Posts Tagged ‘Suicidio Assistido’

* Canadá aprova “suicídio assistido”. Igreja reafirma: A vida não nos pertence para isso!

quinta-feira, junho 21st, 2012

A Conferência Episcopal do Canadá (CECC) recebeu com desolação a decisão recém-tomada por uma juíza da Corte Suprema da Colúmbia Britânica sobre o suicídio assistido”, afirma em nota divulgada nesta segunda-feira (18) o presidente dos bispos canadenses, dom Richard W. Smith, arcebispo de Edmonton.

A magistrada declarou inconstitucional a lei nacional que proíbe o suicídio assistido, porque ela discriminaria os doentes fisicamente incapacitados. A resolução, porém, só poderá entrar em vigor após um ano, tempo que a juíza Lynn Smith determinou para que o Parlamento canadense modifique a legislação.

A nota do arcebispo Smith afirma que “a posição da Igreja católica é clara sobre esta questão: a vida humana é um dom de Deus. Por esta razão, como ensina o Catecismo da Igreja Católica em seu número 2.280, nós somos os administradores e não os proprietários da vida que Deus nos confiou. Não podemos dispor dela”.

“Ser os administradores da vida exige de cada um de nós e da sociedade inteira uma resposta aos sofrimentos físicos, emocionais e morais das pessoas de todas as idades, especialmente as mais enfermas ou incapacitadas”.

Smith reforça a declaração feita pelos bispos do Canadá em 2005: “Temos que enfrentar uma opção fundamental. A nossa resposta a ela revelará a verdadeira natureza do coração da nossa sociedade. Nossa solicitude para com a pessoa doente, anciã, deficiente e vulnerável é demonstrada através do incentivo ao suicídio e à eutanásia? Ou através do favorecimento a uma cultura da vida e do amor, em que cada pessoa, em todos os momentos e em toda circunstância ao longo da sua vida natural, é percebida como um dom?”.

A nota informa que a CECC divulgará um comentário mais detalhado assim que terminar de examinar a sentença de 395 páginas.

A lei da Corte Suprema da Colúmbia Britânica concede um ano ao parlamento para estudar a questão. “Isto também nos dará o tempo necessário para veicular as nossas observações no momento oportuno”, encerra a nota episcopal.

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* Bispos dos EUA aprovam declaração contra “suicídio assistido” para combater cultura de morte no País.

quarta-feira, junho 22nd, 2011

Catholic News Service

Assumindo a questão do suicídio medicamente assistido no Estado norte-americano onde os eleitores o aprovaram mais recentemente, os bispos dos EUA declararam o suicídio “uma tragédia terrível, que uma sociedade compassiva deveria trabalhar para evitar”.

Aprovada por 191 a 1, no dia 16 de junho, na assembleia semestral geral dos bispos em Bellevue, cidade perto de Seattle, a declaração chamada To Live Each Day With Dignity [Viver cada dia com dignidade] é o primeiro documento sobre o suicídio assistido por partes dos bispos como um só corpo.

Ao apresentar a declaração no dia 15 de junho, o cardeal Daniel N. DiNardo, deGalveston-Houston, presidente da Comissão para Atividades Pró-Vida daConferência dos Bispos dos EUA – USCCB, disse esperar que ela combata o recente “forte ressurgimento” em atividade do movimento pelo suicídio assistido.

“Com o financiamento ampliado de ricos doadores, os defensores do suicídio assistido renovaram sua agressiva campanha em todo o país através da legislação, de processos judiciais e de propaganda pública, tendo como alvo os Estados que eles veem como mais suscetíveis à sua mensagem”, diz o documento. “Se tiverem sucesso, a sociedade vai sofrer uma mudança radical”.

O documento critica especialmente a antiga Sociedade Hemlock, “cujo próprio nome lembrava as pessoas da dura realidade da morte por envenenamento”, por ter mudado seu nome para Compassion & Choices [Compaixão e escolhas].

“É necessário falar claramente para remover esse verniz e revelar o que está em jogo, pois essa agenda não promove nem a livre escolha nem a compaixão”, diz a declaração.

O suicídio medicamente assistido foi aprovado pelos eleitores do Estado de Washingtonem novembro de 2008. Ele também é legal no Oregon, onde os eleitores o aprovaram em 1994, e em Montana, onde um tribunal estadual decidiu que ele não é contrário à política pública.

Enquanto o cardeal DiNardo estava fazendo sua apresentação preliminar do documento, representantes da Compassion & Choices realizaram uma coletiva de imprensa no mesmo hotel onde os bispos estavam reunidos.

Barbara Coombs Lee, presidente da organização, disse que o documento dos bispos representava uma tentativa de impor as crenças católicas sobre toda a população dos EUA.

“Embora respeitemos a instrução religiosa para as pessoas de fé católica, achamos inaceitável impor os ensinamentos de uma religião a todas as pessoas em uma sociedade pluralista”, disse. “Acreditamos que os cuidados do fim da vida deveriam seguir os valores e crenças do paciente, e as boas práticas médicas, mas não serem restringidos contra a vontade do paciente pela a doutrina da Igreja Católica”.

Ao responder a essa acusação durante uma coletiva realizada posteriormente, o cardeal DiNardo disse que os bispos estavam fazendo uma contribuição para um “debate público fundamental”, baseado em “nossa tradição moral e nosso senso de solidariedade para com as pessoas”.

“O caminho compassivo é o de dar assistência às pessoas”, não de incentivar a sua morte, disse. Faz parte da tradição norte-americana que, “quando alguém está em necessidade, vamos ao seu socorro”, como quando os norte-americanos responderam recentemente com uma grande ajuda aos afetados pelo tornado de Joplin, Missouri, acrescentou.

