Posts Tagged ‘responsabilidade’

* Adultos infantilizados que renunciam à própria responsabilidade?

sábado, dezembro 12th, 2009

Se não conseguimos crescer, como será possível educar os filhos?

Na semana passada, um amigo me enviou um email com o anúncio de um personal organizer. Ele sugeria que eu contratasse um desses “profissionais” para arrumar a minha mesa…

Eu detenho o título de autora da mesa mais bagunçada da Época desde que entrei na equipe da revista, em janeiro de 2000. Nesse quesito, sou imbatível. Na minha mesa, é possível encontrar, convivendo ecumenicamente lado a lado (ou um em cima do outro), um saco de salgadinhos, uma imagem de São Francisco de Assis, uma lagosta de borracha e um dicionário de sinônimos. Isso em apenas um cantinho. Às vezes preciso escrever com os cotovelos grudados no corpo, porque não tenho outro lugar para apoiá-los. Embora venha cogitando ter uma mesa organizada há umas duas décadas, na minha bagunça pessoal eu acho tudo e não perco nada – ou quase nada. É o meu jeito.

Mas há algo bem interessante na brincadeira do meu amigo. A multiplicação de termos como personal e coach diz muito sobre a época em que vivemos. E sobre os adultos que nos tornamos.

O conceito de infância, como o conhecemos, se consolidou no Ocidente a partir do século XVIII. Até o século XVI, pelo menos, assim que fossem desmamadas e conseguissem se virar sem as mães ou as amas, as crianças eram integradas ao mundo dos adultos. E, como tal, eram responsáveis pelas consequências de seus atos. A infância, como idade da brincadeira e da formação escolar, ao mesmo tempo com direito à proteção dos pais e depois à do Estado, é algo relativamente novo.

Nem sempre as crianças significaram a promessa para o futuro tanto de uma família como de uma nação. A infância não é um conceito natural ou determinado apenas pela biologia. Como tudo, é também ou principalmente uma invenção cultural, um fenômeno histórico implicado nas transformações econômicas e sociais do mundo dos humanos, em permanente mudança e construção.

Me parece que hoje há algo novo nesse cenário. A partir do século XXI, vivemos a era dos adultos infantilizados. Uma espécie de infância permanente do indivíduo. Não é por acaso que os coaches proliferam. Coach, em inglês, significa treinador. Originalmente, treinador de times e de esportistas. Mas que foi ampliada para treinador de tudo, inclusive de como viver: os life coaches. Personal trainers têm função semelhante. Treinar alguém para se exercitar, comer, se vestir, namorar, conseguir amigos e emprego, lidar com conflitos matrimoniais e profissionais, arrumar as finanças e também organizar os armários e a mesa de trabalho, como na sugestão do meu amigo.

Nesses conceitos importados dos Estados Unidos, o país que transformou a infância numa bilionária indústria cultural e de consumo, a ideia é a de que, embora estejamos no que se convencionou chamar de idade adulta, não sabemos lidar com nenhum aspecto da vida sozinhos. Coaches e personal trainers podem ser eufemismos para uma função muito parecida com a da babá. Crescemos, terminamos a escola, constituímos família ou não, vamos para o mercado de trabalho, mas precisamos de alguém que arrume nossa mesa e nossa casa, nos ensine a comer direito, nos diga como namorar e conseguir amigos, nos treine para impressionar o chefe e conquistar uma promoção. Nos ensine, em programas diários, semanais, mensais e anuais, como num planejamento das metas de uma empresa, a viver, como no caso dos life coaches.

Ao nos reduzirmos a adultos que precisam de babás por total incapacidade de lidar com qualquer aspecto da vida, do sentimental ao profissional, a que renunciamos? A muito. Mas o principal é que renunciamos à responsabilidade. A construção contemporânea de infância está fundamentada no conceito de que, tanto no estatuto social quanto no jurídico, crianças são seres com direito à proteção e à educação – mas sem responsabilidade pelos seus atos. Crescer, tornar-se adulto, é justamente passar a responsabilizar-se pelos seus atos. Mas, no caso das novas gerações de 20, 30, 40 anos, se isso ainda vale para o estatuto jurídico, parece perder força no estatuto social.

Os adultos desse início de milênio parecem prolongar a infância no sentido da não-responsabilização. São sinais, aqui e ali, de uma transformação na forma de ver a si mesmo – e de ser visto. É corriqueiro testemunhar, seja no bar ou na empresa, gente que fica muito surpresa porque seus atos motivaram uma reação indesejável, uma conseqüência pela qual precisam responder. Nesse momento, vemos adultos com cara de surpresa, olhos arregalados como os de uma criança. Parecem pensar: “Mas por que eu, que sou tão bacana, tão inteligente, tão cool?”. Quando podem, chamam os pais, os advogados…. os coaches para salvá-los. A expectativa, como um direito adquirido, é a de que sempre serão “perdoados”.

Da mesma maneira, encarnam a geração do “eu mereço”. Se não há responsabilidade pelos seus atos, também não há responsabilidade pelas suas conquistas. Está cada vez mais diluída a ideia de trabalhar por aquilo que se quer com a consciência de que custa tempo, esforço, dedicação. Escolhas e também perdas, frustrações. Alcançar sonhos, ideais ou mesmo objetivos parece ser compreendido como uma consequência natural do próprio existir, de preferência imediata. É uma espécie de visão contemporânea da ideia mística de destino, de predestinação. Ou apenas uma questão de usar a estratégia certa. E, para nos ensinar a traçá-la, buscamos um business coach.

O “eu mereço” vem a priori. “Eu mereço porque eu sou eu”. Ou: “Eu existo, logo mereço”. O fazer por merecer foi eliminado da equação. Quando essa crença fracassa, aí é hora de buscar o happiness coach (treinador de felicidade), o dating coach (treinador de relacionamentos amorosos), o health coachconflict coach (treinador de conflitos matrimoniais e profissionais), o diet coachlife coach.

É estarrecedor verificar como as gerações que estão aí – e as que estão vindo – parecem não perceber que a vida é dura e dá trabalho conquistar o que se deseja. E, mesmo que se esforcem muito, haverá sempre o que não foi possível alcançar.

Eliane Brum,Revista Época.

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* Polêmica na Espanha:”O prazer está em suas mãos”.

sexta-feira, novembro 20th, 2009

Quando a gente pensa que já leu de tudo, surgem ” pérolas” como essa.

É o preço da ideologia materialista passando por cima de tudo.

Oremos pela Espanha.

***

Um novo curso escolar que ensina masturbação a jovens de 14 aos 17 anos está provocando polêmica entre pais e educadores na Espanha.

O curso faz parte de um programa introduzido pelas Secretarias de Educação e Juventude da Província de Extremadura, e intitulado “O prazer está em suas mãos”. Ele pretende acabar com mitos para que os adolescentes entendam a sexualidade de forma natural.

As aulas sobre sexo serão facultativas nas escolas de segundo grau da Província de Extremadura (oeste do país) a partir de novembro. Os conteúdos vão de anatomia e fisiologia sexual masculina e feminina até técnicas de masturbação e uso de objetos eróticos.

Para a secretária de Juventude de Extremadura, Laura Garrido, o novo curso “não deveria escandalizar a ninguém, principalmente porque todos nós fomos adolescentes algum dia e todos nós temos sexualidade”.

Consciente das críticas de grupos de pais de alunos e veículos de comunicação conservadores, que classificaram a atividade escolar de imoral e irresponsável, a secretária disse à BBC Brasil que “resumir tudo em uma polêmica sobre como sentir prazer é uma barbaridade”.

“O programa tem muitos mais aspectos, como hábitos saudáveis, auto-estima, afetividade, identidade de gênero, doenças de transmissão sexual… e esperamos derrubar muitos mitos negativos sobre a masturbação, é óbvio”.

Dúvidas

A Secretaria de Educação de Extremadura elaborou 1.200 livros em formato revista com exemplos de dúvidas habituais de adolescentes sobre o tema e as respectivas respostas de educadores e sexólogos.

O material didático das aulas inclui mapas da anatomia humana, explicações sobre tipos de brinquedos eróticos, endereços úteis e até um baralho que coloca os jogadores em exemplos de situações de risco como uma ereção prolongada ou uma infecção genital, para que saibam como resolver os problemas.

Os slogans do curso escolar –”O prazer está em suas mãos” e “Prazer quando e onde você quiser”– foram aprovados pelo Instituto da Mulher de Extremadura (ONG que reúne associações feministas locais), porque consideram as aulas necessárias para que os jovens entendam que o sexo não é apenas um ato físico.

“Se esse curso conseguir que os nossos filhos se desenvolvam através de uma sexualidade saudável, será mais fácil evitar condutas discriminatórias e agressivas em suas relações”, disse à BBC Brasil a diretora geral do Instituto da Mulher, Maria José Pulido.

“É importante que pais e educadores possam tratar a sexualidade como um comportamento, uma expressão afetiva e de saúde também”.

Fórum na internet

Mas nem todos os pais de alunos estão de acordo. A Associação de Pais Católicos de Extremadura formou um grupo de protesto chamado “Cidadania para a Educação” e ameaça levar o governo regional aos tribunais.

O grupo abriu um fórum de debate na internet e enviou uma carta ao governador local reclamando do novo curso escolar.

“Exigimos ser informados previamente da natureza, do conteúdo e da orientação de toda atividade que tenha alguma implicação de caráter moral, porque somos os primeiros e principais educadores de nossos filhos”, diz a carta.

