Posts Tagged ‘Perseguição Religiosa’

* Policiais prendem 23 cristãos que celebravam em uma igreja na Coreia do Norte.

quarta-feira, agosto 11th, 2010

Gaudium Press

O regime norte-coreano prendeu 23 cristãos que celebravam em uma igreja estabelecida dentro de uma casa na província de Pyongan. Três dos presos foram julgados e condenados à pena de morte, que já teria sido cumprida, informa a agência Asia News.

De acordo com as fontes ouvidas pela agência, as prisões e execuções ocorreram em meados de maio. “Na ocasião, a polícia descobriu os 23 cristãos em Kuwal-dong, no condado de Pyungsung, localizado na província de Pyongan, que se encontravam em uma igreja “clandestina”", relata um das fontes.

Após a prisão, eles teriam sido exaustivamente interrogados. Os três supostos “líderes” do grupo segundo as forças de segurança foram condenados à morte e já teria sido mortos. Ainda de acordo com as fontes ouvidas pela agência, o restante teria sido enviado para uma colônia penal.

O regime norte-coreano, um dos mais fechados do mundo, não reconhece a liberdade de religião de forma plena. Oficialmente, o país tem três lugares cristãos de veneração (uma igreja católica e duas protestantes) e quatro templos budistas, mas somente na capital Pyongyang.

O único culto permitido no país é o chamado “Eterno Presidente”, a Kim Il-sung e ao seu filho, o ‘Querido Líder’ e atual presidente Kim Jong-il. Após a Guerra da Coreia em 1953, o regime passou a perseguir os então estimados 200 mil católicos do país e destruir igrejas e abadias. Estima-se que não passe de 200 o número de católicos remanescentes na Coreia do Norte.

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* Cristãos são os mais perseguidos do mundo, afirma autoridade vaticana.

quinta-feira, agosto 5th, 2010

ACI

O secretário do Conselho Pontifício para a Justiça e a Paz, Dom Mario Toso, denunciou que os cristãos se converteram no grupo religioso mais perseguido no mundo na ocasião de um encontro ante a Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE).

Segundo a informação divulgada pela agência católica AICA, Dom Toso presidiu a delegação da Santa Sé que nos dias 29 e 30 de junho participou da Conferência sobre a tolerância e a não discriminação, organizada pela OSCE, uma organização conformada por 56 Estados participantes, da Europa, Ásia Central e América do Norte (Canadá e Estados Unidos). No encontro prestaram particular atenção à discriminação contra os cristãos e membros de outras religiões.

“Com o crescimento da intolerância religiosa no mundo, está amplamente documentado que os cristãos são o grupo religioso mais discriminado”, alertou o representante pontifício.
E acrescentou: “mais de 200 milhões deles, pertencentes a confissões diferentes, encontram-se em situações de dificuldade por causa de instituições e contextos legais e culturais que os discriminam”.

Acima de tudo deixou claro que os cristãos não só são discriminados onde são minoria, mas também além se comprovou que em ocasiões seus direitos fundamentais são cerceados mesmo quando são maioria.

Inclusive na OSCE, afirmou monsenhor Toso, em alguns países existem ainda “leis intolerantes e discriminantes” contra os fiéis.
“Sucedem episódios repetidos de violência inclusive assassinatos de cristãos”, advertiu o prelado.

“Com freqüência, a educação cívica tem lugar sem o devido respeito da identidade e a fé dos cristãos. registram-se, além disso, sinais claros de oposição ao reconhecimento do papel público da religião”, constatou o arcebispo.

Por este motivo, sublinhou Dom Toso, “a Santa Sé está convencida de que a comunidade internacional deveria lutar contra a intolerância e a discriminação dos cristãos com a mesma determinação com a que luta ou lutaria contra o ódio contra todas as comunidades religiosas”.

Por outra parte, assinalou, “os meios de comunicação tampouco ficam isentos de atitudes de intolerância e, em alguns casos, de denigrar os cristãos e os fiéis crentes em geral”.

“Um autêntico pluralismo nos meios de comunicação exige uma correta informação sobre as diferentes realidades religiosas, assim como a liberdade de acesso aos meios para as mesmas comunidades religiosas”.

No respeito da liberdade de pensamento e de expressão, o secretário pediu adotar “mecanismos e instrumentos contra a manipulação dos conteúdos e símbolos religiosos, assim como contra as manifestações de intolerância e de odeio contra os cristãos e todos os crentes”.

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* Muçulmanos Indonésios tentam deter o ‘Cristianismo’ evangélico.

quarta-feira, julho 28th, 2010

Em uma assembléia na grande mesquita Al Azhar, os líderes das nove organizações muçulmanas anunciaram os resultados do Congresso Islâmico de Bekasi que aconteceu em 20 de Junho de 2010, onde eles concordaram em estabelecer um centro de missões para a paralisação do “Cristianismo”; formar um exército jovem Laskar Pemuda e pressionar a aplicação da Sharia (lei muçulmana) na região, reportou o jornal Jakarta Post.

Observando um aumento no número de Igrejas em casas, organizações muçulmanas acusaram cristãos de Bekasi de proselitismo agressivo.

O Reverendo Simon Timorason do Fórum de Comunicação Cristão de Java Ocidental (FKKB), no entanto, relatou a CDN que os cristãos naquela área não evangelizam e se encontram em pequenas reuniões caseiras devido à falta de um local oficialmente reconhecido para devoção.

Muitos seminaristas cristãos formados preferem ficar em Java a mudar-se para ilhas distantes, Timorason adicionou, fazendo Java Ocidental o lugar ideal para lançar novas reuniões caseiras de denominações diferentes. Mas a vizinhança somente vê a multiplicação de Igrejas, ele diz, e por isso suspeitam que os muçulmanos estejam se convertendo ao cristianismo.

Cerca de 200 pessoas participaram do Congresso que aconteceu no dia 20 de Julho, representando organizações locais assim como o Fórum de Discussão Inter-religioso de Bekasi (Bekasi Interfaith Dialogue Forum), Movimento contra Apostasia (muçulmana) de Bekasi ( Bekasi Movement Against Apostasy), Assembléia Muçulmana Local e o Conselho Indonésio de Ulema (Muhammadiyah and the Indonesian Ulema Council - MUI) – duas das maiores organizações Muçulmanas da Indonésia – e a Frente Defensora Islâmica (Islamic Defenders Front - FPI), conhecida por sua oposição agressiva contra Cristãos e outros grupos não-muçulmanos

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* Professor Católico tem mão cortada na índia por supostas ofensas a Maomé.

quinta-feira, julho 15th, 2010

Um grupo de criminosos desconhecidos deceparam a mão e o braço direito de um professor universitário, acusado de difamar o profeta Maomé. O fato ocorreu neste fim de semana em Muvattupuzha, distrito de Ernakulam.
Sajan K. George, presidente da organização Global Council of Indian Christians condena esse ato bárbaro e relembra que a sharia não é a lei da Índia.

De acordo com a polícia, o professor TJ Joseph, sua mãe e irmã (freira católica) estava voltando com sua família da missa de domingo quando um grupo em uma van o fechou, quando já estava perto de sua casa. Após forçar Joseph a sair do carro, eles o atacaram com facas e espadas, e então deceparam a mão e o braço direito do cristão.

O professor foi levado imediatamente ao hospital em Muvattupuzha, e então foi transferido para outro local, especializado em cirurgias de reconstituição, onde os médicos tentaram implantar a mão de Joseph. O professor também sofreu ferimentos graves em seu corpo, e precisa de cirurgia Plástica.

Joseph, professor da Universidade Newman, estava em liberdade condicional. Em março, ele preparou uma prova para seus alunos que, de acordo com os muçulmanos, continha perguntas ofensivas a Maomé.

Devido a uma série de protestos de grupos muçulmanos, ele foi suspenso da escola. Mais tarde, Joseph se desculpou publicamente por seu “erro inconsciente”. A mãe do cristãos conta que seu filho continuou a receber ameaças.

Enquanto isso, a polícia encontrou a van dos criminosos, vazia, e o “número de registro do veículo é falso”. Um dos presos é ativista da Frente Popular da Índia, um grupo de direita antes chamado de Frente de Desenvolvimento Nacional, muito forte em Kerala.

