Posts Tagged ‘Papa’

* Vaticano: Você sabe diferenciar a “Gendarmaria Vaticana” da ” Guarda Suíça”?

sábado, maio 25th, 2013

A Gendarmaria é a polícia do Estado Pontifício, que se ocupa em todos os âmbitos da segurança do Estado Vaticano. Como comandante, Giani é o primeiro responsável pela incolumidade do sucessor de Pedro – que difere do trabalho dos guardas suíços, que são o exército do Papa.

Em entrevista recente a um jornal italiano, o comandante explicou se trata de uma tarefa complexa: ”O modo do Papa Francisco de estar próximo aos mais humildes é muito belo e apreciado pelas pessoas. Obviamente, isso comporta uma intensa atividade de prevenção, que é feita através de controles efetuados antes dos eventos. E é esta obra preventiva que nos deixa mais serenos, explica Giani.

”Naturalmente, sempre é possível que apareça um exaltado ou uma pessoa que tenta se aproximar muito, não com más intenções, mas para demonstrar amor ao Papa. E são situações que sempre conseguimos administrar positivamente.”

O comandante explica que se exige dos gendarmes “máximo empenho”, pois se trata de um pequeno território em termos de extensão, mas de importância global – o que pode fazer do Pontífice um alvo potencial para mal intencionados.

Desde 2008, a Gendarmaria Vaticana é membro da Interpol – a polícia internacional. ”A Interpol permite de maneira rápida contatos em nível internacional e para nós isso é muito útil, não somente para a preparação das viagens do Santo Padre aos outros Estados, mas também para eventuais situações de emergência, em que pode haver religiosos presentes em áreas de crise.

“Todas as informações, inclusive em nível internacional, nos forneceram e nos fornecem elementos suficientes para agir com segurança para proteger o Santo Padre.”

Mas quais características necessárias para se tornar um gendarme? O comandante responde:

”Antes de tudo, é preciso amar a Igreja. Os gendarmes servem a Igreja no serviço ao sucessor de Pedro. Portanto, o primeiro requisito do perfeito aspirante é uma fé fervorosa e um alto sentido do valor da família. Outra característica, obviamente, é saber desempenhar o papel de policial. Não de “rambo”, mas de pessoas formadas psicologicamente e adestradas para um serviço muito delicado.” Resumindo: bons cristãos e bons policiais.

A seleção é feita a partir dos pedidos recebidos. Quando se preveem novos contratos, se abre um concurso e as demandas são examinadas.

“É um concurso muito seletivo”, explica Giani. Primeiro, o pedido é analisado minuciosamente e são verificados os requisitos basilares como, por exemplo, a fé católica e outros. Quem tem os requisitos, deve enfrentar uma série de provas e cada prova é examinada por subcomissões. Os poucos que superam, iniciam um percurso muito duro de formação, feito dentro do Estado, e que dura dois anos, incluindo atividades teóricas e práticas.

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* Seria o “Papado” uma invenção humana da Igreja primitiva?

sexta-feira, abril 12th, 2013

Por Edson Sampel

O papado é uma instituição de direito divino (Mt 16, 18). Quando nosso Senhor Jesus Cristo fundou a Igreja católica, atribuiu a são Pedro o encargo de apascentar o rebanho universal (os fiéis do mundo inteiro). Para tanto, Cristo outorgou ao primeiro papa o chamado “poder das chaves”: “Tudo que ligares na terra será ligado no céu e tudo que desligares na terra será desligado no céu” (Mt 18, 18 ).

Na concepção hebraica, os verbos “ligar” e “desligar” possuem valor jurídico, significando o poder de governo. Assim, observamos que na mente de Jesus encontravam-se presentes as estruturas jurídicas fundamentais da Igreja católica. A evolução do papado ao largo dos séculos manteve intacta essa estruturação.

Se quisermos compreender bem o relacionamento do papa, bispo de Roma, com seus colegas, bispos das outras dioceses ao redor do planeta, precisamos estar atentos à interação que havia entre São Pedro e os demais apóstolos. Nada mudou substancialmente! Demos uma espiada no cânon 330. Eis sua tradução (o código canônico está escrito em latim): “Assim como, por disposição do Senhor, são Pedro e os outros apóstolos constituem um único colégio, de modo semelhante, o romano pontífice, sucessor de são Pedro e os bispos, sucessores dos apóstolos, estão unidos entre si.” De fato, são Pedro e os outros onze apóstolos perfaziam um “colégio”, quer dizer, um “corpo coletivo”, chefiado pelo primeiro.

O cânon 331 esclarece este ponto. Vamos ler sua tradução: “O bispo da Igreja de Roma, no qual perdura o múnus concedido pelo Senhor singularmente a são Pedro, o primeiro dos apóstolos, para ser transmitido a seus sucessores, é a cabeça dos colégio dos bispos, vigário de Cristo e aqui na terra pastor da Igreja universal; ele, pois, em virtude de seu múnus, tem na Igreja o poder ordinário, supremo, pleno, imediato e universal, que pode sempre exercer livremente.”

Os bispos não são “secretários do papa”, como teria afirmado no século XIX o chanceler alemão Bismarck. Cada bispo é autônomo na sua diocese. Com efeito, reza o cânon 375, §1.º: “Os bispos que, por divina instituição, sucedem aos apóstolos, são constituídos pelo Espírito que lhes foi conferido, pastores na Igreja, a fim de serem também eles mestres da doutrina, sacerdotes do culto sagrado e ministros do governo.” É claro que se dissociado do papa, bispo de Roma, qualquer outro bispo perde moral e juridicamente sua identidade católica. Aliás, um simples fiel também deixa de ser católico se passar a não aceitar o magistério do sumo pontífice. Esta é a disposição do direito canônico, que denomina de “cisma” a “recusa de sujeição ao sumo pontífice ou de comunhão com os membros da Igreja a ele sujeitos.” (cânon 751).

Estudando atentamente o papado, principalmente nas suas nuanças jurídico-canônicas, reparamos quão bíblica é a conformação hierárquica da Igreja. As instituições legais que se nos deparam hoje em dia arrimam-se na tradição sagrada, mas sobremaneira nas escrituras sagradas. Se não, vejamos. O cânon 336 traça o perfil do colégio dos bispos exatamente nos moldes como a bíblia apresenta o colégio ou grupo dos apóstolos: “O colégio dos bispos, cuja cabeça é o sumo pontífice e cujos membros são os bispos, em virtude da consagração sacramental e da comunhão hierárquica com a cabeça e com os membros do colégio, no qual o corpo apostólico persevera continuamente, junto com sua cabeça, e nunca sem essa cabeça, é também sujeito de poder supremo e pleno sobre a Igreja toda.” Enquanto Jesus vivia entre os apóstolos, ele era decerto o líder do grupo. Sem embargo, no momento em que Jesus ressuscitou e ascendeu ao céu, são Pedro assumiu  a função de vigário de Cristo na terra. Desde os primórdios da Igreja, os sucessores dos apóstolos, que se espalharam por todo o mundo, jamais cessaram de agir em sintonia com os sucessores de são Pedro.

Constatamos esse fato teológico ao compulsarmos os documentos mais antigos da história do cristianismo. É óbvio que o Espírito Santo assiste a Igreja diuturnamente, fornecendo-lhe uma seiva vital, máxime por intermédio da eucaristia e dos outros sacramentos.

Quando a sé romana está vacante ou vaga (são palavras sinônimas), os católicos, de certo modo, navegam num barco à deriva, porquanto o timoneiro não está a postos. O vocábulo “sé” constitui forma sincopada de “sede” que, literalmente, quer dizer “cadeira”. Trata-se da cadeira ou cátedra na qual o bispo de Roma se senta para pregar o evangelho. É uma maneira simbólica de representar o ofício papal. Experimentamos essa sensação há pouco. Fazia 600 anos que um bispo de Roma não renunciava. O código canônico prevê a possibilidade de renúncia do pontífice romano, com a prescrição do cânon 332, § 2.º: “Se ocorrer que o pontífice romano renuncie a seu múnus, para a validade se requer que a renúncia seja livremente feita e devidamente manifestada, mas não que seja aceita por ninguém.” Conseguintemente, o papa emérito, ao renunciar em 11 de fevereiro deste ano, fê-lo sem pedir consentimento a ninguém, nem mesmo ao colégio dos bispos ou dos cardeais, uma vez que ele agiu investido da soberania que Cristo conferiu não só a são Pedro, mas a todos os sucessores do primeiro papa.

O papado ou primado de são Pedro garante a unidade na Igreja: mesma fé, mesma interpretação da bíblia, mesmos sacramentos etc. Portanto, amando o papa e seguindo seu magistério, caminharemos constantemente por veredas seguras, rumo à vida bem-aventurada com Deus no paraíso.

Edson Luiz Sampel

Doutor em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Lateranense, do Vaticano.

Professor da Escola Dominicana de Teologia (EDT) de São Paulo.

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* Twitter do Papa @Pontifex: ”Os seguidores mais numerosos são os britânicos. Mas também há muitos árabes”

segunda-feira, dezembro 17th, 2012

Vatican Insider.

O papa precisou de alguém que lhe indicasse onde devia pressionar para disparar o tuíte porque ele não tem uma grande familiaridade com as novas tecnologias. O que é importante é a disponibilidade do papa e a sua abertura a esse novo mundo comunicativo”. A afirmação é de Dom Carlo Maria Celli, presidente do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, que cuidou do desembarque do papa no Twitter, falando à agência Ansa às margens do congresso “As notícias em alta velocidade”, organizado pela associação Stampa Romana.

