Posts Tagged ‘Santos’

* Visões místicas têm de ser submetidas à autoridade da Igreja, diz Bento XVI.

quarta-feira, setembro 1st, 2010

Bento XVI salientou hoje a necessidade de as visões místicas terem de ser submetidas à Igreja Católica e validadas pelos seus responsáveis antes de serem difundidas pelos fiéis.

Na audiência geral realizada esta Quarta-feira na residência pontificia de Castel Gandolfo, perto de Roma, o Papa frisou que “a pessoa depositária dos dons sobrenaturais” não os ostenta e, “sobretudo, mostra total obediência à autoridade eclesiástica”.

As palavras de Bento XVI foram proferidas a propósito da catequese que dedicou a Santa Hildegarda de Bingen, que nasceu no ano de 1098, em Bermersheim, actual Alemanha, e morreu em 1179.

“Como sempre sucede na vida dos verdadeiros místicos”, afirmou o Papa, também Hildegarda quis submeter as suas revelações à “autoridade de pessoas sábias para discernir a origem das suas visões, temendo que fossem fruto de ilusões e que não viessem de Deus”.

Em 1147, o Papa Eugénio III autorizou a mística a divulgar publicamente as suas visões e a falar delas em público, pelo que a partir de então o “prestígio espiritual de Hildegarda cresceu sempre mais, ao ponto de os contemporâneos lhe atribuírem o título de ‘profeta teutónica’”, recordou Bento XVI.

Os dotes “de mulher culta, espiritualmente elevada e capaz de enfrentar com competência os aspectos organizativos da vida claustral” manifestaram-se plenamente a partir de 1136, ano em que foi eleita superiora do mosteiro beneditino de São Disibodo.

Devido ao número crescente de jovens que batiam à porta do mosteiro, Hildegarda fundou mais tarde uma comunidade monacal em Bingen, onde passou o resto da vida, tendo-se distinguido pelo modo como exercitou o serviço da autoridade, que Bento XVI classificou de ”exemplar para todas as comunidades religiosas”.

O Papa referiu-se à Carta Apostólica “Mulieris dignitatem”, escrita em 1988 por João Paulo II, no excerto onde se assinala que “a Igreja agradece todas as manifestações do ‘génio’ feminino surgidas no curso da história, no meio de todos os povos e Nações”.

O trecho do documento citado por Bento XVI lembra “todos os carismas que o Espírito Santo concede às mulheres” e as vitórias que se devem “à fé, esperança e caridade das mesmas”, ao mesmo tempo que reconhece ”os frutos de santidade feminina”.


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* Madre Teresa: “todos sabem que é santa”, afirma superiora da Congregação fundada por ela.

sexta-feira, agosto 27th, 2010
Comentários da Irmã Mary Prema no centenário do nascimento da beata
Muitos falavam de uma aceleração no caminho até a canonização de Madre Teresa com motivo do centenário de seu nascimento, que foi celebrado nessa semana, mas esta não é a prioridade para a Irmã Mary Prema, superiora geral da congregação fundada pela beata, as Missionárias da Caridade. “Eu não acredito que isto seja tão importante – declara, em uma entrevista publicada pela agência Fides –. Todos sabem que ela é santa”.

Segundo a religiosa, nem os hindus nem os cristãos, em Calcutá, ou onde estejam as Missionárias da Caridade, questionam a santidade de Madre Teresa.

“Todos esperam um milagre – explica, em referência ao milagre que a Igreja deve aprovar para canonizá-la –, mas a própria Madre Teresa era o milagre para o mundo e para a humanidade.”

Ouvir Jesus

A religiosa, de origem alemã, explica que os ensinamentos de Madre Teresa às Missionárias da Caridade se resume em escutar Jesus e confiar-se à Providência.

A fundadora “nunca nos deu indicações sobre os programas futuros”, revela Madre Prema, mas “sua contínua exortação” era para que nos empenhássemos “em ser cada vez mais santas”.

Atualmente, a superiora geral compartilha com outras três religiosas a coordenação da ordem. Nesta tarefa “teve de aprender muito de nossa fundadora”, confessa.

Neste sentido, explica que Madre Teresa realizava em duas fazes o processo de tomada de decisões: “a primeira era deliberar e conhecer todas as possibilidades e as consequências (decision making); logo decidia (decision taking)”.

“Madre Teresa pensava cuidadosamente, depois se retirava e tomava a decisão”, acrescenta.

“As Missionárias da Caridade parecem uma grande organização, mas nós não fazemos programas para os próximos 10 anos – destaca –. Buscamos seguir abertos ao que Deus nos pede”.

“Só Jesus nos dirá qual é o próximo passo – continua –. Por isso, seguindo o espírito da Madre, não sou eu quem exerce o controle: é Deus quem toma as decisões.”

Tirar proveito do sofrimento

Na entrevista, a religiosa fala sobre o tema do sofrimento, bem conhecido por uma ordem dedicada aos enfermos e aos mais pobres.

“O sofrimento nem sempre é consequência de nossas decisões, também pode ser consequência da natureza frágil do ser humano”, constata.

Pode estar sendo provocado também por coisas que estão fora do nosso alcance, acrescenta, destacando como exemplos o terremoto do Haiti e as inundações do Paquistão.

A religiosa recorda a diferença que Madre Teresa faz do sofrimento físico e espiritual.

“Sobre o sofrimento da alma podemos reagir sobretudo com nossa oração – indica –. É importante que a graça divina toque as pessoas que vivem no sofrimento.”

“É também importante para nós rezar por isso: todos os dias nós oramos por uma hora diante da Eucaristia”, acrescenta.

“Para nosso trabalho isto é fundamental: de fato, não se trata de um compromisso social, mas de um verdadeiro compromisso missionário”, explica.

A vocação de Madre Teresa

A irmã Mary Prema se detém na forma do pensamento de Madre Teresa. “Mantinha sempre um ouvido aberto para os problemas do mundo”, recorda, e “era muito generosa com Deus e com quem sofria”.

“Madre Teresa desejava que todos conhecessem e amassem a Jesus – explica –. Estava convencida de que cada alma deseja a salvação de Jesus, independentemente de que fosse consciente ou não.”

“A obra da conversão, contudo, é sempre uma obra de Deus, observa, e afirma que “a Madre Teresa entendeu sua própria vida como a tarefa de amar a Jesus e transmitir esse amor a todas as pessoas em torno dela.”

“Madre Teresa pensava que Deus a havia chamado para cumprir um serviço autêntico e desinteressado ao homem, e a ter uma atenção absoluta diante da pessoa que sofre.”

“Não esteve jamais interessada em coisas grandes, não se ocupava em fazer publicidade ou coisas semelhantes – resume –. Em primeiro plano estava sempre ligada com a pessoa na forma individual.”

A religiosa foi testemunho de como Madre Teresa, “por meio de sua vida, seu trabalho, sua força atrativa, aproximava as pessoas de Deus”.

“Ela não pregava, mas com sua vida dava testemunho – garante –. Ainda hoje em dia muitos me contam de seu primeiro encontro com Madre Teresa.”

“Talvez tivessem estado com ela não mais de cinco minutos na varanda de nossa casa mãe – explica –. Mas esse único momento mudou suas vidas para sempre.”

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* Aconteceu comigo o milagre que levou à canonização Santa Gianna Beretta Molla.

sexta-feira, agosto 27th, 2010

Fonte: Canção Nova

Betinha
Foto: Wesley Almeida

Eu vim trazer para vocês o testemunho de um milagre, por meio do qual  uma mulher se tornou santa: a santa Gianna Beretta Molla. Ela é pouca conhecida, mas mudou a minha vida. Aconteceu comigo o milagre que a levou à canonização.

Santa Gianna foi uma médica nascida na Itália. Ela sempre teve grande vontade de morar no Brasil, porque pretendia se unir ao irmão, padre Alberto, médico e missionário em nosso país. Este, com a ajuda de Francesco, seu outro irmão, que era engenheiro, construíram um hospital na cidade de Grajaú, no Estado do Maranhão. Mas, por sua saúde frágil, ela foi desaconselhada pelo Bispo Dom Bernareggi a vir ao Brasil.

Com essa situação, a santa italiana optou pela vocação matrimonial. Ela teve quatro filhos e dois abortos naturais. Na quarta gravidez, viu-se atingida pelo sofrimento e pela dor. Apareceu-lhe um fibroma no útero. Três opções lhe foram apresentadas: retirar o útero enfermo, o que ocasionaria a morte da criança, abortar o feto, ou a mais arriscada: submeter-se a uma cirurgia de risco e preservar a gravidez.

Antes de ser operada, embora sabendo o grave perigo de prosseguir com a gestação, suplica ao cirurgião para salvar a criança e , então, entrega-se à Divina Providência e à oração. Submeteu-se à cirurgia no dia 6 de setembro de 1961. Com o feliz sucesso da operação, agradece intensamente a Deus a salvamento da vida do filho. Passa os sete meses que a distanciam do parto com admirável força de espírito e com a mesma dedicação de mãe e de médica. Receia e teme que seu filho possa nascer doente e suplica a Deus que isso não aconteça.

Alguns dias antes do parto, sempre com grande confiança na Providência Divina, demonstra-se pronta a sacrificar sua vida para salvar a do filho. Deu entrada, no hospital, para o parto na Sexta-feira da Semana Santa de 1962. Na manhã do dia seguinte, nasce Gianna Emanuela.

Apenas teve a filha por breves instantes nos braços. Apesar dos esforços para salvar a vida de ambas, na manhã de 28 de abril morre santamente. Tinha 39 anos. Para a Itália, que tem o aborto como uma prática legal, a história ficou muito conhecida. Ela deu a vida pela filha e, tempo depois, se tornou beata.

“Em defesa da vida, contra o aborto, ela investiu na família”
Foto: Wesley Almeida

O Papa João Paulo II a compara com o Bom Pastor, que dá a vida pelas Suas ovelhas. Em defesa da vida, contra o aborto, ela investiu na família.  E precisa de mais um milagre para se tornar santa.

