Posts Tagged ‘Verdade’

* A Igreja não quer impor aos não crentes suas perspectivas, mas iluminar e despertar as consciências com a verdade.

domingo, março 7th, 2010

Resista a tentação de desanimar na leitura destre magnífico texto.

Imprima e leia com calma essa reflexão e veja que beleza de exposição.

Muito interessante.

Caso não entenda da primeira vez, leia uma outra vez, vale a pena.

****

Comunicar as próprias convicções – Ensaio de Ángel Rodríguez Luño

Num encontro para comunicadores que a Conferência Episcopal Italiana promoveu em Novembro de 2002, João Paulo II mencionava o fato de que “as rápidas transformações tecnológicas estão a determinar, sobretudo no campo da comunicação social, uma nova condição para a transmissão do saber, para a convivência entre os povos, para a formação dos estilos de vida e das mentalidades.

A comunicação gera cultura e a cultura transmite-se mediante a comunicação”. Esse nexo entre comunicação e cultura é uma das principais razões pelas quais o mundo da comunicação suscita grande atração entre aqueles que se interessam pela ética.

”As rápidas transformações tecnológicas estão a determinar, sobretudo no campo da comunicação social, uma nova condição para a transmissão do saber, para a convivência entre os povos e para a formação dos estilos de vida e das mentalidades” (1).

A adequada maturidade moral pessoal não é independente da comunicação e da cultura, que se expressa nos fins e estilos de vida socialmente aceites, nas leis, na celebração dos acontecimentos e personagens do passado que melhor correspondem à identidade moral de uma sociedade.

A cultura possui algumas leis próprias, pelo que as ideias – e os sentimentos que fomentam – têm uma consistência e um desenvolvimento bastante autónomo. É como se as ideias, quando passam ao plano da cultura e da comunicação, se separassem das inteligências que as produziram e começassem a ter uma vida própria, desenvolvendo-se com uma força que depende somente de si mesma. Uma força que depende da sua consistência objectiva e do seu dinamismo intrínseco, talvez diferente da intenção que tinham as pessoas que as puseram em circulação.

Por isso, todos os que desejam influenciar a vida social com o espírito do Evangelho devem estar atentos à íntima relação entre comunicação e cultura; se se deseja intervir positivamente na criação e transmissão de modos de vida e de visões do homem, é preciso atender à consistência e ao previsível desenvolvimento das ideias, mais do que à pretensa intenção das pessoas. Uma atitude polémica, uma resposta brilhante ou feroz podem fazer calar um adversário, mas se não se entende o que se expôs, nem se apreciou a consistência das suas ideias e as possíveis linhas de desenvolvimento que estas tinham, provavelmente não se colaborou no crescimento cultural nem mesmo se ofereceu uma alternativa cultural adequada; e assim, as ideias que foram rejeitadas, reduzindo ao silêncio quem as promoveu, continuarão a ter uma vida longa. Somente se se consegue fazer uma proposta que conserve e supere o que de bom e de verdadeiro havia nas ideias que se considera justo combater, é que se dará um influxo cultural real.

Verdade e liberdade

Em mais de uma ocasião, João Paulo II destacou que o conflito entre verdade e liberdade está presente em boa parte dos problemas que afectam a cultura do nosso tempo (2). A esse mesmo assunto se referiu Bento XVI com o conceito de relativismo (3). Diante das posições relativistas, tem-se a tentação de responder mostrando a sua contradição interna: quem considera que toda a verdade é relativa faz, na realidade, uma afirmação absoluta e, por isso, contradiz-se a si mesmo. Trata-se de uma crítica verdadeira, mas culturalmente pouco eficaz, porque não procura entender os pontos de apoio que sustentam os fundamentos relativistas, nem parece compreender a questão que tentam solucionar.

A partir de uma perspectiva ético-social, as posições relativistas têm o seu ponto de partida baseado no facto de que na sociedade atual existe uma pluralidade de projetos de vida e de concepções do bem, que parece propor uma disjuntiva: ou se renuncia à ideia de julgar os diferentes projectos de vida, ou há que abandonar o ideal ou o modus vivendi caracterizado pela tolerância.

Por outras palavras, um modo de vida tolerante requereria admitir que qualquer concepção de vida tem o mesmo valor ou, pelo menos, tem o mesmo direito de existir como qualquer das outras; se isto não se admite, cai-se num fundamentalismo ético e social.

O raciocínio é bastante enganador, mas apresenta-se com aparência de verdade por causa de um fato inegável, que constitui o seu ponto de apoio: ao longo da história e, inclusive, na atualidade, não faltou quem oprimisse violentamente a liberdade das pessoas e dos povos em nome da verdade. Por isso, para que a mensagem evangélica seja retamente entendida, torna-se necessário evitar qualquer palavra, raciocínio ou atitude que possa fazer pensar que um cristão coerente sacrifica a liberdade em nome da verdade. Se fosse dada esta impressão, ainda que involuntariamente, contribuir-se-ia para consolidar o pressuposto fundamental do relativismo: a ideia de que o amor à verdade e o amor à liberdade são incompatíveis, pelo menos na prática.

