-mails em tempo real e trocar mensagens em qualquer lugar em que se encontre, está se tornando uma condenação.

Na Arábia Saudita, onde circulam pelo menos 750 mil BlackBerrys, foram bloqueados a partir desta sexta-feira os serviços de gestão de correio eletrônico e tráfego na Internet.

O mesmo destino será dado, a partir de outubro, aos 500 mil celulares em uso nos Emirados Árabes. Um outro país islâmico, a Indonésia, ameaça cancelar os mesmos serviços. Problemas também na Índia, porque o governo pediu explicitamente à empresa produtora, a canadense Research in Motion, que disponibilize, em caso de necessidade, os dados das comunicações.

Para a RiM, essa série de decretos está se tornando um problema, principalmente em nível de imagem, apesar dos 100 milhões de unidades vendidas nos 175 países onde a empresa opera.

Por que o BlackBerry dá tanto medo? E por que ninguém protesta contra os outros smartphones? O problema está no fato de que o BlackBerry não é um celular como os outros. Não funciona com as operadoras telefônicas normais, com base em protocolos standard e públicos, mas é uma verdadeira infra-estrutura à parte, composta por centenas de servidores espalhados em todo o mundo, principalmente no Canadá e na Europa.

Os dados, na prática, viajam em código e não usam as redes telefônicas normais. Isso permite que a RiM ofereça aos usuários das empresas às quais coloca os servidores à parte à disposição, uma proteção das mensagens elevadíssima. Os governos não gostam de serem tirados fora, e sem o código fonte da empresa de produção não se pode interceptar.

“Não daremos a nenhum governo as chaves de acesso aos nossos BlackBerry”, diz Mike Lazaridis, fundador e co-diretor executivo da RiM. “Permitir que os governos controlem as mensagens coloca em risco a relação de confiança com os nossos clientes, dentre os quais estão as maiores empresas do mundo e muitas empresas que se ocupam com segurança. Com relação a esse ponto, não é possível nenhum compromisso”.

As autoridades sauditas respondem que tudo isso é contrário às exigências de segurança nacional. Mas talvez o motivo dessa inesperada hostilidade com relação ao BlackBerry nasce do temor de que esse código fonte já esteja, na realidade, nas mãos de superpotências como a Rússia e a China, obtido em troca da possibilidade dada à RiM de penetrar nesses mercados.

“São boatos absolutamente ridículos”, rebate Lazaridis. “Os clientes podem continuar tendo confiança na integridade dos nossos sistemas de segurança, sem temer nenhum repensamento”.

Porém, para evitar riscos de espionagem, o governo francês ordenou aos seus agentes secretos que não usem esses celulares. E o BlackBerry usado pelo presidente dos Estados Unidos, Obama, foi secretamente modificado.

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* Jovens das raves: Drogas, Música, liberdade…Liberdade?

quarta-feira, julho 28th, 2010

jornal La Repubblica, 27-07-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Dizem que se o “raver” fosse um animal seria um cruzamento imperfeito entre um escorpião e uma enguia. “E também uma borboleta. Sempre voando de um lado para o outro, seguindo a batida eletrônica, que, para mim, para nós, é vida”.

Escorpião não por causa do veneno, mas “porque se torna luminescente se é exposto a algumas frequências de raios ultravioletas. É muito bonito. Na verdade, pode-se encontrá-lo frequentemente nos ‘flyers’ (os panfletos de convite para as festas tecno”).

Enguia porque é fugidio, não é possível pegá-la. “Somos difíceis de explicar. Eu mesmo, se você me perguntar, não saberia lhe dizer o que eu sou. Eu lhe diria bobagens. Talvez, você também pode chegar perto, mas, para entender, é preciso vir dançar, e deu. De manhã até a manhã seguinte”. E se o “raver” fosse uma máquina? “Seria um daqueles carros vermelhos e poderosos. Mas não só no motor: justamente como carroceria. ‘Trabalhada’, tipo rally, ‘tunada’. Um pouco ilegal, mas que não se esconde”.

Davide tem 18 anos, cabelos curtos pintados de amarelo, um pouco descoloridos, é alto, desengonçado, natural de Parma. É sobrevivente da love Parede. É um “raver”, “mas não um troglodita”. Ele conta: “Nos encontros, se bebem rios de cerveja, a droga rola solta. Mas o agito é a música, uma metralhadora que te esvazia, toda a adrenalina do mundo”.

A impressão, provavelmente inexata, é que o fato de deixar o corpo solto enquanto fala, as mãos, os braços, os joelhos, um movimento involuntário do pescoço, lhe cause um prazer sutil ou até o o erga do compromisso mental de ter que controlar as artes. Ele tem no bolso um recente diploma de geômetra, os óculos com armação vermelha que ele tinha há 24 horas na Love Parade de Duisburg e mais de 40 tickets: tantos quanto as cervejas que ele consumiu com um amigo durante a festa do amor e da morte.

O encontro pela primeira vez fora da estação ferroviária da cidade alemã: camiseta com o logotipo de um gigante da informática, bermuda, tênis Nike marrons de basquete, boné, mochila, pochete. Um piercing tribal fura a sua bochecha esquerda, dois pelos de barba. No dia seguinte, ele se apresenta vestido do mesmo modo no setor de partidas do aeroporto de Dusseldorf. Tínhamos combinado o encontro, mas eu não esperava muito dele. Ele, “raver” em viagem, volta para os campos de Parma. Muito provado no físico, mas, jura, “com muitas coisas boas na cabeça”.

“Sinto pelos mortos, mas foi tudo estupendo”. O pacto com Davide é este: “Falemos, mas só se não surgir a mesma coisa de sempre, ‘raver’ igual a drogado, igual a troglodita. Porque agora é fácil… 19 mortos, não? Quantos são?”. Dezenove. “… pois então, e a moça italiana, e toda a complicação, e a Love Parade. Menos mal que não morreram por causa de uma ‘cala’ ou por causa de um ‘kate’, senão, tchau”.

Espero um segundo. “A ‘cala’ é o comprimido, o ecstasy. O ‘kate’ é a ketamina (anestésico utilizado principalmente com fins veterinários, age deprimindo o sistema nervoso central). Assim deixamos de lado logo o assunto droga. É inútil ficar girando ao redor: nas raves, nas ruas, na Love, praticamente jogam em cima de você essa coisa. Não precisa nem pedir. Uma ‘cala’, 10 euros. Um envelope de ‘kate’, 20. Depois, existem os cartões (LSD). Nos ‘after’, que seriam a continuação das raves e de todas as festas, legais ou não, você os encontra por duas liras”.

Perguntar a Davide se e o que ele toma quando vai dançar por dez horas seguidas é como jogar uma bola de tênis contra um muro: ela volta, e é provável que você não consiga mais pegá-la. “A minha energia é natural”. “Muita cerveja. Em Duisburg, bebemos dez litros entre dois. Entramos às quatro e saímos à meia noite. Das confusões, não vimos nada”.

Os “ravers”, quando falam de si mesmos, ou levantam logo um muro ou adoram fazer surgir a ideia da seita, da comunidade fechada. Que depois, na realidade, se abriu muito, removendo os limites para além do estereótipo. Davide destrói a ideia da iniciação, do ritual. “A primeira vez, há três anos, em Bolonha: na ’street parade’. Quem me levou foi um amigo que ia a vários ‘teknival’ europeus. A ’street’ é tranquila. Cheguei e fiquei de boca aberta: os carros, muitos, muito bonitos, cheios de pessoas e colotidos, como um carnaval, as caixas de som enormes que disparam a música. Depois de uma hora eu já estava sob o efeito do primeiro ‘cassone’ [de caixa]. O ‘cassone’ é a experiência mais forte que você pode fazer em uma rave: você fica o mais perto possível das caixas de som, uma metralhadora nas orelhas. Uma grande sensação. Você dança, se deixa transportar pela energia, não pensa mais em nada, se esvazia, sente ao seu redor a adrenalina do mundo. Mas você é leve.

Há um amigo meu que faz paraquedismo. Fomos juntos ao Traffic de Turim (festival tecno). Ele experimentou o ‘cassone’ e me disse: ‘ah, é melhor do que se jogar de paraquedas’. Entendeu? Para fazer o ‘cassone’, as pessoas ficam em fila esperando. Porque são muitos. São torres, altares. Para um raver, fazer o ‘cassone’ é como fazer a comunhão na igreja durante a missa. Mas esse é justamente um prazer físico”.

Depois de Bolonha, foi Milão, depois de novo Bolonha, depois Davide também começou a ultrapassar as fronteiras: Suíça, Alemanha, Holanda, Polônia, Sérvia. Milhares de quilômetros para dançar sob a furadeira da trance, do electro, do hardcore, do hardstyle. “Todos os meses eu faço uma. Para Duisburg, partimos de Parma às quatro horas da manhã do sábado. Às quatro horas da tarde, estávamos lá no meio. Chamamo-la de fábrica do agito, é uma grande festa. E você também pega algumas meninas. Muitas vezes – sorri –, as moças que você encontra nas raves e nos festivais estão muito eufóricas. Quando você está ali, vai direto ao ponto: não se fala e a música te envolve, é uma linguagem dos corpos. Você se conecta logo, acredite”.

O alto-falante anuncia o embarque do voo para Milão. Em uma hora, Davide já foi ao banheiro três vezes. Pergunto se ele está bem, se está tudo certo. Ele diz que sim, que não tem nenhum problema. No celular, chovem mensagens. “É a ‘community’, eles te avisam sobre os próximos encontros. Mas se você for lá, pode ver o que acontece”. “No dia 7 de agosto, vou ao Valley Festival, na Holanda. No dia 14, o ‘Energy 10′, em Zurique, que é o fim do mundo”.

