Posts Tagged ‘religião’

* Seria Deus e a experiência religiosa “apenas” uma criação do cérebro humano?

quarta-feira, junho 5th, 2013


Experiências ‘estranhas’, ‘sobrenaturais’, são frequentemente narradas por pessoas afetadas por doenças mentais. Para alguns neurocientistas que se têm pronunciado sobre esta questão em décadas recentes, as experiências fora do comum, relacionadas com Deus, anjos e demônios, relatadas pelos seus pacientes afetados de perturbações mentais, são por eles acriticamente identificadas como experiências religiosas, e com base nelas consideram que se pode proceder a uma análise clinica e cientificamente objetiva da experiência religiosa em geral. Esta corrente tem sido denominada ‘neuroetologia’.

É no contexto da neuroteologia que surgem quatro afirmações sobre a experiência religiosa.

A primeira é a de que ela acontece nos estreitos limites do cérebro humano.

A segunda, é a de que a experiência religiosa é algo de extraordinário, não comum, e está com frequência associada a perturbações mentais.

A terceira é a de que tal experiência é essencialmente emocional e não cognitiva.

A quarta, consequência das três primeiras, é a de que o conteúdo da experiência religiosa nada tem a ver com qualquer realidade divina existente fora dos percursos neuronais do cérebro humano.

Michael Persinger é um dos neurocientistas que primeiro defendeu desde a sua primeira obra Neuropsychological Basis of Human Belief (1987), as teses hoje integradas na neuroteologia, afirmando: “as experiências de Deus são fenómenos transitórios, carregados de referências emocionais. A natureza dessas experiências é influenciada pela zona específica do cérebro na qual tem a sua origem”.( Michael Persinger, Neuropsychological Basis of Human Belief, New York: Praeger Publishers, 1987, p. 1.)

Na mesma linha de Persinger, Rawn Joseph afirma mais especificamente: “a intensa ativação do lobo temporal, do hipocampo e da amígdala, têm sido entendidas como fonte de intensas experiências sexuais, religiosas e espirituais, e a sua hiperestimulação contínua pode levar o indivíduo a estados de hiper religiosidade ou à visualização e experiência de fantasmas, demônios, anjos, e até mesmo de Deus, a afirmar-se possuído por anjos ou demônios, ou ter a experiência de deixar o seu próprio corpo.” (R. Joseph, “Dreams, spirits, and the soul” in R. Joseph (org), Neurotheology. Brain, Science, Spirituality, Religious Experience, San Jose, Califórnia, California University Press, 2003, p. 412.)

Um outro neurocientista, V.S. Ramachandran, afirma, referindo-se às experiências religiosas dos pacientes que sofrem de epilepsia no lobo temporal esquerdo, que “todos os estudantes de medicina aprendem que os pacientes com crises de epilepsia nesta parte do cérebro, podem experimentar fortes experiências espirituais durante as crises, e preocupam-se frequentemente com problemas espirituais e morais, mesmo durante os períodos entre uma crise e outra.” (V.S.Ramachandran – S. Blakeslee, Phantoms in the Brain, New York: Quill William Morrow, 1998, p. 175)

Tais pacientes “vivem experiências espirituais profundas e impressionantes, como o sentimento de uma presença divina e a sensação de se encontrarem em direta comunicação com Deus, e afirmarem-se possuídos por anjos ou demônios, ou a terem a sensação de saírem do próprio corpo.”( Ibid., p. 179)

Observando o lobo parietal posterior superior durante o estado de profunda meditação de um monge budista, Andrew Newberg, um dos mais conhecidos e reputados ‘neuroteólogos’ verificou que existia naquela área cerebral, responsável pela percepção dos limites do próprio corpo e do seu movimento no espaço, uma atividade particularmente baixa. O sentimento de perda da percepção dos limites do próprio corpo e de união com o universo experimentado pelo monge, é o simples resultado da diminuição de atividade neuronal naquela zona do cérebro. O autor afirma que encontrou o mesmo gênero de correlação em religiosas franciscanas que entravam em profunda oração. Newberg apresenta a sua teoria como uma metateologia, que revela as condições neurobiológicas de possibilidade da experiência religiosa.

Sem negar o interesse dos estudos de Newberg e dos neuroteólogos em geral, deve dizer-se que há em todos eles um esquecimento da natureza relacional do ser humano, e da dimensão comunitária da experiência religiosa, entre outros elementos.

Além disso, as experiências acima apresentadas pelos neurocientistas, são em geral, fonte de prazer. Como afirma mais explicitamente Persinger, “normalmente a experiência de Deus inclui emoções eufóricas e positivas. A pessoa fala de uma extraordinária experiência de Deus que é caracterizada por um profundo sentimento de paz, de serenidade cósmica e do significado de tudo. Trata-se sempre de um estado que inclui a redução da ansiedade acerca da morte.” (Neuropsychological Basis of Human Belief, p. 2)

Ora, a experiência religiosa não tem que ser necessariamente caracterizada por uma paz silenciosa, ou sequer por uma agitada euforia. Há pessoas cujas experiências religiosas passam por períodos, por vezes longos, de aridez e sofrimento. Como afirma Woodward, “um dos principais erros dos neuroteólogos consiste em identificar a religião com experiências e sentimentos específicos. Perder-se na oração pode ser agradável e excitante, mas estas emoções não têm nada a ver com a qualidade da nossa relação com Deus. De fato, muitas pessoas rezam melhor quando sentem vergonha ou dor, e o sentimento da ausência de Deus não é menos válido que a experiência da presença divina.” (“Faith is more than a feeling”, Newsweek, 7, May 2001, p. 58.)

Os autores que associam as experiências religiosas à activação neuronal do lobo temporal esquerdo durante episódios de epilepsia não fazem qualquer distinção entre experiências religiosas normais e patológicas, com excepção de Andrew Newberg. O autor reconhece que é um erro estabelecer uma associação necessária entre experiência religiosa e patologia: “nem todas as pessoas com epilepsia no lobo temporal esquerdo têm experiências religiosas, e certamente nem todas as experiências religiosas estão relacionadas com a atividade epiléptica no lobo temporal esquerdo. … Por conseguinte, o estudo neurocientífico das experiências espirituais deve, em parte, incluir uma ulterior distinção entre experiências espirituais que ocorrem em pessoas sem perturbações neuropsiquiátricas e experiências espirituais associadas com patologia.” (A. Newberg, “Pathological and normal spiritual experiences”, in The Global Spiral, 2001.12.10, em www.metanexus.net.)

Persinger e os demais neurocientistas citados não estabelecem a necessária distinção entre a condição necessária para que se verifique a experiência religiosa, ou qualquer outra experiência, – a actividade neuronal -, e a condição suficiente para que se verifiquem tais experiências.

Uma condição necessária não é sempre condição suficiente e, no caso da experiência religiosa, a actividade neuronal só poderia ser considerada condição suficiente se aquela experiência fosse fundamentalmente causada pelo cérebro. Ora, isso é o que se pretende provar. Não se pode partir desse pressuposto. A experiência religiosa tem a ver não apenas com a ativação cerebral, mas também com a cultura em que a pessoa se encontra – não necessariamente aquela em que nasceu ou em que foi educada – e tem a ver com opções livres e racionais no contexto da vida quotidiana, opções que são o resultado da interação de complexos fatores, internos e externos. Para os crentes, entre estes fatores está, tanto interna como externamente, Deus. Por conseguinte, a ativação neuronal é condição necessária mas não suficiente da experiência religiosa.

P. Alfredo Dinis, sj

Imprimir | Favoritos |Compartilhar
  • Print this article!
  • Google
  • Live
  • YahooMyWeb
  • Favorites
  • del.icio.us
  • Digg
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Technorati
  • Yahoo! Buzz
  • TwitThis
  • Enviar artigo para amigo

* Antropólogo americano “constata” benefícios da religião na vida concreta das pessoas que creem!

terça-feira, maio 7th, 2013


The New York Times e reproduzido pelo Portal Uol

“Certamente muitos fiéis lutam com comportamentos que gostariam de mudar, mas, em média, os frequentadores regulares de igrejas bebem menos, fumam menos, usam menos drogas recreativas e são menos sexualmente promíscuos do que os outros”, afirma T. M. Luhrmann, professor de antropologia na Universidade de Stanford e autor do livro When God Talks Back: Understanding the American Evangelical Relationship with God (”Quando Deus responde: Entendendo a relação dos evangélicos norte-americanos com Deus”, em tradução livre)

***

Uma das descobertas científicas “mais impressionantes” sobre religião nos últimos anos é que ir à igreja uma vez por semana faz bem. Frequentar a igreja – e no mínimo, a religiosidade – melhora o sistema imunológico e diminui a pressão arterial. Isso pode acrescentar até dois ou três anos de vida. A razão para isso não está inteiramente clara.