Em 2000, conheci a história da beata Gianna. Eu era casada e já tinha três filhos. Nessa época, meu marido descobriu que tinha HIV. Passamos momentos difíceis, mas sempre em oração. Sempre acreditando que Deus nunca nos dá problemas que não podemos suportar.

Por milagre, seis meses depois da descoberta da doença, os exames deram negativo. Nesse contexto, engravidei. No quarto mês de gestação, rompeu a minha bolsa e eu fui internada. Os médicos disseram que não  havia como a criança sobreviver. Achavam que eu tinha de abortar, porque o feto, para a medicina, era considerado inviável. Naquele momento, a médica começou uma luta muito grande para que eu aceitasse [abortar] , porque corria risco de morte, mas não queria isso.

“Para espanto de todos, eu tive a minha Gianna, perfeita! Sem nenhum problema!”
Foto: Wesley Almeida


Apesar da fé que eu sempre professei, precisei fazer uma escolha. Era a minha vida que estava em risco por algo que ninguém acreditava. Mas se eu abortasse eu não estava sendo uma cristã. É muito fácil dizer que eu sou católica, mas não é fácil viver como Jesus. Eu era uma mãe com três crianças pequenas. Que mãe escolhe morrer e deixar três filhos pequenos? Confiei no Senhor!

Eu pedi a meu marido que fosse atrás de um padre para dizer a médica que a Igreja não aceita o aborto. Era no mesmo Deus ,que curou meu marido, que eu acreditava que ia salvar meu bebê! Apareceu um bispo na minha sala. Eu queria um padre, mas apareceu um bispo, o qual estava no hospital por outros motivos.

O bispo me me deu um livro da beata Gianna e rezou para que ela intercedesse pela minha cura junto a Deus a fim de que eu conseguisse o milagre para que ela se tornasse santa. Eu tomei posse e pedi para a doutora mais uma noite. Fui fazer o ultrassom, no outro dia de manhã, feliz, esperando o milagre. E, de repente, a médica disse que eu corria ainda mais riscos. Não sabia mais o que fazer para convencê-la de que eu acreditava no milagre.

À tarde, minha filha, que hoje tem 17 anos, me ligou e implorou para eu não morrer. Foi o momento mais difícil para mim. Era uma escolha muito séria. Mas eu continuei acreditando no Deus do impossível. A médica me mandou para casa e, três meses depois, no dia 31 de maio de 2000, marcou a cesariana. Eu sabia dos riscos, se ela sobrevivesse poderia ter várias sequelas. Para espanto de todos, eu tive a minha Gianna, perfeita! Sem nenhum problema! Agora, ela tem 10 anos. É esperta, muito cheia de fazer arte.

Ela não tem nenhuma sequela, porque Deus, quando faz o milagre na nossa vida, não o faz pela metade. Depois do parto, eu tive uma hemorragia muito intensa, fiquei entre à beira da morte, mas Jesus me salvou. Hoje, meu ministério é divulgar essa santa. O caso foi para o Vaticano e, em 2004, o Papa João Paulo II a canonizou. Estivemos diante do Sumo Pontífice vivendo este momento lindo. Gianna Beretta é a patrona da família!

Transcrição e adaptação: Ariane Fonseca

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* Hoje, 26 de Agosto, celebra-se o centenário de nascimento da Madre Teresa.

quinta-feira, agosto 26th, 2010

No dia 26 de agosto de 1910, nascia em Skopje (Albânia, hoje Macedônia) Gonxha Agnes, conhecida pela eternidade como madre Teresa de Calcutá. No centenário de seu nascimento, os atos celebrativos estão prontos em todo o mundo. As congregações religiosas fundadas pela beata, assim como as Igrejas particulares do mundo celebram esse aniversário com missas, vigílias de oração, novenas e simpósios com o tema comum “Deus nos criou para coisas maiores: amar e ser amados”.

Nascida de pais albaneses originários de Kosovo, a beata será homenageada em 26 de agosto em Skopje, na República ex-iugoslava da Macedônia, com uma sessão no parlamento macedônio, seguida da apresentação do Prêmio Nacional Madre Teresa.

À tarde, será celebrada uma Missa solene às 18h, na catedral do Sagrado Coração, presidida pelo arcebispo de Belgrado, Dom Stanislav Hočevar.

Também será aberto ao público uma exposição de fotografias do artista croata Zvonimir Atietić, na Casa doMemorial Madre Teresa. As comemorações na Macedônia vão continuar até o final de 2010.

Na Albânia, está prevista uma peregrinação nacional em sua homenagem em 26 de agosto, na catedral de Vau-Dejës, na diocese de Sapa, com uma liturgia eucarística presidida pelo arcebispo de Durres-Tirana, Dom Rrok Kola Mirdita, e concelebrada pelo núncio apostólico na Albânia, Dom Ramiro Moliner Inglés, junto a todo o episcopado local.

Kosovo , que proclamou 2010 como Ano da Madre Teresa, fará uma homenagem à beata em 5 de setembro, dia de sua festa litúrgica, consagrando-lhe um santuário em Prístina.

A construção dessa igreja começou em 2003, a pedido do bispo local, Dom Sopi, e do presidente Rugova e foi concluída sendo administrador apostólico de Kosovo Dodë Gjergji.

Em Roma, o vigário-geral de Sua Santidade para o Estado da Cidade do Vaticano, cardeal Angelo Comastri, presidirá uma Missa na basílica de São Lorenzo, em Damasco, às 19h.

Nela, participarão as congregações religiosas e as comunidades de vida contemplativa fundadas pela beata presentes em Roma, assim como os voluntários, benfeitores e as pessoas acolhidas nos conventos romanos.

A celebração será precedida pela inauguração de uma exposição de fotografias chamada “Beata Teresa de Calcutá: Vida, obras, mensagem”, organizada pelo Palácio da Chancelaria.

Por ocasião de sua festa litúrgica, a igreja de São Gregório acolherá diversas iniciativas espirituais: uma vigília de oração no sábado, 4 de setembro, e uma liturgia eucarística no domingo, 5 de setembro, celebrada pelo prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, cardeal Ivan Dias.

Também serão celebradas liturgias e novenas em outras cidades da Itália (Turim, Gênova, Bolonha, Florença, Nápoles, Reggio, Calábria, Palermo, Cagliari, entre outras) e da Europa, entre elas Madri, Barcelona, Paris, Copenhague e Munique.

Na Índia, onde a Madre Teresa chegou em 1929 e passou grande parte de sua vida, as comemorações começaram em 17 de agosto, com uma novena em todas as paróquias da arquidiocese de Calcutá, sede central das Missionárias de Caridade.

Lá, o centenário será aberto oficialmente em 26 de agosto, com uma Celebração Eucarística celebrada pelo arcebispo de Ranchi, cardeal Telesphore Toppo.

Na Nova Déli, um programa repleto de iniciativas incluirá um simpósio sobre a beata Madre Teresa e dois espetáculos de dança e teatro, previstos para os dias 23 e 31 de agosto, por iniciativa da Conferência Episcopal da Índia, em colaboração com a Unesco.

Também em Nova Déli, haverá uma comemoração pública do centenário no sábado, 28 de agosto, com a presença do presidente indiano, Pratibha Devisingh Patil.

Este encontro dará lugar à apresentação oficial de uma moeda com a imagem da beata pelo Estado indiano, que quer proclamar 26 de agosto como o Dia Nacional dos Órfãos, como sinal de reconhecimento à Madre Teresa e à sua obra com as pequenas vítimas da solidão e do abandono.

Vocação universal ao amor

Como preparação, as missionárias da Caridade e o Centro Madre Teresa de Calcutá difundiram um texto que convida a refletir sobre a vida da beata e suas contribuições para a Igreja no mundo.

Seguindo seu exemplo – lê-se no documento -, pessoas de diversas crenças começaram a experimentar que só o dom de si mesmo é capaz de satisfazer o sinal vital presente em cada criatura: um sinal vital espiritual que tende à relação com Deus e passa pelo amor ao próximo.

Neste sentido, o texto cita o magistério de Bento XVI na Deus caritas est: “Amar ao próximo também é um caminho para encontrar a Deus” (n. 16), porque “no menor, encontramos o próprio Jesus e em Jesus encontramos Deus” (n. 15).

Também recorda as palavras que João Paulo II pronunciou num discurso por ocasião do 3º aniversário da morte da Madre Teresa: “Ela encarnou o amor que Jesus indicou como sinal distintivo a seus discípulos: ‘Nisto conhecerão todos que sois os meus discípulos: se vos amardes uns aos outros’” (Jo 13,35).

Por outro lado, o texto destaca o caráter “cotidiano” do amor da Madre Teresa, um amor alimentado por pequenos gestos, oportunidades oferecidas a todos para levar consolo nos sofrimentos, na solidão, no desânimo, em todo lugar e toda circunstância, começando por sua própria família, com o objetivo de transmitir ao próximo o amor de Deus.

Para suas irmãs, a beata resumiu a vocação universal ao amor desta forma: “Todos nós somos convidados à perfeição da caridade: a santidade não é um luxo de poucos, mas simplesmente um dever para cada um de nós”.

Finalmente, o texto evoca a passagem de um discurso pronunciado por Bento XVI em 10 de fevereiro de 2007, durante um encontro com as Misericórdias da Itália e os doadores de sangue: “No Juízo final – afirma o Papa -, Deus irá nos perguntar se o amamos não de uma forma abstrata, mas concreta, com atos (cf. Mt 25, 31-46) (…). São João da Cruz gostava de repetir que, no final da vida, seremos julgados pelo nosso amor”.

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* Produtora italiana homenageia Madre Teresa com filme de animação.

quinta-feira, agosto 26th, 2010

Ansa

O centenário de nascimento de Madre Teresa de Calcutá, que aconteceu no dia 26 de agosto próximo, ganhou mais uma homenagem. Trata-se do filme de animação “Madre Teresa”, que retrata a bondade da fundadora da Congregação Missionárias.

Guglielmo MArchetti.jpg
Para Marchetti, animação servirá para que os mais jovens conheçam a história da Madre

O filme, da produtora cinematográfica italiana Mondo Home Entertainment, é dirigido por Orlando Corradi e Jon Song Chol e começará a ser distribuído em toda a Itália.

