Posts Tagged ‘Relativismo’

* Mais uma tentativa de impor o “casamento” homoafetivo por meios antidemocráticos, denuncia procurador da república.

quarta-feira, maio 15th, 2013
Não existe nenhuma determinação judicial de efeitos abstratos no sentido de impor ao país o “casamento homoafetivo”, apesar das notícias jornalísticas a respeito

Por Paulo Vasconcelos Jacobina

Na sessão do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) do dia  14 de maio de 2013, em Brasília, foi aprovada proposta, do respectivo Presidente, de resolução determinando aos órgãos do Poder Judiciário que, em face do julgamento pelo STF da ADPF 132/RJ e da ADI 4.277/DF, se abstenham de recusar a habilitação, a celebração de casamento civil e a conversão de união estável em casamento baseada no fato de os interessados serem pessoas do mesmo sexo. Para dar eficácia à decisão, o membro do Ministério Público Federal lotado no CNJ sugeriu que a recusa de registro de casamento civil baseada na homossexualidade dos proponentes seja comunicada à respectiva corregedoria, para as finalidades que couberem, contra os juízes e oficiais de registro que não quiserem registrar este tipo de “casamento”.

Algumas ponderações sobre o assunto são necessárias.

As decisões do STF (Supremo Tribunal Federal) na ADPF 132/RJ e ADI 4277/DF vão no sentido de considerar como “família” a união estável entre pessoas do mesmo sexo. Em nenhum momento o STF determinou que elas têm direito a impor a agente estatal qualquer pretensão de casamento civil; o pedido da PGR na ADPF 132 é expressamente o de reconhecer a união estável de pessoas do mesmo sexo como família.

Na ADI 132, a ementa chega a proclamar a ” Imperiosidade da interpretação não-reducionista do conceito de família como instituição que também se forma por vias distintas do casamento civil.” Ou seja, o reconhecimento da união estável de pessoas do mesmo sexo como “família” passou longe da declaração de uma “impositividade de registrar casamentos civis entre pessoas do mesmo sexo, sob pena de punição correicional”. Não foi isso que o STF decidiu, apesar das distorções feitas pela imprensa que noticiou o assunto à época.

O que foi pedido pela PGR na ADI 4277 foi o seguinte:

“a) Declarar a obrigatoriedade do reconhecimento como entidade familiar, da união entre pessoas do mesmo sexo, desde que atendidos os mesmos requisitos exigidos para a constituição de união estável entre homem e mulher, e

b) Declarar que os mesmos direitos e deveres dos companheiros nas uniões estáveis estendem-se aos companheiros nas uniões entre pessoas do mesmo sexo”.

A decisão do STF conclui dizendo que “Reconhecimento que é de ser feito segundo as mesmas regras e com as mesmas consequências da união estável heteroafetiva.”

Foi este pedido que foi procedente, nenhum outro e nada mais. Não existe nenhuma determinação judicial de efeitos abstratos no sentido de impor ao país o “casamento homoafetivo”, apesar das notícias jornalísticas a respeito.

Quanto à ADPF 132, o seu pedido é, expressamente, o de que o STF “declare que o regime jurídico da união estável deve se aplicar, também, às relações homoafetivas”, e foi este pedido que foi julgado integralmente procedente e nenhum outro.

A Constituição Federal de fato é ampla na conceituação de “família”, e foi nessa amplitude que o STF trabalhou. Mas o art. 226, § 3º, da Constituição, quando trata da “conversão da união estável em casamento”, expressamente determina que somente a união estável entre homem e mulher são assim conversíveis: “Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento.” Ou seja, é bastante razoável admitir que a união estável de pessoas de mesmo sexo seja, segundo o STF, considerada como entidade familiar; mas também é bastante razoável admitir que o STF não determinou que tais uniões fossem conversíveis em casamento, porque há disposição constitucional expressa em sentido contrário e não há dispositivo em decisão vinculativa do STF que determine o contrário.

Além disso, o Código Civil expressamente prevê que “O casamento se realiza no momento em que o homem e a mulher manifestam, perante o juiz, a sua vontade de estabelecer vínculo conjugal, e o juiz os declara casados.” art. 1514. Este artigo não foi julgado inconstitucional pelo STF em momento nenhum, e não há nenhum artigo de lei que determine qualquer rito matrimonial civil de outra forma. Está em vigor apenas e tão-somente com esta redação. Não se pode ser um legalista estrito, é claro… Mas em direito administrativo cabe ao agente público fazer o que a lei determina; não pode ser punido por não fazer o que a lei, segundo o pensamento de alguns, deveria determinar.

Cabe ao CNJ cumprir a lei e a Constituição, e garantir o cumprimento deles pelo Judiciário. Não reinterpretá-los contra seu texto expresso, e de modo absolutamente ideológico ler numa decisão do STF aquilo que o STF não decidiu, para impor conduta preterlegal a agentes públicos sob pena de punição administrativa.

Por outro lado, a escusa de consciência, quer dizer, o direito de recusar-se a fazer aquilo que viola seus próprios valores religiosos ou morais, está prevista na Constituição, art. 5º, VII, e a ameaça de “responsabilização correicional” punitiva à resistência a ordem manifestamente ilegal do CNJ parece, neste contexto, violar direitos constitucionais fundamentais dos magistrados e cartorários que quiserem resistir à decisão do CNJ.

Os poderes de controle administrativo que o CNJ tem sobre o Poder Judiciário não podem ser amplificados a ponto de transformar-se em meio de alteração do próprio ordenamento jurídico em favor do pensamento “vanguardista” dos componentes momentâneos do CNJ, em tema que não diz respeito a controle do Judiciário, mas a opções do conjunto da sociedade brasileira manifestada em textos legais absolutamente vigentes.

A decisão do CNJ parece, portanto, absurda, diante deste quadro acima; a determinação de levar à corregedoria quem resistir a ela parece bem violenta, e com todo respeito ao Conselho, inconstitucional e ilegal. Uma tentativa antidemocrática de impor uma agenda ideológica à sociedade por meios indiretos. É preciso que estejamos bem atentos.

Paulo Vasconcelos Jacobina é Procurador Regional da República e Mestre em Direito Econômico

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* Nossa geração está testemunhando a “colonização” da natureza humana e a desconstrução da verdade natural querida pelo criador.

sexta-feira, maio 10th, 2013

Aleteia

A Argentina aparece como paradigma da exportação, por parte da Europa, da ideologia que pretende dar por superada a natureza humana, no 4° Relatório Anual sobre a Doutrina Social da Igreja no mundo, do Observatório Cardeal Van Thuân e outros cinco institutos internacionais de pesquisa, apresentado no dia 8 de maio, na sede da Rádio vaticano.

Em um só ano, o país sul-americano de tradição católica teve uma lei sobre a procriação artificial que desnaturalizou a família, além de uma modificação do código civil para permitir a “barriga de aluguel”, que desnaturalizou a paternidade e a filiação.

Também revolucionou a base de toda a sociedade argentina; foi deixada de lado a “natureza humana” e o país se afastou violentamente da inspiração da fé católica para a construção da sociedade.

Esta é a avaliação que o presidente do Observatório, Dom Giampaolo Crepaldi, fez ao apresentar o relatório, que inclui dados de 2011, coletados pelo CIES (Centro de Iniciativas da Economia Social) de Buenos Aires.

O estudo mostra uma emergência: a “colonização da natureza humana”, provocada por uma ideologia ocidental, expressão de uma cultura niilista, que pretende superar completamente o conceito de natureza humana.

“É exatamente aqui na Europa que esta despedida da natureza humana está obtendo resultados mais inquietantes – declarou Crepaldi. A Europa que difundia o cristianismo e, com ele, a proteção da natureza humana criada por Deus, agora exporta a superação da natureza humana, rumo a uma identidade que se constrói livremente: homem ou mulher, mãe ou pai, mulher e marido. Já não se é; a pessoa se torna.”

O prelado citou Bento XVI, ao destacar a necessidade de proteger o homem da destruição de si mesmo.

“Se a natureza humana é percebida como um cúmulo de fenômenos naturais guiados pela casualidade ou pela necessidade, então permanece muda com relação a nós: não diz nada sobre nós e sobre a nossa vida”, afirmou o arcebispo.

Segundo esta ideologia, ser homem ou mulher não é uma palavra que nos precede, mas um desejo nosso. “Se a nossa estrutura sexuada não é uma mensagem que nos diz como viver como pessoas humanas, então a genitalidade é algo exclusivamente técnico”, disse o prelado italiano.

Ao eliminar a identidade sexual, a capacidade de dar-nos um código de vida, a genitalidade se reduz a uma pura técnica vivida fora de qualquer identidade, ou seja, fora do próprio ser homem e mulher.

E acrescentou: “Há um imenso trabalho cultural a fazer para educar neste sentido da natureza e da natureza humana; e é desagradável ter de admitir que, dentro da Igreja e entre as próprias comunidades cristãs, às vezes se ignora a importância deste ponto”.

Também interveio na apresentação do relatório a especialista Eugenia Roccella, quem se referiu à necessidade de uma “realfabetização” da sociedade atual.

“Estamos perdendo os conceitos que antes dávamos por descontados e sobre os quais está construída a comunidade humana – disse à Aleteia. A evidência originária, o conceito de pessoa, os conceitos mais simples sobre os quais há uma sabedoria popular, como mãe, como pai.”

“Existe a ideia de que o filho é um direito e começa a existir também a ideia de que pode ser um objeto que se compra”, denunciou, antes de criticar o comércio de óvulos.

Aprofundando neste ponto, referiu-se à questão antropológica, destacando que ela “nasce da consciência de ser criatura”, e criticando a ideologia de gênero, que defende a manipulação do corpo humano, que é, como recordou ela, “o lugar da pessoa”.

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* Bonecas são para MENINO? Em algumas escolas, sim! E no Brasil!

terça-feira, maio 7th, 2013
Estado de São Paulo
Ocimara Balmant

No salão de cabeleireiro de mentirinha, João Pontes, de 4 anos, penteia a professora, usa o secador no cabelo de uma coleguinha e maquia a outra, concentradíssimo na função. Menos de cinco minutos depois, João está do outro lado da sala, em um round de luta com o colega Artur Bomfim, de 5 anos, que há pouco brincava de casinha.

Nos cantos da brincadeira do Colégio Equipe, na zona oeste de São Paulo, não há brinquedo de menino ou de menina. Todos os alunos da educação infantil – com idade entre 3 e 5 anos – transitam da boneca ao carrinho sem nenhuma cerimônia.

“O objetivo é deixar todas as opções à disposição e não estimular nenhum tipo de escolha sexista. Acreditamos que, ao não fazer essa distinção de gênero, ajudamos a derrubar essa dicotomia entre o que é tarefa de mulher e o que é atividade de homem”, explica a coordenadora pedagógica de Educação Infantil do Equipe, Luciana Gamero.

Trata-se de um “jogo simbólico”, atividade curricular da educação infantil adotado por um grupo de escolas que acredita que ali é o espaço apropriado para quebrar alguns paradigmas. A livre forma de brincar visa a promover uma infância sem os estereótipos de gênero – masculino e feminino -, um dos desafios para construir uma sociedade menos machista.

“Temos uma civilização ainda muito firmada na questão do gênero e isso se manifesta de forma sutil. Quando uma mulher está grávida, se ela não sabe o sexo da criança, compra tudo amarelinho ou verde”, afirma Claudia Cristina Siqueira Silva, diretora pedagógica do Colégio Sidarta. “Nesse contexto, a tendência é de que a criança, desde pequena, reproduza a visão de que menino não usa cor-de-rosa e menina não gosta de azul.”

Por isso, no colégio em que dirige, na Granja Viana, o foco são as chamadas brincadeiras não estruturadas, em que objetos se transformam em qualquer coisa, a depender da criatividade da criança. Um toco de madeira, por exemplo, pode ser uma boneca, um cavalo ou um carrinho. “Quanto menos referência ao literal o brinquedo tiver, menos espaço haverá para o reforço social”, diz Claudia.

