Posts Tagged ‘Pedofilia’

* Igreja da Alemanha institui novas regras para coibir abusos.

quarta-feira, setembro 1st, 2010

A Igreja Católica da Alemanha passará a denunciar às autoridades todos os casos suspeitos de abuso sexual, conforme anúncio feito hoje pela Conferência Episcopal Alemã (DBK) sobre as novas orientações para a gestão deste tipo de denúncias.

De acordo com um comunicado da instituição, o bispo Stephan Ackermann, encarregado especial da DBK sobre o tema, apontou que a obrigação deixará de existir somente perante a expressa solicitação da própria vítima.

“Aqui, na medida em que era possível e legalmente admissível, deveria ser conseguido um relacionamento equilibrado entre o dever de expor a denúncia e aquele de proteger a vítima”, explicou Ackermann.

Muitas das acusações de pedofilia contra o clero católico, cuja divulgação se intensificou em todo o mundo a partir do segundo semestre do ano passado, se referiam à Alemanha — terra natal do papa Bento XVI. Entre elas, há suspeitas de mais de 160 episódios registrados em escolas jesuítas nos anos 1970 e 1980, e casos no coro de rapazes da catedral de Regensburgo.

“As terríveis informações e experiências dos meses passados nos demonstraram que as orientações de 2002 não eram suficientemente precisas. Por isso, submetemo-las mais uma vez a um exame particularmente crítico e as tornamos mais severas”, prosseguiu o bispo.

Segundo o comunicado difundido pela DBK, a obrigação das denúncias é um ponto “central” das novas diretivas, aprovadas na última quinta-feira e que entrarão em vigor amanhã.

Na nota, os bispos assinalaram também que as orientações se aplicam não só aos membros do clero, mas também “a outros colaboradores e colaboradoras na esfera da Conferência Episcopal”.

Além disso, todos aqueles que trabalham o tempo todo ou em meio período em contato com crianças e adolescentes deverão apresentar um certificado de boa conduta mais aprofundado, emitido pela polícia.

O novo regulamento prevê ainda a constituição de um centro de pesquisas e reflexão permanente formado por vários especialistas para a consulta sobre questões aos abusos. Entre os temas abordados nas regras, no entanto, não estão eventuais ressarcimentos às vítimas. (ANSA)

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* EUA: Igreja reforça programas para proteger crianças de abusos.

sábado, agosto 28th, 2010

A Igreja Católica nos EUA reforçou os programas para proteger as crianças de abusos por parte de adultos. As orientações serão ensinadas já a partir do ano início deste ano letivo de 2010/2011 Segundo informa Rádio Vaticano.

A iniciativa, que se estende às escolas e paróquias de todo o país, foi lançada pelo Secretariado para a Proteção de Crianças e Jovens da Conferência Episcopal norte-americana.

O programa salienta que os abusos devem ser denunciados e que as crianças precisam entender que é necessário contá-los aos pais ou responsáveis, dado que a “vergonha” desses atos deve recair sobre aquele que os comete.

Os responsáveis chamam a atenção para a ajuda que pode ser prestada pelos pais e educadores e sublinham que as crianças podem erguer “barreiras pessoais” perante abordagens indesejáveis.

De acordo com a Igreja Católica nos EUA, mais de dois milhões de adultos em 193 dioceses foram treinados para reconhecer o comportamento dos abusadores e executar medidas que detenham os seus comportamentos.

Todas as dioceses têm Códigos de Conduta que, além de estipularem as atitudes autorizadas e proibidas, encorajam a denúncia de comportamentos suspeitos.

Segundo a Conferência episcopal norte-americana, desde 2002 tem sido seguida uma política de “Tolerância Zero”: um só abuso sexual comprovado na sequência de um processo que cumpra os procedimentos do Direito Canônico é o suficiente para que o padre ou diácono envolvido seja “permanentemente afastado do ministério”, não se excluindo “a demissão do estado clerical”.

Em 2009, as dioceses norte-americanas gastaram o equivalente a quase 5 milhões de euros em terapia para as vítimas de abuso sexual de menores.

Na internet: http://www.usccb.org

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* Igreja Católica nos EUA lança programa para prevenir abuso de crianças.

quarta-feira, agosto 11th, 2010

ACI

Ante o início de um novo ano escolar, a Diretora Associada do Secretariado para o Amparo de crianças e Jovens da Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB, em inglês), Mary Jane Doerr, deu a conhecer uma lista com as mensagens que as crianças aprenderão em diversos programas de cuidado dos menores para acautelar qualquer tipo de abuso e promover seu desenvolvimento em ambientes seguros.

No comunicado de dez pontos divulgado hoje se destaca entre outras coisas que um abuso “nunca é culpa da criança” e recorda que “Deus sempre ama as crianças e deseja que vivam vidas felizes e santas. Se uma criança for abusada, esse criança aprende que de qualquer maneira ele ou ela são inocentes e que Deus e suas famílias ainda os amam”.

Seguidamente ressalta que qualquer abuso deve sempre ser reportado e que “os pais podem ajudar os seus filhos a que aprendam em quem podem confiar assinalando-lhes adultos que consideram dignos de confiança”.

“Você pode reconhecer um abuso quando ele acontece”, expõe o quarto ponto do comunicado e recorda logo que “há formas de detectar um processo de aproximação indevida” já que “os possíveis abusadores estão dispostos a passar uma grande quantidade de tempo fazendo-se amigos da Familia e inclusive da comunidade para ser visto como amigo de confiança desta família”.

Depois de insistir aos pais e outros adultos de confiança a falarem sobre o assunto, o texto afirma que é necessário estabelecer barreiras pessoais para proteger uma criança e saber que estas barreiras existem para reforçar o ensinamento de escutar os próprios instintos.

“As crianças podem defender-se a si mesmas. Os crianças devem ser respeitosas e obedecer, mas ao mesmo tempo precisam saber que há ocasiões quando está bem dizer ‘não’ a um adulto. As crianças aprendem quando é apropriado que digam: ‘Não, deixe de fazer isso’. Por exemplo, escutam que podem dizer não a alguém que os faz sentir incômodos, mostra-lhes pornografia ou oferecer-lhes álcool”.

Finalmente o comunicado precisa que “existem formas de explicar um comportamento inapropriado. As crianças aprendem a descrever o que está acontecendo quando alguém está fazendo algo que parece ‘algo estranho’ embora é possível que isto não pareça incorreto.

A capacidade de articular o que lhe aconteceu, permite à criança confiar mais facilmente aos seus pais ou a um adulto de confiança. Isto pode alertar o adulto de uma situação potencialmente perigosa para que esta possa ser evitada. Ultimadamente, este é o objetivo da educação para ambientes seguros”.