A película tem 90 minutos de duração e é apresentada em uma linguagem simples, para atender as crianças.

Segundo o diretor da produtora, Guglielmo Marchetti, a animação, sobre a vida e a obra de caridade da beata, pretende ser um instrumento para que os mais jovens conheçam a verdadeira história de Madre Teresa, “um exemplo de humanidade único”, disse.

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* Corpo incorrupto de Santa Bernadette Soubirous, Nevers, França.

terça-feira, agosto 24th, 2010

Um dos casos mais impressionantes de corpo incorrupto é o da vidente de Lourdes, Santa Bernadette Soubirous.

Seu corpo encontra-se exposto na capela do convento de Saint-Gildard, na cidade de Nevers, França, nas condições que podem ser vistas no vídeo abaixo, registrado em julho de 2010.

Junto ao túmulo de Santa Bernadette, um cartaz esclarece:

“O corpo de Santa Bernadette repousa nesta capela desde o dia 3 de agosto de 1925. Ele está intacto e “como petrificado” segundo foi reconhecido pelos médicos juramentados e pelas autoridades civis e religiosas por ocasião das exumações de 1909, 1919 e 1925.

“O rosto e as mãos enegreceram em contato com o ar e foram recobertos com ligeiras máscaras de cera, moldadas diretamente do corpo.

“A posição da cabeça inclinada à esquerda foi tomada pelo corpo dentro do caixão.”

Nas referidas exumações constatou-se:

Na primeira, em 22 de setembro de 1909: na presença do bispo, da Madre superiora, de dois médicos e quatro operários que fizeram juramento de declarar a verdade, o corpo apareceu totalmente preservado, sem odor, a pele tinha cor pálida, os músculos e os ossos estavam unidos pelos ligamentos naturais, dentes e unhas também no seu lugar.

Verificou-se que o hábito estava ensopado pela umidade do túmulo e o terço estava completamente enferrujado. As freiras lavaram o corpo, o vestiram e o puseram num ataúde forrado de seda.

Na segunda, em 31 de abril de 1919, o corpo estava no mesmo estado. Apenas que por causa da lavagem feita pelas freiras tinha-se criado mofo no corpo. Foi observado que as veias ainda estavam proeminentes como se estivessem cheias de sangue.

Na terceira, em 18 de abril de 1925, o corpo estava no mesmo estado, com a pele mais escura. Os músculos mostravam-se tonificados, a pele estava elástica e inteira salvo em algumas partes mínimas. O fígado estava elástico, quase normal, quando deveria estar reduzido a pó ou petrificado.

Veja Vídeo abaixo.

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* Corpos incorruptos: diferença entre milagrosos e naturais

segunda-feira, agosto 23rd, 2010

Roma (igreja de São Crisógono, no bairro de Trastevere).

Urna com os restos mortais da Beata Ana Maria Taigi (* 29-5-1769 + 9-6-1837), da Ordem terceira dos Trinitários, mãe de família exemplar, de condição social modesta, favorecida com dons sobrenaturais, inclusive com previsões sobre o futuro da Cristandade.

Era consultada por Cardeais e Príncipes, ao mesmo tempo que cuidava de seus afazeres domésticos e ajudava os pobres e doentes.fenômenos que mais chamam a atenção é a preservação até a incorruptibilidade do corpo de certos santos.

É fato que em condições excepcionais pode acontecer que um corpo não se desfaça inteiramente por razões meramente naturais.

Porém, o fenômeno dá-se com os santos em proporções muito acima do normal, sendo que na quase totalidade das vezes foram sepultados em condições comuns e que, portanto, deveriam se pulverizar como os outros.

No processo de canonização, a Igreja estabelece a apertura dos sarcófagos para conferir que o corpo ali enterrado pertence verdadeiramente ao Servo de Deus e constatar seu estado.

A conservação inusitada desse corpo é um sinal que, entre outros, contribui a definição da santidade do Servo de Deus.

Há, portanto, três tipos de preservação:

1 ‒ milagrosa (incorruptíveis strictu sensu),

2 ‒ deliberada por meios científicos (quando o corpo foi embalsamado, como foi o caso de B. Juan XXIII),

3 ‒ natural e acidental.

A incorruptibilidade propriamente dita é a preservação milagrosa que não se explica por nenhuma lei ou fator natural e é independente das circunstâncias (umidade, temperatura, tempo, cal ou outros elementos que poderiam acelerar a decomposição).

Só pode se ter certeza da incorruptibilidade quando o corpo admiravelmente conservado jamais foi embalsamado ou tratado com qualquer tipo de procedimento visando uma preservação.

Em alguns casos acresce que os corpos de santos também exsudam aromas ou perfumes, sobre tudo no momento da exumação.

A incorruptibilidade não é a mumificação (nem natural, nem por obra humana). Os corpos mumificados apresentam características facilmente reconhecíveis pela ciência.

Veja abaixo vídeo de seu corpo incorrupto.

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* Edith Stein: santa e filósofa para o século 21.

terça-feira, agosto 17th, 2010
Entrevista ao filósofo Rodrigo Guerra

No dia 19 de agosto de 1942, Edith Stein – Santa Benedita da Cruz – morreu na câmara de gás do campo de concentração de Auschwitz. Em 11 de outubro de 1998, foi canonizada por João Paulo II no Vaticano.

ZENIT-El Observador entrevistaram Rodrigo Guerra López, doutor em Filosofia pela Academia Internacional de Liechtenstein, membro da Academia Pontifícia para a Vida, diretor do CISAV (www.cisav.org), e especialista em fenomenologia e personalismo, sobre a atualidade do testemunho e do pensamento desta importante filósofa, mística, carmelita e mártir.

Que importância tem uma figura como a de Edith Stein no momento atual?

Rodrigo Guerra: Edith Stein é relevante para a nossa época principalmente porque é uma santa. Com sua vida e sua morte, ela mostrou que é possível viver com radicalidade a adesão a Jesus Cristo e o amor aos seus irmãos em meio a um mundo que parece cair no absurdo, na irracionalidade e na violência.

Edith Stein é santa, mas também foi uma grande intelectual…

Rodrigo Guerra: O itinerário de Edith Stein rumo à santidade não se encontra à margem do seu perfil intelectual. Ao contrário, toda a sua imensa contribuição filosófica é parte de sua vida e de uma maneira misteriosa também é parte de sua preparação para o martírio. Mártir significa testemunha. Edith Stein buscou ser testemunha da verdade ao amar apaixonadamente o trabalho intelectual que exerceu em parte acompanhada por seu professor Edmund Husserl e por outros brilhantes filósofos, como Adolf Reinach, Roman Ingarden e Hedwig Conrad-Martius.

Da mesma forma, ela procurou ser testemunha da verdade no momento de aderir afetiva e efetivamente a Jesus Cristo crucificado, ao ser chamada ao Carmelo e, finalmente, ao morrer em Auschwitz nas mãos dos nazistas. Todo este caminho parece indicar que a vocação mais profunda do filósofo cristão não termina ao escrever livros e fazer carreira acadêmica, mas principalmente educando o coração em uma disponibilidade particular para seguir a verdade até a cruz.

O pensamento de Edith Stein é pertinente para os que vivem na primeira década do século 21?

Rodrigo Guerra: Suas contribuições na metafísica, na antropologia da mulher, na teoria da pessoa humana, na teoria do Estado e nas relações filosofia-cristianismo são sumamente lúcidas e adiantadas para a sua época. Sou da opinião de que seu pensamento será valorizado com maior amplitude e profundidade no século 21, após a queda do racionalismo ilustrado e das rupturas pós-modernas.

Em Edith Stein, é possível encontrar importantes intuições que colaboram para superar tanto o racionalismo como a desconfiança da razão. Penso, por exemplo, na forma como utiliza o método fenomenológico: sempre fiel ao dado da experiência e sempre aberta a reconhecer que o que aparece revela o ser. Edith Stein, com sua fenomenologia realista, contribui de maneira sumamente relevante para realizar o que Bento XVI chama de “ampliar os horizontes da razão”.

As opiniões de Edith Stein sobre a mulher também foram adiantadas com relação à sua época. No entanto, talvez hoje se necessitasse ir além delas para construir um “novo feminismo”. O que você acha disso?

Rodrigo Guerra: De fato, o pensamento cristão deve ser concebido como um caminho que é preciso continuar em cada geração. Edith Stein conseguiu desenvolver com grande valentia intelectual uma teoria sobre a pessoa feminina fortemente associada ao modo como ela compreendia a natureza da alma humana e o princípio de individuação. Na atualidade, temos de aprofundar justamente em aspectos como este para mostrar que a diferenciação sexual não é um mero acidente do corpo, mas sim que tem sua raiz mais profunda naquilo que constitui a pessoa humana como pessoa.

O magistério de João Paulo II recolheu justamente estas intuições que é necessário prosseguir através de um trabalho interdisciplinar. Da mesma forma, Stein apreciou a originalidade da feminilidade sem desconhecer os condicionamentos culturais nos quais a sexualidade se encontra submersa em cada época.

Por isso, na antropologia do feminino desenvolvida por Stein se encontra a semente de uma teoria personalista sobre a sexualidade e sobre que o hoje se costuma denominar “gênero”. Em momentos como o atual, em que se afirma que a consistência da pessoa é principalmente uma construção cultural, é necessário voltar a autores como Stein para encontrar uma adequada articulação entre natureza e cultura que não negue nenhum desses aspectos, mas que os reconheça em sua unidade e diferença.

Figuras como a de Edith Stein – Santa Benedita da Cruz – são importantes, mas não se encontram facilmente como referências religiosas e culturais na sociedade atual. A que se deve esta situação? É possível corrigi-la?

Rodrigo Guerra: Por um lado, o irracionalismo pós-moderno gerou que certos ambientes acadêmicos, muitos ambientes políticos e inúmeros meios de comunicação banalizassem ao máximo o tema da verdade.