Verifico clicando no site de uma agência especializada. Esses são eventos legais, patrocinados: onde está o mistério? “Não existe”. Ou talvez sim. “No festival, acontecem as mesmas coisas que acontecem na rave ilegal organizada por mim e por ti em um pavilhão ou em uma fábrica abandonada. Agora, posso lhe perguntar uma coisa?”. Sim. “Antes, eu lhe disse que o meu filme preferido é o ‘Trainspotting’. Escreva que eu também assisto ‘Ben 10′, um desenho animado com um menino que se transforma para se defender dos aliens que querem destruir o planeta”.

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* Uma selvagem celebração da “liberdade”, da juventude e do excesso.

segunda-feira, julho 26th, 2010

Um dia depois da tragédia que matou 19 pessoas e deixou outras 342 feridas, o organizador da edição de 2010 da Love Parade na Alemanha, Rainer Schaller, anunciou, em entrevista coletiva, que um dos maiores eventos de música eletrônica do mundo nunca mais será realizado. O tumulto começou quando a polícia decidiu fechar uma das entradas do único acesso ao desfile — um túnel de 300 metros de extensão, que ligava o evento a uma antiga estação de trem, na cidade de Duisburg.( Jornal O Globo)

A foto acima mostra o “love parede”.

Esse acidente, lamentado pelo Papa, me fez refletir.

Claro que o acidente não tem nada a ver com o conteúdo do festival. No entanto, o evento, que foi cancelado de forma definitiva pelos seus organizadores, tráz à tona a realidade de parte da juventude desorientada e partidaria da “liberdade” absoluta que descobriu a face da morte e de sua presença mesmo no meio da “alegria” .

No acidente ela se manifestou de forma dramatica e intensa, mas não menos real na vida de quem faz do culto a sí, a seus desejos e na fuga da droga também culto à morte, buscada de forma inconsciente pela maioria mas de forma consciente por aqueles que perderam o sentido para a própria vida.

É lamentável e doloroso ver nossos queridos jovens morrerem assim, de forma dramática, com manchetes em jornais no mundo todo, porém ninguém noticiou antes deste dia que muitos deles já estavam mortos apesar da aparente vida e alegria.

***

Não é uma festa qualquer. Não é sequer um ‘rave party’ qualquer. Não a Love Parade não é coisa para corações tenros, para bailarinos do domingo, para freqüentadores de discotecas no fim de semana.

O comentário é de Ernesto Assante e publicado pelo jornal La Repubblica, 25-07-2010. A tradução é de Benno Dischinger.

Ernesto Assante é crítico de música do jornal italiano La Repubblica,

Eis o artigo.

A Love Parade é um sabá infernal, é a liberação dos sentidos, é a celebração do ritmo e a festa do corpo, é o party definitivo, sem limites, sem regras, sem fronteiras. Esqueçam  Woodstock e os seus quinhentos mil freak seduzidos a fumar erva e a sonhar em mudar o mundo na onda do rock. Bem-vindos ao novo milênio e ao circuito infernal do divertimento.

Nada de tudo aquilo que se viu e sentiu no mundo do espetáculo e do entretenimento é comparável à Love Parade que, a partir da metade dos anos noventa, subverteu definitivamente as regras dos eventos coletivos de massa. Na festa do amor tecno o volume é muito mais alto do que em qualquer concerto heavy metal, a quantidade de drogas e de álcool que é consumida é incalculável, e o todo é sustentado pelo incessante pulsar da música, tecno, ou quem sabe se queira defini-la como música para dançar até o exaurimento, até entrar em transe, deixando-se envolver pelo ritmo.

É o sambódromo da nova Era com os seus carros coloridos e os ‘sound system’ que emitem sons, com milhões de garotos e garotas que, em uníssono, se movem, saltam, urram, numa selvagem celebração da liberdade, da juventude, do excesso.

É a anulação da individualidade em favor de uma respiração e de um ritmo coletivo. É o abandono do pensamento, o cancelamento da palavra, a celebração do ritmo, em todas as suas formas, com toda a sua força.

É um mundo paralelo, sem progenitores, escolas, trabalho, obrigações; é a afirmação de um ”direito à festa” que a vida parece querer negar a uma geração que não tem muitos motivos para sonhar. Sexo, embalo, curtição, música, tudo é lícito, tudo é permitido, uma vez ao ano.

Mas, ao mesmo tempo é bom recordar que jamais aconteceu nada de grave nas muitas Love Parade no decurso dos anos, porque, não obstante as aparências, a subversão total das regras jamais previu nenhuma forma de violência. Incidentes como esses aconteceram antes, em outras ocasiões, e vem à mente a tragédia do Heysel, a gente se recorda dos mortos nos concertos dos Pearl Jam num outro grande encontro juvenil, o festival de Roskilde na Dinamarca nos anos noventa ou aqueles no concerto dos WhoCincinati dez anos antes.

Não, a Love Parade não é uma festa de morte, em suma, não estava escrito em parte alguma que devesse forçosamente acabar assim, não se morre nos estádios ou nos grandes concertos, somente porque a multidão é tão imensa.

Mas, a realidade é terrível, o drama está ante os olhos de todos.

Nesta manhã, em Duisburg, não ressoarão as notas da tecno, não haverá carros para celebrar o amor e a música, o mundo paralelo da Love Parade se desvanecerá entre lágrimas e dor.

Fonte: ddp

Antes da histeria, as pessoas se comprimem, e nada mais avança…

Fonte: Reuters

Quem consegue, depois de derrubar quem está na frente, sobe num poste de luz para se salvar…

Fonte: AFP

Outros saem correndo, fugindo do tunel.

Fonte: dpa

Depois do pânico massivo, os mortos são cobertos.

Fonte: dpa

Muitos feridos tiveram que ser reanimados.

Fonte: AP

O choro dos traumatizados pelo acontecido.

Fonte: AP

Luoto pelos mortos. Uma vela acesa por entre as cercas retorcidas.

Fonte: dpa

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* Cuba: libertação de presos é o “passo mais sério” em 50 anos de ditadura comunista, afirma dissidente.

segunda-feira, julho 12th, 2010

Liberdade, mesmo que tardia!

Liberdade ou pão?

E quando não existe nem um nem outro?

E mesmo que existisse pão, o que uma coisa tem a ver com a outra?

Em Cuba,tem.

***

Um dos mais destacados dissidentes cubanos, Héctor Palacios, não poupa nas palavras: a anunciada libertação de 52 presos políticos “é o passo mais sério que o Governo deu nos últimos 50 anos”, dizia ontem numa entrevista ao jornal espanhol El País.

“É o passo mais sério que o Governo deu nos últimos 50 anos na procura da concórdia nacional e isso pode abrir uma nova etapa. Se o Governo começa a dar passos – e isso convém-lhe – será bom para todos. A primeira condição para fazer qualquer coisa, ou para uma negociação, era que não houvesse presos políticos”, disse o coordenador da Unidade Liberal da República de Cuba, uma plataforma de organizações opositoras ao regime implantado em 1959.

A reação do famoso membro do Grupo dos 75, designação pela qual ficaram conhecidos os dissidentes presos na vaga repressiva da Primavera de 2003, acontece numa altura em que as autoridades cubanas começaram a dar forma ao acordo de libertação gradual de 52 presos políticos anunciado a meio da semana passada.

A Igreja Católica cubana – que mediou o processo de libertação, no período máximo de quatro meses, dos 52 presos do Grupo dos 75 que ainda se encontravam na prisão – divulgou no sábado um comunicado em que anuncia a saída, “proximamente”, de um grupo de 17 que, segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha, Miguel Angel Moratinos, devem começar a chegar a partir de hoje a Madrid.

E ontem à tarde, Elizardo Sanchez, líder da Comissão dos Direitos Humanos, uma organização ilegal, mas tolerada pelo regime, disse à AFP que um grupo de presos tinha sido concentrado numa “sala especial” de uma prisão de Havana e deveriamencontrar-se com as famílias já no aeroporto. Moratinos, que estava em Cuba quando a libertação foi anunciada, disse que Espanha está disposta a acolher todos os 52 oposicionistas, “se for esse o seu desejo”.

O anúncio da libertação está a levar as Damas de Branco a repensarem a sua atitude. Algumas admitem que o desfile marcado para ontem em Havana possa ter sido o último. “Elas estão a dizer que este seria o último, mas ainda não tomaram uma decisão. Algumas acham que o grupo deve continuar até que libertem o último preso, outras pensam que o projecto se esgotou ou que não vale a pena continuar, disse fonte oposicionista ao diário espanhol El Mundo.

As Damas de Branco, que têm desfilado todos os domingos na Quinta Avenida, no bairro de Miramar, depois de assistirem à missa na Igreja de Santa Rita, são um grupo formado por dezenas de mães, mulheres e filhas de activistas presos em 2003, que se organizou para exigir a libertação dos familiares. Em alguns momentos chegaram a ser apupadas e agredidas por apoiantes do Governo.

O número de presos políticos em Cuba é incerto, mas a AFP calcula que sejam cerca de uma centena, além dos 52 que agora sairão em liberdade. O dissidente Guillermo Fariñas, que pôs termo a uma greve de fome de 135 dias depois de anunciada a libertação, continua hospitalizado em estado grave.

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* Na Venezuela, Chávez desafia Igreja Católica e evangélicos.

segunda-feira, julho 12th, 2010

Diferentemente do que ocorre em Cuba, onde a Igreja e governo estão aliados na questão da libertação dos prisioneiros, na Venezuela de Hugo Chávez o clima é dos piores com os religiosos.