“Ficamos surpresos com a ressonância midiática mundial. Chegamos a quase 2 milhões de seguidores”, acrescentou Celli. “Os primeiros são os ingleses, depois estão os espanhóis e os italianos. É verdade que os alemães são em menor número, enquanto nos surpreendeu que haja tantos árabes o seguindo. Quando eu explicava ao Santo Padre o que significava ter tantos seguidores e o efeito da retuitagem no mundo, o papa entendeu perfeitamente e estava ciente de que isso tinha uma possibilidade comunicativa excepcional”.

“Neste momento, não consideramos necessário abrir uma página do Facebook do papa, porque o Facebook tem uma dimensão muito mais pessoal, enquanto o YouTube e o Twitter têm uma dimensão mais institucional”, continuou.

“Não é verdade, como alguns disseram, que o papa nem vê os tuítes, porque ele os tem que aprovar. A Secretaria de Estado envia os textos junto com os outros documentos para a aprovação. Se não fosse assim, não se trataria de tuítes do papa.

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* Twitter do Papa ultrapassa um milhão e 600 mil seguidores após primeiro tweet.

quinta-feira, dezembro 13th, 2012

O twitter account @pontifex publicado em 8 línguas superou esta manhã 1 milhão e 600 mil seguidores. Bento XVI lançou ontem dia 12 o seu primeiro tweet na conclusão da audiência geral. Para dar um maior significado ao ato o Santo Padre deu início a esta aventura no continente digital acompanhado de 5 jovens em representação dos cinco continentes do planeta.

O Papa entrou no mundo do Twitter com uma simples frase: “Caros amigos é com alegria que me junto a vós no Twitter. Obrigado pela vossa generosa resposta. Abençou-vos a todos de coração”.

Acolheram-no milhares de seguidores, pessoas que vão acompanhar as suas mensagens com um máximo de 140 caracteres. Foram tantos os que reagiram com pensamentos tweet favoráveis e amigos. Contudo, houve também pensamentos negativos e mesmo ofensivos. Assim, como os primeiros missionários que chegaram a terras pagãs, Bento XVI leva com coragem o Evangelho num mundo que em grande parte ignora Jesus e tem tantos preconceitos para com a Igreja.

Um dos seguidores perguntou: “Como podemos viver a fé em Jesus num mundo sem esperança?” A resposta do Papa não se fez esperar: “Com a certeza. Quem acredita nunca está só. Deus é a rocha segura sobre a qual se pode construir a vida e o seu amor é sempre fiel.”

O último tweet do dia 12 foi enviado pelas 18 horas. À pergunta – “Como se pode rezar com tantas ocupações e questões a resolver no trabalho, na família e no mundo?”. A resposta do Papa foi: “Oferecer cada coisa que fazes ao Senhor, pedir a sua ajuda em cada circunstância da vida quotidiana e recordar que Ele está sempre ao teu lado.”

O Papa no Twitter abriu uma nova estrada de evangelização. Agora cabe ao povo cristão percorrer o caminho que foi aberto com fé, esperança e caridade.

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* Papa Bento XVI já conta com quase 600 mil seguidores no Twitter.

quarta-feira, dezembro 5th, 2012

Yahoo  notícias


Cerca de 600 mil pessoas, em 24 horas, começaram a seguir a conta de Bento XVI no Twitter, “@pontifex”, na qual o papa começará a escrever a partir do próximo dia 12 de dezembro, informou nesta terça-feira o Vaticano.

Destes 600 mil, o maior número de seguidores do papa são os que falam a língua inglesa, 408.181, seguidos dos de língua espanhola, 96.554.

Em português, os seguidores já chegam a 15.340, em italiano 39.286, em árabe 3.498, em alemão 10.302, em francês 8.187 e em polonês 4.499.

Bento XVI lançará seu primeiro “post” no dia 12, quando é comemorado o dia de Nossa Senhora de Guadalupe, patrona das Américas.

Os twiters do papa serão publicados em oito idiomas: espanhol, inglês, italiano, português, alemão, polonês, árabe e francês.

Bento XVI responderá, no primeiro dia, perguntas sobre a fé. As pessoas que quiserem enviar perguntas, devem fazer isso até o dia 12, em um dos oito idiomas previstos na “#askpontifex”.

O presidente do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais, o arcebispo Claudio María Celli, que apresentou a entrada do papa na rede, disse que a primeira pergunta feita foi em espanhol.

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* Vaticano confirma Twitter oficial do Papa Bento XVI.

terça-feira, dezembro 4th, 2012

Agora é oficial. O Papa Bento XVI aderiu ao Twitter por meio do perfil @pontifex, anunciou o Vaticano nesta segunda-feira.

O pontífice de 85 anos, que já conta com 1,2 bilhão de “seguidores” no mundo real, terá outro tipo de “fiel” quando enviar o seu primeiro tuíte a partir de 12 de dezembro, dia da festa da Nossa Senhora de Guadalupe.

- O perfil é bom. Significa “papa” e também significa “construtor de pontes” – contou Greg Burke, consultor sênior de mídia para o Vaticano. “O papa quer alcançar a todos.”

Os primeiros tuítes papais serão respostas a perguntas enviadas usando o hastag #askpontifex.

Os tuítes serão enviados em espanhol, inglês, italiano, português, alemão, polonês, árabe e francês. Outros idiomas serão adicionados no futuro.

- Vamos enviar uma mensagem espiritual. O papa não vai sair andando por aí com um Blackberry ou um iPad e ninguém vai colocar palavras na boca do papa. Ele vai tuitar o que ele quiser tuitar – disse Burke.

Primordialmente, os tuítes virão do conteúdo de sua audiência geral semanal, bênçãos dominicais e homilias sobre os principais feriados da Igreja. Eles também incluirão a reação aos acontecimentos mundiais importantes, como desastres naturais.

Bento 16 vai enviar seu primeiro tuíte em 12 de dezembro por conta própria.

Mas, enquanto o papa será um dos perfis do Twitter de mais alto nível no mundo, com muitos seguidores, ele não vai seguir mais ninguém.

A página do papa no Twitter deve ser em amarelo e branco – as cores do Vaticano -, tendo como fundo o Vaticano e a foto dele. Isso pode mudar durante diferentes tempos litúrgicos do ano e quando o papa estiver longe do Vaticano em viagens.

O Vaticano disse que precauções foram tomadas para garantir que a conta certificado do papa não seja invadida. Apenas um computador no Secretariado de Estado do Vaticano será utilizado para os tuítes.

- A presença do papa no Twitter é uma expressão concreta da sua convicção de que a Igreja deve estar presente na arena digital – declarou o Vaticano.

- Esta iniciativa é mais bem compreendida no contexto de suas reflexões sobre a importância do espaço cultural que tem sido posto em prática pelas novas tecnologias… a presença do papa no Twitter pode ser vista como a ‘ponta do iceberg‘, que é a presença da Igreja no mundo das novas mídias – acrescentou em comunicado.

Em 2009, um novo site do Vaticano, www.pope2you.net, entrou no ar, oferecendo um aplicativo chamado O papa se encontra com você no Facebook, e outro permitindo que os fieis possam ver os discursos do pontífice e mensagens em seus iPhones ou iPods.

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* Como falar de Deus no mundo hoje? Responde-nos o Papa.

quinta-feira, novembro 29th, 2012

CATEQUESE
Sala Paulo VI
Quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Caros irmãos e irmãs,

A pergunta central que hoje nos fazemos é a seguinte: como falar de Deus no nosso tempo? Como comunicar o Evangelho, para abrir estradas na sua verdade salvífica nos corações sempre fechado dos nossos contemporâneos e na mente deles tantas vezes distraídas por tantos estímulos da sociedade?

O próprio Jesus, dizem-nos os Evangelistas, no anunciar do Reino de Deus se perguntou sobre isto: “A que podemos comparar o reino de Deus e com que parábola podemos descrevê-lo?” (Mc 4,30). Como falar de Deus hoje?
A primeira resposta é que nós podemos falar de Deus, porque Ele falou conosco. A primeira condição para falar de Deus é também a escuta de quanto disse o próprio Deus. Deus falou conosco! Deus não é uma hipótese distante sobre a origem do mundo; não é uma inteligência matemática muito distante de nós. Deus se interessa por nós, nos ama, entrou pessoalmente na realidade da nossa história, se auto-comunicou até encarnar-se. Então, Deus é uma realidade da nossa vida, é tão grande que tem também tempo para nós, ocupa-se de nós. Em Jesus de Nazaré nós encontramos a face de Deus, que desceu do seu Céu para imergir-se no mundo dos homens, no nosso mundo, e ensinar a “arte de viver”, o caminho da felicidade; para libertar-nos do pecado e tornar-nos filhos de Deus (cfr Ef 1,5; Rm 8,14). Jesus veio para salvar-nos e mostrar-nos a vida boa do Evangelho.

Falar de Deus quer dizer antes de tudo ter bem claro isso que devemos levar aos homens e às mulheres do nosso tempo: não um Deus abstrato, uma hipótese, mas um Deus concreto, um Deus que existe, que entrou na história e está presente na história; o Deus de Jesus Cristo como resposta à pergunta fundamental do porquê e do como viver. Por isto, falar de Deus requer uma familiaridade com Jesus e o seu Evangelho, pressupõe uma nossa pessoal e real consciência de Deus e uma forte paixão pelo seu projeto de salvação, sem ceder à tentação do sucesso, mas seguindo o método do próprio Deus. O método de Deus é aquele da humildade – Deus se faz um de nós – é o método realizado na Encarnação na simples casa de Nazaré e na gruta de Belém, aquela da parábola do grão de mostarda. Não devemos temer a humildade dos pequenos passos e confiar no fermento que penetra na massa e lentamente a faz crescer (cfr Mt 13,33). No falar de Deus, na obra de evangelização, sob a orientação do Espírito Santo, é necessária uma recuperação da simplicidade, um retornar ao essencial do anúncio: a Boa Notícia de um Deus que é real e concreto, um Deus que se interessa por nós, um Deus-Amor que se faz próximo de nós em Jesus Cristo até a Cruz e que na Ressurreição nos doa a esperança e nos abre a uma vida que não tem fim, a vida eterna, a vida verdadeira.