A presidente da associação, Margarita Cabrer, disse à BBC Brasil que ainda não recebeu resposta do governo e que o grupo de pais estuda vias legais para processar o Estado se o curso continuar até o fim do ano letivo (junho de 2010).

“O problema não é o ensino de masturbação. Não me preocupa que meus filhos se masturbem. O que me preocupa é que um adulto, cujos hábitos e valores morais eu desconheço, seja quem ensine os meus filhos a fazê-lo”, afirmou.

Cabrer disse também que espera uma intervenção imediata do Juizado de Menores de Extremadura, porque acha que o curso pode infringir o código penal nos artigos sobre corrupção de menores.

A assessoria de imprensa do Juizado de Menores de Extremadura não quis fazer comentários sobre o assunto à BBC Brasil.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u651268.shtml

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* Ser humano nunca deve se reduzir a simples corpo.

sexta-feira, novembro 20th, 2009

“O corpo de um ser humano, desde os primeiros estágios de sua existência, nunca pode ser reduzido ao conjunto das suas células”: assim afirmou ontem Dom Zygmunt Zimowski, presidente do Conselho Pontifício da Saúde, no Instituto Internacional de Teologia Pastoral Sanitária Camillianum, na abertura do novo ano acadêmico.

Segundo o presidente do conselho, o “sim” à vida “deve ser colocado no centro da reflexão ética sobre a pesquisa biomédica, que reveste uma importância cada vez maior no mundo de hoje”.

Dom Zimowski explicou que as ciências médicas desenvolveram de modo considerável seus conhecimentos sobre a vida humana nos estágios iniciais da sua existência, até conhecer melhor as estruturas biológicas do homem e o processo da sua geração.

“Este desenvolvimento – afirmou – é certamente positivo e merece ser apoiado, quando serve para superar ou corrigir patologias e contribui para restabelecer o desenvolvimento normal dos processos generativos.”

“Mas – acrescentou –, e é preciso dizer isso com clareza, é negativo e, portanto, não pode ser compartilhado, quando implica a supressão de seres humanos ou usa meios que causam dano à liberdade da pessoa ou que são adotados para fins contrários ao bem integral do homem.”

O prelado explicou que “o grande desafio da vida humana tem a ver antes de mais nada e sobretudo com o seu início” e existe uma tentativa de transladar ao início da vida da concepção à nidação, o que suporia um “pleno nulla osta ético para o aborto, porque passam 15 dias do momento da fecundação do óvulo até o momento da nidação no útero materno”.

Retomando as palavras de João Paulo II na Novo millennio ineunte, Dom Zimowski precisou que a Igreja deve realizar uma tarefa de radicalidade evangélica, sem temor às críticas, porque a defesa da vida “está na agenda eclesial da caridade” e responde ao “dever de comprometer-se no respeito de cada ser humano desde a concepção até seu ocaso natural”.

“Da mesma forma – comentou –, o serviço ao homem nos obriga a gritar, oportuna e inoportunamente, que os que se valem das novas potencialidades da ciência, especialmente no campo da biotecnologia, não podem desatender às exigências fundamentais da ética, apelando talvez a uma discutível solidariedade que acaba por discriminar entre vida e vida, desprezando a realidade própria de cada ser humano.”

Neste contexto, o prelado afirmou que a vida do homem está no coração da mensagem de Cristo, porque “o homem, grande e maravilhosa figura vivente, é mais precioso aos olhos de Deus que toda a criação: é o homem, e para ele existem o céu e a terra, o mar e a totalidade da criação, e é à sua salvação que Deus deu tanta importância, a ponto de não poupar sequer seu próprio Filho”.

“No plano de Deus Criador – acrescentou – tudo foi criado para o homem, mas o homem foi criado para servir Deus e para oferecer-lhe toda a criação” e por isso a defesa da vida entendida como caridade “está necessariamente ao serviço da cultura, da política, da economia, da família, para que em todas as partes se respeitem os princípios fundamentais dos quais depende o destino do ser humano e o futuro da civilização.”

Por Antonio Gaspari
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* Igreja Católica no Brasil pede apoio à instalação da CPI do aborto

terça-feira, outubro 27th, 2009

Representantes católicos de São Paulo elevaram uma moção de apoio aos deputados federais Luís Bassuma (PT/BA) e Henrique Afonso (PT/AC), condenados pela comissão de Ética do seu partido por assumirem a defesa da vida.

O texto apóia também a instalação da (CPI) do Aborto. A ocasião foi a 31ª. Assembléia das Igrejas Particulares da Regional Sul 1 da CNBB concluída no último 18 de outubro.

Se instalada, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) descobriria facilmente não apenas que há um projeto internacional interessado em promover o aborto no Brasil mas que, mais ainda, a partir do  momento em que chegou ao poder, a cúpula do Partido dos Trabalhadores, contrariando suas próprias bases eleitorais e os interesses que afirma representar, quis transformar-se no principal aliado deste projeto que pretende negar a personalidade jurídica antes do nascimento, remover completamente todos os tipos de aborto do Código Penal, reconhecer o aborto como um novo direito humano e
tornar a prática totalmente livre em qualquer momento da gestação.

Devido às suas atividades em defesa da vida, o Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores, em julgamento ocorrido no dia 17 de setembro de 2009, condenou por unanimidade os Deputados Luiz Bassuma e Henrique Afonso, à suspensão de suas atividades legislativas, acusados de haverem violado gravemente o Código de Ética Partidária por haverem militado contra a descriminalização do aborto.

Abaixo divulgamos o texto da moção, tomado da página da Regional Sul 1:

“Na 31ª. Assembléia das Igrejas Particulares do Regional Sul 1 da CNBB, nós, povo de Deus reunido de 16 a 18 de outubro de 2009, em Itaici, Indaiatuba-SP, vimos a público manifestar nossa indignação diante do sucedido com os deputados federais, Luís Bassuma (PT/BA) e Henrique Afonso (PT/AC), que foram processados, julgados e condenados pela Comissão de Ética de seu partido, à pena de suspensão de suas atividades parlamentares; retirados da Comissão de Seguridade Social eFamilia da Câmara dos Deputados e ainda instados a retirarem todas as suas iniciativas legislativas que defendam e promovam a vida humana.

Os deputados foram punidos por assumirem a defesa do direito humano primário: o direito à vida do inocente indefeso, desde a concepção. O proceder do Partido dos Trabalhadores (PT), assim como de qualquer outro partido que se comporte da mesma forma, demonstra intolerância e desrespeito à liberdade de consciência garantida pela Constituição Federal, provocando um retrocesso na construção do estado democrático, além de violar o direito fundamental à vida, desde a concepção, garantido pela Convenção Americana dos Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica) homologada pelo nosso Congresso Nacional, em 1992, e contrariando frontalmente a mensagem central do Evangelho : “Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância” (Jo 10,10), pois “Tu me teceste no seio materno” (Sl 139,13).

Manifestamos nossa solidariedade e apoio aos deputados pelo testemunho exemplar de cidadania e de profunda consciência humana e cristã, bem como apoiamos a instalação na Câmara dos Deputados, da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Aborto, para investigar a prática do aborto clandestino, sustentada pelo financiamento e interesses estrangeiros, que querem impor ao Brasil e à América Latina a política perversa do controle populacional.
“Se quisermos sustentar um fundamento sólido e inviolável para os direitos humanos, é indispensável reconhecer que a vida humana deve ser defendida sempre, desde o momento da fecundação” (DA 467)”

Fonte : ACI

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* Ex-ministro da Saúde rebate argumentos de feministas que impulsionam aborto no Peru

terça-feira, outubro 20th, 2009

O Ex-ministro da Saúde, Luis Solari, rebateu os argumentos das organizações feministas que impulsionam o aborto eugênico e lamentou que estes grupos insistam às mulheres, a quem dizem defender, “a que matem os seus filhos”.

Em um debate organizado pelo programa jornalístico A Semana na Televisão Nacional do Peru, Solari enfrentou a Gina Yáñez, diretora do grupo feminista Manuela Ramos, que advoga por liberalizar o aborto no país.

Solari explicou que várias organizações feministas recebem dinheiro do exterior para promover o aborto no Peru e desmentiu o argumento feminista sobre os supostos 400 mil abortos clandestinos que se praticariam por ano no país.

Solari explicou que em 1994 os que fabricaram o relatório encontraram que “no Peru haviam 54 mil abortos e multiplicaram a cifra por cinco, e no 2006 a multiplicou por sete. Apoiado em quais critérios?”, questionou.

“Eu fui Ministro da Saúde, eu procurei estas cifras. Não existem em nenhuma parte do Ministério de Saúde as cifras que aparecem nesta mentira oficial”, precisou.

Referindo-se logo ao aborto eugênico, Solari explicou que com este pretexto em outros países se detecta a Síndrome de Down e as mulheres se submetem a abortos legais.

Dirigindo-se a Yáñez, Solari destacou que a ativista já disse em público que introduzir o aborto por violação e má formações “é o primeiro passo para despenalizar o aborto porque isso é o que a sua organização patrocina em todos os lugares”.

Depois de comentar que é inadmissível que se promova a morte de uma criança por nascer, Solari recordou a Yáñez que “sua organização recebe recursos do exterior”, de países que não assinaram todas as leis que defendem o não-nascido no Peru. Ante a afirmação, e já alterada, Yáñez respondeu: “Mas isso não tem nada a ver!”