A notícia é do jornal O Globo, 12-07-2010. A notícia também é destaque, há dias, na imprensa internacional.

Na semana passada, Chávez declarou que Jesus Cristo chicotearia os líderes religiosos e foi contestado pelo cardeal Jorge Urosa, que alegou ter razão em advertir o Vaticano de que o presidente venezuelano está limitando as liberdades civis. Urosa argumenta que Hugo Chávez copia o modelo comunista de Cuba. O cardeal tem se mostrado preocupado com a possibilidade de que o presidente esteja aplicando táticas usadas pelos irmãos Castro em Cuba para silenciar dissidentes e colocar de lado seus adversários.

O líder oposicionista Julio Borges defendeu Urosa ontem e deu respaldo às acusações do cardeal de que Chávez está tentando reproduzir a linha econômica e política de Cuba.

— Ele tenta se esconder em pele de cordeiro para distrair a atenção e enganar mais uma vez a população — afirmou.

A troca de acusações está sendo mal vista pelos fiéis do país. Os adeptos do catolicismo reprovam o conflito por acharem que os dois lados não estão agindo segundo os ensinamentos de paz e amor difundidos na religião.

Alguns estão preocupados com a crescente tensão entre Chávez e os sacerdotes conservadores, que têm se manifestado contra o que consideram um aumento do autoritarismo do líder bolivariano. A grande maioria dos venezuelanos é católica — e as pesquisas mostram que a Igreja Católica é uma das instituições mais respeitadas do país.

— Não me agradam esses insultos que Chávez tem lançado contra o cardeal, mas também não gosto de ver a Igreja se meter em política — diz Amanda Ortiz, uma dona de casa de 47 anos, depois de assistir à missa em Caracas.

— Estamos perdendo o respeito por ambos.

Em discurso recente, Chávez acusou Urosa de enganar o Vaticano, quando o religioso advertiu que a Venezuela estava seguindo rumo a um sistema ditatorial. Em outro pronunciamento público, o presidente pediu ao Vaticano para substituir Urosa e elogiou um padre que simpatiza com o governo, dizendo que ele deveria ser designado cardeal.

— Que Deus o perdoe, porque ele sabe que está mentindo: o cardeal sabe que mente quando me acusa de pisotear a Constituição — disse o presidente venezuelano.

Chávez nega categoricamente que seu governo reprime as liberdades e assinala que está convencido de que Jesus Cristo castigaria os líderes da igreja se estivesse vivo. Em uma coluna de jornal publicada ontem, negou que esteja levando a Venezuela rumo à ditadura.

— Avançamos no sentido de uma democratização plena que chamamos de socialismo bolivariano, cujo sentido primordial é dar poder ao povo — assegurou Chávez.

Urosa tem mantido a sua posição, e a Conferência Episcopal Venezuelana o apoiou.

— Infelizmente, o senhor presidente considera tudo o que não vai de acordo com seu modo de pensar um ataque pessoal — disse o monsenhor Jesús González de Zárate.

González criticou Chávez por tentar dividir a igreja ao elogiar sacerdotes simpatizantes de seu governo enquanto insulta seus líderes.

À Propósito, veja mais essa notícia:

Fonte: Time de Cristo.

NO dia 23 de junho de 2010, um grupo de pessoas identificadas como membros da associação chavista Missão Negra Hipólita invadiram as instalações da Igreja Batista Nova Jerusalém, na cidade de Caracas. A Missão Negra Hipólita foi criada pelo presidente Hugo Chavez em 2006 com o objetivo de resgatar crianças em situação de miséria. Pelo que se pode notar nessa invasão da Igreja Batista Nova Jerusalém, essas crianças hoje crescidas e devidamente “educadas” no marxismo cubano-chavista foram usadas politicamente como milícias para um ato de invasão de um lugar de culto cristão.

Este foi mais um ato da escalada de invasões das igrejas cristãs no país sob a suposta legalidade da revolução chavista, diz o site EntreCristianos. Continua o site: como se lembram, no mês de outubro de 2009 o Diário Oficial da Venezuela algumas igrejas do país foram declaradas “locais de interesse público”, entre as quais a megaigreja das Acácias que se congrega num antigo teatro.

Tudo por etapas

A destruição da democracia venezuelana aconteceu por etapas desde a primeira posse de Hugo Chávez. A esse respeito, leiam os artigos abaixo.

Tudo foi feito por etapas, uma coisa de cada vez enquanto a maioria dos venezuelanos renovava o mandato de Chavez. Primeiro, a destruição da autonomia do Poder Judiciário usando o controle no Parlamento para mudar as leis e acabar com a independência judicial. Depois, o fechamento de emissoras de TV e jornais que eram opositores do governo Hugo Chavez.

E enquanto isso, os cristãos ficaram calados ou mesmo votaram para manter esse governante no poder. Afinal, ele fez “tanto pelo social” não é mesmo?

Em agradecimento pelo apoio recebido nas reeleições sucessivas agora, chegou a vez das igrejas cristãs. O regime de Chavez apoia Cuba e importou milhares de assessores e médicos cubanos para dentro do território da Venezuela. E os marxistas russos, chineses, cambojanos, vietnamitas e de outras nações, foram os maiores assassinos de cristãos da história da humanidade com 31 milhões de cristãos mortos conforme mostra uma estatística da Conwell University, Centro para o Estudo do Cristianismo Global. Leia o artigo abaixo “Evangelização pelo Martírio: 70 milhões de cristãos mortos em 20 séculos.

Mesmo hoje, vemos que o Conselho Evangélico da Venezuela finalmente abriu a boca para defender os cristãos.

Perseguição aos cristãos:

Segundo o jornal Informe21 no dia 27 de março de 2009: “com nomeação do novo Ministro da Defesa da Venezuela, começou uma caça às bruxas contra todos os evangélicos nas forças armadas…estão cancelando promoções militares publicadas no Diário Oficial. Afastaram inclusive generais de brigada e um vicealmirante. Revogaram as promoções, o que é ilegal por que o que foi publicado no Diário Oficial é lei. As desculpas são acusações de falta de mérito e outros.

A entrevista do pastor Jorge Castillo da Igreja Batista Nova Jerusalém:

Transcrevemos abaixo a reportagem da televisão venezuelana Globovisión, a única TV independente que restou na Venezuela depois das ações do governo Hugo Chavez contra a democracia e a liberdade de expressão ao longo dos últimos 12 anos de governo chavista no país Vizinho.

“Na quarta-feira, um grupo de pessoas entrou violentamente nas nossas instalações, expulsou as pessoas que se encontravam lá dentro e deixaram entrar um grupo de pessoas que supostamente eram da Prefeitura (de Caracas) componentes da Missão Negra Hipólita. (Quando fomos reclamar na Prefeitura) nos atendeu um funcionário que só ficou rindo e gozando de nós e não nos deu nenhum documento ou prova tangível ou simplesmente um decreto que indicasse que nosso edifício tinha sido confiscado.

Repórter: O pastor Castillo explicou que as instalações da igreja estão totalmente operacionais e lá se realizam grande quantidade de obras sociais.

Pastor Castillo: aqui temos instalações educacionais, aqui temos obras sociais, aqui atendemos crianças das favelas e lhes damos educação em tempo integral, damos atenção espiritual. Isto está em pleno uso, não está abandonado.

Nancy Gallardo de Olson, do Conselho Evangélico da Venezuela (CEV): Nós estamos aqui para que todos saibam que o povo evangélico é um só povo, que se chama o corpo de Cristo, nós não temos nomes (individuais). E não estamos tirando dinheiro do governo (para as obras sociais e de educação), nós damos esse dinheiro do NOSSO bolso”.

Pastor Nelson Sevilla, vice presidente do CEV: Nós estamos muito surpreendidos por que não é somente o caso da Igreja Batista Nova Jerusalém. Temos o caso da Igreja de Nova Valência, uma igreja na cidade de Porto Cabello, duas igrejas em outra cidade, uma igreja em Porto Orda, uma igreja na cidade de Clarínes, que foram invadidas.”

Escolas e atividades sociais cristã tiram o povo do controle do governo

Qual o motivo do confisco dessas atividades sociais e educativas cristãs na Venezuela? Talvez poderia ser por que crianças educadas na palavra de Cristo NÃO tem tempo de fazer parte das iniciativas chavistas como a Missão Negra Hipólita? E assim sendo, as crianças não sofrem a lavagem cerebral que supostamente acabou fazendo com que sejam supostamente utilizadas para invadir violentamente igrejas cristãs como afirma o pastor Castillo.

Declaração do Conselho Evangélico da Venezuela – CEV

Em relação à problemática das invasões de igrejas evangélicas e dada a situação surgida pela ocupação da Igreja Batista Nova Jerusalém, o Conselho Evangélico da Venezuela enviou o seguinte comunicado expondo sua posição:

“A Junta Diretora do Conselho Evangélico da Venezuela (CEV) se dirige a seus afiliados e relacionados para informar que efetivamente alguns de nossos membros foram objeto de uma ação de expropriação e/ou invasão de locais ou terrenos das igrejas ou ministérios onde funcionam, afetando com isso a obra de nosso Senhor Deus.

O Conselho Evangélico da Venezuela vem apoiando algumas dessas igrejas e ministérios perante as autoridades competentes para que se disponham a dar uma solução a este problema; no entanto o que temos observado é o aumento desses atos, sendo o último ocorrido na semana passada com as instalações de uma escola anexa à Igreja Batista Nova Jerusalém, El Paraíso, cidade de Caracas, a qual foi alvo de expropriação por parte da Prefeitura de Caracas.