“A compaixão não é dizer ‘aqui está uma pílula’”, acrescentou o cardeal. “É mostrar às pessoas as formas pelas quais podemos ajudá-las, até o momento em que o Senhor as chama”.

No documento, os bispos dizem que o movimento pelo suicídio assistido “corre o risco, na verdade, de aumentar o sofrimento das pessoas gravemente enfermas”.

“Seu pior sofrimento, muitas vezes, não é a dor física, que pode ser aliviada com cuidados médicos competentes, mas sim os sentimentos de isolamento e de desesperança”, diz a declaração. “A percepção de que os outros – ou a sociedade como um todo – veem sua morte como uma solução aceitável ou até mesmo desejável aos seus problemas só pode ampliar esse tipo de sofrimento”.

Além disso, diz o documento, “não se pode defender a liberdade e a dignidade humanas desvalorizando a vida humana”.

“A escolha de tirar a vida de alguém é uma contradição suprema da liberdade, uma escolha para eliminar todas as escolhas”, diz o texto. “E uma sociedade que desvaloriza as vidas de algumas pessoas, acelerando e facilitando as suas mortes, acabará finalmente por perder o respeito por seus outros direitos e liberdades”.

O documento também critica a ideia de envolver médicos na ajuda a seus pacientes a cometerem suicídio, chamando isso de “uma corrupção das artes da cura”.

“Os católicos deveriam ser líderes no esforço de defender e de preservar o princípio de que cada um de nós tem o direito de viver com dignidade todos os dias das nossas vidas”, diz o documento. “A afirmação de que a ’solução rápida’ de uma overdose de drogas pode substituir esses esforços é uma afronta aos pacientes, aos cuidadores e aos ideais da medicina”.

A declaração está disponível em um site especial da USCCB (www.usccb.org/toliveeachday), com uma grande variedade de informações sobre questões como o papel da depressão, as opiniões de peritos médicos, o suicídio assistido como uma ameaça ao bom cuidado paliativo, as lições dos Estados do Oregon e deWashington, as lições da Holanda e outros tópicos.

O documento recebeu elogios imediatos de representantes dos grupos de deficientes e de bioética católicos.

“O suicídio medicamente assistido é uma clara ameaça às vidas das pessoas com deficiência, assim como daquelas que possuem doenças terminais”, disse Janice L. Benton, diretora-executiva da National Catholic Partnership on Disabilities. “Aplaudimos os bispos católicos dos EUA pela sua declaração que defende a dignidade de toda a vida humana e oferece uma verdadeira compreensão da compaixão e da escolha”.

O National Catholic Bioethics Center emitiu um comunicado chamando o documento dos bispos de “verdadeiramente compassivo” e elogiando-o por enfrentar “o mito de que vidas perdem valor quando confrontadas com significativos desafios à saúde”.

O centro “dá as boas-vindas a esse documento profético e oportuno, que expõe as inverdades perpetradas contra os mais vulneráveis entre os que sofrem, aqueles que acreditam que sua vida não vale a pena ser vivida”, acrescentou o comunicado.

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* BBC transmite na TV suicídio assistido. Propaganda a favor disfarçada de reportagem?

segunda-feira, junho 13th, 2011

A emissora britânica “BBC” transmite nesta segunda-feira o suicídio assistido de Peter Smedley, um milionário britânico de 71 anos que sofria de um transtorno neuromotor e que foi para a clínica suíça Dignitas para morrer.

A transmissão foi alvo de críticas de diversas organizações, que acusaram a emissora de ajudar a promover o suicídio assistido e de encorajar outras pessoas a seguirem os passos de Smedley.

A “BBC” se defendeu afirmando que o filme, com o título de “Choosing to die”, dará aos telespectadores a oportunidade de formar sua própria opinião, já que o programa recolhe todos os pontos de vista relacionados com o suicídio assistido.

O filme mostra imagens de Smedley tomando uma dose letal de barbitúricos na clínica suíça, que nos últimos 12 anos ajudou mais de mil pessoas a morrer.

A organização britânica “Dignity in Dying”, que defende o suicídio assistido e teve acesso ao filme antes de sua transmissão, declarou que é “emocionante e, em algumas ocasiões, difícil de assistir”.

“Não busca esconder a realidade da morte assistida. Ao expor a perspectiva de uma pessoa no suicídio assistido, nos impõe o desafio de pensar sobre o tema e nos perguntar que opções podemos querer para nós e nossos entes queridos no fim da vida”, disse uma porta-voz.

“Censurar o debate não fará nada para ajudar aquelas pessoas que sofrem de maneira intolerável”, afirmou a porta-voz, que acrescentou que a realidade atual é que “as pessoas nem sempre viajam ao exterior para morrer, mas acabam com suas vidas em suas próprias casas”.

“Fazem-no a portas fechadas ou com a ajuda de médicos e de entes queridos que as ajudam de maneira ilegal”, acrescentou.

Já os ativistas que criticam a eutanásia, como a organização “Care Not Killing Alliance”, qualificaram o programa da “BBC” como uma propaganda a favor do suicídio assistido disfarçado em forma de reportagem.

O porta-voz do grupo Alistair Thompson acusou a “BBC” de não oferecer uma visão equilibrada sobre o assunto, dando destaque aos programas em que o suicídio assistido é defendido.

Segundo Thompson, o programa que será exibido nesta segunda-feira será o quinto em três anos que a emissora pública transmite a favor da eutanásia.