A irmã de Joseph, Mary Stella, afirma que os “criminosos destruíram a janela do carro e pularam em seu irmão para matá-lo”, ela conta. “Minha pobre mãe, que estava no carro conosco, testemunhou o crime”.

O ministro da educação, M. A. Baby, condenou o acidente, expressando seu desagrado pois uma simples pergunta de prova foi transformada em um conflito religioso.

Sajan K. George quer que a justiça seja feita o mais rápido possível, e espera que “a queixa não desapareça dos registros da polícia por causa de ameaças de muçulmanos em Kerala”.


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* Vândalos picham Igreja em Roma com palavras contra o papa.

segunda-feira, julho 5th, 2010

A Escada Santa, célebre monumento de Roma em frente à basílica de São João de Latrão, amanheceu sexta-feira passada com pichações em vermelho contra o papa Bento 16, constatou a France Presse.

As pichações –com algumas letras em alfabeto cirílico, algumas ao contrário e os números 10 e 36– foram apagadas rapidamente.

“Uma babel de símbolos dignos do Código da Vinci”, definiu a imprensa local, que traz imagens do ocorrido e outras fotos .


O incidente foi condenado pelo cardeal Agostino Vallini, que classificou como “infames” as palavras contra o papa pichadas no monumento.

A escadaria é visitada por vários católicos por seu forte significado. Ela foi trazida por Santa Helena, mãe do imperador Constantino 1º, no ano 326, do palácio de Pôncio Pilatos em Jerusalém.

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* Aumenta a violência contra os cristãos: novo “Relatório sobre Minorias Religiosas” dos Bispos paquistaneses.

sexta-feira, julho 2nd, 2010
Novo “Relatório sobre Minorias Religiosas” dos Bispos paquistaneses

A onda de violência contra as minorias religiosas “aumentou em 2009-2010” e a lei sobre a blasfêmia é uma “uma espada de Damocle sobre as minorias”; a liberdade religiosa “foi reduzida a um mito”, e “diante da apatia do governo, emergem ações a fim de proteger os direitos humanos no Paquistão”: é o que afirma o novo Relatório Anual sobre as Minorias Religiosas no Paquistão 2009-2010, apresentado e difundido pela Comissão “Justiça e Paz” da Conferência Episcopal do Paquistão.

O Relatório enviado à Agência Fides examina o fenômeno da discriminação social e da intolerância religiosa que assolam o país. “É um trabalho de documentação que recolhe todas as informações sobre as difíceis condições das minorias religiosas, sobretudo dos cristãos. Os problemas principais estão ligados à lei sobre a blasfêmia, às conversões forçadas, discriminações, violências, ameaças à liberdade religiosa.

O quadro que emerge é crítico e merece uma grande atenção do Paquistão e outros países” – explica á Agência Fides Pe. Emmanuel Yousaf Mani, Diretor da Comissão “Justiça e Paz”.

“Um dos capítulos é dedicado aos problemas provocados pela lei sobre a blasfêmia, lei que se tornou a nossa grande preocupação porque é injusta e errada e causa o sofrimento de muitas pessoas por causa de acusações totalmente falsas” – afirma Pe. Mani.

O caso do católico Rehmat Masih, 73 anos, de Faisalabad, é um exemplo a propósito. “Infelizmente, os abusos são cotidianos: por isso lançamos uma forte campanha abolicionista”. “A sociedade civil do Paquistão apoio esta campanha. 95% da comunidade muçulmana nos apoia. Somente uma minoria extremista é contrária. Essa minoria tem o poder de condicionar e determinar as políticas nacionais porque os políticos no Governo e no Parlamento, estão envolvidos e são influenciados.

Os grupos fundamentalistas usam também meios para amedrontar as pessoas. Não existe vontade política para abolir tal lei”.

Segundo o Relatório, os abusos na lei sobre a blasfêmia continuam a ser registrados em todo o país. Em 2009, houve 112 casos, que tiveram como alvo 57 ‘ahmadi’, 47 muçulmanos e 8 cristãos. No total, entre 1987 (quando entrou em vigor) e 2009, 1.032 pessoas foram injustamente acusadas.

Também estão aumentando os episódios indiretos de intolerância religiosa: 9 ataques a igrejas e bairros cristãos, alguns muito graves (em Gojra, Sialkot e Kasur) que causaram mortos e feridos.

O Relatório se concentra nas propriedades injustamente subtraídas a minorias não-muçulmanas (contra igrejas, templos, cemitérios e institutos pertencentes a cristãos ou outras comunidades religiosas).

Um capítulo é dedicado à erosão da liberdade religiosa, o que se verifica em meio à desinformação da opinião pública: às minorias, são negadas licenças para construir locais de culto; muçulmanos que querem se converter a outras crenças são ameaçados. Enfim, em 2008, houve 414 casos de conversões forçadas de cristãos e outros fiéis ao islamismo, e no total, entre 2005 e 2009, os casos recenseados – os mais visíveis – foram 622.

Agência Fides

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* Índia: Caricatura e desenhos blasfemos de Cristo e do Papa.

quarta-feira, junho 23rd, 2010

Um novo caso de caricatura e desenhos blasfemos de Jesus Cristo e do Papa agita o nordeste da Índia, alguns meses depois do episódio da publicação de um retrato blasfemo de Cristo num livro escolar

O fato agora ocorreu no Estado de Meghalaya e a sua capital é Shillong: segundo informa as fontes locais de Fides, alguns desenhos blasfemos e caricaturas de Jesus Cristo e do Papa foram colocados sábado, 19 de junho, nos edifícios governamentais, praças públicas, institutos educacionais, em várias partes da cidade.

Até mesmo na Praça Dom Bosco, sob a imagem do Santo fundador dos salesianos, que tem uma grande comunidade na cidade foi colocada uma imagem do Crucifixo que no lugar da escrita INRI, foi colocada a cifra 92 milhões de rupias (cerca de 1,7 milhões de euros). A referência é o suposto mal depósito de fundos por parte do governo em favor do “Dom Bosco Youth Centre”: o instituto teria se beneficiado de um fornecimento de lastras de zinco que, segundo alguns, deveriam ter sido destinadas às casas rurais.

A grande polêmica envolveu os Salesianos do Dom Bosco Technical Institute e do St. Anthony College: diante destes institutos foram colocados cartazes com uma caricatura do Papa indicado como “procurado”, e com a escrita “prendam este homem”. As caricaturas não economizaram nem mesmo o governado do Estado de Megahlaya, R. S. Mooshahary, acusado de ser “um vendido e um corrupto”.

Os desenhos e os cartazes retirados em pouco tempo pela polícia local.

Os Salesianos fizeram uma denúncia oficial à polícia por “atos deliberados e maliciosos com a intenção de abater os sentimentos religiosos de uma comunidade de fiéis e insultar a sua religião”. A Igreja local, através do Arcebispo de Shillong, Dom Dominic Jala, condenou tais atos expressando “preocupação pela intolerância expressa contra a Igreja”.

Pe. Babu Joseph, porta-voz da Conferência Episcopal da Índia, comentou à Agência Fides: “São atos execráveis, que pretendem criar desordens e desarmonia na sociedade. A comunidade cristã em
Meghalaya responderá de maneira pacífica, pedindo que a justiça faça a sua parte.

No nordeste da Índia, em sete estados, os cristãos são ao todo 15% da população: uma presença grande. Também no nordeste existem grupos que são inimigos das comunidades cristãs, pertencentes sobretudo, à galáxia de fundamentalistas hinduístas. Com tais modalidades eles expressam a sua desaprovação contra nós.

São situações muito desagradáveis. “A Igreja, como faz sempre em tais casos, se move seguindo a legalidade, sem responder às provocações e sem cair na trama, pois os fundamentalistas pretender criar espirais de violência para depois aproveitar”.

Em fevereiro de 2010, um caso do retrato blasfemo de Cristo atingiu o ápice quando algumas irmãs católicas de Shillong observaram a imagem num livro escolar para as crianças; As religiosas enviaram uma carta às autoridades expressando sua desaprovação e amargura pela total falta de respeito pelos símbolos religiosos cristãos. O fato se propagou em vários estados indianos como o Punjab, onde foram feitas várias manifestações violentas.

