Posts Tagged ‘religião’

* A Religião desarma o ódio e a violência dos homens? SIM!

sexta-feira, setembro 3rd, 2010

Pe. John Flynn, LC

Segundo muitos novos ateus que atacaram de forma vociferante Deus e a religião nos últimos anos, a religião não é somente irritante, mas também prejudicial e má. Muitos deles acusam a religião de ser propagadora de divisões, ódio e violência.

Não é verdade, replica David Brog em seu livro “In Defense of Faith: The Judeo-Christian Idea and the Struggle for Humanity” (Em defesa da fé: a ideia judaico-cristã e a luta pela humanidade. Encounter Books). Brog é um escritor judeu e diretor de Christians United for Israel. A tradição judaico-cristã foi o antídoto mais eficaz do Ocidente contra as perigosas tendências da natureza humana que propiciam a violência, sustenta.

Sim, houve épocas no passado em que a fé tendia à intolerância, mas devemos ver além de algumas imperfeições da nossa tradição religiosa e reconhecer os muitos benefícios da nossa herança espiritual, explica Brog. Não somos bons simplesmente por nascer, observa, e no passado a maioria das pessoas estava dividida em tribos, etnias e nações, cada uma enfrentava as outras. A mudança radical que a tradição judaico-cristã trouxe, aponta, é a ideia de que todos os seres humanos são criados à imagem de Deus e de que estamos chamados a amar todos os nossos próximos, sem exceção.

Brog chama isso de “ideia judaico-cristã” e diz que isso não só foi uma inovação no Ocidente, mas que continua inspirando nossa mais alta ética até a atualidade.

A compaixão que sentimos pela vítima de um terremoto no Haiti, ou por uma vítima da AIDS na África é um altruísmo que é excepcional na história humana, e temos de agradecer à tradição judaico-cristã por isso, acrescenta.

Cruzadas e Inquisição

Um dos capítulos do livro está dedicado ao que Brog considera mitos sobre atrocidades. Trata sobretudo das cruzadas e da inquisição espanhola, tema que surge quase de maneira inevitável quando se ataca o cristianismo. É verdade que, em ambos os episódios históricos, foram vistas atrocidades, mas Brog mantém que é necessário que consideremos o que ocorreu na perspectiva correta.

As cruzadas aconteceram em uma era de contínua guerra entre as potências cristãs e muçulmanas. Durante esses conflitos, os muçulmanos eram normalmente os agressores, e também na maior parte das vezes, os vencedores. Por isso, sustenta Brog, é incorreto pintar os cruzados como uma espécie de sanguinários e intolerantes cristãos. Na verdade, trata-se de um dos assaltos no conflito entre duas civilizações. As forças cristãs levaram a cabo atrocidades durante as cruzadas, mas – argumenta Brog – os líderes da Igreja estiveram na vanguarda na hora de tentar parar a violência injustificada.

Quanto à inquisição, Brog explica que, longe de ser a força impulsora depois de uma espécie de perseguição violenta, a Igreja foi frequentemente mais uma barreira a superar e um freio aos excessos.

É verdade que o Papa Sisto IV publicou, em 1478, a bula que autorizava a inquisição espanhola, mas Brog continua com sua defesa, dizendo que, assim que o Vaticano soube dos excessos da inquisição, interveio para tentar detê-las. Vários papas, nos anos seguintes, continuaram adotando medidas para conter a inquisição, acrescenta.

Ao concluir esta seção do livro, Brog afirma que a Igreja Católica não era a força que impulsionava a violência antissemita das cruzadas ou da inquisição, mas que, pelo contrário, havia buscado limitar tal violência. Dessa forma, estes dois episódios não provam que a religião seja uma fonte de conflitos humanos. Não obstante, adverte, revelam a necessidade de estar vigilantes, a fim de que a fé não se corrompa pela natureza humana prejudicada.

Vida humana

Um dos capítulos do livro examina o tema da santidade da vida humana. Brog compara isso com a prática comum do infanticídio no Império Romano. O código legal romano permitia matar qualquer filho homem deformado ou fraco, ou qualquer menina, sem importar se eram saudáveis ou não. Tanto judeus como cristãos se opunham com força a isso e afirmavam que não era lícito matar um inocente. Brog sustenta que a única razão pela qual hoje reconhecemos a santidade e igualdade de todos os seres humanos no Ocidente se deve à herança judaico-cristã.

“A maioria das civilizações, através da maior parte da história humana, nunca chegou a esta visão”, acrescenta.

Se algum filósofo do Iluminismo tivesse acolhido e abraçado este conceito da santidade da vida humana, dificilmente teria podido acreditar que oferecia uma contribuição original ao fazê-lo, sustenta Brog, já que a ideia vem diretamente da Bíblia, que a maioria deles tinha lido.

O perigo hoje, afirma, é que a ciência está pulando o muro que separa os seres humanos do reino animal e trata o homem somente como um animal. Somos advertidos com frequência sobre o perigo de que a religião se introduza em campos que não lhe competem, observa Brog, mas quando se trata da moralidade, é necessário que a ciência respeite sua falta de competência.

“Quando a ciência se aventura para além de suas áreas de interesse no reino da moralidade, costuma deixar cadáveres em seu caminho”, adverte Brog.

A mesma advertência se aplica à filosofia, continua Brog. Ainda que todos nós nos beneficiamos da tradição clássica e dos filósofos do Iluminismo, há limites ao que a filosofia pode nos ensinar.

A tradição judaico-cristã atribui aos seres humanos um valor que vai além das suas capacidades e contribuições individuais. E argumenta que, infelizmente, a filosofia leiga tentou muitas vezes quebrar esta situação e submeter-nos a sistemas de avaliação bem menos benignos.

Entre os perigos que Brog enumera, está a eugenesia, popular nos anos 20 e 30, que justificava a esterilização das pessoas consideradas inferiores, sancionada como prática legítima nada menos que pelo Tribunal Supremo dos Estados Unidos. Para que não pensemos que isso é só uma singularidade histórica, Brog aponta que hoje há filósofos, como Peter Singer, que estão a favor do infanticídio e da eutanásia.

Genes egoístas

O capítulo intitulado “Transcender nossos genes egoístas” está dedicado a mostrar como ambas as religiões, a judaica e a cristã, dão uma grande importância ao amor aos demais. Isso se baseia no escrito no primeiro capítulo do primeiro livro da Bíblia, no Gênesis, em que se diz que Deus criou o homem à sua própria imagem. Esta pode muito bem ser a ideia mais revolucionária de toda a história humana, assegura Brog.

Acreditar nisso implica em aceitar que estamos investidos de um valor acima de todos os demais seres criados e este é o fundamento de todos os direitos humanos. Não só estabelece o valor supremo de cada vida humana, mas também afirma a igualdade de todos os seres humanos.

Em uma interessante seção, Brog explica que o amor aos demais está no centro da tradição judaica, rejeitando a ideia de que na época de Jesus o judaísmo havia se reduzido à observância de algumas leis e rituais frios.

Há, no entanto, diferenças significativas entre o cristianismo e o judaísmo, admite. Contudo, deixando de lado as muitas questões teológicas que separam ambos, quando se chega à questão da moralidade, há uma marcada afinidade, comenta Brog.

Como o judaísmo, o cristianismo acentua a necessidade de agir em nome do amor que prega. Além disso, observa o autor, o exemplo último de amor em ação é a crucifixão de Jesus.

Voltando ao dia de hoje, comenta que o fato de que o Papa Bento XVI tenha escolhido para sua primeira encíclica o tema do amor é muito significativo.

Podemos discrepar sobre se há um Deus, mas – observa Brog – não podemos negar que a tradição judaico-cristã foi o meio primário pelo qual pudemos conseguir avanços éticos. Rejeitar a religião só levará a um aumento do sofrimento humano e do mal.

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* Existe esperança para cultura centrada apenas na ciência?

terça-feira, agosto 31st, 2010

Pe. François Bandet, EP

A fim de melhorar o entendimento da ciência quotidiana, é necessário tomar em conta duas características da ciência que influenciam tremendamente: a sua refletividade e a sua tecnicalidade.

Por refletividade, entendemos o meio de integração da dimensão da consciência no campo da ciência e, a partir daí, atingindo uma dimensão filosófica.

Pela sua tecnicalidade, a ciência distancia-se de toda a teoria e torna-se exclusivamente a técnica. Os dados tornam-se o mais importante e no seu caminho tentam “possuir” as leis da natureza.

Como a ciência sempre desejou “transformar” o mundo, está ligada à humanidade no seu ato de ser, no seu corpo e no seu espírito, tocando atualmente em problemas políticos, éticos e colocando em questão a própria humanidade.