A comunicação de convicções cristãs e de conteúdos éticos necessita que seja demonstrada com obras, e não somente com palavras, que entre verdade e liberdade existe uma verdadeira harmonia; isto requer, por um lado, estar profundamente convencido do valor e do significado da liberdade pessoal. Mas, por outro, obriga a distinguir cuidadosamente o terreno ético do terreno político e jurídico. Em primeiro lugar, toda a chamada da autoridade se dirige à liberdade; em segundo lugar, o recurso à coação pode ser legítimo.

Ética e política

Nas questões éticas, a consciência abre-se à verdade, que tem um evidente poder normativo sobre as próprias decisões; está em jogo a relação da consciência pessoal com a concepção que se tem do bem humano, às vezes relacionado com princípios religiosos; por sua vez, o âmbito jurídico e político refere-se às relações entre pessoas ou entre pessoas e instituições, que – enquanto reguladas pelas leis – estão submetidas ao poder coactivo que o Estado e os seus representantes podem usar legitimamente.

Estes dois âmbitos – ético e político – estão muito relacionados, e muitas vezes têm um desenvolvimento paralelo. O homicídio intencional, por exemplo, tem ao mesmo tempo uma grave culpa moral e um crime que o Estado tem o dever de perseguir e punir. Mas ainda neste caso, os dois âmbitos apresentam diferenças significativas. Basta pensar, por exemplo, no perdão. Uma coisa é o perdão da culpa moral e outra, bem diferente, o perdão do crime: é desejável que os parentes da vítima de um homicídio perdoem cristãmente ao culpado, mas não seria admissível que o Estado seguisse sistematicamente uma política de impunidade do homicídio intencional. Afirmar o contrário seria um abuso ideológico ou uma grave ofensa contra o bem comum.

Neste tipo de diferença torna-se necessário distinguir o plano ético do plano político no que se refere aos princípios morais do Evangelho. Para evitar más interpretações, há que oferecer um fundamento ético às mensagens de tipo moral, explicitando que tal verdade não pretende impor-se mediante o uso do poder político de coação; isto é compatível com a existência, noutro tipo de verdades éticas, de uma dimensão ético-política ou ético-jurídica. Nestes casos, deverá ser oferecida, além disso, uma justificação política ou jurídica, ou seja, deverá ser demonstrado não somente que o comportamento em questão é moralmente equivocado, mas também que existem razões específicas pelas quais o Estado a tem que proibir e punir. Razões que não são idênticas às razões éticas, porque não é missão do Estado perseguir a culpa moral, mas promover e tutelar o bem comum, prevenindo e punindo aquelas condutas que o lesionam (que prejudicam a segurança pública, a liberdade e os direitos dos outros, as instituições de interesse social como a família, etc.).

Ética e Estado

Certamente, o Estado promulga, algumas vezes, leis injustas. Nesses casos, o cidadão de reta consciência deveria poder criticá-las com liberdade.

O Concílio Vaticano II afirmou com clareza o direito e o dever da Igreja de “dar o seu juízo moral, inclusive sobre matérias referentes à ordem política, quando o exijam os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas” (4).

Nestes casos, é importante saber dar à legislação equivocada uma resposta culturalmente eficaz. Não é uma tarefa fácil, porque é preciso ir além das contra-posições polémicas, sabendo assumir a parte de verdade da posição contrária. Quando em consciência se deve criticar uma atuação do Estado, requer-se a explicitação de uma fina sensibilidade pelos valores das instituições democráticas, sensibilidade que não se deveria deixar indefinida pelo fato, certamente muito doloroso, de que, numa determinada ação, uma instituição concreta se tenha comportado de modo injusto.

A firmeza nos princípios éticos deve ser – e parecer – compatível com a consciência de que a realização de bens pessoais e sociais num contexto histórico, geográfico e cultural determinado, se caracteriza por uma contingência parcialmente insuperável.

Em questões práticas, é frequente que não exista uma única solução possível. Inclusive nas decisões da Igreja relativas a coisas não necessárias, devem ser contingentes, precisamente porque se referem a uma realidade que depende muito das circunstâncias, que mudam com o passar do tempo; por isso, é necessário aprender a reconhecer que, nesse tipo de decisões, somente os princípios irrenunciáveis expressam o aspecto duradouro (5). Ninguém pode pretender, em questões temporais, impor dogmas, que não existem (6.). Com isto não se quer dizer que tudo neste mundo é contingente, acidental ou opinável; trata-se antes de perceber com clareza que nos assuntos humanos, também os outros podem ter razão: vêem a mesma questão que tu, mas dum ponto de vista diferente, com outra luz, com outra sombra, com outros contornos. – Somente na fé e na moral é que há um critério indiscutível: o da nossa Mãe a Igreja (7).

A autonomia das realidades temporais

No entanto, poderia ocorrer que a doutrina cristã sobre uma determinada matéria ético-social coincida com a que sustentam todos ou uma boa parte dos cidadãos que legitimamente militam num determinado partido político. Nestes casos, poderia originar-se – involuntariamente – uma situação delicada, porque poderia parecer que os cristãos ou inclusive a Igreja, ao proporem os seus ensinamentos, estão a apoiar uma determinada área política e não a apresentar unicamente a mensagem do Evangelho.

Esta confusão poderia motivar acusações de intromissão ou de falta de respeito para com o Estado; acusações que talvez sejam um simples pretexto político, ou inclusive mal intencionadas; mas o que se deve ter em conta quando se procura informar a cultura com o espírito do Evangelho, é esclarecer serenamente aquela aparência de verdade que podem conter estas condenações. Dois tipos de considerações são oportunas.