Agência Fides

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* Funcionário cala jogador de futebol inglês entrevistado sobre sua fé católica.

sábado, junho 19th, 2010

Um funcionário da Associação de Futebol da Inglaterra calou o dianteiro Wayne Rooney, estrela da equipe britânica que participa do Mundial África do Sul 2010, quando estava sendo entrevistado sobre sua fé católica.

Nos últimos dias, Rooney foi fotografado exibindo um terço durante os treinamentos de sua equipe e em uma roda de imprensa, um jornalista perguntou por que razão o exibia.

Rooney, de origem irlandesa, respondeu: “Eu o uso há quatro anos e vocês não vêem os treinamentos. Obviamente não o posso usar durante os jogos. É minha religião”.

Quando os jornalistas se dispunham a fazer-lhe outra pergunta sobre seu credo, o chefe de relações públicas da AF, Mark Whittle, interrompeu Rooney dizendo “Nós não falamos sobre religião”.

Conforme informou esta semana a publicação inglesa The Sunday Times, há algum tempo atrás o jogador de futebol –conhecido por sua postura séria e jogo forte– revelou durante a gravação de uma série de televisão que “poderia ter sido sacerdote” porque desfrutou muito de sua educação religiosa que recebeu quando menino.

O jornal entrevistou ao sacerdote Edward Quinn sobre o terço de Rooney. Este foi seu pároco em Croxteth, Liverpool, e presidiu seu matrimônio  há dois anos.

O Padre Quinn acredita que o terço é um presente de sua esposa, pois ambos provêm de famílias com uma forte fé católica.

“Quando presidi seu matrimônio na Itália, todos os convidados receberam de presente um terço, pois é claro que o terço significa muito para eles”, indicou o Pe. Quinn.

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* Arquidiocese ANGLICANA de Jos publica fotos do massacre de março de 2010. Chocante.

terça-feira, junho 15th, 2010
O que restou do templo, após ataques

O que restou do templo, após ataques

A Arquidiocesde Anglicana da cidade nigeriana de Jos (Nigéria) publicou em seu website as fotos de algumas das vítimas dos ataques muçulmanos na cidade de Jos, no estado de Plateau naquele país africano.

As fotos são chocantes, não clique no link de acesso se for sensível a esse tipo de fotos nem mostre para crianças.

A seguir  a declaração da Arquidiocese Anglicana de Jos.

Eles eram na maioria crianças e mulheres. Eles eram indefesos. Eles estavam desprotegidos.

Eles morerram sem saber o porque ou como. Alguns foram masscrados em suas camas, enquanto muitos mais foram mortos enquanto tentavam fugir de seus atacantes: muçulmanos que pensam que essas pessoas (cristãs) não merecem viver e não merecem a vida que tinham.

Mulheres foram esfaqueadas enquanto tentavam esconder e proteger suas crianças com seus próprios corpos. Pequenos bebês foram arrancados de suas mães e atirados em fogueiras acesas pelos atacantes.

Os cristãos em três aldeias de uma comunidade perto de Jos foram mortos a tiros e facadas a sangue frio, nas primeiras horas do domingo 7 de março de 2010.

Simplesmente por que eram cristãos.

Nós clamamos às pessoas de Deus em todo omundo para se juntarem a nós em nossas orações pelo estado de Plateau e as famílias dessas pessoas que morreram sem motivo.

Nós oramos por um milagre de Deus para que pare a violência, a destruição e o derramamento de sangue e para a bênção do perdão dentro e fora da Igreja (cristã) na região de Plateau. Amém.”

Esse é mais um das centenas de massacres promovidos pelos muçulmanos contra os cristãos, durante os 1.400 anos de existência dessa religião “da Paz”.

Link para as fotos que foram tiradas na aldeia de Dogo Nahawa. As Fotos são fortes

Segundo informações da imprensa, cerca de 528 cristãos foram massacrados por muçulmanos no dia 7 de março de 2010. Os muçulmanos alegam que teriam sido atacados por cristãos em fevereiro de 2010, mas essas informações não têm confirmação até o momento.

Peter Gyang, morador da aldeia de Dogo Nahawa, a mais afetada pelos ataques, perdeu a mulher e dois filhos. Ele disse que os pastores “dispararam para assustar as pessoas e, em seguida, mataram todos com golpes de facão”.

Segundo ele, o ataque começou às 3 horas (horário local) e durou até as 6 horas. Durante todo o período, “não foi visto nenhum policial nigeriano” embora o massacre tenha ocorrido a menos de dois quilômetros da casa do governador do estado nigeriano de Plateau, sr. Jonah Jang.

O Fórum dos Cristãos do Estado de Plateau publicou um comunicado no domingo no qual acusa o Exército nigeriano de passividade diante dos ataques. “Por que os soldados não intervieram?”, perguntou a ONG.

Os malefícios da implantapão da lei muçulmana sharia

Os conflitos envolvendo cristãos e muçulmanos na Nigéria deixaram mais de 12 mil mortos desde 1999, quando foi implantada a sharia (lei islâmica) em 12 Estados do norte do país.

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* A guerra de propaganda entre ateus e cristãos, na Inglaterra.

terça-feira, junho 15th, 2010

The Guardian

Uma propaganda com a frase “There definitely is a God” [Definitivamente existe um Deus] exposta em ônibus da Inglaterra desencadeou mais reclamações do que qualquer outra propaganda de 2009, e alcançou o terceiro lugar nessa categoria em toda a história, segundo números publicados nesta terça-feira pela Advertising Standards Authority.

A batalha sobre a existência de Deus ajudou a provocar um aumento de 10% nas queixas ao órgão regulador, ou seja, a um número de quase 30.000.

A propaganda do Partido Cristão inglês foi uma reação ao anúncio da British Humanist Association que dizia:”  There is probably no God.Now stop worrying and anjoy yuor life [Provavelmente Deus não existe. Então, pare de se preocupar e aproveite a sua vida].

A ASA não investigou o caso, em razão de os anúncios e partidos políticos estarem fora de seu mandato, apesar de ter recebido 1.204 reclamações afirmando que a existência de um ser divino era ofensiva aos ateus e, em todo caso, não pode ser comprovada. A ASA também não investigou o anúncio dos ateus, mesmo que tenha sido o sexto da lista dos mais reclamados.

No total, houve um aumento de 36% nas queixas de agressividade, cerca de 12.000. No outro extremo do espectro, anúncios que perguntam “Você quer um sexo mais duradouro?” para vender um spray nasal provocaram 500 queixas.

Graças, em parte, a essas campanhas em ônibus, as propagandas em meios de transporte tiveram, em um ano, um crescimento de 267% no número de queixas à ASA. Reclamações sobre outdoors, que também abrangem os anúncios em ônibus, tiveram um crescimento de 100% em um ano.

Em geral, a ASA, que regula a publicidade na televisão, Internet, rádio e imprensa, disse que apenas algumas poucas campanhas distorceram alguns dos números de reclamações em seu relatório anual de 2009.

Enquanto o número total de reclamações passou de 9,6%, chegando a um recorde de 28.978, o número de anúncios que receberam queixas caiu, na verdade, em mais de 10% em um ano, passando para 13.956. E o número de decisões formais, em que a ASA mandou um anúncio ser alterado ou retirado, também caiu ligeiramente em relação ao ano anterior, passando para 2.397.

A ASA proibiu nesta terça-feira um anúncio da Eurotunnel de uma promoção via e-mail, que afirma que o seu serviço de transporte de carros via trem através do túnel leva apenas 35 minutos e funciona “independentemente do tempo”. Um reclamante ficou preso durante várias horas em um check-in do Eurotunnel durante o caos provocado pela neve de dezembro.

A resposta da Eurotunnel à ASA dizia que um consumidor “razoável” não teria uma “visão absoluta” da frase “independentemente do tempo”, e a neve, acusada de parar os trens e bloquear o túnel, deveria ser vista em comparação a um “furacão ou tsunami, já que foi tão incomum”, e que o atraso não se repetiria. A ASA disse que a comparação era inválida, e uma repetição dessa situação não poderia ser descartada.