“Tem muito a ver –precisou Solari– porque se sua organização (Manuela Ramos) recebe dinheiro de países que não têm estas leis. Por que esses países promovem que aqui abortemos as pessoas? Que sigam abortando em seu país, que sigam abortando em seus países. Coisas às quais me oponho também”.

“É preciso ser claro. O Peru é dos peruanos. Os direitos das mulheres contêm deveres, todos os direitos têm deveres. O direito de uma mãe inclui o dever de defender a vida de seu filho”, explicou Solari.

“Eu não posso conceber que hajam mulheres (como as da organização Manuela Ramos) que insistam a outras mulheres a matarem a seus filhos”, adicionou.

Para ver a entrevista completa em espanhol, ingresse em: (primeira parte) http://www.youtube.com/watch?v=12hs_N_L2-c&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=NXPs-4tLNiw&feature=related (segunda parte)

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Pai,essencial e insubstituível

domingo, agosto 9th, 2009

Os países ocidentais têm contribuído, cada vez mais, a reforçar a concepção de pai excluído da procriação. Tome-se, como lembrança, as recentes legislações que pensam unicamente na mãe solitária, como, por exemplo, a lei que dispõe sobre os alimentos gravídicos ou a farta jurisprudência de direito de família a respeito da guarda dos filhos, notoriamente concedida à mãe, em razão de sua idoneidade moral ou pela inépcia do pai para a assunção desta tarefa.

O mais grave deste assunto reside no fato de que a exclusão do pai do relacionamento familiar penaliza também os filhos. Criou-se, no afã de se privilegiar os direitos da mãe, uma dupla categoria de excluídos: de um lado, os pais biológicos rechaçados; de outra, os filhos, submetidos a um pai substituto atrás de outro, quando não confiados a terceiros especializados, como se fossem filhos-objetos.

A ausência do pai tem efeitos bastante negativos no desenvolvimento dos filhos. Segundo dados de organizações não governamentais americanas, nos Estados Unidos, uma criança tem seis vezes mais chance de crescer na pobreza e duas vezes mais risco de abandonar os estudos se foi educado, desde a infância, por uma mãe solitária, se comparado a uma criança que pertença a uma família constituída por um casal, capazes de lhes oferecer pontos seguros de referência.

A conseqüência última da falta do pai se manifesta no incremento da violência (doméstica também). Ao não chegarem, muitas vezes, a aceitar o real, em virtude da falta de sentido de limites que, costumeiramente, é função do pai na educação familiar, os filhos se rebelam e os atos de violência se multiplicam, quando não se voltam contra o próprio filho, transformando-se em instrumento de autodestruição.

É premente uma nova cruzada para se repensar a família e seus atributos.

Como chegamos a este ponto? O problema da falta do pai está intimamente ligado a outro problema de maior envergadura: o desmembramento da família constituída por um pai e uma mãe com filhos.

A família se rompe, sobretudo, em razão da pressão que sofre pelos casais atuais, nos quais, os indivíduos, enquanto tais, não buscam mais que seus benefícios pessoais por intermédio do outro. O liame familiar também se esgarça porque, não raro, omite seu papel educativo.

A crise da família ganha contornos de tragédia, se analisados o decréscimo de matrimônios, o aumento das uniões de fato, a baixa fecundidade e a multiplicação dos divórcios. Contudo, a causa bem mais profunda: o problema está na concepção de família que temos nos dias de hoje.

Para se valorizar, de novo, a figura do pai, proponho a recuperação do sentido da família. Se trata de redescobrir o significado do parentesco e da diferença de gerações. Afirmo que o pai e a mãe são necessários, que nenhum deles é mais que o outro e que nenhum deles é substituível ou anulável pelo outro.

O governo britânico, recentemente, planeja dificultar o recurso à fecundação artificial para as mulheres solitárias, acrescentando na lei específica um novo requisito: o dever das clínicas em considerar, em primeiro lugar, a conveniência de que o filho por se conceber tenha um pai.

Na realidade, criar filhos sem pai não tem nada de desafiador. Nos Estados Unidos, na comunidade negra, mais da metade dos filhos vivem em lares monoparentais. O presidente eleito, durante a campanha eleitoral, clamou por uma luta contra a epidemia nacional de pais ausentes, que já havia cobrado um alto preço da comunidade negra, segundo ele, principal fato gerador da perpetuação da marginalização e da pobreza daquele segmento social.

Os filhos de tais famílias incompletas abandonam os estudos em grande proporção. Muitas moças têm gravidezes precoces e, assim, muitas jovens iniciam novos lares monoparentais. Os jovens deixam-se facilmente levar pelas gangues de rua, tornando-se indisciplinados e violentos. Para eles e elas, carentes de formação, a situação laborativa mais provável será a fila do seguro-desemprego ou a submissão ao emprego precário.

Ante uma audiência predominantemente negra e acompanhado de sua mulher e de suas duas filhas, durante o discurso da vitória, falou sobre o problema com a convicção e a autoridade de quem o conhece de primeira mão: ele é um filho de um homem que se separou da mãe, quando tinha dois anos de idade, que passou a educá-lo com o auxílio dos avós maternos.

Ele proclamou que “foram muitos os danos que sofri em não ter um pai presente, o vazio que fica em teu coração, quando em teu lar não há uma figura masculina que te guie e mostre os caminhos. Por isso, desde há muito, tomei a decisão de que precisava romper o ciclo: se eu pretendesse ser alguém na vida, que fosse, antes de mais nada, um bom e presente pai para meus filhos”.

No entardecer da vida, esse pai verá como seus filhos se transformaram em mulheres e homens seguros, responsáveis e empenhados em viver de acordo com a educação que receberam, porque viram no pai, natural e inconscientemente, durante toda a vida, a figura de uma pessoa que sempre se fez presente.

André Gonçalves Fernandes

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Meu Filho!

domingo, agosto 9th, 2009

Meu Filho !

Eu lhe dei a vida, mas não posso vivê-la por você.
Posso ensinar-lhe muitas coisas, mas não posso fazer com que aprenda.
Posso ensinar-lhe o caminho, mas não posso estar lá para indicar-lhe.

Posso dar-lhe liberdade, mas não posso ser responsável por ela.
Posso levá-lo à Igreja, mas não posso fazer com creia em Deus.
Posso ensinar-lhe a distinguir entre certo e errado, mas não posso decidir por você.

Posso comprar-lhe roupas bonitas, mas não posso fazer com que fique bem nelas.
Posso oferecer-lhe um conselho, mas não posso aceitá-lo por você.
Posso dar-lhe amor, mas não posso forçá-lo a amar.

Posso ensinar-lhe como ser bom, mas não posso forçá-lo a ser bom.
Posso avisá-lo sobre seus amigos, mas não posso escolhê-los por você.

Posso contar-lhe sobre fatos da vida, mas não posso construir a sua própria reputação.

Posso avisar-lhe sobre o mal que a bebida acarreta, mas não posso dizer não por você.
Posso avisá-lo sobre as drogas, mas não posso impedi-lo de usá-las.
Posso falar-lhe sobre metas a serem alcançadas, mas não posso alcançá-las por você.

Agora é sua vez de agir!

Fonte: Pais e mães do “Amor Exigente”

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Frade de Medjugorje retorna a estado laical

terça-feira, julho 28th, 2009

Por Simon Caldwell
The Daily Mail ( Inglês)
26 de julho de 2009

Vlasic e uma das videntes, Marija Pavlović, nos anos 80.

Vlasic e uma das videntes, Marija Pavlović, nos anos 80.

O Papa laicizou o padre envolvido com as aparições da Virgem Maria na cidade bosniana de Medjugorje.

Padre Vlasic é o antigo ‘diretor espiritual’ de seis videntes que afirmam que Nossa Senhora as visitou aproximadamente 40.000 vezes em 28 anos. Ele também foi suspeito de inventar histórias das aparições da Virgem Maria.

O local atrai milhares de visitantes todo ano.

***

[Padre Vlasic] pediu para deixar o sacerdócio após o Vaticano investigar acusações de que era culpado de imoralidade sexual ‘agravadas por motivações místicas’, depois de engravidar uma freira e então persuadi-la a silenciar o assunto.

Padre Vlasic se negou a cooperar com a investigação desde o princípio e foi exilado para um mosteiro em L’Aquila, Itália, onde foi proibido de se comunicar com qualquer pessoa, sem a permissão de seu superior.

Veio à tona ontem que ele escolheu deixar o sacerdócio e sua ordem, uma mudança que levou a investigação a um fim abrupto.

A laicização de Padre Vlasic significa que ele está deposto de seu estado clerical.

Padre Vlasic foi chamado de ‘criador’ do fenômeno, conforme Pavao Zanic, bispo local quando então as aparições começaram em 1981.

Mais cedo, em meio a uma discussão com o bispo local e o Vaticano, ele fez uma profecia de que a Virgem Maria apareceria na Bósnia.

Meses depois, seis crianças da região – Mirjana Dragićević, Marija Pavlović, Vicka Ivanković, Ivan Dragićević, Ivanka Ivanković e Jakov Colo – disseram ter visto a Virgem numa montanha próxima à sua cidade.

Logo depois, Padre Vlasic anunciou que era ‘diretor espiritual’ delas e em 1984 até mesmo ostentou ao Papa João Paulo II que ele era aquele ‘por meio de quem a providência divina guia os videntes de Medjugorje’.

Mas o clérigo bosniano posteriormente tomou uma posição mais modesta quando se soube que ele seria pai de uma criança com uma freira chamada Irmã Rufina e que se negou a deixar sua ordem para se casar com ela.