Surge então um dilema para a humanidade: seguir a mentalidade lógica e técnica da ciência, olhando por cima de todas as considerações éticas, criando tensões e conflitos e concentrando-se na expansão e no desenvolvimento da “transformação” do mundo; ou encontrar (ou inventar) uma nova moralidade ética para justificar as novas conquistas.

Através da sua capacidade de transformar o mundo, a ciência criou novos problemas para a humanidade. Considerada, formalmente, um elemento de unificação, tornou-se hoje muito controversa devido aos excessos que produziu. Pense-se, por exemplo, nos atuais problemas e desastres ecológicos.

O futuro do homem e a sua existência parecem encontrar-se totalmente e irreparavelmente ligados à ciência e à tecnologia de amanhã. Por isso se deve desenvolver uma nova relação com a Fé, que deve ser respeitada e encorajada.

O conflito que surge pode ser encontrado ao nível do homem, da sua existência e da urgência de submeter a ciência aos valores morais humanos. Por outro lado, a Fé não deve mostrar um desinteresse em relação à ciência; poderá até tornar-se uma forte fonte de inspiração para ajudar a encontrar um senso de moralidade que irá fazer com que se produzam abundantes frutos de diálogo e unidade no mundo.

A ambiguidade da ciência moderna reside no fato de ter contribuído para o progresso da humanidade, mas que também está na origem de várias tensões, aberrações e desastres.

Cada vez se torna mais evidente que não é possível lidar com o problema do significado da vida, com questões éticas, e com um sistema de valores, no contexto de uma cultura centrada apenas na ciência.

BANDET. François. Estará a ciência oposta à Fé?

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* Religião é componente genético, afirma autor.

domingo, agosto 29th, 2010

Fonte: Revista Galileu

Nicholas Wade, repórter especializado em ciência do New York Times, juntou religião e as ideias evolutivas de Darwin – duas coisas aparentemente opostas. Em seu livro: The Faith Instinct (O Instinto de Fé, sem edição no Brasil), defende que a religiosidade é um comportamento universal humano, presente em todas as sociedades, e provavelmente moldada pela seleção natural em milhares de anos. Para ele, todos nós temos um instinto religioso, que nos faz querer ter fé.

A relação do repórter com a religiosidade começou no Eton College, no condado inglês de Buckingham. Fundada pelo rei da Inglaterra Henrique VI, a escola manteve seu currículo quase intacto ao longo dos mais de 500 anos que separam sua fundação, em 1440, do ingresso de Nicholas Wade, durante o colegial. Devido à grade secular, ele aprendeu latim e grego, estudou diversas religiões e frequentava a igreja duas vezes ao dia, exceto aos domingos. “Eu acho que essa familiaridade com os hinos e com a liturgia da Igreja da Inglaterra me fez apreciar a religião e me ajudou a entender porque ela tem sido uma força tão poderosa ao longo da história”, diz Wade.

Em seu livro, ele reúne citações de antropólogos, sociólogos, economistas, historiadores, psicólogos, teólogos para mostrar ao mundo com quanto de fé se constrói um homem.

Nicholas Wade conversou conosco sobre seu livro – que é de ciência, segundo ele. “Enquanto a base genética para o comportamento religioso existir, as pessoas estarão inclinadas em relação à religião”, ele destaca.

Confira a entrevista

Seu livro é um livro religioso ou um livro de ciência?

Olho para a religião a partir da perspectiva da ciência e, mais especificamente, da teoria da evolução,Portanto, é um livro de ciência – um livro de ciência sobre a religião.

Há quanto tempo o homem é religioso?

Toda sociedade humana conhecida tem alguma forma de religião. Desde que a religião é como um comportamento distintivo, é altamente improvável que cada sociedade tenha desenvolvido sua religião de forma independente. Religião deve ter sido um dos comportamentos que as sociedades humanas herdaram da população ancestral antes que estas se dispersassem por todo o globo. Como a dispersão da população humana moderna ocorreu há cerca de 50 mil anos, a religião deve existir há pelo menos esse tempo.

E quando ela teve início?

Ninguém sabe. Os rituais religiosos, com base em danças e cantos sem palavras, poderiam ter existido antes mesmo da linguagem. Mas a data em que a linguagem evoluiu também é desconhecida.

As religiões podem estar conectadas em um ponto de origem comum?

A população ancestral humana era muito pequena, houve um ponto em que não éramos mais de 5.000 pessoas. Pode ser que, nesta época, existisse uma religião única, a partir da qual todas as religiões de hoje são descendentes.

E por que isso é importante?

Novas religiões são formadas quando uma seita se separa de uma religião-mãe, e isso significa que, em um princípio, todas as religiões do mundo podem estar postas em uma única árvore de descendência. Isto é importante porque mostra a unidade da religião. Também nos ensina a olhar para as ligações históricas entre as religiões, que os autores religiosos podem ter tido o cuidado de ocultar. O Islã, por exemplo, pode ter raízes profundas no cristianismo, mas não é evidente.

A religiosidade trouxe benefícios à evolução dos seres humanos?

A religião resolveu, de forma muito eficiente, um problema difícil: como o nosso cérebro cresceu, cada indivíduo pode calcular melhor o seu próprio interesse e colocá-lo à frente do interesse do grupo. Mas uma sociedade em que todos colocam seu próprio interesse em primeiro plano se fragmentará brevemente.

A religião era uma maneira de dar coesão ao grupo. Com cânticos e rituais, fez com que todos se comprometessem com as regras, que foram criadas para promover comportamentos que ajudariam o grupo. Este compromisso não foi uma promessa ou uma intenção consciente. O compromisso criado pela religião é profundo, emocional, e muito mais difícil de ser ignorado. Grupos ligados à religião tiveram um forte tecido social, e seus membros estavam mais dispostos a defendê-los, mesmo a sacrificar suas próprias vidas na batalha por aquela religião.

E como a seleção natural está ligada a isso?

Os primeiros humanos eram bastante territoriais e agressivos. Nesta circunstância, a seleção natural teria favorecido os grupos mais religiosos, uma vez que tinham um grupo mais coeso, mais unido, e conseguiram prevalecer mais vezes contra os seus inimigos. Por fim, os genes para os comportamentos religiosos se tornaram universais na população humana inicial.

Essa teoria da seleção natural vem sido criticada por muitos cientistas
Os seres humanos são animais altamente sociais, e sua sociabilidade deve ter evoluído de alguma forma. Mas a sociabilidade – o que significa colocar os interesses da sociedade à frente do próprio interesse – constitui um sério desafio para a teoria evolutiva, uma vez que qualquer esforço para ajudar outras pessoas prejudica os esforços para resolver as próprias necessidades.

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* Bandeira e religião se encontram no Nepal.

sábado, agosto 21st, 2010

Por que a bandeira do Nepal é a única que não é quadrilátera?

As bandeiras são símbolos de uma nação, de um Estado, município. São popularmente muito usadas como representação de times. São empunhadas, balançadas, penduradas em janelas. Usadas como marco em expedições, seja nas montanhas mais altas do mundo, seja na Lua. Sempre quadriláteros, retângulos em sua maioria.

Não no Nepal. O micro país mais conhecido por ter o “topo do mundo”, o monte Everest, em seu território ostenta como símbolo maior uma bandeira de formato geométrico sem nome definido. Há até um ângulo reto presente, no canto inferior esquerdo, mas para por aí. Seu lado direito e seu topo é formado por triângulos.

Na verdade, sua bandeira é uma junção de outras duas, que provém de diferentes partes da antiga Dinastia Rana, que governava o país. Sua borda azul representa a paz. Já o vermelho… Não, não é exatamente vermelho. A cor oficial que domina o maior espaço da bandeira é o carmesin, tom forte de vermelho. Já os dois símbolos retratam o cosmo, da forma a qual seria vista do espaço sideral por uma pessoa.

A partir daí surge a explicação para o diferente formato. A bandeira é constituída por dois triângulos, um acima do outro, cada um contendo um símbolos retratado. Na parte inferior está o Sol iluminando e na inferior, a Terra surge como a meia lua de sombra abaixo de um astro no momento do crepúsculo. É como se o fenômeno fosse visto simultâneamente por alguém presente na Terra e alguém no espaço.

Confuso? Pois tudo isso, na cultura nepalesa, é derivado da crença que diz que a bandeia é um presente de Vixnu (ou Vishnu), Deus da mitologia hindu que é responsável pela manutenção do universo.

Porém, atualmente, se diz de forma simplificada que os símbolos são “apenas” representações da esperança de que o Nepal dure tanto quanto o Sol, a Terra e as estrelas. Realmente, mais fácil, não?