A reprodução dos estereótipos acontece até nas famílias que se enxergam mais liberais. Ela conta que recentemente, em uma brincadeira sobre hábitos indígenas, um menino passou batom nos lábios. Quando a mãe chegou para buscá-lo, falou de pronto: “Não quero nem ver quando seu pai vir isso”.

“Podia ser o fim da experimentação sem preconceitos, que não tem qualquer relação com orientação sexual. Os adultos, ao não entenderem, tolhem essa liberdade de brincar por uma ‘precaução’ sem fundamento”, afirma Claudia.

Visão de gênero.

Se durante a primeira infância esses estímulos são introjetados sem que a criança se dê conta, ao crescerem um pouquinho – a partir dos 5 anos -, elas já expressam conscientemente a visão estereotipada que têm de gênero.

No Colégio Santa Maria, no momento de jogar futebol, os meninos tentavam brincar apenas entre eles, não permitindo que as meninas participassem. Foi a hora de intervir. “Explicamos que não deveria ser assim e começamos a propor, por exemplo, que os meninos fossem os cozinheiros de uma das brincadeiras”, diz Cássia Aparecida José Oliveira, orientadora da pré-escola da instituição.

Na oficina de pintura, todos foram convidados a usar só lápis cor-de-rosa – convite recusado por alguns. “Muitos falam ‘eu não vou brincar disso porque meu pai diz que não é coisa de menino’. Nesses casos, a gente conversa com a família. Entre os convocados, os pais de meninos são a maioria. “Um menino gostar de balé é sempre pior do que uma menina querer jogar futebol. E, se não combatemos isso, criamos uma sociedade machista e homofóbica.”

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,bonecas-sao-para-menino-em-algumas-escolas-sim,1028463,0.htm

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* O absolutismo relativista exige que toleremos as mentiras como se fossem verdades, e que não “toleremos” as verdades, como se fossem mentiras.

quarta-feira, maio 1st, 2013

Pe. Anderson Alves

O absolutismo relativista exige que toleremos as mentiras como se fossem verdades, e que não “toleremos” as verdades, como se fossem mentiras.

Vimos anteriormente que o ateísmo e o relativismo modernos são profundamente contraditórios[i]. O ateísmo porque pretende ser verdadeiro e relativista, “des-construindo” todas as verdades e normas morais, a partir de uma verdade absoluta: a inexistência de Deus; dessa verdade “divina” o ateísmo deduz uma regra moral absoluta: é proibido ter regras. O ateísmo relativista pretende assim negar o valor de todos os dogmas e certezas morais a partir de um novo dogma, que cria uma nova moralidade, na qual os valores absolutos são relativizados ou transformados.

O relativismo, por sua vez, é contraditório porque pretende afirmar que todas as afirmações, inclusive as contraditórias, são sempre verdadeiras (ou sempre falsas). Mas quem diz que duas afirmações contraditórias podem ser verdadeiras, deve aceitar que duas contraditórias não podem ser verdadeiras.

Essa evidente contradição levaria a renúncia a uma vida humana, na qual se julga, dialoga e se vive em sociedade. Em outras palavras, quem não aceita o princípio de não-contradição, torna-se semelhante a um vegetal. As consequências disso é que o relativismo e o ateísmo absolutos são reciprocamente excludentes; e o relativismo só pode ser verdadeiro quando é relativo, ou seja, parcial, aplicado ao modo de expressar ou de conhecer uma verdade, e não à verdade mesma.

Isso nos faz reconhecer o justo relativismo da verdade, pois essa é sempre relativa à inteligência de quem conhece. E a verdade é única na inteligência divina, pois Deus, ao conhecer a si mesmo, conhece todas as coisas. A verdade humana, porém, é múltipla, pois cada coisa tem sua verdade intrínseca, mas a conhecemos parcialmente, através de muitos juízos verdadeiros. De fato, o conhecimento humano é discursivo e progressivo e até hoje nenhuma ciência pode dizer que conhece totalmente o objeto estudado. A realidade que está diante de nós é sempre mais rica do que conhecemos. Por isso ela é como uma janela pela qual nos chega a luz da verdade e da bondade divinas e infinitas.

Entretanto, não podemos deixar de constatar que vivemos num ambiente cultural impregnado de relativismo. Não de um relativismo absoluto, que é essencialmente contrário à razão humana, mas sim de um absolutismo relativista. De fato, as filosofias relativistas ainda não conseguiram destruir a racionalidade humana e continuamos pensando a partir da convicção de que é possível conhecer a verdade e de que afirmações contraditórias não podem ser ao mesmo tempo verdadeiras. Mesmo assim o relativismo se expande na cultura atual, não através da Lógica, mas pela força da repetição superficial de afirmações “dogmáticas”. Desse modo, não há dúvidas de que vivemos em um ambiente onde reina não um relativismo absoluto, mas sim um absolutismo relativista.

Absolutismo relativista significa, pois, os esforços para se impôr uma cultura mundial relativista, que tenta destruir os valores tradicionais. Pretende-se assim convencer aos povos de que tudo é relativo, pois a verdade não existe (ou tudo é verdade, o que dá no mesmo) e todos os comportamentos morais são igualmente bons (ou igualmente maus). Tudo o que é contraditório parece ser hoje válido e tolerável. A única coisa que não se tolera é que se mostre as contradições e a irracionalidade do mesmo relativismo. O absolutismo relativista exige que toleremos as mentiras como se fossem verdades, e que não “toleremos” as verdades, como se fossem mentiras.

Na Ética o absolutismo relativista se manifesta principalmente em dois modos. No Positivismo e no chamado “pensamento débil”. Ambos dizem que a Ética só pode ser descritiva. Embora esses sistemas sejam opostos, as conclusões a que chegam são semelhantes.

O Positivismo diz que o método das ciências experimentais deve ser aplicado a todas as ciências. Ora, as ciências só descrevem a realidade, sem prescrever nada. Por isso a Ética deve apenas dizer como as pessoas se comportam. O argumento dado é logicamente válido, mas há uma premissa que deve ser discutida: por que a Ética deve ter o mesmo método das ciências experimentais? Essa é uma afirmação filosófica, que só pode ser imposta pela força, uma vez que não se sustenta racionalmente. De fato, a dita afirmação não pode ser justificada por métodos experimentais e a conclusão do raciocínio é autocontraditória: diz que as ciências não devem ser normativas, mas essa afirmação é já uma norma no âmbito científico.

Outro sistema importante é o chamado “pensamento débil”. Diz que o filósofo moral deve descrever os modelos de comportamento para facilitar o diálogo entre as culturas. Forma-se assim uma mesa redonda, semelhante à de um jogo de cartas, na qual não se chega a nenhuma conclusão. E isso se apresenta como uma exigência da “democracia”. E o argumento dado diz: os homens são todos iguais; quando dois homens possuem opiniões diversas, ambas devem ser aceitas, pois é antidemocrático ou politicamente incorreto dizer que uns homens tem razão e outros se equivocam[ii].

Quem pensa assim deveria antes de tudo esclarecer o que significa a afirmação de que “todos os homens são todos iguais”. Se significasse que possuem uma mesma dignidade, estamos de acordo. Mas se quer dizer que tudo o que os homens afirmam, em razão da dignidade comum, seja sempre verdadeiro, isso é um absurdo. Da dignidade da natureza humana não se deduz que o conhecimento de todos os seres humanos seja sempre verdadeiro. E tampouco se deduz que sempre dizemos a verdade. De fato, o homem pode, não só se equivocar, mas também mentir, manipular, tentar dominar a quem parece ser mais fraco. E não se entende como o erro ou a mentira pode sustentar uma “democracia”. Dito de outro modo: o principal equívoco do “pensamento débil” está em estabelecer como critério de verdade não a relação do juízo intelectual com a coisa conhecida, mas sim o juízo com a dignidade de quem o profere. Da dignidade do ser humano, de fato, não se deduz a verdade de todos os seus conhecimentos, nem a bondade moral de todos os seus atos.

Portanto, o Positivismo e o “pensamento débil” expressam bem o atual absolutismo relativista: a tentativa de impor pela força de repetições afirmações contraditórias, como se fossem verdades absolutas, negando o que realmente é verdadeiro e bom. O dito absolutismo, última forma de pensamento universal, desrespeita as culturas verdadeiramente humanas. Pois se a Ética fosse somente descritiva, os filósofos poderiam falar sobre as diversas culturas, mas não falar com elas. E isso ofende a dignidade e a racionalidade humana, que como tal está aberta ao diálogo sincero em busca de uma verdade condivisível por todos os homens[iii].

Pe. Anderson Alves, sacerdote da diocese de Petrópolis – Brasil. Doutorando em Filosofia na Pontificia Università della Santa Croce em Roma.

[i] Cfr. http://www.zenit.org/pt/articles/o-ateismo-e-uma-escolha-racionalhttp://www.zenit.org/pt/articles/o-relativismo-relativo-ou-a-justa-relatividade-da-verdade

[ii] Cfr. A. Vendemiati, In prima persona. Lineamenti di etica generale, 3ª ed., UUP, Città del Vaticano 2008, cap. 1.

[iii] Cfr. R. Spaemann, ¿Qué es la ética filosófica? Em Limites, acerca de la dimensión ética del actuar, Ediciones Internacionales Universitarias, Madrid 2003, pp. 19-20.

(29 de Abril de 2013) © Innovative Media Inc.
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* Bispos Uruguaios: “Chamar de maneira igual a realidades desiguais, sob pretexto de igualdade, não é justiça, mas assimilações inconsistentes que só debilitarão ainda mais o matrimônio. Constatar uma diferença real não é discriminar”

quarta-feira, abril 10th, 2013

ACI

O Conselho Permanente da Conferência Episcopal Uruguaia (CEU) chamou os legisladores a não aprovar a lei do “matrimônio  igualitário”, pois esta abre as portas às uniões homossexuais no país; também advertiram que estes tipos de uniões continuarão sendo imorais mesmo que a legislação as proteja.

No último dia 2 de abril, o Senado uruguaio ratificou a lei do “matrimônio igualitário” aprovada em primeira instância pela Câmara dos Deputados. Entretanto, devido a algumas modificações realizadas pela Câmara alta, agora o texto será debatido novamente em 10 de abril pelos deputados para sua sanção definitiva.

“Vemo-nos obrigados a reiterar, mutatis mutandis, as mesmas considerações que fazíamos em relação à lei do aborto: esta lei não é moralmente boa porque foi aprovada. A moralidade dos atos não depende das leis humanas. Recordamos o dever e o direito de seguir as obrigações da lei natural inscritas na própria consciência”, advertiram os bispos em seu comunicado de 8 de abril.

Nesse sentido, o Conselho Permanente da CEU reiterou sua preocupação pelas consequências que esta lei trará sobre as famílias e sobre os direitos das crianças que correm “o risco de converter-se em um objeto, especialmente quando se pensa na adoção plena como um direito de todos os matrimônios”, sem ter em conta o interesse do menor a ser criado “com uma clara referência materna e paterna”.

“Não questionamos a boa vontade e tentativa de buscar uma maior justiça por parte dos nossos legisladores, mas insistimos na gravidade e consequências do que está em jogo, mais além das aparências”, indicaram.

“Chamar de maneira igual a realidades desiguais, sob pretexto de igualdade, não é justiça, mas assimilações inconsistentes que só debilitarão ainda mais o matrimônio. Constatar uma diferença real não é discriminar”, afirmaram.

Nesse sentido, assinalaram que estas legislações seguem modelos do estrangeiro “sem a devida análise antropológica e sem aprofundar as consequências que as alterações legais implicam para o conjunto da sociedade uruguaia no tema da família“.

Por isso, os bispos convidaram “mais uma vez a todas as mulheres e homens uruguaios a unirmo-nos no esforço em prol de uma sociedade mais justa e fraterna, onde os valores do Evangelho possam florescer nas famílias e as futuras gerações possam encontrar ali razões de fé e esperança”.