“Choosing to die” foi dirigido pelo escritor Terry Pratchett, que sofre de mal de Alzheimer e é partidário da eutanásia.

A reportagem começa quando Smedley deixa sua residência no Reino Unido e exibe o momento em que o milionário ingere uma dose de Nembutal com a ajuda de chocolate. Depois disso, ele começa a respirar com dificuldade e chama por sua esposa, com quem foi casado por 40 anos.

Enquanto agoniza, um dos empregados da clínica diz diante das câmeras: “Está perdendo o conhecimento. Em breve a respiração se deterá e depois será a vez do coração”.

Para Pratchett, a morte de Smedley foi “um acontecimento feliz”.

“Morreu tranquilo, mais ou menos nos braços de sua mulher, discretamente”, acrescentou.

No entanto, ressaltou que não sabe se teria coragem de fazer o mesmo: “Não tenho certeza do que faria se estivesse em seu lugar”.

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* Suiça: Eleitor rejeita restrições a suicídio acompanhado.

sexta-feira, maio 27th, 2011

Quarto para membros da Dignitas, organização de Zurique para suicídio acompanhado, em Zurique.

Quarto para membros da Dignitas, organização de Zurique para suicídio acompanhado, em Zurique.

Maioria dos eleitores no cantão de Zurique, Suíça, refuta nas urnas propostas de lei que restringiriam a prática do suicídio acompanhado.

Segundo a imprensa helvética, o resultado mostra que a maioria do povo aprova a política “liberal” em relação à eutanásia.

A iniciativa popular “Não ao turismo da morte no cantão de Zurique”, votada juntamente com vários outros plebiscitos locais, foi refutada nas urnas por 218.602 eleitores, o que corresponde a 78,4% do eleitorado.

Nessa proposta, os autores pediam a proibição completa da prática do suicídio acompanhado para as pessoas que não vivem há pelo menos um ano no cantão de Zurique. Se aprovada, muitos estrangeiros e suíços residentes em outros cantões, e que costumam procurar os serviços de organizações como Exit ou Dignitas, estariam impedidos de vir ao cantão para tirar suas vidas através de coquetéis químicos especialmente preparados.

A rejeição da segunda iniciativa, intitulada “Pare com a ajuda ao suicídio” foi ainda maior nas urnas: 234.956 eleitores riscaram “não” na cédula, o que correspondeu a 84,4% do eleitorado. Ela exigia a intervenção do cantão no Parlamento federal em prol de uma proibição total do suicídio acompanhado em todo o país.

As duas iniciativas foram autoria dos partidos EDU (em português, União Democrática Federal) e EVP (Partido Evangélico Popular).

Repercussão na imprensa

O resultado dos plebiscitos em Zurique teve repercussão na imprensa nacional e internacional. No diário germanófono NZZ, o articulista avalia que o eleitorado “deu um sinal claro para a manutenção da prática liberal de lidar com o suicídio assistido” e considera que “os meios das igrejas livres, fracassaram claramente na sua proposta”.

O NZZ lembra que, há 34 anos, os eleitores do cantão de Zurique já haviam aprovado uma iniciativa que permitia a ajuda ativa ao suicídio para pessoas gravemente enfermas.

Para o articulista, não estava claro que o cantão enviaria esse sinal ao governo federal. “Pois a ajuda organizada ao suicídio se transformou nos últimos anos em um constante tema polêmico. A razão está na organização Dignitas, que fornece ajuda ao suicídio para pessoas, cujos países proíbem esse tipo de prática”.

A análise do conceituado jornal zuriquense é que “o veredito popular espelha o reconhecimento amplo do direito de autodeterminação do indivíduo.

A BBC Brasil também publicou uma nota sobre os resultados do voto cantonal, ressaltando também que o debate não termina no plebiscito de 15/05. “As pesquisas indicam que os eleitores querem uma legislação nacional mais clara, estabelecendo os casos nos quais a prática é permitida – apenas para os doentes terminais ou também para aqueles com outras doenças crônicas ou até mesmo mentais. Também há um grande desejo de que o governo estabeleça regras sobre as organizações que oferecem o suicídio assistido”, escreve. O portal afirma que o governo suíço deve propor uma nova lei sobre o tema nos próximos meses.

Reações

Bernhard Sutter, vice-presidente da organização Exit, declarou à agência suíça de notícias SDA estar satisfeito com os resultados. “Isso mostra que os fundamentalistas religiosos não teriam sucesso. Foi bom ver que os cidadãos de Zurique fundamentalmente apoiam a ajuda ao suicídio.”

Já no diário Tagesanzeiger, um dos autores da proposta não escondeu sua insatisfação. “Estamos decepcionados com o fato dos zuriquenses não terem apoiado os valores da Bíblia e a palavra de Deus”, declarou Hans Peter Häring, do partido EDU. Porém ele considerou correta a tentativa. “Foi válido ter tematizado a problemática da ajuda ao suicídio”.

Alexander Thoele, swissinfo

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* Rio Grande do Sul: número de suicídios assustam o Brasil.

quinta-feira, dezembro 9th, 2010

Fonte: IHU On-Line

O  nível de suicídios no rio Grande doSul é alarmante, principalmente nas cidades interioranas. Os municípios de Candelária e Venâncio Aires têm índices de suicídio entre os maiores do mundo.

A pesquisa “Promoção da vida e prevenção do suicídio no RS”, dissertação de mestrado do médico psiquiatra, Ricardo Nougueira analisou as quatro cidades gaúchas com maior número de casos de suicídio. O estudo foi patrocinado pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul, através do Centro de Vigilância em Saúde e do Programa de Prevenção à Violência.