Para ler o comunicado completo, ingresse em: http://www.usccb.org/comm/archives/2010/10-147sp.shtml

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* Americanos retiram denúncia contra Vaticano na Justiça.

quarta-feira, agosto 11th, 2010

Folhade São Paulo

Três pessoas que afirmavam terem sofrido abusos sexuais por padres católicos retiraram suas queixas contra o Vaticano na Justiça dos EUA, eliminando a possibilidade de a Igreja ir ao banco dos réus no país. Em Roma, a Santa Sé comemorou e disse que recebe a notícia “com satisfação”.

As informações são do advogado da Santa Sé nos Estados Unidos, Jeffrey Lena. Segundo ele a Igreja aguarda somente a assinatura dos juízes americanos sancionando o arquivamento do processo para oficializar a decisão.

As supostas vítimas de pedofilia acusavam o Vaticano de negligência. Seus representantes legais procuravam obter o status de ação coletiva, sustentando que milhares de menores são molestados por sacerdotes no país.

O episódio do Kentucky –apresentado em 2004 a uma corte de Louisville– é um dos três que citam a Santa Sé em tribunais norte-americanos.

Recentemente, outro procedimento foi encaminhado ao Estado de Wisconsin pelas vítimas do padre Lawrence Murphy, que teria abusado de ao menos 200 alunos de uma escola para surdos-mudos e que foi, ainda no início deste ano, o estopim da grande crise de pedofilia que ainda abala a Igreja Católica em todo o mundo.

O processo menciona o papa Bento 16 –que na época dos episódios era prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé– e os cardeais Angelo Sodano e Tarcisio Bertone, o atual secretário de Estado do Vaticano e então número dois do dicastério responsável por checar este tipo de denúncia.

O outro caso corre no Oregon e cita a Santa Sé, já que ela teria aprovado a transferência da Irlanda a Chicago, e depois a Portland, do sacerdote Andrew Ronan, mesmo sabendo das repetidas denúncias associadas a ele, tornando-se assim corresponsável pelos abusos.

No final de junho, a Suprema Corte americana resolveu não se pronunciar sobre um recurso encaminhado pelo Vaticano referente a este processo, e reenviou a um tribunal local a decisão sobre se a instituição pode ou não ser civilmente responsável pelas ações de padres que cometeram abusos.

A notícia da retirada das queixas contra o Vaticano na Justiça americana foi bem recebida em Roma. “A Santa Sé recebe com satisfação as notícias referente à causa do Kentucky”, declarou o porta-voz da instituição, padre Federico Lombardi.

“Naturalmente isso não significa de algum modo minimizar o horror e a condenação pelos episódios dos abusos sexuais e a compaixão pelo sofrimento das vítimas, porque, como justamente enfatizou o advogado [Jeffrey] Lena, a Justiça nos confrontos das vítimas e na proteção dos menores deve permanecer o objetivo prioritário”, completou.

De acordo com Lombardi, “é positivo que uma causa que durou seis anos, sobre um suposto envolvimento da Santa Sé em responsabilidades de ocultação de abusos, que teve também fortes reflexos negativos na opinião pública, tenha sido ao final demonstrada ser originada por uma acusação não fundamentada”.

Lena deu entrevista à Radio Vaticana, onde deixou claro que não se pode concluir que os abusos não tenham acontecido somente porque as queixas foram retiradas, apesar de a tese da acusação ser “errônea”.

“A teoria elaborada pelos advogados das partes lesadas, há seis anos, induziu ao erro a opinião pública”, comentou ele, contrapondo que o fato do caso “interposto contra a Santa Sé ter sido errado no mérito não significa que as partes lesadas não tenham sofrido pelos abusos”.

Segundo ele, no entanto, o processo contra a Santa Sé “somente distraiu” a atenção “do importante objetivo de proteger as crianças”.

Além de acusar o Vaticano de negligência, os representantes legais das vítimas procuravam obter o status de ação coletiva para a causa, sustentando que milhares de menores já foram molestados por sacerdotes nos Estados Unidos.

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* Pedofilia só vira notícia quando ligada a sacerdotes?

quinta-feira, agosto 5th, 2010
Denúncia do especialista monsenhor Fortunato Di Noto
Pedofilia somente é notícia quando está ligada aos sacerdotes, denuncia um dos protagonistas na luta contra esse crime, monsenhor Fortunato Di Noto.
Este sacerdote fundou uma associação que há mais de 20 anos luta pela tutela da infância contra a pedofilia, pornografia infantil e exploração sexual. Ele também é assessor de órgãos internacionais, inclusive agências da ONU.

A associação (Associazione Meter Onlus) realiza seu trabalho não só de forma repressiva mas também prevenindo e educando. Criou na Itália 15 centros de acolhida, formou 300 agentes para a defesa da infância, por meio da supervisão da internet e colaboração com as forças da polícia.

Como explica o sacerdote, a pedofilia é um crime, mas também uma máquina de fazer dinheiro, com uma promoção própria, que movimenta cifras de mais de 13 milhões de euros por ano e um total de mais de 200 mil menores envolvidos e abusados, entre os quais bebês de poucos dias até dois anos de idade.

Contudo, destaca Di Noto, grande parte da imprensa se escandaliza somente pelos sacerdotes pedófilos e não por este fenômeno de enormes proporções.

“O mais impressionante é que foi falado de pedofilia do clero mas não se fala, por exemplo, da pedofilia como fenômeno mundial. E o fenômeno mundial dos absuso sexuais está diante os olhos de todos”, afirmou o sacerdote a H2onews.org.

O que me impressiona, e faz diferença, é que a mídia, provavelmente dirigida por lobbys da comunicação, quis falar mais disto e não da gravidade e da criminalidade contra as crianças, da gravidade da exploração sexual dos menores, da gravidade do turismo sexual infantil, da gravidade da venda de crianças e da gravidade da violação de crianças. Esta é a demonstração visível e espetacular de como alguns meios de comunicação, movidos por alguns lobbyes de pensamento, comunicam, às vezes, notícias falsas, não verificadas ou ainda manipuladas.”

Para o fundador da associação contra pedofilia, é preciso ter uma maior responsabilidade e atenção por parte dos pais e também mais atenção perante a difusão da pedofilia nas principais redes sociais.

“A pergunta é: por que na Itália há 180 mil menores de 13 anos que, sem autorização, estão inscritos no Facebook?”. “Isso significa que há 180 mil famílias que não controlam o que estas crianças fazem”.