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* Atenção CFM: “O feto é um de nós! E a exemplo de cada um de nós, integra a humanidade”

terça-feira, abril 9th, 2013

Percival Puggina

O Conselho Federal de Medicina recomendou ao Senado incluir no novo Código Penal a descriminação do aborto praticado até a 12ª semana de gestação.

Chegou ao órgão máximo dos médicos brasileiros a epidemia do relativismo e males conexos – ausência de fundamentos como pressupostos para o pensar, niilismo, subjetivismo e individualismo. Ética de opinião e ocasião. Essa peste chegou lá e já reivindica lugar no nosso ordenamento jurídico para comandar as pinças e tesouras dos doutores. Abjuraram o juramento! Hipócrates bateu com a testa na tampa do túmulo.

O presidente do CFM esclareceu que o órgão “defende a plena autonomia da mulher de levar uma gestação adiante”. Aprendeu rápido. A frase é ardilosa porque a autonomia realmente defendida pelo Conselho é a de “não” levar uma gestação adiante.

Desde quando, doutores, plataforma de feminismo desnorteado é razão médica? Ora, cavalheiros, gravidez não é abscesso que se drene. Não é pólipo que se extraia. O feto é um inteiramente outro que está na mulher mas não se confunde com ela nem a ela pertence como coisa de descarte.

O feto é um de nós! E a exemplo de cada um de nós, integra a humanidade. Os motivos capazes de levar uma mulher a querer o aborto são muitos, mas não passam disso: motivos. Também os assassinos comuns alegam motivos. Eles podem servir como atenuantes, mas um povo sadio não escreve leis concedendo autorizações para matar. Tudo isso, leitor, é ética torpe, sórdida. É ruptura com os melhores fundamentos do pensar humano.

Pode-se até compreender quem cede à força dos motivos e faz um aborto. Mas jamais que o CFM defenda o aborto em tese!

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* O Relativismo relativo ou a justa relatividade da verdade.

terça-feira, abril 9th, 2013
Então a afirmação tudo é relativo implica que duas afirmações contraditórias possam ser verdadeiras?

Por Pe. Anderson Alves

Em outra ocasião dizíamos que o relativismo e o ateísmo absolutos são incompatíveis[i]. Pois quem afirma ser verdade que Deus não exista, não poderia negar a existência da verdade. De modo que o ateísmo absoluto nos mostra que relativismo não pode ser absoluto, só pode ser relativo. E isso é comprovado se partimos da afirmação dos que dizem que o relativismo não nega a existência da verdade, mas somente diz que ela é sempre relativa. De fato, a afirmação de que “tudo é relativo” é muito comum nos nossos dias e pode significar algo equivocado e também algo certo.

Equivocado quando quer significar que duas afirmações contraditórias podem, ao mesmo tempo, ser verdadeiras. Pois quem afirma isso deveria aceitar que duas afirmações contraditórias não podem ser contemporaneamente verdadeiras (uma vez que essa é a contraditória da afirmação anterior). Mas quem diz que duas afirmações contraditórias podem e não podem ao mesmo tempo ser verdadeiras, não sabe realmente o que fala. A inteligência e a linguagem humanas, se querem continuar sendo reconhecidas como tais, não aceitam contradições.

“Tudo é relativo” pode significar também algo bem preciso: que a verdade indica sempre uma relação. De fato, a verdade se dá quando se afirma aquilo que é, ou se nega aquilo que não é. Em outras palavras, a verdade se dá quando a inteligência apreende o que as coisas são e as expressa em juízos. De modo que “tudo é relativo” significa que toda verdade é relativa a uma inteligência: a de quem a conhece.

E a inteligência pode ser tanto a divina quanto a humana. A divina fundamenta toda verdade natural existente, porque Deus pensa todas as coisas e depois as cria (inclusive o processo evolutivo). E a correspondência daquilo que as coisas são com o pensado por Deus sobre as coisas é a verdade natural de todas elas, intrínsecas às mesmas. O intelecto humano, por sua vez, não conhece todas as verdades, mas está em potência para conhecê-las. Sendo assim, a relação do intelecto divino com as coisas é essencial para as coisas, pois sem essa relação as coisas não podem existir; a relação do intelecto humano com as coisas naturais é acidental, pois ainda que o homem não as conhecesse, essas existem e são dotadas de uma racionalidade e de leis próprias e cognocíveis. Santo Tomás de Aquino chega a dizer que se não houvesse nenhuma inteligência, nem a divina nem a humana (o que é impossível), não haveria nenhuma verdade[ii].

Então a afirmação “tudo é relativo” implica que duas afirmações contraditórias possam ser verdadeiras? Evidentemente não, pois afirmar que duas contraditórias são verdadeiras implica aceitar que duas afirmações contraditórias não são verdadeiras, o que é um absurdo. Dizer que cada verdade é relativa a um intelecto quer dizer que a verdade só existe porque é conhecida por Deus e pode ser conhecida pela inteligência humana, mas não implica que a inteligência humana conhece infalivelmente a verdade. A inteligência humana não é nem a divina nem a angélica e pode se equivocar. Mas também só essa inteligência pode reconhecer o próprio erro.

Sendo assim, quando uma afirmação é verdadeira a sua contraditória necessariamente será falsa. Isso quer dizer que se uma pessoa diz “isso que está diante de mim é um computador”, não pode dizer no mesmo tempo “isso que está diante de mim não é um computador”. Quem está certo da verdade da primeira afirmação, não pode aceitar a verdade da segunda. Isso é o princípio básico de coerência do pensamento e da linguagem humana. Quem nega esse primeiro princípio se torna incapaz de fazer qualquer afirmação, de raciocinar, de dialogar, de viver em sociedade. Se torna, para continuar com o exemplo de Aristóteles, semelhante a um vegetal, com quem não é educado discutir.

E quando alguém diz: “isso é a tua verdade, mas não é a minha verdade”: há algum sentido? Certamente nesse caso deve-se analisar o conteúdo das duas afirmações e ver se ambas são realmente contraditórias e depois investigar se ambas são falsas, ou se alguma é verdadeira. No caso de que uma seja verdadeira, a sua contraditória será necessariamente falsa. E isso não implica discriminação com ninguém, pois é próprio de pessoas de inteligência considerar mais o que se diz do que quem o diz, num diálogo. Pode ocorrer que as duas afirmações não sejam contraditórias, mas verdades complementares, ou duas falsidades. É necessário saber, então, qual é o critério último para que uma afirmação seja verdadeira ou falsa. Já iniciamos aqui uma resposta, mas a aprofundaremos em outra ocasião.

O que importa agora é deixar claro que toda verdade se refere a uma inteligência. Nesse sentido, toda verdade é relativa, inclusive a verdade divina, relativa à inteligência (Logos) de Deus. E isso é o justo relativismo da verdade. Por outro lado, afirmar um relativismo absoluto, ou seja, dizer que toda afirmação é necessariamente verdadeira (ou necessariamente falsa), inclusive aquelas contraditórias, significa afirmar algo tão ilógico e antinatural que seria melhor não dizer nada: “sobre o que não se pode falar, se deve silenciar”[iii].

Pe. Anderson Alves, sacerdote da diocese de Petrópolis – Brasil. Doutorando em Filosofia na Pontificia Università della Santa Croce em Roma.

[i] Cfr. http://www.zenit.org/pt/articles/e-possivel-um-relativismo-absoluto Cfr. também:http://www.zenit.org/pt/articles/o-ateismo-e-uma-escolha-racional

[ii] S. Tomás de Aquino, De Veritate q. 1, a. 2.

[iii] L. WITTGENSTEIN, Tractatus logico-philosophicus, prop. 7.

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* Para ONDE caminha a humanidade? Corte holandesa aprova Associação de Pedófilos.

sexta-feira, abril 5th, 2013

Martijn Uittenbogaard, presidente da associação Martijn

ACI

Em uma decisão controvertida, um Tribunal de recurso na Holanda aprovou a existência de uma associação de pedófilos, que, em primeira instância, havia sido dissolvido no ano passado, considerando que esta não seria “uma ameaça para a desintegração da sociedade”.

De acordo com o jornal ABC de Madri, a associação Martijn, que defende o sexo consensual entre crianças e adultos, poderá continuar suas funções, uma vez que o Tribunal de apelação de Arnhem, Leeuwarden, salientou que “o trabalho da associação é contrário à ordem pública, mas não há uma ameaça de desintegração da sociedade”.

Apelando para a “liberdade de expressão”, o Presidente da Associação Martijn Uittenbogaard, apelou a decisão de um tribunal em Assen, que ordenou a dissolução do grupo de pedófilos em junho de 2012.

Fundada em 1982, a associação Martijn, cuja sede era no distrito judicial de Arnhem, Leeuwarden, diz que ele é a favor da aceitação do sexo consentido entre adultos e crianças, mas indica que eles são contra qualquer tipo de abuso sexual.

O recurso levantado contra a associação afirmava que os antecedentes criminais de alguns membros do abuso sexual poderiam estar relacionados com a associação, mas que eles nunca haviam cometido um crime tipificado como pedofilia.

“O texto e imagens publicadas no site de Martijn são legais e nunca estimularam adultos a terem relações sexuais com crianças”, acrescenta o Tribunal que proferiu a controvertida decisão.

O Tribunal porém assinalou que a associação é contrária a certos princípios da lei dos Países Baixos, porque “banaliza os perigos do contato sexual com crianças e fala bem destes contatos”.

Por sua parte, o Presidente da associação, através de sua conta no Twitter, escreveu que “ainda existem sábios juízes, felizmente”.

No dia 21 de novembro de 2011, o Tribunal de Leeuwarden rejeitou abrir um processo contra a associação. No entanto, o ex-presidente do mesma entidade, Ad van den Berg, foi condenado em 18 de outubro de 2011 na cidade de Haarlem a três anos de prisão, por posse de fotografias, filmes e revistas de pornografia infantil.

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* Inacreditável!! Juristas Internacionais Afirmam que Lei de Malta que Protege Bebês em Gestação é “Tortura”

terça-feira, abril 2nd, 2013
Stefano Gennarini, J.D.
A minúscula nação ilha de Malta, ao sul da Itália, foi selecionada como uma abusadora de direitos humanos pelos especialistas legais da Europa em preparação para sua próxima revisão por parte do Conselho de Direitos Humanos em Genebra. O “crime imperdoável” de Malta é proteger a vida no útero.

A Comissão Internacional de Juristas (CIJ), uma organização de direitos humanos composta de advogados e juristas, apresentou um relatório no Conselho de Direitos Humanos acusando Malta de desnecessariamente colocar em risco de vida das mulheres com leis que protegem a vida humana. A base legal para essas afirmações é muito contestada.

relatório lida principalmente com dificuldades de imigração de Malta pelo fato de ser o país europeu mais próximo de vários portos africanos. Mas a CIJ toma a oportunidade de criticar Malta por negar o aborto “por razões terapêuticas” afirmando que viola o direito à saúde, e é uma forma de tortura.

Os especialistas legais citam recomendações de órgãos de tratados da ONU, encarregados de monitorar a obediência aos tratados de direitos humanos que Malta se juntou. Nenhuma dessas recomendações é legalmente obrigatória. Nem são elas interpretações oficiais de tratados da ONU. Aliás, nenhum tratado da ONU contém menção de um direito ao aborto, ou qualquer linguagem que sugeriria que tal direito existe.

A base científica para as afirmações é também contestada. Tanto os especialistas da CIJ quanto os órgãos de tratados da ONU afirmam que a saúde das mulheres é colocada em perigo onde o aborto é ilegal porque as mulheres recorrerão a abortos ilegais inseguros. Mas não há nenhuma evidência científica de que as leis de Malta que protegem a vida colocam em perigo as mulheres.