O apoio social é sem dúvida uma parte da história. Nas igrejas que estudei como antropólogo, as pessoas realmente parecem cuidar umas das outras. Elas apareciam com o jantar quando os amigos estavam doentes e se sentavam com eles quando estavam tristes.

A ajuda às vezes era surpreendentemente concreta. Talvez um terço dos membros da igreja pertencia  a pequenos grupos que se encontravam semanalmente para falar sobre a Bíblia e suas vidas. Uma noite, uma jovem de um grupo no qual eu tinha entrado começou a chorar. Seu dentista tinha dito que ela precisava de um procedimento de US$ 1.500, e ela não tinha o dinheiro. Para meu espanto, nosso pequeno grupo – cuja maioria era de estudantes – simplesmente cobriu os custos, com doações anônimas.

Um estudo realizado na Carolina do Norte descobriu que fiéis frequentes tinham redes sociais maiores, com mais contatos, mais afeição e mais tipos de apoio social do que as pessoas que não frequentavam igrejas. E nós sabemos que o apoio social está diretamente ligado a uma saúde melhor.

O comportamento saudável é, sem dúvida, outra parte. Certamente muitos fiéis lutam com comportamentos que gostariam de mudar, mas, em média, os frequentadores regulares de igrejas bebem menos, fumam menos, usar menos drogas recreativas e são menos sexualmente promíscuos do que os outros.

Isso corresponde às minhas próprias observações. Numa igreja que eu estudei no sul da Califórnia, a história de conversão mais comum parecia ser ter encontrado Deus e nunca mais ter tomado metanfetaminas. (Uma mulher me disse que ao esquentar sua dose, ela desencadeou uma explosão no apartamento de seu pai que estourou as portas de vidro. Ela me disse: “Eu sabia que Deus estava tentando me dizer que eu estava indo pelo caminho errado.”) Na igreja seguinte, lembro-me de ter ido a um grupo que ouvia uma mulher falar sobre um vício que ela não conseguia largar. Assumi que ela estava falando sobre sua própria batalha contra a metanfetamina. No fim, ela achava que lia romances demais.

No entanto, acho que pode haver outro fator. Qualquer religião demanda que você vivencie o mundo como algo mais do que é apenas material e observável. Isso não significa que Deus é imaginário, mas que, como Deus é imaterial, os que creem nele precisam usar sua imaginação para representar Deus. Para conhecer Deus numa igreja evangélica , você deve experimentar o que só pode ser imaginado como real, e você deve experimentar isso como algo bom.

Quero sugerir que esta é uma habilidade e que pode ser aprendida. Podemos chamá-la de absorção: a capacidade de se envolver em sua imaginação, de uma maneira que você goste. O que eu vi na igreja como um observador antropológico foi que as pessoas eram incentivadas a ouvir a Deus em suas mentes, mas apenas para prestar atenção às experiências mentais que estavam de acordo com o que elas considerassem ser o caráter de Deus, que elas consideram bom. Vi que as pessoas eram capazes de aprender a vivenciar Deus dessa forma, e que aquelas que eram capazes de vivenciar um Deus amoroso de forma vívida, eram mais saudáveis – pelo menos, julgando por uma escala psiquiátrica padronizada. Cada vez mais, outros estudos confirmam esta observação de que a capacidade de imaginar um Deus amoroso vividamente leva a uma saúde melhor.

Por exemplo, num estudo, quando Deus era experimentado como algo mais remoto não  amoroso, quanto mais alguém rezava, mais sofrimento psiquiátrico parecia ter; quando Deus era experimentado como próximo e íntimo, quanto mais alguém orava, menos doente ficava. Em outro estudo, numa faculdade cristã particular no sul da Califórnia, a qualidade positiva de um apego a Deus diminuiu significativamente o estresse e fez isso de forma mais eficaz do que a qualidade das relações da pessoa com outras pessoas.

Eventualmente, isso pode nos ensinar como aproveitar o efeito “placebo” – uma palavra terrível, porque sugere uma ausência de intervenção em vez da presença de um mecanismo de cura que não depende de produtos farmacêuticos nem de cirurgia. Nós não entendemos o efeito placebo, mas sabemos que é real. Ou seja, temos cada vez mais provas de que o que os antropólogos chamariam de “curas simbólicas” têm efeitos físicos reais sobre o corpo. No cerne de alguns destes efeitos misteriosos pode estar a capacidade de confiar que aquilo que só pode ser imaginado seja real, e seja bom.

Mas nem todos se beneficiam da” cura simbólica”. No início deste mês, o filho mais novo do famoso pastor Rick Warren se suicidou. Sabemos poucos detalhes, mas a perda nos lembra que sentir desespero quando você quer sentir o amor de Deus pode piorar a sensação de alienação. Necessitamos com urgência de mais pesquisas sobre a relação entre doença mental e religião, não só para que possamos compreender mais intimamente essa relação – as formas pelas quais elas estão ligadas e são diferentes –, mas para reduzir a vergonha daqueles que são religiosos e, no entanto, precisam buscar outros cuidados.

Imprimir | Favoritos |Compartilhar
  • Print this article!
  • Google
  • Live
  • YahooMyWeb
  • Favorites
  • del.icio.us
  • Digg
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Technorati
  • Yahoo! Buzz
  • TwitThis
  • Enviar artigo para amigo

* “Deus” é a palavra mais citada nas letras dos sambas enredos das escolas de samba do Rio. O que isso significa?

domingo, fevereiro 10th, 2013

Fonte: G Prime

1) Dai-me inspiração, oh Pai!
Pois em meus versos
quero declamar…

2) Escribas selavam destinos
Mostravam o Deus vivo, eterno poder
Nos versos de tantos poetas…

3) Eu vou cavalgar, pra encontrar
A minha história nesse mundo de meu Deus!…

4) Senhor, olhai por nós que usamos teu nome em vão,
A fé sem razão… irmão contra irmão, destrói a nação!

5) O galo cantou
com os passarinhos no esplendor da manhã
agradeço a Deus por ver o dia raiar

Os trechos acima são parte das letras do samba-enredo de 2013, respectivamente, das escolas Mangueira, Salgueiro, Beija-Flor, Caprichosos de Pilares e Unidos de Vila Isabel.

Uma análise atenta dos sambas deste ano das 12 agremiações do Grupo Especial do carnaval carioca revela que as referências a Deus são abundantes. O site do portal Terra usou o sistema “nuvem de palavras” para identificar os termos mais usados pelas Escolas do Rio este ano.

O resultado surpreende. A chamada “festa mais profana do planeta”, mostra que “Deus” está em alta! Só perde para o tradicional grito dos puxadores “Vaaaaaai”. Mas essa não é parte dos sambas, apenas ajuda na marcação do tempo.

Em sequencia, “Coração”, “emoção” e “mistério” são os termos mais populares. Isso não significa que existe um sentido de adoração ou louvor, mas ressalta que existe uma espiritualidade intrínseca que muitas vezes passa despercebida pelos foliões.

Imprimir | Favoritos |Compartilhar
  • Print this article!
  • Google
  • Live
  • YahooMyWeb
  • Favorites
  • del.icio.us
  • Digg
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Technorati
  • Yahoo! Buzz
  • TwitThis
  • Enviar artigo para amigo

* Deus é uma ótima leitura! O ‘boom’ dos títulos de temática religiosa.

segunda-feira, fevereiro 4th, 2013

Boom da editoria sacra.

Quem lidera a lista de vendas [na Itália] é A infância de Jesus, de Bento XVI, e, no segundo lugar dos livros de ensaios, está um texto de temática religiosa como Cristianesimo, do filósofo secular Umberto Galimberti. Portanto, continua a idade de ouro dos livros sobre a fé (Carlo Maria Martini, Vito Mancuso, Gabriele Amorth) e, como confirmação do crescente interesse pelo tema, está ocorrendo o concurso A Sua Immagine: Il mio libro della fede [À Sua Imagem: O meu livro da fé].

Vatican Insider

A iniciativa foi lançada por ocasião do Ano da Fé pelo programa apresentado por Rosario Carello e Francesca Fialdini transmitido pelo canal Rai 1, no sábado e domingo. Os espectadores podem votar (www.asuaimmagine.rai.it), explicando também o motivo, no livro preferido de uma lista de 40 obras-primas, clássicos do pensamento espiritual, escolhidos pelo teólogo e vice-diretor editorial da San Paolo Libri, Elio Guerriero.