O Conselho Evangélico da Venezuela deplora esses atos que geram uma onda de decepção e impotência da comunidade de fé e da comunidade em geral, já que não vem existindo nenhuma forma de voltar ao Estado de Direito dos atacados, seja por via do diálogo ou por via legal na Justiça.

Pelo acima exposto, a Junta Diretora do Conselho Evangélico da Venezuela iniciou uma série de consultas com afiliados e representantes das organizações evangélicas do país para estabelecer as estratégias que contribuem para cessar essas ações, o fim das ameaças e também para apoiar o chamado pela paz e respeito a tudo que é consagrado a Deus.

Finalmente, convocamos nossos afiliados e relacionados para a união na oração, em favor desta causa, e a manter o espírito ligado aos princípios bíblicos.

A Junta Diretora do Conselho Evangélico da Venezuela
Pr. César Mermejo
Diretor Executivo

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* A ousadia da santidade em um mundo sedento de ‘liberdade’ e nostálgico de certezas e da verdade.

terça-feira, junho 29th, 2010

Carlos Alberto Di Franco – O Estado de S.Paulo

Paul Johnson é um dos grandes historiadores e intelectuais da atualidade. Colaborador da revista britânica The Spectator, seus textos são provocadores. Dono de uma cultura invejável e sinceridade afiada, Johnson não sucumbe aos clichês vazios. Em seu livro Os Heróis, destaca a importância das lideranças morais.

“Os heróis”, diz, “inspiram, motivam.Eles nos ajudam a distinguir o certo do errado e a compreender os méritos morais da nossa causa.” Os comentários de Johnson trazem à minha memória um texto que exerceu forte influência no rumo da minha vida: Amar o Mundo Apaixonadamente, homilia proferida por São Josemaría Escrivá, fundador do Opus Dei e primeiro grão-chanceler da Universidade de Navarra, durante missa celebrada no câmpus daquela prestigiosa instituição.

São Josemaría – cuja festa a Igreja celebrou no dia 26 de junho – foi um mestre na busca da santidade no trabalho profissional e nas atividades cotidianas. A Editora Quadrante, de São Paulo, acaba de lançar uma primorosa reedição da homilia.

Propunha, naquela homilia vibrante e carregada de ousadia, “materializar a vida espiritual”. Queria afastar os cristãos da tentação de “levar uma espécie de vida dupla: a vida interior, a vida de relação com Deus, por um lado; e, por outro, diferente e separada, a vida familiar, profissional e social, cheia de pequenas realidades terrenas”. O cristianismo encarnado nas realidades cotidianas: eis o miolo da proposta de São Josemaría. “Não pode haver uma vida dupla, não podemos ser esquizofrênicos, se queremos ser cristãos”, sublinha. E, numa advertência contra todas as manifestações de espiritualismo mal entendido e de beatice, afirma de modo taxativo: “Ou sabemos encontrar o Senhor na nossa vida de todos os dias, ou não o encontraremos nunca.”

“A vocação cristã consiste em transformar em poesia heroica a prosa de cada dia.” A vida, o trabalho, as relações sociais, tudo o que compõe o mosaico da nossa vida é matéria para ser santificada. São Josemaría, um santo alegre e otimista, olha a vida com uma lente extremamente positiva: “O mundo não é ruim, porque saiu das mãos de Deus.” O autêntico cristão não vive de costas para o mundo nem encara o seu tempo com inquietação ou nostalgia do passado. “Qualquer modo de evasão das honestas realidades diárias é para os homens e mulheres do mundo coisa oposta à vontade de Deus.” A luta do nosso tempo, com suas luzes e sombras, é sempre o desafio mais fascinante.

O pensamento de São Josemaría, apoiado numa visão transcendente da vida e, ao mesmo tempo, com os pés bem fincados na realidade material e cotidiana, consegue, de fato, captar plenamente a contextura humana e ética dos acontecimentos. Ele tem, no fundo, a terceira dimensão: a religiosa e ética – e só com esse foco é possível entender plenamente o mundo em que vivemos. Na verdade, o esgotamento do materialismo histórico e a crescente frustração do consumismo hedonista prenunciam uma mudança comportamental: o mundo está sedento de liberdade, mas nostálgico de certezas.

Articular verdade e liberdade é, talvez, um dos mais interessantes recados de São Josemaría. Insurge-se, vigorosamente, contra o clericalismo que se oculta na mentalidade de discurso único, na injusta dogmatização das coisas que são legitimamente opináveis. São Josemaría afirma que um cristão não deve “pensar ou dizer que desce do templo ao mundo para representar a Igreja” nem que “as suas soluções são as soluções católicas para aqueles problemas”. Por defender esse pluralismo sofreu incompreensões, até mesmo de algumas pessoas da Cúria Romana, que entendiam, por exemplo, que na Itália os católicos tinham o dever de votar no Partido da Democracia Cristã.

São Josemaría não deixa de enfatizar o valor insubstituível da liberdade – particularmente a liberdade de expressão e de pensamento – contra todas as formas de intolerância e sectarismo. Para ele, o pluralismo nas questões humanas não é algo que deve ser tolerado, mas, sim, amado e procurado.

A sua defesa da liberdade, no entanto, não fica num conceito descomprometido, mas mergulha na raiz existencial da liberdade: o amor – amor a Deus, amor aos homens, amor à verdade. Sua defesa da fé e da verdade não é, de fato, “antinada”, mas a favor de uma concepção da vida que não pretende dominar, mas, ao contrário, é uma proposta que convida a uma livre resposta de cada ser humano.

Seus ensinamentos se contrapõem a uma tendência cultural do nosso tempo: o empenho em confrontar verdade e liberdade.

Frequentemente, as convicções, mesmo quando livremente assumidas, recebem o estigma de fundamentalismo. Tenta-se impor, em nome da liberdade, o que poderíamos chamar de dogma do relativismo. Essa relativização da verdade não se manifesta apenas no campo das ideias. De fato, tem inúmeras consequências no conteúdo ético da informação.

A tese, por exemplo, de que é necessário ouvir os dois lados de uma mesma questão é irrepreensível; não há como discuti-la sem destruir os próprios fundamentos do jornalismo. Só que passou a ser usada para evitar a busca da verdade. A tendência a reduzir o jornalismo a um trabalho de simples transmissão de diversas versões oculta a falácia de que a captação da verdade dos fatos é uma quimera. E não é. O bom jornalismo é a busca apaixonada da verdade. O jornalismo de qualidade, verdadeiro e livre, está profundamente comprometido com a dignidade do ser humano e com uma perspectiva de serviço à sociedade.

A figura de São Josemaría Escrivá, o seu amor à verdade e a sua paixão pela liberdade tiveram grande influência em minha vida pessoal e profissional. Amar o Mundo Apaixonadamente não é apenas um texto moderno e forte. Sua mensagem, devidamente refletida, serve de poderosa alavanca para o exercício da nossa atividade profissional.

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* Até que ponto você é um jovem LIVRE?

sexta-feira, junho 25th, 2010

Olavo de Carvalho

Já acreditei em muitas mentiras, mas há uma à qual sempre fui imune: aquela que celebra a juventude como uma época de rebeldia, de independência, de amor à liberdade. Não dei crédito a essa patacoada nem mesmo quando, jovem eu próprio, ela me lisonjeava.

Bem ao contrário, desde cedo me impressionaram muito fundo, na conduta de meus companheiros de geração, o espírito de rebanho, o temor do isolamento, a subserviência à voz corrente, a ânsia de sentir-se iguais e aceitos pela maioria cínica e autoritária, a disposição de tudo ceder, de tudo prostituir em troca de uma vaguinha de neófito no grupo dos sujeitos bacanas.

O jovem, é verdade, rebela-se muitas vezes contra pais e professores, mas é porque sabe que no fundo estão do seu lado e jamais revidarão suas agressões com força total. A luta contra os pais é um teatrinho, um jogo de cartas marcadas no qual um dos contendores luta para vencer e o outro para ajudá-lo a vencer.

Muito diferente é a situação do jovem ante os da sua geração, que não têm para com ele as complacências do paternalismo. Longe de protegê-lo, essa massa barulhenta e cínica recebe o novato com desprezo e hostilidade que lhe mostram, desde logo, a necessidade de obedecer para não sucumbir. É dos companheiros de geração que ele obtém a primeira experiência de um confronto com o poder, sem a mediação daquela diferença de idade que dá direito a descontos e atenuações. É o reino dos mais fortes, dos mais descarados, que se afirma com toda a sua crueza sobre a fragilidade do recém-chegado, impondo-lhe provações e exigências antes de aceitá-lo como membro da horda. A quantos ritos, a quantos protocolos, a quantas humilhações não se submete o postulante, para escapar à perspectiva aterrorizante da rejeição, do isolamento. Para não ser devolvido, impotente e humilhado, aos braços da mãe, ele tem de ser aprovado num exame que lhe exige menos coragem do que flexibilidade, capacidade de amoldar-se aos caprichos da maioria – a supressão, em suma, da personalidade.

É verdade que ele se submete a isso com prazer, com ânsia de apaixonado que tudo fará em troca de um sorriso condescendente. A massa de companheiros de geração representa, afinal, o mundo, o mundo grande no qual o adolescente, emergindo do pequeno mundo doméstico, pede ingresso. E o ingresso custa caro. O candidato deve, desde logo, aprender todo um vocabulário de palavras, de gestos, de olhares, todo um código de senhas e símbolos: a mínima falha expõe ao ridículo, e a regra do jogo é em geral implícita, devendo ser adivinhada antes de conhecida, macaqueada antes de adivinhada. O modo de aprendizado é sempre a imitação – literal, servil e sem questionamentos. O ingresso no mundo juvenil dispara a toda velocidade o motor de todos os desvarios humanos: o desejo mimético de que fala René Girard, onde o objeto não atrai por suas qualidades intrínsecas, mas por ser simultaneamente desejado por um outro, que Girard denomina o mediador.