Fonte: Terra

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* O “self-service religioso”. Sirva-se à vontade.

quinta-feira, agosto 19th, 2010


Realmente o sistema self-service, que significa auto-serviço, é um sistema fantástico e que está se alastrando para diversos seguimentos. De sorveterias a postos de gasolina, passando até por roleta de ônibus: todos estão aderindo ao auto-serviço, onde cada um escolhe o que quer, a quantidade que quer, da maneira que quer. Até ovo de Páscoa agora é recheado na hora, com a vontade do freguêsO mais novo “seguimento” a adotar esse sistema é o da religião. Realmente está crescendo muito no meio religioso o sistema “self-service da fé” onde cada um escolhe a fé que quiser (tem para todos os gostos); e se não gostar de alguma que já esteja estabelecida pode fabricar a sua, escolhendo entre as outras tantas aquilo que achar mais conveniente. É um sucesso de público este sistema.

Por trás disso tudo temos a forte realidade de nossos tempos: hoje, mais do que nunca, as pessoas estão buscando o prazer particular e egoísta que leva a fazer da vida um grande restaurante self-service, onde cada um põe no prato aquilo que mais lhe convém.

Essa vontade de fazer da religião algo particular, apesar de revelar-se com mais força nesses tempos, já é uma prática de muito tempo.

Em 1534, por exemplo, a Igreja Católica perdeu todas as igrejas e os fiéis da Inglaterra porque o rei Henrique VIII queria o divórcio e o Papa não concedeu. Assim, o rei fez das igrejas de seu território a Igreja Anglicana, para protestar contra o “não” papal.

E como Henrique VIII colocou no seu prato aquilo que mais gostava e retirou o que não concordava, muitos também abrem a sua igreja, atraindo as pessoas que querem ouvir aquele determinado tipo de “verdade”, moldada à vontade do freguês. Assim, hoje se abre igreja que só fala para jovens, ou só para presidiários, ou só para roqueiros, ou só para homossexuais… enfim, igrejas de todos os tipos que vão dilacerando a verdade que tem caráter universal.

Para se ter uma idéia de como andam as coisas, em São Paulo existem escritórios especializados em preparar a documentação para se abrir igrejas evangélicas. Segundo os advogados desse escritório, qualquer pessoa pode pagar uma taxa de legalização de R$ 30,00 e em três dias estar com sua igreja aberta dentro da lei. E está em grande crescimento este “seguimento do mercado”. Uma pesquisa do início dos anos 90 mostrava que a cada semana surgiam mais de cinco novas igrejas só no Rio de Janeiro.

E nesta festa aparece de tudo. No Rio, por exemplo, temos a “Igreja Evangélica Pronto-Socorro de Jesus”, “A Última Embarcação de Cristo”, “Celeiro Santo” e “O cativeiro de Jó”. Em São Paulo tem “Espada de Dois Gumes”, “Prepara-te”, “Deus opera Maravilhas” e “O Homem que viu Jesus Cristo no Cinema”,

E no meio desta salada mista está a Igreja Católica, que geralmente é vista por todas essas pessoas como a mais errada de todas. Mesmo assim, ela tem a grave missão de ser educadora da fé de todos os homens, mesmo que estes não aceitem a sua mensagem(1).

E qual é a opinião da Igreja nesse “show da fé”?

A Igreja tem grande “respeito pelo homem na sua busca de resposta às questões mais profundas da vida”(2), por todos aqueles que acreditam no Cristo, mesmo pertencendo a outras comunidades. Contudo, ela não pode deixar de denunciar que há abusos no surgimento indiscriminado de “seitas que se expandem, como uma mancha de óleo ameaçando fazer ruir a estrutura de fé de tantas nações”(3).

O Papa João Paulo II  chamava a nossa atenção para um problema mais sério existente por trás disso tudo: “As seitas causam sérios prejuízos religiosos aos seus seguidores. Não se trata somente de abandonar as suas crenças. Passado o entusiasmo das curas fictícias, verifica-se que nem sempre retornam à fé e abraçam o indiferentismo”(4).

E não é só isso. Segundo o censo feito pelo IBGE no ano 2000, o grupo “religioso” que mais cresceu depois dos ditos “evangélicos”, foram os sem-religião. Pessoas que simplesmente seguem tudo ao mesmo tempo ou vão pescando aqui e ali o que acham mais certo (ou mais fácil) e produzindo a sua crença particular; ora misturando os preceitos de várias religiões (inclusive não-cristãs), ora não tendo preceito e até moral alguma. Criando assim um Deus à “sua maneira”. Ora, eu não posso crer em Deus “da minha maneira”, mas só posso crer da maneira como Ele se revelou em Jesus Cristo. O que fugir disso é imaginação humana, nada mais… Não existe verdade adaptável… eu é que tenho que adaptar-me a ela…

O self-service religioso é um fenômeno bastante atual que temos que observar, não, porém, sem tristeza. Por isso, não se assuste caso saiba que mais uma igreja surgiu ou que a Igreja Católica perdeu mais alguns de seus fiéis; antes, reze, pedindo a Deus a luz da coerência sobre estas pessoas para que percebam que não podem fundar a sua religião, ou sua crença como bem entendem.

Certa vez, perguntaram a Napoleão, imperador da França, porque ele, sendo tão poderoso, não fundava uma religião. Napoleão respondeu: “Para fundar uma religião é preciso antes morrer numa cruz e ressuscitar. Morrer na cruz eu não quero, ressuscitar eu não posso”.

Diante disso, não acredite quando dizem que a Igreja Católica está decadente. Ora, a Igreja é um projeto, uma proposta ao homem cultivada por Deus desde o início do mundo. Ela não decai nunca. Quem pode decair é o homem que não a ouve; a Igreja jamais decairá, pois ela foi adquirida pelo sangue do Filho de Deus(5).

Muito ao contrário do que se pensa (e se quer fazer pensar) a Igreja, apesar de seus infiéis filhos, continua com toda a sua força e com toda a sua autoridade. Ela está sempre empenhada nas grandes causas, preocupada em mostrar para o mundo a necessidade da paz, dos valores morais e da dignidade do homem, estando muitas vezes sozinha no hastear desta bandeira.

O Vaticano possui hoje relações diplomáticas com mais de 170 países, isso, para se ter idéia, é mais do que possui os Estados Unidos. Inúmeros protestantes têm reconhecido a força da Verdade presente na Igreja e têm voltado para ela. Como é o caso de dioceses anglicanas dos Estados Unidos e Austrália que manifestaram recentemente o desejo de voltar à unidade com a Igreja Católica.

No ano 2000, por exemplo, 171 mil adultos entraram na Igreja nos Estados Unidos. Na França são quase 9 mil os adultos que recentemente foram batizados. Centenas de sacerdotes e bispos protestantes têm abraçado o Catolicismo. E isso por quê? Porque estudaram a história de suas igrejas e da Igreja Católica. E mais que isso: abriram-se à Verdade.

Recentemente li um pensamento belíssimo que muito ajuda a perceber a “decadência” da Igreja: “Hoje muitos dizem que o Papa está velho, tremendo e que deveria renunciar. Porém, eu digo que já vi quem reunisse 300 mil pessoas para fumar maconha, quem reunisse 150 mil pessoas para ver um show de rock… mas reunir 2 milhões e meio de jovens para rezar é apenas o Papa quem consegue”

Fonte: Universo Católico
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* Ansiedade pode estar na raiz do extremismo religioso, afirma estudo.

sexta-feira, julho 23rd, 2010

Verdade e caridade evitam extremismos religiosos

Verdade e caridade evitam extremismos religiosos

Rádio Vaticano

A ansiedade e a incerteza podem tornar as pessoas idealistas demais ou levá-las a serem mais radicais em suas crenças religiosas: a conclusão é de pesquisadores da Universidade de York, no Canadá, que publicaram os resultados de seu trabalho na edição deste mês do Journal of Personality and Social Psychology.

Numa série de estudos, mais de 600 participantes foram colocados em situações neutras ou que provocavam ansiedade. A seguir, eles descreviam seus objetivos pessoais e avaliavam o grau de convicção que tinham em relação a seus ideais religiosos. Isso incluiu perguntar aos participantes se eles dariam suas vidas por sua fé ou se apoiariam uma guerra em defesa da sua religião.

Em todos os estudos, as situações de ansiedade fizeram com que os participantes se tornassem mais avidamente envolvidos em seus ideais e adotassem posições mais extremistas em suas convicções religiosas.

Num teste, ponderar sobre um dilema pessoal provocou um aumento geral em direção a objetivos pessoais mais idealistas. Em outro, esforçar-se para resolver uma questão matemática confusa causou um pico de posições religiosas extremistas. Num terceiro experimento, refletir sobre as incertezas de um relacionamento causou a mesma reação de “zelo religioso”.