Aquele excepcional comunicador que foi o apóstolo Paulo nos oferece uma lição que vai direto ao centro da fé do problema “como falar de Deus” com grande simplicidade. Na Primeira Carta aos Coríntios escreve: “Quando cheguei no meio de vós, não me apresentei para anunciar o mistério de Deus com excelência da palavra ou de sabedoria. Decidi, na verdade, não dever saber coisa alguma no meio de vós senão Jesus Cristo, e Cristo crucificado” (2,1-2). Então a primeira realidade é que Paulo não fala de uma filosofia que ele desenvolveu, não fala de ideais que encontrou em qualquer lugar ou inventou, mas fala de uma realidade da sua vida, fala do Deus que entrou na sua vida, fala de um Deus real que vive, falou com ele e falará conosco, fala de Cristo crucificado e ressuscitado.
A segunda realidade é que Paulo não busca a si mesmo, não quer criar um time de admiradores, não quer entrar na história como chefe de uma escola de grande conhecimento, não busca a si próprio, mas São Paulo anuncia Cristo e quer ganhar as pessoas para o Deus verdadeiro e real. Paulo fala somente com o desejo de querer pregar aquilo que entrou na sua vida e que é a verdadeira vida, que o conquistou no caminho para Damasco. Então, falar de Deus quer dizer dar espaço Àquele que se faz conhecer, que nos revela a sua face de amor, quer dizer expropriar o próprio eu oferecendo-o a Cristo, na consciência de que não somos nós a poder ganhar os outros para Deus, mas devemos conhecê-los pelo próprio Deus, para invocá-lo. O falar de Deus nasce também da escuta, do nosso conhecimento de Deus que se realiza na familiaridade com Ele, na vida da oração e segundo os Mandamentos.

Comunicar a fé, para São Paulo, não significa trazer a si mesmo, mas dizer abertamente e publicamente aquilo que viu e sentiu no encontro com Cristo, quanto experimentou na sua existência ora transformada pelo encontro: é trazer aquele Jesus que sente presente em si mesmo e tornou-se o verdadeiro sentido da sua vida, para fazer entender a todos que Ele é necessário para o mundo e é decisivo para a liberdade de cada homem. O Apóstolo não se contenta de proclamar as palavras, mas envolve toda a própria existência na grande obra da fé. Para falar de Deus, é preciso dar-lhe espaço, na confiança de que é Ele que age na nossa fraqueza: dar-lhe espaço sem medo, com simplicidade e alegria, na convicção profunda de que quanto mais colocamos no centro Ele e não nós, mais a nossa comunicação será frutífera. E isto vale também para a comunidade cristã: esses são chamados a mostrar a ação transformadora da graça de Deus, superando individualismos, fechamento, egoísmos, indiferença e vivendo na relação cotidiana o amor de Deus. Perguntemo-nos se são realmente assim as nossas comunidades. Devemos colocar-nos de modo a tornar-nos sempre e realmente assim, anunciadores de Cristo e não de nós mesmos.

Neste ponto, devemos perguntar-nos como comunicava o próprio Jesus. Jesus na sua singularidade fala de seu Pai – Abbá – e do Reino de Deus, com o olhar repleto de compaixão pelos inconvenientes e dificuldades da existência humana. Fala com grande realismo e, direi, o essencial do anúncio de Jesus é que torna transparente o mundo e a nossa vida vale para Deus. Jesus mostra que no mundo e na criação aparece a face de Deus e nos mostra como nas histórias cotidianas da nossa vida Deus está presente. Seja nas parábolas da natureza, o grão de mostarda, o campo com diversas sementes, ou na nossa vida, pensamos na parábola do filho pródigo, de Lázaro e em outras parábolas de Jesus. Dos Evangelhos vemos como Jesus se interessa por cada situação humana que encontra, se emerge na realidade dos homens e das mulheres do seu tempo, com uma confiança plena na ajuda do Pai. E que realmente nesta história, secretamente, Deus está presente e se estamos atentos podemos encontrá-Lo. E os discípulos, que vivem com Jesus, as multidões que O encontram, veem a sua reação aos problemas mais absurdos, veem como fala, como se comporta; veem Nele a ação do Espírito Santo, a ação de Deus. Nele anúncio e vida se entrelaçam: Jesus age e ensina, partindo sempre de um íntimo relacionamento com Deus Pai. Este estilo torna-se um indício essencial para nós cristãos: o nosso modo de viver na fé e na caridade torna-se um falar com de Deus no hoje, porque mostra com uma existência vivida em Cristo a credibilidade, o realismo, daquilo que dizemos com as palavras, que não são somente palavras, mas mostram a realidade, a verdadeira realidade. E nisso devemos estar atentos para entender os sinais dos tempos na nossa época, isto é, para identificar os potenciais, os desejos, os obstáculos que se encontram na cultura atual, em particular o desejo de autenticidade, o anseio de transcendência, a sensibilidade para a salvaguarda da criação, e comunicar sem temor a resposta que oferece a fé em Deus.

O Ano da Fé é ocasião para descobrir, com a fantasia animada pelo Espírito Santo, novos caminhos em nível pessoal e comunitário, a fim de que em cada lugar a força do Evangelho seja sabedoria de vida e orientação da existência.

Também no nosso tempo, um lugar privilegiado para falar de Deus é a família, a primeira escola para comunicar a fé às novas gerações. O Concílio Vaticano II fala dos pais como os primeiros mensageiros de Deus (cfr Cost. dogm. Lumen gentium, 11; Decr. Apostolicam actuositatem, 11), chamados a redescobrir esta sua missão, assumindo a responsabilidade no educar, no abrir a consciência dos pequenos ao amor de Deus como um serviço fundamental às suas vidas, no ser os primeiros catequistas e mestres da fé para seus filhos. E nesta tarefa é importante antes de tudo a vigilância, que significa saber entender as ocasiões favoráveis para introduzir na família o discurso de fé e para fazer amadurecer uma reflexão crítica a respeito dos numerosos condicionamentos aos quais são submetidos os filhos. Esta atenção dos pais é também sensibilidade em reconhecer as possíveis questões religiosas nas mentes dos filhos, às vezes evidentes, às vezes secretas.

Depois, a alegria: a comunicação da fé deve sempre ter uma totalidade de alegria. É a alegria pascal, que não omite ou esconde a realidade da dor, do sofrimento, do cansaço, da dificuldade, da incompreensão e da própria morte, mas sabe oferecer os critérios para interpretar tudo na perspectiva da esperança cristã. A vida boa do Evangelho é mesmo este olhar novo, esta capacidade de ver com os próprios olhos de Deus cada situação. É importante ajudar todos os membros da família a compreender que a fé não é um peso, mas uma fonte de alegria profunda, é perceber a ação de Deus, reconhecer a presença do bem, que não faz barulho; e oferece orientações  preciosas para viver bem a própria existência. Enfim, a capacidade de escuta e de diálogo: a família deve ser um ambiente onde se aprende a estar junto, a conciliar os conflitos no diálogo recíproco, que é feito de escuta e de palavra, a compreender-se e a amar-se, para ser um sinal, um para o outro, do amor misericordioso de Deus.

Falar de Deus, então, quer dizer fazer compreender com a palavra e com a vida que Deus não é o concorrente da nossa existência, mas sim é o seu verdadeiro assegurador, a garantia da grandeza da pessoa humana. Assim, retornamos ao início: falar de Deus é comunicar, com força e simplicidade, com a palavra e com a vida, isso que é essencial: o Deus de Jesus Cristo, aquele Deus que nos mostrou um amor tão grande a ponto de encarnar-se, morrer e ressurgir para nós; aquele Deus que pede para segui-Lo e deixar-se transformar pelo seu imenso amor para renovar a nossa vida e as nossas relações; aquele Deus que nos doou a Igreja, para caminhar juntos e, através da Palavra e dos Sacramentos, renovar a inteira Cidade dos homens, a fim de que possa tornar-se Cidade de Deus

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* JMJ: Papa Bento XVI vai celebrar missa em fazendas na Zona Oeste do Rio em 2013.

quarta-feira, novembro 28th, 2012

Veja

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, anunciou nesta quarta-feira que a vigília e a missa de encerramento, celebrada pelo papa Bento XVI, durante a Jornada Mundial da Juventude, serão realizadas em duas fazendas no bairro de Guaratiba, na Zona Oeste. Os dois locais servirão de estadia para os católicos durante os dois últimos dias do evento, que durará, no total, seis dias – entre 23 e 28 de julho de 2013. As fazendas suportam, juntas, 2,5 milhões de fiéis. “Uma das áreas é maior do que o oferecido em Madri, na última jornada”, afirmou Paes. Segundo a prefeitura, os donos das fazendas não cobraram a contrapartida em dinheiro para emprestar a terra. No entanto, o executivo municipal se comprometeu em fazer obras de melhoria na área, como a dragagem de canais.

Guaratiba fica a aproximadamente 50 quilômetros do centro do Rio. Ainda serão estudadas as formas de locomoção dos jovens que participarão da jornada. A Avenida das Américas, importante via de acesso ao bairro, deverá ter um trecho fechado durante a JMJ. “Vamos usar o trem que chega a Campo Grande e a Santa Cruz. Também utilizaremos a Avenida Brasil. Não se trata de uma chegada ao local em uma hora. Estamos falando de um dia de peregrinação”, disse o prefeito, lembrando que a parte final da jornada inclui caminhadas a pé.