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* Significado das novas “Normas sobre os delitos mais graves”, lançado pelo Vaticano.

sexta-feira, julho 16th, 2010

Nota do Pe. Federico Lombardi, SJ

Publicamos a nota (e uma síntese dela) divulgada hoje pelo Pe. Federico Lombardi, SJ, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, sobre o significado das novas “Normas sobre os delitos mais graves” [texto disponível em francês, inglês, italiano, latim, espanhol e alemão, N. Da T.], publicadas também hoje pela Congregação para a Doutrina da Fé.

As normas do ordenamento canônico para tratar dos delitos de abuso sexual de membros do clero em relação a menores foram publicadas hoje de maneira orgânica e atualizada, em um documento que se refere a todos os delitos que a Igreja considera excepcionalmente graves e que, portanto, estão sujeitos à competência do Tribunal da Congregação para a Doutrina da Fé: além dos abusos sexuais, trata-se de delitos contra a fé e contra os sacramentos da Eucaristia, da Penitência e da Ordem.

As normas sobre os abusos sexuais preveem, em particular, procedimentos mais rápidos para enfrentar com eficácia as situações mais urgentes e graves, e permitem a inclusão dos leigos na equipe dos tribunais, a prescrição passa a ser de 10 a 20 anos, equipara-se o abuso de pessoas com uso de razão limitado ao de menores, introduz-se o delito de pedo-pornografia. Propõe-se a normativa sobre a confidencialidade dos processos para proteger a dignidade de todas as pessoas envolvidas.

Dado que se trata de normas de ordenamento canônico, isto é, de competência da Igreja, não tratam do tema da denúncia às autoridades civis. No entanto, o cumprimento do previsto pelas leis civis faz parte das indicações dadas pela Congregação para a Doutrina da Fé desde as etapas preliminares do trato dos casos de abuso, como demonstram as “linhas-guia” já publicadas ao respeito.

A Congregação para a Doutrina da Fé também está trabalhando em indicações posteriores para os episcopados, de maneira que as diretrizes emanadas por eles, relativas a abusos sexuais a menores por parte do clero ou em instituições relacionadas com a Igreja, sejam cada vez mais rigorosas, coerentes e eficazes.

Nota completa do Pe. Federico Lombardi, SJ

Em 2001, o Santo Padre João Paulo II promulgou um decreto de importância capital, o Motu Proprio “Sacramentorum sanctitatis tutela”, que atribuía à Congregação para a Doutrina da Fé a responsabilidade de tratar e julgar, no âmbito do ordenamento canônico, uma série de delitos particularmente graves, cuja competência em precedência correspondia também a outros dicastérios ou não era totalmente clara.

O Motu Proprio (a “lei”, em sentido estrito) estava acompanhada de uma série de normas aplicativas e de procedimentos denominadas “Normae de gravioribus delictis”. A experiência acumulada no transcurso dos 9 anos sucessivos sugeriu a integração e atualização de tais normas, com o fim de agilizar ou simplificar os procedimentos, tornando-os mais eficazes, ou para levar em consideração problemáticas novas. Este fato se deveu principalmente à atribuição por parte do Papa de novas “faculdades” à Congregação para a Doutrina da Fé que, no entanto, não se haviam incorporado organicamente nas “Normas” iniciais. Esta incorporação é a que acontece agora no âmbito de uma revisão sistemática de tais “Normas”.

Os delitos gravíssimos aos que se referia essa normativa dizem respeito a realidades chaves para a vida da Igreja, isto é, aos sacramentos da Eucaristia e da Penitência, mas também aos abusos sexuais cometidos por um clérigo com um menor de 18 anos.

A vasta ressonância pública desse tipo de delitos nos últimos anos foi causa de grande atenção e de intenso debate sobre as normas e procedimentos aplicados pela Igreja para o juízo e castigo dos mesmos.

Portanto, é justo que haja plena clareza sobre a normativa atualmente em vigor neste âmbito e que tal normativa se apresente de forma orgânica para facilitar assim a orientação de todos os que se ocupem dessas matérias.

Uma das primeiras contribuições para o esclarecimento – muito útil sobretudo para os que trabalham no setor da informação – foi a publicação, há poucos mese, no site da Santa Sé, de uma breve “Guia para a compreensão dos procedimentos básicos da Congregação para a Doutrina da Fé com relação às acusações de abusos sexuais”. No entanto, a publicação das novas Normas é diferente, já que apresenta um texto jurídico oficial atualizado, válido para toda a Igreja.

Para facilitar a leitura por parte do público não especializado que se interessa principalmente pela problemática relativa aos abusos sexuais, destacamos alguns aspectos.

Entre as novidades introduzidas com relação às normas precedentes, é preciso sublinhar antes de mais nada as que têm como fim que os procedimentos sejam mais rápidos, assim como a possibilidade de não seguir o “caminho processal judicial”, mas proceder “por decreto extrajudicial”, ou a de apresentar ao Santo Padre, em circunstâncias particulares, os casos mais graves em vista da demissão do estado clerical.

Outra norma encaminhada a simplificar problemas precedentes e a levar em conta a evolução da situação da Igreja é a de que sejam membros do tribunal, advogados ou procuradores, não somente os sacerdotes, mas também os leigos. Analogamente, para desenvolver estas funções, já não é estritamente necessário o doutorado em Direito Canônico. A competência requerida pode se demonstrar de outra forma, por exemplo, com um título de licenciatura.

Também é preciso ressaltar que a prescrição passa de 10 a 20 anos, restando sempre a possibilidade de derroga superado esse período.

É significativa a equiparação aos menores das pessoas com uso de razão limitado, e a introdução de uma nova questão: a pedo-pornografia, que é definida assim: “a aquisição, possessão ou divulgação”, por parte de um membro do clero, “de qualquer forma e por qualquer meio, de imagens pornográficas que tenham como objeto menores de 14 anos”.

Volta-se a propor a normativa sobre a confidencialidade dos processos para tutelar a dignidade de todas as pessoas envolvidas.

Um ponto ao qual não faz referências, ainda que frequentemente é objeto de discussão nesta época, tem a ver com a colaborarão com as autoridades civis. É preciso levar em consideração que as normas que se publicam agora fazem parte do regulamento penal canônico, em si completo e plenamente diferente do dos Estados.

Neste contexto, pode-se recordar, no entanto, a “Guia para a compreensão dos procedimentos…” publicada no site da Santa Sé. Em tal “guia”, a indicação “devem seguir-se sempre as disposições da lei civil em matéria de informação de delitos às autoridades competentes” foi incluída na seção dedicada aos “Procedimentos preliminares”. Isso significa que na práxis proposta pela Congregação para a Doutrina da Fé, é necessário adequar-se desde o primeiro momento às disposições de lei vigentes nos diversos países e não ao longo do procedimento canônico ou sucessivamente.