A primeira é que todos os cidadãos – também os que formam parte de um órgão legislativo ou de um partido político – têm o direito e o dever de apoiar as soluções que em consciência consideram úteis para o bem do próprio país, alegando – se for possível – as razões que justificam a sua convicção.

Cada um é livre para consultar livros especializados que considera fiáveis, ou de falar com quem entender; se um cidadão se pode inspirar em determinada teoria política ou económica, também pode apoiar-se na Doutrina Social da Igreja. As soluções políticas são medidas pelo seu valor intrínseco e pelas razões que as justificam. Questionar as fontes utilizadas por cada cidadão para formar as suas convicções seria uma falta de respeito à autonomia da consciência dos outros. É fácil ver que a radicalização de tal atitude levaria a conclusões absurdas: por exemplo, afirmar que o Estado, para reforçar o seu estado laical, deveria favorecer o que a Igreja condena, como a escravidão.

A segunda consideração oportuna é a necessidade de se ter uma ideia clara acerca da distinção existente entre a missão do Estado e a da Igreja. A este propósito, Bento XVI deu indicações muito úteis. A distinção entre o que é de César e o que é de Deus, com a consequente autonomia das realidades temporais, pertence à estrutura essencial do cristianismo (8). É tarefa do Estado interrogar-se sobre o modo de realizar a justiça concretamente aqui e agora; neste campo, a Doutrina Social da Igreja apresenta-se como uma ajuda, que “não pretende outorgar à Igreja um poder sobre o Estado. Tampouco quer impor aos que não compartilham da fé as suas próprias perspectivas e modos de comportamento” (9).

Tal doutrina argumenta com base na razão e no direito natural e reconhece que a construção de um justo ordenamento da vida social é uma tarefa política, que “não pode ser uma obrigação imediata da Igreja. Mas, como ao mesmo tempo é uma tarefa humana primária, a Igreja tem o dever de oferecer, mediante a purificação da razão e da formação ética, a sua contribuição específica, para que as exigências da justiça sejam compreensíveis e politicamente realizáveis.

A Igreja não pode, nem deve, empreender por conta própria a iniciativa política de fazer a sociedade o mais justa possível. Não pode, nem deve, substituir-se ao Estado. Mas também não pode, nem deve, ficar à margem na luta pela justiça. Deve inserir-se nela através da argumentação racional e deve despertar as forças espirituais, sem as quais a justiça, que sempre exige também renúncias, não pode afirmar-se nem prosperar” (10).

A realização da justiça é um ponto em que a fé e a política se aproximam. Por isso requer-se uma atenção cuidadosa para que ninguém, com boa vontade, possa pensar que a fé cristã se identifica com uma das partes políticas existentes na sociedade. Certamente, a fé cristã tem algo a dizer às diversas culturas políticas dos homens e dos povos; mas a fé pressupõe a liberdade e oferece-se à liberdade, que por ela se deve amar com as palavras e com as obras.

1 – João Paulo II, Discurso ao Congresso nacional italiano de agentes da cultura e da comunicação, 9-11-2002, n. 2.

2 – Cf. por exemplo: Litt. enc. Redemptor hominis, 4-03-1979, n. 12; Litt. enc. Centesimus annus, 1-05-1991, nn. 4, 17 y 46; Litt. enc. Veritatis splendor, 6-08-1993, nn. 34, 84, 87 y 88; Litt. enc. Fides et ratio, 14-09-1998, n. 90.

3 – Cf. por exemplo: Discurso ao Convênio diocesano promovido pela diocese de Roma sobre o tema “Família e comunidade cristã: formação da pessoa e transmissão da fé”, 7-6-2005; Discurso ao Corpo Diplomático acreditado diante da Santa Sé, 8-01-2007; Discurso a uma Delegação da “Académie des Sciences Morales et Politiques” de Paris, 10-02-2007; Discurso inaugural da V Conferência do Episcopado Latinoamericano, 13-5-2007.

4 – Conc. Vaticano II, Const. past. Gaudium et spes, n. 76.

5 – Cf. Bento XVI, Discurso aos Cardeais, Arcebispos, Bispos e Prelados superiores da Cúria Romana, 22-12-2005.

6 – Temas Actuais do Cristianismo, n. 77.

7 – Sulco, n. 275.

8 – Cf Bento XVI, Litt. enc. Deus caritas est, 25-12-2005, n. 28.

9 – Ibid.

10 – Ibid.

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* “Ladrões” da verdade e nossa omissão diante disso.

segunda-feira, fevereiro 22nd, 2010

“Na primeira noite eles se aproximam  roubam uma flor  do nosso jardim.

E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem:  pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada.

Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz, e,  conhecendo o nosso medo arranca-nos a voz da garganta…

E já não dizemos nada.”

(Eduardo Alves da Costa – No caminho com Maiakovsky)

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* Mundo estranho: Ele virou mulher.Ela não quer deixá-lo. No meio, o Filho!

domingo, fevereiro 21st, 2010

foto2

Reportagem da revista Época.

A britânica Andrea Fletcher sempre foi a feliz companheira do respeitado escritor e jornalista John Ozimek e mãe de Rafe, 5 anos. O parceiro sempre foi tudo que ela desejou: gentil, honesto, inteligente, pai dedicado – não só ao filho do casal, mas também às filhas do primeiro casamento de cada um deles, Natasha, de 16 anos, e Meg, da mesma idade.