As estatísticas de 2010 da Organização Mundial de Saúde para mortes maternas atribuídas ao aborto em Malta estão dentro da média mundial, perto de 13%. Essas mortes de acordo com a OMS diminuíram em índices do mesmo jeito que nos países vizinhos da UE como Itália, Espanha e Grécia, que não protegem plenamente os bebês em gestação. Os dados sobre Malta do Peso Global de Doença 2010 além disso mostram que um declínio profundo em mortes totais atribuídas ao aborto durante os vinte anos passados imitou sua melhoria democrática na saúde materna total (veja o gráfico). As mortes totais atribuídas ao aborto (0.03%) são menos do que na Espanha e Grécia.

Malta é apenas a mais recente nação católica que proíbe o aborto e tem excelentes registros de saúde materna a se tornar o assunto de pressão e falsas acusações de grupos que querem que o aborto seja um direito humano. As leis de Malta protegem os bebês em gestação sob todas as circunstâncias e em todas as fases de desenvolvimento, sem exceção.

Como outras organizações de direitos humanos criadas na Europa pós-guerra com a ameaça iminente dos abusos soviéticos de direitos humanos, a CIJ reformulou seu foco depois da extinção da União Soviética, e começou a promover o aborto como um direito humano.

Na última década, a CIJ também esteve na vanguarda da promoção de uma ampla variedade de novos direitos especiais para homossexuais, publicando os Princípios de Yogyakarta em 2007.

O relatório da CIJ sobre Malta acusa a ilha nação de negar à transgênera “Joanne Cassar, que é legalmente reconhecida como mulher (mas foi registrada como homem no nascimento)” o direito de se casar com outro homem. O Supremo Tribunal de Malta não encontrou tal direito, e o caso está agora pendente diante do Tribunal Europeu de Direitos Humanos.

O registro de direitos humanos de Malta será analisado em outubro pelo Conselho de Direitos Humanos com base em Genebra.

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* O Homem moderno confunde VERDADE com sinceridade.TODOS, assim, “tem razão” e Deus se torna dispensável.

terça-feira, abril 2nd, 2013

Dom Estevão Bettencourt (OSB)

O Homem precisa da religião para praticar o bem?


O mundo de hoje diz: «Em matéria de Religião, o essencial é o procedimento reto e bondade para com todos os homens. As questões de credo ficam sempre obscuras. Doutro lado, a celebração de ritos é secundária. Há muitas almas boníssimas que não praticam cerimonial algum».


Para julgar adequadamente o conteúdo das proposições acima, deveremos considerar de per si cada um dos dois aspectos que elas abordam :

1) Religião e Verdade,

2) Religião e culto externo.

1. Religião e Verdade


A mentalidade moderna tem posto em xeque não somente este ou aquele ensinamento do Cristianismo (a Divindade de Jesus, a presença real do Senhor na Eucaristia…), mas também o próprio conceito de «verdade religiosa»; quem professa alguma verdade em nome da Religião e quer defender os direitos que a mesma tem, de não ser equiparada ao erro, parece propugnar «dogmatismo» estreito, hedionda mesquinhez de espírito, diante da qual alguns contemporâneos «se escandalizam». Parece que em Religião o conceito de verdade é relativo; Religião seria, primariamente, manifestação do sentimento ou do bom senso de cada indivíduo, não, porém, algo que se possa e deva exprimir em fórmulas universais destinadas a serem reconhecidas por todos os homens. Cada um, por conseguinte, teria o direito de fazer «sua» religião, de acordo com seus critérios pessoais, e todos teriam a obrigação de dizer que as diversas formas de religião assim concebidas são boas, contanto que os respectivos adeptos pratiquem o bem.


«Praticar o bem», tal seria simplesmente o ideal do homem. A filosofia religiosa e a teologia seriam secundárias, seriam valores subjetivos, reservados ao foro particular de cada um.

Não teriam razão os que assim pensam ?


A resposta a esta questão decorrerá claramente de uma análise das causas de tal atitude. Ora parece que são três os motivos desse relativismo religioso.


1) O homem moderno está muito imbuído da mentalidade procedente dos métodos das ciências físicas e matemáticas; tais métodos, que se baseiam estritamente no visível e ponderável, parecem ao filho do nosso século ser os únicos que levem à posse segura da verdade; nos setores em que a pesquisa empírica não tem aplicação (como seriam os da metafísica e da teologia), julgam muitos pensadores que não se pode chegar à certeza.

Sendo assim, as proposições que não possam ser provadas por tais métodos (como é o caso das proposições religiosas) só parecem interessar ao sentimento e à vida afetiva de indivíduos; preconiza-se o respeito para com essas fórmulas; julga-se, porém, que são arbitrárias, válidas apenas para quem as queira adotar.


À luz desta concepção, tende-se a fazer das noções de Deus e das relações do homem com Deus (noções que não podem ser formuladas em laboratório), algo de cada vez mais vago e pálido; «Deus» e «Religião» se tornam, aos poucos, conceitos tão diluídos que muitos facilmente os removem, sem julgar que nisto haja algum detrimento real.

Paul Claudel o observava muito bem: «A tentação do homem moderno consiste em fazer crer que não é necessária a crença em Deus para se praticar o bem». O homem se consumaria na prática do bem igualmente, tendo ou não tendo Religião.


Com outras palavras ainda: em se tratando de Religião, a mentalidade cientificista moderna leva o homem a não se preocupar muito com a VERDADE; contenta-se apenas com SINCERIDADE ou com as disposições pessoais dos indivíduos «religiosos»; substitui-se assim a noção de verdade (valor objetivo) pela de sinceridade (valor subjetivo); julga-se que pouco importa o que alguém professa (catolicismo, protestantismo, espiritismo, budismo…), contanto que o professe sinceramente.


— Ora não é preciso grande esforço para se averiguar quão vã é tal posição.


A sinceridade com a qual alguém professa uma ideologia ou propugna uma causa, não é, de modo nenhum, argumento em favor dessa causa ; o fato de que há comunistas sinceros não justifica o comunismo, como também o fato de que há católicos sinceros ainda não justifica o Catolicismo. A sinceridade é uma disposição subjetiva, independente das qualidades do objeto ao qual ela se aplica; mesmo as causas mais desastrosas tiveram adeptos fanáticos, de cuja sinceridade não nos seria lícito duvidar.


Ninguém nega o valor da sinceridade ou da boa fé. A boa fé, porém, (disposição subjetiva) não dispensa o seu complemento necessário que é a verdadeira fé (ou a apreensão da realidade objetiva tal como ela é).


Em última análise, deve-se dizer que a atitude relativista do homem contemporâneo frente a tudo que é metafísico e religioso, significa decrepitude ou cansaço da mentalidade moderna: quem renuncia a verdades objetivas para se prender unicamente a critérios subjetivos na orientação de sua conduta, sofreu uma deformação em sua mentalidade. O homem que só admite certeza no setor das ciências positivas, fecha-se intencionalmente a toda uma ordem de coisas ainda mais ricas do que as coisas visíveis; os objetos sensíveis sugerem conclusões contingentes, muito sujeitas a ser reformadas (basta lembrar como os cientistas vão sucessivamente remodelando suas explicações dos fenômenos); ao contrário, a realidade que fica além do empírico, a realidade metafísica, é, como dizia o filósofo grego Aristóteles (+322 a. C.), «necessária, eterna e imutável», oferecendo, por isto, certeza tal que as ciências empíricas geralmente não conseguem obter.


Donde se vê que uma das tarefas mais prementes que incumbem ao homem moderno, é a de confiar de novo na sua inteligência; esta, utilizada sem preconceitos, indica ao estudioso a existência do Mistério ou de uma Inteligência transcendente; indica, sim, a existência de Deus e das realidades invisíveis; ora, não há dúvida, a inteligência humana, feita para captar a verdade, tem como vocação primária a apreensão de tais realidades não sujeitas à contingência da matéria. Não se justifica, portanto, o relativismo no setor religioso; existe o Mistério, mas existe também intelecto humano capaz de o apreender aos poucos. Cf. «P. R.» 8/1958, qu. 2.

Não repetimos aqui o que já foi dito em «P. R.» 20/1959, qu. 1, em favor das possibilidades de chegarmos ao conhecimento da verdade.


2) Outro motivo, afim ao anterior, que explica a indiferença moderna em relação à fé, é o primado que hoje em dia se atribui à ação e aos valores práticos, com detrimento para os valores especulativos. Muitos tendem a julgar o Cristianismo e, em particular, o Catolicismo pelas suas manifestações externas; em consequência, assim como há os que muito admiram a Igreja por causa dos benefícios (educação, instrução, morigeração…) prestados à humanidade, há também os que dela se afastam por causa de maus exemplos dados pelos cristãos; para não poucos contemporâneos a pior objeção existente contra a fé cristã é o comportamento decepcionante de irmãos tidos como católicos. Ao averiguá-lo, esses observadores julgam poder definir peremptoriamente a sua atitude de condenação; não consideram aquilo que a fé católica ensina, nem olham para os valores objetivos que a mesma encerra, independentemente da infidelidade dos seus pretensos adeptos.


— Ante tal tendência, o católico reconhecerá, sem hesitação, que a fé deve ser eficaz, que a conduta de vida há de ser coerente com a crença e que a verdade tem por fim transformar as almas; não há dúvida, nas origens do Cristianismo, foi o teor de vida exemplar dos cristãos que para muitos pagãos se tornou a prova palpável da origem divina da Igreja.


Mas, reconhecendo isso, o bom cristão não poderá deixar de lembrar aos seus observadores a distinção vigente entre a verdade em si e a conduta pessoal, subjetiva, dos que professam a verdade: «A verdade nada tem que ver com o número de pessoas que ela persuade», dizia Claudel muito sabiamente.


Sim; a verdade permanece de pé e tem sempre valor destinado a todos os homens, ainda que os filhos da verdade não lhe deem testemunho prático. A verdade não se desvirtua pelo fato de que não é traduzida por atos concretos. Ela fica sendo sempre capaz de transformar a vida de quem a abrace, embora este ou aquele indivíduo que a profere não leve, por fraqueza humana, uma conduta de vida consequente. «Muitas mentiras não extinguem a existência da verdade» (Daniélou).


3) Em terceiro lugar, como fator de indiferença perante a fé, pode-se apontar o orgulho de que muitas vezes está imbuído o cidadão do século XX.


Esse garbo desregrado se dissimula sob formas sutis. Em última análise, o homem contemporâneo sabe que quem aceita a fé, aceita ao mesmo tempo a irrupção, em sua vida, de Alguém que nunca mais o deixará entregue a si mesmo; aceitar a fé implica renunciar ao desejo que cada um tem de bastar a si, para aceitar a condição de ser englobado numa corrente de vida que talvez leve a pessoa a sair da sua mediocridade e a atingir objetivos mais elevados do que os que ela quisera atingir. Em outros termos: aceitar a Deus e aceitar o seu amor, como Ele se manifesta no Catolicismo, significa abraçar a perspectiva de ser desapossado da posição de «alfa e ômega» que cada um tende a atribuir a si mesmo. «Deus primeiro nos amou», diz S. João (1 Jo 4,10), de sorte que ao homem compete aceitar esse amor e corresponder-lhe dignamente.


Em suma: a fé a muitos aparece como uma ameaça à sede de autonomia que o filho do século XX traz em si. É por isto que grande número de nossos contemporâneos, sem ter a ousadia de renegar diretamente o Criador, preferem forjar o seu conceito «próprio» de Deus e de Religião; preferem dizer eles mesmos quem é o Senhor e como se chega até Ele, emancipando-se destarte de qualquer autoridade objetiva, devidamente credenciada para propor as verdades religiosas.


— Sem dificuldade, percebe-se quanto o homem moderno, nutrindo tal atitude, engana a si mesmo. Não pode haver Religião sem fé, sem adesão da razão a verdades de ordem superior, que o homem não abarca com sua exígua inteligência, mas que se lhe incutem por estarem devidamente credenciadas. Sim; deve-se levar em conta, de um lado, que Deus, por definição, é o Ser absoluto, infinitamente mais rico do que o homem; por conseguinte há de ter seus mistérios.