Os pesquisadores descobriram que as reações religiosas mais extremistas são mais pronunciadas entre os participantes com personalidade forte (definida como uma pessoa como autoestima elevada, orientada para a ação, mais ansiosa e mais tenaz) – normalmente mais vulneráveis à ansiedade – e entre aqueles menos seguros sobre seus objetivos na vida diária.

A explicação, segundo os pesquisadores, está em um processo motivacional básico, chamado Motivação Reativa (RAM: Reactive Approach Motivation). “A motivação reativa é um estado persistente no qual as pessoas tornam-se “prontas para atirar” em qualquer objetivo ou ideal em que estejam engajadas. Elas se sentem poderosas e os pensamentos e sentimentos relacionados a outras questões perdem espaço” – diz Ian McGregor, coautor do estudo.

“A motivação reativa normalmente é um processo de regulação adaptada dos objetivos, que pode reorientar as pessoas rumo a formas alternativas de busca de seus objetivos, quando se deparam com um problema.”

“Contudo, nossa pesquisa mostra que os seres humanos podem, algumas vezes, “cooptar” a motivação reativa para aliviar a ansiedade a curto prazo. Simplesmente promovendo os ideais e as convicções em suas próprias mentes, as pessoas podem ativar a motivação reativa, estreitando seu foco motivacional para longe dos problemas que as deixam ansiosas, sentindo-se assim mais serenas” – explicou McGregor.

Os pesquisadores também mediram as crenças supersticiosas dos participantes e sua concordância com o conceito de um Deus controlador, a fim de distinguir as formas de fundamentalismo religioso das formas mais abertas de devoção.

“Avaliados em conjunto, nossos resultados sugerem que pessoas ousadas, mas vulneráveis, são atraídas para os extremismos “idealista” e “religioso”, a fim de aliviar a própria ansiedade” – concluiu McGregor. (AF)

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* Uma imagem, uma busca. Deus,onde estás?

domingo, junho 27th, 2010

Esta cerimônia budista se realizou num dos maiores templos do mundo, na Tailândia, a 60 quilômetros ao norte de Bangkok, para comemorar o dia em que 1250 discípulos de Buda se reuniram para ouvir seus ensinamentos e serem ordenados monges por ele. Construído entre 1970 e 1982, numa arquitetura ultramoderna, este edifício de 320 mm metrros quadrados, cuja silhueta evoca um gigantesco estádio, pode acolher até 150 mil fiéis. Mas aqui são “somente” 100 mil que estão rezando e esperando sua ordenação sob a lua cheia, todos equipados com uma lâmpada de óleo cuja luz simboliza a vontade de crescer nos méritos e nos conhecimentos.

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* Newton, Einstein e Deus. Alguma relação?

domingo, junho 20th, 2010

“Os dois gigantes da física tinham uma relação íntima com certa versão do que se costuma chamar de Deus”, escreve Marcelo Gleiser, professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro ” Criação imperfeita” em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo,

Eis o artigo.

Talvez isso surpreenda muita gente, mas tanto Newton quanto Einstein, sem dúvida dois dos grandes gigantes da física, tinham uma relação bastante íntima com Deus.

É bem verdade que o que ambos chamavam de “Deus” não era compatível com a versão mais popular do Deus judaico-cristão.

Numa época em que existe tanta disputa sobre a compatibilidade da ciência com a religião, talvez seja uma boa ideia revisitar o pensamento desses dois grandes sábios.

No epílogo da edição de 1713 de sua obra prima “Princípios Matemáticos da Filosofia Natural” (1686), Newton escreve que o seu Deus (cristão, claro) era o senhor do Cosmo e que deveria ser adorado por estar em toda a parte, por ser o “Governante Universal”. Essa visão de Deus pode ser considerada panteísta, se entendermos por panteísmo a doutrina que identifica Deus com o Universo ou que identifica o Universo como sendo uma manifestação de Deus.

A visão que Einstein tinha de Deus, devidamente destituída da conotação cristã, ecoava de certa forma a de Newton.

Para ele, um Deus que se preocupava com o destino individual dos homens não fazia sentido. Sua visão era bem mais abstrata, baseada nos ensinamentos do filósofo Baruch Spinoza, que viveu no século XVII.

Numa carta dirigida a Eduard Büsching, de 25 de outubro de 1929, Einstein diz: “Nós, que seguimos Spinoza, vemos a manifestação de Deus na maravilhosa ordem de tudo o que existe e na sua alma, que se revela nos homens e animais”.

Em 1947, numa outra carta, Einstein escreveu: “Minha visão se aproxima da deSpinoza: admiração pela beleza do mundo e pela simplicidade lógica de sua ordem e harmonia, que podemos compreender”.

Como essas posições podem ser usadas no debate sobre a compatibilidade da ciência com a religião?

De um lado, ateus radicais como Richard Dawkins, Christopher Hitchens e Sam Harris argumentam que não pode haver uma compatibilidade, que a religião é uma ilusão que precisa ser erradicada, que o sobrenatural é uma falácia.

De outro, existem vários cientistas que são pessoas religiosas e até mesmo ortodoxas, e que não veem qualquer problema em compatibilizar seu trabalho com a sua fé. O fato de existirem posições tão antagônicas reflete, antes de mais nada, a riqueza do pensamento humano. Nisso, vejo um ponto de partida para uma possível conciliação.

É verdade que o ateísmo radical está respondendo a grupos fundamentalistas que tentam evangelizar instituições públicas. “Guerra é guerra e devemos usar as mesmas armas”, ouvi de amigos. Mas o pior que um fundamentalista pode fazer é transformar você nele.

Einstein e Newton encontraram Deus na Natureza e viam a ciência como uma ponte entre a mente humana e a mente divina.

Para eles, adorar a Natureza, estudá-la cientificamente, era uma atitude religiosa.

***

Embora a visão panteísta não seja aceita pela doutrina católica, é interessante se perceber que- ao contrário dos que dizem os ateus- a busca pela verdade, mesma a cientifica, lava-nos à grande verdade que é DEUS.

Para nós, essa verdade se encarnou em Jesus Cristo, o filho amado do pai.


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* Fifa vê com “preocupação” manifestações religosas durante jogos da Copa.

terça-feira, junho 8th, 2010

A Fifa enviou um comunicado a cada uma das 32 seleções que disputarão a Copa do Mundo, na África do Sul, pedindo aos jogadores moderação na expressão de sua fé durante as partidas. A ideia é fazer com que os jogadores deixem de comemorar seus gols e vitórias com mensagens religiosas.

Segundo a Fifa, o Brasil é o país que mais preocupa quando se trata de manter futebol e religião separados. O uso de camisetas com mensagens escritas, por baixo do uniforme, é proibido pela entidade. No entanto, os atletas aguardam o final do jogo para exibi-las e expressar sua fé.

A polêmica surgiu na conquista brasileira sobre a Alemanha, na Copa de 2002. Os jogadores do Brasil aproveitaram a ocasião, entre eles Kaká, para exibirem suas mensagens. O assunto voltou a ser discutido depois de um ano, após a conquista da Copa das Confederações, na África do Sul, quando os brasileiros repetiram as manifestações.

O secretário-geral da Fifa, Jérome Valcke, acredita que a solução é pedir o compromisso das seleções para evitar as mensagens religiosas. A assessoria de imprensa da Fifa disse que, ainda esta semana, cada seleção receberá a visita de um representante da entidade, para falar sobre assuntos relacionados à Copa e sobre o comportamento dos jogadores.

A Fifa não é contra a inclusão de religiosos na comitiva, mas proíbe a promoção de qualquer religião. As autoridades esportivas não querem transformar a Copa num evento político ou religioso. A entidade já estudou a aplicação de multas, mas teme que as punições possam suscitar polêmicas e possíveis acusações de cerceamento religioso.

A propósito:

JOGADORES SÉRVIOS POSAM PARA FOTO EM FRENTE DE IGREJA

Antes de viajar para a África do Sul, para a disputa da Copa do Mundo, a seleção sérvia posou para fotos na frente de uma igreja ortodoxa em Belgrado, demonstrando que a equipe é apegada à religião, assunto considerado polêmico pela Fifa.

De fato, a entidade responsável pelo futebol mundial pediu que, durante a competição, haja moderação nas manifestações religiosas. A medida foi tomada após a decisão da Copa das Confederações realizada no ano passado, quando os jogadores brasileiros se ajoelharam e rezaram no círculo central do gramado, após a vitória sobre os Estados Unidos por 3 a 2.

Nesta segunda-feira, todos os 23 atletas sérvios e mais a comissão técnica foram fotografados na frente da Catedral ortodoxa de Belgrado. “Devemos fazer tudo que estiver ao nosso alcance para passar da primeira fase” – disse o atacante Nikola Zigic.