Após o último Natal, porém, John apareceu com uma novidade: nunca foi feliz sendo homem. Quer ser uma mulher. E já tem um nome: Jane Fae.

Andrea foi pega de surpresa. Ficou confusa. Mas, com o tempo, de acordo com a matéria de hoje do Daily Mail, simplesmente aceitou a mudança. “Ele pode continuar sendo o que sempre foi. E eu continuo a amar essa pessoa, não importa se é homem ou mulher”, afirmou. Andrea já comprou roupas de mulher para John…digo, Jane, e também um perfume feminino.

foto1

Ela conta que durante um bom tempo o companheiro andou distante e calado e ela sabia que ele tinha algo a dizer. “Pensei que ele me contaria que tinha alguma doença horrível ou que iria nos abandonar. Mas, no fim, era isso. Confesso que até fiquei aliviada”, disse Andrea. “Não vou abandonar minha alma gêmea”, garantiu, na entrevista.

O menino Rafe estranhou o pai vestido de mulher. “Por que papai está usando uma saia?”, questionou. A mãe explicou: “Alguns pais vestem saias se assim desejarem”. O menino aceitou a explicação. Mas continua chamando “Jane” de pai. “E é o que ele é para Rafe”, diz Andrea.

Na rua, o casal já enfrenta o preconceito geral. “Duas moças passaram por nós no supermercado e começaram a rir da aparência de John. Fiquei com muita raiva e gritei para elas: pelo menos não são feias e gordas como vocês! Elas calaram a boca”, conta Andréa.

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* Bispo espanhol pede a jornalistas católicos que não ocultem sua fé

segunda-feira, fevereiro 15th, 2010
O Arcebispo de Sevilha, Dom Juan José Asenjo, pediu aos jornalistas católicos serem testemunhas da verdade e não envergonhar-se nem ocultar sua identidade cristã, especialmente no âmbito público.

Durante uma Missa presidida no convento das Irmãs Salesas com motivo do padroeiro dos jornalistas, São Francisco de Sales, e que se convoca em colaboração com a Associação da Imprensa de Sevilha (APS); Dom Asenjo pediu aos jornalistas que sejam “testemunhas da verdade no exercício de sua profissão”, e que não se esqueçam dos mais pobres e necessitados.

Dirigindo-se aos profissionais católicos, Dom Asenjo pediu que “não ocultem sua fé por medo”, e destacou o direito à presença dos católicos com naturalidade em todos os âmbitos da vida pública, entre eles os meios de comunicação.

“A Igreja está muito relacionada com vocês… e quer ser amiga dos meios e dos jornalistas, não quer tele-predicadores, mas tampouco que (estes) escondam sua fé”, destacou.

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* “Se Deus não existe, tudo é Permitido?”

quinta-feira, fevereiro 11th, 2010

Daniel Martins

Mais lenha acaba de ser adicionada à fogueira acesa por Dostoievski: seria verdade que, se Deus não existe, tudo é permitido?

Essa semana uma cientista finlandesa e um americano publicaram um artigo comentando diversos estudos sobre psicologia moral e religião, argumentando que é que a moralidade é independente (e anterior) à religiosidade

(Pyysiäinen, I., & Hauser, M. (2010). The origins of religion:evolved adaptation or by-product? Trends in Cognitive Sciences).

Até os ratos sabem o que é certo – existe um senso de cooperação, que é um dos componentes da ética, em animais muitíssimo anteriores na escala evolutiva, que não têm qualquer esboço de religiosidade (a não ser que O guia do mochileiro das galáxias seja não-ficção). Logo, me parece evidente que elementos cognitivos nos trazem um senso de certo e errado muito antes de haver crenças religiosas.

No entanto, não é possível a um observador (tentanto ser) neutro negar outro fato:  desde a Grécia antiga já vigia como parâmetro ético a Regra de ouro, ”não faça para os outros o que não gostaria que fizessem para você”, regra presente com diferentes formulações nas mais diversas culturas.

O advento do cristianismo, contudo, elevou o patamar moral ao transformar o princípio que era passivo – não fazer algo – em ativo: faça para os outros o bem, independente de seus méritos (“ama o teu inimigo”).

Muitos não entendem que “amar” não significa gostar ou ter apreço (o que tornaria essa máxima puro non sense)  mas quer dizer trabalhar ativamente para o bem de todos, independente dos seus méritos. Tal princípio foi de tal forma enraizado na cultura ocidental que mesmo os que buscam uma ética ateia não podem prescindir deste aspecto pró-ativo da moral.

Ou seja, a mim me parece claro que moralidade, lato sensu, é anterior à religião, fincada evolutivamente em nosso cérebro dadas as vantagens de sobrevivência grupal que nos trouxe. A nossa moral coletiva, no entanto,  nosso senso ético,  já não é separável da influência religiosa, sejamos crentes ou não.

***

Talvez sem saber, a pesquisa citada confirma aquilo que sempre soubemos.

O Homem é constitucionalmente aberto à transcedência e aos valores éticos, à moral, mesmo que nem sempre esse homem histórico se identificasse com os valores da fé cristã, surgidos a pouco mais de 2 mil anos.