Sobre os resultados constatados e as peculiaridades dos casos no Estado, Nogueira conversou, por telefone, com a IHU On-Line. O psiquiatra fala sobre os principais motivos dos suicidios no RS, o perfil do suicida e o tipo de ajuda que este necessita. “Quase 100% dos pacientes que foram ao óbito através do suicídio procuraram ajuda uns seis meses antes. (…) O problema é que falta um treinamento, não só na área de saúde, mas na rede de segurança e educação”, frisa. Sobre este preparo no atendimento às vítimas  e prevenção dos casos, Nogueira aborda os projetos desenvolvidos pela pesquisa que participou, como um manual de prevenção, e lamenta que mídias, como a Internet, atrapalhem o processo de cuidado para com indivíduos com tendências suicidas. “Uma orientação seria, ao invés de suicídio, falar da promoção da vida. Mas há uma contradição, pois sempre, em qualquer situação, há um outro lado, que, neste caso, é o estímulo de algumas mídias, como a Internet, uma área muito perigosa”, garante.

Ricardo Nogueira é mestrando em saúde da família pela Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, pesquisador do Centro de Estudos e Pesquisa em Saúde Coletiva (CEPES) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e atua como médico psiquiatra.

Confira a entrevista.

Quais as peculiaridades do RS, em comparação aos outros estados brasileiros, no que diz respeito aos dados que o senhor apresenta sobre os casos de suicídios?

Ricardo Nogueira – O que mais chama a atenção é o número de casos. O Rio Grande do Sul, em relação ao Brasil, tem um número muito maior de suicídios que os outros estados. Existem três cidades com os maiores níveis do mundo, e existem pequenas cidades que têm números muito maiores. O que assusta é que, até hoje, o número de suicídios é maior entre os idosos e as pessoas mais velhas, mesmo havendo uma diminuição de suicídios nesta faixa etária e um aumento entre os mais jovens. Em Porto Alegre, os números têm nos assustado muito porque a maior incidência é entre os jovens na faixa dos 15 aos 29 anos. Na avaliação que fizemos, há uma progressão epidemiológica e uma tendência crescente nos números. Isso nos deixa muito preocupados. Analisamos esses números com epidemiologistas, técnicos e com profissionais da nossa área que dizem exatamente o que nossa pesquisa aponta: que há uma urgência de se ter um programa de prevenção ao suicídio.

O que temos até agora são constatações e diagnósticos, então nós temos que partir imediatamente para o combate. E fazer isso como foi feito na Suécia, Dinamarca, Noruega, Hungria e em Israel, aplicando-se inquéritos, pesquisas e entrevistas com sobreviventes, aqueles que tentaram suicídio e não conseguiram, e entre seus familiares, porque se constatou que o suicídio é um problema familiar, existem famílias que têm essa tradição do suicídio.

Quase 100% dos pacientes que foram ao óbito através do suicídio procuraram ajuda uns seis meses antes na rede, nas Unidades Básicas de Saúde, nos Capes, em consultórios particulares, em serviços de emergência ou pronto-socorros. O problema é que falta um treinamento, e, por isso, estamos propondo e criando um manual de prevenção ao suicídio para ser aplicado a nível dos agentes comunitários de saúde, dos profissionais das Unidades Básicas, dos Capes e dos hospitais, ou seja, em toda a rede, não só na de saúde, mas na rede de segurança.

Muitas vezes, os bombeiros, a Brigada Militar e a Polícia Federal é que são chamados para dar esse atendimento. É preciso também um treinamento na área social, nas secretarias de assistência social e na área de educação, pois, os sintomas aparecem na escola, nas atitudes dos pacientes.

A maioria dos pacientes que vão ao óbito através da tentativa de suicídio já está em algum tipo de tratamento médico, já teve alguma doença psiquiátrica ou é viciada em álcool e drogas, como o crack. Inclusive, Porto Alegre, e Curitiba, são as duas capitais do Brasil onde aumenta cada vez mais o número de suicídios entre jovens, na faixa etária dos 15 aos 29, uma faixa que chama a atenção por causa do uso dessas drogas. Estamos sofrendo no Rio Grande do Sul uma epidemia do uso do crack, então ainda não temos uma comprovação científica fidedigna. Nossa pesquisa vai partir para esse viés também, para analisar a associação da droga com o suicídio. Queremos aprofundar isso.

Temos outro problema por sermos vizinhos do Uruguai, um dos países que tem mais suicídio no mundo. Inclusive foi lá o Congresso Mundial de Prevenção ao Suicídio onde apresentamos nosso trabalho. Há um chamado contágio nas cidades fronteiriças e é preciso se pensar nisso. Dizemos que o trabalho de prevenção ao suicídio é de uma vida toda.

E que tipo de ajuda o suicida quer?

Ricardo Nogueira – As pessoas têm algumas dificuldades. Por exemplo, na nossa pesquisa, existem dois dados que não aparecem em nenhum outro tipo de investigação, são os dados que conseguimos através da Secretaria de Segurança, que tem um banco de dados excelente. O que chama a atenção é que essas pessoas que se suicidaram, um grande número delas, eram vítimas ou tinham feito boletins de ocorrência contra outras pessoas. Não é normal, por exemplo, uma pessoa ter vinte ocorrências de delitos ou transtornos no trânsito. Ter um transtorno, uma multa ou um boletim de ocorrência, é normal, mas vinte, trinta ou quarenta, não é. Estas pessoas estão com dificuldades na sua vida pessoal, afetiva ou econômica, e procuram uma solução. Muitas vezes, na cabeça da pessoa, o suicídio seria uma saída para acabar com seu sofrimento. A pessoa não suporta mais a situação que está passando e acha que a única saída realmente seria morrer. O que estamos apontando é um treinamento para as equipes médicas de saúde e da área social, terapeutas e enfermeiros, e todas as equipes multiprofissionais, para que possam propor e ofertar o atendimento, o acolhimento e o tratamento desse paciente.