Seu colega de posição, Marko Pantelic, afirmou que a classificação da Sérvia está diretamente relacionada à estreia no Mundial, no próximo domingo. “Se nós vencermos Gana na primeira partida, tudo será muito mais fácil” – comentou o jogador.

Rádio Vaticano

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* O terço pode se tornar “um fim em si mesmo”? pergunta-nos estudiosa, em análise antropologica.

segunda-feira, maio 31st, 2010

Entrevista interessante e que nos questiona.

***

Surgido no século XIII, o terço católico ainda é um costume entre os fiéis do século XXI, tendo passado por algumas transformações ao longo do tempo, mas mantendo sempre a sua estrutura de repetição de invocações a Jesus e à Virgem Maria.

Acompanhando e meditando os “mistérios”, episódios das vidas de Jesus e Maria – inclusão que ocorreu apenas em torno de 1500 –, “a oração se torna o momento de atualizar em si mesmo as boas obras” vivenciadas por aqueles aos quais se dirige.

Hoje, porém, com a venda desse objeto devocional em grande escala – e utilizado nas mais diversas ocasiões, até como acessório de moda –, pode estar ocorrendo uma “destradicionalização religiosa”, o que acarreta uma ameaça à aura sagrada do objeto, assegura a socióloga e doutoranda em Antropologia, Paola Lins de Oliveira, em entrevista concedida, via email, à IHU On-Line.

Nesse sentido, defende Paola, “o terço pode se tornar ‘um fim em si mesmo’, seja como uma oração apartada da dimensão meditativa, ou mesmo como um símbolo com força sagrada intrínseca. Sua difusão, especialmente por meio dos canais de televisão católicos, também “pode estar relacionada ao panorama mais geral do campo religioso brasileiro e à necessidade, por parte da Igreja Católica, de mobilizar uma reação diante da perda de fiéis”, como ocorreu desde as origens da oração, nascida dentro de esforços de evangelização católica e de conversão dos hereges.

Doutoranda em Antropologia no Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS/UFRJ),Paola Lins de Oliveira possui graduação em Ciências Sociais e mestrado em Sociologia com concentração em Antropologia pela mesma instituição. É pesquisadora do Instituto de Estudos da Religião (ISER) e secretária editorial da Revista Religião e Sociedade e do Boletim Plural, editados pelo ISER.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Como funciona o terço enquanto mediação entre o fiel e o sagrado? Qual o sentido atribuído à repetição de orações?

Paola Lins de Oliveira – “Terço” é um termo que designa tanto uma oração quanto o instrumento utilizado para realizá-la. Em sua dimensão material, o terço consiste em um colar com 50 contas para rezar ave-marias e cinco contas para pai-nosso. No contexto do ritual da oração, o terço corresponderia à terça parte da oração do rosário, que seria composta por 150 ave-marias e 15 pai-nosso, combinados com a meditação de episódios da vida de Jesus Cristo e Maria.

As narrativas tradicionais contam que o rosário foi entregue a São Domingos de Gusmão pela Virgem Maria, para que ele rezasse e divulgasse a “oração do rosário”. O período, no início do século XIII, foi marcado por inúmeras revoltas hereges no seio da cristandade europeia, e a oração, desde suas origens, aparece como instrumento para a evangelização. Fato é que com o passar do tempo, o rosário foi fracionado e perdeu popularidade para sua terça parte.

Enquanto oração, o “terço” atua como mediador, porque cria condições propícias para o contato entre aquele que ora e Jesus Cristo ou Maria, assim como o próprio objeto, em diversas circunstâncias, condensa os sentidos sagrados dessa relação.

IHU On-Line – Que aproximações e que distanciamentos você observa entre o uso entre fiéis e os aspectos do terço, valorizados pela hierarquia católica?

Paola Lins de Oliveira – Do ponto de vista das prescrições eclesiásticas, a oração media a relação entre os devotos, Maria e Jesus Cristo. A sucessão de preces combinadas à contemplação dos episódios da vida de Jesus e Maria teria forte potencial santificador. Reconhece-se o valor exemplar das trajetórias de Jesus e Maria, de modo que, para o devoto, a oração se torna o momento de atualizar em si mesmo as boas obras. Esses ensinamentos recomendam, portanto, a combinação entre a dimensão material (com a recitação das preces e manipulação do terço) e a dimensão espiritual (com a meditação dos mistérios) na composição da oração do rosário. Essa fusão não acontece sempre ou necessariamente no uso cotidiano dos fiéis. O terço pode se tornar “um fim em si mesmo”, seja como uma oração apartada da dimensão meditativa, ou mesmo como um símbolo com força sagrada intrínseca, atribuída em um processo de singularização de sua “biografia cultural”, conceito elaborado por Igor Kopytoff em seu texto The cultural biografy of things: commoditization as process (1986).

IHU On-Line – Atualmente, em que contextos sócio-religiosos se dá o uso do terço católico nas práticas de oração?

Paola Lins de Oliveira – Os terços católicos deslocam-se intensamente e cada vez mais das esferas da vida íntima e privada dos fiéis para os espaços públicos. Num plano, o objeto para a oração do rosário possui grande adesão entre fiéis católicos, principalmente mulheres, que realizam suas orações no âmbito privado e mesmo nas igrejas. Por ser uma oração fortemente associada à figura de Maria, o terço e o rosário são devoções muito difundidas tanto em contextos tradicionais quanto entre grupos ligados ao movimento carismático. Em outro plano, mas como consequência da crescente divulgação da oração, os terços passam a se afinar às lógicas mercadológicas de produção e difusão de bens, ocupando cada vez mais e frequentemente os espaços públicos, fato que se observa, por exemplo, nos adesivos de terços afixados nos automóveis que circulam nos centros urbanos brasileiros.

IHU On-Line – Quais os principais fatores que contribuem para essa sacralização?

Paola Lins de Oliveira – A sacralização dos terços não ocorre de uma forma unívoca. A partir da pesquisa realizada, observei que o objeto “terço” experimenta diferentes modalidades de “sacralização”, que, por sua vez, estão relacionadas sobretudo à sua dimensão material, cotidiana e íntima. Do ponto de vista do devoto ou da devota, o objeto pode se tornar sagrado através de um processo de uso sistemático e cotidiano ou de aproximação na vida mais íntima e familiar, quando consiste em uma herança materna, ou presente de algum parente ou amigo. A valorização do potencial santificador da oração e sua vinculação à mãe de Jesus são os principais vetores sacralizantes que aparecem nas narrativas da hierarquia católica. De qualquer forma, o que eu ressalto na pesquisa é que, diferentemente de um sentido sagrado “extraordinário” e “separado” da vida cotidiana, a sacralização desses objetos ocorre na dimensão mais ordinária da vida diária, no dia-a-dia.

IHU On-Line – Hoje, acompanhamos uma ampla difusão da reza do terço em redes católicas de televisão e por diferentes grupos e movimentos católicos. Que sentidos e intencionalidades estão subjacentes a essas práticas?

Paola Lins de Oliveira – Ainda que não tenha me detido especificamente sobre a difusão da oração em canais de comunicação, é possível considerar que isso faça parte do movimento mais geral de publicização da oração do terço e do rosário. Como a oração está ligada a esforços de evangelização católica desde suas origens, a crescente ocupação dos espaços dos canais televisivos pode estar relacionada ao panorama mais geral do campo religioso brasileiro e à necessidade, por parte da Igreja Católica, de mobilizar uma reação diante da perda de fiéis.

IHU On-Line – Que impactos tem para a sacralidade do terço a crescente produção e comercialização do objeto terço em espaços comerciais articulados em diferentes âmbitos de romarias religiosas?

Paola Lins de Oliveira – Quanto à produção, observa-se a adoção da lógica de mercado por parte das instâncias religiosas. Inúmeras pesquisas realizadas no âmbito das ciências sociais têm mostrado que o comércio de bens religiosos cresce com folga em todo o país, principalmente nos centros urbanos. São milhares de terços e rosários produzidos por fábricas de artigos religiosos espalhadas pelas grandes regiões metropolitanas brasileiras. Mas, ainda que essa produção ocorra em esferas seculares e profanas, o consumo desses objetos, em romarias e outras festas religiosas, atualiza a ideia de que o produto religioso é dirigido ao público daquela religião específica. A questão se transforma quando os produtos circulam em outras instâncias com públicos não religiosos.

IHU On-Line – Como está se dando as tensões entre catolicismo e espaços de comercialização e consumo de objetos religiosos? O que isso implica para a religiosidade expressada em torno do terço?