Doutro lado, tendo criado o homem por benevolência, Deus não podia deixar de lhe revelar algo de seus desígnios, assim como os meios necessários para que o homem volte ao Criador. Pois bem; tal revelação divina foi feita e há de ser aceita, por vias objetivas, por um magistério anterior e superior ao indivíduo, devendo este, por conseguinte, prestar fé. Não há dúvida, é mais cômodo ao intelecto humano criar ou inventar do que simplesmente aceitar a realidade religiosa já feita. Essa «comodidade», porém, é ilógica; desvirtua o conceito de Religião, pois Religião significa entrega do homem a Deus, Ser vivo, pessoal e transcendente. Será sempre preciso reconhecer que Deus precede o homem,… que há efeitos sobre os quais este não pode dispor, enfim… que ao homem toca necessariamente entrar numa ordem de coisas que ele não inventou.


De resto, observa-se que a fé de modo nenhum suprime a pesquisa racional; deixa aberto vasto campo de estudos ao qual se aplica a inteligência: basta lembrar quanto a Revelação cristã estimulou o desenvolvimento da Filosofia e da especulação intelectual na Idade Média. Do seu lado, a inteligência humana, aplicando-se logicamente ao estudo, chega à conclusão de que a única posição verdadeiramente razoável é a de quem tem fé. Sim; a razão aos poucos descobre a existência do Mistério e do Transcendente que está na raiz de toda a realidade; ora, tendo-o descoberto, é consentâneo com os seus próprios ditames que ela profira um ato de fé ou de adesão ao Mistério ou ao Absoluto.


2. Religião e culto divino


2.1. Mencionamos acima a marcante tendência do homem moderno à atividade. A multiplicação de tarefas que o progresso do saber e da técnica acarretou, parece solicitar toda a atenção do cidadão, não deixando lugar nem tempo para grandes manifestações religiosas. Dir-se-ia que as energias dedicadas aos atos religiosos são sequestradas à construção da cidade dos homens, cidade dos homens onde tanta miséria requisita incessante colaboração.


Vejamos os graves senões que nesse modo de pensar se encerram.


A essência da Religião e, em particular, do Cristianismo está em que o homem reconheça sua dependência em relação a Deus e se una o mais possível ao Senhor; o amor ao próximo e o alívio da sorte alheia têm que ser considerados como efluxos vivos desse amor a Deus.


Ora o homem não pode limitar suas relações com Deus ao plano do invisível, pois o ser humano é essencialmente um composto de alma e corpo, dotado de índole social; a vida do homem se desenvolve normalmente 1) mediante o uso de suas faculdades corpóreas e 2) em ambiente comunitário; cf. «P. R.» 15/1959, qu. 3.

Por isto deve-se dizer que o homem que não reserva periodicamente algum espaço de tempo para a oração (ou seja, para a procura explícita da união com Deus), e para a oração comunitária, tal homem não vive como homem; sua vida está mutilada. Pertencer à comunidade, aperfeiçoar-se na comunidade (família, escola, igreja, profissão civil ou religiosa…) são elementos essenciais à personalidade humana, elementos sem os quais esta definha.


Esta afirmação é corroborada pelo fato de que os homens sempre experimentaram a necessidade de consagrar mediante ritos coletivos ao menos as fases essenciais da sua existência, ou os atos nos quais lhes parece tocar o mistério de Deus e da vida: o nascimento (surto da vida), o casamento (contrato que visa multiplicar a vida) e a morte (extinção da vida); sempre que o homem se viu colocado diante da realidade básica, que é a vida, ele procurou entrar em contato com Deus de maneira comunitária e sensível.


De modo especial, o Cristianismo requer dos seus membros a prática dos sacramentos. Sim; o Cristianismo é essencialmente a Encarnação do Divino no humano. Em primeiro lugar, Cristo é o Filho de Deus feito homem; os que tomaram contato com a sua Divindade invisível, tomaram-no por meio da sua carne sensível. Por sua vez, a Igreja é a continuação da Encarnação; Cristo Lhe confiou os mistérios de Deus e da Redenção, que Ela traz encerrados dentro de moldes sensíveis e humanos; por isto ninguém pode tomar contato com as riquezas de Cristo a não ser por meio da estrutura visível ou dos sacramentos da Igreja. Quem despreza a Igreja por causa da índole sensível dos sacramentos, está-se afastando de Cristo e vai-se privando dos tesouros de santificação e Redenção que o Salvador nela depositou.


Pode-se dizer que Cristo é o Grande Sacramento ou o Sacramento primordial; Ele se fez Filho do homem para que o homem se tornasse filho adotivo de Deus; e, na qualidade de Filho do homem, multiplicou pães, transformou água em vinho, tendo em vista por essa via levar os homens até a sua Divindade, ou mesmo até o Pai Celeste. Ora os sacramentos não são senão água, pão, vinho, óleo, gestos e palavras que Cristo hoje em dia administra por meio da sua Igreja (ou do seu Corpo prolongado) a fim de comunicar aos homens a filiação divina. Em consequência, vê-se que anticristão seria querer afastar-se do plano sacramental; o cristão que o pretendesse, deixaria de ser cristão no sentido pleno da palavra, por muito que praticasse a beneficência para com os indigentes (não é preciso ser cristão para ter pena dos que sofrem; basta ter o senso humanitário ou filantrópico natural, que é comum a todos os indivíduos, antes mesmo que professem alguma crença religiosa positiva).


Não sem razão, pode-se julgar que a recusa do aspecto sacramental e ritual do Cristianismo é inspirada pelo orgulho do homem contemporâneo; o recurso aos elementos materiais e sensíveis (água, pão, vinho, óleo…) instituídos por Cristo como canais da graça parece ser algo de pequenino demais para o cidadão do século XX, o qual pouco compreende que Deus se revela aos humildes e pequenos (cf. Mt 11,25).


2.2. Dir-se-á, porém: apesar de tudo, não é mais útil e premente praticar a caridade (dando de comer a quem tem fome, vestindo a quem está desnudo.. .) do que ir à Missa e participar de assembleias litúrgicas ?


— Vista a necessidade da oração, e da oração coletiva (ou seja, do culto comunitariamente prestado a Deus), responderemos que por motivo nenhum o cristão poderá menosprezar esse culto, instaurado pelo próprio Cristo.


Os homens procuram construir as cidades dos homens neste mundo; mas, para que tais cidades tenham consistência, deverão deixar que Deus construa a Sua Cidade entre eles; se Deus não construir a Sua Cidade, nem os homens construirão a deles. Ora o Supremo Senhor edifica Sua Cidade por meio dos Sacramentos; é principalmente através destes que o Redentor age no mundo, comunicando-lhe valores eternos, que servirão de esteio para os valores temporais.


«O serviço explícito de Deus constitui uma experiência tão fundamental quanto o serviço do próximo. Estas duas exigências são igualmente incoercíveis. Um cristão se engana sempre que minimiza uma ou outra. O mundo não será digno deste nome se nele uma e outra não forem respeitadas. Um mundo sem adoração é mundo tão desumano quanto um mundo sem fraternidade. A verdadeira cidade, diz La Pira, é aquela em que Deus e o homem têm cada qual a sua casa» (J. Daniélou, Défense du pratiquant, em «Études» janv. 1958,12).


A construção da cidade dos homens e o culto do Deus não são incompatíveis entre si. É preciso mesmo dizer que, se os cristãos foram, nesta ou naquela fase da história, infiéis às suas tarefas sociais, isto não se deve a um presumido excesso de amor a Deus e à casa de Deus. É vã a censura, feita aos cristãos, de que a sua fé os subtrai aos afazeres temporais. As energias consagradas ao Senhor não são furtadas aos homens, porque, na verdade, o amor aos homens só é eficaz quando sustentado pelo amor a Deus e ao seu santuário.


2.3. Em último lugar, o observador não cristão poderia apontar o caso de mais de um cristão para quem a Religião se limita aos atos do culto… Há, sim, quem muito viva na igreja, sem pensar em aliviar a sorte do próximo na cidade. Tal tipo de fiéis não redunda em desabono do ritual cristão ?


— Na verdade, muito se deve lamentar a existência de tais cristãos. Sua atitude, pouco ou nada influente na vida social, em parte terá dado motivo à reação dos não católicos contra o culto católico. Contudo o proceder incoerente dos que vão à Missa, mas não difundem os frutos da Missa no mundo, ainda tem significado: exprime na sociedade o desejo de não romper com Deus, mas de manter contato com Ele.


«Não louvarei o cristão para quem o Cristianismo se reduz a alguns atos religiosos. Mas também não lhe atirarei a primeira pedra. Nele respeitarei o pavio que ainda fumega, o caniço que pode ser reerguido. Quando essa chamazinha se tiver extinto por completo teremos entrado no mundo das trevas, da morte espiritual, dos casamentos meramente civis e dos enterros meramente civis. Vivemos num mundo em que pode haver dedicação aos interesses da humanidade, do progresso ou da ciência, mas em que essa dedicação imola vidas humanas ao monstruoso ídolo que é o orgulho coletivo do homem» (J. Daniélou, ibd. 6).


À guisa de comentário, seja lícito repetir: o cristão que frequenta o culto, mas não irradia devidamente a sua caridade no convívio social, é certamente merecedor de censura; contudo ele ainda constitui de certo modo um testemunho contra a total laicização da vida humana (casamentos e enterros meramente civis), laicização que está em frontal oposição às concepções mais espontâneas da natureza humana, como já tivemos ocasião de notar (cf. pág. 281).


Para sintetizar quanto até aqui foi dito, parece não haver melhor conclusão do que a que um profundo e equilibrado observador de nossos tempos assim formula:

«Está claro que, se não há Cristianismo sem sacramentos, os sacramentos não bastam para fazer um verdadeiro cristão. A prática dos sacramentos é a condição primária, sem a qual não existe Cristianismo autêntico. É por isto que a diminuição da mesma será sempre grave sintoma; contudo a prática sacramental é apenas um ponto de partida. De um lado, a carência de prática sacramental é motivo de condenação para aqueles que desprezam os sacramentos; de outro lado, porém, a prática sacramental por si só não justifica aqueles que deixam infecundos os sacramentos» (J. Daniélou, ibd. 13).

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* O que pensa o Papa Francisco sobre…

segunda-feira, março 25th, 2013


O MUNDO E A FÉ SEGUNDO O PAPA FRANCISCO

REVISTA VEJA  - 20 de março de 2013 – edição 2313 – ano 46 – n°12, pgs. 70/71

Como arcebispo de Buenos Aires, o novo pontífice refletiu com clareza sobre questões fundamentais do cotidiano

CRENÇA

A Igreja defende a autonomia das questões humanas. Uma autonomia saudável é uma laicidade saudável, em que se respeitam as diferentes competências. A Igreja não vai diz, aos médicos como devem realizar uma operação. O que não é bom é o laicismo militante, aquele que toma uma posição antitranscendental ou que o religioso não saia da sacristia. A Igreja dá os valores, e os outros que façam o resto.

DEUS

“Ao homem de hoje lhe diria que faça a experiência de entrar na intimidade para conhecer a experiência, o rosto de Deus. Por isso me agrada tanto o que disse Jó depois de sua dura experiência e de diálogos que não lhe esclareceram nada: ‘Antes eu te conhecia só por ouvir falar, mas agora eu te vejo com meus próprios olhos’. Ao homem, digo que não conheça a Deus de ouvidos. O Deus vivo é aquele que se vê com seus olhos, dentro de seu coração.”

DIVÓRCIO

“A discussão em torno do divórcio é diferente daquela do matrimônio de pessoas do mesmo sexo. A Igreja sempre repudiou a lei do divórcio, mas há antecedentes antropológicos distintos neste caso. (…) É um valor muito forte no catolicismo o casamento até que a morte os separe. Hoje, contudo na doutrina católica, lembra-se a seus fiéis divorciados e recasados que eles não estão excomungados – ainda que vivam em uma situação à margem do que exigem a indissolubilidade matrimonial e o sacramento do matrimônio – e é pedido a eles que participem da vida paroquial.”