O esforço por voltar às coisas em si e encontrar nelas a verdade – como queria Edith Stein – é sumamente árduo na atualidade. Por isso, é preciso criar novos espaços que deixem que os jovens possam viver uma experiência educativa alegre, que permita a assimilação racional e criativa do pensamento de Edith Stein e de outros autores que fazem parte do legado antigo e contemporâneo do pensamento cristão.

Um dos meus professores – John Crosby – costumava dizer que a communio é o método educativo para fazer uma filosofia que ame a verdade em qualquer lugar onde esta se encontrar. Amar a verdade e manter-se fiel a ela é mais fácil quando isso é feito em comunidade. Por outro lado, é preciso reconhecer que nos falta, como cristãos, uma nova paixão pessoal e comunitária pela verdade.

A insistência de Bento XVI com relação a uma nova racionalidade, mais aberta e comprometida, parece-me que se encontra justamente nesta direção. Acho que por isso é preciso trabalhar para criar comunidades científicas que, nutridas pela experiência cristã, permitam ser ajuda para a nossa frágil razão e para a nossa enfraquecida vontade.

Edith Stein viveu uma amizade desse tipo com Husserl, com Ingarden e com alguns dos seus amigos: é possível hoje encontrar pessoas e comunidades assim?

Rodrigo Guerra: Durante longos anos, filósofos como Angela Ales Bello, Anna Maria Pezzella, Alasdair MacIntyre, Josef Seifert, Walter Redmond, Urbano Ferrer, Juan Caballero Bono, Francisco Javier Sancho, Eduardo González di Pierro, Diego Rosales e outros promoveram o estudo do pensamento de Edith Stein com grande sacrifício e remando contra a maré.

Seu testemunho e exemplo motivaram a criação de círculos de estudo, instituições, congressos e, no fundo, um verdadeiro movimento que reconhece que Edith Stein é um marco intelectual e espiritual para o mundo de hoje. Na Academia Internacional de Filosofia de Liechtenstein e do Chile, na Universidade Lateranense, no Instituto Edith Stein de Granada e no CISAV do México também encontramos este movimento vivo de diversas formas.

Edith Stein fez uma filosofia cristã e deu testemunho cristão de amor à verdade até o sacrifício de sua própria vida. Que lição ela nos dá para o momento atual?

Rodrigo Guerra: Acho que Stein, entre outras coisas, nos ensina que a vida cristã não está separada da vida intelectual e que a atividade intelectual realiza melhor sua vocação quando se deixa provocar pelo acontecimento cristão. Assim como Balthasar dizia que é preciso voltar a fazer “teologia de joelhos”, parece-me que os filósofos cristãos também deveriam recuperar a consciência da necessidade de unir a vida espiritual ao trabalho filosófico.

Stein também mostra que a adesão à verdade e a Cristo, quando levada a sério, não pode estar associada à cômoda vida burguesa, mas deve se projetar em compromisso real pelas pessoas, em especial pelas mais vulneráveis e perseguidas. Um personalismo que não passe por um compromisso militante e solidário a favor da dignidade humana e da justiça desaba por falta de congruência.

É possível que o pensamento cristão volte a ter um lugar na cultura contemporânea? Tanto na Europa como na América Latina, as sociedades parecem cada vez mais configurar-se como se Deus não existisse…

Rodrigo Guerra: Quando Husserl morreu, Edith Stein escreveu uma breve reflexão a uma de suas amigas: “Não tenho preocupação alguma pelo meu querido professor (Edmund Husserl). Estive sempre muito longe de pensar que a misericórdia de Deus se reduzisse às fronteiras da Igreja visível. Deus é a verdade. Quem busca a verdade, busca Deus, seja ou não consciente disso”.

Este breve texto reflete uma atitude de honesta simpatia por tudo o que é humano, por todas as buscas sinceras da verdade, ainda quando estejam repletas de fragilidade. Da mesma forma, mostra uma confiança grande na graça, que age de maneira misteriosa, mas real em todos.

O pensamento cristão, em particular a filosofia cristã, ressurgirá como uma proposta culturalmente relevante para a Europa e para a América Latina não tanto à base de planos estratégicos, mas quando formemos novas gerações de jovens capazes de reconhecer no seio da modernidade e de sua crise a voz das exigências fundamentais que brotam do coração humano. Estas exigências sempre estão marcadas pela fome de verdade, bondade e beleza.

No final, estas exigências são desejo de que um Deus vivo e encarnado se torne presente e reconstrua a vida, dando sentido a tudo. Todo ser humano busca Cristo, ainda que não o saiba. Toda busca honesta da verdade contribui para que uma nova cultura emirja, uma cultura na qual o cristianismo possa viver com liberdade e, a partir dessa experiência, ofereça o incentivo necessário para pensar a verdade com novos olhos.

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* Santa Maria Goretti: Virgem e Mártir aos 11 anos!

segunda-feira, agosto 16th, 2010
Esqueleto coberto de uma nova santa, Maria Goretti, encontra-se em uma igreja em Nettuno, Itália, próximo à sua casa, a cabeça é uma reprodução em cera.


UMA GAROTA DE 11 ANOS FOI PROCLAMADA SANTA

Em Roma, na presença do Papa, 11 cardeais e mais de 100 bispos, uma garota de sítio que morreu defendendo sua honra há 48 anos atrás foi proclamada santa. As aglomerações de peregrinos italianos e do ano santo que vieram para ver Maria Goretti canonizada foram tão grandes que parte das cerimônias, que usualmente tomam lugar na basílica de São Pedro, tiveram que ser feitas do lado de fora.

Maria Goretti, que viveu em uma vila próxima a Anzio, tinha 11 anos quando um jovem de 19 anos tentou estuprá-la. Maria resistiu e ele esfaqueou-a por 14 vezes. Porém, antes de morrer, Maria rogou: “Que Deus o perdoe, eu o quero no céu”. A história de sua piedade se espalhou, e ela ficou conhecida como “A Mártir da Pureza”. Em 1917, por causa de seu martírio, ela deu o primeiro passo para a santidade: ela foi beatificada. Antes que pudesse se tornar uma santa, entretanto, milagres tinham que ser atribuídos a ela. Logo após sua beatificação, duas pessoas que rezaram por sua intercessão foram curadas de doenças – uma mulher de pleurisia, um homem com o pé ofendido. Esses foram aceitos pela Igreja como autênticos milagres.

No dia da canonização de Maria, o homem que a matou e passou 27 anos na cadeia por seu crime cumpriu penitência no monastério Capuchino (última foto), onde ele agora trabalha. A mãe de Maria, agora com 86 anos, assistiu as cerimônias de uma janela na quadra de São Pedro, a única mãe que já presenciou a canonização de sua criança.

Um imenso retrato de tapeçaria da nova santa é carregada através da quadra de São Pedro no primeiro dia das cerimônias de canonização.



MÃE DA SANTA, Assunta Goretti (centro), assiste as cerimônias de canonização da janela do Palácio Apostólico. As duas irmãs e os dois irmãos de Santa Maria também estavam presentes. Um irmão, trabalhador de tinturaria, mora em Nova Jersey.



PAPA PIO XII, vestindo um manto vermelho simbolizando o martírio, é levado através da quadra para o altar, onde a primeira canonização em ar aberto na história da Igreja foi realizada. No dia seguinte o Papa celebrou a Missa em honra de Santa Maria no interior da basílica de São Pedro.



CASA, TÚMULO E OS CURADOS


A CENA DO MARTÍRIO foi na cozinha ao topo dessas escadas, na época que Goretti morava em Ferriere de Conca, próximo a Anzio. Embora os camponeses ainda usem a cozinha, uma ordem religiosa planeja transformá-la em uma capela memorial.



O PRIMEIRO TÚMULO DA SANTA foi aqui, em Anzio. Em 1929 seu corpo foi levado para a Igreja de Santa Maria da Graça, nas proximidades de Nettuno. A igreja será ampliada e renomeada Nossa Senhora das Graças e de Santa Maria Goretti.



MIRACULOSAMENTE CURADOS de doenças pela intercessão da falecida Maria Goretti foram Ana Grossi Musumarra e Giuseppe Cupo (primeiro plano, esquerda e centro). Aqui eles assistiam a Missa conduzida pelo Papa para a nova Santa.



O AGRESSOR DE MARIA, Alessandro Serenelli, faz trabalhos domésticos no monastério onde ele tem trabalhado desde que deixou a prisão. Ele cumpriu 27 anos pelo assassinato, agora se torna útil em torno do monastério como guardador de porcos e realizando
qualquer outro tipo de serviço necessário.


Fonte em inglês: Fish Eaters

Nota: Reportagem encontrada em uma edição da Life Magazine de 17 de Julho de 1950.

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* Madre Teresa, a religiosa que desafiou o sistema de castas.

sexta-feira, agosto 6th, 2010

Entrevista com o pe. Joseph Babu, porta-voz da Igreja indiana

Por Mariaelena Finessi

Há quase cem anos, a 26 de agosto de 1910, nascia em Skopje, na Albânia, Anjeza Gonxhe Bojaxhiu, que viria a ser conhecida como Madre Teresa de Calcutá. Fundadora na Índia da congregação das Missionárias da Caridade, a irmã de pequena estatura dedicou toda sua existência aos marginalizados.

Tinha amigos influentes entre líderes políticos e artistas, mas, acima de tudo, estabeleceu uma ligação muito forte com João Paulo II. A ele, como a outros, pedia por orações e ajuda econômica aos mais pobres: em 1979, laureada com o Prêmio Nobel, recusou o tradicional banquete cerimonial e pediu que a verba que seria gasta fosse destinada aos miseráveis de Calcutá. Naquele dia, lhe perguntaram: “O que podemos fazer para promover a paz no mundo?”. E Teresa respondeu: “Voltem para suas casas e amem suas famílias”.

Nesta entrevista pe. Joseph Babu, porta-voz da Conferência Episcopal da Índia, fala da herança deixada por esta religiosa.

Qual foi impacto sobre a sociedade indiana da presença de Madre Teresa? Quais foram as principais mudanças ocorridas desde sua morte?