Paola Lins de OliveiraAlguns pontos de vista sobre esse fenômeno têm defendido a perda do valor sagrado dos objetos religiosos nesse deslocamento dos espaços de produção e consumo estritamente religiosos para um espaço público mais amplo de comercialização e consumo profano. Essa leitura se baseia na ideia de que os objetos produzidos em instâncias religiosas teriam uma determinada “aura” tradicional, que teria se perdido com a adoção de regras e padrões mercadológicos. Seguindo essa linha, somos levados a estabelecer uma oposição irreconciliável entre a lógica de consumo, orientada pelos desejos dos indivíduos consumistas, e a lógica religiosa de produção de sentidos. Nesse caso, defender a imposição da lógica de consumo individual sobre a lógica de produção de sentidos e valores religiosos seria ignorar o papel ativo da Igreja Católica na defesa e na disseminação da devoção ao rosário, através da intensa divulgação de campanhas, realizadas por paróquias lideradas por simpatizantes do movimento carismático e por dominicanos, assim como as mobilizações do Papa João Paulo II em defesa da oração.
Por outro lado, não dá para negar que a relação de parceria entre catolicismo e amplo consumo de terços e rosários corresponda, de alguma maneira, a uma “destradicionalização religiosa”, acarretando uma ameaça à aura sagrada dos objetos. De acordo com
Walter Benjamim, a aura de um objeto provém de sua autenticidade, ou seja, de sua capacidade de encarnar em si toda a tradição envolvida em sua produção. No contexto de intensa reprodução técnica, a “perda da aura” é um risco permanente, já que está inscrita na materialidade dos objetos. Entretanto, quando a reprodução é orquestrada e promovida pela própria tradição, que ampara o objeto reproduzido, ela é uma aposta na capacidade de ocupação dos espaços, em sua atualização cada vez mais ampla. Portanto, a divulgação da devoção à oração do rosário e do terço, dando-se com e a partir da vasta reprodução de terços e rosários, afina-se com o propósito mais geral de evangelização e participação do catolicismo nos espaços sociais, disputando, com outras religiões, possíveis adesões de fiéis.

IHU On-Line – Nas práticas atuais do terço, observa-se tanto uma prática do modelo tradicional quanto uma prática de modelos alternativos e até a substituição de orações. Como isso impacta na preservação e na continuidade dessa prática religiosa?

Paola Lins de Oliveira – No modelo “tradicional” de oração do rosário, os episódios da vida de Jesus e Maria, mentalizados em conjunto com a recitação das preces, são chamados de “mistérios”. Divididos tradicionalmente em “gozosos”, “dolorosos” e “gloriosos”, os mistérios passaram a ser quatro em 2002, quando o Papa João Paulo II adicionou os “luminosos” à lista, aumentando assim em mais 55 preces a oração do rosário. Em linhas gerais, os “mistérios” compõem-se de grupos de episódios que marcam as diferentes fases das trajetórias de Jesus Cristo e Maria desde a anunciação da vinda de Jesus pelo anjo Gabriel até a ressurreição de Jesus e a coroação de Maria. Ao acrescentar mais uma sequência de eventos para meditação dos fiéis, João Paulo II defendeu a importância de reforçar, na oração, os momentos da vida pública de Jesus, nos quais ele prega o evangelho e realiza obras e milagres.

Por mais que o modelo tradicional seja definido em torno dessa composição de recitação de preces e da meditação dos mistérios, encontramos diversas “receitas” alternativas para orações do terço e do rosário, praticadas por fiéis, mas, principalmente, sendo propostas por manuais de oração. Nas narrativas consultadas, os diferentes padrões de oração não parecem concorrentes. Frequentemente, surgem alusões ao fato de que a oração do rosário pode ter diversas inserções ou modificações, desde que o modelo mais tradicional tenha prioridade ou também seja praticado. É interessante notar, entretanto, que mesmo o modelo considerado tradicional possui variações quanto à adição de preces como Glória ao Pai ou Salve Rainha em seu começo ou término.

A oração do rosário e do terço, como outras práticas sociais, está sujeita a transformações em diferentes lugares e ao longo do tempo. Mesmo as instâncias autorizadas, personificadas na figura do Papa, atentam para esse fato, procurando atualizar e adaptar seu modelo a partir de novas interpretações sobre seus sentidos sociais e religiosos. Desse modo, observamos que a preservação de um padrão tradicional imutável não é garantia de continuidade da oração. Pelo contrário, as modificações são inerentes ao processo mais amplo de disseminação da oração. O mais interessante, portanto, é observar os limites dessas “adaptações” e mudanças tanto nos discursos eclesiásticos quanto nos usos cotidianos dos fiéis.

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* Aulas de Religião tem um “alto índice” de aceitação na Laicista Espanha.

terça-feira, maio 25th, 2010

As aulas de Religião (que não são obrigatórias neste país europeu) têm um “alto índice” de aceitação com 74 por cento do alunado na Espanha, que cada ano “escolhe voluntariamente” inscrever-se nas aulas, segundo o estudo ‘Protagonistas da aula de Religião’, que foi apresentado hoje na sede do Círculo de Belas artes.

Na apresentação participaram o autor do relatório e diretor da Revista ‘Religião e Escola’, Carlos Esteban; o diretor da Fundação SM, Leoncio Fernández e a coordenadora do relatório, Eva Pérez.

Assim, os dados recolhidos revelam que 74,1 por cento dos alunos pesquisados em centros públicos, 73 por cento de centros privados e 99,5 por cento dos centros religiosos, escolhem a classe de religião, enquanto que 47,9 por cento total dos alunos diz que está matriculado nas classes de Religião porque eles mesmos escolheram e a outra metade está porque sua familia os inscreveu sem consultá-los.

Os dados relativos aos professores de Religião revelam que a maioria são leigos e cristãos (97,6%). Com respeito à sua formação, o relatório assinala que todos os professores possuem títulos universitários e o 67,5% dos professores de Religião de Secundária contam ademais com uma segunda especialização.

Além disso 80,8 por cento tem a graduação da própria Igreja (Declaração Eclesiástica de Competência Acadêmica, DIGA), sendo esta porcentagem mais elevada no ensino médio e chegando quase à totalidade no ensino público.

Aborto, eutanásia e homossexualidade

Outro dos pontos abordados por Carlos Esteban foi a opinião dos alunos sobre temas como o aborto, a eutanásia e a homossexualidade. Nesse sentido se ressaltou que nestas perguntas não foram consultados os alunos do primário, só os do ensino médio.

Assim, 45,1 por cento declarou estar em desacordo com a afirmação, ‘o aborto não tem justificação’, partilhada por 27,87 por cento dos alunos. Outros 47 por cento dissente da idéia que ‘a eutanásia não pode ser justificada’, ante 21,4 por cento que a compartilha.

Em matéria da homossexualidade 59,7 por cento dos alunos considera que não é nenhum problema, frente a 20,3 por cento dos alunos que não compartilha essa idéia. “Se compararmos estes dados com os do estudo sociológico da Comissão Episcopal de Ensino de 1998, comprovaremos uma notável mudança no estado de opinião dos alunos, naquele então havia 58% por cento que pensava que nunca poderia justificar a homossexualidade enquanto 20,1 por cento a justificava. Virtualmente se inverteram as cifras”.

Finalmente, Esteban sublinhou que a educação religiosa não representa nenhum problema pedagógico para uma sociedade verdadeiramente democrática. “Os dados confirmam que os protagonistas têm um alto índice de satisfação, suficiente para poder desterrar dos meios de comunicação o conceito que relaciona a classe de Religião a um problema”.

ACI

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* Liberdade religiosa perde terreno no mundo.

domingo, maio 23rd, 2010

Pe. John Flynn, L.C.

Em 29 de abril, a Comissão para a Liberdade Religiosa Internacional dos Estados Unidos (USCIRF) publicou seu relatório anual. Junto com uma revisão da violação dos direitos humanos em muitos países, ao tratar a liberdade de culto, o relatório também continha as recomendações do ano 2010 sobre as nações que a comissão considera que deveriam ser qualificadas como “países de preocupação especial” ou CPCs.

A USCIRF, que é uma comissão independente do governo, pressionava de forma que 13 nações – Birmânia, China, Coreia do Norte, Eritreia, Irã, Iraque, Nigéria, Paquistão, Arábia Saudita, Sudão, Turcomenistão, Uzbequistão e Vietnã – fossem designadas como CPCs.

Além disso, a USCIRF anunciou que os seguintes países estão na Lista de Observação da USCIRF de 2010: Afeganistão, Belarus, Cuba, Egito, Índia, Indonésia, Laos, Rússia, Somália, Tadjiquistão, Turquia e Venezuela. Trata-se de Estados que requerem uma supervisão de perto devido às violações da liberdade religiosa.

O relatório também expressava seu descontentamento com o governo dos Estados Unidos. Na apresentação do relatório, o membro da comissão Leonard Leo afirmava que “a conclusão do relatório está clara: nosso governo deve fazer mais”.