De semana em semana, o programa acompanha a evolução do ranking que se articula ao longo do ano: quais foram os livros mais votados e por quê. Além disso, a cada semana, é proposto um “desafio” entre dois livros: o que receber mais preferências continua em frente, enquanto o menos escolhido é “recolocado” na livraria, à espera, no fim do concurso, de uma possível repescagem.

No fim do Ano da Fé, será conhecida a obra mais lida. Além disso, todos os domingos, as câmeras do programa vão à casa de um personagem do entretenimento, do esporte, da cultura, que dá o seu voto para um dos livros em disputa. Todos os meses, além disso, é escolhido o comentário mais bonito entre aqueles que foram recebidos, e o telespectador é convidado para ir ao programa. As razões da atenção pela fé nas livrarias afundam suas raízes na última década.

Prova disso são os dados divulgados pelo Observatório da Editoria Religiosa Italiana, promovido pelo Uelci (União dos Editores e Livreiros Católicos Italianos, na sigla em italiano), em colaboração com o CEC (Consórcio para a Editoria Católica) e a AIE (Associação Itália Editores). De 2000 a 2007, o crescimento do número de leitores de livros religiosos (ao menos um texto por ano) na Itália foi de 2% por ano, mas de 2007 a 2010 o percentual cresceu para 6%.

O resultado final é que, na década 2000-2010, os leitores de um livro religioso cresceram em 900 mil pessoas. É a faixa de idade entre 18 e 54 anos que registra um maior crescimento. É uma idade interessante do ponto de vista das relações e das responsabilidade sociais, familiares, de trabalho e políticas. Trata-se, enfim, de pessoas que também exercem em seu próprio âmbito de ação um papel de tomadores de decisão.

Essas responsabilidades não privam do tempo necessário para a leitura de um livro religioso, provavelmente porque justamente do livro religioso se pede uma ajuda reflexiva para as próprias escolhas de vida e de responsabilidade social.

Das editoras religiosas, analisou-se toda a produção de novidades e de reimpressões de 2010 e 2009, enquanto para as seculares, nos mesmos anos, só os títulos de temática religiosa. As editoras católicas examinadas são 25% e produziram, em 2010, 79% dos títulos, enquanto as editoras seculares são 72% e representam 18% da produção.

É evidente a superlotação no segmento secular, que confirma a forte atenção no livro religioso por parte das editoras seculares nos últimos anos. O interesse dos editores seculares (ao menos do ponto de vista da produção) está entre uma demanda de Deus e uma busca genérica de espiritualidade.

Nessa pesquisa, no entanto, o cristianismo não é a primeira religião, sendo superado pelas religiões orientais e antigas: uma abordagem bastante genérica e arcaica. Diferente para a área de divulgação, onde o interesse dos editores seculares vai para aqueles autores católicos que dispõem de uma posição capaz de garantir uma maior penetração no mercado.

No quadro geral da produção de conteúdos, a editoria secular ainda vale 18%, um percentual nada desprezível em um setor onde a marca confessional é mais relevante. Se os editores seculares já entraram de pleno direito no mundo editorial religioso, os editores católicos também estão se esforçando para conquistar uma visibilidade nas livrarias seculares. O índice da presença das editoras católicas nas livrarias gerais é de 26% para a área reflexiva.

Decisivamente, é mais baixo o dado da área de divulgação (8,5%), onde, provavelmente, prevalece a capacidade comercial de penetração dos editores seculares mesmo quando publicam os textos de autores católicos, capacidade de dar visibilidade midiática aos autores e de ocupar os espaços nas livrarias seculares, independentes e de rede.

O índice total de presença das editoras religiosas nas livrarias seculares da área religiosa é de 14,7%, um número nada desprezível. Decididamente é melhor na área geral, com picos de mais de 50% na narrativa e juvenil em geral.

Se hoje, portanto, pode-se falar de um boom dos textos de temática religiosa é porque, na última década, a editoria católica não se deixou sobrecarregar pelo mercado, mas aceitou o desafio da editoria secular, mostrando a decisiva vontade de ser protagonista.

Imprimir | Favoritos |Compartilhar
  • Print this article!
  • Google
  • Live
  • YahooMyWeb
  • Favorites
  • del.icio.us
  • Digg
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Technorati
  • Yahoo! Buzz
  • TwitThis
  • Enviar artigo para amigo

* A terceira ”religião” do mundo é dos agnósticos e ateus, afirma pesquisa mundial.

domingo, janeiro 6th, 2013

Angelo Aquaro - La Repubblica.

O culto em ascensão no mundo hoje  leva o nome de ateísmo. Sim, uma em cada seis pessoas sobre a Terra é sem Deus: ou ao menos não acredita no Deus de uma Igreja particular.

A primeira é a dos cristãos: 2,2 bilhões de pessoas. A segunda é uma mesquita: os muçulmanos são 1,6 bilhão. Ao terceiro lugar do pódio, portanto, sobem os não crentes: 1,1 bilhão. 

O que acontece? Depois de conhecer uma sociedade sem pais, como haviam profetizado os sociólogos há 60 anos, decidimos também aposentar o Pai Eterno?

Na verdade, o quadro oferecido pelos pesquisadores do Pew, o instituto de pesquisas mais prestigiado dos Estados Unidos, é um pouco mais complexo, assim como demanda o assunto. Tanto é que a definição que os estudiosos propõem para os ateus do Terceiro Milênio é a mais flexível: unaffiliated, que poderia ser traduzida como não adeptos, aqueles justamente que não participam ativamente de um culto. Uma não Igreja muito mais do que variada.

“Os não adeptos incluem os ateus, os agnósticos e aqueles que não se identificam com nenhuma religião particular”, lê-se nas 81 páginas dessa The Global Religious Landscape. Mas os autores do relatório logo se adiantam para unir também as mãos desses bem-aventurados não adeptos. Muitos deles, de fato, “têm alguma forma de crença religiosa”. O que isso significa? Que, “por exemplo, a fé em Deus ou em um poder qualquer é compartilhado por 7% dos chineses, por 30% dos franceses e por 68% dos norte-americanos”, sempre na categoria “unaffiliated“.

E mais: “Alguns deles participam de algum modo de certas práticas religiosas. Por exemplo, 7% na França e 27% nos Estados Unidos revelam presenciar um serviço religioso ao menos uma vez por ano”. Isso naturalmente não basta para considerá-los crentes: muitas vezes, por exemplo, a participação também está ligada a ritos civis, como casamentos e funerais. Ou ao menos aquele sentimento que muito raramente os leva à igreja, à mesquita, à sinagoga, ou também ao menos aquilo que é classificado mais como busca do espírito, do que sentido religioso propriamente dito.

Obviamente, as curiosidades não faltam. Ainda com relação aos não adeptos, trata-se de 16% da população mundial: a mesma porcentagem dos católicos. Três quartos vivem na Ásia: segue a Europa (12%, 134,8 milhões), a América do Norte (5%, 59,04 milhões) e o restante. Entre as grandes religiões, os hindus seguem o cristianismo e o Islã com 1 bilhão de fiéis; os budistas com meio bilhão; e os judeus, com 12 milhões. 

No total, os crentes são 84% da população mundial: calculada em 2010, ano da pesquisa, 5,8 bilhões.

O professor Conrad Hackett, um dos pilares do estudo, disse ao New York Times que “é a primeira vez que os números se baseiam em uma pesquisa analisada de modo rigoroso e científico”: 2.500 fontes em 232 países. Pode ser.

No entanto, olhando bem, falta uma “religião” : com 1,01 bilhão, aquela da web chamada Facebook já não superou os amigos hindus?

Imprimir | Favoritos |Compartilhar
  • Print this article!
  • Google
  • Live
  • YahooMyWeb
  • Favorites
  • del.icio.us
  • Digg
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Technorati
  • Yahoo! Buzz
  • TwitThis
  • Enviar artigo para amigo

* Pesquisa mostra que pessoas dos países mais felizes do mundo tem na família e na religião seu diferencial.

domingo, dezembro 23rd, 2012

Uma pesquisa feita cerca de 150.000 pessoas de todo o mundo descobriu que sete dos 10 países do mundo com as atitudes mais otimistas estão na América Latina. O Brasil está em 16º lugar, segundo o ranking medido pela Gallup World Pool.

O Instituto Gallup perguntou a 1.000 pessoas em cada um dos 148 países pesquisados sobre como via a vida e se tinha sentimentos alegres no dia anterior. Em comparação com a mesma pesquisa realizada em 2010, o índice brasileiro pulou de 6,8 para 7,1.