Nossa ideia é trazer esses instrumentos, aplicados na Suécia, Noruega, Hungria e Israel, que foram traduzidos para o português e estão validados no Brasil. Temos alguns desses instrumentos que foram validados em Campinas, em São Paulo, e o trabalho de pesquisa lá mostrou que diminuiu em cinco vezes o número das tentativas de suicídio. As pessoas que têm uma ideação suicida fazem várias tentativas, na maioria das vezes, elas não morrem na primeira. O intuito desse instrumento é fazer com que a pessoa prorrogue o tempo o máximo possível entre uma tentativa e outra. O mais comum é uma pessoa tentar o suicídio hoje, e, se não for bem sucedida, tentar novamente em trinta dias, se não for bem sucedida, novamente, provavelmente irá tentar dentro de 180 dias, seis meses. Então, nesse interregno, é óbvio que ela precisa ter tratamento, tem que ter cuidado e a prevenção a novas tentativas. Aí eu digo e afirmo que há tratamento às tentativas e prevenção. Outra constatação: o risco maior é entre pessoas que já tentaram anteriormente e em pessoas que têm familiares que já cometeram suicídio. Nosso foco fica menor, e então se pode trabalhar focado naquelas pessoas que têm um maior risco.

Quais foram os quatro municípios estudados e porque esses municípios foram escolhidos para essa pesquisa?


Ricardo Nogueira – Foram Santa Cruz do Sul, Candelária, Venâncio Aires e São Lourenço do Sul. Foram escolhidos porque são municípios com uma população média, pela questão logística e pela incidência e prevalência. Entre os quatro, temos Candelária e Venâncio Aires, que têm índices de suicídio entre os maiores do mundo, e eles ficam próximos um do outro. Para nós, isso dá uma facilidade logística para se deslocar, reunir as equipes e capacitá-las. Fizemos um projeto piloto e, a partir dele, vamos, em 2010, para mais quatorze municípios, totalizando em dezoito municípios.

Que localidades têm registrado maior índice de suicídio?

Ricardo Nogueira – Conforme as pesquisas, são as cidades de Venâncio AiresCanguçuSão Lourenço do SulCandeláriaSanta Cruz do Sul onde têm ocorrido variações, há uma diminuição e, em seguida, um repique. Isso pode ocorrer em distorções. Por exemplo, essas são as quatro cidades em que fizemos a nossa pesquisa e o projeto piloto, são as que apresentam maiores níveis no entanto, quando se analisa na série histórica, uma análise de dez anos, constatamos que a cidade com maior índice de suicídios no Rio Grande do Sul é Santa Rosa. Santa Rosa é a cidade que aparece na análise dos dez anos, mas, se formos analisar, no ano passado e no retrasado ela não aparece. Por exemplo, na lista das cinquenta cidades que têm mais suicídios no Brasil, dez são do RS, mas aí não aparece São Lourenço.

Só para se ter uma ideia, em São Lourenço do Sul, uma cidade que possui entre 15 e 20 mil habitantes, tem mais suicídios ou um número semelhante a todos os suicidiosde Belém do Pará, que é uma cidade do tamanho de Porto Alegre. Então, temos de ter muito cuidado com esses números por causa das distorções, mas essa situação no RS realmente chama atenção. Conversei com o Secretário Estadual de Saúde, colocando para ele, dentro desses números, a emergência. Estamos com a proposta de continuar a pesquisa em mais quatorze municípios do RS que também apresentam números altos de suicídio, para que possamos, assim como em países europeus e Israel, que reverteram e, hoje, têm números negativos, trazer esses instrumentos que foram usados lá e aplicar aqui.

Na pesquisa que o senhor participou, qual o perfil dos suicidas?

Ricardo Nogueira – Em nossa pesquisa, a maioria são pessoas casadas. Antigamente, apareciam mais pessoas solteiras, separadas ou viúvas. 90% dos casos de suicídios são entre brancos, 90% são agricultores, e, em São Lourenço do Sul, também aparecem pescadores. A grande novidade da nossa pesquisa são os dados que recebemos da Secretaria de Segurança, de que as pessoas que se suicidam têm um número muito grande de ocorrências policiais como autoras ou vítimas. Um número muito grande, mais de 60% já estava tratando de doenças mentais ou usavam medicamentos psicotrópicos continuados, já tinham tentando suicídio anteriormente e tinham membros diretos de sua família que já haviam cometido suicídio. O perfil que concluímos é que são trabalhadores rurais, brancos, católicos, casados e com nível baixo de ensino. A grande maioria, entre 60 e 70% se matam por enforcamento e dentro de casa, principalmente.

A pesquisa, que foi feita junto com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural – EMATER, tem outro viés que levanta a questão do fumo e dos organofosforados [1]. Estão querendo que seja aprofundada a pesquisa nesta área para comprovar, ou não, que esses elementos são responsáveis pelo suicídio. Porém, mesmo que isso seja comprovado, nossa visão é para que haja uma prevenção ao uso do tabaco e dos organofosforados.

É possível prevenir o suicídio?