A publicação destas normas supõe uma grande contribuição para a clareza e para a certeza do direito em um campo no qual a Igreja neste momento está muito decidida a agir com rigor e transparência, para responder plenamente às justas expectativas de tutela da coerência moral e da santidade evangélica que os fiéis e a opinião pública nutrem por ela e que o Santo Padre reafirmou constantemente.

Naturalmente, também são necessárias outras muitas medidas e iniciativas, por parte de diversas instâncias eclesiásticas. A Congregação para a Doutrina da Fé, por sua vez, está estudando como ajudar os episcopados do mundo inteiro a formular e colocar em prática com coerência e eficácia as indicações e diretrizes necessárias para enfrentar o problema dos abusos sexuais de menores por parte de membros do clero ou no âmbito de atividades ou instituições relacionadas à Igreja, levando em consideração a situação e os problemas da sociedade em que trabalham.

Os frutos dos ensinamentos e das reflexões amadurecidas ao longo do doloroso cado da “crise” devida aos abusos sexuais por parte de membros do clero serão um passo crucial no caminho da Igreja, que deverá traduzi-las em práxis permanente e ser sempre consciente delas.

Para completar este breve repasso das principais novidades contidas nas “Normas”, também é preciso citar as relativas a delitos de outra natureza. De fato, também nestes casos, não se trata tanto de determinações novas em substância, mas de incluir normas já em vigor, a fim de obter uma normativa completa mais ordenada e orgânica sobre os “delitos mais graves” reservados à Congregação para a Doutrina da Fé.

Mais concretamente, incluiu-se: os delitos contra a fé (heresia, apostasia e cisma), para os quais são normalmente competentes os ordinários, mas a Congregação é competente em caso de apelação; a divulgação e gravação – realizadas maliciosamente – das confissões sacramentais, sobre as quais já se havia emitido um decreto de condenação em 1988; a ordenação das mulheres, sobre a qual também existia um decreto de 2007.

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* Vaticano lança site sobre abusos sexuais.

sexta-feira, julho 16th, 2010

Iniciativa exemplar da Igreja que demonstra mais uma vez de que está do lado da verdade e que trabalha para que os lamentáveis fatos não se repitam.

***

Junto à publicação das novas “Normas sobre os delitos mais graves” (Normae de gravioribus delictis) da Congregação para a Doutrina da Fé, o Vaticano lançou nesta quinta-feira uma página da internet com toda a informação relativa à resposta da Igreja aos escândalos de abusos sexuais.

O site apresenta não só todos os textos que esclarecem este documento vaticano, mas oferece também todas as intervenções de Bento XVI e João Paulo II sobre o tema, assim como pronunciamentos da Santa Sé e seus representantes.

O endereço eletrônico é: http://www.resources.va

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* 12 Coisas que todo Católico deveria Saber sobre os recentes escândalos de Pedofilia.

sexta-feira, julho 9th, 2010

Antonio Lemos, LC

É preciso colocar todas as cartas na mesa quando lidamos com a crise dos escândalos sexuais na Igreja.

Com frequência regular são amplamente divulgadas na maioria dos jornais, revistas, programas televisivos e internet, matérias sobre abusos sexuais na Igreja. Isso é muito importante, pois em primeiro lugar é uma maneira de dar apoio e fazer justiça às vítimas que foram profundamente feridas por esses atos terríveis. Além disso, a própria Igreja é beneficiada porque aprende com os erros de seus membros e pode colocar em prática os meios para acabar por completo com esta tragédia.

Todavia, há um sério problema. A grande parte dos meios de comunicação não está cumprido o dever de apresentar à sociedade com claridade e justiça todos os fatos relativos aos escândalos. Muitas notícias contêm informações contraditórias ou omitem dados importantes.

Um exemplo desse tipo de prática é a relativamente recente publicação de boatos falsos contra o Papa Bento XVI pelo New York Times no dia 25 de março de 2010. O jornal norte-americano alegou que o Santo Padre ocultou o caso de abusos de um sacerdote dos EUA quando era Prefeito da Congregação da Doutrina da Fé. O fato é que nesse específico caso, a Igreja atuou até melhor que as autoridades norte-americanas, aplicando severa e impecavelmente o direito canônico.

Com o objetivo de desenterrar informações que estão sendo ignorados pela vasta maioria da mídia, o periódico National Catholic Register apresentou na edição de 20 de abril de 2010, 12 pontos que devem ser tomados em consideração para avaliar a atual situação da crise dos abusos sexuais, especialmente nos EUA. Apresento uma síntese destes pontos, pois penso que também podem ser de ajuda para os católicos brasileiros, que não estão sendo poupados dos abusos de alguns agentes da mídia.

1. A crise está chegando ao fim. A maioria das alegações são do período entre 1960 e 1985, e apenas 6 casos de abuso sexual foram denunciados em 2009 nos EUA, onde há 46.700 sacerdotes. Isto significa que apenas 0,01% estão envolvidos nos escândalos.

2. Não existe uma tentativa mundial de encobrir os casos. A crise surgiu de situações individuais, distantes uma da outra em tempo e lugar. Ninguém teve os meios necessários para organizar uma operação de encobrimento em escala global.

3. Dar publicidade aos casos parecia a decisão errada a tomar naquele momento específico. O contexto cultural daquela época era diferente, quando o problema ainda não tinha sido completamente discernido e todas as grandes instituições silenciavam escândalos. Os escândalos foram silenciados (especialmente nos EUA e Irlanda) por razões que pareciam plausíveis naquela situação: proteção das vítimas e das suas famílias, oportunidade de reabilitação dos culpados, preocupação de poupar outras pessoas do escândalo. Por isso, é anacronismo julgar eventos que aconteceram 30 anos atrás com os critérios atuais.

4. O Papa Bento XVI é parte da solução, não do problema. Ele organizou profundas mudanças nos procedimentos do Vaticano e apoiou os bispos dos EUA na recuperação após as alegações de 2002, bem como na recente crise na Irlanda.

5. Ninguém está fazendo mais para lidar com a tragédia do abuso sexual de menores que a Igreja Católica. A Conferência de Bispos dos EUA informou que mais de 5 milhões de crianças receberam treinamento para criar um ambiente seguro e mais de 2 milhões de voluntários, empregados e membros do clero se submeteram à verificação de antecedentes.