ABORTO

“O problema moral do aborto é de natureza pré-religiosa. No momento da concepção está o código genético da pessoa. Ali já existe um ser humano. Separo o tema do aborto de qualquer – concepção religiosa. É um problema científico. Não permitir o desenvolvimento de um ser que já dispõe do código genético de um ser humano não é ético. Abortar é matar alguém que não pode se defender.”

ATEÍSMO

“Quando eu me encontro com pessoas ateias, compartilho com elas as questões humanas, mas não coloco logo de cara em discussão a questão de Deus, exceto se elas me incitam a isso. Quando isso ocorre, eu explico a elas por que creio. (…) Não pretendo fazer proselitismo – eu as respeito e me mostro como sou. (…) Não tenho nenhum tipo de reticências. Não diria que um ateu está condenado porque estou convencido de que não tenho o direito de julgar sua honestidade – sobretudo se ele tiver virtudes, aquelas que engrandecem as pessoas. De toda forma, conheço mais gente agnóstica do que ateia. O agnóstico duvida; o ateu está convencido. Temos de ser coerentes com a mensagem que recebemos da Bíblia: todo homem é a imagem de Deus, seja ele crente ou não. Por essa única razão, tem uma série de virtudes, qualidades, grandezas. Caso tenha baixezas, como eu também as tenho, podemos compartilhá-Ias para nos ajudarmos mutuamente a superá-Ias.”

CIÊNCIA

“A ciência tem sua autonomia, que deve ser respeitada e encorajada. Não se deve interferir na autonomia dos cientistas. Exceto se extrapolarem seu campo de atuação e se envolverem com o transcendente. A ciência é fundamentalmente instrumento do mandato de Deus, que disse: ‘Tenham muitos e muitos filhos, espalhem-se por toda a terra e a dominem’. Dentro de sua autonomia, a ciência transforma a incultura em cultura. Mas cuidado: quando a autonomia da ciência não põe limites a si mesma e vai além, ela pode sair das mãos de sua própria criação. É o mito de Frankenstein.”

IGREJA

“Uma coisa boa que aconteceu com a Igreja foi a perda dos Estados Pontifícios, porque deixa claro que a única posse do papa é meio quilômetro quadrado. Mas, quando o papa era rei temporal e rei espiritual, aí se misturavam as intrigas de corte e tudo isso. Agora não se misturam? Sim, ainda existe isso, porque existe ambição em homens da Igreja, existe – lamentavelmente – pecado de carreirismo. Somos humanos e nos tentamos, temos de estar muito atentos para cuidar da unção que recebemos, porque ela é um presente de Deus. As disputas pelo poder, que existiram e existem na Igreja, se devem a nossa condição humana. Mas, nesse momento, a pessoa deixa de ser eleita para o serviço e se converte em uma pessoa que escolhe viver como quer e se mistura com o lixo interior.”

“Um líder religioso pode ser muito forte, muito firme, mas isso sem exercer a agressão. Jesus disse que aquele que manda deve ser como aquele que serve. Para mim, essa ideia é válida para a pessoa religiosa de qualquer credo. O verdadeiro poder de uma liderança religiosa vem de seu serviço. Quando deixa de servir, o religioso se transforma em um mero gestor, em um agente de ONG. O líder religioso compartilha, sofre, serve a seus irmãos.”

PEDOFILIA

“Que o celibato traga como consequência a pedofilia está descartado. Mais de 70% dos casos de pedofilia se dão no entorno familiar e na vizinhança: avôs, tios, padrastos e vizinhos. O problema não está vinculado ao celibato. Se um padre é pedófilo, ele o é antes de ser padre. Agora quando isso ocorre, jamais se deve fazer vista grossa. Não se pode estar em uma posição de poder e destruir a vida de outra pessoa. (…) Não creio em posições que pleiteiam sustentar certo espírito corporativo para evitar danos à imagem da instituição. Esta solução creio que foi proposta certa vez nos Estados Unidos: mudar os padres de paróquia. Isso é uma estupidez porque, dessa forma, o padre leva o problema na bagagem. A reação corporativa leva a tal consequência, por isso não concordo com essas medidas. Recentemente, na Irlanda, foram revelados casos após vinte anos, e o papa disse claramente: ‘Tolerância zero com este crime’. Admiro a valentia e a retidão de Bento XVI sobre esse assunto.”

TENTAÇÃO

“A vida cristã também é uma espécie de atletismo, de disputa, de corrida, em que é preciso se desvencilhar das coisas que nos separam de Deus. Além disso, quero salientar que uma questão é o demônio e outra é demonizar as coisas ou as pessoas. O homem está sob tentação constante, mas não é por isso que remos de demonizá-lo.”

UNIÃO HOMOSSEXUAL

“Não sejamos ingênuos: não se trata de uma simples luta política. Pretende-se a destruição do plano de Deus. É uma jogada do pai da mentira para confundir e enganar os filhos de Deus.”

********************************************

O padre biblista Matteo Crimella fala sobre o livro Sobre el cielo y la tierra, escrito a quatro mãos pelo então arcebispo de Buenos Aires, Bergoglio, e pelo rabino Skorka.

O artigo foi publicado no sítio Missionline, 16-03-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.


Entre os muitos dons que o Senhor me deu, um deles se destaca sobre todos: eu vivi por nada menos do que seis anos em Jerusalém, debruçado sobre os textos do Antigo e do Novo Testamento, observando e medindo com os meus olhos cada pedra da cidade santa. Para uma pessoa curiosa e apaixonada por livros, Jerusalém é um paraíso: há lugares (muitas vezes simples porões muito desordenados) onde se encontra todo tipo de livros, em todas as línguas do mundo.

Nos anos em que eu vivia na cidade santa, eu me permitia a satisfação de uma visita às livrarias, sem nunca me decepcionar. No verão passado, o livreiro (um sorridente judeu de origem polonesa) me informou que haviam recém-esvaziado o apartamento de um professor de língua espanhola.

Eu desci na grande loja e olhei intrigado, mas só encontrei um livro que me interessava, Sobre el cielo y la tierra, escrito a quatro mãos pelo arcebispo de Buenos Aires, Bergoglio, e pelo rabino-chefe da cidade, Skorka (Jorge Bergoglio e Abraham Skorka, Sobre el cielo y la tierra, Editorial Sudamericana, Buenos Aires, 2010, 220 páginas).

Olhei o índice, li a contracapa, descobrindo que ambos haviam estudado química, passei pelo primeiro capítulo intitulado “Sobre Dios” e decidi comprá-lo. No dia 13 de março à noite, depois do habemus papam, fui pescá-lo novamente na minha biblioteca e li-o de uma vez só.

O livro reúne os diálogos que ocorreram entre o cardeal e o rabino a propósito de vários temas: Deus, os ateus, as religiões e o seu futuro, os discípulos, a oração, o pecado, a morte, a mulher, o aborto, a educação, a política, o dinheiro, o Holocausto, o diálogo inter-religioso, em um total de 29 breves capítulos nos quais os dois discutem.

Na introdução, o rabino afirma que o diálogo é um exercício em que “a alma de um se reflete na do outro”. Além disso, evocando um baixo-relevo no frontispício da Catedral Metropolitana de Buenos Aires, que representa o abraço de José, vice-rei do Egito, com os seus irmãos, o líder da comunidade hebraica reafirma o valor da “cultura do encontro”. De fato, no diálogo, cada um é ele mesmo, o cardeal com a sua identidade católica, e o rabino com judaica, mas juntos se confrontam e se enriquecem mutuamente.

O que emerge daí? Bergoglio fala de si, do seu encontro com Deus, Ele não esconde ter feito um itinerário marcado por luzes e sombras, passando por consolações e desolações (segundo uma linguagem tipicamente inaciana e, portanto, jesuítica). Afirma: “Minha experiência de Deus se dá no caminho, na busca, no deixar-me buscar”. A partir desta experiência tão intensamente pessoal, Bergoglio olha para o mundo.

A propósito dos ateus, ele diz: “Quando me encontro com pessoas ateias, compartilho as questões humanas, mas não lhes proponho de entrada o problema Deus, exceto no caso em que elas me o proponham. Se isso ocorre, eu lhes conto por que eu acredito. Mas o humano é tão rico para compartilhar, para trabalhar, que tranquilamente podemos complementar mutuamente as nossas riquezas. Como sou crente, sei que essas riquezas são um dom de Deus”.

Skorka, referindo-se ao pensamento de Maimônides, ecoa a sua afirmação dizendo: “Podemos conhecer suas fórmulas [da perfeição da natureza], mas não a sua essência”. Bergoglio continua: “Creio que quem adora a Deus tem, nessa experiência, um mandato de justiça para com seus irmãos. É uma justiça sumamente criativa, porque inventa coisas: educação, promoção social, cuidado, alívio etc. Por isso, o homem religioso íntegro é chamado de homem justo, leva a justiça para os demais. Nesse aspecto, a justiça do religioso ou da religiosa cria cultura. Não é a mesma coisa a cultura de um idólatra que a cultura que uma mulher ou um homem que adoram o Deus vivo criam.(…) Hoje, por exemplo, temos culturas idólatras em nossa sociedade: o consumismo, o relativismo e o hedonismo”.

A centralidade do mistério de Deus e da relação com ele surge quando o cardeal reflete sobre os líderes religiosos: “Os grandes líderes do povo de Deus foram homens que deixaram lugar à dúvida. (…) Moisés é o personagem mais humilde que houve sobre terra. Diante de Deus, não resta nada mais do que a humildade, e aquele que quer ser líder do povo de Deus tem que dar espaço a Deus; portanto, apequenar-se, esvaziar a si mesmo com a dúvida, com as experiências interiores de escuridão, de não saber o que fazer. (…) Uma das características do mau líder é ser excessivamente prescritivo pela autossegurança que tem”.

O rabino ecoa a sua afirmação sem qualquer problema: “A própria fé [judaica] deve se manifestar por meio de um certo sentimento de dúvida. (…) Posso ter 99,99% de certeza sobre Ele [Deus], mas nunca 100%, porque vivemos buscando-O”.

Bergoglio demonstra ser um homem muito aberto, mas ao mesmo tempo têm ideias claras sobre a Igreja. Ele se distancia fortemente daqueles que gostariam de reduzi-la a uma agência social: “Eu acredito que [a liderança] de uma congregação [religiosa] não pode se assimilar à de uma ONG. Em uma ONG, a palavra santidade não entra. Deve haver, sim, um comportamento social adequado, honestidade, uma ideia de como ela vai levar adiante a sua missão, uma lógica para dentro. Pode funcionar dentro da sua laicidade. Mas, na religião, a santidade é inevitável em seu líder”.

São muitas as referências à experiência pastoral do arcebispo de Buenos Aires. A propósito da formação dos candidatos ao sacerdócio, o cardeal recorda as escolhas feitas na sua diocese, mas o pensamento vai mais longe: “Nós aceitamos no seminário, aproximadamente, somente cerca de 40% dos que se postulam. (…) Por exemplo, existe um fenômeno psicológico: patologias ou neuroses que buscam seguranças externas. Há alguns que sentem que, por si mesmos, não vão ter êxito na vida e buscam corporações que os protejam. Uma dessas corporações é o clero.

Com relação a isso, estamos com os olhos abertos, tentamos conhecem bem as pessoas que demonstram interesse, fazemos testes psicológicos com elas em profundidade antes que ingressem no seminário. Depois, na consciência de um ano prévia ao ingresso, durante todos os fins de semana, vai-se vendo e se discerne entre as pessoas que têm vocação e aquelas que, na realidade, não são chamadas, mas buscam um refúgio ou se equivocam na percepção da vocação”.