LEIA TAMBÉM:

Ocupe o Rio: Jornada Mundial da Juventude, em 2013, será o maior evento da história do Rio

Para facilitar a chegada e a saída dos fiéis, será preciso abrir novos caminhos. As fazendas serão dividias em cerca de 40 lotes, cada um com tendas de alimentação e da defesa civil, bancadas pela Igreja Católica. Um dos terrenos é basicamente mato e está sendo aterrado para se transformar em um loteamento futuro. Outra é de pecuária. As fazendas chamam-se Mato Alto e Vila Mar – nesta última será montado o altar em que o papa realizará a missa final do evento.

As equipes começarão o trabalho no local em janeiro, quando serão feitos os aterramentos necessários, as dragagens de canais e a preparação de ruas. Em março, a estrutura começa a ser montada.

Vistos – O Governo Federal liberou a gratuidade dos vistos para a vinda de peregrinos para a Jornada Mundial da Juventude. A expectativa é de que a maior delegação, depois da brasileira, seja de moradores da América Latina. Em 2011, quando o evento foi realizado em Madri, na Espanha, a maior parte dos católicos chegou da Itália, com 100.000 jovens.

Para conseguir isenção do pagamento da taxa do visto, os participantes da JMJ terão que ter um protocolo de inscrição. As dioceses de onde virão os fieis enviarão uma lista ao Brasil com o nome e a procedência do jovem. “O governo faria isso com qualquer igreja por ser um evento que reforça a nossa imagem e traz vantagens comerciais. Somos um Estado laico, mas podemos fazer parceria com qualquer entidade que promova eventos dessa natureza”, afirmou o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, que veio ao Rio para se encontrar com o prefeito e o arcebispo Dom Orani Tempesta.

“Só serão liberados jovens que vierem com a carta da diocese. Mas, evidentemente, não podemos baixar a guarda e deixar de fazer a verificação de cada nome que virá”, disse Carvalho. Quem vier para a jornada estará dispensado de apresentar a comprovação de que tem recursos para voltar para casa.

Hospedagem – A maior parte dos católicos que desembarcará no Rio para a JMJ deverá se hospedar em casas de voluntários ou em abrigos – como escolas, ginásios e paróquias. Mas há os que optarão por ficar em hotéis da cidade. Dom Orani, em agosto, afirmou ter havido críticas pontuais em relação aos preços da hospedagem, assim como aconteceu na Rio+20, quando delegações desmarcaram a vinda pelo abuso no valor cobrado das diárias.

Nesta quarta-feira, Paes e Carvalho disseram que isso não se repetirá. “Na Rio+20, havia um atravessador criando confusão, querendo vender pacotes fechados. Agimos com rigor. A Rio+20 serviu como experiência: nenhum setor econômico da cidade pode achar que vai se locupletar, se dar bem em cima de eventos importantes. Isso inviabiliza o futuro do Rio e a sustentabilidade de outros eventos virem para a cidade”, argumentou Paes.

“Esperamos que não se repita o episódio lamentável da Rio+20. se houver abuso nos preços, asseguraremos a atratividade do país”, disse Carvalho.

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* Jovem, leia essa palavra do Papa para você!

domingo, novembro 18th, 2012


Publicamos a seguir a mensagem do Papa Bento XVI para a XXVIII Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, em julho de 2013.

«Ide e fazei discípulos entre as nações!» (cf. Mt 28,19)

Queridos jovens,

Desejo fazer chegar a todos vós minha saudação cheia de alegria e afeto. Tenho a certeza que muitos de vós regressastes a casa da Jornada Mundial da Juventude em Madri mais «enraizados e edificados em Cristo, firmes na fé» (cf. Col 2,7). Este ano, inspirados pelo tema: «Alegrai-vos sempre no Senhor» (Fil 4,4) celebramos a alegria de ser cristãos nas várias Dioceses. E agora estamo-nos preparando para a próxima Jornada Mundial, que será celebrada no Rio de Janeiro, Brasil, em julho de 2013.

Desejo, em primeiro lugar, renovar a vós o convite para participardes nesse importante evento. A conhecida estátua do Cristo Redentor, que se eleva sobre àquela bela cidade brasileira, será o símbolo eloquente deste convite: seus braços abertos são o sinal da acolhida que o Senhor reservará a todos quantos vierem até Ele, e o seu coração retrata o imenso amor que Ele tem por cada um e cada uma de vós. Deixai-vos atrair por Ele! Vivei essa experiência de encontro com Cristo, junto com tantos outros jovens que se reunirão no Rio para o próximo encontro mundial! Deixai-vos amar por Ele e sereis as testemunhas de que o mundo precisa.

Convido a vos preparardes para a Jornada Mundial do Rio de Janeiro, meditando desde já sobre o tema do encontro: «Ide e fazei discípulos entre as nações» (cf. Mt 28,19). Trata-se da grande exortação missionária que Cristo deixou para toda a Igreja e que permanece atual ainda hoje, dois mil anos depois. Agora este mandato deve ressoar fortemente em vosso coração. O ano de preparação para o encontro do Rio coincide com o Ano da fé , no início do qual o Sínodo dos Bispos dedicou os seus trabalhos à «nova evangelização para a transmissão da fé cristã». Por isso me alegro que também vós, queridos jovens, sejais envolvidos neste impulso missionário de toda a Igreja: fazer conhecer Cristo é o dom mais precioso que podeis fazer aos outros.

1. Uma chamada urgente

A história mostra-nos muitos jovens que, através do dom generoso de si mesmos, contribuíram grandemente para o Reino de Deus e para o desenvolvimento deste mundo, anunciando o Evangelho. Com grande entusiasmo, levaram a Boa Nova do Amor de Deus manifestado em Cristo, com meios e possibilidades muito inferiores àqueles de que dispomos hoje em dia. Penso, por exemplo, no Beato José de Anchieta, jovem jesuíta espanhol do século XVI, que partiu em missão para o Brasil quando tinha menos de vinte anos e se tornou um grande apóstolo do Novo Mundo. Mas penso também em tantos de vós que se dedicam generosamente à missão da Igreja: disto mesmo tive um testemunho surpreendente na Jornada Mundial de Madri, em particular na reunião com os voluntários.

Hoje, não poucos jovens duvidam profundamente que a vida seja um bem, e não veem com clareza o próprio caminho. De um modo geral, diante das dificuldades do mundo contemporâneo, muitos se perguntam: E eu, que posso fazer? A luz da fé ilumina esta escuridão, nos fazendo compreender que toda existência tem um valor inestimável, porque é fruto do amor de Deus. Ele ama mesmo quem se distanciou ou esqueceu d’Ele: tem paciência e espera; mais que isso, deu o seu Filho, morto e ressuscitado, para nos libertar radicalmente do mal. E Cristo enviou os seus discípulos para levar a todos os povos este alegre anúncio de salvação e de vida nova.

A Igreja, para continuar esta missão de evangelização, conta também convosco. Queridos jovens, vós sois os primeiros missionários no meio dos jovens da vossa idade! No final do Concílio Ecumênico Vaticano II, cujo cinquentenário celebramos neste ano, o Servo de Deus Paulo VI entregou aos jovens e às jovens do mundo inteiro uma Mensagem que começava com estas palavras: «É a vós, rapazes e moças de todo o mundo, que o Concílio quer dirigir a sua última mensagem, pois sereis vós a recolher o facho das mãos dos vossos antepassados e a viver no mundo no momento das mais gigantescas transformações da sua história, sois vós quem, recolhendo o melhor do exemplo e do ensinamento dos vossos pais e mestres, ides constituir a sociedade de amanhã: salvar-vos-eis ou perecereis com ela». E concluía com um apelo: «Construí com entusiasmo um mundo melhor que o dos vossos antepassados!» (Mensagem aos jovens, 8 de dezembro de 1965).

Queridos amigos, este convite é extremamente atual. Estamos passando por um período histórico muito particular: o progresso técnico nos deu oportunidades inéditas de interação entre os homens e entre os povos, mas a globalização destas relações só será positiva e fará crescer o mundo em humanidade se estiver fundada não sobre o materialismo mas sobre o amor, a única realidade capaz de encher o coração de cada um e unir as pessoas. Deus é amor. O homem que esquece Deus fica sem esperança e se torna incapaz de amar seu semelhante. Por isso é urgente testemunhar a presença de Deus para que todos possam experimentá-la: está em jogo a salvação da humanidade, a salvação de cada um de nós. Qualquer pessoa que entenda essa necessidade, não poderá deixar de exclamar com São Paulo: «Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho» (1 Cor 9,16).

2. Tornai-vos discípulos de Cristo

Esta chamada missionária vos é dirigida também por outro motivo: é necessário para o nosso caminho de fé pessoal. O Beato João Paulo II escrevia: «É dando a fé que ela se fortalece» (Encíclica Redemptoris missio, 2). Ao anunciar o Evangelho, vós mesmos cresceis em um enraizamento cada vez mais profundo em Cristo, vos tornais cristãos maduros. O compromisso missionário é uma dimensão essencial da fé: não se crê verdadeiramente, se não se evangeliza. E o anúncio do Evangelho não pode ser senão consequência da alegria de ter encontrado Cristo e ter descoberto n’Ele a rocha sobre a qual construir a própria existência. Comprometendo-vos no serviço aos demais e no anúncio do Evangelho, a vossa vida, muitas vezes fragmentada entre tantas atividades diversas, encontrará no Senhor a sua unidade; construir-vos-eis também a vós mesmos; crescereis e amadurecereis em humanidade.

Mas, que significa ser missionário? Significa acima de tudo ser discípulo de Cristo e ouvir sem cessar o convite a segui-Lo, o convite a fixar o olhar n’Ele: «Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração» (Mt 11,29). O discípulo, de fato, é uma pessoa que se põe à escuta da Palavra de Jesus (cf. Lc 10,39), a quem reconhece como o Mestre que nos amou até o dom de sua vida. Trata-se, portanto, de cada um de vós deixar-se plasmar diariamente pela Palavra de Deus: ela vos transformará em amigos do Senhor Jesus, capazes de fazer outros jovens entrar nesta mesma amizade com Ele.