6. Seminaristas agora são submetidos a uma análise mais profunda. Isso inclui tanto uma completa verificação de antecedentes e testes psicológicos, de acordo com a Conferência de Bispos norte-americanos.

7. Abuso sexual de crianças é um mal amplamente constatado em todos os campos sociedade, não somente na Igreja Católica. No dia 8 de abril, a pesquisadora da Faculdade de Justiça Criminal John Jay, Margaret Leland Smith, comentou na revista Nesweek que “o abuso sexual de meninos é comum, mas não é reconhecido, não é divulgado e nem tratado devidamente” concluiu o estudo.

8. As crianças podem estar mais seguras com sacerdotes do que com qualquer outra pessoa. De acordo com Dr. Garth Rattray (autor do livro The Gleaner, 2002), cerca de 85% dos abusos vem de membros da família, babás, vizinhos e amigos.

9. Relações com adolescentes adultos (efebo-filia) representam 90% dos casos envolvendo sacerdotes e menores de idade. Abusos de adolescentes menores de 13 anos contam apenas 10% dos casos. Desses, aproximadamente 60% são relações homossexuais e 30% heterossexuais. Nos EUA, 81% das vítimas são meninos e 19% meninas.

10. Laicização não é sempre a melhor solução. A insistência dos meios de comunicação para que os sacerdotes culpados sejam laicizados o quanto antes ignora dois fatos importantes: a primeira fase, chamada suspensão, da qual os bispos estão instruídos para seguir nesses casos, remove o sacerdote temporária ou permanentemente do ministério de forma que ele não seja mais um perigo para os menores de idade. Mas quando um sacerdote é laicizado, a Igreja já não pode monitorar as suas atividades e restringir o seu acesso a menores de idade, então o culpado estará livre para agir na sociedade.

11. A Igreja está cuidando das vítimas. Em 2009, a Conferência dos Bispos dos EUA informou que $6,5 milhões de dólares foram gastos na terapia das vítimas do abuso sexual cometido por sacerdotes (para informações completas em inglês http://www.usccb.org/catholic-church-sxl-ab.pdf). O Papa também tem manifestado publicamente diversas vezes sua dor e incondicional apoio pelas vítimas, tomando a iniciativa de encontrá-las em muitas ocasiões.

12. A Igreja é santa, muito embora seus membros sejam pecadores. Como afirma o Catecismo, “a Igreja, que no seu próprio seio encerra pecadores, é simultaneamente santa e chamada a purificar-se, prosseguindo constantemente no seu esforço de penitência e renovação” Todos os membros da Igreja, inclusive os seus ministros, devem reconhecer-se pecadores. Em todos eles, o joio do pecado encontra-se ainda misturado com a boa semente do Evangelho até ao fim dos tempos. A Igreja reúne, pois, em si, pecadores abrangidos pela salvação de Cristo, mas ainda a caminho da santificação” (no. 827).

Todos esses aspectos ajudam a compreender que o problema dos abusos sexuais não é um problema exclusivo da Igreja, mas de toda a sociedade. Acredito, que a maior contradição na mídia brasileira é condenar vorazmente a Igreja no jornal da noite, e imediatamente na novela seguinte promover abertamente o erotismo e a vulgaridade. O único meio de fazer um jornalismo sério e colaborar para o desenvolvimento integral da nação brasileira é comprometendo-se com a verdade e com a dignidade da pessoa humana. Basta aos abusos sexuais a menores em todos os setores da sociedade: igreja, escola, vizinhança, família. Mas também, basta de contradições, omissões e baixaria nos meios de comunicação.

Fonte: Pastoralis

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* Nova campanha de marca de lingerie liga pedofilia, Igreja Católica e mulheres. Pode?

segunda-feira, julho 5th, 2010

Nossa luta não contra homens de carne e sangue...

Nossa luta não é contra homens de carne e sangue...

E ai, mulheres cristãs católicas? Eles querem vender e querem polemizar.Vamos lhes dar lucro??

A resposta se dá nas compras, ou melhor, nas ” não compras” e nos e-mails de protesto.

É apenas uma campanha publicitária, dizem.

Não.É uma generalização infeliz e um desrespeito a nossos valores. Uma campanha “oportunista”.

Afinal, o que é que tem a ver peça íntima com  igreja e com pedofilia – que trata de crianças vítimas-  e não de mulheres..?

***

A marca de lingeries Duloren revelou por meio de seu Twitter  uma foto de sua nova campanha “Pedofilia, não!”, que será lançada em julho. A peça publicitária polemiza ao trazer uma mulher com trajes íntimos apontando um crucifixo para um padre.

A marca faz uma crítica aos recentes casos divulgados pela imprensa de abuso sexual a crianças por representantes da igreja católica.

O anúncio tem a praça de São Pedro, no Vaticano, como cenário.

Há dez anos a Duloren não fotografava uma campanha no exterior, e escolheu a Itália como locação para as novas fotos. Assim, a imagem terá a praça de São Pedro, no Vaticano, como cenário. Em primeiro plano, a modelo - de lingerie - mostrará um crucifixo para um homem de costas (que aparenta ser um padre, por conta da roupa e do ambiente), acompanhado da frase ‘Pedofilia. Não’.

A Duloren, pela primeira vez, vai usar mídias sociais para divulgar a nova campanha, além da mídia impressa e peças publicitárias em lojas da marca. A Simples Agência é responsável pela ação online e o anúncio foi criado pela Agnelo Pacheco Rio.

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* Mal-entendidos sobre Bento XVI e a crise dos abusos sexuais.

segunda-feira, junho 21st, 2010
O que Ratzinger fez perante as denúncias

Por Pe. John Flynn, L. C.

As revelações de episódios de abusos sexuais por parte de sacerdotes na Igreja Católica estão atraindo uma atenção sem precedentes sobre o papel do Vaticano e, sobretudo, sobre as ações de Bento XVI. Em meio da cascata de reportagens, existe, contudo, o perigo de que os fatos possam ser obscurecidos pela intensidade das opiniões expressadas.

Um exemplo recente é a notícia da capa da revista Time de 7 de junho. Sobre uma foto do Papa com a cabeça virada, o título era: “Por que ser Papa significa nunca dizer perdão”. Uma rápida olhada à seção do website do Vaticano dedicada aos abusos sexuais revela, pelo contrário, que em repetidas ocasiões Bento XVI expressou seu pesar pelos abusos de crianças e adolescentes. De fato, o parágrafo 6 da carta do Papa aos católicos da Irlanda de 19 de março diz [às vítimas de abusos e suas famílias]: “Sofrestes tremendamente e por isto sinto profundo desgosto”.