Ricardo Nogueira – Claro, sem dúvida. Nossa proposta concreta é a criação dos grupos de sobrevivência. São grupos com pessoas que tentaram suicídio e familiares. Através do grupo, pode-se fazer com que haja uma sensibilização da pessoa e também a questão da avaliação do próprio tratamento. Avaliar se o tratamento que está sendo feito é correto, pois, cada caso é um, e existem vários diagnósticos. Tem como fazer um tratamento para as tentativas de suicídios. Vimos a questão dos jovens, e aí entram as cidades maiores. Os maiores números de suicídios entre jovens estão em Porto AlegrePasso FundoBento GonçalvesCaxias do SulCarazinhoSanto Ângelo, não nesta ordem.

Inclusive, tem uma pesquisa constatando em quais os meses ocorrem mais suicídios e quantos suicídios ocorrem a cada mês. Os meses com maior incidência são dezembro e janeiro. Queremos chamar atenção para que as pessoas procurem ajuda, seus serviços de saúde, o Caps, a Unidade Básica de Saúde, seu psiquiatra ou psicólogo, porque, tendo-se uma equipe capacitada e treinada, é possível reverter a situação.

E qual o papel da mídia em relação aos suicídios?

Ricardo Nogueira – Esse é um problema. Existe um manual de prevenção do suicídio para a mídia, foi feito pela Organização Mundial de Saúde. Neste manual, há um cuidado muito grande, principalmente para os jovens, que é colocado como contágio. Há uma visão que diz que, quando se fala em suicídio está se estimulando, só que precisamos rever esta questão. É o mesmo que achar que, ao se falar em droga, estaria estimulando o consumo. Entendemos que o suicídio é uma realidade que está aí e, para ser combatida, tem que ser revelada. Temos que divulgar isso. Claro que precisamos ter um cuidado de como colocar a questão. Uma orientação seria, ao invés de suicídio, falar da promoção da vida. Mas há uma contradição, pois, sempre, em qualquer situação, há um outro lado, que, neste caso, é o estímulo de algumas mídias, como a Internet, uma área muito perigosa. Nesta área, existe uma capacidade apavoradora, pois, enquanto estamos querendo implantar um programa de prevenção ao suicídio, estamos com o Grupo de Valorização da Vida, que é um único, do outro lado nossos “inimigos” são imensos e não se tem noção de quantos sites existem que nos combateriam. Estamos sozinhos. Um contra uma gama imensa, e não se divulgam esses números porque daí sim estaria se estimulando. Já houve um caso famoso em Porto Alegre de um jovem que teve seu suicídio acompanhado passo a passo através desse tipo de mídia. Esta é outra questão delicada que requer um cuidado muito grande, pois a situação é muito maior e perigosa do que se tem noção.

Notas:

[1] Substâncias químicas extremamente tóxicas que contém carbono e fósforo, sendo geralmente obtidas através do uso de sais orgânicos do ácido fosfórico.

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* Especialista em bioética da Inglaterra diz que a vida em si não tem nenhum valor.

terça-feira, novembro 2nd, 2010

Hilary White

Diferente do ouro e da platina, a vida não tem valor em si, um membro da Câmara dos Lordes e ativista do suicídio assistido disse num debate televisionado na semana passada.

Os profissionais médicos precisam mudar suas atitudes para com o suicídio assistido, levar em consideração os desejos dos pacientes que pedem para morrer, disse a Baronesa Mary Warnock, conhecida na Inglaterra como a “rainha filósofa” da bioética.“Não há justificativa moral que permita que as opiniões de juízes, advogados e médicos devam prevalecer sobre as opiniões do paciente [que expressou um desejo de morrer]”, disse ela.“A missão dos médicos é ajudar as pessoas a fazer suas vidas melhores, não piores. Às vezes a morte é mais desejável do que a vida”.Mary Warnock é conhecida como a principal especialista em bioética e defensora do suicídio assistido da Inglaterra.

Ela recentemente comentou que a recusa de os médicos participarem de suicídios assistidos é “genuinamente perversa”. Seus livros incluem “Easeful Death: Is there a case for assisted dying?” (Morte Confortável: Dá para se Defender a Morte Assistida?) e “Making Babies: Is there a right to have children?” (Fazendo Bebês: Existe o Direito de Ter Filhos?).

Warnock disse que examinar a questão a partir exclusivamente da perspectiva do direito representa legalismo e trivializa a questão: “por trás da lei está um juízo moral”, disse ela.Aqueles que argumentaram junto com Warnock em favor da petição do debate “O suicídio assistido deveria ser legalizado: os doentes terminais têm o direito legal de serem ajudados a acabar com suas vidas” incluíram Emily Jackson, professora de direito na Faculdade Londrina de Economia, e Debbie Purdy, a famosa ativista do suicídio assistido com esclerose múltipla.

O debate foi organizado pela sociedade de debates Intelligence Squared, que realiza debates sobre assuntos de interesse público em todo o mundo.Durante o debate, a prof.ª Emily Jackson citou pesquisas do estado americano de Oregon, e da Holanda, argumentando que os pacientes que pedem o suicídio assistido fazem tais pedidos por causa de uma “perda de autonomia, perda de dignidade ou perda das alegrias da vida”. Ela disse que cabe ao paciente decidir.Jackson não mencionou estudos recentes que mostram que na Bélgica, onde a eutanásia é legal, até 30 por cento dos que são mortos por médicos não deram consentimento.

