Posts Tagged ‘Verdade’

* Papa pede superação do relativismo e superficialidade.

sexta-feira, agosto 27th, 2010

Bento XVI lembra exemplo de Santo Agostinho para convidar à «busca da Verdade»

Bento XVI manifestou-se contra o relativismo e a superficialidade na sociedade actual, apelando ao exemplo de Santo Agostinho (354-430) para convidar à busca da “Verdade”.

“É paradoxal que na nossa época se indique o relativismo como uma verdade que há-de guiar opções e comportamentos”, indicou o Papa na audiência pública desta Quarta-feira, em Castel Gandolfo, arredores de Roma.

Para Bento XVI, Santo Agostinho foi “um homem que nunca viveu com superficialidade” nem procurou a “pseudoverdade incapaz de dar paz duradoura a o coração”, mas “a Verdade que da sentido à existência”.

Perante cerca de quatro mil pessoas, o Papa aludiu à busca do sentido da vida que, segundo ele, é excluída de várias expressões da cultura dos nossos dias.

“Na sua inquieta busca – prosseguiu – Santo Agostinho compreendeu que não era ele a encontrar a Verdade, mas que era a própria Verdade em pessoa – Deus – a procurá-lo e a encontrá-lo”.

Bento XVI precisou que, neste caminho, é fundamental o silêncio: “Por vezes existe uma espécie de medo do silêncio, do recolhimento, um receio de pensar nas próprias acções, no sentido profundo da vida”.

“Muitas vezes prefere-se viver só o momento passageiro, na ilusão de que este traga uma felicidade duradoura. Prefere-se viver com superficialidade, por que parece que a vida é mais fácil assim, sem pensar”, lamentou.

O Papa falou também a “quem se encontra num momento de dificuldade no seu caminho de fé, ou que pouco participa na vida da Igreja, ou vive como se Deus não existisse”.

“A todos peço que não tenham medo da verdade, que nunca interrompam o caminho em direcção a ela, que nunca deixem de procurar a verdade profunda sobre nós mesmos e sobre as coisas, com o olhar interior do coração”, apontou.

Bento XVI convidou todos a “conhecer melhor os santo”, referindo que ele próprio está ligado a algumas figuras de santos, “nomeadamente São José e São Bento, e também Santo Agostinho, que tive ocasião de conhecer mais de perto através do estudo e da oração e que se tornou de certo modo meu companheiro de viagem na minha vida e ministério”.

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* Jornalistas de temas religiosos precisam ter fé?

sexta-feira, agosto 6th, 2010

Os peritos que participaram do seminário “Informação e religião: a cobertura mediática do fato religioso”, patrocinado pelo British Council e organizado pelo Foro Abraham, definiram o perfil do jornalista dedicado à cobertura da informação religiosa e sustentaram que este deve cumprir, ao menos, algumas premissas como ser fiel, estar bem informado ou tratar os acontecimentos religiosos com rigor.

Na sessão dedicada a “Desafios, dificuldades e perspectivas de futuro no jornalismo sobre religião”, participaram profissionais como o professor de jornalismo da Universidade de Columbia, Ari Goldman; o jornalista de rádio da BBC, Dan Damon, e a subdiretora da Europa Press, Rosana Ribera.

Goldman destacou que para ser redator de religião é importante “ser uma pessoa de fé” pois na sua opinião, diante de um tema espiritual, seja da confissão que for, o jornalista que crê “conhecerá a profundidade dos sentimentos” que implicou no acontecimento.

Por sua vez, Damon se mostrou de acordo com que o jornalista que escreva sobre um tema religioso que não coincide com sua fé, deve “informar-se”. Nesta linha, Goldman explicou que “é possível abrir-se às experiências de outras pessoas, tentar contar as notícias desde a perspectiva do fiel e transcender sua própria personalidade”, ao mesmo tempo em que pediu aos informadores que sejam “honestos, embora haja temas que possam ferir a Igreja”

Por outro lado, considerou que a dimensão religiosa é necessária para explicar aos cidadãos “as motivações” de alguns fatos noticiosos como o conflito no Iraque, o assalto à flotilha de ajuda a Gaza, a perseguição de cristãos na Coréia do Norte e os protestos dos monges budistas na Birmânia.

Neste sentido, acrescentou que “a maior parte das notícias ignoram a dimensão religiosa” e que “simplificam-se os fatos”. “O conflito do Iraque foi tratado como se os iraquianos tivessem deixado de preocupar-se com competir entre os distintos centros de fé religiosa, mas dizer isso, é reduzir os fatos”, particularizou.

Por sua parte, Rosana Ribera sublinhou que para cobrir estes temas será preciso escolher uma pessoa não necessariamente que creia, mas sim “íntegra e informada”.

Ribera ofereceu um decálogo de conselhos para o informador de religião entre os quais se destacam: demandar mais códigos de boas práticas; escolher um jornalista informado; valorizar o espaço que se dedica à informação religiosa e a qual religião; evitar o uso de uma linguagem discriminadora; não potencializar informações sensacionalistas; e recorrer a todas as fontes, inclusive às minoritárias.

ACI

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* Por que acredito no cristianismo? Fala-nos Chesterton.

terça-feira, agosto 3rd, 2010


G. K. Chesterton

Não tenho a intenção de desrespeitar o Sr. Blatchford dizendo que nossa dificuldade, em grande medida, está em que ele, como a maioria das pessoas inteligentes atualmente, não entende o que é Teologia.

Equivocar-se em ciência é uma coisa, mas equivocar-se sobre a natureza da ciência é outra. Na medida em que leio “God and My Neighbour (Deus e o meu vizinho)”, cresce minha convicção de que ele pensa que Teologia é o estudo sobre se as diversas lendas que a Bíblia conta sobre Deus é historicamente demonstrável. É como se ele estivesse tentando provar a um sujeito que o Socialismo seria, na verdade, a sólida ciência da Economia Política e começasse a perceber, no meio do caminho, que o sujeito considerava a Economia Política o estudo sobre se os políticos eram econômicos.

É muito difícil de explicar brevemente a natureza de todo um ativo campo de estudo, tanto quanto o é explicar o que é política ou ética. Pois, quanto maior e mais óbvia é uma coisa, e quanto mais ela te encara face a face, mais difícil é defini-la. Todo mundo pode definir concologia.. Ninguém pode definir a moral.

No entanto, toca-nos tentar explicar essa filosofia religiosa que era, e de novo será, o estudo dos maiores intelectuais e a fundamentação das mais fortes nações, mas que nossa diminuta civilização, há algum tempo, esqueceu, da mesma forma que esqueceu como dançar e como se vestir decentemente. Tentarei explicar porque eu considero necessária uma filosofia religiosa e porque eu considero o cristianismo a melhor filosofia religiosa. Mas, antes que eu faça isso, quero que você se lembre de dois fatos históricos. Não peço para que você tire deles as minhas conclusões ou mesmo qualquer conclusão. Peço que você se lembre deles como simples fatos, ao longo da discussão.

1. O cristianismo surgiu e se expandiu num mundo muito refinado e cínico – num mundo muito moderno. Lucrécio era tão materialista quanto Haeckel e um escritor muito mais persuasivo. O mundo romano tinha lido “God and My Neighbour”, e de uma maneira um tanto sonolenta o considerou verdadeiro. Vale a pena notar que as religiões quase sempre surgem nessas civilizações céticas. Um livro recente sobre a literatura pre-maometana da Arábia descreve uma vida inteiramente luxuosa e refinada. Foi assim com Buda, nascido em berço de ouro, numa antiga civilização. Foi assim com o Puritanismo na Inglaterra e com a Restauração Católica na França e Itália, ambas advindas do racionalismo da Renascença. É assim hoje, e será sempre assim. Vá a dois dos mais modernos centros do pensamento moderno, Paris e EUA, e você encontra-los-á cheios de anjos e demônios, de velhos mistérios e novos profetas. O racionalismo está lutando pela própria vida contra as novas e vigorosas superstições.

2. O cristianismo, que é uma religião muito mística, tem sido, contudo, a religião das porções mais práticas da humanidade. Ele tem mais paradoxos que as filosofias orientais, mas ele também constrói as melhores rodovias. O muçulmano tem uma concepção lógica e pura de Deus, o Alah monístico. Mas ele permanece bárbaro na Europa e a grama não renascerá por onde ele passar. O cristão tem um Deus Trino, “uma trindade oblíqua,” que parece uma caprichosa contradição em termos. Mas, em ação, ele abarca a terra e, mesmo, o mais inteligente oriental só pode com ele lutar, imitando-o a princípio. O Oriente tem sua lógica e vive do arroz. A cristandade tem seus mistérios – e seus automóveis. Não importa a inferência. Como eu disse, registremos os fatos.

Agora com essas duas coisas em mente, deixe-me tentar explicar o que é a Teologia Cristã.

O agnosticismo completo é a atitude óbvia para o homem. Todos somos agnósticos até descobrirmos que o agnosticismo não funciona. Então, adotamos alguma filosofia, a do Sr. Blachford ou a minha, ou alguma outra, pois, o Sr. Blatchford não é mais agnóstico que eu, é claro. O agnóstico diria não estar certo se o homem é responsável pelos seus pecados. O Sr. Blatchford diz que ele tem certeza de que o homem não é.

Aqui temos a semente de toda uma imensa árvore de dogmas. Por que o Sr. Blatchford vai além do agnosticismo e afirma que não há, certamente, livre arbítrio? Porque ele não pode desenvolver seu sistema moral sem afirmar a inexistência do livre arbítrio. Ele deseja que nenhum homem seja culpado de pecado. Portanto, ele tem de convencer seus discípulos de que Deus não os fizeram livres e, por conseguinte, culpáveis. Nenhuma mínima dúvida cristã pode passar pela mente do determinista. Nenhum demônio pode sussurrá-lo, numa hora de angústia, que, talvez, o promotor de vendas fraudulento foi o responsável por ele estar no asilo. Nenhum ataque de ceticismo deve sugeri-lo que, talvez, o professor primário foi o culpado pela surra de matar dada no pequeno garoto. A fé do determinista deve permanecer firme, senão a fraqueza da natureza humana, certamente, fará com que os homens se enfureçam quando são difamados ou devolvam o soco, quando são socados. Em resumo, o livre arbítrio parecerá, em princípio, pertencer ao Desconhecido. Mesmo assim, o Sr. Blatchford não conseguirá pregar o que a ele pareça mera caridade sem afirmar, sobre isso, um dogma. E eu não conseguirei pregar o que me parece ser mera honestidade, sem afirmar outro.

Aqui está a falha do agnosticismo. Que a nossa visão cotidiana das coisas que sabemos (do senso comum), realmente depende de nossa visão de coisas que não sabemos (do senso comum). Tudo bem dizer a um homem, como faz o agnóstico, “cultive seu jardim.” Mas, suponha que ele ignore tudo fora do seu jardim, inclusive o sol e a chuva?

Isso é fato real. Você não pode viver sem dogmas sobre as coisas. Você não pode agir vinte e quatro horas por dia sem decidir se as pessoas são responsáveis ou não. A Teologia é um produto muito mais prático que a Química.

Alguns deterministas imaginam que o cristianismo inventou um dogma como o livre arbítrio por diletantismo – uma simples contradição. Isso é absurdo. Você se confronta com contradições onde quer que você esteja. Os deterministas me dizem, com um grau de verdade, que o determinismo não faz diferença na vida diária. Isso significa que, apesar do determinismo saber que os homens não têm livre arbítrio, mesmo assim, ele continua tratando-os com se tivessem.