Padre Vlasic então se mudou para Parma, Itália, onde fundou uma comunidade religiosa mista (masculina e feminina) chamada Rainha da Paz, que foi dedicada às aparições.

Ele foi suspenso no ano passado pela Congregação do Vaticano para a Doutrina da Fé em meio a uma investigação sobre sua conduta depois de três comissões eclesiásticas terem fracassado em encontrar evidências para sustentar as afirmações dos videntes.

Os bispos da antiga Iugoslávia finalmente declararam que “não pode ser afirmado que estas matérias digam respeito a aparições ou revelações sobrenaturais”.

————————-

OFÍCIO DO SUPERIOR GERAL DA ORDEM DOS FRADES MENORES

ORDO FRATRUM MINORUM
MINISTER GENERALIS

Prot. N. 098714

Aos Superiores Provinciais da Bósnia Herzegovina, Croácia e Itália.

Caro Irmão Superior,

O Santo Padre, aceitando a requisição do frade Tomislav Vlasic, O.F.M., membro da província dos frades menores de S. Bernardino de Siena (L’Aquila), responsável por conduta nociva à comunhão eclesial tanto na esfera doutrinal como disciplinar, e sob a censura de interdito, lhe concedeu o favor da redução ao estado laico (amissio status clericalis) e demissão da Ordem.

Além disso, o Santo Padre concedeu ao peticionário, motu proprio, a remissão da censura incorrida assim como o favor da dispensa dos votos religiosos e de todas as responsabilidades associadas às ordens sagradas, inclusive celibato.

Como um preceito penal salutar – sob pena de excomunhão que a Santa Sé declararia, e, se necessário, sem advertência canônica prévia – as seguintes ordens são impostas ao Sr. Tomislav Vlasic:

a) Absoluta proibição de exercer qualquer forma de apostolado (por exemplo, promover devoções públicas ou privadas, ensinar doutrina Cristã, direção espiritual, participação em associações leigas, etc) assim como aquisição e administração de bens destinados a propósitos religiosos;

b) Absoluta proibição de publicar declarações sobre matérias religiosas, especialmente a respeito do “fenômeno de Medjugorje”;

c) Absoluta proibição de residir em casas da Ordem dos Frades Menores.

Para a execução das medidas sérias impostas pela Santa Sé com respeito ao Sr. Tomislav Vlasic, a mesma Sé Apostólica comunica diretamente aos Superiores de Ordem.

Portanto, volto-me a vós para que sejais vigilantes e informeis aos Guardiães e superiores das casas filhas, respeitosamente, a respeito de Tomislav Vlasic, das medidas pontifícias a ele concernentes, em particular a respeito da proibição de residir em qualquer causa pertencente à Ordem dos Frades menores, sob pena de remoção do cargo.

Confiando em vossa plena compreensão e pronta cooperação, cumprimento-vos fraternalmente.

Roma, 10  de março de 2009.

Fr. José Rodriguez Carballo, OFM
Superior Geral

Fonte: Catholic Light

***

Ainda existem aqueles que acham que a Igreja é indiferente a situações como essas. Na verdade ela age com a prudência e a discrição necessária para situações delicadas assim.

A caridade de Cristo sempre deve nortear análises que envolvem vidas e escândalos públicos.

A postura da Igreja é sempre de salvação e de justiça,de não expor ainda mais vidas já expostas;de minimizar os danos,sem negá-los.

A Igreja é mãe.De todos!

Até dos culpados, a quem anima o arrependimento e a busca da salvação.

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Sem crescimento da população crise não findará.

domingo, julho 26th, 2009

Especialista em população comenta a encíclica “Caritas in Veritate”

Para sair da crise econômica é necessário fazer crescer a população, como destacou Bento XVI na Encíclica Caritas in Veritate. Esta opinião é compartilhada por Riccardo Cascioli, presidente do Centro Europeu de Estudos sobre a População, o Ambiente e o Desenvolvimento (CESPAS) e diretor do Departamento de População,

Qual é sua avaliação sobre a encíclica?

– Riccardo Cascioli: Extraordinariamente positiva, porque ao aprofundar no tema da caridade e da verdade na perspectiva econômica e social, enfrenta desde a raiz o tema mais controvertido de nosso tempo: o significado da presença humana sobre a terra, sua tarefa e seu destino. Enquanto no Ocidente se assiste há décadas a ideologias que tendem a desfigurar o homem (a pior das quais é o “humanismo sem Deus”, como recorda o Papa), nesta encíclica o homem – com sua dignidade e sua responsabilidade – volta a colocar-se em seu lugar, no centro da Criação. E se demonstra como a questão antropológica não é um problema filosófico; ao contrário, é determinante para as circunstâncias econômicas e sociais. Está claramente em continuidade com o magistério de Bento XVI, comprometido em revalorizar a razão, faculdade que é específica do homem. Também está em continuidade com João Paulo II, que desde 1997 havia dito claramente que a batalha decisiva do Terceiro Milênio seria precisamente ao redor do homem, cume da Criação.

Os pontos que abordam a crise demográfica e o ambiente são muito inovadores e qualificados. O que pensa a respeito?

– Riccardo Cascioli: É fundamental que tenha dito com tanta clareza que “considerar o aumento da população como causa primeira do subdesenvolvimento é incorreto, também do ponto de vista econômico”. É um ponto decisivo, porque desde os anos 80 em diante as políticas globais – sob os auspícios de organismos das Nações Unidas – se fundamentam sobre o controle da população, considerada como um “fato negativo” para o desenvolvimento e para o ambiente. E também a propósito do ambiente, a Encíclica explicita e mostra na situação atual o que já é patrimônio da Doutrina Social da Igreja e se pode resumir na frase: a natureza é para o homem e o homem é para Deus. “Se esta perspectiva decai – diz a encíclica – o homem acaba, ou por considerar a natureza como um tabu intocável ou, ao contrário, por abusar dela”. Desta forma mostra exatamente a situação esquizofrênica do mundo ocidental secularizado.

O economista Ettore Gotti Tedeschi sustenta que o Papa merece o prêmio Nobel de Economia por ter destacado a relação entre a crise e a queda da natalidade. Qual é seu parecer ao respeito?

– Riccardo Cascioli: Creio que tem toda a razão. Existe verdadeiramente uma crise demográfica, e é a dos países desenvolvidos que há mais de 40 anos têm uma taxa de fertilidade abaixo do índice de substituição geracional. A encíclica nos dá a entender como este é o fator fundamental da crise econômica atual. E a resposta não pode ser apenas “técnica”. Nos últimos anos compreendemos como o desabamento da natalidade incide no problema das pensões, por exemplo, mas este é apenas um aspecto de uma crise muito mais ampla destinada a piorar nos próximos anos. É necessário que os Governos – e os economistas – reflitam sobre este aspecto.

Durante algumas décadas as instituições internacionais sustentaram que para favorecer o desenvolvimento era necessário reduzir os nascimentos. Quais foram os resultados destas políticas?

– Riccardo Cascioli: Atualmente há muitos países em via de desenvolvimento cuja taxa de fertilidade desceu para baixo do índice de substituição geracional. Em geral todos os países do mundo – salvo raríssimas exceções – experimentaram uma drástica diminuição dos nascimentos nas últimas décadas. Mas nenhum país saiu da pobreza e do subdesenvolvimento graças a estas políticas. Ao contrário, para se controlar os nascimentos se desviaram importantes recursos necessários para promover verdadeiros projetos de desenvolvimento. Também, a aplicação selvagem destas políticas – como é o caso da China, Índia e outros países asiáticos – provocou graves desequilíbrios sociais, dos quais o desaparecimento de cem milhões de mulheres (por motivos culturais se aborta mais fetos de meninas que de meninos, N. do T.) é apenas o aspecto que causa mais impacto. Não é casualidade que esta encíclica não utilize o conceito de “desenvolvimento sustentável”, cujo fundamento é precisamente a visão negativa da população. É um aspecto importante, porque inclusive alguns ambientes católicos pressionam para que haja uma adequação à ideologia da “sustentabilidade”.

Ao contrário do que se sustentam inclusive em certos ambientes católicos, segundo os quais para salvar o planeta teria de reduzir o desenvolvimento e o crescimento demográfico – daí as teorias sobre o decrescimento –, a Encíclica Caritas in Veritate explica que o desenvolvimento é uma “vocação” a ser apoiada para o bem comum e que não há desenvolvimento sem crescimento demográfico. O que acha?

– Riccardo Cascioli: Também aqui a Encíclica traz clareza e descarta muitos conformismos. O desenvolvimento – entendido como desenvolvimento integral da pessoa e dos povos – é nossa vocação de homens. E a isto devemos tender. O decrescimento não é um valor e tampouco sair da economia. O verdadeiro desafio é tomar as dimensões fundamentais do desenvolvimento. Não por casualidade a encíclica põe o direito à vida e o direito à liberdade religiosa como condições fundamentais para um verdadeiro desenvolvimento. Certos aspectos que nos parecem deteriorados – como as condições dos trabalhadores ou do meio ambiente nos países envolvidos em um desenvolvimento tão rápido como caótico – são na realidade fruto de uma concepção que reduz o desenvolvimento a crescimento econômico, no qual o homem se reduz a mero instrumento deste crescimento.

Voltando ao desenvolvimento, a encíclica de Bento XVI propõe uma revolução social que passe da “solidariedade” ao conceito da “fraternidade” e que conjugue verdade e caridade. Qual é seu parecer ao respeito?

