
Fundada em 1842 e dirigida pela Congregação dos Padres Oblatos da Santa Cruz, Notre Dame é a mais importante Universidade Católica dos Estados Unidos. Atualmente tem 11.600 alunos, a imensa maioria composta de católicos.
Como pode uma Universidade Católica homenagear alguém que seja um radical abortista, favorável ao “casamento” homossexual e às pesquisas com células-tronco-embrionárias? Como pode, por conseguinte, uma instituição católica homenagear alguém que afronta diretamente os imutáveis ensinamentos morais da Igreja Católica?
É inexplicável, mas lamentavelmente foi o que ocorreu no dia 17-5-2009! A direção da Universidade Notre Dame, por ocasião de sua 164ª cerimônia de graduação, concedeu a Barack Hussein Obama o honroso título de Doutor “Honoris Causa” em Direito – honraria entregue pelo próprio reitor, o padre John Jenkins! - e o privilégio de fazer o discurso de abertura do ano letivo.
Incompreensível, pois os princípios morais defendidos pela Igreja Católica são opostos aos professados pelo atual presidente americano. É uma aberração uma instituição católica homenagear um político que sempre atacou valores da moral católica, sobretudo em matéria de família. Ainda recentemente, Obama liberou vultosas verbas federais para organizações que promovem o aborto nos EUA e em outros países.
Reações..
Até o dia da cerimônia, 83 bispos americanos haviam protestado publicamente contra a decisão do reitor de homenagear Obama, tendo procurado demovê-lo de sua escandalosa decisão;
Um abaixo-assinado com 365.000 assinaturas foi entregue à reitoria pedindo o cancelamento do convite a Obama;
Alunos, ex-alunos e professores também fizeram idêntico pedido;
Dez sacerdotes da Congregação da Santa Cruz (a mesma que fundou e dirige a Universidade de Nossa Senhora) lançaram uma carta aberta contrária à concessão do honroso título a Obama, pois suas medidas “atentam contra princípios morais fundamentais” (cfr. “Life Site”, 8-4-9);
Milhares de norte-americanos contrários ao aborto protestaram, desfilando alternadamente junto à Universidade durante vários dias;
Desde meados de abril, era comum ver homens, mulheres, estudantes, famílias inteiras – até com crianças – ajoelhados nas proximidades de Notre Dame, rezando em desagravo e pedindo que o convite ao mandatário americano fosse retirado.
A polícia recebeu ordem de prender diversos manifestantes. Vários deles foram algemados e presos, até mesmo alguns religiosos.
O fato mais clamoroso foi a prisão, no dia 15 de maio, de um idoso sacerdote católico, o Padre Norman Weslin, quando este se aproximava do prédio de Notre Dame carregando uma cruz e cantando, com alguns fiéis, hinos religiosos. Eu não acreditaria se não tivesse assistido ao próprio vídeo do padre sendo algemado e levado como prisioneiro! Preso, apesar de sua avançada idade de 80 anos! (sim, OITENTA ANOS)… Preso na terra da liberdade de expressão… pelo “crime” de levantar a voz em defesa da vida dos nascituros inocentes!
No dia do ato em homenagem a Obama – o triste 17 de maio -, o número de manifestantes nas imediações da Universidade engrossou bastante. Numerosos movimentos pró-vida, famílias e particulares fizeram protestos, todos pacíficos, antes da chegada de Obama e durante todo o tempo de sua permanência naquele recinto. Slogans eram bradados; faixas e cartazes contra o aborto e o pseudo-casamento entre homossexuais, como também contra o reitor – como “Judas e Jenkins traíram Jesus”, ou “A vergonha cai sobre Notre Dame” – eram vistos por todos os cantos. Alguns caminhões que ostentavam, à maneira de outdoors itinerantes, dizeres contra o aborto circularam pelas redondezas da Universidade. Um teco-teco sobrevoava a região com uma enorme foto de um bebê abortado. Ao longo da via de acesso à Universidade, formou-se uma gigantesca linha de manifestantes exibindo grandes anúncios anti-obama e anti-aborto.