Um dos pontos mais tocantes do diálogo é quando o rabino e o bispo tocam no tema da oração. “A oração deve servir para unificar o povo, é um momento em que todos dizemos exatamente as mesmas palavras”: é assim que o rabino Skorka inicia o seu discurso sobre uma realidade tão pessoal que é difícil discutir a respeito publicamente, talvez até mesmo articular algumas palavras.

Bergoglio
está em sintonia: “Rezar é um ato de liberdade”. E continua: “A oração é falar e ouvir. Há momentos que são de profundo silêncio, ´de adoração, esperando que o tempo passe”. Depois, ele cita o exemplo de Abraão, que intercede por Sodoma e Gomorra, e de Moisés que reza pelo povo.

Sobre os tradicionalistas (os lefebvrianos têm um seminário e algumas igrejas na Argentina) o juízo de Bergoglio é claro: ele define os “pequenos grupúsculos restauracionistas” como “fundamentalistas”, e acrescenta: “Esse tipo de religiosidade, muito rígida, se disfarça com doutrinas que pretendem dar justificações, mas, na realidade, privam da liberdade e não deixam que as pessoas cresçam. Em grande parte, terminam na vida dupla”.

Quando o discurso aborda as grandes ideologias do século XX, o cardeal é explícito: “O cristianismo condena com a mesma força tanto o comunismo quanto o capitalismo selvagem. (…) Um exemplo claro é o que acontece com o dinheiro que foge para o exterior. O dinheiro também tem pátria, e aquele que explora uma indústria no país e leva o dinheiro embora para guardá-lo fora está pecando. Porque não honra com esse dinheiro o país que lhe dá a riqueza, o povo que trabalha para gerar essa riqueza”. E acrescenta, a propósito da lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas: “Não se pode aceitar o dinheiro manchado com sangue”.

Significativa é a passagem sobre a riqueza da Igreja: “Sempre se fala do ouro do Vaticano, mas isso é um museu. Também é preciso distinguir o museu da religião. Uma religião precisa de dinheiro para manejar as suas obras, e isso se faz através de instituições bancárias, não é ilícito. (…) O que entra em doações ou por visitas a museus vai para leprosários, para escolas, para comunidades africanas, asiáticas, americanas”. Mas, depois, lembrando o martírio de São Lourenço e a sua defesa dos pobres de Roma, ele afirma: “Os pobres são o tesouro da Igreja e é preciso cuidá-los; e se não temos essa visão, construiremos uma Igreja medíocre, morna, sem força”.

O diálogo entre um rabino e um cardeal não podia não tocar nas relações entre judeus e cristãos, e a tragédia do Holocausto. A esse propósito, Bergoglio reitera a doutrina do Vaticano II: “Efetivamente, não se pode falar de um povo deicida”. Mas, depois, com a franqueza extrema, admite que na Argentina há alguns eclesiásticos antissemitas, mas declara resolutamente: “Hoje a política da Igreja argentina é clara: diálogo inter-religioso”.

Sobre o futuro das religiões, o olhar prospectivo afunda suas raízes na história: “Se olharmos para a história, as formas religiosas do catolicismo variariam notoriamente. Pensemos, por exemplo, nos Estados Pontifícios, onde o poder temporal estava unido ao poder espiritual. Era uma deformação do cristianismo. Não correspondia ao que Jesus quis e ao que Deus quer. Se, ao longo da história, a religião teve tanta evolução, por que não pensar que, em um futuro, ela também se adequará com a cultura do seu tempo? O diálogo entre a religião e a cultura é chave, já afirmava o Concílio Vaticano II. Desde o princípio pede-se da Igreja uma contínua conversãoEcclesia semper reformanda – e essa transformação adquire diversas formas ao longo do tempo, sem afetar o dogma”.

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* Uma entrevista que foca a relação da Fé religiosa (não só católica) e a modernidade.

sábado, março 23rd, 2013

Entrevista com o filósofo Luiz Felipe Pondé sobre a Igreja Católica, Papado, Relativismo, Verdade.
A Entrevista foi feita ANTES da eleição do Papa Francisco e ele se coloca muito bem, com uma predominância pela visão laical.

Suas ponderações são muito interessantes, embora alguns pontos exijam reflexão.

O tema da entrevista é amplo, focado mais na relação da religião com a modernidade. O resultado final porem é MUITO POSITIVO.

Assista, pois vale a pena.

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* A Igreja de Cristo é a Igreja católica e a Igreja católica é a Igreja de Cristo!

sexta-feira, março 8th, 2013

Dom Henrique Soares

O Concílio Vaticano II afirmou na Lumen Gentium 8 que “a Igreja de Cristo subsiste na Igreja católica”. O recente documento da Congregação para a Doutrina da Fé explicou de modo claro o significado de tal expressão. Apresento agora o comentário da própria Congregação a esta frase e às questões do Documento referentes a ela:

“Como se deve entender que a Igreja de Cristo subsiste na Igreja católica.

Quando G. Philips escreveu que a expressão “subsistit in” faria “correr rios de tinta”, provavelmente não previa que a discussão haveria de continuar por tanto tempo e com tal intensidade, a ponto de levar a Congregação para a Doutrina da Fé a publicar o presente documento.

Uma tamanha insistência, aliás fundada em textos conciliares e do Magistério sucessivo citados, reflete a preocupação de salvaguardar a unidade e unicidade da Igreja, que viriam a faltar, se se admitisse que possam existir mais subsistências da Igreja fundada por Cristo. De fato, como se diz na Declaração Mysterium Ecclesiae, se assim fosse, chegar-se-ia a imaginar “a Igreja de Cristo como a soma – diferenciada e, de algum modo, unitária ao mesmo tempo – das Igrejas e Comunidades eclesiais” ou a “pensar que a Igreja de Cristo hoje já não existe em parte alguma e que, portanto, deva ser só objeto de procura da parte de todas as Igrejas e comunidades”. A única Igreja de Cristo já não existiria como una na história ou existiria apenas de forma ideal, ou seja in fieri, numa futura convergência ou reunificação das diversas Igrejas irmãs, desejada e promovida pelo diálogo.

Mais explícita ainda é a Notificação da Congregação para a Doutrina da Fé sobre os escritos de Leonardo Boff, segundo o qual, a única Igreja de Cristo “pode também subsistir noutras Igrejas cristãs”. Invés – observa a Notificação –, “o Concílio adotou a palavra ‘subsistit’, precisamente para esclarecer que existe uma só ‘subsistência’ da verdadeira Igreja, ao passo que, fora da sua composição visível, existem apenas “elementa Ecclesiae” (elementos da Igreja), que – por serem elementos da própria Igreja – tendem e conduzem para Igreja católica”.

Porque se empregou a expressão “subsistit in” e não o verbo “est”.

Foi precisamente esta mudança de terminologia, na descrição da relação entre a Igreja de Cristo e a Igreja católica, que deu ocasião às mais diversas ilações, sobretudo no campo ecumênico. Na realidade, os Padres conciliares simplesmente entenderam reconhecer a presença, nas Comunidades cristãs não católicas enquanto tais, de elementos eclesiais próprios da Igreja de Cristo. Daí resulta que a identificação da Igreja de Cristo com a Igreja católica não se deve entender come se, fora da Igreja católica, exista um “vazio eclesial”. Ao mesmo tempo, significa que, se se considera o contexto em que se situa a expressão subsistit in, ou seja, a referência à única Igreja de Cristo “neste mundo constituída e organizada como uma sociedade… governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele”, a passagem do est ao subsistit in não assume especial significado teológico de descontinuidade com a doutrina católica precedente.

Ora, porque a Igreja assim querida por Cristo continua de fato a existir (subsistit in) na Igreja Católica, a continuidade de subsistência comporta uma substancial identidade de essência entre Igreja de Cristo e Igreja católica. O Concílio quis ensinar que a Igreja de Jesus Cristo, como sujeito concreto neste mundo, pode ser encontrada na Igreja católica. Isso só se pode realizar uma vez, pelo que a concepção, segundo a qual o “subsistit” deveria multiplicar-se, não traduz propriamente o que se entendia dizer. Com a palavra “subsistit”, o Concílio queria exprimir a singularidade e a não multiplicabilidade da Igreja de Cristo: a Igreja existe como único sujeito na realidade histórica.

Portanto, a substituição de “est” com “subsistit in”, contrariamente a tantas interpretações sem fundamento, não significa que a Igreja católica abandone a convicção de ser a única verdadeira Igreja de Cristo, mas simplesmente significa uma sua maior abertura à particular exigência do ecumenismo de reconhecer o caráter e dimensão realmente eclesiais das Comunidades cristãs não em plena comunhão com a Igreja católica, graças aos “plura elementa sanctificationis et veritatis” (vários elementos de santificação e de verdade) nelas presentes. Por conseguinte, embora a Igreja seja só uma e “subsista” num único sujeito histórico, também fora deste sujeito visível existem verdadeiras realidades eclesiais”.

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* Se a Bíblia é uma só, porque os cristãos divergem?

sábado, março 2nd, 2013

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)

1. A raiz do mal

1.1. Para explicar a atual divergência de crenças cristãs, levar-se-ão em conta dois fatores capitais:

1) uma observação geral impõe-se imediatamente: tudo que é humano, é sempre marcado pelo cunho do individual; o homem tende sempre a imprimir sua índole pessoal às suas palavras e às suas obras. Até mesmo a Religião (diríamos mesmo: de modo particular, a Religião) é afetada por essa tendência, pois é professada e vivida por homens. Com efeito, a Religião, em virtude da sua finalidade de unir o homem com Deus (o Valor Máximo), solicita a personalidade toda da criatura, fazendo-a vibrar com tudo que ela tem de mais íntimo ; os temperamentos mais diversos (exaltados ou melancólicos, místicos ou racionalistas) se exprimem espontaneamente através das fórmulas religiosas, chegando por vezes a tomar atitudes apaixonadas, pois a Religião toca os mais profundos anelos do homem.

Ainda por outro motivo a Religião é setor em que muito facilmente prorrompem os subjetivismos humanos: toda profissão de fé religiosa tem de per si consequências na vida prática do respectivo sujeito; ora, se este se acha preso a certos hábitos dos quais não tenha a coragem de se desvencilhar, tal indivíduo, consciente ou inconscientemente, tende a conceber a sua Religião ou a sua «fé» de modo tal que não interfira na sua conduta de vida. A experiência o comprova bem: é comum encontrarem-se pessoas que, embora sejam inteligentes e cultas, rejeitam verdades óbvias ou comumente aceitas, fazendo a sua religião própria, ou simplesmente abandonando toda crença religiosa, a fim de não desdizerem ao gênero de vida que levam.

2) Conhecedor dessa índole natural do homem, o Senhor Deus, querendo entregar às criaturas a sua Palavra de Verdade e Vida, houve por bem muni-la de um meio que a preservasse dos mal-entendidos. Com efeito; instituiu um magistério visível, órgão de interpretação autêntica, que, por assistência do próprio Deus, seria capaz de guardar e transmitir a todas as gerações o genuíno sentido da Palavra Revelada. Tal magistério é o da Santa Igreja de Cristo, a qual desde os tempos de Jesus até hoje ininterruptamente se faz ouvir.

Uma parte da Verdade divina revelada por via meramente oral foi no decorrer dos tempos consignada por escrito, a fim de atender a necessidades ocasionais dos fiéis desta ou daquela região, desta ou daquela época; assim é que surgiram paulatinamente, desde os tempos de Moisés (séc. XIII a.C.) até os de São João Evangelista (fim do séc. I d. C.), os escritos (narrativas, cartas, pequenos livros didáticos) do Antigo e do Novo Testamento ou da Escritura Sagrada (Bíblia); os respectivos autores nunca tiveram a intenção de resumir nesses escritos toda a Revelação Divina, mas apenas quiseram focalizar aspectos da mesma, em vista de circunstâncias esporádicas do povo de Deus; em torno desses livros, permanecia o conjunto da Revelação Divina, a ser transmitida oralmente de geração em geração; deve-se mesmo dizer que essa tradição oral (guardada fielmente por assistência do Espírito Santo) ficava sendo o critério para se interpretar a Escritura Sagrada.