A diferença, então, é muito simples. O cristão coloca a contradição em sua filosofia. O determinista a coloca em seus hábitos diários. O cristão afirma, como um mistério declarado, o que o determinista chama nonsense. O determinista tem o mesmo nonsense em seu café da manhã, em seu almoço, em seu chá e em seu jantar, todos os dias de sua vida.

O cristão, repito, coloca o mistério em sua filosofia. Este mistério, pela sua escuridão, ilumina todas as coisas. Depois disso, vida é vida, pão é pão e queijo é queijo: ele pode sorrir e lutar. O determinista torna a questão lógica e lúcida: e à luz dessa lucidez, todas as coisas são obscurecidas, as palavras perdem o sentido, e as ações, o objetivo. Ele fez de sua filosofia um silogismo e dele próprio um lunático delirante. Essa não é uma questão entre misticismo e racionalidade. É uma questão entre misticismo e loucura. Pois, o misticismo, e somente o misticismo, tem mantido o homem são, desde o início dos tempos. Todos os caminhos retilíneos da lógica levam ao caos, à anarquia ou à obediência passiva, por tratar o universo como uma pura engrenagem material ou então como uma ilusão da mente. É somente o místico, o homem que aceita as contradições, que pode sorrir e caminhar livremente pelo mundo.

Você está surpreso pelo fato de que a mesma civilização que acreditou na Trindade descobriu a máquina a vapor? Todos as grandes doutrinas cristãs são deste tipo. Examine-as você mesmo, cuidadosa e justamente. Tenho espaço para apenas dois exemplos. O primeiro é a idéia cristã de Deus. Tal como temos todos sido agnósticos, também temos sido panteístas. Com uma ingenuidade infantil é fácil dizer, “Por que o homem não pode enxergar Deus num vôo de um pássaro e ser feliz?” Mas, vem o tempo em que, indo além, dizemos, “Se DeuS está nos pássaros, sejamos não só bonitos como eles, mas sejamos cruéis como os pássaros, vivamos a vida louca e colorida da natureza.” E algo que mantém sua própria inteireza dentro de nós resiste e nos alerta, “Meu amigo, você está enlouquecendo.”

Então vem o outro lado e dizemos: “Os pássaros são odiosos, as flores são vergonhosas. Um universo com tais coisas não merece meu tributo.” E a coisa inteira em nosso íntimo diz: “Meu amigo, você está enlouquecendo.”

Então vem uma coisa fantástica e nos diz: “Você está certo de gostar dos pássaros, mas errado em copiá-los. Há uma coisa boa em todas essas coisas, mas todas essas coisas são menores que você. O Universo está certo, mas o Mundo está errado. A coisa por trás de tudo não é cruel como um pássaro, mas bondosa como um homem.” E a coisa inteira dentro de nós diz: “Encontrei o caminho da montanha.”

Assim, quando o cristianismo surgiu, o mundo antigo tinha acabado de chegar a esse dilema. Ele ouviu a Voz do Culto à Natureza que rezava, “Todas as coisas naturais são boas. A guerra é saudável como as flores. A luxúria é tão cândida como as estrelas.” E ele ouviu também o lamento dos desesperados Estóicos e Idealistas. “As flores estão em guerra: as estrelas estão maculadas: nada é certo além da consciência do homem e esta foi completamente vencida.”

Ambas as visões eram consistentes, filosóficas e exaltadas: suas únicas desvantagens eram que a primeira levava logicamente ao assassinato, e a segunda, ao suicídio. Depois de uma agonia do pensamento, o mundo descobriu um caminho saudável entre os dois. Era o Deus cristão. Ele fez a Natureza mas, Ele era Homem.

Finalmente, há uma palavra a dizer sobre a Queda. Só poderá ser uma palavra, e ela é esta. Sem a doutrina da Queda, toda a idéia do progresso é sem sentido. O Sr. Blatchford diz que não houve uma Queda, mas uma ascensão gradual. Mas, a própria palavra “ascensão” implica que você saiba em que direção está ascendendo. A menos que haja um padrão, você não pode se dizer em ascensão ou em queda. Mas o ponto principal é que a Queda, tal como todos os outros largos caminhos do cristianismo, está embebida, invisivelmente, na linguagem comum. Qualquer um pode dizer, “Muito poucos homens são realmente humanos.” Ninguém diria, “Muito poucas baleias são realmente, ‘baleiais’.”

Se você quisesse dissuadir um homem de beber sua décima dose de whisky, você bateria em suas costas e diria, “Seja homem.” Ninguém que desejasse dissuadir um crocodilo de comer seu décimo explorador, bateria nas costas da fera e diria, “Seja crocodilo.” Pois, não temos nenhuma noção de um crocodilo perfeito, nenhuma alegoria de uma baleia expulsa do Éden ‘baleial’. Se uma baleia viesse ao nosso encontro e dissesse: “Eu sou um novo tipo de baleia, eu abandonei a ‘baleiez’,” não deveríamos nos preocupar. Mas, se um homem viesse até nós (como muitos logo virão) e dissesse, “Eu sou um novo tipo homem. Eu sou o super-homem. Eu abandonei a misericórdia e a justiça;” deveríamos responder, “Sem dúvida você é novo, mas nem um pouco parecido com o homem perfeito, pois este sempre esteve na mente de Deus. Caímos com Adão e ascenderemos com Cristo; mas preferimos cair com Satã, que ascender com você.”

Publicado em The American Chesterton Society

[1]Reproduzido de The Religious Doubts of Democracy (1904) e de “The Blatchford Controversies” (in The Collected Works of G.K. Chesterton, Vol. 1) (N. do T.)

[2] Nome que a Economia tinha na época. (N. do T.)

[3] A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas, para os que foram salvos, para nós, é uma força divina. Onde está o sábio? Onde o erudito? Onde o argumentador deste mundo? Acaso não declarou Deus por loucura a sabedoria deste mundo? Já que o mundo, com a sua sabedoria, não reconheceu a Deus na sabedoria divina, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura de sua mensagem (…) mas nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos. Pois a loucura de Deus é mais sábia do que os homens, e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens. (1 Cor. 1, 18; 20-21; 23;25) (N. do T.)

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* Porque sou católico!

segunda-feira, agosto 2nd, 2010

Soberbo!

Chesterton é irrefutável em seus argumentos.

Leia esse artigo e procure na Internet tudo que for escrito por ele e “devore”. Após lê-lo, saimos todos mais Católicos e mais amantes da verdade.

***

G. K. Chesterton

A dificuldade em explicar “Por que eu sou Católico” é que há dez mil razões para isso, todas se resumindo a uma única: o catolicismo é verdadeiro.

Eu poderia preencher todo o meu espaço com sentenças separadas, todas começando com as palavras, “É a única coisa que …” Como, por exemplo, (1) É a única coisa que previne um pecado de se tornar um segredo. (2) É a única coisa em que o superior não pode ser superior; no sentido da arrogância e do desdém. (3) É a única coisa que liberta o homem da escravidão degradante de ser sempre criança. (4) É a única coisa que fala como se fosse a verdade; como se fosse um mensageiro real se recusando a alterar a verdadeira mensagem. (5) É o único tipo de cristianismo que realmente contém todo tipo de homem; mesmo o respeitável. (6) É a única grande tentativa de mudar o mundo desde dentro; usando a vontade e não as leis; etc.

Ou posso tratar o assunto de forma pessoal e descrever minha própria conversão; acontece que tenho uma forte impressão de que esse método faz a coisa parecer muito menor do que realmente é. Homens muito melhores, em muito maior número, se converteram a religiões muito piores. Preferiria tentar dizer, aqui, coisas a respeito da Igreja Católica que não se podem dizer mesmo sobre suas mais respeitáveis rivais. Em resumo, diria apenas que a Igreja Católica é católica. Preferiria tentar sugerir que ela não é somente maior que eu, mas maior que qualquer coisa no mundo; que ela é realmente maior que o mundo. Mas, como neste pequeno espaço, disponho apenas de uma pequena seção, abordarei sua função como guardiã da verdade.

Outro dia, um conhecido escritor, muito bem informado em outros assuntos, disse que a Igreja Católica é uma eterna inimiga das novas idéias. Provavelmente não ocorreu a ele que sua própria observação não é exatamente uma nova idéia. É uma daquelas noções que os católicos têm de refutar continuamente, porque é uma idéia muito antiga. Na realidade, aqueles que reclamam que o catolicismo não diz nada novo, raramente pensam que seja necessário dizer alguma coisa nova sobre o catolicismo. De fato, o estudo real da História mostrará que isso é curiosamente contrário aos fatos.

Na medida em que as idéias são realmente idéias, e na medida em que tais idéias são novas, os católicos têm sofrido continuamente por apoiarem-nas quando elas são realmente novas; quando elas eram muito novas para encontrar alguém que as apoiasse. O católico foi não só o pioneiro na área, mas o único; e até hoje não houve ninguém que compreendesse o que se tinha descoberto lá.

Assim, por exemplo, quase duzentos anos antes da Declaração de Independência e da Revolução Francesa, numa era devotada ao orgulho e ao louvor aos príncipes, o Cardeal Bellarmine e Suarez, o Espanhol, formularam lucidamente toda a teoria da democracia real. Mas naquela era do Direito Divino, eles somente produziram a impressão de serem jesuítas sofisticados e sanguinários, se insinuando com adagas para assassinarem os reis. Então, novamente, os casuístas das escolas católicas disseram tudo o que pode ser dito e que constam de nossas peças e romances atuais, duzentos anos antes de eles serem escritos. Eles disseram que há sim problemas de conduta moral, mas eles tiveram a infelicidade de dizê-lo muito cedo, cedo de dois séculos. Num tempo de extraordinário fanatismo e de uma vituperação livre e fácil, eles foram simplesmente chamados de mentirosos e trapaceiros por terem sido psicólogos antes da psicologia se tornar moda. Seria fácil dar inúmeros outros exemplos, e citar o caso de idéias que são ainda muito novas para serem compreendidas.

Há passagens da Encíclica do Papa Leão sobre o trabalho [conhecida como Rerum Novarum, publicada em 1891] que somente agora estão começando a ser usadas como sugestões para movimentos sociais muito mais novos do que o socialismo. E quando o Sr. Belloc escreveu a respeito do Estado Servil, ele estava apresentando uma teoria econômica tão original que quase ninguém ainda percebeu do que se trata. E então, quando os católicos apresentam objeções, seu protesto será facilmente explicado pelo conhecido fato de que católicos nunca se preocupam com idéias novas.

Contudo, o homem que fez essa observação sobre os católicos quis dizer algo; e é justo fazê-lo compreender muito mais claramente o que ele próprio disse. O que ele quis dizer é que, no mundo moderno, a Igreja Católica é, de fato, uma inimiga de muitas modas influentes; muitas delas ainda se dizem novas, apesar de algumas delas começarem a se tornar um pouco decadentes. Em outras palavras, na medida em que diz que a Igreja freqüentemente ataca o que o mundo, em cada era, apóia, ele está perfeitamente certo. A Igreja sempre se coloca contra a moda passageira do mundo; e ela tem experiência suficiente para saber quão rapidamente as modas passam. Mas para entender exatamente o que está envolvido, é necessário tomarmos um ponto de vista mais amplo e considerar a natureza última das idéias em questão, considerar, por assim dizer, a idéia da idéia.

Nove dentre dez do que chamamos novas idéias são simplesmente erros antigos. A Igreja Católica tem como uma de suas principais funções prevenir que os indivíduos comentam esses velhos erros; de cometê-los repetidamente, como eles fariam se deixados livres. A verdade sobre a atitude católica frente à heresia, ou como alguns diriam, frente à liberdade, pode ser mais bem expressa utilizando-se a metáfora de um mapa. A Igreja Católica possui uma espécie de mapa da mente que parece um labirinto, mas que é, de fato, um guia para o labirinto. Ele foi compilado a partir de um conhecimento que, mesmo se considerado humano, não tem nenhum paralelo humano.