– Riccardo Cascioli: Supõe uma grande novidade sobre a qual é importante refletir. O termo solidariedade vem hoje acompanhado de uma visão reducionista e sentimental da caridade, e ao que a encíclica quer dar a volta. E coerentemente, dedica um capítulo inteiro precisamente à “fraternidade”. Enquanto que a solidariedade põe o acento sobre a atuação do homem para com os demais homens, a fraternidade põe o acento sobre o que recebemos, porque supõe o reconhecimento de um único Pai (sem o qual não poderíamos considerar-nos irmãos). Uma vez mais se sublinha a vocação do homem como fator que determina cada aspecto, também da vida coletiva.

Durante décadas o mundo católico pareceu dividir-se entre quem se dedica às obras de caridade e quem se dedica mais às questões bioéticas como a defesa da vida e da família. Com esta encíclica, o Papa Bento XVI sustenta que não há caridade sem verdade e que só na verdade resplandece a caridade. Sublinhando assim que “sem verdade, a caridade é excluída dos projetos e dos processos de construção de um desenvolvimento humano de dimensão universal, no diálogo entre os saberes e a operatividade”. O que dizer a respeito?

– Riccardo Cascioli: A vida é única e não pode ser dividida em setores. Mas ao mesmo tempo, como acontece em uma casa, estão as fundações, estão os muros mestres, estão também as paredes, o teto e os acessórios. O direito à vida e à liberdade religiosa são as fundações: sem fundação, inclusive as casas mais belas estão destinadas a cair ante a primeira adversidade. A crise econômica atual nos demonstra isso, mas se não se entende a lição a crise não terá fim.

***
A igreja não é favor da super população irresponsável do mundo.Sabemos que recursos naturais existem.O que falta são os recursos democráticos de uma correta e equilibrada distribuição destes recursos para todos.

Falta caridade! que não é esmola,mas justiça!

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Educar os filhos a pensar.

quinta-feira, julho 23rd, 2009

11 Conselhos para ensinar os filhos a pensar

Aprende a pensar aquele que pergunta sempre, que sai da jaula das modas, que se atreve a inventar problemas e a pensar sobre si mesmo, sobre a vida, sobre tudo.

1. Em primeiro lugar, é preciso agir conforme a verdade das coisas: ensinar os filhos a não se enganarem, a serem sinceros, a agirem com coerência. “Podemos conhecer a química cerebral que explica o movimento de um dedo, mas isso não explica por que esse movimento é usado para tocar piano e não para apertar um gatilho” (Marcus Jacobson). E também não podemos baratear a verdade” (F. Suárez), rebaixando o seu valor, como se fosse uma liquidação.

2. Um segundo ponto é que “o treinamento é um privilégio da inteligência humana” (José Antonio Marina). É preciso enriquecer a linguagem, é preciso estimular o diálogo, o exercício mental de raciocinar, de defender uma causa, de ter argumentos para as próprias decisões, e não somente fazer o que fazem os outros, como os bois no pasto. Aprender a pensar é descobrir como é grande o poder da moda sobre o mundo inteiro, e saber sair da jaula em que a moda pode encerrar-nos. O pensador livre – ou seja: o pensador – não deve sacrificar a sua liberdade no altar da moda. Sacrificar a verdade no altar da moda é uma das perversões mais nocivas para um pensador… E no entanto é excessiva a freqüência com que a razão fica presa na jaula da moda. Treinamento e cultivo, porque “a terra que não é lavrada, trará abrolhos e espinhos, ainda que seja fértil. Assim sucede com o entendimento do homem” (Santa Teresa de Ávila).

3. Já que é impossível não se equivocar nunca, pelo menos por utilidade e por dever temos de aprender com os nossos enganos: se quisermos aprender a pensar, deveremos descobrir o mundo tão humano do erro. “Errar é humano”, diziam já os antigos. O erro é o preço que o animal racional tem que pagar.

4. Seremos mais inteligentes e mais livres quando conheçamos melhor a realidade, quando saibamos avaliá-la melhor e quando sejamos capazes de abrir mais caminhos novos. Seria um erro pensar – observa Leonardo Polo – que o homem inventou a flecha porque tinha necessidade de comer pássaros. Também o gato tem essa necessidade, e o ilustre felino nunca inventou nada. O homem inventou a flecha porque a sua inteligência descobriu a oportunidade escondida no graveto.

5. Manter aberta a nossa capacidade de dirigir a própria conduta mediante valores pensados. É preciso passar do regime do impulso irracional para o regime da inteligência. Mais do que ensinar a pensar, a função dos pais há de ser a de motivar os filhos para que queiram pensar por sua própria conta. Com atitudes positivas, as crianças topam qualquer parada; com atitudes negativas, pensar parece lhes uma coisa cansativa e agir parece lhes uma coisa medíocre.

6. Ensinar a tomar decisões. A inteligência é a capacidade de resolver problemas vitais. Não é muito inteligente quem não seja capaz de decidir, mesmo que dentro do seu refúgio isolado consiga resolver facilmente problemas de trigonometria. Se admitirmos que educar é essencialmente ajudar a crescer na liberdade e na responsabilidade, então aprender a decidir bem acaba sendo um dos aspectos chave nessa tarefa: quanto maior a capacidade de decisão, mais liberdade.

7. Devemos recuperar – e estimular – nas crianças a sadia estratégia de perguntar continuamente. As três perguntas fundamentais são: “O que é?”, “Por que isso é assim?” e “Como é que você sabe?” Aristóteles definia a ciência como “o conhecimento certo pelas causas”: portanto, é preciso habituar-se a perguntar os porquês. Os pais devem estimular, comentar e favorecer (criando o clima adequado) os hábitos intelectuais dos filhos.

8. A inteligência tem de saber aprender, mas sobretudo tem de desfrutar aprendendo. Trata-se de formular perguntas que levem à reflexão, a perguntar-se sobre o próprio pensamento: “Por que o homem pensa?”, “Você já pensou porque é que lembramos das coisas?” “Pensamos quando estamos dormindo?” “O que é que mais faz você pensar?” “Você pode pensar duas coisas diferentes ao mesmo tempo?” Leonardo Polo define o homem como um ser que não somente resolve problemas, mas que também os formula. Com efeito, o ser humano progride propondo a si mesmo novos problemas e tentando resolvê-los.

9. A inteligência deve ser eficazmente lingüística. Graças à linguagem, não somente nos comunicamos com os outros, mas também conosco próprios. A inteligência não se parece a uma coleção de fotografias, mas a um rio. Rio e inteligência “discorrem”. A nossa língua original – a língua materna – é um rio em que deságuam milhares de afluentes. “A pluma e a palavra são as armas do pensador” (J.A. Jauregui): aprender a pensar é aprender a tocar os instrumentos do pensamento: a pluma e a palavra.

10. Fomentar a leitura e controlar o uso da televisão. Já que estamos falando do vôo da inteligência, trata-se de “ser mais inteligentes que a televisão” (Jiménez). Os livros “tem de ser obras que alimentem a inteligência sem deixar o coração seco”, ou seja, devem “iluminar a mente com a verdade e não mergulhá-la nas névoas da dúvida ou na escuridão do erro” (F. Suárez).

11. Urge encontrar momentos para refletir, para pensar, coisa aliás muito menos trabalhosa do que muitas das necessidades que inventamos. Pensar sobre o sentido da vida, das coisas, do homem, de Deus. Quando Unamuno disse que costumava sair para passear com os pastores de ovelhas para aprender a pensar, para desprender-se dos preconceitos e dos dogmas de escola, muitos rasgaram as vestes. Unamuno, porém, estava sendo sincero. Um pastor de ovelhas tem tempo para pensar, para dar rédea solta à sua imaginação e para descobrir horizontes filosóficos que jamais foram vistos por nenhum outro pensador. Fernando Corominas diz que é preciso “instalar” na mente e no coração dos filhos as coisas boas antes que cheguem as nocivas. Esse “chegar antes” é educar pensando no futuro. Sempre que nos abandonamos, retornamos à selva. Essa selva de que falo metaforicamente é sempre uma claudicação da inteligência.

Luis Olivera
Escritor e Jornalista

***

Pensar!

Nossa sociedade não privilegia o pensar.A tecnologia instatânea,por exemplo, pode nos viciar a receber tudo pronto sem passar pelo crivo da verdade.

A Internet com seus usuários sempre apressados,que rejeitam textos e artigos mais elaborados,testemunha essa “aversão” de alguns para buscar o sentido das coisas, a razão e o porque das coisas.Prefere-se o pronto e o curto.Acaba-se perdendo o melhor da reflexão e se iguala a aqueles que vão por onde todos vão,que acha o que todo mundo acha,que veste o que todo mundo veste..”mais um na multidão”,sem coragem de ser diferente,não pelo simples fato de ser diferente, mas porque tem sentido e ideias próprias.SABE O QUER E QUAL  A DIREÇÃO CERTA A IR!

As sugestões acima,embora direcionadas a educadores,podem servir de reflexão para os jovens e adultos para se reavaliarem se são ,ou não,pessoas “pensantes”.

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“Não existem crises econômicas,mas crises morais”

quarta-feira, julho 15th, 2009

A encíclica “Caritas in veritate” ensina políticos, empresários, economistas e sindicalistas que toda crise econômica esconde uma crise moral, assegura o diretor de Hispanidad (www.hispanidad.com).

***

Eulogio López, nesta entrevista  ilustra algumas das surpresas que a terceira encíclica de Bento XVI suscita em seus leitores.