Para ajudar a esclarecer esses temas, Gregory Erlandson e Matthew Bunson acabaram de publicar um livro chamado: Pope Benedict XVI and the Sexual Abuse Crisis (O Papa Bento XVI e a Crise dos Abusos Sexuais) (Our Sunday Visitor). Os autores sabem bastante sobre o tema. Erlandson é o presidente e editor de Our Sunday Visitor Publishing Company e Bunson é o redator chefe do Catholic Almanac e também da revista Catholic Answers.

Começam por destacar que uma das lições dos escândalos de abusos sexuais é não ter medo da verdade. “Temos de enfrentar os fatos, mas também devemos examinar com equilíbrio e honestidade”, observa o prólogo.

As questões sobre o modo de atuar de Bento XVI surgiram com a publicação de reportagens sobre como foi tratado um sacerdote quando o futuro Papa era arcebispo de Munique. Houve outras acusações, sobre as decisões tomadas quando era prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, sobre os casos de abusos nos Estados Unidos. Os media acusaram o pontífice de negligência, encobrimento e falta de preocupação com as vítimas dos abusos.

Bento XVI difamado

Os autores do livro colocaram estas afirmações como falsas, mas admitem que para a maior parte do público seria difícil chegar a pontos de vista que alcancem uma compreensão mais correta da situação. O resultado é que Bento XVI foi difamado, e também foi pouco abordada a atuação da Igreja Católica nos Estados Unidos. Durante os últimos anos a adoção de novas normas e procedimentos levou a drásticas mudanças na área dos abusos sexuais, esclarece o livro. Ainda assim, a maior parte da cobertura dos media apresenta a situação como se estas mudanças nunca tivessem ocorrido.

Em relação ao papel do pontífice quando presidia a Congregação para a Doutrina da Fé, os autores apresentam dois pontos importantes. Primeiro: antes de 2001, a responsabilidade de tratar os casos de abusos sexuais estava dividida entre várias secretarias vaticanas, e não foi até a publicação da carta apostólica de 18 de maio daquele ano que todos aqueles sacerdotes acusados de abuso fossem atribuídos à Congregação para a Doutrina da Fé. O então cardeal Joseph Ratzinger assumiu o controle destes casos, imprimiu uma mudança de atitude e teve uma maior noção da gravidade da situação e da necessidade de atuação muito mais dedicada.

Isso levou às palavras que escreveu para as meditações das Estações da Via Crucis da Sexta-Feira Santa de 2005, pouco antes da morte de João Paulo II. Na nona estação, clamava: “Quanta sujeira há na Igreja, e precisamente entre aqueles que, no sacerdócio, deveriam pertencer completamente a Ele!”.

Uma vez que a Congregação para a Doutrina da Fé se encarregou de tratar os casos de sacerdotes que tinham cometido abusos sexuais, ele atuou rapidamente para resolvê-los. Isso foi explicado em uma entrevista concedida por Dom Charles J. Scicluna ao jornal católico italiano Avvenire, em fevereiro deste ano. Cerca de 60% dos casos não chegaram ao devido julgamento por motivo da idade avançada dos acusados, mas foram submetidos a uma atuação disciplinar e afastados de qualquer ministério público. Em geral, em um grande número de casos foi permitido aos bispos locais que tomassem medidas disciplinares imediatas, de forma que não atrasassem o processo de andamento destas medidas antes de acontecer os julgamentos.

Algumas das reportagens dos meios de comunicação criticaram a lentidão ou falta de atuação de Roma ao tratar os sacerdotes culpados de abusos. Mas os autores do livro citam várias fontes que demonstram que os atrasos foram em grande parte de responsabilidade dos bispos locais norte-americanos, não de qualquer negligência do cardeal Ratzinger ou dos encarregados em seu departamento de tratar destes assuntos.

De fato, os autores do livro destacam que um dos fatores que agravou os problemas de abusos sexuais foi a falta de aplicação, por parte dos bispos, das leis e normas da Igreja sobre como deveriam se tratar estes casos. Não obstante, não se tratou só de uma falha dos bispos. Quando muitos destes abusos aconteceram, em ocasiões há várias décadas, os psiquiatras e outros membros da sociedade daquela época não compreenderam a intensidade do mal que estava por trás de tais atos.

Ainda que se obteve muito progresso, Erlandson e Bunson também levantaram algumas sugestões sobre medidas adicionais que possam ser adotadas pela Igreja. Primeiro, é necessário que continue de forma clara a assunção de responsabilidades que estabeleceu Bento XVI, e os infratores devem responder por seus atos. Segundo, o Vaticano deveria considerar a publicação de algumas normas mundiais, tanto para garantir que se informem as autoridades civis dos casos de abuso sexual como também para garantir que exista uma consistência ao lidar com casos de abusos. Terceiro, deve ser levada adiante a renovação espiritual do sacerdócio e da vida religiosa.

Papel decisivo

Erlandson e Bunsen concluem seu estudo afirmando que a crise dos absuso sexuais do clero, muito provavelmente defina o pontificado de Bento XVI. Isso não se deverá tanto à quantidade dos escândalos revelados, mas sim ao papel de liderança que tomou.

Antes de ser Papa, deu andamento às atuações decisivas para que a Congregação para a Doutrina da Fé lidasse com os sacerdotes que cometeram tais abusos. Uma vez eleito Papa, encontrou-se com diversas vítimas, repreendeu os sacerdotes culpados e desafiou os bispos. Também esteve na vanguarda das reformas de procedimentos que deram como resultado que a Igreja fosse capaz de responder mais rapidamente ao tratar de abusos sexuais. O livro cita o cardeal Sean O’Malley, de Boston, que afirmou, durante uma década, que o aliado mais forte que os bispos norte-americanos tinham em Roma ao tratar dos abusos sexuais foi o então cardeal Ratzinger.

Uma vez eleito, Bento XVI escolheu como sucessor na Congregação para Doutrina da Fé um norte-americano, cardeal William J. Levada, alguém que era muito consciente do alcance dos escândalos. Em suas mensagens sobre os abusos sexuais, o pontífice falou com transparência e força. Também é consciente da necessidade de uma renovação espiritual, que expressou claramente em sua carta aos católicos irlandeses, observa o livro.

Os autores admitem que, como muitos de sua geração, o atual Papa foi no princípio lento na hora de se dar conta da gravidade, mas mudou até o ponto de “se converter no defensor histórico da reforma e da renovação da Igreja, e ele compreende o significado do problema”.