A conclusão dos estudiosos é que apenas riqueza e saúde não garantem a felicidade de um povo, afinal o país com maior renda per capita do mundo, o Catar, não está sequer entre os 10 mais felizes.

Com sete entre os 10 países mais otimistas, um dos principais fatores de contentamento do povo da América Latina é a religião. Outros aspectos são a relação com família e amigos, apesar de uma realidade econômica na maioria das vezes difícil.

Em primeiro lugar ficou o Panamá, com mais de 85% respondendo positivamente. Depois vieram Paraguai, El Salvador, Venezuela, Trinidad e Tobago, Tailândia, Guatemala, Filipinas, Equador e Costa Rica.

As pessoas com menor índice de emoções positivas vivem na rica ilha-Estado de Cingapura. Outros países ricos também ficaram, surpreendentemente, bem embaixo na lista. Alemanha e França empataram com a Somália em 47º lugar.

A colocação nada tem a ver como Índice de Desenvolvimento Humano elaborado pelas Nações Unidas anualmente, que analisa expectativa de vida, nível de educação e renda per capita. Este é um paradoxo com sérias implicações neste campo relativamente novo e controverso chamado de “economia da felicidade”, que busca analisar o desempenho dos governos neste processo.

Em pelo menos nove países houve surpresas, como Iraque, Iêmen, Afeganistão e Haiti, que vêm convivendo com problemas políticos sérios nos últimos anos. A pesquisa mostra que as nações prósperas também podem ser profundamente infelizes, como a maioria dos Estados europeus, onde a população não parece se contentar apenas com aspectos materiais da vida. Com informações Gallup e Daily Mail.

Imprimir | Favoritos |Compartilhar
  • Print this article!
  • Google
  • Live
  • YahooMyWeb
  • Favorites
  • del.icio.us
  • Digg
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Technorati
  • Yahoo! Buzz
  • TwitThis
  • Enviar artigo para amigo

* Apresentada em Roma a Associação Internacional de Jornalistas de Religião. Objetivo é promover informação objetiva e completa superando discriminações.

sábado, setembro 15th, 2012

Zenit

A Associação Internacional de Jornalistas de Religião (AIJR), que foi apresentada na sede romana da Associação da Imprensa Estrangeira na Itália, tem como finalidade dar o apoio necessário para promover um jornalismo objetivo e completo, que vá além dos preconceitos e das discriminações de quem se ocupa da informação sobre religião e espiritualidade.

A AIJR foi oficialmente criada no último mês de março no centro da Fundação Rockfeller-Belagio e já conta com quase 400 jornalistas de 90 países, após dois anos de preparação.

“Podem pertencer à AIJR os profissionais que se ocupam da informação religiosa, qualquer que seja o seu credo religioso. A AIJR não é confessional: tem católicos, muçulmanos, judeus e até pessoas que não acreditam”, observou a jornalista Maria-Paz López durante a apresentação.

“O importante é trabalhar com rigor profissional e formar uma rede, intercambiar informação e reforçar o trabalho dos membros”.

“O jornalismo que se ocupa de religião requer muita responsabilidade, porque a boa informação reduz a discriminação e promove o diálogo e a paz. Já um jornalismo mal feito favorece a discriminação e a perseguição e pode causar vítimas e danos contra milhões de pessoas”, prossegue Maria-Paz López, recordando a própria experiência como correspondente em Roma para o jornal espanhol La Vanguardia.

“É importante também compartilhar recursos. Se eu tenho que viajar para um determinado país para fazer uma reportagem, sei que tenho colegas que podem me dar telefones e ajudar a procurar a pessoa indicada. E se um dia algum deles for à Espanha, eu posso colocá-los em contato com tal bispo, porque tenho um canal direto. Esses recursos vão ser compartilhados entre os sócios. A inscrição é gratuita e pode ser feita diretamente no site da associação”.

“A AIJR oferece também estatísticas sobre a religião em diversos países, sobre as leis nacionais, conflitos étnicos e religiosos e diversos aspectos das religiões tradicionais.

O site é o www.theiarj.org, que em breve terá até uma página em árabe”, adianta López.

O diretor executivo da associação é David Briggs, jornalista com 25 anos de experiência no setor, inclusive na agência de notícias AP. O comitê diretivo é formado por jornalistas dos cinco continentes

Imprimir | Favoritos |Compartilhar
  • Print this article!
  • Google
  • Live
  • YahooMyWeb
  • Favorites
  • del.icio.us
  • Digg
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Technorati
  • Yahoo! Buzz
  • TwitThis
  • Enviar artigo para amigo

* É possível estudar Religião de forma “neutra”?

domingo, maio 20th, 2012

“Acho que a chamada “neutralidade” em estudos da religião não passa de um preconceito contra a fé religiosa, porque em ciências humanas a neutralidade não é um pressuposto universalmente cobrado em todos os campos de pesquisa”, escreve Luiz Felipe Pondé, professor de Filosofia, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo.

Segundo Pondé, “acho mais interessante ir logo a questões mais pragmáticas e perguntar: “Por que as pessoas querem estudar religião em vez de simplesmente viver suas religiões em seus templos e fé cotidiana?”

Eis o artigo.

Você estuda religião? Aposto que, se sua resposta for “sim”, a causa é uma das hipóteses abaixo. Somos previsíveis como ratos de laboratórios.

Estudar religião cientificamente seria estudá-la sem fins religiosos, ou seja, “de modo objetivo”: via neurologia, sociologia, antropologia, psicologia, história, filosofia.

Trocando em miúdos, estudar religião cientificamente é estudá-la sem fins “lucrativos” para a própria fé do estudioso. Neste sentido, o melhor seria um ateu estudar Deus ou um cristão estudar budismo, porque assim não “lucrariam” com seus objetos de estudo.

Duvido profundamente deste pressuposto.
Não porque seja impossível em si nem porque neutralidade em ciência seja algo absurdo. Trabalhar com ciência não é fruto de amor ao conhecimento, mas sim um modo de ganhar a vida muitas vezes menos competitivo do que o mercado de profissionais autônomos ou das grandes corporações.

Julgo esse problema da neutralidade do conhecimento científico tão improdutivo quanto se perguntar como faziam os últimos medievais, se Deus poderia criar uma pedra que Ele mesmo não poderia carregar – já que Ele seria onipotente e, portanto, poderia criar qualquer coisa. Mas, sendo Ele onipotente, como poderia existir uma pedra que Ele mesmo não poderia carregar?

Como você vê, trata-se de uma pergunta “podre” no sentido de ser simples perda de tempo. Um beco sem saída.

Acho que a chamada “neutralidade” em estudos da religião não passa de um preconceito contra a fé religiosa, porque em ciências humanas a neutralidade não é um pressuposto universalmente cobrado em todos os campos de pesquisa.

Por exemplo, quando mulheres estudam “opressão feminina”, não estariam elas sob suspeita, uma vez que são mulheres e, portanto, suspeitas em “lucrar” com os ganhos do próprio estudo? Ou, quando gays estudam “opressão contra os gays”, não estariam eles também sob suspeita, na medida em que eles, gays, também “lucrariam” com o estudo de seu próprio caso?

Ou mesmo ateus estudando Deus não estariam sob suspeita de quererem desconstruir a fé a fim de desvalorizá-la?

Por isso acho mais interessante ir logo a questões mais pragmáticas e perguntar: “Por que as pessoas querem estudar religião em vez de simplesmente viver suas religiões em seus templos e fé cotidiana?”.

Proponho as seguintes hipóteses.

1. Pessoas buscam a universidade ou instituições afins para estudar religião porque têm inquietações “espirituais”, mas se acham “cultas e bem (in)formadas” e estão um tanto de saco cheio das “igrejas” (no sentido de religiões institucionais) que existem no mercado. Ou mesmo porque sentem vergonha de serem religiosas “oficialmente” e, por isso, preferem estudar religião a praticar religião.


2. Porque odeiam religião por conta de traumas infantis familiares ou escolares ou por algum grande sofrimento que gerou algum tipo de “revolta contra Deus”. Normalmente essas pessoas querem acabar com a religião.

3. Razões ideológicas: religião aliena (marxistas), oprime mulheres e gays, condena o sexo. Ou seja: querem um mundo sem religião ou com religiões simpáticas a suas ideologias.

4. Para abrir uma igreja, ganhar dinheiro ou poder político.

5. Para tornar sua vivência religiosa mais “culta e bem informada” e “modernizar” sua vida religiosa cotidiana, como em questões relacionadas à ciência ou à ética.