As queixas com relação à publicidade de bebidas alcoólicas, que teve um aumento de 44% em 2008, despencou em quase 50% no ano passado. Um foco da mídia sobre alterações digitais em anúncios de saúde e beleza, uma causa defendida pelo deputado liberal democrata Jo Swinson, que levou à proibição de um anúncio da Olay que apresentava a atriz britânica Twiggy, teve um aumento de 52% em queixas sobre as campanhas do setor.

O número de reclamações sobre anúncios na televisão, o meio que mais tem reclamações, aumentou 17% no ano passado. Contudo, o número de anúncios que tiveram queixas, na realidade, caiu 3%. A Internet continua sendo o segundo meio com mais reclamações, tendo atraído 3.546 queixas de 2.823 anúncios. No entanto, a ASA disse que 57% dos anúncios que receberam queixas estão fora do seu mandato, que não abrange anúncios de marketing de empresas que são feitos em seus próprios sites, ou seja, o órgão de controle não pode supervisioná-los.

Em 2008, a ASA foi confrontada com uma onda de denúncias com relação à violência na publicidade, principalmente devido ao conteúdo de anúncios que promoviam filmes e videogames, situação na qual o órgão de controle diz ter trabalhado com sucesso junto aos anunciantes para uma redução ao longo do ano passado.

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* Católicos no Irã à beira da extinção?

segunda-feira, junho 14th, 2010

Visto que os cristãos fogem em grande número do Irã, tanto por razões políticas como religiosas, a comunidade cristã corre verdadeiro perigo de extinção, afirma o jornalista e observador das Igrejas do Oriente Médio Camille Eid.

Nesta entrevista, o especialista explica como é a vida para um cristão que vive no Irã.

-O Irã tem 99% de muçulmanos e o islã é a religião do Estado. As raízes da Igreja no Irã são muito antigas e remontam ao século II. O cristianismo é a religião mais antiga do Irã?

-Eid: Não, temos duas comunidades mais antigas que o cristianismo. Em primeiro lugar, temos a comunidade zoroástrica, que remonta a vários séculos antes da chegada do cristianismo e do islã. Em segundo lugar, temos a comunidade judaica. A comunidade zoroástrica soma cerca de 20 mil pessoas, e a judaica, entre 20 e 35 mil. Estas duas comunidades são mais antigas que a cristã.

-Hoje, o Irã é mais de 99% muçulmano. Como o islã permeia a vida cotidiana?

-Eid: Se você estiver nas ruas de Teerã, ou em qualquer parte do país, verá o retrato dos mártires, do Aiatolá. Se você usar o telefone de uma cabine pública, escutará a voz do imame Hussein lhe dizendo o que fazer.

-Assim que você tira o telefone do gancho, ouvirá imediatamente uma voz (gravada) do imame?

-Eid: Sim. E nas escolas são permitidas diversas disciplinas, mas por meio da perspectiva que se baseia no Alcorão e no Hadit e outras ciências islâmicas.

-A imagem do Aiatolá está estampada na capa dos livros de catecismo?

-Eid: Exatamente. E pode ser uma forma de mostrar que os cristãos estão sob a proteção do regime e são considerados dhimmis (pessoas protegidas) na shariah islâmica. É uma forma de dizer que vocês (os cristãos) estão sob nosso regime (islâmico).

-Eu ia lhe perguntar sobre as patrulhas que fiscalizam se as mulheres se vestem de modo adequado.

-Eid: É assim. Algumas vezes utilizam a linha dura e outras, não, dependendo do regime. Sob Khatami, por exemplo, foram um pouco mais liberais porque as crianças podiam mostrar um pouco de sua cabeça. Sob Ahmadinejad é mais restrito.

-Atualmente a restrição é maior com a vestimenta completa?

-Eid: Sim. Só se deve mostrar o rosto. Há mulheres que cobrem as mãos e o rosto.

-O número de cristãos é de cerca de 100 mil em uma população de 71 milhões. Como são vistos os cristãos no Irã?

-Eid: Os cristãos são vistos como minorias étinicas porque são predominantemente armênios, e siro-caldeus. Temos 80 mil armênios ortodoxos que também são chamados de armenios gregorianos ou apostólicos, 5 mil católicos armênios, e cerca de 20 mil siro-cadeus, e mais outras comunidades como igrejas latinas, protestantes, que, todas juntas, somam entre 100 e 110 mil cristãos. São vistos como minorias étinicas e, como tais, não é permitido que celebrem seus ritos em parsi, mas sim em armênio ou caldeu.

-Para distingui-los como estrangeiros?

-Eid: Não só por isso, mas para evitar que sejam atrativos e compreendidos pelos iranianos locais.

-Para evitar que os iranianos se sintam atraídos pela fé?

-Eid: Sim, para evitar que os iranianos compreendam o que os cristãos dizem. Só houve um caso; foi em Teerã poucos dias depois da morte do Papa João Paulo II, e o sacerdote leu as Escrituras em parsi na presença das autoridades. Este foi um caso excepcional.

-Mas ainda assim o Parlamento reserva três assentos para os cristãos. Portanto, os cristãos têm voz dentro da estrutura parlamentarista?

-Eid: De fato, a República Islâmica conservou a Constituição de 1906, que reserva cinco assentos para as minorias – três para os cristãos, um para os zoroástricos, e outro para os judeus.

-Os direitos cristãos estão garantidos pela Constituição?
-Eid: Não. No artigo 13, é mencionado que todos os iranianos são iguais pela raça e pela língua, mas não se mencionada nada pela religião. No artigo 14, se me permite lê-lo: “todas as comunidades não-muçulmanas se absterão de tomar parte em conspirações contra o islã e contra a República islâmica do Irã”. E por último, o artigo 19 estabelece: “todos iranianos de qualquer grupo étnico devem gozar dos mesmos direitos e a cor, raça ou língua não oferecem privilégio algum”. Aqui também não há nenhuma referência à religião.

-Mas não diz, dentro do artigo 13 da Constituição, que os cristãos são permitidos de expressar seus desejos e praticar sua fé?

-Eid: Sempre que não formem parte de conspirações contra a República do Irã. O que significa isso? Significa protestar contra o regime? O problema do Irã é ser um regime teocrático. Assim a oposição ao regime como uma ação política pode ser interpretada como agir contra a República Islâmica.

Dentro da comunidade islâmica, estão os liberais e os conservadores. Ao protestar contra o Aiatolá Khamenei estão protestando contra o corpo político do regime ou contra o religioso? Quando têm a mesma formação o regime político e religioso, um ataque contra o corpo político é considerado um ataque a um aspecto religioso do regime teocrático.

-Quais as restrições que os cristãos enfrentam em sua vida diária?

-Eid: Bem, para os cristãos é difícil encontrar trabalhos na administração pública. Mesmo diretores de colégios cristãos são muçulmanos, mas com uma exceção. Em Ispahan, há três ou quatro anos, quando o governo nomeou um armênio para o Colégio Armeno. Mas na maioria dos casos os diretores das escolas cristãs são muçulmanos. Isso para os poucos colégios cristãos que ficaram após os confiscos de 1979 e 1980.

Outro exemplo no Exército. Há alguns anos descobriram que um oficial, o coronel Hamid Pourmand, havia se convertido ao cristianismo. Foi processado e foi levado à corte marcial, mas graças à pressão internacional pôde abandonar o Irã. É muito difícil que os cristãos estejam em cargos altos do governo no Irã.

-Que vida tem um muçulmano convertido?

-Eid: Nada pode confessar sua fé dentro do Irã. Só é possível se for ao estrangeiro. Conheço duas famílias iranianas na Itália que são convertidas. Uma das famílias cruzou a fronteira entre Irã e Turquia no inverno. Foi difícil, mas conseguiram asilo. Dentro do Irã não podiam expressar ou mostrar sua fé porque enfrentariam a morte. Não é Fácil.

-Queria tocar na questão da fuga de cristãos do Irã após a revolução islâmica de 1979. Cerca da metade da população cristã abandonou o país e existe, até onde pude ler e entender, cerca de 10 mil famílias que abandonam o Irã a cada ano. O que significa isso para a comunidade cristã no Irã?
-Eid: Tanto os muçulmanos quanto os não-muçulmanos sofrem com a pressão política, mas os cristãos sofrem o dobro, porque é o aspecto político do regime que é questionado pela maioria dos iranianos e, sobre este fato, há a pressão religiosa para os não-muçulmanos. Essa é a razão desta fuga massiva e, de fato, há um verdadeiro perigo de desaparecimento, de uma extinção do cristianismo no Irã.