Não é de espantar que o rito de ingresso no grupo, custando tão alto investimento psicológico, termine por levar o jovem à completa exasperação impedindo-o, simultaneamente, de despejar seu ressentimento de volta sobre o grupo mesmo, objeto de amor que se sonega e por isto tem o dom de transfigurar cada impulso de rancor em novo investimento amoroso. Para onde, então, se voltará o rancor, senão para a direção menos perigosa? A família surge como o bode expiatório providencial de todos os fracassos do jovem no seu rito de passagem. Se ele não logra ser aceito no grupo, a última coisa que lhe há de ocorrer será atribuir a culpa de sua situação à fatuidade e ao cinismo dos que orejeitam. Numa cruel inversão, a culpa de suas humilhações não será atribuída àqueles que se recusam a aceitá-lo como homem, mas àqueles que o aceitam como criança. A família, que tudo lhe deu, pagará pelas maldades da horda que tudo lhe exige.

Eis a que se resume a famosa rebeldia do adolescente: amor ao mais forte que o despreza, desprezo pelo mais fraco que o ama.

Todas as mutações se dão na penumbra, na zona indistinta entre o ser e o não-ser: o jovem, em trânsito entre o que já não é e o que não é ainda, é, por fatalidade, inconsciente de si, de sua situação, das autorias e das culpas de quanto se passa dentro e em torno dele. Seus julgamentos são quase sempre a inversão completa da realidade. Eis o motivo pelo qual a juventude, desde que a covardia dos adultos lhe deu autoridade para mandar e desmandar, esteve sempre na vanguarda de todos os erros e perversidade do século: nazismo, fascismo, comunismo, seitas pseudo-religiosas, consumo de drogas…

Um mundo que confia seu futuro ao discernimento dos jovens é um mundo velho e cansado, que já não tem futuro algum.

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* Igreja cubana e Raúl Castro consolidam processo de diálogo.

segunda-feira, junho 21st, 2010

O governo de Raúl Castro continua dando pistas de que o processo de diálogo iniciado com a Igreja Católica é sério. E também de que, em breve, serão vistos novos “resultados”, em termos de mais libertações de presos políticos.

Na sexta-feira, durante uma recepção oferecida pela nunciatura de Havana por ocasião da visita do “chanceler” da Santa Sé, Dominique Mamberti (foto), o ministro cubano de Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, voltou a se felicitar pelo bom momento das relações com o Vaticano e com a Igreja Católica e afirmou que ocorre agora um “processo que continuará frutificando”.

Em um ambiente de cordialidade e até de cumplicidade, Mamberti se pronunciou de forma semelhante. Constatou que as relações do governo com a Santa Sé e o episcopado local se encontram em “uma fase muito positiva” e “de gradual evolução”, e manifestou seu desejo de que sua visita contribua com “sensíveis frutos de maiores entendimentos”. Tudo traçado à régua e perfeitamente encaixado.

A visita de Mamberti a Cuba, que encerrou na noite deste domingo, não podia ser mais oportuna. Ele chegou à ilha poucos dias depois que o governo libertou o preso de consciência Ariel Sigler Amaya e transferiu um grupo de 12 presos políticos para prisões em suas províncias de residência. Esses, junto com o cessar dos atos de repúdio às Damas de Branco, depois de um pedido expresso da Igreja, foram os primeiros “frutos” do inédito processo mediador entre a hierarquia católica e o governo cubano. Dá-se por certo que, antes de concluir sua visita, Mamberti irá se reunir com Raúl Castro, outro momento importante para consolidar o trabalho da Igreja.

O papel cada vez mais relevante adquirido pela Igreja e que ela pode desempenhar no futuro ficou demonstrado durante a X Semana Social Católica, que foi inaugurada por Mamberti na quarta-feira e conclui neste sábado em Havana. Os organizadores conseguiram reunir acadêmicos e pensadores cubanos, tanto residentes na ilha como nos EUA – Jorge Domínguez, da Universidade de Pittsburgh, Carmelo Mesa LagoHarvard) e Arturo López-Levy (Denver).
(
Economistas como Omar Everley e Pavel Vidal, do Centro de Estudos da Economia Cubana, e o catedrático Carmelo Mesa Lago, concordaram, no painel sobre economia e sociedade, que Cuba “precisa de reformas estruturais urgentes”, e que o atual “gradualismo” na aplicação de algumas medidas pode ser fatal. “Existem altas probabilidades de que a economia cubana entre em recessão. Sua extensão dependerá da velocidade e da eficácia das transformações que forem implementadas”, disse Vidal.

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* Estado laico existe graças à Igreja, diz representante vaticano em Cuba.

sábado, junho 19th, 2010
Dom Dominique Mamberti

Em sua intervenção na 10° Semana Social Católica Cubana, o Secretário para as Relações com os Estados do Vaticano, Arcebispo Dominique Mamberti, assinalou que o Estado laico existe graças à contribuição do cristianismo, concretamente da Igreja católica

Em sua exposição titulada “A laicidade do Estado: algumas considerações”, o Prelado explicou que “deve-se observar que, embora o termo ‘laicidade’ tanto no passado como no presente se refere acima de tudo à realidade do Estado e assume não poucas vezes um matiz ou acepção em contraposição à Igreja  e ao cristianismo, este não existiria se não fosse pelo mesmo cristianismo”.

“Em efeito, sem o Evangelho de Cristo não teria entrado na história da humanidade a distinção fundamental entre o que o homem deve a Deus e aquilo que deve ao César; quer dizer, à sociedade civil. Ainda o mesmo termo ‘laicidade’, derivado da palavra ‘laico’, tem sua primeira origem no âmbito eclesiástico. O laico (leigo) é aquele ‘que não é clérigo é a primeira acepção, que resulta totalmente intra-eclesial, do termo ‘laicidade’”.

Na Idade Média, prosseguiu o Prelado vaticano, “os soberanos, que reivindicavam uma não sujeição ao Papa, não se consideravam por isso fora da Igreja; mais ainda, desejavam exercer um papel de controle e de organização da mesma Igreja, mas não havia nenhuma vontade de separar-se dela ou sua exclusão da sociedade. É a partir do Iluminismo e logo depois de maneira dramática durante a Revolução francesa que o termo ‘laicidade’ chega a designar seu contrário: uma completa alteridade; é mais, uma oposição nítida entre o âmbito da vida civil e aquele religioso e eclesiástico”.

Seguidamente o Arcebispo indicou que “embora a laicidade seja invocada hoje e utilizada não poucas vezes para obstaculizar a vida e a atividade da Igreja em sua realidade profunda e positiva ela não teria nem sequer existido sem o cristianismo.

É o que aconteceu também com outros valores que hoje são considerados típicos da modernidade e freqüentemente invocados para criticar a Igreja ou, em geral, à religião, como o respeito da dignidade da pessoa, o direito à liberdade, a igualdade, etc.: que são em grande parte fruto da profunda influência do Evangelho em diversas culturas, ainda quando mais tarde foram separados e até contrapostos a suas origens cristãs”.

“Em muitas legislações estatais se afirma que a laicidade é um de seus princípios fundamentais; obviamente, sobre tudo no que se refere à relação do Estado com a dimensão religiosa do homem. Com respeito a isto, não se pode esquecer que de fato, em nome desta concepção, algumas vezes são tomadas decisões ou emanadas normas que objetivamente afetam o exercício pessoal e comunitário do direito fundamental à liberdade religiosa”.

Dom Mamberti disse logo que “podemos notar que a falta de uma subordinação lógica e ontológica da laicidade respeito ao pleno respeito da liberdade religiosa constitui para esta última uma possível e também real ameaça. Em tal caso, paradoxalmente o Estado passa a ser um Estado confessional e não mais autenticamente laico, porque faria da laicidade seu valor supremo, a ideologia determinante; justamente uma espécie de religião, até com seus ritos e liturgias civis”.

“Tem que reafirmar a concepção plena do direito à liberdade religiosa. Já que, respeitá-lo não significa simplesmente não exercer coação ou permitir a adesão pessoal e interior à fé. Embora o respeito do ato pessoal de fé é fundamental, não esgota a atitude do Estado em relação com a dimensão religiosa, porque esta –como a pessoa humana– tem necessidade de exteriorizar-se no mundo e de ser vivida não só pessoalmente, mas também comunitariamente”.

Referindo-se finalmente à missão dos leigos, o Arcebispo Mamberti ressaltou que “ao Magistério compete um papel distinto” do que corresponde ao laicado. “Enquanto aos Pastores da Igreja lhes corresponde iluminar as consciências com o ensino, ‘o dever imediato de atuar em favor de uma ordem justa na sociedade’ –como afirma Bento XVI em sua encíclica sobre a caridade– ‘é… próprio dos fiéis leigos, que o realizam cooperando com outros cidadãos”.

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* Funcionário cala jogador de futebol inglês entrevistado sobre sua fé católica.

sábado, junho 19th, 2010

Um funcionário da Associação de Futebol da Inglaterra calou o dianteiro Wayne Rooney, estrela da equipe britânica que participa do Mundial África do Sul 2010, quando estava sendo entrevistado sobre sua fé católica.

Nos últimos dias, Rooney foi fotografado exibindo um terço durante os treinamentos de sua equipe e em uma roda de imprensa, um jornalista perguntou por que razão o exibia.