Essa  suposta descoberta em nada, se for verdade, muda nossas certezas de que o chamado do Homem para Deus e para a verdade é intrínseco a ele e de que seu senso natural religioso e ético confirma essa vocação para algo além dele mesmo.

Mesmo ferido pelo pecado o homem intui que a vida é muito mais do que aquilo que os olhos veem e que a moralidade, mesmo a pagã, possui sementes do verbo e indica o caminho da redenção definitiva operada por Jesus!”

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* A Crise da Igreja Protestante e a autofagia.

quarta-feira, fevereiro 10th, 2010

Tudo começou com ele... Lutero.

Tudo começou com ele... Lutero.

Leia até o fim. O artigo é excelente!!
***
Daniel Solano de Oliviera

A Igreja Está Deixando de Ser Sal “Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens.” (Palavras de Jesus, em Mateus 5.13.)

George Barna é um dos principais pesquisadores cristãos que analisam as tendências da sociedade e da igreja. Ele faz um alerta muito preocupante para todos nós: Estamos enfrentando uma crise que se agrava cada vez mais, e se a igreja não se posicionar com firmeza contra as atuais tendências do mundo, que estão presentes também dentro da própria igreja, acabaremos sucumbindo.

“Quando a maioria dos cristãos adultos [...] e também três em cada quatro adolescentes ou jovens convertidos têm orgulho de se declarar adeptos do relativismo moral, então é sinal de que a igreja se encontra em sérias dificuldades”, afirma ele.

Numa pesquisa realizada em janeiro de 2000, portanto, antes do ataque terrorista contra os Estados Unidos, fizeram esta pergunta aos entrevistados: “Você crê que existem valores morais absolutos, isto é, que nunca mudam, não importando as circunstâncias, ou você acha que os valores morais sempre dependem da situação, ou seja, que as decisões de natureza moral e ética de alguém irão depender das circunstâncias?” Nessa época, início de 2000, quatro entre dez adultos (38%) responderam que existem verdades morais absolutas. Numa pesquisa recente, porém, apenas dois em cada dez adultos (22%) afirmaram que crêem na existência de valores morais absolutos.

O relatório de George Barna, elaborado pelo Barna Research Group (Grupo Barna de Pesquisas), demonstrou que, entre todos os adultos entrevistados, apenas 22% criam que há valores morais absolutos, ao passo que 64% acreditavam que esses valores são sempre relativos, podendo variar conforme o indivíduo e a situação em que ele se encontrar.

Entre os que se declararam convertidos, apenas 32% afirmaram crer que haja valores morais absolutos. Entre os adultos hispânicos, 15% disseram crer na existência desses valores absolutos; entre os adultos afro-americanos, 10%. Na faixa dos adolescentes e jovens, as estatísticas são igualmente desanimadoras: 83% de todos os jovens entrevistados criam que os valores morais podem variar conforme as circunstâncias, contra apenas 6% que acreditavam que esses valores são absolutos.

George Barna observa que “o fato de essa pedra angular da fé cristã – isto é, uma série de princípios morais que Deus nos transmitiu por meio da Bíblia e que devem ser o alicerce do nosso modo de pensar e agir, independentemente de preferências, sentimentos ou situações pessoais – ter quase desaparecido é, provavelmente, o maior indício do enfraquecimento da fé cristã na igreja da América do Norte nos dias de hoje”.

Analisando bem a situação, vemos que a igreja não tem se alicerçado na Palavra, e, portanto, quase não se nota diferença entre a igreja como um todo e a sociedade secular.

Desse modo, torna-se inviável para a igreja difundir o evangelho nos Estados Unidos, a fim de que venha a ser uma nação cristã, e mais difícil ainda será para ela fazê-lo em outros países.

Segundo o relatório do Grupo Barna, se há algum avivamento ocorrendo neste instante, está muito bem escondido: “Parece-nos que em nenhum lugar dos Estados Unidos está havendo algum avivamento. Sejam quais forem os critérios de verificação disso – freqüência aos cultos, a condição de convertido ou a exatidão teológica –, as estatísticas não indicam absolutamente nenhum movimento de avivamento digno de nota”. (“Estudos anuais mostram que os Estados Unidos se encontram estagnados espiritualmente” – Grupo Barna). Isso comprova o que muitos vêm afirmando há tempos: só o que há são grupos de crentes que vão migrando de igreja em igreja, em busca do “novo mover” espiritual que vai surgindo nesta ou naquela congregação. Isso demonstra também que muitos desses crentes estão sempre “se convertendo” de novo, sucessivas vezes, o que mostra que ainda não entenderam de fato a mensagem do evangelho.

Certamente o cristianismo que hoje se pratica nos Estados Unidos não tem sido muito edificante para outras nações. O que temos “exportado” para elas é a nossa suposta fé e um “evangelho da prosperidade”. Contudo, essa distorção que tem marcado o nosso modo de ser como igreja está causando danos internos também, advindos da abertura e da importância que temos dado a cultos “experimentais”, ou seja, cultos de operação de milagres e curas, cultos de libertação, etc. Ao reagir contra a rigidez da ortodoxia, muitos acabaram substituindo-a, na maior parte, por verdadeiros shows carismáticos, carregados de emocionalismo, que atraem as pessoas com sinais e prodígios pré-programados. Porém, não lhes oferecem nenhum alimento espiritual consistente de fato, o que só pode ocorrer por meio do ensino da Palavra de Deus. E esse problema tem nos atingido gravemente.