– Você dirige uma publicação lida, antes de tudo, por empresários, economistas e sindicalistas. Esta encíclica tem algo a dizer para seus leitores?

– Eulogio López: Tudo. “Caritas in veritate” é uma encíclica muito original… porque vai à origem das coisas, aprofunda. Parece um pouco desordenada, talvez por ser muito ampla. Sua principal virtude? Em minha opinião, é que aborda algo que o empresário, o banqueiro ou o sindicalista não encontram frequentemente: que caridade é amor, que amor é solidariedade e que solidariedade é justiça social. Estamos falando do mesmo com diferentes nomes. Direi de outro modo: com o mesmo coração com que amamos nossos filhos, amamos a coletividade, o bem comum ou, como diriam os franceses, sempre tão cartesianos, a questão social. O bem comum, um dos quatro princípios não negociáveis de Bento XVI, não é mais que outro tipo de amor, de caridade, ou seja, de doação e de entrega de si mesmo. E sem esse amor, não há política econômica que valha.

Neste sentido, uma das originalidades da encíclica é a gratidão. Bento XVI formula (ponto 38) afirmações tão surpreendentes como estas: “Sem a gratidão não se alcança nem sequer a justiça”, ou “a atividade econômica não pode prescindir da gratidão”, além de apontar para outro dos tópicos mais habituais no universo financeiro: “A gratidão não pode ser deixada nas mãos do Estado”.

– Como você diz, a encíclica introduz a “caridade” como categoria da doutrina social. Até agora parecia que este papel correspondia à justiça, enquanto que a caridade ficava um pouco circunscrita à opção pessoal, privada, sobretudo para solucionar as descompensações próprias de todo sistema social. A “caridade”, entendida como a entende o Papa, pode entrar no dicionário dos economistas?

– Eulogio López: É difícil, mas para isso se escreveu a encíclica. Os economistas costumam ficar no “do ut des”, o que o Papa chama justiça comutativa, meramente contratual. A encíclica diz que deve-se chegar à justiça distributiva – por assim dizer uma vez conseguido o benefício por métodos legais, repartir entre os mais necessitados – mas dá um surpreendente passo a mais: a gratidão. Pois veja você, isso é o que as empresas chamam, com a boca pequena, responsabilidade social corporativa. Ramón Areces explicava de sua maneira: “Tenho o dever de devolver à sociedade algo que a sociedade me deu”.

– O Papa afirma que a crise demográfica acaba provocando uma crise econômica. Acha que os professores de economia concordam com esta afirmação?

– Eulogio López: E recordou isso ao abortista Barack Obama. O Papa propõe uma e outra vez a relação entre aborto e economia – especialmente nos números 15 e 28 –, algo que os empresários não costumam nem ouvir, com duas conclusões. Sem o direito à vida, o resto de direitos humanos, inclusive os econômicos, são impossíveis, porque se não se respeita a vida não podem desenvolver-se. Segunda conclusão: todas as crises econômicas são crises demográficas: o Ocidente não está deixando de ser o motor do desenvolvimento econômico do mundo porque perdeu o trem tecnológico, mas porque não tem filhos. Ter filhos é um preceito moral mas também uma lei econômica. Sem filhos não há pessoas, não há contribuintes que suportem o Estado de Bem-Estar. É a tautologia de que se não há vitalidade as sociedades morrem. Portanto, o aborto e o conjunto de políticas antinatalistas são os vilões de uma economia sã.

As muitas linhas que o Papa dedica ao direito à vida são do mais pertinente em uma encíclica “econômica”. Todas as crises econômicas são crises demográficas e crises da família, que constitui uma célula de resistência à opressão e o grande dique de contenção frente a pobreza. Um Estado que não cuida da família constrói sua própria ruína. Ou o que é o mesmo: o que diz o Papa é que não existem crises econômicas, mas crises morais, crises do egoísmo. O aborto não é senão puro egoísmo, pura comodidade, puro aburguesamento. E o chamado controle da natalidade é a supressão de todo tipo de autocontrole de si mesmo.

– O Papa fala várias vezes de “democracia econômica”, ao falar do papel dos consumidores. Novos protagonistas da doutrina social?

– Eulogio López: Sim. A frase mais famosa na “city” financeira ocidental durante a última década foi aquela de “deve-se criar valor para o acionista”, um tópico que provoca muitas piadas e muitas maldades entre os jornalistas especializados em economia. A história é esta: João Paulo II recorda que não, que a empresa também trabalha para seus empregados porque o trabalho não é outro fator a mais da produção mas, como recorda o Papa Wojtyla, é “um fator humano”. Mas o Papa polonês acrescentava um ponto mais: também deve-se gerar valor para o consumidor, para o público, ou seja, o cliente, verdadeiro elemento constitutivo da empresa. Pois bem, agora chega Bento XVI e nos surpreende com outro anexo: a empresa também deve velar pelos interesses do fornecedor (número 40). Com efeito, também faz parte da empresa. E a menção deste novo elemento não pode ser mais pertinente, porque o meio do oligopólio das multinacionais sobrevive graças a duas práticas lamentáveis: criar moldes de exigência altíssimos e pressionar o fornecedor (quando não acrescentam o engano ao consumidor). Nisso muitas grandes empresas baseiam suas melhoras de produtividade.

– O que é necessário para que esta encíclica chegue – hoje é muito pedir que as pessoas a leiam – aos líderes econômicos e políticos?

– Eulogio López: Que a leiam! Fiquei surpreso quando o presidente norte-americano comentou que a leria em sua viagem Roma-Gana. Acho que não vai dar tempo. Esta encíclica não pode ser lida em diagonal. Quando os empresários e os políticos se derem conta – se darão conta? – do que realmente Bento XVI prega, começarão a tremer. O que está lhes dizendo é que a solidariedade não basta – o que, também, fazem com o dinheiro dos demais – mas que deve-se chegar à gratidão e que, quando o fizerem, deverão repetir as palavras de Cristo: “somos servos inúteis, fizemos o que tínhamos que fazer”.

– O Papa fala de especulação financeira…

– Eulogio López: Menos mal, porque é o termo tabu desde que estourou a crise econômica, há agora dois anos, em agosto de 2007. Durante esse tempo, as bolsas de valores perderam 22 bilhões por causa de dois egoísmos. O da especulação e o do comodismo, ou seja, o excessivo endividamento ou viver acima de nossas possibilidades, especialmente os ricos que, no século XXI, não são os que têm mais economias, mas os que têm mais poder, ou seja, mais capacidade de endividamento, de comodismo. O Papa ressuscita um termo que nenhum broker quer citar – especulação – unido a outro cuja própria existência todo intermediário financeiro se nega admitir: economia real.

Explicarei de outro modo: a crise dos subprimes não tem nada a ver com as subprimes, ou hipotecas outorgadas a quem não possuía avais suficientes, em troca de um maior custo. Alguém acredita verdadeiramente que o atual cataclisma que sofremos, autêntica crise econômica permanente, podia provir do crédito mais seguro que existe, o crédito com garantia real, a particulares, que são os que melhor pagam, em um país como os Estados Unidos, não nos demais, por exemplo, não na Europa, onde a banca está mais controlada? Não senhor. A atual crise chegou pela titularização – pura especulação financeira – sobre essas hipotecas de lixo, convertidas em ativos financeiros totalmente alheios ao bem comum, ou seja, a oferecer dinheiro a quem, de outra forma, não poderia comprar uma casa.

Esses títulos valores montados sobre os subprimes em nada beneficiavam ao devedor, só ao especulador, que cobrava menos mas cobrava antes, e ao intermediário, que especula com essa dívida-lixo montada sobre uma hipoteca de lixo. Em suma, o que provocou a crise é o especulador de Wall Street e de outras praças financeiras do mundo, com os bancos de investimento à frente. Ao final, essa especulação financeira, desconectada da economia real, acabou por destroçar a economia real… uma vez mais. E o grave é que, em dois anos, tudo o que ocorreu aos líderes mundiais é que todos devemos pagar os pratos quebrados pelos especuladores, para que possam continuar perpetrando seu venenoso trabalho especulativo. Por isso entramos em uma crise permanente.

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As crianças e a ideologia do Gênero

sexta-feira, julho 3rd, 2009

Esta entrevista com o roteirista dos quadrinhos da “turma da Mônica”, o qual afirma que “as crianças já crescem com a visão errada de que o único relacionamento ’sério’ e ‘digno’ é aquele formado entre um homem e uma mulher”.

“Como educador” o roteirista gostaria que se abrisse “uma porta gigantesca (ipsis literis) para a aceitação dos gays na sociedade”.

Tragos aqui alguns trechos dessa entrevista:

Nas histórias da Turma da Mônica também é comum haver inversões de papéis de gêneros, quando a Mônica acorda e virou menino ou os personagens masculinos usam roupas femininas. Acredita que de certa forma isso ajuda a separar a dicotomia de meninos x meninas ou essa inversão é muito mais pra fazer humor?

Na grande maioria das vezes é apenas uma inversão criada para fazer humor. Mas em alguns casos essas histórias são usadas para quebrar aqueles velhos tabus que ditam que só os meninos jogam bola e que lugar de mulher é no fogão. Nos roteiros da turma da Mônica não existe nenhum elemento oculto ou mensagem subliminar escondida, na verdade a mensagem é a mais clara possível.