Aconselho-vos a guardar na memória os dons recebidos de Deus, para poder transmiti-los ao vosso redor. Aprendei a reler a vossa história pessoal, tomai consciência também do maravilhoso legado recebido das gerações que vos precederam: tantos cristãos nos transmitiram a fé com coragem, enfrentando obstáculos e incompreensões. Não o esqueçamos jamais! Fazemos parte de uma longa cadeia de homens e mulheres que nos transmitiram a verdade da fé e contam conosco para que outros a recebam. Ser missionário pressupõe o conhecimento deste patrimônio recebido que é a fé da Igreja: é necessário conhecer aquilo em que se crê, para podê-lo anunciar. Como escrevi na introdução do YouCat, o Catecismo para jovens que vos entreguei no Encontro Mundial de Madri, «tendes de conhecer a vossa fé como um especialista em informática domina o sistema operacional de um computador. Tendes de compreendê-la como um bom músico entende uma partitura. Sim, tendes de estar enraizados na fé ainda mais profundamente que a geração dos vossos pais, para enfrentar os desafios e as tentações deste tempo com força e determinação» (Prefácio).

3. Ide!

Jesus enviou os seus discípulos em missão com este mandato: «Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura! Quem crer e for batizado será salvo» (Mc 16,15-16). Evangelizar significa levar aos outros a Boa Nova da salvação, e esta Boa Nova é uma pessoa: Jesus Cristo. Quando O encontro, quando descubro até que ponto sou amado por Deus e salvo por Ele, nasce em mim não apenas o desejo, mas a necessidade de fazê-lo conhecido pelos demais. No início do Evangelho de João, vemos como André, depois de ter encontrado Jesus, se apressa em conduzir a Ele seu irmão Simão (cf. 1,40-42). A evangelização sempre parte do encontro com o Senhor Jesus: quem se aproximou d’Ele e experimentou o seu amor, quer logo partilhar a beleza desse encontro e a alegria que nasce dessa amizade. Quanto mais conhecemos a Cristo, tanto mais queremos anunciá-lo. Quanto mais falamos com Ele, tanto mais queremos falar d’Ele. Quanto mais somos conquistados por Ele, tanto mais desejamos levar outras pessoas para Ele.

Pelo Batismo, que nos gera para a vida nova, o Espírito Santo vem habitar em nós e inflama a nossa mente e o nosso coração: é Ele que nos guia para conhecer a Deus e entrar em uma amizade sempre mais profunda com Cristo. É o Espírito que nos impulsiona a fazer o bem, servindo os outros com o dom de nós mesmos. Depois, através do sacramento da Confirmação, somos fortalecidos pelos seus dons, para testemunhar de modo sempre mais maduro o Evangelho. Assim, o Espírito de amor é a alma da missão: Ele nos impele a sair de nós mesmos para «ir» e evangelizar. Queridos jovens, deixai-vos conduzir pela força do amor de Deus, deixai que este amor vença a tendência de fechar-se no próprio mundo, nos próprios problemas, nos próprios hábitos; tende a coragem de «sair» de vós mesmos para «ir» ao encontro dos outros e guiá-los ao encontro de Deus.

4. Alcançai todos os povos

Cristo ressuscitado enviou os seus discípulos para dar testemunho de sua presença salvífica a todos os povos, porque Deus, no seu amor superabundante, quer que todos sejam salvos e ninguém se perca. Com o sacrifício de amor na Cruz, Jesus abriu o caminho para que todo homem e toda mulher possa conhecer a Deus e entrar em comunhão de amor com Ele. E constituiu uma comunidade de discípulos para levar o anúncio salvífico do Evangelho até os confins da terra, a fim de alcançar os homens e as mulheres de todos os lugares e de todos os tempos. Façamos nosso esse desejo de Deus!

Queridos amigos, estendei o olhar e vede ao vosso redor: tantos jovens perderam o sentido da sua existência. Ide! Cristo precisa de também de vós. Deixai-vos envolver pelo seu amor, sede instrumentos desse amor imenso, para que alcance a todos, especialmente aos «afastados». Alguns encontram-se geograficamente distantes, enquanto outros estão longe porque a sua cultura não dá espaço para Deus; alguns ainda não acolheram o Evangelho pessoalmente, enquanto outros, apesar de o terem recebido, vivem como se Deus não existisse. A todos abramos a porta do nosso coração; procuremos entrar em diálogo com simplicidade e respeito: este diálogo, se vivido com uma amizade verdadeira, dará seus frutos. Os «povos», aos quais somos enviados, não são apenas os outros Países do mundo, mas também os diversos âmbitos de vida: as famílias, os bairros, os ambientes de estudo ou de trabalho, os grupos de amigos e os locais de lazer. O jubiloso anúncio do Evangelho se destina a todos os âmbitos da nossa vida, sem exceção.

Gostaria de destacar dois campos, nos quais deve fazer-se ainda mais solícito o vosso empenho missionário. O primeiro é o das comunicações sociais, em particular o mundo da internet. Como tive já oportunidade de dizer-vos, queridos jovens, «senti-vos comprometidos a introduzir na cultura deste novo ambiente comunicador e informativo os valores sobre os quais assenta a vossa vida! [...] A vós, jovens, que vos encontrais quase espontaneamente em sintonia com estes novos meios de comunicação, compete de modo particular a tarefa da evangelização deste “continente digital”» (Mensagem para o XLIII Dia Mundial das Comunicações Sociais, 24 de maio de 2009). Aprendei, portanto, a usar com sabedoria este meio, levando em conta também os perigos que ele traz consigo, particularmente o risco da dependência, de confundir o mundo real com o virtual, de substituir o encontro e o diálogo direto com as pessoas por contatos na rede.

O segundo campo é o da mobilidade. Hoje são sempre mais numerosos os jovens que viajam, seja por motivos de estudo ou de trabalho, seja por diversão. Mas penso também em todos os movimentos migratórios, que levam milhões de pessoas, frequentemente jovens, a se transferir e mudar de Região ou País, por razões econômicas ou sociais. Também estes fenômenos podem se tornar ocasiões providenciais para a difusão do Evangelho. Queridos jovens, não tenhais medo de testemunhar a vossa fé também nesses contextos: para aqueles com quem vos deparareis, é um dom precioso a comunicação da alegria do encontro com Cristo.

5. Fazei discípulos!

Penso que já várias vezes experimentastes a dificuldade de envolver os jovens da vossa idade na experiência da fé. Frequentemente tereis constatado que em muitos deles, especialmente em certas fases do caminho da vida, existe o desejo de conhecer a Cristo e viver os valores do Evangelho, mas tal desejo é acompanhado pela sensação de ser inadequados e incapazes. Que fazer? Em primeiro lugar, a vossa solicitude e a simplicidade do vosso testemunho serão um canal através do qual Deus poderá tocar seu coração. O anúncio de Cristo não passa somente através das palavras, mas deve envolver toda a vida e traduzir-se em gestos de amor. A ação de evangelizar nasce do amor que Cristo infundiu em nós; por isso, o nosso amor deve conformar-se sempre mais ao d’Ele. Como o bom Samaritano, devemos manter-nos solidários com quem encontramos, sabendo escutar, compreender e ajudar, para conduzir, quem procura a verdade e o sentido da vida, à casa de Deus que é a Igreja, onde há esperança e salvação (cf. Lc 10,29-37). Queridos amigos, nunca esqueçais que o primeiro ato de amor que podeis fazer ao próximo é partilhar a fonte da nossa esperança: quem não dá Deus, dá muito pouco. Aos seus apóstolos, Jesus ordena: «Fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei» (Mt 28,19-20). Os meios que temos para «fazer discípulos» são principalmente o Batismo e a catequese. Isto significa que devemos conduzir as pessoas que estamos evangelizando ao encontro com Cristo vivo, particularmente na sua Palavra e nos Sacramentos: assim poderão crer n’Ele, conhecerão a Deus e viverão da sua graça. Gostaria que cada um de vós se perguntasse: Alguma vez tive a coragem de propor o Batismo a jovens que ainda não o receberam? Convidei alguém a seguir um caminho de descoberta da fé cristã? Queridos amigos, não tenhais medo de propor aos jovens da vossa idade o encontro com Cristo. Invocai o Espírito Santo: Ele vos guiará para entrardes sempre mais no conhecimento e no amor de Cristo, e vos tornará criativos na transmissão do Evangelho.

6. Firmes na fé

Diante das dificuldades na missão de evangelizar, às vezes sereis tentados a dizer como o profeta Jeremias: «Ah! Senhor Deus, eu não sei falar, sou muito novo». Mas, também a vós, Deus responde: «Não digas que és muito novo; a todos a quem eu te enviar, irás» (Jr 1,6-7). Quando vos sentirdes inadequados, incapazes e frágeis para anunciar e testemunhar a fé, não tenhais medo. A evangelização não é uma iniciativa nossa nem depende primariamente dos nossos talentos, mas é uma resposta confiante e obediente à chamada de Deus, e portanto não se baseia sobre a nossaforça, mas na d’Ele. Isso mesmo experimentou o apóstolo Paulo: «Trazemos esse tesouro em vasos de barro, para que todos reconheçam que este poder extraordinário vem de Deus e não de nós» (2 Cor 4,7).