6. Por diletantismo sofisticado movido por inquietações existenciais e/ou filosóficas.

7. Porque pertenceram ao clero de alguma religião e só sabem ganhar a vida com temas relacionados à religião.

8. Para usar o conhecimento em recursos humanos nas empresas.

9. Geopolítica internacional: fundamentalismos, multiculturalismos, comércio exterior.

10. Porque é professor e o ensino religioso é um mercado em expansão, além de que, se for egresso de classes sociais inferiores (o que é muito comum), títulos acadêmicos costumam ser uma ferramenta razoável de status e aumento na renda.

Resumo da ópera: dinheiro, status, angústia existencial, fé, política, opção profissional à mão ou simplesmente falta de opção.

Imprimir | Favoritos |Compartilhar
  • Print this article!
  • Google
  • Live
  • YahooMyWeb
  • Favorites
  • del.icio.us
  • Digg
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Technorati
  • Yahoo! Buzz
  • TwitThis
  • Enviar artigo para amigo

* O “aiatolá dos ateus”, o vazio do ateísmo e a presença esmagadora da religião na história da humanidade.

terça-feira, maio 1st, 2012


Em síntese: Richard Dawkins critica a religião considerando caricaturas da mesma ou crendices, superstições, magia… quer extinguir as religiões e acabar com a fé no mundo inteiro. Um colega, porém, Alstaír Mc Grat, ex-ateu que se tornou religioso, observa que Dawkins se refere a falsas imagens da Religião, não podendo portanto sustentar-se a posição de Dawkins. O ato de fé é o ato mais nobre que o homem possaefetuar.


A revista SUPERINTERESSANTE de agosto 2007 publicou uma reportagem sobre o zoólogo norte-americano Richard Dawkins, o aiatolá dos ateus, que afirmava: “Meu grande sonho é a destruição completa das Religiões” e “A pior coisa das religiões é a ideia de fé”. Essas acusações se baseiam em caricaturas da Religião e crendices supersticiosas, que vêm expostas logo no início da reportagem e que aqui serão em parte transcritas:


“João reza todos os dias diante de uma Chaleira de porcelana que está no céu em órbita entre a Terra e Marte. Ele só namora moças que também acreditam na Chaleira e nunca usa camisas verdes, pois isto é uma grande ofensa ao Todo-Poderoso.

Ricardo, vizinho de João, acredita que o mundo foi criado por um gigantesco monstro voador feito espaguete. Todo mês se encontra com um grupo de espagueteiros para cantar músicas sobre como o monstro é bacana. Um belo dia, depois do café da manhã (sem pão, pois sua religião proíbe comer pão e comidas feitas com farinha), Renato veste uma camisa verde e sai para trabalhar. Ao encontrar-se com ele, João fica muito chateado com sua roupa… Ricardo promete que vai usar camisa verde menos vezes” (p. 86).


Ora inegavelmente qualquer pessoa autenticamente religiosa repudia tal caricatura da Religião, mas nem por isto cai no ateísmo.


Vejamos, pois, o que é a fé e o que é a Religião.

1. A Fé: que é?


Responderemos por três etapas.

1) A Fé é um ato da inteligência; portanto não é um sentimento vago, mas é expressão da mais nobre faculdade que o homem tem: o intelecto,que tenta aplicar-se ao objeto mais nobre que possa ser concebido, ou seja, a Deus.

2) Esse ato do intelecto é movido pela vontade, pois o objeto da fé transcende os limites do intelecto humano (a verdade é mais ampla do que o alcance do nosso intelecto). Sendo assim, o objeto da fé não obriga a um assentimento, não é tão evidente que force a adesão de quem o contempla. A vontade, portanto, deve mover o intelecto para que diga Sim ou Não.

3) A vontade, porém, só move o intelecto depois do exame das credenciais sobre as quais se apoia cada proposição de fé. Cabe então ao intelecto humano averiguar as razões em virtude das quais o indivíduo pode e deve crer (): estude o Evangelho, a história, a paleografia… e chegue eventualmente à conclusão: “Não é absurdo crer; não é infantilismo ter fé”. Há razões suficientemente fortes para que o homem diga Sim ao objeto de fé, sem trair sua dignidade de homem adulto.

4) Portanto o homem crê inteligentemente. E a própria razão sadiamente crítica que aponta o caminho da fé. Assim evitam-se as superstições e crendices que não resistem ao crivo da razão.


Esse assentimento dado ao Transcendental corresponde às mais íntimas aspirações do ser humano, que sabe ser ele pequeno demais para bastar a si. Todo ser humano é uma demanda ansiosa de Vida plena, de Amor sem traição de Verdade sem erro… E crê inteligente e razoavelmente que tais objetivos não serão frustrados, pois ele estudou a temática com a sua razão. Extirpar a fé de um homem ou de uma população é retirar-lhe um dos mais fortes esteios de sua vida, é condená-lo a só conhecer o que é passageiro e ilusório, como se verifica no caso de muitos ateus ().


A vida presente, com suas lacunas e frustrações, pede uma outra vida, em que os valores conculcados no presente serão devidamente reabilitados.


Se a fé tem por objeto algo não evidente por si mesmo, ela é um ato livre. Pode ser traída e rejeitada, como acontece nos casos em que as paixões predominam sobre o intelecto e a vontade. Daí haver falsas expressões da fé, que causam escândalo aos não crentes, mas que não são autênticos gestos de fé.


Aliás o senso de justiça obriga a lembrar os grandes benefícios que a Religião proporcionou à humanidade.


2. Religião: valores


1. É fato evidente que a Religião suscitou elevado número de homens e mulheres que se doaram aos irmãos e irmãs mais necessitados, fundando escolas, hospitais, asilos e outras obras de caridade. Durante séculos estas também ficavam a cargo exclusivo dos religiosos.

Foi a Religião que evangelizou os povos bárbaros e os habilitou a construírem o cenário europeu, que está na vanguarda do progresso humano.

Nos primórdios da civilização a religião desenvolveu importante papel, estimulando o homem a descobrir os valores da natureza que redundariam em tipo de vida mais confortável.


3. Religião - elemento propulsor


Longe de se prender à ignorância e à covardia, a Religião tem sido sempre poderoso estímulo da cultura: verifica-se que as grandes conquistas da civilização no decorrer dos séculos foram empreendidas primeiramente por interesses religiosos. Para ilustrar isto, os geógrafos apontam longa série de instituições culturais que a Religião inspirou ou, ao menos, fomentou pujantemente:


a) A casa. O domicílio do homem difere do ninho ou do antro do animal irracional não só por sua complexidade, mas principalmente por ser em seus primórdios um santuário religioso. Com efeito, o tipo característico da casa entre os romanos, por exemplo, se deve ao culto do fogo sagrado, fogo junto ao qual residiam os deuses Lares e Penates; para defender dos profanos o fogo santo, os homens construíram em torno dele um enquadramento, no qual aos poucos conceberam a ideia de estabelecer sua própria residência.

Algo de semelhante se deu entre os gregos, os quais diziam que o fogo havia ensinado os homens a construir seu domicílio. O fogo parece ter entrado nas casas em geral primeiramente a título religioso; só posteriormente foi dentro de casa utilizado para fins domésticos (aquecer, cozinhar…); ainda há tribos antigas que deixam a cozinha com o seu fogo fora de casa, só introduzindo no domicílio o fogo de caráter religioso. - Numerosos são os vestígios de crenças religiosas na arquitetura e na localização das casas, na disposição de portas, janelas e poços, entre os diversos povos.


b) As cidades. Também a formação e a configuração das cidades foram fortemente inspiradas por motivos religiosos. Era em torno de um templo ou de um recinto de culto que se ia aglomerando a população de uma região, dando assim origem a uma aldeia ou cidade; Enéias, por exemplo, fundou a cidade de Lavinium, levando para o santuário do mesmo nome os deuses de Tróia; na Idade Média era em torno de uma igreja situada no alto de uma colina, ou em torno de um mosteiro, que frequentemente se fundavam as cidades (tenham-se em vista os nomes compostos com moutier, mosteiro: Romainmoutier, Moyenmoutier, Noirmoutier…; em alemão Münster…).