Infelizmente, na sociedade em que vivemos, qualquer coisa que tiver uma leve conotação gay é tratada como uma ofensa à moral e aos bons costumes. Existem alguns fãs da Denise que acham suas gírias engraçadas, mas quando descobrem que são expressões gays, eles partem para a defensiva. Tentam argumentar dizendo que as gírias não são gays, que esse é apenas o jeito de falar de qualquer patricinha dos dias de hoje… Provavelmente são pessoas que não sabem que essas expressões existem há mais de 13 anos.

O Maurício de Sousa afirmou recentemente em entrevista à Veja que sempre pedem para que ele faça um personagem gay. Acredita ser possível um personagem gay na Turma da Mônica?

Como eu disse anteriormente, não acredito que seja possível, pelo menos não num futuro próximo. Mas, na minha opinião, isso abriria uma porta gigantesca para a aceitação dos gays na sociedade, porque muito do preconceito existente hoje nas famílias brasileiras é moldado desde a infância. As crianças já crescem com a visão errada de que o único relacionamento “sério” e “digno” é aquele formado entre um homem e uma mulher. Quando uma criança assiste aos programas humorísticos da TV (como o “Zorra Total”) ela acaba acreditando que ser gay é ser motivo de piada e de chacota. Não estou falando que criar um personagem gay influenciaria nossos leitores a seguir esse caminho, o que eu estou dizendo é que as outras crianças aceitariam esse amigo “diferente” com muito mais naturalidade.

Se as crianças tivessem um contato mais cedo com as diversas “alternativas” existentes no mundo elas cresceriam muito mais resolvidas com sua própria identidade. E isso não se aplica apenas à aceitação da sexualidade, mas também à aceitação das diferentes religiões, filosofias de vida e quaisquer outras escolhas que elas terão que enfrentar no futuro.

AGORA VEJAM também ESSA …

Pesquisadores da Universidade de Michigan, Estados Unidos, concluíram que as histórias de amor contadas nos clássicos Disney e outros filmes infantis – tais como a Pequena Sereia – são parcialmente culpados da difusão daquilo que eles rotulam como “heteronormatividade“.

“Apesar da suposição de que as crianças usuárias dos meios de comunicação estão livres de conteúdo sexual, nossas análises sugerem que estes meios retratam uma paisagem rica de penetrante heterossexualidade”, escreveram os pesquisadores Kazyak Emily e Karin Martin, em um relatório publicado na última edição dos Sociólogos para a Mulher na Sociedade (SWS) publicação Gender & Society.

Kazyak e Martin disseram que estudaram o papel dos relacionamentos heterossexuais em vários filmes entre 1990-2005.

Os resultados, dizem os investigadores, demonstram que as duas formas infantis dos filmes “construir heterossexualidade”: através de “hetero- representações de amor romântico como excepcional, poderoso, transformador, e mágico”, e “Cenas da interação entre as entidades em que o gênero das personagens femininas é submetida ao olhar dos personagens masculinos.”

A investigação culpou o que chamou de “antigos ideais” de relacionamento romântico, especificamente aqueles encontrados nos contos de fadas dos Irmãos Grimm, que, em muitos casos, inspirou filmes para “tais representações fortemente focadas no gênero e glorificando retratos de relacionamentos heterossexuais.”

“Essas excepcionais construções da heterossexualidade colaboram para normalizar a sua situação, porque se torna difícil imaginar outra coisa senão esta forma de relação social ou qualquer pessoa fora dessas obrigações”, eles concluíram.

“Esses filmes fornecem retratos de uma poderosa e multifacetada heterossexualidade que facilita a reprodução da heteronormatividade”.

***

As duas noticias deixam qualquer pai ou qualquer pessoa de mínimo bom senso de “cabelo em pé”.

A visão Católica sobre o assunto afirma o que a lei natural e a revelação biblica expressam.Não é aceitável o comportamento nem é normal a vivência homossexual.

O normal é o relacionamento masculino feminino.Normal aqui entendido como expressão da vivência que é a norma social aceita e afirmada em quase todas as culturas do mundo,independente de visão religiosa.

As crianças,se inseridas em contexto familiar carente de valores ,podem se tornar presas fáceis desta visão ideológica que tenta normalizar e normatizar o que não é normal nem moralmente aceitável pela grande maioria das expressões religiosas de nosso tempo.

Hoje se vê claramente a ideologização do tema.Na verdade existe diferença entre o homossexual e o gay.O gay indica uma identidade sociopolitica.

O Ativismo gay em nome dos direitos humanos e civis,objetiva ganhar espaço na sociedade defendendo o estilo de vida gay e ,acredite,sendo intolerante até mesmo com homossexuais não “assumidos” ,em sua maioria,que não desejam este estilo de vida para sí nem se identificam politicamente com os gays,mesmo que reconheçam dolorosamente a inclinação e queriam ser ajudados a superar essa dificuldade.

Os gays afirmam que não existe possibilidade de reversão e de mudança.O movimento  tem crescido e tem procurado influenciar os meios de comunicação para gerar uma “nova visão” da questão da homossexualidade,defendendo posições legitimas de não serem assassinados nem perseguidos por seu estilo de vida,mas também oprimindo quem deseja mudar de vida.

Deve-se deixar claro que a posição de rejeição a ideológia gay não pode ser confundida como apoio nem apologia à perseguição ou a intolerância,religiosa ou não.

É um crime, mesmo se- absurdo! – supostamente feito em nome da verdade,ferir a verdade matando,humilhando ou desprezando quem quer que seja,homossexual ou qualquer pessoa objeto de qualquer tipo de discriminação.

As pessoas tem o direito de acreditar e viverem segundo suas crenças,mas ninguém tem o direito de impor essas crenças aos outros.

A Igreja sobre esse assunto manifesta sua opinião a seus fiéis e chama a sociedade à reflexão para ponderar sobre a gravidade da matéria.Talvez por ser uma instituição que – ainda- tem voz audível e respeitada,ela acabe assumindo, na visão de seus criticos o papel de “perseguidora” ou intolerante,quando na verdade ela afirma sua posição coerente com seus valores e com sua missão,outorgada por seu fundador,Jesus Cristo.

Respeita-se as opiniões discordantes da Igreja sobre esse assunto,porém não se pode esperar que a Igreja e os católicos aceitem e aplaudam noticias como essas.Pelo contrário,nos preocupa e nos conduz a uma reflexão critica e orante.

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Mídia insinua punição,onde aconteceu “renúncia” prevista por idade

quinta-feira, julho 2nd, 2009

Vejam o título do Jornal” Estado de São Paulo” e a reportagem no link abaixo.

Papa destitui bispo de PE que puniu vítima de estupro

Aqui, as únicas informações verdadeiras são: houve uma decisão do Papa,o bispo era de Pernambuco,houve uma vítima de estupro

Fora isso, é tudo INVERDADE. Os verbos estão todos errados.

Primeiro: o Papa não “destituiu” o Bispo. Ele simplesmente aceitou a renúncia de dom José, que já havia sido apresentada há um ano, quando o arcebispo completou 75 anos.

Segundo, que dom José não puniu a menina. Ele afirmou até não poder mais que a menina não estava excomungada.Diz a reportagem:

(…) protagonizou um escândalo internacional ao excomungar uma menina de nove anos que passou por um aborto depois de ter sido violentada sexualmente pelo padrasto. (…) O arcebispo de Olinda e Recife se envolveu em um escândalo internacional no dia 5 de março, quando anunciou publicamente que o médico que realizou o aborto, a mãe que o autorizou e a menina vítima de estupro estavam sumariamente excomungados.

Com certeza,como quase sempre acontece,a informação será “ampliada” e reproduzida por outros meios de comunicação,passando a imagem de que a posição do Bispo teria sido errada.

Pode-se até questionar se a maneira de conduzir o caso tenha sido a forma mais adequada naquela circunstância,existem muitas opiniões a respeito..O que não se pode afirmar é que o Bispo tenha errado por ter manifestado a lei da Igreja a esse respeito,isso não.

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A libertinagem é o fracasso da liberdade.

segunda-feira, junho 15th, 2009

A verdadeira liberdade não pode proceder da absolutização do eu, porque isso é contrário à verdade sobre o homem: assim explicou Bento XVI a seminaristas de Roma ao visitar o Seminário Maior.

O Papa quis fazer com os futuros sacerdotes romanos uma lectio divina sobre a passagem da Carta de São Paulo aos Gálatas, na qual explica o conceito cristão de liberdade, muito afastado do derivado do Iluminismo e do pensamento moderno.

«A liberdade, em todas as épocas, foi um grande sonho da humanidade, desde os primórdios, mas particularmente na época moderna», explicou Bento XVI aos seminaristas.

São Paulo opõe a liberdade à carne, e explica que a verdadeira liberdade consiste em «colocar-se ao serviço uns dos outros».

«Para Paulo – esclarece o Papa – a carne é expressão da absolutização do eu, do eu que quer ser tudo e tomar tudo para si. O eu absoluto, que não depende de nada nem de ninguém, parece possuir realmente, em definitivo, a liberdade. “Sou livre se não dependo de ninguém, se posso fazer tudo o que quero.”

Contudo, essa absolutização do eu «é degradação do homem, não é conquista da liberdade: a libertinagem não é liberdade, é sim o fracasso da liberdade», acrescentou.

Por que esta absolutização do eu não é a verdadeira liberdade? O Papa explicou que esta concepção se baseia em duas mentiras: por um lado, que o homem é autônomo, e por outro, que Deus é «um tirano», e não um Deus de amor.