No campus da Universidade, onde há uma bela gruta de Nossa Senhora de Lourdes, reuniram-se aproximadamente três mil pessoas, sob o lema “A verdadeira Notre Dame está comprometida com a santidade da vida”. Elas rezaram um Rosário e outras orações, em reparação a Nossa Senhora pelo ato que no auditório estava sendo realizado ali perto. Centenas de formandos recusaram-se a entrar no recinto onde se encontrava o mandatário americano. Diziam claramente que não poderiam participar de um ato de graduação, pois não queriam trair a identidade de Notre Dame que é católica. Muitos ex-alunos e entidades que contribuíam generosamente para o sustento da Universidade retiram suas contribuições – 14 milhões de dólares! – enquanto ela se mantiver sob a atual direção.
Várias dezenas de universitários ostentaram em seus uniformes, durante a cerimônia, desenhos de cruzes amarelas com pequeninos pés, simbolizando os bebês executados pelo aborto.Em sinal de protesto, eles permaneceram sentados tanto no momento de Obama receber o doutorado, quanto nas ocasiões em que outros se levantaram para aplaudi-lo. Durante o discurso presidencial, quatro manifestantes bradaram “deixem de matar bebês – o aborto é um assassinato”. Foram imediatamente postos para fora pela segurança do homenageado.
Muito louvável foi o protesto da professora de Harvard Mary Ann Glendon , atual presidente da Pontifícia Academia de Ciências Sociais e ex-embaixadora dos Estados Unidos junto à Santa Sé. Ela renunciou a honrosa “Medalha Laetare”, que receberia de Notre Dame na própria cerimônia de homenagem a Obama. Glendon declarou que o convite ao presidente americano infringia uma clara determinação da Conferência Episcopal, de 2004, segundo a qual instituições educativas católicas não podem conferir honras a personalidades cujo comportamento atente contra princípios morais da Igreja. Entre estes princípios se encontra a recusa do aborto, contra o qual a ex-embaixadora lutou energicamente. (cfr. “Frankfurt Allgemeine Zeitung”, principal diário alemão, em 28-4-09).
Nos Estados Unidos e Europa a mídia noticiou – embora de modo muito reduzido – essas grandes e contundentes manifestações. Mas… e a mídia no Brasil? Alguém viu tais notícias nos jornais brasileiros?
Fiz uma ampla pesquisa à busca de notícias na imprensa nacional. Causou-me verdadeiro espanto. Praticamente nada! Por exemplo, comecei a busca nos dois maiores diários da capital paulista, a “Folha” e “O Estado de São Paulo”. Não publicaram nada. Em outros estados, alguns poucos jornais que noticiaram o evento de Notre Dame, não trataram dos protestos… Claro que se fossem protestos – ainda que insignificantes – contra a atitude de algum bom presidente que vetasse a lei do aborto, todos os grandes jornais publicariam enormes manchetes e suplementos especiais a respeito.
PS: Aqueles que desejarem assistir a um vídeo com alguns dos mencionados protestos anti-obama e anti-aborto, click em:
http://www.youtube.com/user/tfpstudentaction
Autor: Paulo Roberto Campos
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Agora leiam abaixo essa reflexão feita por um sacerdote americano sobre a “crise de identidade” das Universidades americanas.
Será que isso só acontece nos Estados Unidos?
Em seu discurso essa semana na Universidade de Georgetown, o Presidente Obama fez um comentário interessante sobre economia. “não podemos reconstruir esta economia sobre a mesma pilha de areia” ele disse. “devemos construir nossa casa sobre a rocha”
Duvido que alguém o acusasse de plágio, mas o que ele citou vem de uma parábola contada por Jesus. O homem que construiu sua casa na areia pagou o preço quando os ventos a derrubaram, enquanto o homem que construiu sua casa na rocha a viu resistir à tempestade.