Não há nenhum outro caso de uma instituição inteligente e contínua que tenha pensado sobre o pensamento por dois mil anos. Sua experiência cobre naturalmente quase todas as experiências; e especialmente quase todos os erros. O resultado é um mapa no qual todas as ruas sem saída e as estradas ruins estão claramente marcadas, todos os caminhos que se mostraram sem valor pela melhor de todas as evidências: a evidência daqueles que os percorreram.

Nesse mapa da mente, os erros são marcados como exceções. A maior parte dele consiste de playgrounds e alegres campos de caça, onde a mente pode ter tanta liberdade quanto queira; sem se esquecer de inúmeros campos de batalha intelectual em que a batalha está eternamente aberta e indefinida. Mas o mapa definitivamente se responsabiliza por fazer certas estradas se dirigirem ao nada ou à destruição, a um muro ou ao precipício. Assim, ele evita que os homens percam repetidamente seu tempo ou suas vidas em caminhos sabidamente fúteis ou desastrosos, e que podem atrair viajantes novamente no futuro. A Igreja se faz responsável por alertar seu povo contra eles; e disso a questão real depende.

Ela dogmaticamente defende a humanidade de seus piores inimigos, daqueles grisalhos, horríveis e devoradores monstros dos velhos erros. Agora, todas essas falsas questões têm uma maneira de parecer novas em folha, especialmente para uma geração nova em folha. Suas primeiras afirmações soam inofensivas e plausíveis. Darei apenas dois exemplos. Soa inofensivo dizer, como muitos dos modernos dizem: “As ações só são erradas se são más para a sociedade.” Siga essa sugestão e, cedo ou tarde, você terá a desumanidade de uma colméia ou de uma cidade pagã, o estabelecimento da escravidão como o meio mais barato ou mais direto de produção, a tortura dos escravos pois, afinal, o indivíduo não é nada para o Estado, a declaração de que um homem inocente deve morrer pelo povo, como fizeram os assassinos de Cristo. Então, talvez, voltaremos às definições da Igreja Católica e descobriremos que a Igreja, ao mesmo tempo que diz que é nossa tarefa trabalhar para a sociedade, também diz outras coisas que proíbem a injustiça individual. Ou novamente, soa muito piedoso dizer, “Nosso conflito moral deve terminar com a vitória do espiritual sobre o material.” Siga essa sugestão e você terminará com a loucura dos maniqueus, dizendo que um suicídio é bom porque é um sacrifício, que a perversão sexual é boa porque não produz vida, que o demônio fez o sol e a lua porque eles são materiais. Então, você pode começar a adivinhar a razão de o cristianismo insistir que há espíritos maus e bons; e que a matéria também pode ser sagrada, como na Encarnação ou na Missa, no sacramento do casamento e na ressurreição da carne.

Não há nenhuma outra mente institucional no mundo que está pronta a evitar que as mentes errem. O policial chega tarde, quando ele tentar evitar que os homens cometam erros. O médico chega tarde, pois ele apenas chega para examinar o louco, não para aconselhar o homem são a como não enlouquecer. E todas as outras seitas e escolas são inadequadas a esse propósito. E isso não é porque elas possam não conter uma verdade, mas precisamente porque cada uma delas contém uma verdade; e estão contentes por conter uma verdade. Nenhuma delas pretende conter a verdade.

A Igreja não está simplesmente armada contra as heresias do passado ou mesmo do presente, mas igualmente contra aquelas do futuro, que podem estar em exata oposição com as do presente. O catolicismo não é ritualismo; ele poderá estar lutando, no futuro, contra algum tipo de exagero ritualístico supersticioso e idólatra. O catolicismo não é ascetismo; ele, repetidamente no passado, reprimiu os exageros fanáticos e cruéis do ascetismo. O catolicismo não é mero misticismo; ele está agora mesmo defendendo a razão humana contra o mero misticismo dos pragmatistas. Assim, quando o mundo era puritano, no século XVII, a Igreja era acusada de exagerar a caridade a ponto da sofisticação, por fazer tudo fácil pela negligência confessional. Agora que o mundo não é puritano mas pagão, é a Igreja que está protestando contra a negligência da vestimenta e das maneiras pagãs. Ela está fazendo o que os puritanos desejariam fazer, quando isso fosse realmente desejável. Com toda a probabilidade, o melhor do protestantismo somente sobreviverá no catolicismo; e, nesse sentido, todos os católicos serão ainda puritanos quando todos os puritanos forem pagãos.

Assim, por exemplo, o catolicismo, num sentido pouco compreendido, fica fora de uma briga como aquela do darwinismo em Dayton. Ele fica fora porque permanece, em tudo, em torno dela, como uma casa que abarca duas peças de mobília que não combinam. Não é nada sectário dizer que ele está antes, depois e além de todas as coisas, em todas as direções. Ele é imparcial na briga entre fundamentalistas e a teoria da Origem das Espécies, porque ele se funda numa origem anterior àquela Origem; porque ele é mais fundamental que o Fundamentalismo. Ele sabe de onde veio a Bíblia. Ele também sabe aonde vão as teorias da Evolução. Ele sabe que houve muitos outros evangelhos além dos Quatro Evangelhos e que eles foram eliminados somente pela autoridade da Igreja Católica. Ele sabe que há muitas outras teorias da evolução além da de Darwin; e que a última será muito provavelmente eliminada pela ciência mais recente. Ele não aceita, convencionalmente, as conclusões da ciência, pela simples razão de que a ciência ainda não chegou a uma conclusão. Concluir é se calar; e o homem de ciência dificilmente se calará. Ele não acredita, convencionalmente, no que a Bíblia diz, pela simples razão de que a Bíblia não diz nada. Você não pode colocar um livro no banco das testemunhas e perguntar o que ele quer dizer. A própria controvérsia fundamentalista se destrói a si mesma. A Bíblia por si mesma não pode ser a base do acordo quando ela é a causa do desacordo; não pode ser a base comum dos cristãos quando alguns a tomam alegoricamente e outros literalmente. O católico se refere a algo que pode dizer alguma coisa, para a mente viva, consistente e contínua da qual tenho falado; a mais alta consciência do homem guiado por Deus.

Cresce a cada momento, para nós, a necessidade moral por tal mente imortal. Devemos ter alguma coisa que suportará os quatro cantos do mundo, enquanto fazemos nossos experimentos sociais ou construímos nossas Utopias. Por exemplo, devemos ter um acordo final, pelo menos em nome do truísmo da irmandade dos homens, que resista a alguma reação da brutalidade humana. Nada é mais provável, no momento presente, que a corrupção do governo representativo solte os ricos de todas as amarras e que eles pisoteiem todas as tradições com o mero orgulho pagão. Devemos ter todos os truísmos, em todos os lugares, reconhecidos como verdadeiros. Devemos evitar a mera reação e a temerosa repetição de velhos erros. Devemos fazer o mundo intelectual seguro para a democracia. Mas na condição da moderna anarquia mental, nem um nem outro ideal está seguro. Tal como os protestantes recorreram à Bíblia contra os padres e não perceberam que a Bíblia também podia ser questionada, assim também os republicanos recorreram ao povo contra os reis e não perceberam que o povo também podia ser desafiado. Não há fim para a dissolução das idéias, para a destruição de todos os testes da verdade, situação tornada possível desde que os homens abandonaram a tentativa de manter uma Verdade central e civilizada, de conter todas as verdades e identificar e refutar todos os erros. Desde então, cada grupo tem tomado uma verdade por vez e gastado tempo em torná-la uma mentira. Não temos tido nada, exceto movimentos; ou em outras palavras, monomanias. Mas a Igreja não é um movimento e sim um lugar de encontro, um lugar de encontro para todas as verdades do mundo.

Disponível em inglês em Why I am a Catholic?

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* Uma selvagem celebração da “liberdade”, da juventude e do excesso.

segunda-feira, julho 26th, 2010

Um dia depois da tragédia que matou 19 pessoas e deixou outras 342 feridas, o organizador da edição de 2010 da Love Parade na Alemanha, Rainer Schaller, anunciou, em entrevista coletiva, que um dos maiores eventos de música eletrônica do mundo nunca mais será realizado. O tumulto começou quando a polícia decidiu fechar uma das entradas do único acesso ao desfile — um túnel de 300 metros de extensão, que ligava o evento a uma antiga estação de trem, na cidade de Duisburg.( Jornal O Globo)

A foto acima mostra o “love parede”.

Esse acidente, lamentado pelo Papa, me fez refletir.

Claro que o acidente não tem nada a ver com o conteúdo do festival. No entanto, o evento, que foi cancelado de forma definitiva pelos seus organizadores, tráz à tona a realidade de parte da juventude desorientada e partidaria da “liberdade” absoluta que descobriu a face da morte e de sua presença mesmo no meio da “alegria” .

No acidente ela se manifestou de forma dramatica e intensa, mas não menos real na vida de quem faz do culto a sí, a seus desejos e na fuga da droga também culto à morte, buscada de forma inconsciente pela maioria mas de forma consciente por aqueles que perderam o sentido para a própria vida.

É lamentável e doloroso ver nossos queridos jovens morrerem assim, de forma dramática, com manchetes em jornais no mundo todo, porém ninguém noticiou antes deste dia que muitos deles já estavam mortos apesar da aparente vida e alegria.

***

Não é uma festa qualquer. Não é sequer um ‘rave party’ qualquer. Não a Love Parade não é coisa para corações tenros, para bailarinos do domingo, para freqüentadores de discotecas no fim de semana.

O comentário é de Ernesto Assante e publicado pelo jornal La Repubblica, 25-07-2010. A tradução é de Benno Dischinger.

Ernesto Assante é crítico de música do jornal italiano La Repubblica,

Eis o artigo.

A Love Parade é um sabá infernal, é a liberação dos sentidos, é a celebração do ritmo e a festa do corpo, é o party definitivo, sem limites, sem regras, sem fronteiras. Esqueçam  Woodstock e os seus quinhentos mil freak seduzidos a fumar erva e a sonhar em mudar o mundo na onda do rock. Bem-vindos ao novo milênio e ao circuito infernal do divertimento.

Nada de tudo aquilo que se viu e sentiu no mundo do espetáculo e do entretenimento é comparável à Love Parade que, a partir da metade dos anos noventa, subverteu definitivamente as regras dos eventos coletivos de massa. Na festa do amor tecno o volume é muito mais alto do que em qualquer concerto heavy metal, a quantidade de drogas e de álcool que é consumida é incalculável, e o todo é sustentado pelo incessante pulsar da música, tecno, ou quem sabe se queira defini-la como música para dançar até o exaurimento, até entrar em transe, deixando-se envolver pelo ritmo.

É o sambódromo da nova Era com os seus carros coloridos e os ‘sound system’ que emitem sons, com milhões de garotos e garotas que, em uníssono, se movem, saltam, urram, numa selvagem celebração da liberdade, da juventude, do excesso.

É a anulação da individualidade em favor de uma respiração e de um ritmo coletivo. É o abandono do pensamento, o cancelamento da palavra, a celebração do ritmo, em todas as suas formas, com toda a sua força.

É um mundo paralelo, sem progenitores, escolas, trabalho, obrigações; é a afirmação de um ”direito à festa” que a vida parece querer negar a uma geração que não tem muitos motivos para sonhar. Sexo, embalo, curtição, música, tudo é lícito, tudo é permitido, uma vez ao ano.