Por isso convido-vos a enraizar-vos na oração e nos sacramentos. A evangelização autêntica nasce sempre da oração e é sustentada por esta: para poder falar de Deus, devemos primeiro falar com Deus. E, na oração, confiamos ao Senhor as pessoas às quais somos enviados, suplicando-Lhe que toque o seu coração; pedimos ao Espírito Santo que nos torne seus instrumentos para a salvação dessas pessoas; pedimos a Cristo que coloque as palavras nos nossos lábios e faça de nós sinais do seu amor. E, de modo mais geral, rezamos pela missão de toda a Igreja, de acordo com a ordem explícita de Jesus: «Pedi, pois, ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!» (Mt 9,38). Sabei encontrar na Eucaristia a fonte da vossa vida de fé e do vosso testemunho cristão, participando com fidelidade na Missa ao domingo e sempre que possível também durante a semana. Recorrei frequentemente ao sacramento da Reconciliação: é um encontro precioso com a misericórdia de Deus que nos acolhe, perdoa e renova os nossos corações na caridade. E, se ainda não o recebestes, não hesiteis em receber o sacramento da Confirmação ou Crisma preparando-vos com cuidado e solicitude. Junto com a Eucaristia, esse é o sacramento da missão, porque nos dá a força e o amor do Espírito Santo para professar sem medo a fé. Encorajo-vos ainda à prática da adoração eucarística: permanecer à escuta e em diálogo com Jesus presente no Santíssimo Sacramento, torna-se ponto de partida para um renovado impulso missionário.

Se seguirdes este caminho, o próprio Cristo vos dará a capacidade de ser plenamente fiéis à sua Palavra e de testemunhá-Lo com lealdade e coragem. Algumas vezes sereis chamados a dar provas de perseverança, particularmente quando a Palavra de Deus suscitar reservas ou oposições. Em certas regiões do mundo, alguns de vós sofrem por não poder testemunhar publicamente a fé em Cristo, por falta de liberdade religiosa. E há quem já tenha pagado com a vida o preço da própria pertença à Igreja. Encorajo-vos a permanecer firmes na fé, certos de que Cristo está ao vosso lado em todas as provas. Ele vos repete: «Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus» (Mt 5,11-12).

7. Com toda a Igreja

Queridos jovens, para permanecer firmes na confissão da fé cristã nos vários lugares onde sois enviados, precisais da Igreja. Ninguém pode ser testemunha do Evangelho sozinho. Jesus enviou em missão os seus discípulos juntos: o mandato «fazei discípulos» é formulado no plural. Assim, é sempre como membros da comunidade cristã que prestamos o nosso testemunho, e a nossa missão torna-se fecunda pela comunhão que vivemos na Igreja: seremos reconhecidos como discípulos de Cristo pela unidade e o amor que tivermos uns com os outros (cf. Jo 13,35). Agradeço ao Senhor pela preciosa obra de evangelização que realizam as nossas comunidades cristãs, as nossas paróquias, os nossos movimentos eclesiais. Os frutos desta evangelização pertencem a toda a Igreja: «um é o que semeia e outro o que colhe», dizia Jesus (Jo 4,37).

A propósito, não posso deixar de dar graças pelo grande dom dos missionários, que dedicam toda a sua vida ao anúncio do Evangelho até os confins da terra. Do mesmo modo bendigo o Senhor pelos sacerdotes e os consagrados, que ofertam inteiramente as suas vidas para que Jesus Cristo seja anunciado e amado. Desejo aqui encorajar os jovens chamados por Deus a alguma dessas vocações, para que se comprometam com entusiasmo: «Há mais alegria em dar do que em receber!» (At 20,35). Àqueles que deixam tudo para segui-Lo, Jesus prometeu o cêntuplo e a vida eterna (cf. Mt 19,29).

Dou graças também por todos os fiéis leigos que se empenham por viver o seu dia-a-dia como missão, nos diversos lugares onde se encontram, tanto em família como no trabalho, para que Cristo seja amado e cresça o Reino de Deus. Penso particularmente em quantos atuam no campo da educação, da saúde, do mundo empresarial, da política e da economia, e em tantos outros âmbitos do apostolado dos leigos. Cristo precisa do vosso empenho e do vosso testemunho. Que nada – nem as dificuldades, nem as incompreensões – vos faça renunciar a levar o Evangelho de Cristo aos lugares onde vos encontrais: cada um de vós é precioso no grande mosaico da evangelização!

8. «Aqui estou, Senhor!»

Em suma, queridos jovens, queria vos convidar a escutar no íntimo de vós mesmos a chamada de Jesus para anunciar o seu Evangelho. Como mostra a grande estátua do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, o seu coração está aberto para amar a todos sem distinção, e seus braços estendidos para alcançar a cada um. Sede vós o coração e os braços de Jesus. Ide testemunhar o seu amor, sede os novos missionários animados pelo seu amor e acolhimento. Segui o exemplo dos grandes missionários da Igreja, como São Francisco Xavier e muitos outros.

No final da Jornada Mundial da Juventude em Madri , dei a bênção a alguns jovens de diferentes continentes que partiam em missão. Representavam a multidão de jovens que, fazendo eco às palavras do profeta Isaías, diziam ao Senhor: «Aqui estou! Envia-me» (Is 6,8). A Igreja tem confiança em vós e vos está profundamente grata pela alegria e o dinamismo que trazeis: usai os vossos talentos generosamente ao serviço do anúncio do Evangelho. Sabemos que o Espírito Santo se dá a quantos, com humildade de coração, se tornam disponíveis para tal anúncio. E não tenhais medo! Jesus, Salvador do mundo, está conosco todos os dias, até o fim dos tempos (cf. Mt28,20).

Dirigido aos jovens de toda a terra, este apelo assume uma importância particular para vós, queridos jovens da América Latina. De fato, na V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, realizada em Aparecida, no ano de 2007, os bispos lançaram uma «missão continental». E os jovens, que constituem a maioria da população naquele continente, representam uma força importante e preciosa para a Igreja e para a sociedade. Por isso sede vós os primeiros missionários. Agora que a Jornada Mundial da Juventude retorna à América Latina, exorto todos os jovens do continente: transmiti aos vossos coetâneos do mundo inteiro o entusiasmo da vossa fé.

A Virgem Maria, Estrela da Nova Evangelização, também invocada sob os títulos de Nossa Senhora Aparecida e Nossa Senhora de Guadalupe, acompanhe cada um de vós em vossa missão de testemunhas do amor de Deus. A todos, com especial carinho, concedo a minha Bênção Apostólica.

Vaticano, 18 de outubro de 2012.

BENEDICTUS PP XVI

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* Papa alerta para «slogans» que desvirtuam a realidade.

quinta-feira, novembro 15th, 2012

O Papa Bento XVI alertou hoje para a necessidade de ver para lá das aparências e evitar que estas condicionem a relação “com Deus e com os outros”.

“Muitas vezes, deixamo-nos impressionar e condicionar pelas aparências e os ‘slogans’ que desnaturam as coisas. Procuremos ver, para lá do que parece, a centelha de bondade que ali está depositada e que poderá iluminar o nosso juízo”, disse o Papa, perante milhares de pessoas reunidas no Vaticano para a oração do Angelus, debaixo de chuva.

Segundo Bento XVI, esta atitude permitirá que as pessoas tenham relações mais verdadeiras e sejam “mais livres”.

Na sua habitual catequese dominical, o Papa aludiu às figuras das viúvas na Bíblia, que viviam numa situação de particular dificuldade material, para afirmar que “ninguém é tão pobre que não possa dar alguma coisa” pelo bem dos outros.

Bento XVI convidou ao “desprendimento e confiança sem limites” na providência divina e a “reconhecer o valor fundamental da entrega completa da própria vida ao Senhor e ao próximo”.

O Papa disse que isso exige “estilo de vida radicado na fé, para reconhecer com espírito agradecido a mão criadora e providente de Deus”.

Também os mais pobres, acrescentou, devem manifestar essa “adesão livre de fé”, que ultrapassa qualquer “condição objetiva de necessidade”, para exprimir “o amor por Deus e pelo próximo”.

Bento XVI destacou, por outro lado, a festa da independência que hoje se celebra na Polônia, perante vários peregrinos oriundos deste país, recordando a fé dos polacos, a sua história e a “força de espírito das recentes gerações”.

“Sobre este fundamento, edificai a prosperidade da vossa pátria”, declarou.

O Papa manifestou ainda o seu apoio à jornada de solidariedade promovida pela secção polaca da fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), que este ano recorda os cristãos no Egito.

OC

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* Papa reafirma sua crença na “necessidade urgente de diálogo permanente e de cooperação entre os mundos da ciência e da fé para construir uma cultura de respeito aos seres humanos”.

sábado, novembro 10th, 2012

A ciência de hoje deve assumir uma abordagem cada vez mais interdisciplinar, ajudando a construir uma cultura de respeito aos seres humanos e à proteção da dignidade humana, afirmou Bento XVI na audiência aos participantes da Sessão Plenária da Pontifícia Academia das Ciências, que aconteceu de 5 a 7 de novembro, abordando A Complexidade e a Analogia na Ciência: Aspectos Teóricos, Metodológicos e Epistemológicos.

Depois de agradecer ao professor Werner Arber, presidente da Pontifícia Academia das Ciências, e a dom Marcelo Sánchez Sorondo, chanceler da academia, Bento XVI sublinhou a “variedade de perspectivas” que surgiram durante a assembleia e que levam a uma “visão nova da unidade das ciências”.

Algumas “descobertas significativas” feitas nos últimos anos convidam a levar em conta a “grande afinidade de física e biologia que se manifesta claramente cada vez que conseguimos uma compreensão mais profunda da ordem natural”, disse o papa. Na complexa estrutura do cosmos, portanto, o “mistério do homem” encontra seu lugar, acrescentou.

Os debates durante a assembleia plenária da Pontifícia Academia se voltaram, por um lado, “à dialética da pesquisa científica em constante expansão, aos métodos e às especializações”, e, por outro, “à busca de uma visão abrangente do universo, em que os seres humanos dotados de inteligência e de liberdade são chamados a compreender, amar, viver e trabalhar”.

Esta “abordagem interdisciplinar” destaca os vários ambientes científicos como campos “conectados uns com os outros e com o mundo”. Esta visão apresenta “pontos frutíferos de contato com a visão do universo assumida pela filosofia e pela teologia cristã”, em que toda criatura “compartilha de uma natureza específica, dentro de um cosmos ordenado, que tem origem na Palavra criadora de Deus”.