As afirmações de Jackson foram desafiadas pelo Lorde Alex Carlile QC, advogado e colega democrata liberal, que comentou que o direito e a prática na Holanda e na Bélgica tinham ainda de passar pela prova de um desafio de tribunal. Ele apontou para o fato de que com o suicídio assistido legalizado, os médicos teriam permissão de agir como juízes, e disse que não há “jeito aceitável” de legislar em favor do suicídio assistido.Carlile, codiretor da entidade Vivendo e Morrendo Bem, disse que, se não temos a obrigação de confiar em pessoas de qualquer outra profissão ou emprego, não há motivo para termos confiança maior em médicos e “juízes de morte autonomeados”. Ele citou a Convenção Europeia de Direitos Humanos, dizendo que sob esse acordo, só é aceitável tirar a vida humana em defesa pessoal ou na guerra. De acordo com as definições legais da Convenção, o suicídio assistido constitui homicídio.

Chamada de “filósofa importante”, Mary Warnock, mais conhecida como baronesa Warnock, foi nomeada baronesa em 1985. Ela foi uma figura chave na criação da atual lei da Inglaterra sobre procriação artificial, a Lei de Fertilização Humana e Embriologia. Ela era membro da Comissão de Eutanásia da Câmara dos Lordes e forma parte de uma facção política influente que continua a fazer pressões em favor da legalização do suicídio assistido e da eutanásia.

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* Suicído Assistido, atentado à santidade da vida humana.

segunda-feira, julho 26th, 2010

Pertubadoras notícias de abusos

Padre John Flynn, L. C.

Em muitos países se continua debatendo sobre o tema do suicídio assistido, com vitórias e derrotas para ambas partes.

No Reino Unido, a Sociedade real Britânica de medicina convocou recentemente uma conferência para ouvir os pontos de vista opostos sobre o tema, informava no dia 5 de julho LifeNews. A votação ocorrida no final do evento mostrou uma grande maioria contra a moção de apoiar o suicídio assistido.

No lado negativo, no dia 25 de junho, o Tribunal de Justiça Federal da Alemanha declarou que o suicídio assistido é legal em certas circunstâncias, segundo o Deutsche Welle.

A decisão se referia a um caso no qual a filha de uma paciente doente terminal em estado de coma havia cortado o tubo de alimentação da mãe.

Antes de entrar em coma, Erika Kuellmer disse à filha que não queria que a mantivessem viva se viesse a ficar em coma. Pouco depois de que isso ocorreu, a filha consultou um advogado, Wofgang Putz, que a aconselhou como proceder. Ela cortou o tubo, que foi recolocado pelo hospital. Sua mãe morreu duas semanas depois.

No ano pasado, Putz foi condenado por homicídio frustrado por seu papel no caso, mas agora foi absolvido com esta última sentença. O Tribunal Federal declarou que, se um paciente manifesta de modo explícito que não quer tratamentos que usem tubo de alimentação para mantê-lo vivo, permite-se então dar fim ao tratamento. O suicídio assistido é ilegal na Alemanha.

Outros países

Nos países em que o suicídio assistido é legal, existe a preocupação com os abusos. Na Suíça, a organização Dignitas está sendo investigada cada vez mais, informava a BBC dia 2 de julho passado.

O governo está examinando projetos de lei que endurecerão a legislação tornando mais difícil que quem não seja cidadão suíço possa colocar fim na própria vida indo à Suíça.

Dignitas, fundada por Ludwig Minelli, já ajudou a mais de mil pessoas a morrer nos últimos 12 anos, de acordo com a BBC. Os membros pagam polpudos honorários para pertencer à organização, junto a fortes somas para o suicídio assistido.

Sob as leis atuais isso é legal, desde que nem Minelli nem Dignitas obtenham benefício algum. Mas a BBC afirmava na Suíça que se apresentaram acusações de que Minelli tornou-se milionário desde que fundou Dignitas

A investigação atual a qual está submetida a organização também é resultado da descoberta, no começo de 2010, de um grande número de urnas de cremação no fundo do lago Zurich. Segundo a reportagem do London Times de 28 de abril, uma antiga funcionária da Dignitas, Soraya Wernli, afirmou que a clínica teria jogado 300 urnas no lago.

A Holanda, onde o suicídio assistido é legal há vários anos, é outro país onde aparecem perguntas sobre o que está ocorrendo. Segundo uma reportagem do Telegraph de Londres de 2 de junho, os casos de eutanásia aumentaram em 13% em 2009 com relação às cifras do ano anterior.

Phyllis Bowman, presidente da organização britânica Right to Life, declarou ao Telegraph que estava segura de que o aumento em número se deve a um tratamento inadequado da dor por parte dos médicos holandeses.

O número de casos de eutanásia poderia aumentar muito mais se o parlamento cedesse à pressão de permitir aos mais velhos o direito ao suicídio assistido. Diz-se que uma campanha para permitir isso reuniu mais de 100.000 assinaturas de petição, informava Associated Press no dia 8 de março.

Marie-Jose Grotenhuis, porta-voz da campanha “Of Free Will” explicava que o grupo quer formar pessoas sem preparação médica a administrar uma poção letal a pessoas com mais de 70 anos que “considerem suas vidas completas” e queiram morrer.

A lei atual sobre suicídio assistido requer que dois médicos estejam de acordo em que o paciente está sofrendo de maneira insuportável uma doença sem esperança de recuperação, e que queira morrer antes de proceder.