Mas, ao mesmo tempo é bom recordar que jamais aconteceu nada de grave nas muitas Love Parade no decurso dos anos, porque, não obstante as aparências, a subversão total das regras jamais previu nenhuma forma de violência. Incidentes como esses aconteceram antes, em outras ocasiões, e vem à mente a tragédia do Heysel, a gente se recorda dos mortos nos concertos dos Pearl Jam num outro grande encontro juvenil, o festival de Roskilde na Dinamarca nos anos noventa ou aqueles no concerto dos WhoCincinati dez anos antes.

Não, a Love Parade não é uma festa de morte, em suma, não estava escrito em parte alguma que devesse forçosamente acabar assim, não se morre nos estádios ou nos grandes concertos, somente porque a multidão é tão imensa.

Mas, a realidade é terrível, o drama está ante os olhos de todos.

Nesta manhã, em Duisburg, não ressoarão as notas da tecno, não haverá carros para celebrar o amor e a música, o mundo paralelo da Love Parade se desvanecerá entre lágrimas e dor.

Fonte: ddp

Antes da histeria, as pessoas se comprimem, e nada mais avança…

Fonte: Reuters

Quem consegue, depois de derrubar quem está na frente, sobe num poste de luz para se salvar…

Fonte: AFP

Outros saem correndo, fugindo do tunel.

Fonte: dpa

Depois do pânico massivo, os mortos são cobertos.

Fonte: dpa

Muitos feridos tiveram que ser reanimados.

Fonte: AP

O choro dos traumatizados pelo acontecido.

Fonte: AP

Luoto pelos mortos. Uma vela acesa por entre as cercas retorcidas.

Fonte: dpa

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* Para aqueles que preferem a escuridão, a luz é uma acusação.

sábado, julho 10th, 2010

 Vós sois a luz do mundo..

" Vós sois a luz do mundo.."

Uma reflexão sábia que questiona nossa capacidade de fazer diferença no mundo.

Impressiona-me a quantidade de pessoas que saem por aí a repetir conceitos e “verdades” sem fundamento em nada, a não ser em sua opinião pessoal elevada ao grau máximo de pretensão de que a verdade sempre deve coincidir com opinião dela e,  se não coincidir, a verdade, claro, está “errada”.

Não podemos nos omitir de fazer diferença no mundo, diferença para o bem porque já tem MUITA gente  fazendo diferença para o mal.

Continua verdade, ainda de maneira mais categórica ainda nos dias de hoje, o que Jesus afirmou sobre o sal que não salga e que, portanto, não serve para nada.

A omissão, seja de que natureza for, não é apenas um vazio, é também abrir espaço para que o mal pareça mais forte e para que as pessoas continuem caminhado pela vida seguindo a voz do mais forte ou, por falta de convicções pessoais, seguindo a maioria, como manada, como ovelhas sem pastor.

Nessa perspectiva, é preferível um ateu honesto do que um Cristão omisso.

Pelo menos o ateu,” filho do nada”, é coerente com suas convicções, ao passo que o cristão omisso, mas do que negar suas convicções nega sua essência e sua identidade evangelizadora mais profunda.

Deixa de ser sal,torna-se “insosso”, não serve mais para salgar o mundo.

***

Dan Kennedy, presidente de Human Life

Indivíduos e nações têm a capacidade de realizar grande bem e extremo mal. O mesmo ocorre com instituições e profissões.

É instrutivo que a história seja repleta de evidências de que respeitadas instituições culturais (por exemplo, o mundo acadêmico, os tribunais, os meios de comunicação, a ciência) possam se tornar infectados com a corrupção moral mais radical. No passado, elas “ratificaram” o mal — escravidão, genocídio e outras atrocidades — como “bom”.

As instituições culturais exercem uma influência poderosa umas nas outras e, quando se corrompem, aceleram o mundo político a aceitar o mal como bom. O desejo de agir conforme a moda faz com que muitas pessoas de bom grado sufoquem aquela vozinha baixa que protesta contra o mal que se mascara como totalmente bom.

Toda nossa geração vive a beira da história, e só um tolo creria que sua geração é imune aos males do passado. E assim permanece. “Nunca mais” é, em si, nunca bom o suficiente. A própria ostentação da condenação e o distanciamento elaborado de nossas vidas da injustiça do passado pensamos que garante nossa inocência.

Mas o mal muda seu disfarce; a injustiça aparece em diferente forma. De novo, o mundo político se torna infectado com cegueira para com seus próprios campos de massacres.E assim é em nossa época.

Certas instituições culturais, comercializando em sua autoridade, aprovam o mal moral radical como “bom”. Em verdadeiro estilo elitista, elas travam guerra contra a humanidade sancionando o aborto como a solução para a gravidez não planejada, a eugenia como meio de filtrar uma porção de doenças (por exemplo, filtrando aqueles que as sofrem) e a eutanásia como um tratamento compassivo para o sofrimento no final da vida. Esses são os campos de massacres hoje. Esses são os males sancionados da moda em nossa época.

Escrito no coração

A verdade realmente nos liberta. Para parafrasear G.K. Chesterton: os princípios morais universais que transcendem os governos e a história humana são a única coisa que nos libertam de nos tornarmos escravos do favorecido mal de nossa era.

Esses princípios morais não são um mistério.

Certas verdades morais estão escritas no coração humano. Como o título inteligente de um dos livros do Professor J. Budziszewski deixa claro, há certas coisas que “não podemos saber”*, não importa quantas pessoas finjam conhecer.A história fornece testemunho inspirador dessas almas inflexíveis, livres da cegueira míope de sua era, que falaram e viveram esses princípios. E o mundo é melhor por isso.

Em nossa época, temos também de assumir essa luta. Sem essa contínua luta, a eventual negação de qualquer direito, de qualquer pessoa ou grupo, por qualquer motivo será imposta pelos fortes contra os fracos.

Não devemos permitir que o desejo de adaptação aos modismos sufoque a voz da consciência em nossa época. Precisamos dar testemunho da verdade com nossas palavras e nossas ações, seja qual for a circunstância em que nos achemos. Para a maioria de nós, isso não exige gestos magníficos, ou debate intenso, mas simples declarações de convicção, para nossas famílias, nossos colegas e nossos vizinhos.

Nossa responsabilidade como cidadãos tem de nos conduzir a informar nossas autoridades eleitas acerca de nossa posição sobre certas questões, e nosso voto pelos candidatos precisa refletir nossas convicções.

Em nosso trabalho voluntário, e as instituições beneficentes para as quais doamos, em mil pequenas maneiras podemos alimentar uma cultura da vida. Esse é o importante trabalho que somos chamados para fazer.Nós todos conhecemos o provérbio, é melhor acender uma vela do que praguejar a escuridão. Não é fácil.

Para aqueles que preferem a escuridão, a luz é uma acusação.

Se ousarmos acender uma vela e dispersar as sombras, seremos condenados como inimigos da liberdade e inimigos do “bem”. Esse é um pequeno sacrifício a se fazer ao defender o direito à vida dos membros desfavorecidos, fracos e vulneráveis da família humana.

O que a história registrará sobre nossa geração? O que as futuras gerações escreverão sobre nossa era depende de nós. Nas palavras de Winston Churchill, “Preparemo-nos pois para o nosso dever”. Podemos estar certos de que prevaleceremos. A luz ainda brilha na escuridão, e a escuridão não a venceu.*J. Budziszewski, What We Can’t Not Know, Spence Publishing

original em inglês: http://www.lifesite.net/ldn/viewonsite.html?articleid=10061405

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* Dez mil jovens equatorianos prometem castidade e fidelidade no casamento.

terça-feira, julho 6th, 2010
Jovens católicos equatorianos prometem castidade e fidelidade

Dez mil jovens equatorianos das cidades de Quito e Cuenca engajaram-se publicamente a ficarem castos até o casamento e, este uma vez realizado, a serem fiéis até a morte, informou a Agência da Igreja Católica Argentina ‒ AICA.

Amparo Medina, membro de Ação Provida, instituição organizadora do ato, os milhares de jovens ouviram “testemunhos sobre a indústria da morte, dos anticonceptivos, o aborto, a mentira do preservativo, as conseqüências da anticoncepção”.

Falaram mulheres que “nas portas de uma clínica de aborto com a ajuda de voluntárias de Provida, puderam ver o que é em verdade um aborto, receberam ajuda e disseram Sim à vida.

Os gritos de emoção dos jovens vendo as criancinhas salvas e sua felizes mães, foram um grande Sim à vida”, acrescentou.

“Voltaremos a repetir atos como este, pela vida de nossos filhos e de nossas famílias. Por um Equador livre do imperio da morte, da anticoncepção e do aborto”, concluiu Amparo Medina.

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* A ousadia da santidade em um mundo sedento de ‘liberdade’ e nostálgico de certezas e da verdade.

terça-feira, junho 29th, 2010

Carlos Alberto Di Franco – O Estado de S.Paulo

Paul Johnson é um dos grandes historiadores e intelectuais da atualidade. Colaborador da revista britânica The Spectator, seus textos são provocadores. Dono de uma cultura invejável e sinceridade afiada, Johnson não sucumbe aos clichês vazios. Em seu livro Os Heróis, destaca a importância das lideranças morais.

“Os heróis”, diz, “inspiram, motivam.Eles nos ajudam a distinguir o certo do errado e a compreender os méritos morais da nossa causa.” Os comentários de Johnson trazem à minha memória um texto que exerceu forte influência no rumo da minha vida: Amar o Mundo Apaixonadamente, homilia proferida por São Josemaría Escrivá, fundador do Opus Dei e primeiro grão-chanceler da Universidade de Navarra, durante missa celebrada no câmpus daquela prestigiosa instituição.

São Josemaría – cuja festa a Igreja celebrou no dia 26 de junho – foi um mestre na busca da santidade no trabalho profissional e nas atividades cotidianas. A Editora Quadrante, de São Paulo, acaba de lançar uma primorosa reedição da homilia.

Propunha, naquela homilia vibrante e carregada de ousadia, “materializar a vida espiritual”. Queria afastar os cristãos da tentação de “levar uma espécie de vida dupla: a vida interior, a vida de relação com Deus, por um lado; e, por outro, diferente e separada, a vida familiar, profissional e social, cheia de pequenas realidades terrenas”. O cristianismo encarnado nas realidades cotidianas: eis o miolo da proposta de São Josemaría. “Não pode haver uma vida dupla, não podemos ser esquizofrênicos, se queremos ser cristãos”, sublinha. E, numa advertência contra todas as manifestações de espiritualismo mal entendido e de beatice, afirma de modo taxativo: “Ou sabemos encontrar o Senhor na nossa vida de todos os dias, ou não o encontraremos nunca.”

“A vocação cristã consiste em transformar em poesia heroica a prosa de cada dia.” A vida, o trabalho, as relações sociais, tudo o que compõe o mosaico da nossa vida é matéria para ser santificada. São Josemaría, um santo alegre e otimista, olha a vida com uma lente extremamente positiva: “O mundo não é ruim, porque saiu das mãos de Deus.” O autêntico cristão não vive de costas para o mundo nem encara o seu tempo com inquietação ou nostalgia do passado. “Qualquer modo de evasão das honestas realidades diárias é para os homens e mulheres do mundo coisa oposta à vontade de Deus.” A luta do nosso tempo, com suas luzes e sombras, é sempre o desafio mais fascinante.