Observe-se também que desde cedo se foram construindo cidades entre os egípcios, os mesopotâmios, os cretenses, porque a religião lhes favorecia; julgavam que os deuses queriam cidades; as grandes cidades gregas nasceram em período de efervescência religiosa. Ao contrário, os germanos, os celtas, os albaneses só tardiamente conheceram cidades, porque a sua sabedoria religiosa não as fomentava; foram não raro estrangeiros que entre eles fundaram as cidades.


c) A agricultura. Foi também muito estimulada por concepções religiosas, que atribuíam a certas plantas um valor sagrado ou uma função qualquer no culto. Tal foi o caso da figueira, que na índia traz o nome defícus religiosa; os gregos diziam que o figo era símbolo de iniciação a melhor vida. A oliveira gozou de semelhante estima. - O ópio, ao contrário, sendo proibido pelo budismo e o islamismo, é cultivado com estranha irregularidade no Oriente.


d) Os animais. Também não poucos animais têm recebido veneração religiosa. Em vários casos a passagem do animal selvagem para o estado de animal doméstico se fez mediante o estado de animal sagrado. O elefante, por exemplo, antes de ser animal doméstico, era animal sagrado na índia. No antigo Egito, os gatos sagrados eram numerosíssimos (descobriram-se milhares de múmias desse felino); julga-se com probabilidade que foram domesticados por constituírem objeto de culto religioso. Outros animais entraram no convívio do homem, a fim de honrarem a Divindade pela sua beleza; assim a íbis, no Egito; o pavão, na índia; o gamo, no Japão.


e) A indústria. Não menos profunda é a influência benéfica da Religião no desenvolvimento da indústria. A fabricação de laticínios, por exemplo, está em grande parte a serviço do culto no Oriente; nos templos do Tibete centenas de lamparinas ardem dia e noite, alimentadas por manteiga; os “lamas” têm o rosto, as pernas e as mãos untados com manteiga. A fabricação do papel e do livro têm dependido muito das necessidades do culto e da piedade; o mesmo se dá com os têxteis e a metalurgia.


f) O comércio. Está claro que as aglomerações vultosas de fiéis motivadas pela religião acarretam intensificação benéfica do comércio; as primeiras moedas eram objetos estimados por seu caráter ritual ou seu valor religioso. A contabilidade dos bancos e escritórios tem suas origens nos templos da Mesopotâmia, onde os sacerdotes, movidos por respeito sagrado, faziam o inventário de tudo que dizia respeito ao culto e ao sustento do templo.


g) Os transportes, as vias e as pontes devem grande parte do seu incremento ao fervor religioso de peregrinos e missionários. Não raro a afluência a determinado santuário provocou a abertura de estradas, assim como a multiplicação e o aperfeiçoamento de veículos. – Em particular, as pontes têm sido obras de sacerdotes ou de pessoas dedicadas a Deus. Com efeito, os romanos pagãos, por exemplo, julgando que os rios tinham algo de  agrado, reservavam a construção de pontes a um grupo especial de sacerdotes. Entre os cristãos da Idade Média, era a caridade que levava os fiéis a formar confrarias construtoras de pontes: havia os “Irmãos Pontífices”, aos quais se devem as pontes de Avinhão e do Espírito Santo, sobre o Ródano (França).


h) Por fim, note-se outrossim que no surto das artes está em geral a inspiração religiosa; as primeiras peças literárias das antigas e modernas civilizações são documentos religiosos; costumam estar redigidos em poesia, que é a forma literária mais correspondente ao entusiasmo sagrado (tenham-se em vista, por exemplo, as obras de Homero e dos “teólogos” gregos). A pintura e a escultura não são menos tributárias à Religião.


Em suma, registra-se o seguinte: sempre que nos é dado observar as origens ou as fases iniciais de determinada cultura, verificamos que as suas diversas manifestações estão todas indistintamente fundidas com a Religião; é no seio materno da Religião que elas nascem e por muito tempo são nutridas.


Donde se vê que considerar a Religião como algo de pré-lógico ou como produto da covardia do homem significa, de certo modo, lançar uma nota de desprezo sobre a própria cultura humana, que nasceu no seio da Religião.

Vêm a propósito aqui as observações de famoso geógrafo contemporâneo:


“A maioria dos homens atesta sobre a Terra a existência do sobrenatural; a espécie humana, em graus diversos, mas de maneira geral, é religiosa; esta, aliás, vem a ser uma de suas características; o “homo faber etsapiens” é também primordialmente um homo religiosus. Por obra dele, a terra está impregnada de religiosidade. A pujante tarefa cultural dos homens não foi efetuada somente em vista da instalação da espécie humana sobre o globo, mas parte muitas vezes grandiosa desses esforços foi empreendida mais ou menos diretamente a fim de proclamar ou exaltar a existência de seres sobrenaturais ou sagrados…


A religião nos aparece como um dos grandes fatores que transformam a face da Terra e, em qualquer caso, como o motivo de atividades caracteristicamente humanas… À semelhança do homem, o animal (irracional) lutou contra os elementos da natureza; mas o que somente o homem fez, foi dar vulto à ideia da Divindade sobre a face do globo. A Geografia religiosa vem a ser a Geografia mais especificamente humana…” (P. Deffontaines, Géographie et Religions. Paris 1948, 8.12).


4. Conclusão


A religiosidade é um elemento integrante da pessoa humana. O homem bem pode ser considerado um peregrino do Absoluto, um viandante rumo ao Eterno e Infinito. Até os materialistas marxistas procuram um novo estado de coisas e a plena satisfação de seus anseios através da mística do martelo e da foice. Os atritos que a religião causou entre os homens se devem, em grande parte, à valorização dos bens espirituais, que os antigos e medievais julgavam ser superiores aos bens materiais. A religião inspirou a entrega de tudo, até da própria vida, para não renegar o Valor Supremo que é Deus. Quando se avalia o passado, não se pode deixar de levar em conta esse traço próprio da mentalidade de nossos ancestrais.


Acontece, porém, que esse elemento integrante da pessoa humana – o senso religioso – não pode ser cego ou desligado da razão. É esta que distingue entre si fé e crendice. É com a inteligência que o homem crê, e não com os olhos da mente fechados pela cegueira do sentimentalismo ou das emoções.


Compete aos cristãos dar testemunho da autêntica religião, para que, mediante este testemunho claro e firme, o irmão que busca o Absoluto, embora não tenha fé, se entusiasme pela beleza de uma vida santa,… heroicamente santa.

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)

Imprimir | Favoritos |Compartilhar
  • Print this article!
  • Google
  • Live
  • YahooMyWeb
  • Favorites
  • del.icio.us
  • Digg
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Technorati
  • Yahoo! Buzz
  • TwitThis
  • Enviar artigo para amigo

* Os jovens e suas religiões.

quinta-feira, março 1st, 2012

Uma pesquisa inédita do instituto alemão Bertelsmann Stifung, realizada em 21 países, revela que esse renascimento da religião está mais presente no Brasil que na maioria dos países. O estudo mostra que o jovem brasileiro é o terceiro mais religioso do mundo, atrás apenas dos nigerianos e dos guatemaltecos.

Segundo a pesquisa, 95% dos brasileiros entre 18 e 29 anos se dizem religiosos e 65% afirmam que são “profundamente religiosos”. Noventa por cento afirmam acreditar em Deus.

Em 1882, o filósofo alemão Friedrich Nietzsche assinou a certidão de óbito divina com a célebre afirmativa: “Deus está morto”. Para ele, os homens não precisariam mais viver a ilusão do sobrenatural. “Aquilo que muitos acreditavam que destruiria a religião – a tecnologia, a ciência, a democracia, a razão e os mercados, tudo isso está se combinando para fazê-la ficar mais forte”, escreveram John Micklethwait e Adrian Wooldridge, ambos jornalistas da revista britânica The Economist , no livro God is back .

Regina Novaes destaca no artigo do ISER Jovens sem religião: Hoje e ontem há jovens que se definem como “ateus” e “agnósticos”, mas certamente em nenhuma outra época houve tantos jovens se definindo como “sem religião” que poderiam também ser classificados como “religiosos sem religião”, isto é, adeptos de formas não institucionais de espiritualidade que são normalmente classificadas como esotéricas, nova era, holísticas, de ecologia profunda etc. Mas, ao mesmo tempo, também é significativo o número de jovens que se predispõe a mudar de religião e que reafirma seu pertencimento às igrejas evangélicas, às novas religiões japonesas, ao Budismo e, também, a grupos católicos ligados à Teologia da Libertação ou à Renovação Carismática.

È bom lembrar que a maioria da população jovem (cerca de 85%) vive nos países em desenvolvimento, como o Brasil. O Brasil, aliás, é o quinto país do mundo com maior porcentagem de jovens na sua população, correspondendo a 50% da população jovem da América Latina e 80% do Cone Sul. Os 34,1 milhões de jovens brasileiros, ou 20,1% do total da população brasileira, representam quase que a população total da Argentina (cerca de 38 milhões).