Pe. Babu: Madre Teresa exerce ainda um fascínio universal aqui na Índia. Pessoas de todos os credos e culturas têm-lhe alta estima, considerando-a uma santa. Vão ao seu túmulo orar por ela, e os eventos organizados para comemorar o centenário de seu nascimento atraem um grande número de pessoas. Em Nova Deli, as cerimônias públicas contarão com a presença do presidente da Índia, a 28 de agosto.

Muitas mudanças foram verificadas em sua congregação na medida em que esta continua a crescer a atrair jovens mulheres. Irmã Nirmala Joshi, que assumiu o lugar de Madre Teresa, tendo se convertido do hinduísmo ao catolicismo, é capaz de sensibilizar todos os setores da sociedade indiana: tem feito um trabalho admirável à frente das Missionárias da Caridade, a ponto de ser condecorada com a medalha Padma Vibhushan, a segunda mais alta honra civil concedida pelo presidente da Índia.

Madre Teresa recebeu o Prêmio Nobel da Paz no final dos anos 70. O que ainda resta de seu ensinamento?

Pe. Babu: O Nobel foi concedido por seu trabalho beneficente em favor dos mais pobres dentre os pobres. Graças a ela, muitas pessoas se sentiram inspiradas a se dedicar àqueles que estão à margem da sociedade.

Madre Teresa era uma mulher simples, mas muito estimulante, e a Igreja indiana tinha orgulho de sua presença e de sua contribuição para a sociedade. Muitas pessoas, inclusive não cristãs, são ainda hoje inspiradas pelo exemplo de sua vida e seu trabalho, dedicando-se a obras de caridade.

Quais foram as solicitações apresentadas à Igreja indiana por Madre Teresa?

Pe. Babu: Sua mensagem era muito simples: Jesus ama a todos. Ela exortou a Igreja a levar adiante esta missão de dar amor a todos, e de conceder a todos a possibilidade de salvação. Por onde passava, pedia sempre às pessoas que trabalhassem por Jesus.

Era também muito ativa diante dos problemas sociais que afligem a Índia, como o sistema de castas que oprime amplos segmentos da sociedade. Não se preocupava com as críticas que a acusavam de glorificar a miséria, ou ainda, que sua atuação não era capaz de conduzir a reais mudanças sociais. Poderia ter respondido gentilmente que havia sido chamada a fazer o pouco que era capaz, e que os outros poderiam fazer o mesmo.

Quais são os principais problemas que os católicos da Índia devem enfrentar hoje?

Pe. Babu: O problema principal e a ameaça por parte de grupos fundamentalistas de direita, que têm colocado nosso pessoal e nossas instituições sob sua mira. Nosso status de minoria tem sido ameaçado, o que torna mais difícil para nós administrar de modo estável a Igreja local. Nenhum missionário estrangeiro pode vir à Índia para um trabalho de longa duração, e os poucos que conseguiram ser admitidos estão sendo convidados a deixar o país. Com relação aos auxílios financeiros provenientes do exterior, estes são constantemente monitorados e controlados, o que torna o trabalho ainda mais difícil.

Poderia contar alguma curiosidade a respeito da devoção do povo indiano por Madre Teresa?

Pe. Babu: Que esta devoção seja grande pode se notar pelo número de pessoas que vão constantemente orar em seu túmulo. Pessoas de outras religiões deram seu nome a escolas e universidades. Muitos países estrangeiros deram o nome de Madre Teresa a estradas e avenidas; alguns emitiram selos e moedas comemorativas em sua homenagem.

Quando Madre Teresa faleceu, o governo indiano concedeu funeral de Estado. Um hindu de nome Navin Chawla, atualmente chefe da comissão eleitoral indiana, publicou uma biografia da Irmã, enquanto outro hindu, Raghu Rai, dedicou um livro de fotografias à sua memória.

Ao receber o Nobel, Madre Teresa chocou o mundo ao expressar seu horror pelo aborto, “diariamente o maior destruidor da paz”, dizendo que “é aceitável que uma mãe mate seu próprio filho”. Como foi a atuação da Irmã junto às mães que não desejavam a gravidez?

Pe. Babu: O que Madre Teresa sempre enfatizava era o valor da vida humana no contexto dos abusos em interrompê-la, ao invés de cultivá-la. O aborto é sempre portanto um crime odioso contra a humanidade, e Madre Teresa não se cansava de denunciá-lo, segundo o ensinamento da Igreja.

Quando, com o argumento de controle de natalidade, alguém se propunha a pôr fim a uma vida, Madre Teresa se opunha dizendo: “Dai-a a mim, cuidarei dela eu mesma”. Assim, acolheu milhares de crianças abandonadas. Sua mensagem era: os seres humanos devem ser amados e protegidos, pois são dons de Deus.

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* Regras para discernimento dos Espíritos, segundo Santo Inácio.

quarta-feira, agosto 4th, 2010

1. Àqueles que vão de pecado mortal em pecado mortal costuma, geralmente, o inimigo propor gozos aparentes e despertar-lhes na imaginação prazeres e desejos impuros, para mais os conservar e mergulhar em seus vícios e pecados. Ao contrário, o bom espírito causa-lhes remorsos e estímulos de consciência para os retirar de tão lastimoso estado.

2.Com aqueles que procuram intensamente purificar-se de seus pecados, e progredir no serviço de Deus, Nosso Senhor, dá-se o contrário do que foi dito na primeira Regra. Pois neles costuma o demônio suscitar perturbações de consciência, tristeza e desânimo, inquietando-os com falsas razões, para que não vão por diante na sua santificação. Pelo contrário, é próprio do bom espírito dar coragem, forças, consolações, lágrimas, inspirações e tranqüilidades, tornando-lhes tudo fácil e afastando todos os impedimentos, para que vão sempre adiantando na virtude e perfeição.

3. Da consolação espiritual. Chamo consolação qualquer movimento interno que impele a alma para mais servir e amar o seu Criador e Senhor, afastando-a, por conseguinte, de todas as coisas criadas para só descansar no Criador delas; e também quando provoca lágrimas de amor a Deus, de dor dos próprios pecados, de compaixão pela morte de Cristo e de outras coisas ordenadas diretamente ao seu serviço e louvor; finalmente, chamo consolação a todo aumento de fé, de esperança e caridade, e a toda a alegria interna que atrai o homem para as coisas celestes e salvação de sua alma, dando-lhe paz e tranqüilidade em seu Criador e Senhor.

4. Da desolação espiritual. Chamo desolação tudo que é contrário ao que foi mencionado na terceira Regra, como por exemplo: trevas na alma, perturbações, inclinação para coisas baixas e terrenas; desassossego por várias tentações, que impelem a alma para a desconfiança, enfraquecendo-a na fé e na caridade, tornando-a triste e indolente no serviço de seu Criador e Senhor. Porque da mesma forma que a consolação é contrária à desolação, também os pensamentos, que nascem da consolação, são contrários aos que nascem da desolação.

5. No tempo da desolação não se deve mudar nada, mas perseverar firme e constante nos propósitos feitos no tempo da consolação; porque do mesmo modo que na consolação nos aconselha e guia o bom espírito, assim o mau nos causa, na desolação, sugestões, a que não podemos dar assentimento.

6. Ainda que na desolação não devamos mudar nossos propósitos, contudo é muito útil agir contra a mesma desolação, persistindo, por exemplo, mais tempo na oração, no exame de consciência e alargando-nos mais no uso das penitências.

7. Quem está na desolação considere que o Senhor, para o provar, o abandona a suas próprias forças naturais, a fim de que resista às várias tentações do inimigo; pois não lhe falta o auxílio divino, ainda que o não sinta; porque, se o Senhor lhe tirou o fervor primitivo, e sensível, e a graça superabundante, deixou-lhe todavia a graça suficiente para a sua salvação.

8. Quem está na desolação, trabalhe por levar com paciência as penas que lhe sobrevêm e pense que prontamente será consolado, tomando as medidas contra tal desolação como foi indicado na 6ª Regra.

9. São três as causas principais por que nos achamos desolados. A primeira é porque somos tíbios, preguiçosos ou negligentes em nossos exercícios espirituais e, por nossas faltas, se afasta de nós a consolação espiritual. A segunda porque Deus quer ver quanto podemos e até onde chegamos no seu serviço e louvor sem os auxílios da consolação. A terceira, porque Deus nos quer dar a conhecer que não está em nosso poder sentir grande devoção, amor intenso, lágrimas, nem qualquer outra consolação espiritual, mas que tudo é graça de Deus, Nosso Senhor, a fim de que não nos ensoberbecemos nem envaidecermos atribuindo a nós mesmos a devoção e outras manifestações da consolação espiritual.

10. Aquele que está em consolação pense como se portará na desolação que depois virá, armazenado novas forças para esse tempo.

11. Quem está consolado procure humilhar-se e abater-se quanto puder, considerando quão pouco vale no tempo da desolação sem a graça da consolação. Pelo contrário, quem está na desolação, pense que muito pode com a graça, que não lhe falta para resistir a seus inimigos, recebendo forças de seu Criador e Senhor.

12. O inimigo procede como uma mulher, mostrando-se fraco contra o forte, e forte contra o fraco. Assim como é próprio da mulher, quando luta com algum homem, perder a coragem e fugir, se o homem se mostra corajoso; e, ao contrário, se o homem se mostra covarde e tímido, a ira da mulher chega até ao excesso: do mesmo modo costuma o nosso inimigo enfraquecer e fugir, se aquele que se exercita nas coisas espirituais lhe resiste varonilmente e se opõe diametralmente às suas sugestões; se, pelo contrário, aquele que se exercita, começa a ter medo e a perder a coragem em lhe resistir, não há fera no mundo mais terrível, que este inimigo da natureza humana.

13. Porta-se também o demônio como um falso amante, que não quer ser descoberto. Assim como um homem que, procurando seduzir, com suas ilusórias palavras, a filha dum pai honesto, ou a esposa dum marido honrado, lhes propõe silêncio e pede segredo para que suas pérfidas insinuações não cheguem aos ouvidos do pai ou do marido, pois desfazer-se-ia toda a sua tentativa: assim quer o inimigo que as falazes propostas, que segreda à alma justa, fiquem ocultas e não sejam manifestadas ao confessor ou a uma pessoa espiritual que conheça bem seus embustes, pois perderia toda a esperança de consumar a sua malícia ao ver descobertos todos os seus artifícios.