O pensamento de São Josemaría, apoiado numa visão transcendente da vida e, ao mesmo tempo, com os pés bem fincados na realidade material e cotidiana, consegue, de fato, captar plenamente a contextura humana e ética dos acontecimentos. Ele tem, no fundo, a terceira dimensão: a religiosa e ética – e só com esse foco é possível entender plenamente o mundo em que vivemos. Na verdade, o esgotamento do materialismo histórico e a crescente frustração do consumismo hedonista prenunciam uma mudança comportamental: o mundo está sedento de liberdade, mas nostálgico de certezas.

Articular verdade e liberdade é, talvez, um dos mais interessantes recados de São Josemaría. Insurge-se, vigorosamente, contra o clericalismo que se oculta na mentalidade de discurso único, na injusta dogmatização das coisas que são legitimamente opináveis. São Josemaría afirma que um cristão não deve “pensar ou dizer que desce do templo ao mundo para representar a Igreja” nem que “as suas soluções são as soluções católicas para aqueles problemas”. Por defender esse pluralismo sofreu incompreensões, até mesmo de algumas pessoas da Cúria Romana, que entendiam, por exemplo, que na Itália os católicos tinham o dever de votar no Partido da Democracia Cristã.

São Josemaría não deixa de enfatizar o valor insubstituível da liberdade – particularmente a liberdade de expressão e de pensamento – contra todas as formas de intolerância e sectarismo. Para ele, o pluralismo nas questões humanas não é algo que deve ser tolerado, mas, sim, amado e procurado.

A sua defesa da liberdade, no entanto, não fica num conceito descomprometido, mas mergulha na raiz existencial da liberdade: o amor – amor a Deus, amor aos homens, amor à verdade. Sua defesa da fé e da verdade não é, de fato, “antinada”, mas a favor de uma concepção da vida que não pretende dominar, mas, ao contrário, é uma proposta que convida a uma livre resposta de cada ser humano.

Seus ensinamentos se contrapõem a uma tendência cultural do nosso tempo: o empenho em confrontar verdade e liberdade.

Frequentemente, as convicções, mesmo quando livremente assumidas, recebem o estigma de fundamentalismo. Tenta-se impor, em nome da liberdade, o que poderíamos chamar de dogma do relativismo. Essa relativização da verdade não se manifesta apenas no campo das ideias. De fato, tem inúmeras consequências no conteúdo ético da informação.

A tese, por exemplo, de que é necessário ouvir os dois lados de uma mesma questão é irrepreensível; não há como discuti-la sem destruir os próprios fundamentos do jornalismo. Só que passou a ser usada para evitar a busca da verdade. A tendência a reduzir o jornalismo a um trabalho de simples transmissão de diversas versões oculta a falácia de que a captação da verdade dos fatos é uma quimera. E não é. O bom jornalismo é a busca apaixonada da verdade. O jornalismo de qualidade, verdadeiro e livre, está profundamente comprometido com a dignidade do ser humano e com uma perspectiva de serviço à sociedade.

A figura de São Josemaría Escrivá, o seu amor à verdade e a sua paixão pela liberdade tiveram grande influência em minha vida pessoal e profissional. Amar o Mundo Apaixonadamente não é apenas um texto moderno e forte. Sua mensagem, devidamente refletida, serve de poderosa alavanca para o exercício da nossa atividade profissional.

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* Babel dos direitos se transforma no direito do mais forte.

sábado, junho 26th, 2010
FALANDO SOBRE DIREITOS E DEVERES
Stefano Fontana afirma que chegou a época dos deveres

Stefano Fontana, diretor do Observatório Van Thuan, cujo objetivo é promover a doutrina social da Igreja no âmbito internacional, vê uma nova ameaça para os direitos humanos, o esquecimento dos deveres.

Fontana acaba de publicar com este motivo um livro em italiano cujo título é «Por uma política dos deveres depois do fracasso da estação dos direitos» («Per uma politica dei doveri dopo il fallimento della stagione dei diritti», editora Cantagalli).

Em uma entrevista publicada no site do Observatório, o autor explica por que é necessário passar da época dos direitos a uma nova etapa histórica na qual se leve em conta prioritariamente os deveres.

A primeira pergunta que vem à mente é como se pode afirmar que a época dos direitos deve acabar, quando resta tanto trabalho por fazer neste âmbito e quando hoje tanta gente é privada de seus direitos.

«É verdade que muitas pessoas no mundo não gozam nem sequer dos direitos humanos mais elementares — explica Stefano Fontana –, mas pergunto: não é porque outras pessoas no mundo aceleraram de tal maneira a corrida dos direitos de última geração transformando todo desejo em direito?»

Contudo, a Igreja há muito tempo se fez defensora dos direitos humanos.

Fontana replica que «não se trata de negar os direitos, ao contrário. Trata-se de compreender que sem os deveres, os direitos se voltam sobre si mesmos, se anulam mutuamente.

A babel dos direitos se transforma, no final, no direito só do mais forte. Os próprios direitos, para serem plenamente tais, devem aceitar a prioridade do dever com relação a eles. É este o verdadeiro modo de defender os direitos e a Igreja sempre o fez assim».

Contudo, surge o interrogante de por que falar de deveres ao invés de sublinhar a complementaridade de direitos e deveres.

Stefano Fontana reconhece que «a cada direito corresponde um dever e vice-versa» mas não é suficiente: «é fácil inventar artificialmente um dever como motivação de um direito. Na Itália, o direito ao aborto é contemplado em uma lei que parte do dever de acolher a vida. O direito à eutanásia se motiva no dever de não fazer sofrer. A complementaridade entre direitos e deveres é verdade, mas pode levar à manipulação ideológica. Verdadeiramente, é necessário voltar à prioridade do dever».

«O dever — declara — é um ‘estar à disposição’; pelo contrário, o direito é um ‘ter à disposição’. Por isso, o dever não procede de nós mesmos, mas vem de outro.»

«Então se trata de decidir se somos donos de nós mesmos e do ser, ou se nós mesmos e o ser nos foram dados como uma tarefa.»

«O pensamento moderno é da primeira opinião e, portanto, torna os direitos absolutos; eu sou da segunda opinião e, portanto, parto dos deveres, ou seja, de uma vocação, de uma tarefa que nos foi designada.»

«Nossa sociedade está morrendo de direitos — responde Fontana. O direito de produzir o homem em laboratório e, em geral, o direito de fazer está absolutizando a tecnologia, e se a tecnologia for a única em dar ordens, nós morremos. Os direitos nunca estabelecerão limites. O direito é um poder fazer. O limite vem do dever. Uma política dos deveres é uma política do sentido e do limite.»

«Penso — conclui o autor do livro — no fato de que temos muitas declarações universais dos direitos, mas nenhuma dos deveres.»

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* Andrea Bocelli: Minha mensagem não é apenas contra o aborto… mas a favor da vida.

sábado, junho 19th, 2010

Depois do êxito do vídeo no qual relata a história de como sua mãe desobedeceu aos conselhos médicos para acabar com sua vida porque detectaram uma deficiência física no ventre, o tenor Andrea Bocelli assinala que não quer que este seu testemunho seja considerado como “uma intervenção contra o aborto: com minhas convicções pessoais, de católico, não somente combato contra algo, combato por algo e estou a favor da vida”.

Em uma entrevista concedida ao jornalista Paolo Rodari do jornal Il Foglio da Itália, o tenor assinala que com o vídeo “quis ajudar, confortar as pessoas que se encontram em dificuldades e que em ocasiões só necessitam sentir que não estão abandonadas: a força da vida é perturbadora, mas é necessário ficar à escuta, abrir bem as orelhas” para acolhê-la.

Bocelli assinala logo, antes de contar como filmou o vídeo, que chamou muito a sua atenção o fato de que começaram a chegar ligações de todo o mundo, mais que o usual: “disse essas coisas há um ano e meio em uma vídeo-mensagem para o Padre Richard Frechette (padre Rick), um missionário que trabalha para os meninos do Haiti e mereceria, ele só, um livro inteiro: fiz um concerto, para ajudá-lo a construir a Casa dos Anjos e me pediu dizer umas palavras de esperança para as mães em dificuldades e escolhi contar a história do meu nascimento”.

“Eu o fiz contando a experiência pessoal da minha mãe sem sequer pedir permissão a ela, mas ela não me censurou, e eu tampouco estava preparado para todo este clamor que foi gerado com efeito retardado”, acrescenta no telefone enquanto esperava com sua familia o início do primeiro jogo da seleção italiana de futebol que empatou com o Paraguai em 1 a 1.

Na entrevista, Bocelli também relata como desde pequeno e quando jovem “era muito inquieto, bastante inconsciente: amava a velocidade” e que sentiu a música desde muito pequeno: “minha mãe me conta que eu chorava assim que escutava uma melodia, inclusive através da parede do quarto do hospital, girava em direção ao som e escutava encantado”.

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* Razão humana: antídoto contra relativismo e totalitarismo, afirma Papa.

quinta-feira, junho 17th, 2010

São Tomás de Aquino.

São Tomás de Aquino.

A razão humana “é capaz de discernir a lei moral natural”. No entanto, quando se nega esta possibilidade, abra-se a porta ao relativismo e ao totalitarismo

O Papa Bento XVI quis dedicar sua segunda catequese sobre São Tomás de Aquino – após o parêntese da viagem apostólica a Chipre – a aprofundar em uma das maiores contribuições do santo à teologia e à cultura ocidentais, que é, segundo explicou, o ter separado a filosofia e a teologia, sem que uma negue a outra.

Com sua incorporação do pensamento de Aristóteles, frente ao sistema precedente baseado em Platão, São Tomás introduziu uma autonomia na razão, afirmando que, por si mesma, poderia chegar à existência de Deus – ainda que, sem a Revelação, este conhecimento seria insuficiente para chegar a Ele.

São Tomás, explicou o Papa, “estava firmemente convencido da compatibilidade” entre a filosofia de Aristóteles e a teologia. “Mais ainda, estava convencido de que a filosofia elaborada sem conhecimento de Cristo quase esperava a luz de Jesus para ser completa”.

“Esta foi a grande ‘surpresa’ de São Tomás, que determinou seu caminho de pensador. Mostrar essa independência entre filosofia e teologia e, ao mesmo tempo, sua recíproca racionalidade, foi a missão histórica do grande mestre.”

A diferença entre ambas é que “a razão acolhe uma verdade em virtude da sua evidência intrínseca, mediata ou imediata; a fé, no entanto, aceita uma verdade com base na autoridade da Palavra de Deus que se revela”.

Mas esta autonomia “não equivale à separação, e sim implica em uma colaboração recíproca e vantajosa”.

“Toda a história da teologia é, no fundo, o exercício deste empenho da inteligência, que mostra a inteligibilidade da fé, sua articulação e harmonia internas, sua racionabilidade e sua capacidade de promover o bem do homem.”

Lei natural

Uma das principais consequências desta relação entre a natureza e a graça, explicou o Papa, é precisamente que a razão “é capaz de discernir a lei moral natural”.

“A razão pode reconhecê-la considerando o que é bom fazer e o que é bom evitar para alcançar essa felicidade que está no coração de cada um e que implica também em uma responsabilidade com relação aos demais e, por conseguinte, à busca do bem comum.”

Neste sentido, afirmou, a graça divina “acompanha, sustenta e conduz o compromisso ético, mas, em si mesmos, segundo São Tomás, todos os homens, crentes ou não, estão chamados a reconhecer as exigências da natureza humana expressas na lei natural e a inspirar-se nela na formulação de leis positivas, isto é, as formuladas pelas autoridades civis e políticas para regular a convivência humana”.

No entanto, “quando a lei natural e a responsabilidade que esta implica se negam, abre-se dramaticamente o caminho ao relativismo ético no âmbito individual e ao totalitarismo do Estado no âmbito político”.