É esta intrínseca organização “lógica” e “analógica” da natureza que “incentiva a pesquisa científica e estimula a mente humana a descobrir a participação horizontal entre os seres e a participação transcendente do Primeiro Ser”, continuou o Santo Padre.

O universo, portanto, não é “caos” nem “resultado do caos”, mas “se mostra cada vez mais claramente como uma complexidade ordenada, que nos permite elevar-nos, através da análise e da analogia comparativa, da especialização até uma visão mais universal, e vice-versa”.

Se, por um lado, os primeiros momentos do universo e da vida “ainda escapam à observação científica, a ciência se encontra, por outro, a pensar em uma vasta gama de processos que revelam uma ordem de evidentes e constantes correspondências e que servem como componente essencial de criação permanente”.

É por causa da noção de criação que o pensamento cristão usou a analogia “não só como ferramenta de análise horizontal das realidades da natureza, mas também como estímulo para o pensamento criativo em âmbito mais transcendente”, ou como meio de “elevação do criado até a contemplação do Criador”.

O papa reafirmou a sua crença na “necessidade urgente” de “diálogo permanente” e de “cooperação entre os mundos da ciência e da fé, para construir uma cultura de respeito aos seres humanos, à dignidade humana e à liberdade, pelo futuro da nossa família humana e pelo desenvolvimento sustentável do nosso planeta no longo prazo”.

Sem esta “interação necessária”, a “grande questão da humanidade” deixa o reino da razão e da verdade, ficando à mercê “do mito, do irracional ou da indiferença, com grande prejuízo para a própria humanidade, para a paz no mundo e para o nosso destino final”, concluiu o papa.

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* Museus Vaticanos: da carruagem papal à Fórmula 1.

domingo, outubro 21st, 2012

Os Museus Vaticanos contam com uma nova instalação. O pavilhão de carros, remodelado, conta com algumas novidades, entre as quais o Fiat 1107 Nuova Campagnola, em que João Paulo II sofreu o atentado de 13 de maio de 1981. A nova instalação foi apresentada no trigésimo quarto aniversário da eleição do papa Wojtyla.

Destaque histórico do museu é a imponente carruagem de gala, encomendada em 1826 pelo papa Leão XII e enriquecida pelo papa Gregório XVI, em 1841.

Todos os veículos constituem um raro testemunho histórico da mobilidade pontifícia, que sofreu uma brusca interrupção com a tomada de Roma em 20 de setembro de 1870 e a sua anexação ao Reino da Itália. Durante 59 anos, de 1870 a 1929, ano em que foram assinados os pactos lateranenses, os papas jamais saíram do Vaticano.

A primeira vez que um papa se locomoveu de carruagem para tomar posse do sólio pontifício foi no dia 24 de novembro de 1801. Antes, os papas cavalgavam sobre uma mula ou eram transportados de liteira. Pio VII partiu de carruagem, em procissão saída do Quirinal, que antes era o palácio dos papas, até a basílica de São João de Latrão. Seu predecessor, Pio VI, também de carruagem, tinha tido que abandonar Roma para ser levado até a França como prisioneiro de Napoleão.

Depois da anexação de Roma, que fazia parte dos Estados Pontifícios, ao Reino da Itália, a solene cavalgada foi suspensa, assim como muitas outras cerimônias.
Desde o pontificado de Leão XIII até o de Pio XI, por exemplo, o anúncio do habemus papam e a bênção do novo pontífice não eram feitos da sacada da basílica voltada para a praça de São Pedro, e sim para o interior da própria basílica.
Após a assinatura dos pactos lateranenses, em 11 de fevereiro de 1929, a forma tradicional de tomada de posse foi restaurada. Mas os tempos tinham mudado: em 1939, Pio XII já usou um automóvel.

Em 1909, o arcebispo de Nova Iorque presentou um Itala 20/30 a Pio X. O papa não usou o presente, preferindo fazer seus passeios pelos Jardins Vaticanos em uma menos barulhenta carruagem.

O primeiro automóvel entrou no Vaticano pouco depois do início do pontificado de Pio XI. A Associação de Mulheres Católicas da Arquidiocese de Milão doou ao papa um Bianchi Tipo 15. Mas, dado que a questão da soberania do Vaticano ainda não estava resolvida, o carro acabou recebendo uma placa do Corpo Diplomático (CD 404). Depois deste episódio, a montadora italiana Bianchi doou a Pio XI uma Bianchi Tipo 20, obtendo assim o título de “provedora pontifícia”.

Com os pactos lateranenses, as principais empresas fabricantes de carros competiam em âmbito internacional para presentear ao papa os seus melhores modelos. Em 21 de abril de 1929, chegou o Fiat 525M; em 1º de maio, o Isotta Fraschini 8; em 22 de dezembro, o Graham Paige 837. Em 9 de junho de 1930, passou a fazer parte da frota vaticana o Citroën Lictoria Sex, projetado para o papa e construído com os padrões da carruagem pontifícia.

Finalmente, em 14 de novembro de 1930, chegou o primeiro Mercedes, um 460 Nürburg Limousine, desenhado por Ferdinand Porsche. A partir de 1931, os automóveis substituíram as carruagens e foi criado o Registro Automobilístico do Vaticano.

Em consonância com a mudança dos tempos, chegou depois do Jubileu de 1975 o primeiro “papamóvel”, o veículo branco utilizado pelo pontífice para os breves itinerários junto à multidão de fiéis.

Entre os novos exemplares, destaca-se ainda um Fusca, presenteado em 2004 a João Paulo II pelo presidente da Volkswagen do México. O modelo é último de uma série limitada de três mil unidades, após a qual os populares carros alemães, que remontavam a 1930, deixaram de ser fabricados.

E mais surpresas: o volante do carro de Fórmula 1 da Ferrari de 2003, usado por Michael Schumacher, foi doado a Bento XVI pelo presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, com a dedicatória: “O volante do Campeão do Mundo de F1, a Sua Santidade Bento XVI, piloto da cristandade”. Ao receber o presente, o papa agradeceu fazendo um paralelismo entre a sofisticada tecnologia daquele volante e a “complexidade de dirigir a Igreja”.

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* Leia entrevista com o Papa Bento XVI: ” A verdade não envelhece”!

quarta-feira, outubro 17th, 2012

O Papa Bento XVI explicou que o desejo de Deus, a busca do Senhor, é algo profundamente gravado na alma humana que não pode desaparecer e encontra sua resposta na vivência de um cristianismo radical e profundo, de maneira particular na juventude.

Assim o indicou o Santo Padre em uma entrevista divulgada ontem que faz parte do filme “Bells of Europe” (Sinos da Europa) sobre a relação entre o cristianismo, a cultura europeia e o futuro do velho continente.

O filme que foi projetado a alguns Padres que participam do Sínodo dos Bispos em Roma sobre a Nova Evangelização, apresenta uma série de entrevistas com as principais personalidades da religião cristã: o Papa Bento XVI, o Patriarca ecumênico Bartolomeu I, o Patriarca Kirill de Moscou, o arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, o ex-presidente da Federação das Igrejas Evangélicas na Alemanha, Huber e outras personalidades da política e da cultura.

O Centro Televisivo Vaticano foi o encarregado pela realização do filme, apoiando-se na ideia do Padre Germán Marani, com o apoio de outras instituições como a Fundação Gregoriana.

A continuação segue a entrevista realizada ao Papa Bento XVI:

Pergunta: Santidade, em suas encíclicas propõe uma antropologia forte, um homem habitado pelo amor de Deus, um homem de racionalidade ampliada pela fé, um homem que tem uma responsabilidade social graças à dinâmica de caridade recebida e dada na verdade. Santidade, neste horizonte antropológico em que a mensagem evangélica exalta todos os elementos dignos da pessoa humana, purificando as escórias que obscurecem o verdadeiro rosto do homem criado a imagem e semelhança de Deus, Você reafirmou em várias ocasiões que este redescobrimento do rosto humano, dos valores evangélicos, das raízes profundas da Europa é uma fonte de grande esperança para o continente europeu, e não só… Pode explicar as razões da sua esperança?

Bento XVI: A primeira razão da minha esperança consiste em que o desejo de Deus, a busca de Deus está profundamente gravada em cada alma humana e não pode desaparecer. Certamente, durante algum tempo, Deus pode esquecer-se ou deixar de lado, pode fazer outras coisas, mas Deus nunca desaparece. Simplesmente, é certo, como diz Santo Agostinho, que nós, os homens, estamos inquietos até que encontramos a Deus, esta preocupação também existe na atualidade. É a esperança de que o homem, sempre de novo, também hoje, se encaminhe para este Deus.

A segunda razão da minha esperança consiste no fato de que o Evangelho de Jesus Cristo, a fé em Cristo, é simplesmente verdade. E a verdade não envelhece. Também pode ser esquecida durante algum tempo, é possível encontrar outras coisas, pode ser deixada de lado; mas a verdade como tal não desaparece.

As ideologias têm um tempo determinado. Parecem fortes, irresistíveis, mas depois de um determinado período se consomem; perdem sua força porque carecem de uma verdade profunda. São partículas de verdade, mas ao final se consomem. Em troca, o evangelho é verdadeiro e, portanto nunca se consome.

Em todos os períodos da história aparecem suas novas dimensões, aparece em toda sua novidade, para responder às necessidades do coração e da razão humana que pode caminhar nesta verdade e encontrar-se nela. E assim, por esta razão, estou convencido de que também há uma nova primavera do cristianismo.

Um terceiro motivo empírico, o vemos em que esta inquietação se manifesta na juventude de hoje. Os jovens viram tantas coisas –as ofertas das ideologias e do consumismo– mas percebem o vazio de tudo isto, sua insuficiência. O homem foi criado para o infinito.