* * *

Esta entrevista foi realizada por Mark Riedemann para “Deus chora na Terra”, um programa semanal produzido por Catholic Radio and Television Network (CRTN), em parceria com a organização católica Ajuda à Igreja que Sofre.

Mais informação em www.aisbrasil.org.brwww.fundacao-ais.pt

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* Novas evidências afirmam: assassino de Dom Padovese não agiu sozinho

quinta-feira, junho 10th, 2010

As versões oficiais começam a soar como um compromisso costurado com os alfinetes da prudência e da alta política. A polícia turca, a comunidade cristã de Anatólia e a autópsia realizada no cadáver do bispo Luigi Padovese  coincidem em que o assassinato da última quinta-feira do prelado milanês, de 63 anos, foi por razões religiosas ou políticas e não, como se tem dito até agora, por obra de um alienado mental.

A reportagem é de Miguel Mora, publicada no jornal El País.

A seis dias do crime, vai tomando corpo a ideia de que Murat Altun, o motorista de 26 anos que desferiu 20 punhaladas no presidente da Conferência dos Bispos da Turquia, não agiu sozinho.

Segundo a reconstrução elaborada pelas testemunhas e pelos líderes católicos da Turquia, Altun chegou à casa privada de Padovese em Iskenderun acompanhado por pelo menos uma ou duas pessoas. “A polícia começa inclusive a admitir que o bispo foi assassinado por pelo menos duas pessoas”, indica o arcebispo de Esmirna, Ruggero Franceschini, em declarações ao jornal italiano La Stampa.

Várias testemunhas declararam, além disso, que quando o motorista assassinou o bispo ele estava protegido por um colete à prova de balas e indicam que foi preso pela polícia militar e não pela estatal.

Segundo essas versões, as desordens psíquicas de Altun invocadas em um primeiro momento pelo governo turco não existem. Alguns membros de sua família, que trabalhavam para Padovese na Igreja local, haviam se demitido do trabalho dois dias antes do crime, segundo revelou um membro da comunidade católica.

Segundo a autópsia realizada en Iskenderun, o corpo do bispo capuchinho, grande defensor do diálogo com o islã, recebeu 20 facadas, oito delas perto do coração. Sabe-se que Altun atacou o prelado dentro da casa, e que este conseguiu sair para o jardim pedindo ajuda. Ali, seu agressor o decapitou. Depois, Altun subiu ao telhado da casa e, segundo as testemunhas, gritou: “Matei o grande Satanás. Alá é grande”.

Um assassinato ritual, segundo a agência católica Asia News, que traz a marca dos fundamentalistas islâmicos supostamente manipulados pelo chamado Estado Profundo, una rede golpista infiltrada nos serviços de segurança do Estado que busca derrubar o governo do primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan.

As autoridades turcas não admitem essa possibilidade neste momento. Primeiro, disseram que o bispo morreu a caminho do hospital. Mais tarde, que morreu na clínica. Finalmente, quando foi vista a foto do corpo no jardim, o governador da província, Mehmet Celalettin, descartou que o objetivo fosse religioso ou político, e assegurou que o agressor havia agido sozinho.

Nas últimas horas, as supostas desordens psíquicas de Altun foram até negadas pelo seu advogado, que assegura agora que o motorista matou o bispo em legítima defesa porque este abusava sexualmente dele. O bispo de Esmirna replica: “A autópsia confirmou que Padovese não teve relações sexuais nem na quinta-feira nem antes de quinta-feira”.

Nas missões cristãs, interpreta-se que o homicídio significa uma mudança na estratégia anticristã dos radicais turcos. “Antes matavam padres, agora se atrevem com os bispos”, disse uma religiosa local.

O Vaticano continua assumindo a versão defendida desde o começo para não comprometer a viagem do Papa ao Chipre. O fato chave é que Padovese cancelou as passagens de avião (a sua e a de Altun) quando só faltavam poucas horas para embarcar para a ilha, onde o Papa lhe esperava para apresentar o documento preparatório do Sínodo do Oriente Próximo.

O vaticanista Filippo di Giacomo, que reúne impressões de diplomáticos, amigos e colaboradores de Padovese, insiste que este, ao ser informado do perigo que Altun representava, “preferiu arriscar sua imolação pessoal para evitar uma tragédia pessoal, isto é, um atentado contra o Papa”.

Di Giacomo explica assim a reticência vaticana: “É compreensível que a máquina de suavizar busque continuar o diálogo com a Turquia. E não seria a primeira vez que o interesse de um se sacrifica pelo interesse de muitos”.

A magistratura italiana realizará uma segunda autópsia do corpo de Padovese quando ele for repatriado, provavelmente nesta quarta-feira ou quinta-feira. Os funerais serão realizados em Milão, cidade natal do prelado, e foram adiados até segunda-feira por esse motivo.

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* Extremismo muçulmano ameaça cristãos e os expulsa do Oriente.

quinta-feira, junho 10th, 2010

A cada dia, mais cristãos vêm me pedir certificados de casamento e outros documentos para serem utilizados em seu exílio”, lamenta-se Georges Casmoussa, arcebispo siríaco-católico de Mosul, a grande cidade do norte do Iraque.

Casmoussa foi sequestrado em 2005, e o medo da chantagem e da violência religiosa a cada mês leva centenas de cristãos a fugir do Iraque. Desde o dia 20 de fevereiro, 4.000 fugiram de Mosul, segundo a agência da ONU para os direitos humanos.

A reportagem é de Ignacio Cembrero, publicada no jornal El País, 09-06-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

No Iraque, os cristãos já são menos de 600.000 (3% da população). “Infelizmente, os cristãos iraquianos escrevem agora uma história semelhante à de seus correligionários turcos após a I Guerra Mundial”, assegura o arcebispo.

O exílio não é só um fenômeno iraquiano. Em maior ou menor medida, ele afeta a todos os cristãos do Oriente Próximo. Há algumas décadas, eram 20% da população, mas agora já são menos de 5%.

Para refletir sobre essa queda demográfica, o Papa Bento XVI convocou um Sínodo dos Bispos do OrientePróximo para os dias 10 a 24 de outubro, em Roma.

O debate será inspirado em um documento ( “Instrumentum Laboris” – A Igreja Católica no Oriente Médio: comunhão e testemunho), que o Papa distribuiu aos bispos no domingo passado no final de sua viagem ao Chipre.

Suas 50 páginas foram redigidas a partir das respostas a um questionário enviados aos bispos e às conferências episcopais das Igrejas orientais, assim como a grupos eclesiásticos da região.

Por um lado, o documento reforça que as “correntes extremistas” muçulmanas são uma “ameaça” para os cristãos e, por outro, denuncia “a injustiça política imposta aos palestinos” por Israel,  que dificulta inclusive a vida religiosa.

No Iraque e no Líbano, os cristãos foram “as principais vítimas” da guerra. No Egito, o país em que eles são mais numerosos, “o auge do Islã político” e a “retirada” dos coptos da sociedade civil “fazem com que sua existência passe por sérias dificuldades”. Na Turquia, “o conceito de laicidade representa um problema para a plena liberdade religiosa”. Em outros países, que não são nomeados, prevalece o “autoritarismo”, quando não são meras “ditaduras”.

“A relação entre cristãos e muçulmanos é, às vezes ou frequentemente, difícil porque os muçulmanos não distinguem entre religião e política, o que coloca os cristãos na situação delicada da perda de direitos civis”, assinala o texto. “O êxito da coexistência entre cristãos e muçulmanos passa pelo reconhecimento da liberdade religiosa e dos direitos humanos”.

Após constatar que a emigração não cessa, adverte-se: “O desaparecimento dos cristãos significaria a perda desse pluralismo que caracterizou desde sempre os países do Oriente Próximo”.