Por isso, explicou, a doutrina da Igreja, com a contribuição de São Tomás, continua ensinando que “a defesa dos direitos universais do homem e a afirmação do valor absoluto da dignidade da pessoa postulam um fundamento”.

Citando a encíclica Evangelium vitae, de João Paulo II, o Papa recordou que ,“para bem do futuro da sociedade e do progresso de uma sã democracia, urge, pois, redescobrir a existência de valores humanos e morais essenciais e congênitos, que derivam da própria verdade do ser humano, e exprimem e tutelam a dignidade da pessoa”.

Por isso, convidou os fiéis a conhecerem a obra do Aquinate, seguindo as “indicações explícitas” do Concílio Vaticano II, no decreto Optatam totius, sobre a formação para o sacerdócio, e a declaração Gravissimumeducationis, que trata sobre a educação cristã.

“Não surpreende que a doutrina sobre a dignidade da pessoa, fundamental para o reconhecimento da inviolabilidade dos direitos do homem, tenha amadurecido em ambientes de pensamento que recolheram a herança de São Tomás de Aquino, que tinha um conceito altíssimo da criatura humana”, concluiu.

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* Atenção Jovens Católicos: Sejam reflexos da verdade!

terça-feira, junho 8th, 2010

George Weigel

George Weigel

O teólogo e escritor católico George Weigel convidou os universitários a apoiarem-se firmemente na lei natural com a finalidade realizar uma boa defesa da liberdade religiosa na sociedade atual.

O autor da biografia de João Paulo II fez este chamado na cerimônia de graduação, dia 16 de maio, da faculdade Thomas More de Artes Liberais, na qual foi condecorado com um doutorado honorário e pronunciou o discurso inaugural.

“Um dos grandes desafios da geração jovem de católicos será responder bem à defesa da liberdade religiosa plena”, disse Weigel.

“Esta defesa deve ser por sua vez cultural, com argumentos colocados de modo atraente e persuasivo, e política, em que os jovens católicos devem apresentar a verdade no por vezes difícil terreno da política pública”, assegurou.

“A convicção religiosa forma a comunidade e as comunidades formadas pela convicção religiosa devem ser livres, como comunidades e simplesmente como indivíduos, para criar argumentos e oferecer uma influência à vida pública.”

“Se o argumento moral religiosamente informado é excluído da praça pública norte-americana, a praça pública fica não apenas nua, mas se converte em antidemocrática e intolerante”, acrescentou.

Weigel afirmou que a liberdade religiosa no Estados Unidos foi ameaçada por ações tais como quando o Supremo Tribunal “erigiu um ‘direito ao aborto’ espúrio, como o direito que triunfa sobre todos os outros direitos”, e quando os legisladores “decidiram que estava entre as competências do Estado redefinir o matrimônio e obrigar outros a aceitar a redefinição mediante o uso do poder coercitivo do Estado”.

Ele acrescentou que “os direitos da consciência dos médicos, enfermeiras e outros profissionais da saúde católicos não são direitos de segunda classe, que podem ser superados por outras demandas de direitos; e qualquer Estado que deixa de reconhecer estes direitos de consciência inflige um grave prejuízo à liberdade religiosa corretamente entendida”.

“O mesmo pode e deve-se dizer sobre qualquer Estado que expulsa a Igreja Católica de certas modalidades de serviço social, porque a Igreja recusa aceitar que o Estado tenha competência para declarar como relações de ‘matrimônio’ aquelas que evidentemente não são matrimônios”, afirmou Weigel.

Ele urgiu aos jovens que defendam a liberdade religiosa usando uma “linguagem comum”, daqueles que estão fora da Igreja, ou da lei natural e das verdades da razão.

Para estas verdades, referiu-se a Thomas Jefferson quando escreveu sobre “direitos inalienáveis” na Declaração de Independência. Da mesma forma, acrescentou, Martin Luther King Jr., líder do movimento de direitos civis, apelou às mesmas verdades quando combatia a segregação racial.

O presidente da faculdade, William Fahey, também se dirigiu aos graduandos, recordando-lhes: “sejam conscientes do sinal da verdadeira cidadania: que não estejam dominados pelo orgulho, mas esquivem sempre da grandeza deste mundo e sejam reflexo da luz encarnada e, logo, da própria Luz”.

Zenit

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* A Fé tem mais certezas que a ciência?

segunda-feira, maio 31st, 2010

Para Mário Novello, físico do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, no Rio de Janeiro, a cosmologia virou, com frequência, “uma coisa trivial, simplesmente saber qual porcentagem de matéria dessa categoria ou daquela tem no Universo”.

Tão preocupante quanto isso, diz, é o esnobismo dos cientistas com a filosofia e a metafísica, que os impede de refletir sobre o que fazem. São apenas “técnicos extremamente competentes”.

Novello está lançando o livro “Do Big Bang ao Universo Eterno” (Zahar), que resume sua defesa da ideia de que o Big Bang não foi o começo de tudo. Segundo ele, essa interpretação está conquistando cada vez mais físicos.

A entrevista é de Ricardo Mioto e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 30-05-2010.

Eis a entrevista.

A ideia de um universo eterno está conquistando os físicos?

Ninguém tem dúvidas de que o Universo esteve muito condensado no passado. O problema foi a identificação daquele momento, em que começa a expansão, como o começo de tudo. Sou contra definir o Big Bang como o marco zero. Isso é contra a atitude científica. Mas o cenário está mudando. Entre os cientistas há uma tendência a aceitar que chegou o momento de ir além do Big Bang como o começo.

Mas, quando jovem, o sr. não era partidário do Big Bang como o começo de tudo?

Eu não era. Era uma questão de princípio. A ciência é a tentativa de explicar racionalmente tudo que existe. Eu sabia muito bem que a ideia de singularidade [a concentração de toda a massa do Universo em um único ponto que teria dado origem a tudo que se conhece] significava abdicar de fazer ciência ao longo de toda a história do Universo, significava dizer que a ciência tinha limite. Eu não podia aceitar isso.

Na minha época, havia uma visão global do que era atividade humana. Havia cadeira de filosofia, de sociologia, tínhamos contato com o mundo. Existe uma falta de fundamentos, hoje, do que é fazer ciência. Você pode ser um técnico extremamente competente, mas fora da área técnica pode ser um ignorante completo, sem saber o que está por trás do que você está fazendo na sua área.

Mas aparentemente a maioria dos físicos ainda discorda do sr. sobre o Big Bang…

Se você entrevista cem físicos, 98 dizem que o Big Bang é verdade e dois malucos dizem que não. É razoável que a mídia fique em dúvida. Primeiro você precisa ver quem são essas pessoas. Eu criei a cosmologia no Brasil, tive mais de 50 alunos de doutorado, você precisa ver que não sou um bobo. Mudanças são lentas. E você sabe que os cientistas são extremamente reacionários.

Ser minoria não incomoda?

Quando você faz ciência, você precisa dialogar com a natureza, e não com os seus colegas. Se o seu objetivo é ganhar uma bolsa, ganhar fama, ganhar prêmio, isso não é ciência. Pode ser no mundo em que a gente vive. Estou pouco me importando com a opinião dos outros. Mas isso não significa isolacionismo, porque publico em revistas científicas.

Mas o senhor já tem uma carreira estabelecida. Um doutorando não deveria se preocupar com os pares?

Não deveria. Se ele começa a se preocupar lá, vai se preocupar a vida toda. Hoje em dia a cosmologia virou uma coisa trivial, ridícula, simplesmente saber qual porcentagem de matéria dessa categoria ou daquela tem no Universo. Isso não tem interesse nenhum. Quando começa a entrar nesse estágio, é o momento de mudar.

É possível fazer com que os cientistas se preocupem menos com os pares?

Ainda não conseguimos controlar a vaidade. É um sistema todo de premiação, bolsa disso, prêmio Nobel, tudo valoriza o indivíduo. E dá impressão de que, se você não valoriza o indivíduo, ele não vai fazer nada. E o prazer em fazer as coisas? O Garrincha dava de dez a zero em qualquer um desses caras aí de hoje em dia. E morreu com dez mil réis no bolso.

Você vai dizer que o exemplo que eu estou dando é de um maluco, uma pessoa totalmente pirada, uma mentalidade que nunca saiu dos 12 anos de idade. Tudo bem, é um exemplo extremo. Mas mostra que algo se perdeu.

Mas a vaidade sempre existiu, não?

Sim, claro, sempre existiu. Nem estou dizendo que o sistema, antigamente, era diferente. O que estou querendo dizer é que a razão pela qual Newton fazia aquilo não tinha nada ver com a razão pela qual um bolsista faz as coisas hoje em dia.

No caso do Big Bang, há expectativa de que alguma observação possa dar mais respostas sobre a sua legitimidade como marco zero?

Sim. Já foi lançado o satélite Planck. Ele, nos próximos anos, poderá ajudar a dizer, observacionalmente, se houve uma fase anterior ao colapso. Existe uma possibilidade de que o Universo esteja se acelerando. Ela surgiu de uns dez anos para cá. Isso não bate com as previsões do Big Bang como singularidade, como começo de tudo. Se o Universo estiver se acelerando, então aquilo que sustentou durante mais de 25 ou 30 anos o Big Bang acabou.

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* Imperdivel testemunho: Sou agora Catolico!

sexta-feira, maio 28th, 2010

A maioria de vocês me conhece como um cristão protestante “de carteirinha”. Não tanto como um daqueles “crentes” típicos, isto é, moralista, fundamentalista (na pior acepção da palavra) e às vezes inconvenientemente proselitista. Sempre fui um cristão discreto (até demais…) ou mesmo tímido, mas essa discrição e essa timidez têm sido compensadas, nos últimos anos, por uma intensa participação em listas de discussão e em comunidades no Orkut. E essas minhas participações fizeram-me um evangélico razoavelmente conhecido na Internet, ou pelo menos em um grupo relativamente grande de amigos e conhecidos evangélicos. O fato de muitas pessoas me conhecerem — umas mais, outras menos — como um protestante atuante e “engajado” é o que me obriga, por uma questão de honestidade, a vir a público dar-lhes uma notícia que para muitos (talvez para a maioria) de vocês poderá ser decepcionante, revoltante até, mas que eu preciso comunicar, até por um dever para com a minha própria consciência e com Deus.

Sem mais delongas, quero lhes comunicar minha decisão de me tornar católico apostólico romano. Não se trata de uma decisão súbita, ao contrário, é fruto de um processo que se iniciou há pelo menos cinco anos.

Resumidamente, para quem não conhece, vou contar minha trajetória religiosa até aqui. Eu nasci numa família protestante. Meus pais eram — e são até hoje — membros da Igreja Presbiteriana do Brasil, igreja onde fui batizado e fiz profissão de fé. Durante boa parte da minha adolescência, freqüentei uma igreja pentecostal conservadora. Com a morte da dirigente dessa igreja (que era minha tia), os membros se dispersaram, e eu então me tornei membro da igreja batista, onde congreguei por cerca de 3 anos, de onde saí para freqüentar, por poucos meses, uma pequena comunidade evangélica no bairro de Botafogo. Então com 24 anos, ingressei na faculdade de filosofia, o que fez com que eu me afastasse da igreja (embora não de Deus) por certo período, durante o qual eu pude refletir criticamente sobre a minha experiência como cristão.