Em outras palavras, Bento XVI não é um obstáculo para enfrentar com eficiência o problema dos abusos sexuais, mas uma parte vital da solução.

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* Histórico pedido de perdão do Papa, nesta manhã, pelos abusos sexuais.

sexta-feira, junho 11th, 2010

“Peço perdão a Deus e às vítimas dos abusos sexuais”. Petição histórica de perdão. Pela primeira vez, Bento XVI pediu, de forma explícita, “perdão” pelos “abusos contra as crianças” cometidos por padres católicos.

A notícia é do portal do jornal La Repubblica, 11-06-2010.

Ante mais de 15 mil presbíteros que o escutavam na Praça São Pedro, por ocasião do fechamento do Ano Sacerdotal, o Papa prometeu “fazer todo possível” para impedir que estes dramas se repitam. “Nunca mais abusos”, acrescentou.

A grandeza deste gesto do Pontífice é incalculável. Pela primeira vez, e em nome de toda a Igreja, o Santo Padre pediu perdão pelos escândalos da pedofilia do clero católico. Um novo passo na política de “tolerância zero” iniciada por Bento XVI.

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* Arquidiocese do Rio e diocese de Fátima, Portugal, esclarecem caso de sacerdote preso no Rio de Janeiro.

segunda-feira, maio 31st, 2010

Em notas de imprensa recentemente divulgadas as dioceses do Rio de Janeiro e a diocese de Leiria-Fátima em Portugal esclarecem o caso do sacerdote acusado de atos de pedofilia e recentemente encarcerado no Rio.

Ambas circunscrições eclesiásticas tomam distância do deplorável comportamento deste sacerdote cujas funções eclesiásticas foram suspensas pelo Arcebispo do Rio, Dom Orani João Tempesta, e do qual a diocese de Fátima jamais teve conhecimento como assinalam os comunicados reproduzidos na íntegra abaixo. Ambos os textos estão assinados pelos assessores de imprensa das mencionadas dioceses.

Diocese de Leiria-Fátima
Gabinete do Bispo Diocesano

Foi com grande surpresa e profunda consternação que a Diocese de Leiria- -Fátima tomou conhecimento, pelos meios de comunicação social, dos factos de que é acusado o P. Marcin Strachanowski, ocorridos no Brasil, na região de Rio de Janeiro. Marcin Strachanowski esteve ao
serviço desta Diocese desde 21 de Junho de 2007 até 1 de Junho de 2008. Por nomeação do Bispo diocesano exerceu funções de capelão no Santuário de Fátima, prestando assistência religiosa aos peregrinos de língua polaca e portuguesa. Durante o tempo da sua permanência nesta Diocese não houve queixas relativamente ao seu comportamento, suspeitas ou indícios relacionados com a situação agora vinda a público. Também não era do conhecimento dos responsáveis diocesanos que no seu passado tivesse havido situações do género das que tomamos agora conhecimento.

O primeiro pensamento do Bispo de LeiriaFátima e dos responsáveis pelos sectores em que o P.  Marcin prestou serviço dirige-se antes de mais para aqueles que tenham sido vítimas deste seu comportamento absolutamente inaceitável e sem qualquer desculpa,  e para todos os que se sentem desiludidos pela sua conduta.

Esperamos que tanto no foro civil como eclesiástico se possa conhecer a verdade dos factos,
devendo o próprio ser responsabilizado pelos actos de que for considerado culpado.

Desejamos

ainda que Marcin Strachanowski tenha uma oportunidade para recompor a sua vida pessoal,  encontre

o necessário equilíbrio psíquico e a coerência com os valores cristãos. Marcin Strachanowski é um presbítero da diocese de Cracóvia (Polónia), que desde 1997 presta serviço pastoral na arquidiocese
do Rio de Janeiro (no Brasil). Em carta datada de 7 de Março de 2007,  solicitou ao Bispo de
Leiria-Fátima autorização para trabalhar pastoralmente nesta diocese, de preferência no Santuário de
Fátima.

Depois de recolhidas as devidas informações dos Arcebispos de Rio de Janeiro e de Cracóvia,  perante diversos atestados de idoneidade e recomendações favoráveis, o Bispo diocesano admitiu- -o para
o trabalho pastoral em Fátima.

Em Maio de 2008, o próprio comunica ao bispo desta diocese que, com autorização do seu bispo de
origem, regressaria no mês seguinte ao Brasil,  para aí exercer novamente o ministério sacerdotal.

Nota da Arquidiocese do Rio de Janeiro

Ao tomar conhecimento da decretação da prisão preventiva de um sacerdote polonês nesta cidade, a Arquidiocese do Rio de Janeiro lamenta o ocorrido, principalmente com as pessoas envolvidas, especialmente as possíveis vítimas, e esclarece que o referido sacerdote já se encontra suspenso de suas funções paroquiais e, além do processo criminal, existe o processo canônico que foi instruído pelo Tribunal Eclesiástico que, a seu tempo, tomou as devidas providências.

A Assessoria de Imprensa esclarece que as atitudes já tomadas serão mantidas e os advogados constituídos pelo próprio padre estarão acompanhando a questão enquanto se aguarda o desenvolvimento desse atual processo.

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* 100 mil pessoas acessam – por dia- sites pedófilos no mundo.

sábado, maio 22nd, 2010

Revista Superinteressante

No dia 18 de maio comemorou-se o Dia Nacional de combate ao abuso e Exploração Sexual Infantil, mas, no ano em que a data completa uma década de existência, a ONG italiana Telefono Arcobaleno publicou um relatório sobre pedofilia na internet que está longe de ser um presente para os brasileiros e para o mundo.

O documento “On line Child Abuse and Sexual Exploitation”, recém-lançado pela entidade, mostrou que a pedofilia na internet cresceu 16,5% em, apenas, um ano e os dados divulgados pelo relatório só vão ficando mais assustadores.

Segundo a ONG:

  • em 2009, foram mapeados 49.393 sites de pornografia infantil no mundo, mas existem muitos outros que ainda não foram rastreados;
  • por dia, cerca de 135 novos sites de pedofilia pipocam na rede;
  • 100 mil internautas acessam, diariamente, cada um dos sites de pornografia infantil;
  • apesar de ilegais, 3.500 sites desse tipo são financiados por empresas ligadas ao mercado do sexo, em troca de publicidade e
  • menos de 1% das crianças abusadas conseguem ser identificadas pelas autoridades para receber tratamento psicológico adequado.