A propósito:

Em Chipre, o Papa viu de perto o drama dos cristãos do Oriente. O ecumenismo floresce, mas onde reina o Islã não há liberdade de consciência nem de religião. A última vítima é o bispo Luige Padovese, decapitado como São João.

Da primeira visita já feita por um Papa  à ilha de Chipre – evangelizada desde os tempos apostólicos e depois terra de limites e conflitos entre o cristianismo e o Islã – a mídia evidenciou os motivos geopolíticos, por outro lado modestos e em grande medida não originados como iniciativa papal: em particular, os de texto de trabalho sobre o qual discutirão no próximo mês de outubro, em Roma, os patriarcas e bispos das Igrejas do Oriente Médio, texto tornado público no domingo, 06 de junho, em Nicósia.

Mas, para compreender o sentido desta viagem na mente de seu autor, o caminho mais direto é a voz sonora de Bento XVI.

O Papa Joseph Ratzinger adora exteriorizar seu pensamento em cada uma de suas viagens em dois momentos fixados de antemão. Nas respostas aos jornalistas durante a viagem aérea ao seu destino. No caso do Chipre, na manhã da sexta-feira, 04 de junho: Entrevista do Santo Padre [em italiano]. E na Audiência Geral no Vaticano, na terça-feira seguinte ao retorno de sua viagem. No caso de Chipre, hoje: Audiência Geral, [em espanhol] 9 de junho de 2010. E depois, naturalmente, o expressou nos discursos pronunciados pelo Papa no lugar, especialmente as passagens em que a sua marca pessoal é mais evidente.

De tudo isto emerge que, para Bento XVI, os pontos focais da viagem ao Chipre foram o ecumenismo e o Islã. Mas não exclusivamente.

O ecumenismo

A população do Chipre é em sua grande maioria ortodoxa, e sua Igreja é uma das menores e mais nobres do cristianismo bizantino. Entre Bento XVI e o arcebispo Crisóstomo II se desenvolveu um vínculo inclusive pessoal de amizade e de estima, que se expressou em sua forma simbólica mais elevada no abraço entre os dois, durante a Missa celebrada pelo Papa em Nicósia, no domingo, 06 de junho, com a pequena comunidade católica da ilha presente em sua quase totalidade.

No discurso de despedida de Chipre, o Papa Raztinger associou este abraço ao “abraço profético” de 1964 entre Paulo VI e o patriarca Atenágoras de Constantinopla. Com efeito, o caminho ecumênico levado a cabo desde então registrou com o atual Papa progressos sem precedentes, na vertente da Ortodoxia.

No voo para o Chipre, Bento XVI explicou que são três os elementos que “fazem cada vez mais vizinhas” a Igreja de Roma e as Igrejas do Oriente.

O primeiro é a Sagrada Escritura, lida não como um texto que cada um interpreta à sua maneira, mas como um livro “surgido e desenvolvido no interior do povo de Deus, um livro que vive neste sujeito comum e que somente aqui se mantém sempre presente e real”.

O segundo é a tradição da qual a Igreja Católica e as Igrejas ortodoxas são portadoras, uma tradição que não apenas interpreta a Escritura, mas que tem nos bispos seus guias e seus testemunhos sacramentalmente instituídos.

E o terceiro elemento é a “regra da fé”, ou seja, a doutrina fixada pelos antigos Concílios e que “é a suma de quanto está na Escritura e abre a porta à sua interpretação”.

É evidente que estes três elementos aproximam a Igreja Católica das Igrejas ortodoxas, mas distanciam ambas do protestantismo. Mas é esta e não outra a contribuição que dá ao caminho ecumênico um Papa como Bento XVI.

A proximidade entre o catolicismo e a ortodoxia é agora tão forte que se chegou a discutir entre as duas partes a questão central que as divide, isto é, o primado do Bispo de Roma.

Justamente em Chipre, em Paphos, patrocinada por Crisóstomo II, teve lugar no passado mês de outubro uma sessão de estudos do mais alto nível entre católicos e ortodoxos, em que se examinou como se viveu no primeiro milênio o primado de Roma, quando as Igrejas do Ocidente e do Oriente estavam ainda unidas. Entre os dias 20 e 27 de setembro próximo, em Viena, as duas delegações voltarão a se encontrar para continuar o trabalho.

O arcebispo de Chipre, Crisóstomo II, é no campo ortodoxo um dos maiores artífices da atual primavera ecumênica, junto com o patriarca de Constantinopla Bartolomeu I, o metropolita de Pérgamo (Turquia),Joannis Zizioulas, e – pela grande Igreja russa – o patriarca de Moscou, Kiril I, e o metropolita de Volokolamsk, Hilarion.

O Islã

Quanto ao segundo centro focal da visita de Bento XVI ao Chipre.

Encaminhando-se, no sábado, 5 de junho, para a Missa na igreja católica da Santa Cruz –, que em Nicósia está exatamente no limite com a zona da ilha ocupada pelos turcos – Bento XVI se encontrou com um velho chefe sufi, Mohammed Nazim Abil Al-Haqqani. Se saudaram, e ambos prometeram rezar um pelo outro. Trocaram entre si pequenos presentes: um rosário muçulmano, uma tabuinha com palavras de paz em árabe e uma medalha pontifícia.

Ao contrário do esperado encontro com o mufti de Chipre, Yusuf Suicmez, a máxima autoridade muçulmana da ilha, se produziu o encontro do Papa com um mestre sufi, isto é, com um expoente de um Islã místico, um Islã que “presumivelmente por influências cristãs coloca o acento no amor de Deus pelo homem e do homem por Deus”, ao contrário de um Deus inacessível “entre cujos 99 nomes falta o de Pai”.

As palavras agora entre aspas são do bispo Luigi Padovese, vigário apostólico para a Anatólia e presidente da Conferência Episcopal católica da Turquia, assassinado em Iskenderun no dia 03 de junho, às vésperas da viagem do Papa ao Chipre, da qual também ele teria participado.

Bento XVI evitou cuidadosamente circunscrever sua viagem a este fato trágico. A diplomacia vaticana, muito ocupada em evitar qualquer rusga com a Turquia e o Islã em geral, fez a sua parte para convencer o Papa que excluísse rápida e taxativamente que se tenha tratado de um assassinato “político ou religioso”.

Mas esta versão submissa e contraproducente – desmentida cada dia pelos fatos ,como trouxeram imediatamente à luz o jornal dos bispos italianos, o Avvenire, e a agência do Pontifício Instituto para as Missões Estrangeiras, a Asia News – não impediu que o Papa Ratzinger desse os passos de verdade que se havia prometido dar em direção ao mundo muçulmano.

O primeiro passo foi a denúncia da “triste” situação real, que para o Chipre significa a ocupação por parte da Turquia da parte setentrional da ilha, a expulsão dos cristãos que ali moram e a destruição sistemática das igrejas.

Ao receber o Papa como hóspede, o arcebispo Crisóstomo II ressaltou tudo isto com palavras cortantes. E BentoXVI lhe fez eco deste modo, ao final da viagem: “Estas noites passadas, alojando-me na nunciatura apostólica, que se encontra na zona de amortecimento da ONU, vi algo da triste divisão da ilha, assim como da perda de uma parte significativa do legado cultural que pertence a toda a humanidade. Escutei também os cipriotas do norte que desejam voltar em paz para as suas casas e lugares de culto, e fiquei profundamente comovido com seus lamentos”.

A este reconhecido estado de coisas o Papa não respondeu com o oferecimento de conselhos políticos ou estratégicos, mas sobretudo exortando a uma “paciência” ativa, também a propósito das incessantes explosões de violência que devastam todo o Oriente Médio. Disse durante o voo para Chipre:

“Devemos quase imitar Deus, sua paciência. Após todos os casos de violência, não perder a paciência, não perder a coragem, não perder a longanimidade de recomeçar; criar as disposições do coração para começar sempre de novo, com a certeza de que podemos avançar, de que podemos alcançar a paz, de que a solução não é a violência, mas a paciência do bem”.

Em segundo lugar, ao falar aos diplomatas e através deles aos governos da região, o Papa voltou a propor a sabedoria política de Platão, de Aristóteles, dos estóicos, porque “para eles, assim como para os grandes filósofos árabes e cristãos que seguiram suas pegadas, a prática da virtude consiste em agir conforme a reta razão, na busca de tudo o que é verdadeiro, bom e belo”, começando por essa “lei natural que pertence à nossa comum condição humana”.