De acordo com Leo, “a política externa dos Estados Unidos sobre liberdade religiosa não está à altura”. Apontou como criticável o fato de que até agora não foi nomeado qualquer embaixador para a Liberdade Religiosa, depois de um ano que a nova administração chegou ao poder.

Entrando mais adiante em suas críticas, Leo comentava que, após algumas palavras duras sobre a liberdade religiosa do presidente Obama em seu discurso na cidade do Cairo, “as referências presidenciais à liberdade religiosa ficaram estranhas”.

Somava, ainda, que “o mesmo vale para muitos dos discursos do secretário de Estado, Clinton”.

Leo reconhecia que tratar do tema da liberdade religiosa não é fácil. Observava que, durante as missões realizadas pela comissão a países como a Nigéria e o Egito, há uma falta de assunção de responsabilidades, a qual permite que os indivíduos ataquem e até mesmo assassinem quem divergir dos pontos de vista religiosos deles.

Mas é justamente devido às graves violações da liberdade religiosa que se torna vital que a política externa dos Estados Unidos melhore na hora expor e castigar tais situações, insistia Leo.

Responsabilidade

O mesmo relatório detalhava mais amplamente os problemas de muitos países. Com relação ao ponto mostrado por Leo sobre a falta de assunção de responsabilidades, a comissão visitou a Nigéria 3 vezes no ano passado.

Tem havido, como mostrava o relatório, ondas selvagens de violência sectária. Desde 1999, nada menos que 12 mil nigerianos foram assassinados em 12 incidentes, de acordo com a USCIRF.

Tanto cristãos como muçulmanos têm sido vítimas e agressores, mas o relatório apontava que até agora ninguém tem sido detido, nem condenado, em uma década de violência religiosa.

Outro país assinalado no relatório, por seu histórico, foi a Birmânia, com um dos piores arquivos em direitos humanos do mundo. A situação da liberdade religiosa se deteriorou durante o ano passado, de acordo com a comissão, e o regime militar restringe seriamente a prática religiosa, além de controlar a atividade de todas as organizações religiosas.

Assim mesmo, o governo tem proibido a atividade protestante não registrada e continua destruindo lugares religiosos e promovendo a conversão forçada ao Budismo nas áreas de minorias étnicas.

Na China, o relatório indicava que o governo continua se envolvendo em violações sistemáticas da liberdade de religião ou crença. Além disso, no ano passado ocorreu uma clara deterioração nas áreas budista tibetana e uigur muçulmana.

As autoridades chinesas continuam com sua campanha contra os grupos cristãos não registrados, com milhares de protestantes detidos nos últimos dois anos. E mais de 40 bispos católicos continuam na prisão ou estão desaparecidos.

Todas as atividades religiosas estão sujeitas a uma marca política e legal rígida que bloqueia muitas atividades protegidas pelos direitos humanos internacionais, inclusive tratados que a China assinou ou ratificou, observava o relatório.

Países islâmicos

Certo número de países incluídos no grupo CPC ou na Lista de Observação são nações de maioria muçulmana. Nestes países, a atenção do Ocidente é normalmente centrada na perseguição dos cristãos, mas algo interessante expressado pela comissão é que na maioria desses países muçulmanos normalmente o caso é que os governos reprimem muito mais a prática livre do próprio Islã.

No caso do Irã, o governo não só continua oprimindo os wahabies e os cristãos, como também os fiéis muçulmanos. O relatório dizia que os muçulmanos dissidentes estão cada vez mais sujeitos a abusos e, em ocasiões, condenados à morte e até mesmo executados pela pena capital de moharabeh, ou “empreender a guerra contra Deus”.

De igual forma, no Iraque, junto à permanente tolerância do governo aos sérios abusos contra a liberdade de religião, continua havendo ataques e uma relação tensa entre xiitas e sunitas. Também há violência, motivada pela religião, contra as mulheres e contra os muçulmanos que rejeitam certas interpretações rígidas do Islã.

Na Arábia Saudita, o governo prossegue negando toda a forma pública de expressão religiosa que não seja da própria interpretação do governo, de uma escola sunita. Esta restrição não só é imposta aos não-muçulmanos, como também aos muçulmanos. O relatório dizia que os muçulmanos ismailis continuam sofrendo discriminações sérias e abusos devido à sua identidade religiosa.

Além disso, o governo continua atuando duramente contra os dissidentes muçulmanos xiitas, com numerosas apreensões e detenções. A Arábia Saudita continua, também, apoiando uma estratégia mundial de promoção de “uma ideologia extremista e, em alguns casos, a violência com os não-muçulmanos e com os muçulmanos não aprovados”.

Alguns muçulmanos também enfrentam problemas semelhantes no Afeganistão, observava o relatório. Por exemplo, um ministério do governo recolheu e destruiu uma remessa de livros religiosos xiitas provenientes do Irã, porque continham interpretações do Islã consideradas ofensivas para a maioria da comunidade sunita.

Deterioração

Na seção do relatório dedicada à Rússia, mais evidências sobre a deterioração da liberdade religiosa no mundo. A comissão afirmava que a situação na Rússia está piorando, como resultado de novas políticas e tendências. Uma delas é o uso, por parte do governo, da legislação antiextremista contra grupos religiosos que não são conhecidos pelo uso ou defesa de violência.

O relatório também comentava que os funcionários dos governos nacional e local violam cada vez mais a liberdade religiosa dos muçulmanos e dos grupos que consideram como não-tradicionais, fazendo cumprir outras leis, como as de organizações religiosas e organizações não-governamentais.

“Os funcionários russos continuam descrevendo certos grupos religiosos como alheios à cultura e à sociedade russa, de modo que contribuem para um clima de intolerância”, comentava o relatório.

O relatório também chamava à atenção a situação da Turquia, onde “continuam tendo lugar graves limitações à liberdade de religião ou credo”. Não só há restrições à maioria da comunidade muçulmana sunita, mas também muitas minorias sofrem, como o cristianismo.

Para as comunidades não-muçulmanas, é negado o direito de possuir e manter propriedades; são proibidas de preparar o clero e não lhes permitem oferecer educação religiosa.

De acordo com o relatório, prolongam-se no Egito graves problemas de discriminação, intolerância e outras violações dos direitos humanos contra membros de minorias religiosas.

A comissão comentava que, durante os últimos anos, houve um aumento da violência contra os cristãos ortodoxos cópticos. Acusava o governo de não dar os passos suficientes para acabar com a repressão e a discriminação contra os cristãos e os crentes de outras religiões.

Outro país com problemas sérios é o Sudão. O relatório indicava que o governo da nação comete violações sistemáticas à liberdade de religião. Tanto os cristãos como os muçulmanos que não seguem a interpretação governamental do Islã sãos objetivos das autoridades.

Infelizmente, para a maioria dos políticos, tanto na América do Norte como em outros lugares, a liberdade religiosa não está em um bom lugar em sua lista de prioridades. Cabe aos crentes fazer que sua voz seja ouvida para curar esta negligência.

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* Cresce a compreensão de uma ciência aberta à crença em Deus, dentro de suas respectivas competências.

quinta-feira, maio 6th, 2010

Um dos artigos que a revista IstoÉ publica esta semana (edição 2112, de 5/5/2010), intitulado “Deus chega às aulas de biologia”, assinado por Hélio Gomes, pretende ativar uma polêmica educacional, opondo ciência e religião. Talvez o título mais adequado fosse “Deus retorna à biologia”. De fato, o que se vê por parte de alguns movimentos religiosos estigmatizados como “fundamentalistas” (nem sempre o são…) é a reivindicação de uma concepção de ciência aberta à crença em Deus.

Esta reivindicação não é nova. Pertence à mentalidade religiosa mais esclarecida e, em particular, ao pensamento católico no que tem de melhor, procurar congruências entre conhecimento racional e fé. A doutrina do evolucionismo encarada como busca de uma explicação para “a origem do corpo humano em matéria viva preexistente”, segundo palavras do papa Pio 12 na encíclica Humani generis (1950), não cancela, em princípio, a convicção de que matéria e almas são criadas por Deus (heresia insuportável do ponto de vista ateu).

Assim como a educação se desvirtua em mãos religiosas quando se torna instrumento de manipulação para fins escusos , a ciência também perde credibilidade quando se especializa em discurso combativo (e assustado) contra a religião.

Irresponsabilidade da mídia

No mesmo artigo da IstoÉ cita-se o biólogo inglês Richard Dawkins, militante ateu, que faz das suas convicções antirreligiosas a única conclusão possível de toda e qualquer pesquisa científica. Mas aí reside o perigo contrário ao da religião fechada às descobertas da ciência. Devemos estar atentos para não cair no fundamentalismo oposto, igualmente desumano e nocivo. Educação saudável repele fanatismos de todos os gêneros. Marcelo Gleiser, em artigo da Folha de S.Paulo (26/11/2006), fez o alerta oportuno:

“Para ele [Dawkins], a ciência é um clube fechado, onde só entram aqueles que seguem os preceitos do seu ateísmo, tão radical e intolerante quanto qualquer extremismo religioso. Dawkins prega a intolerância completa no que diz respeito à fé, exatamente a mesma intolerância a que se opõe.”