Rooney, de origem irlandesa, respondeu: “Eu o uso há quatro anos e vocês não vêem os treinamentos. Obviamente não o posso usar durante os jogos. É minha religião”.

Quando os jornalistas se dispunham a fazer-lhe outra pergunta sobre seu credo, o chefe de relações públicas da AF, Mark Whittle, interrompeu Rooney dizendo “Nós não falamos sobre religião”.

Conforme informou esta semana a publicação inglesa The Sunday Times, há algum tempo atrás o jogador de futebol –conhecido por sua postura séria e jogo forte– revelou durante a gravação de uma série de televisão que “poderia ter sido sacerdote” porque desfrutou muito de sua educação religiosa que recebeu quando menino.

O jornal entrevistou ao sacerdote Edward Quinn sobre o terço de Rooney. Este foi seu pároco em Croxteth, Liverpool, e presidiu seu matrimônio  há dois anos.

O Padre Quinn acredita que o terço é um presente de sua esposa, pois ambos provêm de famílias com uma forte fé católica.

“Quando presidi seu matrimônio na Itália, todos os convidados receberam de presente um terço, pois é claro que o terço significa muito para eles”, indicou o Pe. Quinn.

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* França: Poligamia, ‘burka’ e valores cristãos perdidos.

domingo, junho 13th, 2010

Por Hilary White

Quando uma mulher muçulmana foi multada no mês passado em Nantes, França, por dirigir vestida com a face totalmente coberta por um véu, a questão da poligamia entrou no centro da atenção do público quando foi revelado que o marido dela tinha três outras “esposas”.

O incidente reabriu o debate na França sobre o dilema defrontado pelos governos europeus: Por um lado, populações naturais idosas e índices de natalidade abaixo da substituição e, por outro, crescentes populações de imigrantes muçulmanos com costumes incompatíveis com as leis existentes.

Objeções à sua alegada poligamia foram respondidas pelo marido da mulher, Lies Hebbadj, um muçulmano que nasceu na Argélia, que apontou para o fato de que, de acordo com os modernos costumes franceses, ele não tem quatro esposas, mas uma esposa e quatro amantes, mais 12 filhos entre elas.

“Se dá para tirar a nacionalidade francesa de um homem por ter amantes, então muitos franceses poderiam perder a deles”, o Sr. Hebbadj, um açougueiro halal, disse depois de consultar seu assessor jurídico. “Até onde sei, nem a França nem o islamismo proíbe amantes”.

Hebbadj se tornou cidadão francês naturalizado depois que se casou com Anne, sua esposa francesa. Mas o ministro do Interior da França, Brice Hortefeux, disse que a cidadania de Hebbadj poderá ser revogada se for constatado que ele está praticando a poligamia. Autoridades estão investigando se ele está legalmente casado com as outras mulheres em cerimônias civis, e se ele estava lucrando com os benefícios de assistência social para mães solteiras que as outras mulheres podem estar recebendo de forma fraudulenta.

O incidente provocou uma pequena tempestade de controvérsia, com políticos acusando uns aos outros de tentar fazer ganhos políticos em seu rastro.

Nicolas Sarkozy, presidente da França, recuou em sua tentativa de proibir o uso público dos véus faciais islâmicos, tais como os burqas ou niqabs, vistos como expressão de uma interpretação radical do islamismo e um símbolo de rejeição dos comportamentos predominantes da sociedade francesa. Mas alguns ativistas disseram que a questão da poligamia é mais séria, citando a necessidade de proteger as mulheres de exploração. A Associated Press citou Jean-Marie Ballo, da entidade Nouveaux Pas, que ajuda as mulheres a escapar de situações de poligamia. Ballo, que é filho de pai polígamo, disse que os homens islâmicos praticam a poligamia a fim de receber renda dos benefícios que suas esposas recebem do Estado.

“Eles praticam a poligamia só por isso”, disse ele. “Eu chegaria ao ponto de dizer que os polígamos aqui (na França) estão procriando para fazer dinheiro”. Ballo é filho de imigrantes de Mali e seu pai e avô eram polígamos. Ele disse para a AP que sua entidade ajuda mulheres e crianças a acharem moradia, benefícios e empregos sem seus “maridos” polígamos, um processo conhecido na França como “descoabitar”. Ele disse que sua entidade ajudou 26 mulheres e 145 crianças.

Ballo disse que a poligamia e a criação de filhos em situações comunais não são compatíveis com a sociedade “ocidental”. “A poligamia não é de forma alguma adaptada ao contexto de vida no Ocidente”, disse Ballo. “Há conflitos, condições higiênicas catastróficas. As crianças têm um baixo desempenho na escola, pois não há lugar para estudar”.

Com cinco milhões de muçulmanos, a França tem a maior população muçulmana européia, a maioria dos quais são imigrantes de países africanos. A Comissão Consultiva Nacional de Direitos Humanos relatou em 2006 que pelo menos 180.000 pessoas, inclusive crianças, estão vivendo em situações polígamas na França, apesar de que as leis francesas proibiram especificamente a prática em 1993.

Embora o presidente Sarkozy tenha dito que quer fazer a França voltar a seus “valores básicos” do passado, o país adotou completamente a revolução sexual e social pós década de 1960 que frisa “pluralismo” e “diversidade” moral acima de valores morais uniformes, deixando os líderes num estado de incerteza ao tentarem lidar com o colapso social e os confrontos culturais.

A França está entre os 20 países do mundo que mais praticam o divórcio, com 38,3 por cento de todos os casamentos terminando em separações, de acordo com a entidade Americans for Divorce Reform.

Escrevendo no blog religioso da Reuters, Tom Heneghan, editor religioso da Reuters, apontou para o fato de que ter amantes na França se tornou tão aberto que poucos ficaram chocados em 1996 quando a amante de longa data do ex-presidente François Mitterrand, e a filha da amante, caminharam publicamente na procissão funeral dele.

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* Mais de 1.500 médicos cubanos fogem da Venezuela. Porque fogem?

quinta-feira, junho 10th, 2010


Médicos cubanos vivem e trabalham espionados e controlados

Mais de 1.500 médicos cubanos que trabalhavam na Venezuela conseguiram emigrar para os EUA, revelou “El País”, de Madri.

Os médicos cubanos na Venezuela moram em grupos de quatro em cubículos de 30 metros quadrados.

Ali dormem, cozinham, tomam banho. Um dos quatro acostuma ser um informante ou um agente do sistema represivo castrista.

Eles trabalham num programa de saúde ‒ o “Barrio Adentro” ‒ concebido em 2003 por Fidel Castro para salvar a declinante popularidade de Hugo Chávez.

Cada cubano deve volver a “casa” antes das dezoito horas. Para dar uma voltinha deve pedir licença com semanas de antecipação num documento onde explica o destino e duração de sua movimentação.

Médicos cubanos: manobra de Fidel para sustentar a Chávez

Há 30.000 cubanos trabalhando na Venezuela.

Todos eles estão proibidos de contatar oposicionistas ou jornalistas.

Eles dependem também da Sociedade Venezuelana de Medicina Bolivariana. Esta elaborou uma lista extraoficial de 1.500 médicos cubanos desertores sobre um total de 15.000 ativos no país.

Eles conseguiram furar o controle do serviço secreto castrista e fugir para outro país.


Médicos cubanos vão à Venezuela para fugir de Cuba

“Quando algum médico foge, o governo finge que foram trasladados”, diz um dos afiliados à Sociedade Venezuelana de Medicina Bolivariana que pediu não ser identificado, segundo “El País”.

Por trás da demagogia palpita a tragédia de povos oprimidos


Malgrado essas penosas condições de supervivência, eles preferem ir à Venezuela.

Lá eles têm uma possibilidade de fugir da ditadura castrista, e sem balsa, passar para a Colômbia e, depois, para os EUA.

Por isso eles aguardam até um ano nas listas devoluntários para viajar a Caracas.


Em 12 de abril de 2010, o Ministério do Poder Popular para a Saúde venezuelano inaugurou uma placa dedicada a 68 médicos cubanos falecidos na Venezuela nos sete anos que dura o programa “Barrio Adentro”.

Segundo a versão oficial, foram vitimados pela doença, acidentes, ou pelo crime organizado.

Entretanto, suspeitas envolvem esta exagerada quantidade de decessos.

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* Na Inglaterra, se intensifica confronto entre Cristãos e o Estado.

quinta-feira, maio 27th, 2010

O confronto entre cristãos e o Estado se intensificou, com um tribunal da Inglaterra agora tendo sustentado a demissão de um psicólogo cristão que se recusou a dar conselho sobre intimidade sexual para casais homossexuais — uma decisão que o ex-arcebispo de Canterbury, Lorde Carey, denunciou como prelúdio para o “descontentamento social” entre cristãos e o governo laico.

Gary McFarlane, de 48 anos, um advogado de Bristol, pai de dois filhos, e evangélico, tinha trabalhado num emprego de tempo parcial como conselheiro psicológico na organização Relate por cinco anos.

Durante esse tempo, ele deu conselho para casais homossexuais que estavam resolvendo problemas básicos de relacionamento. Contudo, ele foi demitido de seu emprego em 2008 quando foi habilitado como conselheiro psicológico, pois ele disse que não poderia dar conselho sobre intimidade homossexual, já que isso violava sua consciência e convicções.

McFarlane tentou sem êxito desafiar a decisão de Relate de despedi-lo num tribunal de causas trabalhistas, argumentando que eles deveriam ter incorporado suas convicções religiosas.