Hoje em dia, já não se sabe mais o que realmente é a fé nem a teologia; já não se conhecem as doutrinas básicas do cristianismo. As pesquisas nesse âmbito mostram isso com clareza, abordando também a questão do crescimento da igreja (falaremos disso no final deste artigo). Vemos que Satanás tem sido bem-sucedido na tarefa de substituir ou enfraquecer as antigas doutrinas fundamentais da Palavra de Deus, que antes mantinham a igreja na prática da verdade. Esse é um dos motivos pelos quais as igrejas de hoje não conseguem preservar a verdade da Palavra de Deus, pois trocaram a verdade por várias atividades de entretenimento que têm pouca ou nenhuma consistência.

Os programas evangélicos veiculados na televisão são responsáveis pela propagação de ensinamentos efêmeros, tão ineficazes quanto um curativo num dente gravemente infeccionado. Quanto aos livros, a maioria apresenta o mesmo conteúdo. Os pregadores da TV que foram influenciados por conferencistas tornaram-se modelo para muitos pastores, que simplesmente reproduzem o que ouvem deles. Vemos, então, que a história bíblica revela uma certa ironia: repetimos a história porque não a conhecemos. O profeta Jeremias diz: “Voltaram as costas para mim e não o rosto; embora eu os tenha ensinado vez após vez, não quiseram ouvir-me nem aceitaram a correção” (Jr 32.33 – NVI). Isso que Deus disse a Israel certamente se aplica também à igreja atual. Estamos reproduzindo, hoje, a conduta de Israel no passado.

O apologista cristão Josh McDowell trabalha com jovens e adolescentes em diversos países. Para ele, “os jovens de hoje fazem um enorme esforço para encontrar uma verdade duradoura” (trecho de artigo publicado no Hawaii Pacific Baptist). Ele afirma ainda o seguinte: “Setenta e cinco por cento dos jovens que vêm a Cristo atualmente não o fazem por estarem convictos de que Jesus é ‘o caminho, a verdade e a vida’. Na realidade, têm se aproximado de Cristo porque, até o momento, considerando tudo que têm vivido e experimentado, não encontraram nenhuma alternativa melhor. Porém, quando depararem com algo que acharem mais atraente, deixarão Jesus”.

McDowell diz que o maior desafio que a igreja evangélica do século XXI enfrenta é transmitir a verdade do evangelho em meio a uma cultura em que se alega que todos os conceitos relativos à verdade são igualmente válidos.

Mencionando uma pesquisa feita em 1999, segundo a qual 65% dos jovens disseram que não há como determinar qual é a religião verdadeira, McDowell diz que, para a mentalidade vigente na cultura de hoje, a definição de verdade depende do “ponto de vista pessoal” e da “experiência individual”.

Um dos exemplos que ele cita é este: “Muitos jovens evangélicos de hoje dizem que a Bíblia é verdadeira e tem exatidão histórica, afirmando que crêem nisso. Contudo, tal ‘crença’ é inconsistente, pois se baseia na opinião pessoal, e não na percepção de que existe uma verdade-padrão objetiva que transcende a toda opinião pessoal”.

Essa pesquisa de 1999 mostrou que 52% dos “jovens evangélicos membros de igrejas acreditam que a única maneira racional de viver consiste em tomar decisões da melhor forma que pudermos com base naquilo que estivermos sentindo no momento”. O relatório do Grupo Barna diz o mesmo: “As pessoas estão mais propensas a tomar decisões de natureza moral e ética com base naquilo que sentirem que é correto ou adequado – seja o que for – numa situação específica” (fevereiro de 2002).

Se a igreja não é capaz de orientar e ensinar seus jovens, então está numa situação dramática. E esse é o ponto inicial do problema todo. Uma edição passada do Pulpit Helps publicou os resultados de uma pesquisa de opinião em que se entrevistaram 7.441 pastores protestantes. Destes, 51% dos metodistas, 35% dos presbiterianos, 30% dos episcopais e 33% dos batistas afirmaram que não criam na ressurreição corpórea de Jesus. Isso é aterrador! Como é possível que estejam pastoreando igrejas? Esse tipo de resposta revela que, no fundo, eles não crêem na Bíblia nem dirigem a própria vida conforme os preceitos dela. Assim, ela não passa de um livro de bons conselhos, um manual de auto-aperfeiçoamento, ou, para alguns, um guia para alcançar o sucesso nesta vida.

Perguntou-se também a esses 7.441 pastores se criam na inerrância e na inspiração divina da Palavra de Deus, e o resultado foi este: 87% dos metodistas, 95% dos episcopais, 82% dos presbiterianos e 67% dos batistas disseram que “Não” (Pulpit Helps, dezembro de 1987).

O leitor acha que a situação melhorou desde essa época?