Todo o finito é muito pouco. E por isso vemos como, nas gerações mais jovens, esta inquietação se desperta de novo e se encaminha; assim há novos descobrimentos da beleza do cristianismo; um cristianismo que não é barato, nem reduzido, mas sim radical e profundo. Portanto, parece-me que a antropologia, como tal, nos indica que sempre haverá um novo despertar do cristianismo e os fatos o confirmam com uma palavra: alicerce profundo. É o cristianismo. É verdadeiro e a verdade sempre tem um futuro.

Pergunta: Santidade, Você falou muitas vezes que a Europa teve e ainda tem uma influência cultural sobre toda a humanidade e tem que sentir-se especialmente responsável, não só do próprio futuro, mas também do de todo o gênero humano. Olhando para frente, é possível traçar os limites do testemunho visível dos católicos e dos cristãos pertencentes às Igrejas ortodoxas e protestantes, na Europa do Atlântico aos Urais, que vivendo os valores evangélicos nos que acreditam, contribuam à construção de uma Europa mais fiel a Cristo, mais acolhedora, solidária, não só custodiando a herança cultural e espiritual que os caracteriza, mas também no compromisso de procurar novas vias para enfrentar os grandes desafios comuns que marcam a época pós-moderna e multicultural?

Bento XVI: Trata-se da grande questão. É evidente que a Europa tem também hoje no mundo um grande peso, tanto econômico como cultural e intelectual. E, de acordo com este peso, tem uma grande responsabilidade. Mas como você disse, a Europa tem que encontrar ainda sua plena identidade para poder falar e atuar segundo sua responsabilidade.

O problema hoje já não são, em minha opinião, as diferenças nacionais. Trata-se de diversidades que, graças a Deus, já não constituem divisões. As nações permanecem e em suas diversidades culturais, humanas, temperamentais, são uma riqueza que se completam e dão lugar a uma grande sinfonia de culturas. São, fundamentalmente, uma cultura comum.

O problema da Europa para encontrar sua identidade, eu acho que consiste no fato de que hoje, na Europa temos duas almas: uma delas é uma razão abstrata, anti-histórica, que pretende dominar tudo porque se sente por cima de todas as culturas. Uma razão que no final chega a si mesma, que pretende emancipar-se de todas as tradições e valores culturais em favor de uma racionalidade abstrata.

A primeira sentença de Estrasburgo sobre o Crucifixo foi um exemplo desta razão abstrata que quer emancipar-se de todas as tradições e da mesma história. Mas assim não se pode viver. Além disso, também a “razão pura” está condicionada por uma determinada situação histórica, e somente neste sentido pode existir.

A outra alma é a que podemos chamar cristã, que se abre a tudo o que vem da razão, que criou ela mesma a audácia da razão e a liberdade de uma razão crítica, mas continua ancorada às raízes que deram origem a esta Europa, que a construíram sobre os grandes valores, as grandes intuições, a visão da fé cristã.

Como você dizia, sobretudo no diálogo ecumênico entre Igreja Católica, ortodoxa e protestante, esta alma tem que encontrar uma expressão comum e depois tem que enfrentar-se com essa razão abstrata, quer dizer, aceitar e conservar a liberdade crítica da razão com respeito a tudo o que possa fazer e tem sido feito, mas praticá-la, concretizá-la no fundamento, na coesão com os grandes valores que o cristianismo nos deu.

Somente nesta síntese a Europa pode ter peso no diálogo intercultural da humanidade de hoje e de amanhã, porque uma razão que se emancipou de todas as culturas não pode entrar em um diálogo intercultural.

Só uma razão que tem uma identidade histórica e moral pode também falar com outros, procurar uma interculturalidade em que todos possam entrar e encontrar uma unidade fundamental dos valores que podem abrir as vias ao futuro, a um novo humanismo, que tem que ser nosso objetivo. E para nós este humanismo cresce precisamente a partir da grande ideia do homem a imagem e semelhança de Deus.

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* Ex-mordomo do papa é condenado a 1 ano e 6 meses de prisão.

sábado, outubro 6th, 2012

Reuters

A Corte do  Vaticano condenou neste sábado (6) Paolo Gabriele, ex-mordomo do papa Bento XVI, a um ano e seis meses de prisão após considerá-lo culpado pelo furto de documentos confidenciais da Igreja Católica.

O tempo foi reduzida devido a circunstâncias atenuantes, segundo a Corte, que anunciou a sentença após duas horas de deliberações. Gabriele também foi condenado a pagar as despesas legais do julgamento.

Em sua apelação final, o ex-mordomo disse à Corte que agiu exclusivamente motivado por um amor “visceral” pela Igreja Católica e pelo papa. Gabriele também afirmou não ser um ladrão. Ele falou minutos antes de a Corte se retirar para determinar o veredicto.

Sua defesa havia pedido que a Corte reduzisse as acusações contra Gabriele de roubo agravado para apropriação indevida, e que ele não seja preso.

Durante o julgamento, um policial ouvido como testemunha afirmou que foram encontrados “quase 1.000 “documentos de interesse” na residência do acusado.

“Há quase 1.000 documentos de interesse, incluindo fotocópias e originais e alguns documentos com a assinatura do Santo Padre”, afirmou Silvano Carli, um dos quatro policiais que seriam interrogados nesta quarta-feira, ao falar sobre as descobertas da força de segurança no momento da detenção de Gabriele, em maio.

As testemunhas afirmaram que havia “centenas de milhares de documentos” na casa do mordomo, indicando que os referentes ao Papa estavam “habilmente dissimulados” entre os papéis espalhados.

Paolo Gabriele afirmou na terça-feira (2) que Bento XVI foi “manipulado” e declarou ser inocente da acusação de roubo dos documentos, mas disse que sente culpa por ter traído o pontífice.

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* É possível evangelizar nas redes sociais da internet. Mensagem de Bento XVI para a Jornada Mundial das Comunicações 2013.

segunda-feira, outubro 1st, 2012

Os comunicadores digitais católicos, ou dito de outra forma, “os evangelizadores da Rede”, receberam o apoio do santo Padre Bento XVI pelos seus grandes esforços em entender a linguagem dos meios de hoje – com poucas horas de descanso e não poucas incompreensões -, de modo que a mensagem de Cristo permaneça em vigor nas redes sociais da internet.

Esta boa notícia chegou a cada dispositivo móvel ou fixo que estivesse na rede, quando na sexta-feira foi publicado o tema da 47ª Jornada Mundial das Comunicações Sociais 2013, com a qual o Papa orientará a Igreja Universal sobre este importante campo, denominado por ele mesmo “um continente digital”. É que a questão escolhida não podia ser mais oportuna e clara: “Redes Sociais: portais de verdade e de fé; novos espaços para a evangelização”.

De acordo com a nota de apresentação do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais, o tema se enquadra muito bem no contexto do Ano da Fé, dado que o “modo de humanizar e vitalizar um mundo digital impõe hoje uma atitude mais definida: já não se trata de usar a internet como “meio” de evangelização, mas de evangelizar considerando que a vida do homem moderno também se expressa no ambiente digital”.

Em particular, acrescenta o comunicado, “é necessário considerar o desenvolvimento e a grande popularidade das redes sociais, que permitiram o crescimento de um estilo dialógico e interativo na comunicação e nos relacionamentos.”

Cabe destacar que a iminente Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos, dedicada à Nova Evangelização, também abordará o tema. Por isso o anúncio da Jornada chega a tempo. Nos parágrafos 59-62 do Instrumentum Laboris, referindo-se às “Novas fronteiras do cenário comunicativo”, há referências explícitas a esse desafio, com um convite para que os cristãos tenham “a audácia de ir a esses “novos areópagos”, aprendendo a dar uma avaliação evangélica, encontrando os instrumentos e os métodos para fazer ouvir também hoje nestes lugares o patrimônio educativo e a sabedoria custodiada pela tradição cristã (62c)”.

As experiências são contadas por milhões hoje, onde os correios eletrônicos e mensagens de texto do celular com frases ou mensagens evangelizadoras, passaram –  sem parar estes primeiros – a novos espaços, como os blogs do bispo ou pároco, as redes sociais das religiosas e dos leigos, os tweets das assessorias de imprensa dos episcopados e dioceses, ou as web 2.0 dos entendidos na pastoral das comunicações.

É assim que esta Jornada Mundial das Comunicações Sociais 2013, que segue fielmente o mandamento do Vaticano II por quase 50 anos, animará os que ainda têm dúvidas sobre a potencialidade destes meios, a ‘remar mar adentro’ e ocupar seu espaço. E àqueles que já os utilizam, será um consolo para buscar novos meios e caminhos, para que mais e mais pessoas façam-lhes um sincero clic em “curto” ou lhes sigam… A Jornada Mundial das Comunicações do ano 2013 será celebrada no dia 12 de maio, durante a solenidade da Ascensão do Senhor. A mensagem integral do santo padre será divulgada no dia 24 de janeiro, sempre na festa de São Francisco de Sales, padroeiro dos escritores e jornalistas.

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Sem a alegria da beleza, a verdade se torna fria e até impiedosa e soberba, como vemos que acontece no discurso de muitos fundamentalistas amargurados. Parece que mastigam cinzas ao invés de saborear a doçura gloriosa da verdade de Cristo, que ilumina, com luz mansa, toda realidade, assumindo-a assim como ela é a cada dia.(Papa Francisco)
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Comentários
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    em * Instaurado inquérito policial
  • •Huuummm! Entendi o que o Anderson quis dizer, Claudio! Valeu! rs...
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  • •realizações do comunismo pelo mundo 1)estupro de 5.000.000 de mulheres pelos comunas(comunistas) 2)assassinato de 100.000.000 de pessoas pelos comunistas só isso é o...
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