Ao fim do curso, escolhi como tema da minha monografia um pensador religioso chamado Søren Kierkegaard (1813-1855), que era luterano. O estudo do pensamento desse filósofo, que é considerado “o pai do existencialismo”, com sua perspectiva cristã ao mesmo tempo bíblica e original, reacendeu minha fé e eu então me tornei membro da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil. Mas, por causa da minha formação em filosofia (que continuou até o mestrado), desde que voltei a freqüentar a igreja (em 2002) eu sempre estive refletindo sobre a fé, sobre igreja (a fé institucionalizada) e sobre a religião em geral. Esse processo de reflexão, aliado ao princípio tipicamente protestante do “livre exame da Bíblia” (que alguns católicos chamam um tanto impropriamente de “livre interpretação”), levou-me a uma fé bastante subjetiva e racionalista (embora muitas vezes esse racionalismo se confundisse com fideísmo, certamente pela mania tipicamente racionalista de separar fé e razão). Esse subjetivismo e esse racionalismo por fim me levaram ao liberalismo teológico, não o liberalismo vulgar e irresponsável que muitos “teólogos” têm defendido hoje em dia, mas o liberalismo clássico.

Em outras palavras, embora eu reconhecesse a importância (e mesmo a imprescindibilidade) da Igreja e dos princípios básicos e tradicionais da fé cristã, passei a interpretar esses princípios de forma excessivamente racionalista (mais precisamente como “princípios morais”, ao modo de Kant), e essa postura fez com que minha fé se apagasse novamente (Obs.: não foi à toa que o liberalismo teológico nasceu e se desenvolveu em contexto luterano.). Mas, ao longo desse percurso, eu mantive uma “relação de amor e ódio” com o catolicismo. Essa relação começou praticamente junto com minha aproximação do luteranismo, visto que Lutero nunca rompeu totalmente com a igreja católica (ao contrário de Calvino, por exemplo), e que a igreja luterana conserva até hoje muito da liturgia e até da teologia católicas (particularmente no que diz respeito ao sacramento da Eucaristia ou Santa Ceia).

Por isso, à medida que eu me aproximava do catolicismo, conhecendo sua profundidade teológica e sua própria trajetória histórica (que indubitavelmente remonta a Cristo, aos Apóstolos e aos primórdios da Igreja cristã), minhas raízes protestantes enchiam-me de “ódio” por essa religião “idólatra”, por esse “cristianismo pervertido”, por esse “paganismo mal disfarçado”. E então eu me envolvia em inúmeras discussões com católicos, como que querendo, inconscientemente, convencer a mim mesmo de que o catolicismo estava errado e de que o protestantismo é que estava certo. Mas ao mesmo tempo em que eu ia tendo contato com o pensamento e com os consistentes argumentos católicos, eu ia constatando o subjetivismo e a mixórdia que infelizmente caracterizam o universo protestante, com suas incontáveis igrejas e profissões de fé, com as muitas variações entre um grupo protestante e outro. Como a doutrina de Cristo e dos Apóstolos poderia variar tanto? Como cada cristão poderia ter o direito de crer de acordo com o seu talante e de acordo com a sua própria interpretação (ou de acordo com a interpretação do fundador da sua igreja)? O subjetivismo e a variabilidade indicavam que alguma coisa estava errada, que a religião legada por Cristo e pelos Apóstolos haveria de ter permanecido incólume com o passar do tempo, sem estar sujeita ao arbítrio dos homens. E se há uma igreja que remonta a Cristo e aos Apóstolos, em que o subjetivismo simplesmente não existe, e onde uma autoridade visível (o Magistério) sempre foi e será responsável pela salvaguarda da fé, essa igreja só pode ser a igreja católica apostólica romana, essa igreja que não está sujeita às intempéries da história, nem aos modismos de cada época, nem aos gostos dos fregueses.

Ninguém pode negar que a história da Igreja Católica é manchada por episódios tristes, pela atuação de homens desonestos. Mas é necessário compreender que, se os homens da Igreja são pecadores, ela, em si mesmo considerada, é santa; é humana, mas também é divina. Seus membros são pecadores e humanos, mas a Igreja é santa e divina por causa da sua origem. E é precisamente esse o ponto em que o meu liberalismo teológico e minha atração pelo catolicismo se encontraram, como que numa encruzilhada. Se o meu liberalismo estivesse correto, isto é, se Jesus Cristo não fosse Deus em carne e osso (conforme ensina a fé cristã bíblica e tradicional), mas fosse apenas um mestre espiritual ou moral, então a questão sobre a igreja verdadeira perderia todo o sentido. Cada um poderia seguir individualmente o “mestre” Jesus, ter a sua própria “experiência” com ele, e isso bastaria.

Mas se, ao contrário, Jesus foi de fato Deus em forma humana (e esse é o cerne da fé cristã), então saber qual a Igreja que Ele (isto é, Deus em pessoa!) de fato fundou passa a ser uma questão crucial. E por mais que os protestantes se recusem a admitir, é histórica e logicamente inegável que essa Igreja é a Igreja católica, apostólica e romana, onde os sucessores dos Apóstolos foram incumbidos de preservar a doutrina revelada. E a verdade é que eu cansei de lutar contra as evidências, de lutar contra mim mesmo. Cansei de seguir simplesmente o meu próprio entendimento (Prov. 3,5), de ser pretensioso e orgulhoso ao ponto de achar que posso dispensar a experiência, o conhecimento e a autoridade daqueles que são os sucessores dos Apóstolos escolhidos por Cristo; que a minha compreensão da fé cristã é equivalente (quiçá superior!) à do Magistério; que a Igreja que Cristo fundou e cujo governo confiou aos Apóstolos (que evidentemente deveriam ter sucessores legítimos, visto que não poderiam viver eternamente!), e à qual prometeu acompanhar “até a consumação dos séculos” (Mt. 28,20), vagou perdida e equivocada por longos 1.500 anos, até que Lutero e os demais reformadores a “resgatassem”; enfim, cansei de lutar contra mim mesmo e contra Deus. (Obs.: talvez o meu liberalismo tenha sido uma última e desesperada tentativa de rechaçar o catolicismo, pois se Jesus não fosse Deus em forma de homem, então o catolicismo estava errado e eu não precisaria me preocupar mais com ele…)

Não estou aqui querendo julgar nenhum de vocês, nem poderia fazê-lo. Os que, dentre vocês, já são católicos, hão de me compreender e, presumo, de me felicitar. E os que são evangélicos eu espero que me compreendam da melhor forma possível, e que não se afastem de mim nem deixem de ser meus amigos por causa dessa minha decisão. Até porque não só por causa da minha origem protestante, mas também em consonância com o chamado da Igreja católica (particularmente na pessoa do atual Papa), vou continuar me empenhando no diálogo ecumênico, e talvez fazê-lo com mais dedicação ainda.

Finalmente, sei que estou correndo alguns riscos ao me expor dessa forma a tantas pessoas. Risco de ser incompreendido, de me tornar objeto de repulsa ou de chacota, e até de me transformar de amigo em inimigo. Mas eu simplesmente não poderia esconder dos amigos uma decisão de tal importância (a não ser que eu sumisse da Internet, trocasse os números dos telefones, enfim, desaparecesse, só para não ter que dar satisfações a ninguém…).

Há ainda várias razões pelas quais eu decidi me tornar católico. Uma delas é fato da Igreja católica ser o único porto efetivamente (e nãoaparentemente) seguro em meio ao relativismo filosófico, religioso e moral que grassa nos nossos dias.

Passei, então, a partir disso, a ter contatos com católicos no intuito de efetivar minha admissão na Igreja fundada por Cristo. Conversei com alguns leigos, tive direção espiritual com o Pe. Carlos Nogueira, LC, então diácono dos Legionários de Cristo, no Rio de Janeiro, e uma entrevista com o meu novo Bispo, D. Rafael Llano Cifuentes, da Diocese de Nova Friburgo, à qual pertenceria, uma vez convertido. Fui então, sendo preparado, para incorporar-me, externa, definitiva e formalmente, à única Igreja de Jesus, Nosso Senhor.

A partir de então, dediquei boa parte do meu tempo à formação doutrinária e um fortalecimento da amizade com Cristo, fazendo, inclusive, um extenso exame de consciência que me iria preparar à minha primeira Confissão geral de todos os meus pecados mortais. Confessei-os no dia 14 de dezembro de 2007, uma sexta-feira, dia penitencial por excelência (o que já se mostrou um sinal).

Minha confissão, embora árdua, foi uma bênção. Foi, acredito eu, como deveria ser: confessei meus pecados todos oralmente, o padre usou sua estola, ouviu atentamente a minha confissão, concedeu-me o perdão mediante a fórmula devida, e por fim prescreveu-me a penitência.. A certeza da reconciliação com Deus e com Sua Igreja, assim como a paz que advém dessa certeza, é algo inestimável! Louvado seja o santo nome do Senhor Jesus Cristo!

No dia 16 de dezembro de 2007, III Domingo do Advento, pela maravilhosa graça de Deus, por Sua infinita bondade e pela intercessão da Santíssima Virgem Maria, fui admitido na plena comunhão da Igreja Católica, por meio da Profissão de Fé e da Primeira Comunhão. A cerimônia, rigorosamente de acordo com o que determina o RICA (Ritual de Iniciação Cristã de Adultos), foi singela, como eu também esperava que fosse. A alegria de poder dizer publicamente “Creio e professo tudo o que a santa Igreja católica crê, ensina e anuncia como revelado por Deus” foi indescritível, e a experiência da Primeira Comunhão também ficará para sempre na minha memória.

Por quanto tempo eu andei errante, seguindo tão-somente aquilo que eu achava que era a verdade?! Por quanto tempo eu acreditei que tinha o direito de julgar tudo e todos com base em critérios eminentemente subjetivos, isto é, em critérios que me pareciam serrazoáveis?! Nos últimos tempos, esse subjetivismo havia me levado a uma fé fria, em pouco ou em nada diferente de um humanismo ou de uma moralidade de feitio kantiano, uma deplorável mistura de relativismo e liberalismo teológicos que eu tentava mitigar professando exteriormente uma fé conservadora da qual intimamente eu duvidava.

Mas algo em mim não deixava meu intelecto em paz, algo me dizia que aquele estado de indefinição, de permanente suspensão de qualquer juízo definitivo, não poderia ser aquilo que Deus planejou para mim. A verdade não poderia ser uma meta inatingível, nem algo que cada um pudesse ou devesse estabelecer de acordo com o seu próprio arbítrio. Algo me dizia que eu estava perdido em meio às minhas elucubrações, mas eu não tinha forças para sair daquela areia movediça em que eu mesmo me coloquei. Às vezes parecia que eu tentava fazer como o Barão de Munchausen, ou seja, tentava sair do atoleiro puxando eu mesmo o meu próprio cabelo… Mas eu sabia, havia tempos, que a verdade deveria ser buscada em algo maior do que eu, em algo que não dependesse do arbítrio de nenhum ser humano e que não estivesse sujeito às intempéries do tempo. Eu já sabia que a verdade só poderia ser encontrada na Igreja, isto é, naquela Igreja fundada pelo próprio Deus em carne e osso (Nosso Senhor Jesus Cristo!), cuja chefia Ele confiou aos Apóstolos e especialmente a Pedro, os quais, por causa dessa incumbência especialíssima, deveriam ter seus legítimos sucessores. Mas o meu orgulho e a minha presunção impediam-me de admitir essa verdade, e por isso meu intelecto ficava se debatendo, pois eu sabia que a verdade só pode ser encontrada num único lugar, nesse lugar onde todo intelecto pode, enfim, repousar, nesse verdadeiro porto seguro, onde fé e razão podem se entrelaçar perfeitamente, onde não há espaço para voluntarismos, nem para subjetivismos ou relativismos. Enfim, eu sabia que a verdade, a mais sublime verdade, só pode ser encontrada na una, santa, católica e apostólica Igreja de Cristo, que Ele prometeu jamais abandonar e sobre a qual Ele disse que as portas do inferno jamais prevalecerão. Mas eu insistia em me apegar à minha débil razão, em achar que aquela esperança desesperada que eu chamava de fé era o máximo que eu poderia alcançar, e preferia ficar com esse arremedo de fé a abdicar do meu “bom senso” em favor de algo maior. E foi nesse estado que a graça divina me alcançou, foi desse lamaçal que Deus me resgatou.