14. Porta-se também o demônio como um general, quando quer apoderar-se duma fortaleza. Pois, à semelhança dum comandante ou chefe militar que, depois de assentar os arraiais, explora as fortificações e obras de defesa, para saber qual é a parte mais fraca, para começar por ela o ataque: assim o maligno espírito anda rondando em volta de nós para explorar as nossas virtudes teologais, cardeais e morais, a fim de começar por onde nos achar mais fraco, e nos render.

EXERCÍCIOS DE SANTO INÁCIO DE LOIOLA –

Com práticas e meditações para oito dias de retiro pelo

Pe. Alexandrino Monteiro, S.I. –

II Edição – Editora Vozes – 1959  – pp. 320-323.

Segunda Parte

1. É próprio de Deus e de seus Anjos, quando entram numa alma, enchê-la da verdadeira alegria e gozo espiritual, e banir toda a tristeza que o inimigo procura introduzir nela. Ao contrário, é próprio do mau espírito combater esta alegria e gozo espiritual por motivos fúteis, sutilezas e contínuas ilusões.

2. Só a Deus pertence consolar a alma sem causa precedente, pois só Ele tem direito de entrar nela e sair quando quiser, movendo-a ao amor de sua divina Majestade. Digo sem causa precedente, isto é, sem nenhum aviso prévio ou conhecimento de qualquer objeto, que dê origem àquela consolação.

3. Quando a consolação é precedida de alguma causa, o bom e o mau anjo podem ser igualmente o seu autor; mas os fins são inteiramente contrários. O bom anjo tem por finalidade o aproveitamento da alma, que deseja ver crescer nas virtudes. O mau anjo, ao contrário, quer vê-la retroceder no bem, para a levar, enfim, a seus perversos intentos.

4. É próprio do mau espírito transformar-se em anjo de luz e entrar primeiramente nos sentimentos da alma piedosa e acabar por lhe inspirar os seus próprios sentimentos. Assim, começa por sugerir a esta alma pensamentos bons e santos conforme às suas disposições virtuosas; mas logo, pouco a pouco, procura prendê-la em seus laços secretos e levá-la a consentir em seus pecaminosos intentos.

5. É examinar com grande cuidado o curso de nossos pensamentos. Se o princípio, o meio e o fim são bons e tendem ao bem, é sinal de que vêm do bom anjo; mas se no decurso deles se encontram alguma coisa má, vã ou diferente do que tínhamos proposto fazer, é sinal evidente de que tais pensamentos procedem do mau espírito.

6. Quando o demônio for descoberto por sua cauda serpentina, isto é, pelo fim pernicioso a que nos quer levar, será útil considerar os pensamentos que nos sugeriu, examinar-lhes o princípio e ver como, pouco a pouco, nos fez perder a alegria espiritual até nos levar à sua perversa intenção. A fim de que, pela experiência alcançada, nos acautelemos para o futuro de suas costumadas fraudes.

7. Naqueles que vão de bem em melhor costuma o bom anjo insinuar-se docemente, como uma gota d’água que cai numa esponja. O mau anjo, ao contrário, entra bruscamente como água que cai em pedra. Naqueles, porém, que vão de mal em pior, entram os mesmos espíritos diversamente, conforme à disposição da alma lhes é contrária ou semelhante. Se lhes é contrária, entram ruidosamente; se semelhante, entram silenciosamente e como por casa de porta aberta.

8. Quando a consolação vem sem causa precedente, ainda que esteja livre de fraude, pois é de Deus, como foi dito na 2ª Regra, contudo a alma, que recebe esta consolação, deve atender bem e distinguir o tempo que se lhe segue. Pois neste segundo tempo, em que a alma se sente toda fervorosa e gozando ainda dos restos da consolação passada, acontece tomar várias resoluções, que não são inspiradas imediatamente por Deus, e por isso devem-se examinar bem antes de se lhes dar inteiro assentimento e por em execução.

EXERCÍCIOS DE SANTO INÁCIO DE LOIOLA

Com práticas e meditações apropriadas para oito dias de retiro pelo

Pe. Alexandrino Monteiro, S.I.

II Edição – Editora Vozes – 1959 – pp. 324-325

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* Quando Madre Teresa me servia o café da manhã.

segunda-feira, julho 26th, 2010

Centenário de seu nascimento é ocasião para lembrar a mulher cuja bondade não tinha limites

Por Renzo Allegri

Em muitas partes do mundo estão em curso manifestações em memória do centenário do nascimento de Madre Teresa de Calcutá, celebrado em 26 de agosto. Grandes cerimônias estão sendo preparadas na Índia – país onde a Madre viveu a maior parte de sua existência terrena e onde está sepultada – e na Albânia, onde nasceu, mas inúmeras iniciativas de menor porte estão previstas nas paróquias e associações voluntárias de todo o mundo, organizadas principalmente pelos jovens, para lembrar esta figura extraordinária.

Ao lado de Padre Pio e João Paulo II, Madre Teresa foi uma das pessoas que marcaram profundamente a história do cristianismo de nosso tempo. Padre Pio, com a chama de sua altíssima experiência mística; João Paulo II, com o vento impetuoso de sua ação e suas constantes viagens apostólicas; Madre Teresa, com o amor, desprendido e absoluto, pelos mais necessitados. Seu exemplo e seus ensinamentos inspiraram crentes e não crentes, e permanecem vivos ainda hoje.

Todos os que conheceram Madre Teresa guardam lembranças extraordinárias. Especialmente aqueles que tiveram a oportunidade de viver próximos a ela. Mas também os jornalistas que dela se aproximaram em seu trabalho. Nós, jornalistas, graças à nossa profissão, nos vemos próximos de todo tipo de personagem. Por quarenta anos, fui enviado especial de grandes jornais, tendo a oportunidade de conhecer e entrevistar um incontável número de pessoas famosas: artistas, políticos, cientistas, atletas, divas do espetáculo, assassinos e santos.

Entre os “santos”, houve Padre Pio, Madre Teresa, João XXIII e outros, cujos processos de beatificação estão em curso, como João Paulo II, Giorgio La Pira, Marcello Candia, Frei Cecilio Cortinovis. Escrevi artigos e livros sobre todos eles; e de todos conservo recordações especiais, porque estas pessoas tinham um carisma irresistível, e uma vez tendo-os conhecido, é impossível esquecê-los. Representavam a vida em sua acepção essencial e eterna, transmitindo esperanças que ultrapassam as barreiras do tempo. Mas de todos eles, sem dúvidas minhas lembranças mais vívidas se referem à Madre Teresa.

Graças a uma série de estranhas coincidências, tive diversos encontros com ela, longas conversas, viagens de automóvel em sua companhia. Posso dizer que desenvolvi por ela um profundo afeto, e que ela demonstrava tal benevolência, que de minha parte considerava uma amizade – algo que eu, em minha vaidade superficial, por vezes tirei proveito, pedindo-lhe favores que eu mesmo julgava impossíveis, mas que a Madre, em sua infinita bondade, sempre encontrava um meio de me contentar.

Incrível. Estou certo de que todos aqueles que estiveram próximos de Madre Teresa puderam constatar sua amorosa disponibilidade. Era certamente uma grande santa, mas também uma mulher de uma sensibilidade deliciosa, de uma boa vontade tão grande que se sentia triste quando não conseguia atender a algum pedido.

Escrevi muitos artigos sobre Madre Teresa, e também alguns livros. Neste momento, para o centenário de seu nascimento, reuni em um pequeno volume, publicado pela Editrice Ancora, algumas memórias e, principalmente, algumas de suas palavras; não gostava muito de falar. Mas, quando o fazia, era fascinante em seu modo essencial e incisivo de expor seus pensamentos. Fala preferivelmente por meio de imagens; seus argumentos eram uma sequência de fatos que levava a uma conclusão inevitável.

O título de meu livro é “Madre Teresa me disse” (“Madre Teresa mi ha detto”); um título pretensioso. Talvez somente alguém que tivesse de fato vivido em Calcutá ao lado da irmã pudesse usar um título como esse, mas este não é meu caso. Conheci Madre Teresa, entrevistei-a em diversas ocasiões, e nada mais. Porém, como já disse, somente por sua benevolência, me sentia muito próximo a ela, e este título, “Madre Teresa me disse”, reflete de fato uma extraordinária realidade.

Em 1965, lendo um livro de Pier Paolo Pasolini, encontrei algumas linhas dedicadas à Madre Teresa, a quem o escritor havia conhecido durante uma de suas viagens à Índia. O fato de Pasolini ter sido tão profundamente tocado pela irmã atiçou minha curiosidade. Foi o primeiro contato. Passei a recolher informações, e cada novo dado minha curiosidade aumentava.

Decidi então que devia encontrar e entrevistar aquela freira; algo que só foi possível após uma espera de 15 anos. Mas não se tratou apenas de uma entrevista, e sim de uma série de encontros.

Os aspectos que mais me impressionaram de imediato foram sua enorme sensibilidade e sua bondade ilimitada. Eu era um jornalista com outro qualquer, na prática um incômodo que a fazia perder tempo; mas mesmo quando eu divagava em perguntas talvez inúteis e pouco pertinentes, jamais vi um mínimo sinal de desaprovação de sua parte.

Quando estava em Roma e pedia para vê-la, ela me recebia no convento no Celio, onde se encontra a Casa das Missionárias da Caridade, por ela fundada. Ela dizia: “Te aguardo amanhã de manhã, às cinco e meia”. Neste horário havia a missa reservada às irmãs, e a Madre desejava que, antes de falar comigo, nos uníssemos por alguns instantes em oração. Chegava sempre pontualmente e encontrava, à porta do convento, uma irmã que já me aguardava e então seguíamos para a capela. Participava da missa ao lado da Madre, que permanecia ajoelhada no chão, no fundo da capela; para mim, porém, ela pedia uma cadeira. Do lugar onde ficava podia observar todas as irmãs e também a Madre, que não fazia nada de especial; ficava encolhida de joelhos, concentrada em oração silenciosa, como se não existisse. Mas justamente daquela posição de anulação física, transmitia uma energia poderosa, despertando infinitas considerações que horas de conversa não seriam capazes de sugerir.