Bastante apropriado citar uma parábola em uma universidade católica.
O campus inteiro está cheio de simbolismo religioso. Crucifixos, imagens de Maria e outros itens religiosos estão em toda a parte, revelando a rica tradição do lugar.
Estranhamente, no entanto, embora o presidente não tenha se importado de citar Jesus sem dar-lhe os créditos, a sua equipe insistiu em que todos os símbolos religiosos fossem cobertos no lugar em que ele fez o discurso. Incrivelmente, os dirigentes de Georgetown se sujeitaram. A pedido da Casa Branca, os funcionários da universidade cobriram as letras IHS – a abreviação grega para o nome de Jesus.
Esse incidente se seguiu ao tumulto sobre o discurso de Obama na Notre Dame, onde ele recebeu um doutorado honorífico. O departamento da Notre Dame reporta um desenrolar de ira generalizada pela decisão de convidá-lo.
Agora, se eu fosse um pensador adepto de teorias da conspiração, o que não sou, poderia suspeitar que Obama está deliberadamente tentando dividir os católicos. Mas isso não é uma conspiração. Obama está meramente capitalizando em uma tendência cultural que tem estado em curso por um longo tempo. Pelo último meio século, ou mais, católicos têm passado por um tipo de desenvolvimento psicológico, saindo da mentalidade da classe imigrante, batalhadora e empobrecida, insegura de seu próprio status em uma cultura hostil, fundando suas próprias instituições, servindo seu país, e tornando-se tão bem-sucedidos quanto qualquer capitalista …
Essa assimilação foi tão completa que em quase qualquer questão de políticas públicas ou escolhas de estilo de vida, os católicos são impossíveis de se distinguir dos outros americanos. Até que se olhe para aqueles que praticam a fé regularmente, comparando-os com aqueles que têm um compromisso nominal que se resume a comparecer a batismos e funerais para um “alô”, como Jaqueline Kennedy disse uma vez.
Se essa tese está correta, então não é tão absurdo afirmar que os católicos nominais estão no meio de uma crise de identidade. Eles se sentem constrangidos pela diferença marcante de seus irmãos mais fiéis na fé que observam jejuns, não aprovam o aborto, pensam que o casamento é o mesmo de seus avós, e têm pontos de vista conservadores em outras questões polêmicas sobre as quais os católicos de vida pública geralmente têm de responder à imprensa.
Obviamente, os católicos nominais negariam tal crise de identidade. “Nós simplesmente acreditamos em uma sociedade pluralista e tolerante”, eles insistiriam em dizer. Mas se o episódio de Georgetown e Notre Dame não reflete uma crise de identidade – a família religiosa que foi um dia a principal defensora da Igreja apaga seu nome (Jesuíta,no caso de Georgetown) e sua inspiração histórica (Jesus) – então o que refletiria?
Pense nisso: Uma universidade católica se dispôs a cobrir o nome de Jesus, escondê-lo das câmeras, porque o presidente dos Estados Unidos estava chegando e pediu que o fizessem. O fato em si me dá calafrios.
Na raiz do conceito de tolerância está a noção de permissividade, não com suas próprias crenças, mas com as crenças daqueles com quem discordamos. Se você não sabe quem é e o que considera como verdade, não pode ser tolerante.
Chegamos a um ponto em que a contribuição mais significante que Georgetown ou Notre Dame poderiam dar para a diversidade da sociedade seria tornarem-se, novamente, católicas – e não se envergonharem disso. A Igreja em geral e os jesuítas em particular têm em sua própria história exemplos heróicos de mártires que se recusaram a submeter-se à autoridade secular e morreram pela fé (tais como Edmund Campion, SJ, pelas mãos de Elizabeth I). O mínimo que as autoridades desse campus podem fazer é não tomar medidas que minem sua própria identidade.
Por Pe. Robert A. Sirico
Fonte: National Review Online
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