Bem sabe Bento XVI que os “grandes filósofos islâmicos” abertos à cultura grega pertencem a séculos muito distantes e que depois de Averróis tudo isto se interrompeu. Mas ao recordar este antecedente histórico o Papabispo Padovese, com raciocínios muito ratzingerianos. mostrou que também para o Islã é possível e necessária uma revolução iluminista, análoga à vivida pelo cristianismo. Em Regensburg explicou por que a empresa é extremamente árdua, mas desde então segue lançando uma e outra vez ao mundo muçulmano a proposta de soldar a fé ao “logos” e, em consequência, à liberdade de consciência e de religião, até agora inexistentes nos países islâmicos, como também o sabia e explicava o

Sobre este pano de fundo, o encontro do Papa com o mestre sufi – figura à margem das correntes islâmicas dominantes – simbolizou o encontro com “outro” Islã, com muçulmanos que não são inimigos, mas “irmãos apesar das diferenças”.

A cruz

Mas, não apenas o ecumenismo e o Islã estiveram presentes na agenda da viagem do Papa. Surpreendentemente, Bento XVI dedicou à  cruz, a cruz de Jesus, sua meditação mais intensa, pregando em uma igreja dedicada justamente ao santo madeiro.

A todos os que sofrem – disse – a cruz “oferece a esperança de que Deus pode converter sua dor em alegria, sua morte em vida”. A cruz faz isto a partir do lugar em que nenhum poder terreno é capaz. “E se, em consonância com os nossos merecimentos, nós teremos parte no sofrimento de Cristo, alegremo-nos porque teremos uma felicidade muito maior quando sua glória se revelar”.

Requer-se de coragem para se dirigir deste modo a pessoas que sofrem a ocupação injusta de suas casas e terras, o exílio forçado, a destruição dos sinais de sua própria fé, num quadrante no qual o único Estado em que os cristãos gozam de liberdade é o de Israel.

Mas, a cruz é o feliz escândalo da fé cristã. É o estandarte triunfal que o Papa Bento eleva e oferece ao mundo.

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* África do Sul: A Igreja católica no país da copa.

segunda-feira, maio 31st, 2010

Apesar de um período de boas mudanças após o apartheid, a África do Sul luta contra muitos de problemas: violência, AIDS e ruptura familiar, verifica o bispo auxiliar de Durban, às vésperas da copa do mundo de futebol.

Dom Barry Wood nasceu e cresceu na África do Sul, no seio de uma família que viveu naquela parte do mundo por mais de 200 anos.

Conhecida por sua diversidade, a África do Sul tem as maiores comunidades de caucasianos, índios e mestiços no continente africano. Também tem, em sua constituição, 11 idiomas oficialmente reconhecidos.

Nesta entrevista, ele fala das mudanças “milagrosas” em seu país e dos problemas mais urgentes enfrentados pelo povo e pela Igreja.

–Por este tempo o senhor deve ter visto mudanças. O senhor diria que o país mudou para melhor ou para pior?

–Dom Wood: Bem, tendo crescido e vivido tanto tempo sob o regime do apartheid, foi uma grande libertação experimentar em 1994 nossa nova democracia.

A Igreja, como você sabe, foi muito ativa em tentar trazer a nova democracia devido à injustiça do sistema do apartheid. E naquele tempo nós sofremos muito.

A maioria de nossa gente sofreu muito, mas todos nós sofremos de certo modo ou outro ao tentar acabar com aquele regime que era mau. E a nova África do Sul é uma libertação para todos nós, porque a maioria de nossa gente tem direitos humanos agora. A maioria de nossa gente tem está aprendendo o que significa a auto-estima que lhe foi arrebatada no regime anterior e, de um modo lento, mas seguro, está crescendo espiritualmente e materialmente.

–Que mudanças negativas experimentou este tempo posterior ao apartheid?

–Dom Wood: A mudança negativa foi a ruptura da vida familiar. Há uma enorme ruptura da vida familiar.

Como você mencionou ao começo: os crimes e a violência, as violações, os abusos contra mulheres, mas principalmente o problema da injustiça econômica.

–Gostaria de me ater à questão ruptura da família. Pode nos dizer de onde vem? Por que entrou tão de repente na vida dos sul-africanos?

–Dom Wood: Não acredito que seja algo novo. Durante o tempo do apartheid, os homens separaram as mulheres. As mulheres permaneceram nas áreas rurais e os homens iam para as cidades e, deste modo, as mulheres e as famílias não puderam ficar com os homens nas cidades e o que aconteceu é que esta forma de vida se tornou parte do sistema da África do Sul.

E, infelizmente, isto se perpetuou depois de 1994, o governo está dando ajuda financeira às meninas jovens que estão grávidas e, deste modo, muitos estão grávidas para adquirir as ajudas e isto está causando estragos entre os jovens.

–Por que o governo começou a dar ajuda? Qual é o propósito desta ajuda?

–Dom Wood: A finalidade era ajudar estas jovens que ficaram grávidas a criar suas famílias, mas, infelizmente, como na maioria das coisas, pessoas tiraram vantagem disto e querem o dinheiro.

–E veem isto como uma fonte de renda?

–Dom Wood: Veem isto como uma fonte de renda. E assim as meninas ficam grávidas. Têm filhos. Enviam os bebês às avós e seguem trabalhando ou tendo os bebês. E isto realmente se transformou em um problema.

–A transição do apartheid na África do Sul foi verdadeiramente um milagre. Eu acredito que não foi bastante estimada. Falamos do Muro de Berlim – uma mudança sem violência – mas a mudança na África do Sul também foi um milagre.

–Dom Wood: Foi um milagre e nós não esperávamos por isto. Esperávamos pelo pior, ano após ano; depois de cada celebração da Eucaristia, rezávamos pela paz na África do Sul: rezávamos a oração de São Francisco e creio de verdade que a oração do povo influenciou nas negociações que aconteceram entre Nelson Mandela e F. W. de Klerk.

Eu realmente acredito que a fé de pessoas trouxe este milagre.

–E o milagre ainda continua, a menos que eu me confunda, não se percebe o desejo de vingança por parte das pessoas de cor para os brancos. Não é assim?

–Dom Wood: Absolutamente. Há aceitação e perdão. Em algumas áreas há raiva e as pessoas querem vingança, mas diria que a grande maioria aceitou e seguimos em frente.

--Pode-se dizer que, neste período posterior ao apartheid, o país ainda está procurando sua identidade. Que identidade tem a África do Sul? Que identidade nacional o senhor poderia dizer que possui o país?

–Dom Wood: Ainda temos uma democracia muito jovem. Ela só tem 16 anos e, como algo que tem 16 anos, está procurando nossa identidade.

–Um adolescente, por assim dizer.

–Dom Wood: Um adolescente, uma democracia adolescente e estamos buscando nossa identidade.

Cometemos muitos erros, como os adolescentes fazem quando estão amadurecendo, e acredito que isto é o que nos está acontecendo. Cometemos erros, mas nos levantamos e continuamos em frente e tentamos aprender com nossos erros. Mas nós somos uma democracia adolescente e queremos alcançá-la. Acredito que há uma verdadeira vontade por parte das pessoas, de alcançá-la.

–Porém, também está a sensação de que a Igreja Católica, especialmente na África do Sul, está relacionada com o período colonial, e que há um movimento novo, por assim dizer, que rejeita tudo aquilo que pertence àquele período colonial, inclusive a Igreja, e está a favor de instituições, organizações que sejam africanas em origem e em orientação. Como a Igreja Católica encontra seu lugar perante este movimento?

–Dom Wood: Em primeiro lugar, eu ouvi este rumor de que há um movimento que quer eliminar qualquer coisa que venha do tempo colonial, mas a Igreja Católica na África do Sul é acostumada à perseguição, desde o exato momento em que chegamos à África do Sul, não fomos bem recebidos, principalmente pelos holandeses, então pelos britânicos, depois pelo regime africâner, que fez tudo o que pôde para nos rejeitar, e nos chamava: “O Perigo Romano”.