Hoje eu não tenho palavras para descrever a felicidade que o fato de estar na verdadeira Igreja tem me proporcionado. Tudo o que eu quero é agradecer a Deus todos os dias da minha vida por essa bênção e procurar conhecer mais e mais a fé católica apostólica. Sei que muitos podem e poderão achar que essa é só mais uma “fase”, que assim como eu passei por outras igrejas, passarei também pela católica… Mas só pensa isso quem não sabe (ou se esqueceu) que a Igreja Católica não é uma igreja como outra qualquer, não é uma “opção” válida entre outras igualmente válidas. Quem se converte à Igreja Católica, ou nela permanece, pensando que o catolicismo é uma “opção” dentre outras (em vez de ser a verdade plena e definitiva), não conhece a fé que professa. E em meu íntimo eu já sabia que ser católico é algo muito sério, e também por isso eu vinha adiando minha decisão, até que a graça de Deus suplantou o meu medo e meu orgulho, de modo que eu abracei a fé católica com plena consciência do que isso significa, com a consciência de que essa é uma decisão para a vida toda. Eu sabia que, no dia em que me convertesse ao catolicismo, seria de uma vez para sempre.

Que Deus me dê a graça de perseverar até o fim. Que Ele não permita jamais que eu volte a seguir o meu próprio entendimento (Pv. 3,5), que não me deixe cair nessa tentação (pois sou homem e por isso estarei sempre sujeito a cair). Que eu nunca me esqueça de que sem Deus eu nada sou e nada posso fazer.

Quero agradecer publicamente ao meu irmão e amigo Marcus Pimenta, que suportou por anos a fio a minha petulância e a minha teimosia, em intermináveis debates por e-mail. Jamais esquecerei sua paciência e sua generosidade, meu irmão!
Agradeço também ao meu amigo e irmão Robson, companheiro do bacharelado ao mestrado em filosofia (hoje ele é doutorando e professor com uma brilhante carreira pela frente), com quem tive o prazer de conversar muitas vezes e que tenho a certeza de que rezou por mim.

Agradeço também à equipe do site Veritatis Splendor, especialmente os irmãos Alessandro Lima, Alexandre Semedo (a quem devo desculpas pelo tom ríspido dos últimos e-mails, de alguns anos atrás!) e Rafael Vitola Brodbeck, com os quais tive o privilégio de debater e com quem muito aprendi (e continuo a aprender!).

Agradeço ainda ao estimado irmão Marcelo Coelho, pela inestimável ajuda; ao prezado Yvan Eyer, com quem “briguei” muitas vezes pelo Orkut mas que também contribuiu, com sua inteligência e conhecimento, para esse passo tão importante; ao querido Joathas Bello, cristão exemplar e uma das pessoas mais íntegras e inteligentes que conheço; aos familiares e amigos da minha esposa em Belford Roxo (Baixada Fluminense), com quem tive (e espero continuar tendo!) a oportunidade de conhecer de perto o jeito católico de ser; e a todos os irmãos que, de uma forma ou de outra, me ajudaram e têm ajudado na caminhada até aqui. Que Deus abençoe grandemente todos vocês!

Enfim, agradeço à minha esposa, Osana, católica de berço, e que assim permaneceu até hoje. Ainda que não tenha influenciado diretamente no meu processo de conversão, ela certamente contribuiu com o seu comportamento, com sua simples presença ao meu lado, como que sempre a me lembrar da possibilidade de vir a me tornar católico. Também com ela eu comecei a aprender algo sobre o catolicismo, especialmente no que diz respeito à liturgia e ao calendário da Igreja. Com ela eu fui a várias missas, bem antes de me converter (missas nas quais a graça de Deus certamente já agia, ainda que silenciosamente). E com ela eu pude receber o meu primeiro sacramento católico, já que nos casamos na Igreja Católica.

Finalmente, quero agradecer a Deus Pai, Filho e Espírito Santo, a quem toda a honra e toda a glória são devidas, e à Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, pela maravilhosa intercessão em favor desse filho rebelde!

A todos, o meu cordial e fraterno abraço.

Marcos Monteiro Grillo


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* Papa Bento XVI: “Sua sabedoria humilha os intelectuais que vêem o Cristianismo como uma caveira à espera do enterrro”.

segunda-feira, maio 24th, 2010

Existe um caminho.

Existe um caminho.

Fonte: Dicta e contradicta

Um dos trechos instigantes da República, de Platão, é o final da alegoria da caverna. Nele, o filósofo prevê que o homem que volta à caverna, depois de ter visto a realidade de fora, poderia não ser entendido pelos que continuaram na escuridão. Estes considerariam que não valeria a pena sair da caverna, e talvez até tentassem matar aquele que os procurava libertar das ilusões. Esse ódio contra quem vê além é, infelizmente, recorrente na história da humanidade.

Recentemente, veio-me à cabeça que a previsão de Platão se confirma, no seu essencial, com o que ocorre em relação ao Papa e boa parte dos seus detratores. Detestam-no porque, de algum modo, percebem que ele é intelectualmente superior. Em outras palavras, o que parece incomodar muita gente em Bento XVI é que ele atingiu a sapiência. E justo ele: o homem que está à frente da Igreja Católica; aquele que, quando auxiliar direto de João Paulo II, era acusado de ser uma espécie de buldogue obscurantista da ortodoxia; a pessoa que denunciou a “ditadura do relativismo” (não conheço expressão mais sintética e precisa para caracterizar a nossa época)!

Quando digo que ele alcançou a sapiência, não falo apenas de erudição, mas de algo bem mais sério. Ele entendeu as coisas, é isso. E entendeu-as a fundo. Não basta estudar para alcançar esse estágio, não é suficiente ler o que o espírito humano produziu de melhor, não adianta meditar durante horas buscando uma iluminação… Em certo sentido, abrange isso e muito mais. Principalmente, exige uma vida moral reta, um desprendimento pleno de si mesmo – no fundo, o orgulho é o maior inimigo da verdade dentro de nós –, e uma inteligência profunda, ampla e meticulosa. E sobretudo contar com a ajuda da graça, pela qual é derramado o dom da sabedoria, essa conaturalidade com Deus através da caridade.

Acredito ser muito difícil conseguir juntar todas as qualidades necessárias para ser um autêntico sábio. Aliás, penso que isso pode ficar sem acontecer por gerações. Nos dias de hoje, não conheço outra pessoa que, como ele, possa dissertar sobre os mais variados assuntos com uma maestria, uma simplicidade e uma profundidade desconcertantes. O que se lê dele sempre traz algo surpreendente, um ângulo inesperado, uma clarificação deliciosa. E isso acontece em teologia dogmática, em ética, em filosofia, em literatura, em arte, em política…

A sabedoria de Bento XVI se manifesta na visão de conjunto que esclarece o sentido de cada uma das partes, dando a elas um colorido diferente e uma compreensão mais aguda. A extraordinária amplitude com que esse homem examina os acontecimentos não prejudica, antes aperfeiçoa, a apreensão do detalhe. Ele une primorosamente o generalista com o especialista. É um autêntico pensador, no sentido de que ilumina tudo o que estuda.

O Papa escreveu dezenas de livros e centenas de artigos. No Brasil, foi publicada uma parcela diminuta. Apesar da pequena quantidade, a qualidade é ótima. Introdução ao cristianismo, Edições Loyola, 2006, e Fé, verdade, tolerância, Instituto Raimundo Lúlio, 2007, são livros para ler e reler: valem mais do que milhares de páginas de outros autores que versam sobre os mesmos temas. Depois, Jesus de Nazaré, Editora Planeta, no qual mesmo a tradução deficiente não impede de perceber que ali está algo excepcional,  uma obra-prima (em breve virá o segundo volume dessa biografia, aguardado com ansiedade). O diálogo com o jornalista Peter Seewald, recolhido em O sal da terra, Imago, 2005, é surpreendente, inclusive duro em alguns momentos, pela clareza com que examina a situação do mundo e da Igreja.

Ao mesmo tempo que temos os livros, sugiro a leitura dos discursos, homilias e aulas de Bento XVI, frequentemente publicados no site do Vaticano. Acredito que não há nada melhor sendo produzido hoje em dia, ao menos que eu conheça. Os discursos para bispos, para o corpo diplomático, para grupos que o visitam, as aulas em seminários, os diálogos com jovens, sacerdotes, crianças e pensadores, tudo isso é um tonificante intelectual e espiritual de primeira ordem.

Apenas como aperitivo, cito um trecho – um exemplo dentre centenas possíveis – de sua homilia da última Quinta-feira Santa: “A vida verdadeira é que Te conheçam a Ti – Deus – e o teu Enviado, Jesus Cristo. Com surpresa nossa, é-nos dito que vida é conhecimento. Isto significa antes de mais nada: vida é relação. Ninguém recebe a vida de si mesmo e só para si mesmo. Recebemo-la do outro, na relação com o outro. Se é uma relação na verdade e no amor, um dar e receber, a mesma dá plenitude à vida, torna-a bela. (…) Na filosofia grega, já existia a ideia de que o homem pode encontrar uma vida eterna, se se agarrar àquilo que é indestrutível – à verdade que é eterna. Deveria, por assim dizer, encher-se de verdade, para trazer em si a substância da eternidade. Mas, somente se a verdade for Pessoa, é que pode levar-me através da noite da morte”.

O trabalho que Bento XVI está realizando é de importância ímpar. Suas contribuições em relação à liturgia, ao ecumenismo e à preparação da Igreja para o futuro, para não dizer de outros temas, dificilmente podem ser sobreestimadas. Entretanto, as pessoas estão um pouco surdas ao que o Papa vem dizendo em virtude do barulho causado por fatos tristes e lamentáveis, diante dos quais esse gênio alemão agiu sempre de maneira exemplar, firme e sensata, como pouco a pouco vai sendo demonstrado de modo cabal. Todo esse ruído está fazendo com que se perca o fundamental: o que ele está nos indicando, as respostas intelectuais e espirituais que o homem de hoje procura, enfim, a luz que ele conseguiu atingir através da sapiência.

Com candura e gentileza, Bento XVI mostra que as respostas da Modernidade são insuficientes. Ele valoriza o que elas têm de positivo, não é um adversário, e sim alguém que deseja compartilhar com os outros as soluções mais ricas e abrangentes que sabe possuir. Isso humilha os intelectuais, que julgavam o cristianismo uma caveira à espera de ser enterrada e não admitem que nele possa haver tal vigor. E nada irrita tanto quanto mostrar que somos incompletos; preferimos estar rotundamente errados na grandeza, do que estar na mediocridade de quem “não chegou lá”. Por isso, não tenho esperança de que essas censuras injustas terminem tão cedo; se não o conseguirem atacar de uma maneira, descobrirão outra.

Não quero aqui esconder a verdade de algumas censuras a membros da Igreja, inclusive da hierarquia, porque não é disso que se trata. O que desejo ressaltar é que algo maravilhoso está ocorrendo, e as pessoas frequentemente não o percebem. Bento XVI está falando, e de modo sublime. Vale a pena escutá-lo, mesmo que seja para discordar dele; se isso for feito com educação e civilidade, que infelizmente não têm comparecido com a freqüência desejável no atual debate público, um grande bem virá para a inteligência e o coração dos homens.

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