Com relação à primeira mentira, o Papa explicou que «reduzir-se à carne, aparentemente elevando-se ao nível de divindade, introduz na mentira. Porque na realidade não é assim: o homem não é um absoluto, de forma que possa isolar-se e comportar-se só segundo sua própria vontade. Isso vai contra a verdade do nosso ser».

«Nossa verdade é que, antes de tudo, somos criaturas, criaturas de Deus, e vivemos em relação com o Criador. Somos seres relacionados, e só aceitando esta relacionalidade nossa entramos na verdade; de outra maneira caímos na mentira e nela, ao final, nos destruímos», afirmou.

Com relação à segunda mentira, explicou que «no período do Iluminismo, sobretudo ao ateísmo, isso parecia como uma dependência da qual era necessário libertar-se. Na realidade, contudo, seria uma dependência fatal só se este Deus Criador fosse um tirano, não um Ser bom, só se fosse como os tiranos humanos são».

«Se, pelo contrário, este Criador nos ama e nossa dependência supõe estar no espaço de seu amor, neste caso precisamente a dependência é liberdade – acrescentou. Daí deriva antes de tudo a verdade sobre nós mesmos, que é ao mesmo tempo, um convite à caridade.»

Por isso, para o cristianismo, «ver Deus, orientar-se a Deus, conhecer Deus, conhecer a vontade de Deus, inserir-se na vontade, ou seja, no amor de Deus, é entrar cada vez mais no espaço da verdade».

Esta mesma liberdade leva à relação com os demais, explicou o pontífice. «Em outras palavras, liberdade humana é, por um lado, estar na alegria e no espaço grande do amor de Deus, mas implica também ser uma só coisa com o outro e para o outro.»

«Não há liberdade contra o outro. Se eu me absolutizo, converto-me em inimigo do outro, já não podemos conviver mais sobre a terra e toda a vida se converte em crueldade, em fracasso – acrescentou o Papa. Só aceitando o outro, aceitando também a aparente limitação que supõe para a minha liberdade o respeito à liberdade do outro, só inserindo-me na rede de dependências que nos torna, finalmente, uma só família humana, eu estarei a caminho rumo à liberdade comum.»

Esta liberdade baseada na verdade sobre o homem, afirma o Papa, é crucial para edificar uma ordem social justa. «Se não há uma verdade comum do homem como aparece na visão de Deus, só resta um positivismo e se tem a impressão de algo imposto de maneira inclusive violenta.»

«Servir uns a outros se converte em instrumento da liberdade, e aqui podemos incluir toda uma filosofia da política segundo a Doutrina Social da Igreja, a qual nos ajuda a encontrar esta ordem comum que dá a cada um seu lugar na vida comum da humanidade.»

«A primeira realidade que deve ser respeitada é, portanto, a verdade: a liberdade contra a verdade não é liberdade», concluiu.

Liberdade na Igreja

O Papa se centrou depois na questão da liberdade na Igreja, que, se for verdadeira «conduz à comunhão».

Comparando com a situação da comunidade dos Gálatas à qual Paulo escreve, o Papa explicou que quando a comunidade não está «no caminho da comunhão com Cristo, mas na lei exterior da ‘carne’, emergem naturalmente também as polêmicas», as quais «nascem onde a fé degenera em intelectualismo e a humanidade é substituída pela arrogância de ser melhor que o outro».

«Vemos bem que hoje também há coisas parecidas onde, ao invés de inserir-se na comunhão com Cristo, no Corpo de Cristo que é a Igreja, cada um quer ser superior ao outro e com arrogância intelectual quer fazer acreditar que ele é melhor.»

Assim, prosseguiu o Papa, «nascem as polêmicas que são destrutivas, nasce uma caricatura da Igreja, que deveria ser uma só alma e um só coração».

A solução, explicou a seguir, é «não pensar em ser superior ao outro, mas encontrar-nos na humildade de Cristo, encontrar-nos na humildade de Maria, entrar na obediência da fé. Precisamente assim se abre realmente, também para nós, o grande espaço da verdade e da liberdade no amor».

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NÃO “deixar a vida me levar”,mas levar a vida!

sábado, junho 6th, 2009

Numa ocasião em que dava uma palestra para um grupo de advogados, fizeram-me a seguinte pergunta: “Qual é a coisa mais importante que você já fez na vida?”

A resposta veio-me à mente de imediato, mas não a dei, pois as circunstâncias não eram apropriadas. Como advogado que trabalha na indústria do espetáculo, sabia que queriam ouvir histórias da minha convivência com as celebridades.

A coisa mais importante que já fiz na vida passou-se no dia 8 de outubro de 1990. Comecei o dia jogando golfe com um amigo que já não via há muito. Entre uma tacada e outra, falávamos sobre as nossas vidas. Ele contou-me que a sua esposa acabara de ter um filho.

Enquanto jogávamos, chegou o pai do meu amigo, muito consternado, dizendo que o seu bebê deixara de respirar e fora levado às pressas para o hospital. Instantaneamente, o meu amigo subiu no carro do pai e partiram. Por um momento, fiquei onde estava, sem conseguir mover-me, mas logo comecei a perguntar-me que deveria fazer:

“Acompanhá-lo até o hospital? Mas, se a minha presença não vai servir de nada? A criança certamente deve estar recebendo os cuidados necessários da parte dos médicos e das enfermeiras e nada do que eu faça mudará alguma coisa.

“Oferecer-lhe meu apoio moral? Isso talvez. Mas acontece que tanto ele como a sua esposa têm uma família numerosa, e com certeza estarão agora rodeados de parentes, que lhes darão o apoio e o conforto necessários, pouco importando o que eu faça”.

Quando dei a partida no carro, lembrei-me de que o meu amigo havia deixado a sua caminhonete estacionada próximo ao campo, com as chaves no contato. Decidi, pois, fechar o carro e ir ao hospital para entregar-lhe as chaves.

Como havia imaginado, a sala de espera estava repleta de familiares que consolavam o meu amigo. Entrei sem fazer barulho e fiquei perto da porta, pensando no que fazer. Não demorou muito e apareceu um médico que se aproximou da família e, em voz baixa, lhes comunicou o falecimento do bebê.

Durante o que pareceu uma eternidade, o meu amigo e a sua esposa abraçaram-se, chorando, rodeados por nós, em meio ao silêncio e à dor. O médico perguntou-lhes se desejavam ficar alguns momentos com o filho. O casal pôs-se de pé e começou a andar resignadamente até a porta.

Ao ver-me ali, num dos cantos da sala, a mãe abraçou-me e começou a chorar. Também o meu amigo refugiou-se em meus braços e disse: “Obrigado por estar aqui”.

Passei o resto da manhã sentado na sala de urgências do hospital, observando o meu amigo e a sua esposa tomarem o filho nos braços e despedirem-se dele.

Essa foi a coisa mais importante que já fiz na vida.

Esta experiência ensinou-me três coisas:

Primeira: o fato mais importante da minha vida aconteceu quando não havia absolutamente nada que eu pudesse fazer. Nada do que aprendi na Universidade e nos seis anos já decorridos então de exercício da minha profissão, nem toda a racionalidade de que usei para analisar as minhas alternativas, foram-me úteis nessas circunstâncias. Uma desgraça sobreveio a duas pessoas e eu era incapaz de remediá-la. Só o que pude fazer foi acompanhá-las e esperar o desenlace. Entretanto, estar presente naqueles momentos em que alguém precisava de mim era o principal.

Segunda: estou convencido de que a coisa mais importante que já fiz na vida por pouco não deixou de ocorrer precisamente devido àquilo que aprendi na Universidade e na vida profissional, como o conceito de ser sempre racional que me inculcaram. Ao aprender a pensar, quase me esqueci de sentir. Hoje, já não tenho dúvidas que deveria ter entrado no carro sem titubear e acompanhado o meu amigo ao hospital.

Terceira: aprendi que a vida pode mudar num instante. Todos sabemos disso intelectualmente, mas acreditamos que as desgraças só acontecem com os outros. Desta forma, fazemos planos e concebemos o nosso futuro como algo tão real que parece que vai acontecer. No entanto, quando chega o amanhã, deixamos de prestar atenção àqueles que passam ao nosso lado e esquecemos que o desemprego, uma doença grave ou um acidente, um motorista bêbado e milhares de outras coisas podem alterar este futuro num piscar de olhos.

Há ocasiões em que faz falta para certas pessoas viverem uma tragédia, para que encarem as coisas de outra perspectiva. Desde aquele dia passei a buscar um equilíbrio entre o trabalho e a vida; aprendi que nenhum emprego, por melhor que seja, compensa a perda das férias, o afastamento dos amigos ou uma data festiva longe da família.

E aprendi que o mais importante na vida não é ganhar dinheiro, nem ascender na escala social, nem receber honras… O mais importante na vida é o tempo que dedicamos a cultivar uma amizade.

Emy Montoya

***

Esse testemunho coloca as coisas no seu devido lugar.Não podemos nos deixar levar pela vida corrida e,quase prisioneiros do ritmo stressado daquilo que é importante mas não essencial,sermos levados pela pressa e pela busca do sucesso.

A propósito disso,certa ocasião a Beata Madre Teresa de Calcutá disse,cercada de apelos por entrevistas e homenagens,que Deus” não a havia chamado para ser um sucesso, mas para ser fiel!”

De maneira especial creio que esse testemunho fala de forma muito especial a nós homens,sempre muito ocupados trabalhando para manter a vida  e corrermos o sério – e real – risco de vivermos sem ter vivido.



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Formando personalidades cristãs maduras à luz da Verdade,a serviço da Igreja e dos homens de boa vontade.
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