Mesmo não crendo nas doutrinas cristãs essenciais, pastores como esses continuam ministrando e pregando sua incredulidade. E a igreja segue os passos dos líderes. Tais ensinos saem da boca dos liberais que falam do púlpito e influenciam os membros das congregações. Hoje os ataques às doutrinas da divindade de Cristo, da Trindade, da concepção virginal e da inspiração divina da Bíblia nem sempre provêm de fora da igreja, mas de dentro. E nós, como igreja, precisamos saber responder com convicção a esses questionamentos. Como se diz, “ou somos um povo missionário ou somos um campo missionário”. Quem não crê que a Bíblia é, objetivamente, a expressão da verdade absoluta, não se converteu de fato e não é seguidor de Cristo. E se essa pessoa for um ministro, certamente o melhor a fazer é deixar de ensinar, abandonar o púlpito e dedicar-se a outra atividade, pois assim poupará a congregação e a si mesmo do juízo de Deus.

Sempre que ouvimos supostos eruditos dizerem que o Antigo Testamento é apenas um misto de mitos, lendas e história real que foi sendo criado no decurso de um longo tempo, podemos ter certeza de que se trata de liberais falando. Quando algum erudito nos diz que não devemos considerar a Bíblia um registro histórico, negando que o jardim do Éden tenha realmente existido e sido habitado por um casal que deu origem a toda a humanidade, e chamando isso de “alegoria”, então sabemos que estamos diante do liberalismo. Quando dizem que o livro de Jó é apenas um antigo relato folclórico; que o livro de Isaías foi escrito por dois ou três autores; que a época em que se escreveu o livro de Daniel é incompatível com os fatos narrados nele; que a história de Jonas é apenas uma lenda, pois é impossível que um ser humano que tenha sido engolido por uma baleia (ou um “grande peixe”) seja expelido vivo depois de três dias – todas essas afirmações provêm do liberalismo. O mesmo podemos dizer das alegações de que os Evangelhos foram escritos somente depois da morte dos apóstolos e que o cristianismo atual é, portanto, algo que Paulo inventou.

E qual é o objetivo de todas essas asseverações liberalistas? Bom, primeiro, os liberais procuram desqualificar a Bíblia, tentando desacreditá-la, pois, se a história de Adão e Eva não é verdadeira, então, tanto Moisés como Jesus são mentirosos. Com base nisso, poderão construir argumentos para um ataque direto ao evangelho. Dirão que, como a história sobre o jardim do Éden e a queda do homem não é verdadeira, então não temos pecado, e o evangelho não é o único caminho que leva a Deus. Em seguida, o próprio Jesus será alvo de ataque: Por que deveríamos acreditar que ele é o Filho unigênito de Deus se ele reafirmou como verdadeiros os relatos de Gênesis, que seriam apenas lendas?

O mundo já aceita a idéia de que Jesus foi um bom homem e um grande mestre, mas rejeita a sua afirmação de que era o próprio Deus encarnado, e, portanto, o nosso único Salvador. Se o que ele afirmou sobre si mesmo não era verdade, então ele caíra no auto-engano e mentia intencionalmente; e, por isso, não estaríamos sendo honestos se ainda o considerássemos um bom homem! Mas, será que Jesus de fato se enganou ao dizer “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6)? Isso foi algum tipo de discurso separatista, de ódio? Quando falamos dessa verdade aos outros, e ela contraria a religião ou o ateísmo deles, dizem que essa afirmação carrega ódio, e não amor. Porém, e se Jesus tiver dito a verdade, e os milhões de indivíduos que testemunham isso, através da transformação que experimentaram na própria vida, estiverem vivendo mesmo em comunhão com Deus? Nesse caso, agir com ódio seria deixar de contar aos outros essa verdade!

Se esse processo continuar, em pouco tempo a igreja deixará de acreditar na divindade de Jesus, à medida que formos nos afastando cada vez mais das doutrinas cristãs fundamentais. Então o evangelho cairá em descrédito, pois, se Jesus não era divino, perde o status de Filho unigênito de Deus. Na seqüência, a doutrina do pecado da humanidade cairá por terra, e então já se poderá ver aonde toda essa argumentação liberalista pretende chegar: afirmarão que a Bíblia não é a Palavra de Deus.

Se o leitor achar que é impossível que isso aconteça, analise com atenção este relatório de George Gallup. Em 1963, de cada três pessoas, duas acreditavam que a Bíblia é a verdadeira Palavra de Deus. Ligada a essa convicção, estava a de que os relatos bíblicos são inerrantes e infalíveis. Contudo, até 1999, os números haviam se invertido: de cada três pessoas, duas consideravam a Bíblia um livro composto de textos “divinamente inspirados” ou fábulas antigas, lendas humanas e códigos morais registrados pelo homem (George Gallup e D. Lindsay. Surveying the American Religious Landscape: Trends in U.S. Beliefs [Pesquisando o panorama religioso norte-americano: as tendências da fé nos Estados Unidos], Morehouse Publishing, 1999). A convicção quanto à inerrância da Bíblia também caiu de 58% para 41% nesse período.

Assim, lê-se a Bíblia como se fosse um livro de bons conselhos, que apresenta um padrão ético e moral mais elevado, que pode ser útil para melhorar a qualidade de vida do indivíduo.

O número de adultos norte-americanos que se identificam com o cristianismo e podem ser considerados cristãos caiu de 86% em 1990 para 77% em 2001. (Conforme dados do estudo ARIS – American Religious Identification Survey [pesquisa de identificação religiosa nos Estados Unidos], realizado entre fevereiro e abril de 2001.)