Ele então recorreu ao Tribunal de Apelação da Inglaterra pedindo permissão para desafiar a decisão do tribunal.No entanto, Lorde Juiz John Laws rejeitou o pedido de McFarlane numa decisão estridente que argumentava que a lei não tinha responsabilidade nenhuma de proteger a expressão de consciência ou a convicção religiosa do indivíduo.

Laws deixou claro que o tribunal não via a legislação protegendo a consciência individual como justificável, chamando-a uma posição irracional que “é também polêmica, volúvel e arbitrária”.“A concessão de qualquer proteção legal de preferência a uma posição moral firme particular na base só de que é sustentada pelos adeptos de uma religião particular, por mais longa que seja sua tradição, por maior que seja sua cultura, é profundamente imoral”, disse Laws em sua decisão.“Numa constituição livre tal como a nossa deve-se fazer uma importante distinção entre a proteção legal do direito de ter e expressar uma convicção e a proteção legal da essência ou conteúdo dessa convicção”, decidiu o juiz. Laws disse que se a lei criasse isenções especiais para adeptos de uma convicção, então levaria a uma negação de direitos para o resto dos membros da sociedade, e levaria à “teocracia, que é inevitavelmente autocrática”.

“A lei de uma teocracia é ditada sem opção para o povo, não feita por seus juízes e governos”, escreveu Laws. “A consciência individual é livre para aceitar tal lei ditada, mas o Estado, se seu povo tiver de ser livre, tem o dever fatigante de pensar por si”.

Gary McFarlane lamentou a decisão dizendo: “Tenho a capacidade de dar serviços de aconselhamento para casais de mesmo sexo. Deveria haver concessões levadas em consideração pelas quais indivíduos como eu possam realmente evitar contradizer seus princípios cristãos defendidos com firmeza”.

Lorde Carey atacou a lei, dizendo que o fato de que líderes da Igreja da Inglaterra e outras religiões têm se sentido compelidos a intervir em casos de tribunais envolvendo discriminação contra cristãos e seus pontos de vista “mostra que um futuro de descontentamento social” está vindo para o Reino Unido.“Evidentemente, a demissão de um cristão sincero de um emprego é apenas um passo curto para barrar a contratação de qualquer cristão”, disse Carey.

Carey denunciou o veredicto, dizendo que “continua uma tendência por parte dos tribunais de minimizar o direito de crentes religiosos de manifestarem sua fé no que se tornou uma colisão profundamente desagradável de direitos humanos”.“A descrição de fé religiosa em relação à ética sexual como ‘discriminatória’ é bruta e revela uma falta de sensibilidade para com a convicção religiosa”, ele continuou.“A comparação de um cristão, de fato, com um ‘fanático’ (por exemplo, uma pessoa com uma aversão irracional a homossexuais) exige mais questionamentos. É evidência adicional de uma atitude zombeteira para com o Cristianismo e seus valores”.

Contudo, o arcebispo também disse que a decisão de Laws suprimia o pluralismo britânico, em vez de incentivá-lo, pois o Estado está impondo valores seculares, em vez de adotar uma posição neutra que permitiria que todos os indivíduos de todas as religiões vivessem suas convicções livremente.“Essa decisão está proclamando um Estado ‘secular’, em vez de um Estado ‘neutro’. E embora por um lado a decisão busque proteger o direito de crentes religiosos de ter e expressar sua fé, por outro tira esses mesmos direitos. Diz que a demissão de crentes religiosos em recentes casos não era uma negação de seus direitos, muito embora convicções religiosas não possam ser separadas de sua expressão em todas as áreas da vida do crente. Estranhamente, o juiz não lida com o argumento de que direitos têm de ser sustentados na balança e ele evidentemente está indiferente ao fato de que os crentes religiosos são negativamente afetados por essa decisão e outras”.A negação dos direitos dos cristãos no Reino Unido continua rapidamente sob as leis anti-discriminação introduzidas pelo governo trabalhista. Nos vários anos passados numerosos relatos de cristãos perdendo seus empregos ou até mesmo sendo presos simplesmente por expressarem suas convicções morais cristãs têm se tornado públicos — casos que parecem chocantes à luz do aniversário de 70 anos este ano do famoso discurso “Finest Hour” de Winston Churchill da 2ª Guerra Mundial.O famoso primeiro ministro britânico havia unificado o povo britânico às vésperas da Batalha da Bretanha em junho de 1940 dizendo: “A sobrevivência da civilização cristã depende desta batalha”. Ele avisou que se eles fracassem, “tudo o que temos conhecido e amado afundará no abismo de uma nova Era das Trevas, mais sinistra e talvez mais prolongada, pelas luzes da ciência pervertida”.

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* Liberdade religiosa perde terreno no mundo.

domingo, maio 23rd, 2010

Pe. John Flynn, L.C.

Em 29 de abril, a Comissão para a Liberdade Religiosa Internacional dos Estados Unidos (USCIRF) publicou seu relatório anual. Junto com uma revisão da violação dos direitos humanos em muitos países, ao tratar a liberdade de culto, o relatório também continha as recomendações do ano 2010 sobre as nações que a comissão considera que deveriam ser qualificadas como “países de preocupação especial” ou CPCs.

A USCIRF, que é uma comissão independente do governo, pressionava de forma que 13 nações – Birmânia, China, Coreia do Norte, Eritreia, Irã, Iraque, Nigéria, Paquistão, Arábia Saudita, Sudão, Turcomenistão, Uzbequistão e Vietnã – fossem designadas como CPCs.

Além disso, a USCIRF anunciou que os seguintes países estão na Lista de Observação da USCIRF de 2010: Afeganistão, Belarus, Cuba, Egito, Índia, Indonésia, Laos, Rússia, Somália, Tadjiquistão, Turquia e Venezuela. Trata-se de Estados que requerem uma supervisão de perto devido às violações da liberdade religiosa.

O relatório também expressava seu descontentamento com o governo dos Estados Unidos. Na apresentação do relatório, o membro da comissão Leonard Leo afirmava que “a conclusão do relatório está clara: nosso governo deve fazer mais”.

De acordo com Leo, “a política externa dos Estados Unidos sobre liberdade religiosa não está à altura”. Apontou como criticável o fato de que até agora não foi nomeado qualquer embaixador para a Liberdade Religiosa, depois de um ano que a nova administração chegou ao poder.

Entrando mais adiante em suas críticas, Leo comentava que, após algumas palavras duras sobre a liberdade religiosa do presidente Obama em seu discurso na cidade do Cairo, “as referências presidenciais à liberdade religiosa ficaram estranhas”.

Somava, ainda, que “o mesmo vale para muitos dos discursos do secretário de Estado, Clinton”.

Leo reconhecia que tratar do tema da liberdade religiosa não é fácil. Observava que, durante as missões realizadas pela comissão a países como a Nigéria e o Egito, há uma falta de assunção de responsabilidades, a qual permite que os indivíduos ataquem e até mesmo assassinem quem divergir dos pontos de vista religiosos deles.

Mas é justamente devido às graves violações da liberdade religiosa que se torna vital que a política externa dos Estados Unidos melhore na hora expor e castigar tais situações, insistia Leo.

Responsabilidade

O mesmo relatório detalhava mais amplamente os problemas de muitos países. Com relação ao ponto mostrado por Leo sobre a falta de assunção de responsabilidades, a comissão visitou a Nigéria 3 vezes no ano passado.

Tem havido, como mostrava o relatório, ondas selvagens de violência sectária. Desde 1999, nada menos que 12 mil nigerianos foram assassinados em 12 incidentes, de acordo com a USCIRF.

Tanto cristãos como muçulmanos têm sido vítimas e agressores, mas o relatório apontava que até agora ninguém tem sido detido, nem condenado, em uma década de violência religiosa.

Outro país assinalado no relatório, por seu histórico, foi a Birmânia, com um dos piores arquivos em direitos humanos do mundo. A situação da liberdade religiosa se deteriorou durante o ano passado, de acordo com a comissão, e o regime militar restringe seriamente a prática religiosa, além de controlar a atividade de todas as organizações religiosas.

Assim mesmo, o governo tem proibido a atividade protestante não registrada e continua destruindo lugares religiosos e promovendo a conversão forçada ao Budismo nas áreas de minorias étnicas.

Na China, o relatório indicava que o governo continua se envolvendo em violações sistemáticas da liberdade de religião ou crença. Além disso, no ano passado ocorreu uma clara deterioração nas áreas budista tibetana e uigur muçulmana.

As autoridades chinesas continuam com sua campanha contra os grupos cristãos não registrados, com milhares de protestantes detidos nos últimos dois anos. E mais de 40 bispos católicos continuam na prisão ou estão desaparecidos.

Todas as atividades religiosas estão sujeitas a uma marca política e legal rígida que bloqueia muitas atividades protegidas pelos direitos humanos internacionais, inclusive tratados que a China assinou ou ratificou, observava o relatório.

Países islâmicos

Certo número de países incluídos no grupo CPC ou na Lista de Observação são nações de maioria muçulmana. Nestes países, a atenção do Ocidente é normalmente centrada na perseguição dos cristãos, mas algo interessante expressado pela comissão é que na maioria desses países muçulmanos normalmente o caso é que os governos reprimem muito mais a prática livre do próprio Islã.

No caso do Irã, o governo não só continua oprimindo os wahabies e os cristãos, como também os fiéis muçulmanos. O relatório dizia que os muçulmanos dissidentes estão cada vez mais sujeitos a abusos e, em ocasiões, condenados à morte e até mesmo executados pela pena capital de moharabeh, ou “empreender a guerra contra Deus”.

De igual forma, no Iraque, junto à permanente tolerância do governo aos sérios abusos contra a liberdade de religião, continua havendo ataques e uma relação tensa entre xiitas e sunitas. Também há violência, motivada pela religião, contra as mulheres e contra os muçulmanos que rejeitam certas interpretações rígidas do Islã.