Imprimir | Favoritos |Compartilhar
  • Print this article!
  • Google
  • Live
  • YahooMyWeb
  • Favorites
  • del.icio.us
  • Digg
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Technorati
  • Yahoo! Buzz
  • TwitThis
  • Enviar artigo para amigo

* Judeus são o grupo religioso mais “satisfeito com a vida”, segundo pesquisa.

quinta-feira, fevereiro 23rd, 2012

O instituto de pesquisas Gallup divulgou semana passada uma nova pesquisa sobre o “bem estar” das pessoas. Os “muito religiosos” são apontados mais uma vez como pessoas mais satisfeitas e as maiores taxas de “bem estar”.  Cada participante precisava responder a duas perguntas, cujas respostas os dividiram em três grupos: pessoas muito religiosas, pessoas moderadamente religiosas, e pessoas não religiosas.

A nova pesquisa entrevistou 676.000 pessoas de janeiro de 2010 a dezembro de 2011, com uma margem de erro de 1% (para mais ou para menos).   Esse estudo é parte de uma série que vem comparando o bem-estar total de pessoas religiosas e não religiosas.

Os estudos anteriores da série já mostraram que as pessoas muito religiosas geralmente têm melhor saúde física e emocional.

Embora não consiga identificar um motivo específico por que as pessoas mais religiosas tem um maior nível de bem-estar, possivelmente seja devido a rede social que acompanha uma congregação religiosa, a quantidade de tempo em meditação/oração e os mecanismos religiosos para lidar com a preocupação e a perda podem reduzir o estresse e promover maior felicidade.

O Gallup definiu um “Índice de Bem-Estar” baseado em uma série de elementos que incluem a saúde física e a emocional dos entrevistados.

“Os resultados confirmam a existência de uma forte relação positiva entre religiosidade e bem-estar, independentemente da fé”, afirmaram os pesquisadores Frank Newport, Witters Dan e Agrawal Sangeeta, do Gallup.

Pessoas “muito religiosas” compõem 41% da população adulta e responderam que “religião é parte importante da sua vida diária e vão para a igreja/sinagoga/mesquita toda semana ou quase toda semana.”

Pessoas “moderadamente religiosas” são 28,3% dos entrevistados e apenas 30,7%  disseram ser “não religiosas”.

Os judeus “muito religiosos” são as pessoas mais satisfeitas com o maior índice: 72,4%. Os mórmons “muito religiosos” ficam em segundo lugar, com 71,5%.

Em comparação, judeus “moderados” e “não religiosos” satisfeitos com sua vida chegaram a 68%, enquanto mórmons “moderados” e “não religiosos” chegaram apenas a 63%.

Embora a diferença entre o mais alto e o mais baixo na escala ser de apenas 7 pontos percentuais, os que se denominam “não religioso”, “ateu” ou “agnóstico” tiveram o  índice mais baixo de “bem estar”, com apenas  65,8%.

“O relacionamento entre religião e bem estar independe da intensidade (muito religioso, moderadamente religioso e não religioso) em cada grupo. Trata-se de algo mais alinhado com a própria fé”, afirma o documento emitido junto com a pesquisa.

Um exemplo disso são os muçulmanos, que apresentam um menor nível de bem-estar que os judeus, enquanto a diferença entre os mais e menos religiosos é praticamente o mesmo.

Os resultados da pesquisa mostram também  que 73% dos mórmons se identificam como “muito religioso”, em comparação com 50% dos protestantes (ou evangélicos), 46% dos muçulmanos e 43% dos católicos.

Gallup e Christian Post

Imprimir | Favoritos |Compartilhar
  • Print this article!
  • Google
  • Live
  • YahooMyWeb
  • Favorites
  • del.icio.us
  • Digg
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Technorati
  • Yahoo! Buzz
  • TwitThis
  • Enviar artigo para amigo

* Educação religiosa passa a ser ensino “obrigatório” nas escolas russas. Pois é..

terça-feira, fevereiro 14th, 2012

Após dois anos de experimentações, a Rússia, a partir de setembro, passa a instituir o ensino de religiões como matéria obrigatória em todas as escolas. O Primeiro Ministro Vladimir Putin aprovou o decreto pelo qual fica instituído o ensino de religiões em todo o território nacional, mesmo que o período de prova tenha sido feito somente em algumas cidades.

Os estudantes das escolas elementares e média poderão escolher entre estudar a história de uma entre as quatro religiões ditas tradicionais – cristianismo ortodoxo, islamismo, judaísmo e budismo – ou frequentar cursos mais genéricos sobre os fundamentos da cultura religiosa, ou ainda sobre os fundamentos da ética pública.

Banida durante todo o período soviético a religião voltou às grades escolares a partir de 2010 em 19 regiões, a partir de uma iniciativa do Patriarcado de Moscou, aprovada pelo Kremlin, em uma tentativa de cimentar valores comuns para uma identidade nacional.

Desde o início de fevereiro, o governo deu início a cursos de formação para professores de religião. Em março, os pais decidirão em que tipo de classe inscreverão seus filhos. (ED)

Imprimir | Favoritos |Compartilhar
  • Print this article!
  • Google
  • Live
  • YahooMyWeb
  • Favorites
  • del.icio.us
  • Digg
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Technorati
  • Yahoo! Buzz
  • TwitThis
  • Enviar artigo para amigo

* A maioria dos cristãos que se afastou da igreja não acredita que suas vidas tenha um propósito, afirma estudo.

domingo, janeiro 29th, 2012

Um estudo recente do Centro de Pesquisas LifeWay concluiu que as pessoa que possuem um mínimo de curiosidade sobre o sentido da vida estão mais propensos a participar de cultos religiosos. Mais da metade das pessoas que nunca frequentam a igreja jamais se perguntaram sobre o sentido de suas vidas.

Aproximadamente 75 % dos 2.000 adultos entrevistados dizem que “concordam” ou “concordam fortemente” com a afirmação: “Há um propósito e um plano divino para cada pessoa.” Contudo, 50 % dos participantes da pesquisa que nunca frequentam cultos discordam dessa afirmação.

“Esse contraste tem implicações significativas para as igrejas”, disse Scott McConnell, diretor da LifeWay. ”Não é surpresa que muitos dos ‘sem igreja’ não acreditam que há uma finalidade maior para suas vidas. Em outras palavras, por que ir à igreja aprender sobre o plano de Deus se você não acredita nesse tipo de coisa? ”

O estudo analisou três outros aspectos de significado e propósito. Mais de dois terços dos entrevistados concordam (parcialmente ou fortemente) que a busca pelo sentido ou propósito da vida é uma prioridade, mas apenas metade deles afirma que pensa nisso todo mês. Segundo a Lifeway, 78% acreditam que “É importante perseguir um propósito mais elevado e dar sentido para minha vida”. Por sua vez, 67 % concordam em dizer “A grande prioridade na minha vida é encontrar o meu propósito”.

Ao ouvir a questão “Quantas vezes você se pergunta: ‘Como posso encontrar o significado e o propósito da minha vida’”, 51% dos pesquisados indicaram pensar nisso pelo menos uma vez por mês, incluindo 18% que afirmam se perguntar diariamente. Já 13% fazem esse questionamento uma vez por ano, enquanto 28% nunca pensam sobre isso.

O estudo fez duas perguntas sobre aspectos a vida após a morte. A primeira é “Quantas vezes você se pergunta: Se eu morresse hoje, iria para o céu?”. A pesquisa aponta que 31% se pergunta sobre isso mensalmente, incluindo 8 % que se questionam sobre isso diariamente. Há 11 % que fazem essa pergunta anualmente e 46% diz nunca pensar sobre isso.

Comparativamente, um estudo de 2006 feito pelo Centro Missional de Pesquisas mostrou um número semelhante: 44% nunca se perguntou se iria para o céu quando morrer; 20% se questionava diariamente sobre a questão.

O novo estudo também perguntou aos entrevistados se concordavam com a afirmação: “Eu sei o que devo fazer para experimentar a paz na vida após a morte”. Pouco mais de 42% concordam (20% fortemente) e 50 % discordam (30% fortemente). Aqueles que nunca frequentam cultos religiosos são os mais propensos a discordar totalmente (63%).

Respondendo à afirmação: “Há um propósito final e um plano divino para cada pessoa”, os da faixa etária de 18 a 29 anos são os menos propensos a concordo totalmente (40%). Isso repete o que foi destacado em outras pesquisas da LifeWay sobre os pontos de vista dos jovens sobre a espiritualidade. Em seu livro, Lost and Found, Ed Stetzer presidente do Centro de Pesquisas LifeWay descobriu que 89% dos jovens adultos ‘sem igreja’ concordam com a afirmação: “Se alguém quisesse me dizer o que acreditava sobre o cristianismo, eu estaria disposto a ouvir”.