Anterior à Bíblia, a tradição oral é como que a mãe da Bíblia, mãe sem a qual a Escritura não pode ser devidamente entendida. Ora — seja lícito repetir — essa tradição ainda hoje vive e é afirmada pelo ensinamento oficial da Santa Igreja.

Eis, porém, que no séc. XVI, após outros pretensos reformadores menos importantes, Lutero tomou como base de uma nova forma de Cristianismo o princípio de que a Bíblia é fonte de doutrina, fonte capaz de se explicar a si mesma sem as luzes do magistério da Igreja. Com isto, o «Reformador» esperava conseguir um Cristianismo preservado de qualquer possível corrupção humana: Lutero julgava que a Igreja e as gerações de cristãos anteriores haviam errado decisivamente e que lhe cabia o privilégio de «redescobrir» o Evangelho.

Como se podia prever, porém, este parecer comprovou-se ilusório.
E como ?

Entende-se que, se Lutero atribuía a si o direito de se emancipar do magistério da Igreja para se tornar novo «mestre», muitos discípulos seus, nos séculos subsequentes, se julgaram habilitados a fazer outro tanto em relação ao «Reformador», de sorte que novos «Luteros» ou novos «Reformadores»— Reformadores da própria Religião reformada — foram surgindo (Wesley, Smith, Helen White…); assim o processo de reformar o Cristianismo se foi ramificando e ampliando em ritmo crescente até nossos dias, quando chega a haver mais de oitocentas seitas, sem que se possa prever o termo final do afã de «redescobrir» o Evangelho. A causa dessa multiplicação de reformas e seitas é, antes do mais, a renegação de um magistério visível, instituído por Deus e independente do senso subjetivo dos «videntes» (que não podem deixar de surgir na história dos séculos).
Em consequência, percebe-se claramente o dilema:

a) ou o cristão aceita a Escritura Sagrada com a Revelação oral que a antecedeu e a acompanha e sem a qual a Escritura não pode ser mantida acima dos subjetivismos humanos,

b) ou o cristão, consciente ou inconscientemente, chega a renegar o Cristianismo inteiro, guardando apenas palavras e rótulos que só encobrem as concepções individualistas e mais ou menos contraditórias de tais ou tais «videntes».

Basta lembrar que foi justamente das escolas protestantes que procederam os exegetas liberais modernos, os quais mutilaram a Escritura Sagrada e chegaram a negar a Divindade de Cristo.

1.2. A esta altura, porém, talvez diga alguém: «Então requer-se fé, e fé na face humana da Igreja, para abraçar o Cristianismo !»

– Não há dúvida alguma responde o fiel católico. «O justo vive da fé», afirma o Apóstolo três vezes (cf. Gál 3,11; Rom 1,17; Hebr 10,38), repetindo palavras do profeta Habacuque (cf. Hab 2,4). A fé é a artéria central da vida cristã.
— Mas… fé não somente em Deus? Fé também na Igreja visível ?

— Sim. Note-se que o mistério donde o Cristianismo deriva seu nome, é o mistério de Cristo ou o mistério de Deus feito homem; Deus se dignou falar aos homens na plenitude dos tempos — assim como já antes, no Antigo Testamento — por meio de sinais humanos, ou seja, de maneira objetiva, perceptível a todos; é bem lógico, por conseguinte, que também após a vinda de Cristo o Todo-Poderoso não queira ser atingido senão através dessa realidade divino-humana que é o Cristo prolongado em seu Corpo Místico ou a Igreja Esta enquanto Cristo nela vive, é uma sociedade sobrenatural infalível; enquanto, porém, é representada por homens e tem uma face humana (o mistério da Encarnação consistiu justamente em colocar o Divino dentro do humano), é marcada pelas deficiências inerentes aos homens; essas deficiências porem, não contaminam em absoluto sua pureza intrínseca nem impedem que a Igreja, por seus ministros, comunique aos homens a multiforme graça de Deus (como a carne de Cristo padecente e mortal não foi empecilho, mas, ao contrário fator positivo, para que Deus se entregasse ao gênero humano).

De resto, o Senhor não exige que a fé prestada à Igreja seja uma fé cega. A todo homem toca o direito de examinar as credenciais da Santa Igreja Católica, antes de professar adesão a esta ; fazendo isto, o estudioso verifica que o próprio Cristo nos Evangelhos dotou a Igreja de um magistério infalível (cf. Mt 16,17-19 ; 28,19s ; Lc 22,31s) ; verifica outrossim que a existência deste magistério é comprovada pela história dos fatos, pois, sempre que os homens quiseram denegar fé à face humana e visível da Igreja, para tributá-la apenas a Cristo e aos Evangelhos, nem sequer guardaram fé no Cristo e nos Evangelhos, mas retorceram de diversos modos a mensagem cristã.

Mais amplas considerações sobre o magistério da Igreja se encontram em «P. R.» 13/1959, qu. 2; 14/1959, qu. 2 e 3.

2. Breve reflexão sobre a divisão entre cristãos

2.1. A história dá a ver que na origem das divisões entre os discípulos de Cristo estão geralmente alguns fatores clássicos, que se poderiam assim discriminar: em determinada época, um cristão julga que seus irmãos na fé, até mesmo os que mais autoridade possuem, estão errando por seu gênero de vida e pelo seu modo de entenderem a mensagem de Cristo. Tal cristão então, inspirado por grande fervor, concebe um Cristianismo reformado, puro, que ele pretende justificar mediante proposições do Evangelho. Esse homem bem intencionado, porém, deixa-se empolgar ou obcecar por seu ideal; aos poucos coloca a sua intuição acima de qualquer exigência da caridade; deixa que o espírito de crítica nele prepondere sobre o amor ao próximo; com isto corrói mais do que conserta ; por fim sequestra-se da massa dos «pecadores cristãos», levando consigo um grupo de discípulos, com os quais passa a constituir uma «igrejinha» ou uma seita própria… É isto, sim, o que acontece quando o homem se guia pela razão sem atender ao coração ou quando a inteligência gera uma espécie de intelectualismo frio, unilateral; desencadeia-se então a ruptura e forma-se um novo credo entre os cristãos. Jacques Maritain diz muito acertadamente : «Se, em vez de ficar no coração, a pureza sobe à cabeça, ela produz sectários e hereges» (Humanisme intégral 265).

Não há dúvida, na origem dos cismas sucessivamente verificados entre os cristãos no decorrer dos séculos, encontra-se um núcleo de verdade ou uma intuição sadia. O mal, porém, consistiu em que esta absorveu a atenção dos respectivos «iluminados», a ponto de fazer fermentar os ânimos e violar as exigências da caridade, a qual é prudente e paciente.
São palavras do Sto. Padre o Papa Pio XI:

«Todas as vezes que o zelo reformador… se tornou expressão e explosão da paixão, turvou em lugar de esclarecer, destruiu em vez de construir, e mais de uma vez veio a ser o ponto de partida para aberrações mais fatais do que os males que se pretendiam sanear» (ene. «Mit brennender Sorge», 14 de março de 1937. Acta Apostolicae Sedis 1937, pág. 154).

Para o cristão, não pode haver autêntica renovação senão em comunhão com o todo ou com o grande Corpo da Igreja ; os verdadeiros místicos ou iluminados (como S. Francisco de Assis, S. Domingos, S. João da Cruz, Sta. Teresa de Jesus…) conseguiram sempre resultados estupendos de reavivamento cristão, mostrando-se humildes e guardando reverência para com as autoridades da Igreja (estas, em última análise, são instituídas por Deus e, ainda que não sejam sempre pessoalmente santas, não deixam de ser instrumentos manejados pelo Senhor e portadores da respectiva graça de estado).

Em poucas palavras, a mentalidade que o reformador cismático nutre em seu íntimo se poderia assim traduzir: «A Igreja errou; eu, porém, não estou errando ; prevaleça, por conseguinte, meu ponto de vista, ainda que eu tenha que romper com a comunidade». Ora tal mentalidade já é afoita e perigosa no plano das instituições humanas ; em se tratando, porém, das coisas de Deus, é mortal, pois nada há de tão alheio às obras de Deus quanto a divisão e a ruptura entre os homens.

Ainda se poderia lembrar que, além de divergências propriamente religiosas, certas diferenças de índole nacional ou política têm motivado, às vezes sorrateira e inconscientemente, a separação entre os cristãos. Mais de uma tentativa de refazer, no decurso da história, a unidade entre os dissidentes e a Santa Igreja foi entravada pela intervenção de fatores não teológicos, mas nacionalistas e mesquinhos.

2.2. É sobre este fundo de idéias que, mais oportuna do que nunca, ressoa a norma recentemente formulada por S. S. o Papa João XXIII ao tratar da planejada união entre os cristãos:

«Haja unidade nas coisas essenciais, liberdade nas coisas acidentais, e caridade em todas as coisas» (ene. «Ad Petri Cathedram», 29 de junho de 1959).

Este principio, entre outras coisas, quer dizer o seguinte: o discípulo de Cristo não pode pactuar com o erro nem aceitar a mínima corrupção da verdade entregue pelo Senhor aos Apóstolos e ininterruptamente transmitida, sob a assistência do Espírito Santo, de geração a geração até hoje. Antes morrer do que desvirtuar de algum modo a mensagem da autêntica Tradição cristã. Contudo, embora não possa legitimar o erro, o católico tem que amar o homem que erra; Cristo morreu por todos os indivíduos humanos, mesmo pelos que hoje consciente ou inconscientemente não são fiéis à mensagem do Evangelho ; o verdadeiro seguidor de Cristo, prolongando o amor do Divino Mestre, deverá consequentemente querer bem a todos os homens, ainda que causem graves danos à Verdade e ao Bem. «Ódio ao pecado, mas amor à pessoa do pecador», diria S. Agostinho; destruamos, portanto, o erro, mas procuremos a todo transe salvar o homem que erra.

Donde se vê quão injustificadas são as querelas religiosas, principalmente quando acarretam incriminações pessoais, com detrimento geralmente grave para a caridade; não se pode dizer que tais litígios sejam sustentados em nome do Evangelho ou por amor genuíno ao Senhor Jesus; em verdade, não são mais do que expansões da paixão, que, em hipótese nenhuma, poderiam agradar a Cristo e construir o Reino de Deus. O sincero amigo do Divino Mestre, ao defender a Verdade, mostrar-se-á também amigo do seu contendente…

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* Ideologia do gênero: Na Suécia, quem engravida não são “mulheres”, mas “pessoas”.

quinta-feira, fevereiro 21st, 2013

O governo progressista e “esclarecido “da Suécia decretou por lei que já não existem mulheres grávidas no país. Em vez de mulheres grávidas, o governo sueco decidiu por decreto-lei que irão passar a haver apenas “pessoas grávidas”.

A razão desta mudança ontológica, progressista, moderna e revolucionária, prende-se com o fato insofismável e verificado cientificamente, segundo o qual uma mulher pode agora mudar de sexo sem fazer qualquer intervenção cirúrgica a nível da genitália.

A ciência política sueca, altamente sofisticada e elaborada, demonstrou empiricamente que uma mulher pode passar a ser homem apenas “porque quer ser homem”. Assim, segundo a avançada ciência política sueca, basta que uma mulher diga o seguinte:“Eu quero ser homem!” — e passa automaticamente a ser homem.

A genialidade desta verificação científica da ciência política sueca deriva da sua semelhança com o Ovo de Colombo: nunca ninguém tinha pensado nela. A ciência política sueca verificou e demonstrou empiricamente que uma mulher pode ser homem apenas dependendo da sua vontade.

Fonte: original em Sueco, use tradutor google
http://rod.se/steriliseringskravet-lyfts…%A5n-lagen

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