Por isso somos acostumados à perseguição; somos acostumados a ser golpeados pelo regime e, conseqüentemente, para este último problema que surge, sentimos que nossa fé e nossa gente são suficientemente fortes ao ponto de resistir a qualquer tipo de ataque deste tipo.

–Assim a fé vem de pessoas. As raízes estão, por isso, bastante profundas, o senhor pode assegurar que as raízes da fé estão bastante profundas na população, nas comunidades, para suportar este nível de desafio?

–Dom Wood: Eu acredito que sim; Eu sei que sim.

–A África do Sul tem um dos índices maiores em AIDS do mundo. Pode nos falar algo em sua perspectiva?

–Dom Wood: É um dos maiores e é uma pandemia em nosso país. Milhões de pessoas estão vivendo com AIDS ou estão afetados por esta doença. E se transformou em um verdadeiro problema para nossas pessoas.

–Como o senhor vê concretamente, quer dizer, nos órfãos da AIDS?

–Dom Wood: Uma vez mais nós falamos da ruptura da vida familiar. Algumas famílias não têm mães e pais. Há crianças que tomam conta das casas, órfãos da AIDS e crianças vulneráveis. E não se trata de exceções; está estendido pelo país inteiro. E o cuidado básico e a atenção para estes órfãos da AIDS são um grande desafio.

–A África do Sul respondeu a isto com a política do preservativo. Durante os últimos 20 anos se tem apresentado os preservativos como a solução e, ainda assim, a AIDS está nada menos que em 22% da população. Pode-se dizer que a política do preservativo falhou?

–Dom Wood: Definitivamente, a pandemia está crescendo.

Distribuíram a nossa gente milhões de preservativos e ainda assim, todavia, vivemos com a AIDS, e está crescendo. Não importa que o ministro da saúde diga que o número baixou, porque as pessoas nas ruas dizem “Não, está aumentando”, e nossos sacerdotes que estão enterrando ao povo, fim de semana após fim de semana, dizem que a coisa está piorando.

–De acordo com o senhor, qual o fracasso da política do preservativo?

–Dom Wood: A educação. Às pessoas apenas são distribuídos preservativos e dizendo-se que há um problema, usem os preservativos e o problema desaparecerá.

Não desapareceu.

–E não se tem promovido a abstinência como uma possível alternativa?

–Dom Wood: Bem, a Igreja tem feito isto durante anos, contudo de um modo lento, mas seguro. Quando se vê os anúncios do governo, a abstinência está na cabeça da lista.

Está chegando e eles promovem a abstinência. Promovem ao mesmo tempo abstinência, fidelidade e preservativos, mas diria que na parte de cima da lista está a abstinência e eu acredito que estão começando a perceber que é a única estrada.

–Há aproximadamente 3,3 milhões de católicos na África do Sul, pelo que, de fato, o tamanho da Igreja Católica da África do Sul é muito pequena e, ainda assim, seu impacto é até significante. Que impacto tem a Igreja Católica? Que programas tem realizado? E como é possível que a Igreja Católica, nesta porcentagem tão pequena da população, tenha tal um impacto grande?

–Dom Wood: Ao longo dos anos, a Igreja da África do Sul teve um verdadeiro impacto nas pessoas pela educação e pela saúde.

Desde o começo da Igreja, o governo, por aquele tempo, nunca ministrou saúde ou educação, e agora com a pandemia estamos no segundo lugar, depois do governo, chegando até as pessoas. Não tenho a percentagem. Mas é reconhecido e as pessoas o afirmam: a Igreja chega até eles.

E está em todas as esferas: nos cuidados do lar, nos cuidados às crianças vulneráveis e órfãos, nos hospícios para os moribundos, no cuidado com as mulheres abusadas sexualmente e das grávidas com problemas. O aspecto todo e o desenvolvimento de tratamentos antiretrovirais.

–Qual a maior necessidade da África do Sul hoje para o senhor?

–Dom Wood: A maior necessidade da África do Sul é o trabalho, o emprego, porque creio que todos estes problemas como o crime e os abusos de mulheres e crianças e todo o demais, estão sendo causados porque as pessoas estão frustradas e furiosas; e não têm emprego. E isto, creio eu, ajudaria à situação, se pudéssemos encontrar emprego para a maioria das pessoas de nosso país. E também qualificação profissional, estas duas coisas reunidas.

–E da perspectiva da Igreja: qual seria a maior necessidade da Igreja na África do Sul?

–Dom Wood: A maior necessidade da Igreja, acredito, e o maior desafio que temos, é tentar confrontar o problema da ruptura da vida familiar e pôr todos nossos recursos na tentativa de reconstrução do sentido da vida familiar novamente.

–Como se pode alcançar isso?

–Dom Wood: Não estou completamente seguro. Se tivesse a solução, estaria contente, mas acredito que nós temos que começar com as pequenas comunidades cristãs onde nós somos fortes.

Temos pequenas comunidades cristãs e precisamos evangelizá-las no sentido de prover um lar, uma vez mais, a importância da vida familiar.

É algo mesmo da cultura africana, mas todo esse individualismo ocidental entrou de um modo silencioso e destruiu. Acredito que agora nós precisamos acentuar novamente a beleza do marido e do pai e das crianças – e a beleza da vida familiar.

Esta entrevista foi realizada por Mark Riedemann para “Deus Chora na Terra”, um programa rádio televisivo semanal produzido pela Catholic Radio and Television Network, (CRTN) em colaboração com a organização católica Ajuda à Igreja que Sofre. Mais informação em www.ain-es.org e www.aischile.cl.

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* Rússia: Descobertos no Kremlin dois ícones ocultados pelos bolcheviques.

quarta-feira, maio 26th, 2010

Zenit

Dois ícones que tinham sido ocultados pelos bolcheviques adornam duas torres da muralha do Kremlin de Moscou, informou o Serviço Ortodoxo de Imprensa e Europaica (n°. 180, de 18 de maio de 2010).

Os meios de comunicação russos anunciaram a notícia no último dia 12 de maio, citando os serviços da administração presidencial e museus que administram o lugar histórico de Kremlin, antiga residência dos czares e dos patriarcas da Rússia.

Os responsáveis pela administração do Kremlin decidiram restaurar e devolver aos cidadãos dois ícones de uma antiguidade de seis séculos que foram descobertos no final de abril em duas torres da fortaleza debaixo de uma camada de gesso aplicada pelos bolcheviques.

“Os trabalhos começaram com a eliminação da camada grossa de gesso que cobriu os ícones no ano de 1937“, declarou aos jornalistas a porta-voz do Departamento de Museus do Kremlin, Jeanne Bélochapkine.

“Parece que os dois ícones foram pintados a óleo sobre afrescos, e os trabalhos de restauração estão dedicados a verificar esta hipótese”, declarou o diretor geral adjunto dos Museus do Kremlin, André Batalov.

O primeiro ícone representa Cristo Salvador em um fundo dourado, com dois santos monges russos aos seus pés: São Sérgio de Rádonezh e São Barlaam de Katyn (Novgorod).

Ergue-se sobre a entrada da porta Spasskaïa (do Salvador), a porta de entrada solene debaixo da torre principal do Kremlin, bem na frente da igreja de São Basílio, o Bem-Aventurado, na Praça Vermelha.

O segundo ícone que adorna a torre Nikolskaïa (de Nicolau), mais para o norte e também na Praça Vermelha, representa a São Nicolau de Mira (século IV), especialmente venerado pelos crentes ortodoxos russos.

De acordo com o testemunho dos historiadores, os ícones eram ainda visíveis nos primeiros meses do ano de 1918.

Então eles foram escondidos debaixo de uma malha grossa metálica e, em 1937, no apogeu de uma onda nova de campanhas de antirreligiosas, foram completamente cobertos com gesso. Ao término do mês passado de abril, voltaram novamente à luz.

As primeiras análises permitem aos especialistas afirmar que o ícone de São Nicolau remonta por volta do século de XV ou início do século XVI, o que confirmam as declarações dos restauradores que nele trabalharam.

O ícone de São Nicolau estava gravemente danificado pelas explosões de tiros de armas no assalto dos bolcheviques ao Kremlin, em novembro de 1917.

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