Os números chocam e, de acordo com o relatório da Telefone Arcobaleno, a sociedade é a principal culpada pelo crescimento desse fenômeno, já que ainda se omite diante desse tipo de crime. Muitos ficam tão indignados quando encontram qualquer tipo de conteúdo de pedofilia na rede que, ao invés de denunciar a prática, fecham rapidamente as janelas de seus navegadores e querem esquecer o que viram.

Para denunciar casos de abuso ou exploração sexual contra crianças disque 100 e para registrar, na Polícia Federal, qualquer tipo de crime na internet contra os direitos humanos, inclusive a pornografia infantil, clique no site da Polícia Federal criado especialmente para a denúncia de Crimes Contra os Direitos Humanos na Internet.

***

Penso que a recente crise de pedofilia de alguns membros da Igreja acabou ampliando a discussão sobre essa questão, o que acabou sendo -apesar da dor- positivo.

De fato, a pedofilia é inaceitável.

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* Igreja Católica belga aprova “código deontológico”* contra abusos.

sexta-feira, maio 21st, 2010

* Deontologia: Na filosofia moral contemporânea, é uma das teorias normativas segundo as quais as escolhas são moralmente necessárias, proibidas ou permitidas. Portanto inclui-se entre as teorias morais que orientam nossas escolhas sobre o que deve ser feito.

***

Religión Digital

A Igreja Católica da Bélgica está decidida a eliminar pela raiz novos escândalos de pedofilia e de abusos sexuais de menores, como o que forçou a renúncia, há um mês, do bispo de Brugges, Roger Vangheleuwe, segundo a emissora de TV belga flamenca VRT.

Para frear futuros novos abusos, a hierarquia da Igreja Católica belga acaba de aprovar a introdução de um estrito “código de comportamento com crianças, adolescentes e outros grupos sensíveis”, que deverá ser rigorosamente seguido pelos sacerdotes, por exemplo, no caso de colégios ou internatos.

O caso do bispo de Brugges, que apresentou sua renúncia voluntária (aceita imediatamente pelo Vaticano), após ter reconhecido que abusou de menores, provocou na Bélgica uma cascata de reações negativas em relação à cúpula da Igreja Católica.

Desde que Vangheleuwe apresentou publicamente seu pedido de desculpas, foram “centenas” as denúncias feitas de novos casos de supostos abusos de menores por parte de membros da Igreja Católica belga, segundo a rede VRT.

De acordo com o jornal belga flamenco De Standaard, desde a renúncia do bispo de Brugges, produziu-se na Bélgica um “efeito contágio”, que estimulou supostas vítimas de abusos por parte de religiosos a expôr seus casos.

Nesse sentido, em uma carta pastoral enviada  aos bispos e administradores diocesanos da Bélgica, pede-se que, “o quanto antes”, sejam adotadas “medidas de comportamento exemplares” no tratamento de jovens e adolescentes por parte de membros da Igreja.

Nessa carta, fala-se das coisas que funcionam bem no seio da Igreja Católica belga, mas também “dos problemas que a afetam” e sobre o que “é preciso fazer para corrigir determinados comportamentos”.

“Acima de tudo, foi a renúncia do bispo de Brugges que provocou uma onda de reações na Igreja belga. A confiança dos fiéis em seus pastores ficou gravemente danificada”, afirma-se no texto da carta enviada à máxima hierarquia da Igreja belga.

Com a aplicação “imediata” desse novo “código de conduta”, pretende-se “recuperar a confiança dos fiéis belgas”, diz o texto.

Mas além do novo “código de comportamento” para bispos, sacerdotes e todos os que representem a Igreja Católica belga no exercício diário de suas funções, por exemplo, professores de religião, a hierarquia eclesiástica promete aplicar “critérios muito mais duros” na hora de selecionar os futuros sacerdotes e ministros da Igreja.

Segundo explicações de um dos porta-vozes da hierarquia católica belga ao canal VRT, “os abusos sexuais não só têm a ver com a vida diária do indivíduo, mas também com a forma de como cada pastor da Igreja se comporta diariamente diante de seus fiéis. Nisso, temos que ser inflexíveis”, afirma.

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* O que os Bispos americanos aprenderam pós-crise dos abusos?

quinta-feira, maio 20th, 2010

A Comissão Nacional de Revisão da Conferência Episcopal dos Estados Unidos publicou um conjunto de dez lições extraídas do trabalho com as vítimas ou sobreviventes de abusos infantis por parte do clero.

A lista foi preparada pela presidente da Comissão, Diane Knight, e foi publicada  pela conferência episcopal.

“Aprendemos que falta uma grande coragem por parte de uma vítima/sobrevivente para dar um passo adiante e revelar sua história depois de anos, às vezes décadas, de silêncio e sentimentos de vergonha”, afirma o comunicado.

“Para a vítima/sobrevivente, no final é muito importante simplesmente ser compreendida”, acrescenta.

Knight afirma que, “apesar de sua própria dor e sofrimento, muitas vítimas/sobreviventes estão preocupados por que a Igreja evite que esse tipo de abuso aconteça a mais crianças, assim como estão preocupados por si mesmos e suas próprias necessidades de cura”.

“Enquanto a história de cada pessoa é diferente, o comum é a violação da confiança”, afirma.

Knight acrescenta que “alguns sobreviventes não confiam absolutamente em nada, até hoje, enquanto outros foram capazes de trabalhar através dessa dor, com a ajuda e o apoio de seus entes queridos”.

“Aprendemos que na atualidade existem métodos de terapia que funcionam especialmente bem com e para sobreviventes de abusos sexuais infantis e que os indivíduos podem ser ajudados, mesmo depois de muitos anos de tentativa sem êxito de simplesmente esquecer-se dos fatos”, afirma.

O comunicado da comissão afirma ainda que “nós aprendemos que o abuso roubou de algumas vítimas/sobreviventes sua fé. Para alguns, isso significa a perda de sua fé católica, mas para outros significa a perda total da fé em um Deus”.

“Aprendemos, contudo, que temos muito a aprender”, conclui o comunicado.

A Comissão Nacional de Revisão é um grupo consultivo de 13 leigos com experiência em áreas como direito, educação, meios de comunicação e ciências da saúde.

A Comissão foi criada em 2002, quando os bispos dos Estados Unidos aprovaram a “Carta para a Proteção de Crianças e Jovens“. A Comissão Nacional de Revisão está atualmente trabalhando em “Causas e Estudo de Contexto”, sobre casos de abuso sexual de menores por sacerdotes, que está sendo desenvolvido pelo Colégio John Jay de Justiça Criminal e será publicado em 2011.

Para ter acesso ao comunicado original em inglês, acesse: www.usccb.org/comm/archives/2010/10-095.shtml

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