A Bélgica também suscitou interesse quanto à prática da eutanásia. Uma pesquisa recente, “O Papel das Enfermeiras nas Mulheres Assistidas por Médico na Bélgica”, revelava que cinco das enfermeiras entrevistadas estiveram envolvidas na eutanásia de um paciente. Cerca da metade delas – 120 de 248 – admitiram que os pacientes não tinham nem requerido nem consentido com a eutanásia, informava o Catholic Herald, de 18 de junho.

A eutanásia involuntária é ilegal na Bélgica, onde se legalizou a eutanásia voluntária em 2002. A eutanásia soma agora 2% de todas as mortes mencionadas no artigo.

O estudo, publicado no Canadian Medical Association Journal, concluía que as ressalvas aprovadas na legislação de 2002 são ignoradas de forma rotineira. Os investigadores acreditam também que o número de enfermeiras envolvidas na eutanásia involuntária é maior que o das cifras de estudo, dado que era provável que nem todas as enfermeiras admitissem estar envolvidas em práticas ilegais.

“Uma vez que se legaliza qualquer forma de eutanásia, inevitavelmente a gente empurra os limites para mais longe,”, dizia ao Catholic Herald, o doutor Peter Saunders, diretor da aliança Care Not Killing, uma coalizão de mais de 50 organizações médicas, de deficientes e religiosas britânicas que se opõem à eutanásia.

Um ponto digno de reflexão para os que debatem atualmente uma proposta ante o parlamento escocês para permitir o suicídio assistido é a Lei de Assistência ao Final da Vida, apresentada por um membro independente do parlamento, que está sendo examinada por um comitê explicava num informe, em 29 de junho passado o Christian Institute do Reino Unido. Em notas recebidas do público pelo comitê, 86%, ou seja, 60 pessoas ou organizações, expressavam sua oposição à lei.

Um atentado à santidade da vida humana

A Igreja Católica também se mostrou crítica ante a proposta. “Será um atentado contra a santidade fundamental da vida humana e permitirá que muitas vidas sejam colocadas em risco por meio de diversos graus de coação psicológica, social ou cultural”, informava o jornal Scotsman dia 5 de julho.

A Igreja da Escócia, a Igreja Metodista e o Exército da Salvação tornaram público um comunicado conjunto dizendo que a lei abriria uma brecha na proibição de tirar a vida humana, acrescentava o artigo.

Num artigo de opinião publicado no dia seguinte no Scotsman, a doutora Rosemary Barrett, uma das diretoras do Conselho sobre Bioética Humana escocês, afirmava que a utilização do tratamento contra a dor ou a não utilização de máquinas que prolonguem a vida é muito diferente da eutanásia, na qual se tem a intenção direta de pôr fim à vida.

Enquanto seguia nos últimos meses o debate sobre a eutanásia na Grã-Bretanha, fica cada vez mais manifesto que a oposição a que se debilitem as leis procede de muitos lados. Brendan O’Neill, editor da página de comentários Spiked, dirigiu-se a um encontrou em Londres e no dia 17 de maio publicava os comentários em sua página.

Falando como ateu e como “humanista radical”, afirmava que é um mistério como o “direito de morrer” tenha começado a ser visto como uma causa progressiva.

De uma perspectiva humanista, declarava que a eutanásia é contrária ao que deveríamos fazer por um doente terminal, porque poderia fazer que suas decisões finais fossem mais agônicas. E para o resto de nós: “Parece-me pouco irrefutável que a campanha pela legalização do suicídio assistido esteja unida com uma maior incapacidade da sociedade de hoje para valorizar e celebrar a vida humana”, indicava.

Numa recente conferência,  David Jones, diretor do centro de bioética no St. Mary’s University College, sustentava que a legalização do suicídio assistido conduzirá logicamente à tolerância com a eutanásia não-voluntária, informava o jornal Telegraph, dia 1º de julho. Uma advertência para não deixar-se levar a este precipício que conduz a uma perigosa indiferença pela vida humana.

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* 73% dos britânicos apoiam suicídio assistido, diz pesquisa.

segunda-feira, fevereiro 1st, 2010
Uma pesquisa realizada pela BBC revelou que 73% dos britânicos apoia o suicídio assistido de pacientes em estado terminal. (Foto: Lynn Gilderdale contou com ajuda da própria mãe para se suicidar)

Já para os casos de pessoas que sofrem de doenças dolorosas e incuráveis, mas não fatais, o nível de apoio cai para 48%.

A sondagem entrevistou mais de mil pessoas há um mês, especialmente para uma edição do programa semanal Panorama, que será exibido nesta segunda-feira.

O programa vai se concentrar no caso da britânica Bridget Gilderdale, que na semana passada foi inocentada da acusação de tentativa de homicídio de sua filha, Lynn, que sofria de encefalomielite miálgica, uma doença crônica.

Mais clareza

Gilderdale admitiu ter ajudado a filha de 31 anos a se suicidar ministrando doses de morfina e comprimidos antidepressivos e soníferos esmagados.

A doença de Lynn não era fatal, mas a deixou presa a uma cama desde os 15 anos de idade, quando perdeu os movimentos da cintura para baixo e a capacidade de engolir alimentos.

Durante 16 anos, ela foi internada mais de 50 vezes por causa de várias outras doenças graves, e já tinha tentado cometer suicídio.

“Sei que fiz a coisa certa pela minha filha. Ela está livre e em paz, onde ela precisava estar. Não importam as consequências. Eu faria tudo outra vez”, afirmou Gilderdale em entrevista ao Panorama.

No ano passado, a Diretoria de Processos Públicos publicou instruções sobre que tipo de casos de suicídio assistido deveriam ser levados à corte.

Mas ativistas dizem que a lei ainda precisa de mais clareza.

BBC
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