O estudo revelou que entre aqueles que nunca vão à igreja há menor interesse em descobrir o sentido da vida ou pensar na vida após a morte:

- 19% discordam fortemente que não há vida além deste mundo;

- 33% discordam fortemente que existe um propósito e um plano divino para cada pessoa;

- 63% discordam fortemente que sabem o que devem fazer para ter paz na vida após a morte;

- 50% nunca se perguntou como podem encontrar o significado e propósito de sua vida;

- 68% nunca se perguntam se morressem hoje, certamente iriam para o céu.

“Parece óbvio dizer que aqueles não se interessam pelos cultos religiosos pensam menos frequentemente sobre as coisas espirituais”, disse McConnell. ”Mas a implicação disso para a Igreja é clara. A maioria das pessoas poderia se interessar pelas coisas espirituais, pois não as conhecem, mas muitos cristãos acabam querendo falar sobre isso da maneira errada… Antes de quere mostrar o sentido da vida e a salvação é preciso saber o que essas pessoas pensam sobre o assunto”, concluiu McConnell.

G prime via Charisma News

Imprimir | Favoritos |Compartilhar
  • Print this article!
  • Google
  • Live
  • YahooMyWeb
  • Favorites
  • del.icio.us
  • Digg
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Technorati
  • Yahoo! Buzz
  • TwitThis
  • Enviar artigo para amigo

* Governo lança Comitê de Diversidade Religiosa e Direitos Humanos.

quinta-feira, dezembro 15th, 2011

Com o slogan “Democracia, Paz, Religião: Respeite”, o Comitê de Diversidade Religiosa e Direitos Humanos foi lançado no final de novembro, em Brasília.

O evento contou com a participação da Secretária de Direitos Humanos da República de Direitos Humanos, Ministra Maria do Rosário Nunes, além de pesquisadores da temática religiosa e de representantes da Fé Bahá’í, Federação Espírita
Brasileira, Umbanda, Candomblé, de igrejas de denominações cristãs e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

O objetivo principal do Comitê é garantir que todas as denominações religiosas sejam respeitadas no Brasil. “Este comitê tem a função de combater a intolerância religiosa no Brasil por meio de políticas
públicas e encaminhar denúncias de violações ao direito constitucional de liberdade religiosa”, explicou a Ministra Maria do Rosário durante a solenidade, realizada na sede da Secretaria de Direitos Humanos

(SDH). Ela também destacou no cenário internacional a intolerância contra os seguidores da Fé Bahá’í no Irã, os ciganos e as religiões de matriz africana como Candomblé e Umbanda, que são alvo de preconceito constantes.

“O Comitê é um espaço público cuja criação marca na história do Brasil o início de um processo de debates de políticas públicas de combate à intolerância”, afirma a representante bahá’í Daniella Hiche. “Trata-se do reconhecimento, por parte do Governo Federal, do potencial de contribuição das religiões no Brasil sobre temas que afetam a sociedade, como a corrupção, a violência e a promoção dos direitos
humanos”.

Segundo Marga Ströher, Coordenadora Geral da Diversidade Religiosa da SDH, a principal finalidade do novo Comitê é unir esforços no Brasil para superar a intolerância religiosa. Ela informa ainda que o modelo de funcionamento do órgão ainda está em debate, e sua composição ainda não está totalmente definida, e que é preciso pensar em estratégias de levar suas ações para o nível local.

“Há a possibilidade de convidarmos ainda representantes de outras religiões e outros indivíduos que poderão qualificar e fortalecer a execução da agenda proposta”, afirma ela.

Imprimir | Favoritos |Compartilhar
  • Print this article!
  • Google
  • Live
  • YahooMyWeb
  • Favorites
  • del.icio.us
  • Digg
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Technorati
  • Yahoo! Buzz
  • TwitThis
  • Enviar artigo para amigo

* Mídias estão no centro da religião, aponta professor.

quarta-feira, dezembro 14th, 2011
Hoje, para existir, uma instituição deve estar na mídia, a religião também, disse o professor de Estudos de Mídia da Escola de Jornalismo e Comunicação de Massa da Universidade do Colorado, Stewart M. Hoover, em entrevista ao Instituto Humanitas (IHU).

“As mídias estão agora no centro da religião e da espiritualidade contemporâneas”, afirmou o pesquisador, mencionando que as pessoas também experimentam a religião e a espiritualidade através da mídia.

As mídias digitais, então, tem a capacidade de fazer e de mudar a natureza da comunidade. As religiões institucionais, constata Hoover, “estão tendo dificuldade para se adaptar a essa nova situação”, e enfrentam o desafio à autoridade.
As religiões “não podem mais controlar a forma e os lugares em que as pessoas experimentam a religião, celebram a fé e exploram a espiritualidade”, disse.

Ele propõe que as igrejas repensem seus papéis de autoridade e façam parte de um “mercado de escolha” cultural nas esferas material e midiática. “Elas não controlam mais o mistério, que é agora algo pelo qual as pessoas se veem responsáveis”, afiançou.
Imprimir | Favoritos |Compartilhar
  • Print this article!
  • Google
  • Live
  • YahooMyWeb
  • Favorites
  • del.icio.us
  • Digg
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Technorati
  • Yahoo! Buzz
  • TwitThis
  • Enviar artigo para amigo
Sem a alegria da beleza, a verdade se torna fria e até impiedosa e soberba, como vemos que acontece no discurso de muitos fundamentalistas amargurados. Parece que mastigam cinzas ao invés de saborear a doçura gloriosa da verdade de Cristo, que ilumina, com luz mansa, toda realidade, assumindo-a assim como ela é a cada dia.(Papa Francisco)
  Assine o RSS
_______________________
Comentários
  • •Seria legal a referência dessas estatísticas da Planned Parenthood e British Medical Journal...
    em * Atriz de Bollywood se suicida ao
  • •vamos juntos...
    em * Cardeal de São Paulo, Dom Odilio
  • •Até que enfim alguém mexeu os pauzinhos para processar este pessoal que difamou a Igreja Católica e a todos nós católicos. Se há leis que punem profanações religiosas, que...
    em * Instaurado inquérito policial
  • •Huuummm! Entendi o que o Anderson quis dizer, Claudio! Valeu! rs...
    em * Seria só “a bíblia e sua
  • •realizações do comunismo pelo mundo 1)estupro de 5.000.000 de mulheres pelos comunas(comunistas) 2)assassinato de 100.000.000 de pessoas pelos comunistas só isso é o...
    em * O que distingue um caso de
  • •O livro do Padre Laburu é muito bom e foi relançado pela editora Cleofas do Prof. Felipe Aquino. Vale a pena ler!...
    em * “A questão, senhores, não é
  • •INCRÍVEL: A RUSSIA EXTERMINA DE FORMA CONTUNDE O GAYZISMO DO PAÍS! Vários jornais aproveitam dessa noticia e espalham-na, confundindo o Ocidente, parte já dopado pelo gayzismo...
    em * Apesar da mídia, 49,7% dos
  • •CARÍSSIMA ANA, A comunidade Shalom não usa em seu caminho formativo o ENEAGRAMA. Publiquei aqui no Blog um artigo abordando esse tema, veja se pode...
    em * “Eneagrama”.
  • •Boa noite Carmadélio! a comunidade católica shalom já emitiu algum posicionamento sobre o eneagrama ?...
    em * “Eneagrama”.
  • •É lamentável observar que muitos dos que se dizem católicos nada fizeram à respeito da profana apresentação na PUC-SP. Existe um cheiro de irenismo no ar... Falsa tolerância...
    em * Instaurado inquérito policial
  • •Elton, concordo plenamente com tudo que você escreveu! A Rússia de outrora aprendeu a duras penas sobre a probreza espiritual que o marxismo levou o país. Pena que o veneno se...
    em * Apesar da mídia, 49,7% dos
  • •Nós católicos esperamos que a justiça se faça presente neste puro ato de violência. Que as PUC´s não se tornem palco de anti cristãos católicos. Paz e Bem...
    em * Instaurado inquérito policial
  • •Após o socialista Obama entrar nos EUA a violência e desagregação social só aumentam, pois onde adentra o comunismo temos destruição, alienação e morte via lutas de...
    em * Astro do futebol americano,
  • •Os comunistas odeiam grande Papa Bento XVI por ter desmascarado suas farsas de diversas modalidades, sendo no tempo de pontificado o gigante que impediu em muito o avanço da...
    em * Instaurado inquérito policial
  • •Maria Madalena, cantar salmo acompanhado de instrumentos é uma coisa, se promover as custas de igreja e da inocência dos seus seguidores é outra coisa muito diferente! Basta...
    em * Seria só “a bíblia e sua
Categorias
Artigos – Dia a dia
junho 2013
D S T Q Q S S
« mai    
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30