Após a missa, a irmã que me recebera me acompanhava até uma saleta no interior do convento, onde, infalivelmente, chegava Madre Teresa pouco depois, trazendo nas mãos uma bandeja com o café da manhã. Madre Teresa me servia o café; fazia questão de fazê-lo e não permitia que nenhuma outra irmã o fizesse. Na primeira vez, me senti embaraçado, e fiz menção de impedi-la, dizendo não estar com fome e nunca ter fome de manhã. Ela percebeu meu constrangimento, mas não havia como impedi-la; serviu-me com um comovente amor materno. Café, leite, marmelada, biscoitos. Aquela sua atenção falava mais que as entrevistas. Em seguida, após o café da manhã, ela me concedia seu tempo. Eu tomava minhas anotações com as perguntas, ligava meu gravador, e ela respondia.

Ouvindo novamente estas gravações, me dei conta de que algumas de minhas perguntas eram realmente estúpidas, inúteis e superficiais, mas ela respondia com calma, levando a conversa para temas importantes ou ressaltando, em determinados fatos, o aspecto no qual residia um ensinamento importante.

Como disse, quando passei a me sentir mais íntimo da Madre, pedi-lhe favores talvez pouco pertinentes à sua condição de religiosa.

Certa vez lhe perguntei se aceitaria ser madrinha em um batizado. No Natal de 1985, Al Bano (Albano Carrisi), o famoso cantor de Puglia, foi pai pela terceira vez: era uma menina, Cristel. Somos muito amigos, desde o início de sua carreira, e ele é padrinho de batismo de um de meus filhos. Em maio de 1986, Cristel já estava com cinco meses e ainda não havia sido batizada; sabia que Al Bano tinha uma sólida e concreta fé. Indaguei então por que ainda não havia batizado sua filha. Me respondeu que adiara a cerimônia de batismo porque não desejava que o rito religioso se transformasse num evento público, com fotógrafos e jornalistas, com ocorrera em seu casamento; queria uma cerimônia religiosa privada, e me pediu que o ajudasse a organizá-la, de preferência em Roma.

Falei então com o bispo eslovaco Dom Pavel Hnilica; uma pessoa extraordinária, também ele um santo, amigo pessoal de Madre Teresa; foi ele que me apresentou à irmã. Perguntei-lhe se poderia batizar a filha de um amigo, perguntando também se seria possível ter Madre Teresa como madrinha. “Não acredito que consiga”, disse o bispo, “mas te aconselho a pedir diretamente a ela; é uma mulher imprevisível”. A Madre estava em Roma. Me enchi de coragem e fiz o pedido; ela me fitou séria por um tempo, e em seguida disse: “Como religiosa, não posso assumir esta responsabilidade jurídica. Mas posso fazê-lo como madrinha espiritual”. E assim foi. O batismo foi celebrado na capela privada do bispo. Somente um fotógrafo estava presente, e as fotografias foram mais tarde distribuídas gratuitamente, sendo publicadas até no Japão.

Dois anos mais tarde, em agosto de 1988, alguns amigos me contaram uma história muito comovente. Um jovem casal de um país próximo ao Lago de Bracciano teve gêmeos quíntuplos. Como costuma ocorrer nestes casos, os bebês permaneceram um longo período na incubadora, e foram salvos graças  ao grande amor de seus pais e ao empenho dos médicos. Quando finalmente deixaram o hospital, pensou-se logo nos batismos. “É preciso fazer uma grande festa”, diziam os amigos do casal. Um deles me pediu que organizasse algo que atraísse a atenção dos jornais. Pensei em Madre Teresa. Tinha a certeza que ela, ao saber da história, aceitaria. E assim se deu. A cerimônia foi realizada na antiga capela de Santa Maria di Galeria. Cada um dos cinco bebês tinha seu próprio padrinho, conforme estabelece a Igreja, mas todos tiveram Madre Teresa como sua “madrinha espiritual”. A Madre, embora tão atarefada, dedicou metade daquele dia ao batizado. Os jornais, naturalmente, cobriram o evento, publicaram fotografias e foi uma grande festa.

Quando penso na Madre, a imagem que me vem à mente é dela em oração. A primeira vez que viajei de automóvel em sua companhia, tive a honra de sentar-me ao seu lado. Íamos da Casilina, na periferia de Roma, onde há uma casa das “Missionárias da Caridade”, ao Vaticano, onde a Madre seria recebida pelo Papa.

O automóvel partiu em alta velocidade; estávamos atrasados, e não se podia fazer o Papa esperar. Madre Teresa olhava a paisagem pela janela; seu olhar era sereno. Após alguns minutos, pediu-me que a acompanhasse em suas orações. Fizemos o sinal da cruz, e ela, com um rosário nas mãos, iniciou as orações em voz baixa, recitando o “Pai Nosso” e a “Ave Maria” em latim. Nós orávamos com ela.

Enquanto o automóvel acelerava, nervoso, através do tráfego caótico e intenso, freando bruscamente e se precipitando perigosamente nas curvas; eu mantinha-me agarrado à manopla da porta. Madre Teresa, ao contrário, estava completamente absorta em suas orações e mal se dava conta do que ocorria.

Encolhida sobre seu assento, estava em diálogo com Deus. Seus olhos estavam semi-cerrados. Seu rosto rugoso, reclinado sobre o peito, estava transfigurado; parecia quase emitir luz. As palavras das orações saíam de seus lábios precisas, claras, lentas, quase como se se detivesse para saboreá-las uma a uma. Não tinha a cadência de uma fórmula continuamente repetida, e sim o frescor de uma conversa viva e apaixonada. Parecia realmente que a Madre se dirigia a uma presença invisível.

Certa lhe perguntei, de surpresa: “Tem medo de morrer?”. Estava em Roma por alguns dias e quis visitá-la antes de retornar a Milão. Ela me fitou por algum tempo, como se quisesse compreender a razão da minha pergunta. Pensei ter feito mal em mencionar o tema, e tentei mudar de assunto. “A senhora me parece descansada”, disse. “Ontem me parecia muito cansada”. “Durmi bem esta noite”, respondeu ela. “Nos últimos anos, a senhora sofreu cirurgias delicadas, como a do coração; deve se preservar, viajar menos”, disse. “É o que todos me dizem, mas devo pensar na obra que Jesus me confiou. Quando não servir mais, será Ele quem me fará parar”.

E, mudando de assunto, perguntou-me “Onde mora?”. “Em Milão”, respondi. “Quando volta para casa?”. “Espero que ainda esta noite. Quero tomar o último avião, para que amanhã, sábado, possa estar com minha família”. “Ah, vejo que está feliz em voltar para casa, para sua família”, disse-me sorrindo. “Estou fora há quase uma semana”, respondi para justificar meu entusiasmo. “É natural que esteja feliz. Vá encontrar sua esposa, suas crianças, sua casa. É certo que seja assim”.

Permaneceu em silêncio por alguns instantes e então, retomando a pergunta que havia feito, prosseguiu: “estarei feliz como você se pudesse dizer que morreria esta noite. Morrendo, irei para casa também eu. Irei ao paraíso. Irei me encontrar com Jesus. Consagrei minha vida a Jesus; ao tornar-me freira, tornei-me a esposa de Jesus. Veja, tenho neste dedo uma aliança, como as mulheres casadas; fui desposada por Jesus. Tudo o que faço aqui nesta terra, faço por amor a Ele. Assim, ao morrer, voltarei para casa. Para meu esposo. Além do mais, no paraíso, encontrarei todos os que me são caros. Milhares de pessoas morreram nos meus braços. Já são mais de quarenta anos dedicados aos doentes e moribundos. Eu e minhas irmãs recolhemos nas ruas, principalmente na Índia, milhares e milhares de pessoas prestes a morrer. Nós as trouxemos às nossas casas e as ajudamos a morrer serenamente. Muitas delas espiraram em meus braços, enquanto eu sorria para elas e acariciava seus rostos trêmulos. E quando morrer, reencontrarei todas estas pessoas. Lá, estão à minha espera. Quem saberá a festa que farão ao rever-me? Como poderia temer a morte? Eu a desejo, a aguardo, porque finalmente me possibilitará voltar para casa”.

Em geral, nas entrevistas ou nas conversas, Madre Teresa era concisa, dando resposta curtas e rápidas. Mas naquela ocasião, diante de minha estranha pergunta, ofereceu-me um verdadeiro discurso. E enquanto me dizia aquelas coisas, seus olhos brilhavam com uma serenidade e uma felicidade surpreendentes.

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* Índia: Para comemorar Madre Teresa, 26 agosto será o “Dia Nacional dos Órfãos”.

terça-feira, julho 6th, 2010

Celebra-se em 26 de agosto próximo o centenário de nascimento de Madre Teresa de Calcutá. Em vista desse evento o governo indiano proclamará essa data “Dia Nacional dos Órfãos”, conforme informações enviadas à Agência Fides de fontes locais.

Segundo informações da Igreja local, foi enviada à ONU uma petição, que se espera possa ser acolhida, em favor da instituição do “Dia Mundial dos Órfãos”.

A poucos meses da celebração do centenário, o governo e a Igreja indiana estão trabalhando na preparação de eventos que serão inaugurados, no dia 26 de agosto, com a celebração eucarística presidida pelo Arcebispo de Ranchi, Cardeal Telesphore Placidus Toppo, na Casa Central das Missionárias da Caridade, em Calcutá, às 6h30 da manhã, na presença de Irmã Prema, religiosa alemã superiora geral da congregação fundada por Madre Teresa.

Na capital Nova Délhi, confirmam as fonte de Fides, será construído um monumento em homenagem a Madre Teresa e uma sala de conferências e encontros será dedicada à religiosa.

O presidente indiano Pratibha Patil participará das comemorações em Nova Délhi, em 28 de agosto, e o governo mandará cunhar uma moeda especial.