Na Arábia Saudita, o governo prossegue negando toda a forma pública de expressão religiosa que não seja da própria interpretação do governo, de uma escola sunita. Esta restrição não só é imposta aos não-muçulmanos, como também aos muçulmanos. O relatório dizia que os muçulmanos ismailis continuam sofrendo discriminações sérias e abusos devido à sua identidade religiosa.

Além disso, o governo continua atuando duramente contra os dissidentes muçulmanos xiitas, com numerosas apreensões e detenções. A Arábia Saudita continua, também, apoiando uma estratégia mundial de promoção de “uma ideologia extremista e, em alguns casos, a violência com os não-muçulmanos e com os muçulmanos não aprovados”.

Alguns muçulmanos também enfrentam problemas semelhantes no Afeganistão, observava o relatório. Por exemplo, um ministério do governo recolheu e destruiu uma remessa de livros religiosos xiitas provenientes do Irã, porque continham interpretações do Islã consideradas ofensivas para a maioria da comunidade sunita.

Deterioração

Na seção do relatório dedicada à Rússia, mais evidências sobre a deterioração da liberdade religiosa no mundo. A comissão afirmava que a situação na Rússia está piorando, como resultado de novas políticas e tendências. Uma delas é o uso, por parte do governo, da legislação antiextremista contra grupos religiosos que não são conhecidos pelo uso ou defesa de violência.

O relatório também comentava que os funcionários dos governos nacional e local violam cada vez mais a liberdade religiosa dos muçulmanos e dos grupos que consideram como não-tradicionais, fazendo cumprir outras leis, como as de organizações religiosas e organizações não-governamentais.

“Os funcionários russos continuam descrevendo certos grupos religiosos como alheios à cultura e à sociedade russa, de modo que contribuem para um clima de intolerância”, comentava o relatório.

O relatório também chamava à atenção a situação da Turquia, onde “continuam tendo lugar graves limitações à liberdade de religião ou credo”. Não só há restrições à maioria da comunidade muçulmana sunita, mas também muitas minorias sofrem, como o cristianismo.

Para as comunidades não-muçulmanas, é negado o direito de possuir e manter propriedades; são proibidas de preparar o clero e não lhes permitem oferecer educação religiosa.

De acordo com o relatório, prolongam-se no Egito graves problemas de discriminação, intolerância e outras violações dos direitos humanos contra membros de minorias religiosas.

A comissão comentava que, durante os últimos anos, houve um aumento da violência contra os cristãos ortodoxos cópticos. Acusava o governo de não dar os passos suficientes para acabar com a repressão e a discriminação contra os cristãos e os crentes de outras religiões.

Outro país com problemas sérios é o Sudão. O relatório indicava que o governo da nação comete violações sistemáticas à liberdade de religião. Tanto os cristãos como os muçulmanos que não seguem a interpretação governamental do Islã sãos objetivos das autoridades.

Infelizmente, para a maioria dos políticos, tanto na América do Norte como em outros lugares, a liberdade religiosa não está em um bom lugar em sua lista de prioridades. Cabe aos crentes fazer que sua voz seja ouvida para curar esta negligência.

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* Bento XVI cinco anos depois: A verdade, antes do dever, nos faz homens livres!

quarta-feira, maio 19th, 2010
Entrevista com Ramiro Pellitero
Ainda são muitos os aspectos a serem descobertos pela opinião pública sobre o pensamento de Bento XVI, como explica, nesta entrevista, Ramiro Pellitero, sacerdote e médico, professor da Faculdade de Teologia e do Instituto Superior de Ciências Religiosas, e capelão da Clínica da Universidade de Navarra.Coincidindo com a celebração do quinto aniversário do pontífice, acaba de publicar um livro intitulado À linha de um pontificado: o grande ’sim’ de Deus (Ed. Eunsa, 2010).

-Entre as perguntas que nossos leitores querem fazer, há uma primeira que talvez esteja relacionada ao título do livro: Bento XVI tem repetido ao longo de seu pontificado que o cristianismo não é um conjunto de “nãos”, principalmente de caráter ético, mas um grande “sim”. Mas isso continua sem ser compreendido. Por quê?

Ramiro Pellitero: Penso que isso vem de longa data e tem causas diversas. Aponto duas que me parecem importantes. De um lado, ao explicar a fé cristã nos últimos séculos, certo moralismo – que Bento XVI mostrou em mais de uma ocasião – colocava o dever antes da verdade. Mas quando se ama a Deus e ao próximo, nossos deveres não são um peso nem uma negação, mas uma libertação e uma plena realização da própria personalidade.

Ao mesmo tempo, parece que nas notícias e na mídia há uma pressão “interessada” em silenciar esse grande “sim” que é o Evangelho a tudo o que é bom, belo e nobre: ao amor humano, ao verdadeiro progresso, à vida em todas suas fases, à razão e às mais valiosas experiências da humanidade. Isto é silenciado, enquanto se põe em primeiro lugar só as negações que são deduzidas daquele grande “sim”. Certamente, o sim ao verdadeiro progresso não pode deixar de ser um não ao que escraviza as pessoas, as destrói ou pelo menos as prejudica: não ao egoísmo das injustas desigualdades sociais, às ameaças à vida, à falta de liberdade religiosa etc. Quem pode ter esse interesse em manipular o que disse o Evangelho, calando o “sim” e permitindo ouvir somente o “não”, de maneira que se dê impressão triste e retrógrada do cristianismo? Esta pergunta eu faria, em especial, aos que trabalham a serviço da opinião pública.

-Quais são os aspectos do pensamento de Bento XVI que a opinião pública ainda não descobriu?

Ramiro Pellitero: Penso que é necessário uma atenção maior, por parte da opinião pública, em torno dos núcleos deste pontificado: a validez da razão e ao mesmo tempo sua necessidade de se abrir à transcendência; a “revolução” do amor e a aprendizagem de uma esperança que compromete todos, principalmente a favor dos mais pobres e fracos. Entre os cristãos, o Papa promoveu um redescobrimento da Eucaristia e da Palavra de Deus, como fontes de uma vida cheia de sentido no dia a dia. Quem dá por lógico que estes pontos pertencem ao “já ouvido” ou “já vivido”, como se já não merecessem atenção, comete um erro. Todos e cada um – e, no caso dos cristãos, também como Igreja – estamos sendo convidados por Bento XVI a perceber nossa responsabilidade.

-É interessante que um dos capítulos de seu livro fale de “evangelização e comunicação”, enquanto nos últimos dois anos o Papa teve de confrontar sérias crises de comunicação. O que significa a comunicação para Bento XVI?

Ramiro Pellitero: Entendo que para Bento XVI, como intelectual de seu tempo e agora Pastor supremo da Igreja, a comunicação é um valor muito importante. Mas é necessário, acima de tudo, ter clara a mensagem que se irá comunicar. Neste caso, trata-se de nada menos que do Evangelho, com toda sua riqueza, força e capacidade transformadora do homem e da história. Talvez o Papa avalie os elementos da comunicação em uma ordem e proporção diferentes se comparados ao que fazem alguns profissionais da comunicação. Penso que, para ele, a coisa mais importante é a verdade e o bem, antes de outros valores legítimos, mas secundários, como a mera atualidade, a utilidade ou a dialética. Estes aspectos podem ser, à primeira vista, mais atraentes, enquanto geram mais “notícia”; mas deveriam se colocar ao serviço das pessoas, ao serviço da verdade e do bem, da justiça e da paz.

- Aproveitando a resposta da pergunta anterior, Joseph Ratzinger tem sido realmente um teólogo notável. Ele deixou de sê-lo agora como Papa, para transformar-se em um Pastor?

Ramiro Pellitero: Eu não acho que ele tenha deixado de se manifestar como teólogo, embora agora se veja mais claramente o que considera propósito da teologia: o conhecimento e, mais ainda, a participação no amor de Deus que transforma o mundo. Isso comporta a abertura do humanismo para a transcendência, a ampliação da racionalidade além do empírico (para as dimensões da verdade e do bem), a verdadeira sabedoria que leva à civilização do amor.

Em outras palavras, a teologia esboça e abre o senso da realidade para a vida das pessoas. Nesta medida, provê um marco de referência para a pedagogia da fé e do apostolado cristão. Como o Papa mesmo disse antes da Comissão Teológica Internacional, em dezembro de 2009, o verdadeiro teólogo é aquele que, tornando-se pequeno diante de Deus, permite que Ele lhe toque o coração e a existência, para colocar-se a serviço do Evangelho. Com efeito, tal é o horizonte da teologia, que hoje – e sempre – pode iluminar a cultura contemporânea; e que, no caso do Papa, está totalmente ao serviço de seu ministério pastoral.

-A quem se dirige seu livro e qual seria sua principal mensagem?

Ramiro Pellitero: O texto se dirige a um público amplo, com espírito jovem e humor aberto; com certo gosto pela leitura, mas principalmente com capacidade de surpreender-se e rebelar-se ante uma existência monótona ou aburguesada, trocando-a por uma vida plenamente vivida, se vale a redundância. Sem dúvida, são os jovens – de todas as idades – os que têm melhor disposição para captar e realizar este projeto. O livro convida a prestar uma atenção maior ao Papa. Seus gestos e palavras nos confirmam, como cristãos, na perene atualidade do Evangelho. Convidam-nos a mudar tantas coisas que devem ser mudadas, como consequência do amor a Deus e ao próximo. Um amor que necessariamente passa pela cruz, e que, também necessariamente, leva à felicidade

Zenit

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