Pedagogicamente falando, deve-se garantir que, no contexto da educação laica, saibamos refletir (não para destruir, mas para valorar e valorizar) sobre as ideias e práticas religiosas presentes na sociedade e, por consequência, em nossas salas de aula. Seria irresponsabilidade da mídia extremar desavenças entre religião e ciência.

Fonte: Observatório da Imprensa

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* Especialistas afirmam: Religiosidade pode proteger da morte por problemas cardíacos e de doenças como hipertensão.

sábado, maio 1st, 2010

Dois estudos internacionais indicam que a religiosidade pode proteger da morte por problemas cardíacos e de doenças como hipertensão.

A reportagem é de Fernanda Bassette e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 29-04-2010.

Por 30 anos, médicos norte-americanos acompanharam a saúde cardiovascular de 6.500 adultos que não apresentavam fatores de risco (obesidade, tabagismo etc.). Constataram menor número de mortes por doenças do coração entre os que seguiam alguma religião.

Outro estudo americano, realizado pela Universidade de Duke com 3.963 pessoas, concluiu que a leitura de textos religiosos, a prática de oração ou a participação em cultos reduziu em 40% o risco de a pessoa desenvolver hipertensão. Com base nesses resultados, a Sociedade de Cardiologia de São Paulo vai discutir pela primeira vez a relação entre espiritualidade e saúde cardiovascular, em um congresso.

“Cada vez mais estudos apontam essa associação benéfica. Os resultados ainda não são definitivos, mas merecem ser discutidos”, diz o cardiologista Álvaro Avezum, diretor da divisão de pesquisa do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia de São Paulo. Existem algumas teorias para explicar por que as pessoas religiosas têm menos doença cardiovascular. A principal delas, de acordo com Avezum, é o controle do estresse.

“O estresse aumenta os níveis de cortisol no sangue. Isso eleva a pressão arterial e pode provocar taquicardia – fatores de risco para problemas cardiovasculares. As pessoas espiritualizadas têm maior convivência social e enfrentam os problemas da vida de maneira mais fácil, gerenciam melhor o estresse”, diz.

O psicólogo José Roberto Leite, do departamento de Psicobiologia da Unifesp, concorda. “Pessoas que têm uma crença religiosa costumam alimentar expectativas positivas em relação ao futuro.”

Resultados controversos

O geriatra Giancarlo Lucchetti, do Departamento de Neurologia da Unifesp, diz que a dobradinha religiosidade e espiritualidade sempre esteve muito próxima da saúde, embora haja conclusões controversas. “Há estudos que mostram benefícios,outros não. Mas a religiosidade é benéfica não apenas para o coração, mas para a saúde como um todo.”

Lucchetti fez um levantamento com 110 pacientes idosos que estavam em reabilitação na Santa Casa de São Paulo. Aqueles que eram mais religiosos tiveram uma melhora mais rápida no tratamento e relataram ter mais qualidade de vida, segundo o médico. Ele alerta, porém, para o fato de que a religião pode atrapalhar o paciente, dependendo da abordagem: “Muitas pessoas acham que um problema de saúde acontece porque estão sendo punidas, porque Deus as abandonou. Isso provoca desfechos piores no tratamento e maior índice de depressão”.

Religiosidade, sozinha, não faz milagre, como lembra o cardiologista Marcos Knobel, do hospital Albert Einstein: “Quem só se dedica à religião e esquece de outros fatores não estará mais protegida do que alguém que cuida da saúde, mas não é tão religioso”.

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* Reiki e a fé católica são compatíveis?

quinta-feira, abril 1st, 2010

Felipe de Aquino

Reiki é o nome dado a “Energia universal de vida” – algo não bem definido – que, segundo seus adeptos, é uma energia que passa pelas mãos de todo ser humano e pode ser aplicada a pessoas doentes ou aflitas para aliviá-las, segundo Earlene Gleisner, monitora de Reiki (”Reiki na Vida Diária” – Ed. Nova Era, Rio de Janeiro,1999).O que escrevemos nesta artigo está baseado no livro citado acima.
A base do Reiki é budista, é uma corrente de pensamento panteísta (tudo é parte de Deus, tudo é Deus) e tem traços de monismo, filosofia que ensina que a pessoa pode “fundir-se com tudo a sua volta” (p.45).

O ser humano seria parte integrante do universo no sentido físico; tudo o que existe seria apenas uma grande substância ou a substância universal. O monismo leva ao panteísmo.

O Mestre maior do Reiki parece ser “O Sr. Hawayo Takata. Grão-Mestre REIKI de 1940 a 1980″ (pp. 47s).

A proposta de cura por meio de Reiki vem do Oriente e está crescendo em nossos ambientes, por isso o católico precisa conhecer os seus erros. A palavra Reiki vem de rake (= ancinho ou rastelo) em inglês, Rakey é o solo arado. A palavra Rakey é foneticamente igual a Reiki.
Segundo Earlene, o Reiki vem a ser a “Energia Universal de Vida no Sistema Usual de Cura Natural” (p.11). É a “Energia Universal de Vida que verte através de nossos corpos, preenchendo nossa necessidade antes de se transferir para a necessidade do outro” (p.22). Segundo ela, “os nossos corpos são um veículo por meio do qual a energia Reiki se transfere do Universo para outrem” (p.42). Ensinam que é por meio das mãos que a energia Reiki passa de uma pessoa para outra, de modo que há técnicas precisas sobre a maneira de impor as mãos sobre a cabeça, sobre o tórax, sobre os joelhos, os pés, as costas.

O Reiki ensina que devemos ser bondosos com tudo o que possui vida, já que não estamos sozinhos; e que precisamos nos colocar em contato com a energia que flui através de todos os seres e coisas, árvores, flores, animais, até mesmo os elementos químicos participaram disso. O objetivo é “buscar uma fusão com tudo o que está em volta” (p.55).

Isso mostra que a filosofia base do Reiki é uma prática panteísta – tudo é Deus – não há uma separação entre o Criador e a criatura; ora, isto é um absurdo filosófico e teológico. O panteísmo sempre foi condenado pela Igreja. Deus criou tudo o que existe fora do nada porque quis, por amor, mas as criaturas não são emanações obrigatórias de Deus, como se Ele não fosse soberano e autônomo.

Diz Earlene Gleisner que “A Mestre Reiki Victoria Suzanne Crane investigou extensivamente as origens de REIKI e as encontrou intrinsecamente ligadas aos ensinamentos budistas”(p.48). Isto é suficiente para o católico rejeitar a prática de cura pelo Reiki, pois os princípios do budismo não se coadunam com a fé católica. O budismo acredita na reencarnação, e a salvação da pessoa não se dá pela fé em Jesus Cristo.

A filosofia Reiki pode ter boa intenção e dizer coisas bonitas e agradáveis que encantam as pessoas, mas a sua base de sustentação não é recomendada aos católicos. Sem dúvida, há muito de sugestão nas curas do Reiki; sabemos que uma pessoa sugestionada pode ser curada pelo próprio organismo que reage bem devido a um estado de espírito favorável. Basta ver os placebos, simulação de remédios.
A mera existência de uma energia natural e humana é questionável e, facilmente, essa concepção se confunde com uma “energia divina” – o que se transforma em panteísmo.

Por tudo isso, a concepção filosófica do Reiki não é compatível com a fé cristã, como também confirma D. Estevão Bittencourt em seu artigo “Reiki na vida diária” (Revista PR, n. 467; 2001).

Alguns defendem que é possível para o católico usar a “técnica” do Reiki sem adotar a sua filosofia, mas isto é algo arriscado. D. Estevão também diz: “O cristão que se põe na escola do Reiki corre o risco de assimilar, juntamente com a técnica, as linhas monistas-panteistas do pensamento Reiki.”

Portanto, o cristão que deseja a cura de seus males há de buscar recursos na medicina e na fé cristã, voltando-se para Deus Pai, Filho e Espírito Santo, que a todos socorre no seu amor e na intercessão dos santos, anjos e dos irmãos. Nada de mágico e desconhecido deve ser misturado com a fé católica. Se Deus não nos dá a cura pela medicina e pela graça, certamente tem um desígnio de salvação atrás desse mal. Devemos crer e viver segundo a palavra de S. Paulo que diz: “Tudo concorre para o bem dos que amam a Deus” (Rm 8,28).
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