As iniciativas que serão realizadas pela Igreja indiana e pelas Missionárias da Caridade são várias, sobretudo, na Arquidiocese de Calcutá. A Comissão especial de preparação ao evento, presidido pelo Arcebispo de Calcutá, Dom Lukas Sirkar sdb, prevê atividades litúrgicas e culturais.

Uma novena de preparação (de 17 a 25 de agosto) se realizará em todas as paróquias da diocese e será seguida por outra (de 27 agosto a 4 setembro) que terá seu ápice na festa da Beata, 5 de setembro, quando será o novo Núncio Apostólico na Índia, Dom Salvatore Pennacchio a presidir uma solene Eucaristia.

Estão sendo preparadas várias iniciativas culturais: a realização de uma mostra itinerante sobre a vida e a espiritualidade de Madre Teresa, um simpósio internacional em Calcutá, no dia 4 de setembro próximo, uma mostra fotográfica (aos cuidados do famoso fotógrafo Raghu Rai), um festival e um concurso artístico.

Em 10 de setembro será realizada na Casa Central das Missionárias da Caridade, em Calcutá, uma celebração inter-religosa, em homenagem a Madre Teresa, apreciada e amada por todos. O encontro contará com a participação de líderes de várias confissões religiosas
Madre Teresa nasceu em Skopje, na Macedônia, em 26 de agosto de 1910 e faleceu em 5 de setembro 1997. (PA)

Agência Fides

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* A dúvida e o ceticismo científico ajudam a Igreja a declarar milagres autênticos e inexplicáveis.

segunda-feira, junho 14th, 2010

Por Pe. John Flynn, L. C.

Os católicos estão acostumados a ouvir falar sobre milagres e pessoas que são curadas pela intercessão dos santos, mas a cultura materialista de hoje muitas vezes olha para isso com certo ceticismo.

O escritor britânico John Cornwell acabou de publicar, no final de maio, um livro sobre o cardeal John Henry Newman, e o Sunday Times deu, há pouco tempo, um amplo espaço para expressar dúvidas sobre a vericidade do milagre que o Vaticano aprovou como base para a beatificação de Newman no próximo mês de setembro.

Em seu artigo de 9 de maio, Cornwell indica que a documentação vaticana do milagre “entra no reino da linguagem medieval surpreendentemente obscura”. Cornwell continua a levantar dúvidas sobre a seriedade médica da cura, não se esquecendo de acrescentar diversas críticas a Bento XVI.

Cornwell não está sozinho quando se trata de difamar o uso das curas milagrosas. No mês de dezembro de 2009, após o anúncio em Roma da aprovação do milagre para a canonização da irmã australiana Mary MacKillop, um especialista em medicina de Sydney, David Goldstein, expressava suas dúvidas. Em um artigo publicado em 22 de dezembro no jornal Australian, ele dizia que é impossível determinar se as melhoras dos quadros clínicos dos pacientes são resultado das orações.

O bispo anglicano de North Sydney, Glenn Davies, também se mostrava crítico, segundo uma reportagem do Australian a 24 de dezembro. “Quem pode provar que os milagres referidos foram verdadeiramente obra de Mary MacKillop?”, perguntava o bispo Davies.

Felizmente, Jacalyn Duffin, uma doutora que ostenta a Cátedra Hannah de história da medicina na Queen’s University de Ontário, Canadá, publicou no ano passado um manual para tratar estas e outras objeções. Em seu livro Medical Miracles, Doctors, Saints and Healing in the Mondern World (Milagres Médicos: Doutores, Santos e Cura no Mundo Moderno) (Oxford University Press), ela examina 1.400 milagres citados em canonizações desde 1588 até 1999.

Sua curiosidade por outros milagres foi despertada quando foi pedido que ela examinasse algumas mostras de tecido, que posteriormente soube que fazia parte de um processo de canonização. Ao receber como presente uma cópia da positio, documentação do milagre, Duffin se deu conta repentinamente de que deveriam existir tais registros para cada santo canonizado.

Durante diversas estâncias em Roma, investigou centenas destes registros. Duffin calcula que já investigou cerca de um terço de todos os milagres depositados nos arquivos vaticanos desde que se estabeleceram as regras que regem as canonizações em 1588.

Evidências

A nova regulamentação que forma parte das mudanças da Contra-Reforma requeria uma compilação cuidadosa das evidências e um exame minucioso do material dos peritos médicos e científicos. Paolo Zacchia (1584-1659) teve um importante papel na formulação das diretrizes, explica Duffin.

Em seus escritos, apresentava uma explicação dos diversos tipos de milagres e definia que, para que uma cura fosse considerada milagrosa, deveria ser de uma doença incurável e a recuperação deveria ser completa e instantânea. Duffin observa que os peritos médicos que trabalhavam para o Vaticano continuaram citando Zacchia até o início do século XX.

Alguns criticam que as curas físicas sejam base para declarar santos, mas Duffin comenta que a necessidade de evidências credíveis levava o processo de seleção até as curas porque podia haver testemunhos independentes, incluindo os médicos.

Ao longo do tempo houve mudanças em algumas modalidades do processo de canonização, mas considerando os registros dos últimos quatro séculos, Duffin declarou que estava impressionada com a notável estabilidade no compromisso com a ciência.

De fato, a Igreja sempre confiou em um ceticismo científico para provar a vericidade dos milagres. Nos registros dos milagres que Duffin examinou, descobriu que as autoridades religiosas se abstinham do julgamento da atividade sobrenatural até que se convencessem de que os peritos estavam preparados para qualificar os acontecimentos como inexplicáveis.

“A religião confia no melhor da sabedoria humana antes de se aventurar em um julgamento da doutrina inspirada”, estabeleceu Duffin.

Um ponto que ela adiciona a esta relação entre religião e ciência é que era a religião quem tendia a estar mais cômoda, não o contrário.

Nos processos, alguns médicos mostravam seu desacordo, como se sua cooperação constituísse a uma traição a seu pacto com a ideia da medicina ocidental, que recusa a proposição de que as curas sejam de origem divina.

Duffin observa que, no século XIX, católicos e protestantes colocaram em questão se a ausência de uma explicação para cura significava verdadeiramente que o fato seria um milagre. Esse debate continua, acrescenta, como quando um de seus colegas lhe explicava que, ainda que não possamos saber a explicação natural, esta deve existir.

Duffin se opõe, contudo, que tal atitude não enfrenta verdadeiramente a questão mais crucial, quando se trata de milagres médicos. A atitude positivista, que rejeita aceitar os milagres, adota a postura de que se há algo maravilhoso, devemos rejeitá-lo como uma ilusão ou uma mentira, porque só existe o mundo natural. Tal confiança na explicação natural é, de fato, uma crença que mascara o fato, diz Duffin. Em outras palavras, afirmar que um milagre simplesmente não pode ocorrer não é mais racional e não menos ato de fé que a afirmação de que os milagres podem acontecer.

A diferença entre as posturas religiosas e positivistas residem na interpretação das evidências, comenta Duffin. O cânon médico está imerso em uma tradição antideísta, enquanto que para a religião devem-se esgotar todas as explicações científicas plausíveis, após a qual se está preparado para declarar um milagre.

Em ambas posturas se abandona o que é desconhecido, mas os observadores religiosos estão preparados para aceitar a atuação divina.

Conhecimento médico

Ainda que alguns possam rejeitar a possibilidade de intervenção divina, a Igreja Católica é certamente cuidadosa ao utilizar todos os recursos da medicina para eliminar qualquer explicação natural das curas. Em um dos capítulos do livro, Duffin examina a utilização do conhecimento médico no processo de canonização.

Para começar, o Vaticano não reconhece milagres de cura em pessoas que rejeitaram a medicina ortodoxa para confiar somente na fé. A intervenção dos médicos proporciona uma evidência médica que evita qualquer possível manipulação do caso em questão.

Nos estudos dos arquivos, Duffin encontrou que o predomínio dos testemunhos dos doutores aumentou com o tempo. Os arquivos que revisou mostravam que no século XVII era nomeada uma média de um médico por cada registro, mas só uma pequena proporção deles contribuía com testemunhos pessoalmente. Depois de 1700, contudo, quase um terço, ou mais, dos médicos mencionados em um registro proporcionavam em pessoa seu testemunho.

Na segunda metade do século XVII, as evidências dos médicos que tratavam de pacientes foi complementada com observadores médicos independentes. Em algumas ocasiões, o número de médicos peritos consultados aumentou até igualar ou ainda ultrapassar aos médicos que tratavam o paciente.

Duffin também destacou que a Igreja não confiava exclusivamente em médicos católicos. As investigações examinavam a fé de todos os testemunhos, incluindo dos médicos. Antes do século XX, a maioria dos milagres procediam de países europeus onde a maioria dos médicos eram católicos. Muitos, no entanto, admitiam que não praticavam de forma regular sua fé, e diversos deles ainda tinham sido excomungados. Ainda assim, nenhum foi desqualificado como testemunha.

Em tempos mais recentes, foram utilizados médicos que pertenciam a outras religiões, que abertamente não professavam religião alguma.

Finalmente, só se declara um milagre quando os médicos estão dispostos a admitir sua própria impossibilidade de conhecimento sobre como uma pessoa se recuperou, após a falha da melhor medicina científica. Algo difícil de ser admitido pela mentalidade contemporânea, orgulhosa por seu conhecimento, e pela ciência moderna.

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* Irmã Dulce: dezoito anos depois de sua morte seu corpo está mumificado e suas roupas preservadas.

sábado, junho 12th, 2010

A última etapa do processo de beatificação de irmã Dulce, antes da proclamação da freira baiana como beata pelo Papa Bento XVI foi acompanhada por membros da Igreja Católica, em Salvador.

A ação aconteceu no último dia 27 de maio e surpreendeu a comissão. A religiosa baiana morreu em março de 1992 e mesmo dezoito anos depois seu corpo estava mumificado e as roupas preservadas.

Corpos de santos e beatos conseguem se manter sem decompor após a morte, sem que tenham sido usados métodos sobre eles. Nomeado pelo arcebispo de Salvador, Dom Geraldo Majiela Agnelo, o Frei Ruy Lopes foi delegado para acompanhar a exumação.

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