Segundo o relato de Diana Eck, professora de Religião Comparada, da Universidade de Harvard, 76,5% (159 milhões) da população norte-americana se declara cristã (fonte: http://www.religioustolerance.org/christ.htm). Isso representa uma grande queda percentual, considerando-se os 86,2% em 1990. A identificação com o cristianismo perdeu 9,7 pontos percentuais em 11 anos, o equivalente a 0,9% ao ano. Se essa tendência se mantiver, por volta de 2042 haverá mais não-cristãos do que cristãos nos Estados Unidos. (Diana Eck, A New Religious America: How a “Christian Country” Has Become the World’s Most Religiously Diverse Nation [A nova América religiosa: como um “país cristão” se tornou o país de maior diversidade religiosa do mundo], 2001).

Se o cristianismo se encontra em declínio, é claro que algo está preenchendo o espaço deixado por ele.

Alguns vêem os Estados Unidos como um país que está se diversificando mais no aspecto religioso; outros crêem que está se voltando para o paganismo. Ambos os grupos têm boas razões para seu modo de pensar. A religião que apresenta o maior crescimento percentual é a Wicca [nome moderno que foi dado à bruxaria]. De 8.000 adeptos em 1990, saltou para 134.000 em 2001, e tem dobrado numericamente a cada dois anos e meio, em média. (Fonte: American Religious Identification Survey – levantamento realizado pelo Centro de Pós-Graduação da Universidade da Cidade de Nova York.) Sem dúvida, livros  e filmes como Harry Potter têm prestado ótimos serviços de publicidade para a Wicca, ajudando-a a dar esse salto quantitativo de mais de 1.500%.

Conforme relatos dos pesquisadores do Seminário Hartford, o número de locais de culto dos muçulmanos aumentou em 42% entre 1990 e 2000, ao passo que a quantidade de igrejas evangélicas teve um aumento de apenas 12%, em média.

O crescimento maior ocorreu apenas nas “megaigrejas”: 83% registrou um aumento de pelo menos 10% na freqüência aos cultos, seguidas pelas mesquitas, das quais 60% apresentou aumento semelhante de freqüência. Somente 39% das congregações evangélicas teve aumento semelhante. (Fonte: Pesquisa do Hartford’s Faith Communities Today sobre as congregações norte-americanas.) Isso deve nos fazer considerar o fato de que, nos últimos 8 anos, têm surgido mais mesquitas do que igrejas cristãs na Inglaterra, e o mesmo deverá acontecer a seguir na América do Norte.

É preciso refletir sobre a nossa realidade. Hoje, não podemos sequer pronunciar o nome de Jesus nas escolas públicas, mas, enquanto isso, na Califórnia, estão ensinando o Islã aos alunos; nas escolas de lá, os estudantes aprendem a orar a Alá. Em Byron, Califórnia, os alunos têm de freqüentar um curso intensivo de três semanas sobre o Islã. Nesse curso, são obrigados a aprender as doutrinas islâmicas, a estudar os grandes nomes do islamismo e a usar as vestimentas dessa religião. Têm também de adotar um nome islâmico e encenar as suas próprias jihads (guerras santas).

Eu, pessoalmente, não vou permitir que nenhum resultado de pesquisas determine o que acontecerá; não deixarei me convencer de que não há esperança para o futuro. Entretanto, temos de levar a sério o fato de que as conclusões das pesquisas são um sinal de alerta com relação ao momento que estamos vivenciando. Se mergulharmos de cabeça, ainda há tempo de nos recuperarmos das perdas, pois, apesar do risco de quebrarmos o pescoço, ainda não nos chocamos contra o fundo das águas.

E o que podemos fazer? Bem, vamos desligar a TV na hora desses programas “evangélicos”. Vamos parar de perder tempo com toda essa tolice e começar a ensinar nossas crianças, adolescentes e jovens a ler a Bíblia como se deve; a estudá-la garimpando os tesouros contidos em suas páginas. “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes” (1 Tm 4.16). Vamos começar a obedecer à grande comissão, discipulando os amigos e a família na Palavra de Deus.

Os jovens precisam ver o nosso exemplo para segui-lo. Precisamos levá-los a pensar nas coisas espirituais, afastando-os dos absurdos que se dizem, sobretudo nos programas televisivos “cristãos”, e levando-os ao verdadeiro sentido das Escrituras e à prática da fé genuína. Isso é muito sério. Se não agirmos logo, “remindo o tempo” que nos resta, aqueles que não crêem que a Bíblia é a verdade absoluta acabarão influenciando a nossa juventude para o mal. Precisamos nos preparar para conhecer e rebater os argumentos dessa gente. Se não o fizermos, a geração que virá estará perdida. E, quando nos despertarmos, para nossa tristeza como igreja, teremos nos distanciado totalmente da verdadeira fé, constatando que a trocaram por alguma outra religião, ou, talvez, pela total ausência de religião.

Enfim, é como a Bíblia nos alerta: “Portai-vos com sabedoria para com os que são de fora; aproveitai as oportunidades. A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um” (Cl 4.5,6). Portanto, vamos nos preparar para pregar o evangelho e fazer discípulos, de tal forma que demonstremos que o cristianismo é, para todos, o verdadeiro caminho racional para a fé.

***
Percebe-se nessa excelente análise, que a igreja protestante
norte americana (e aqui no Brasil, seria diferente? ) vive um processo de autofagia e paga o preço de ter sua base de sustenção eminentemente subjetiva.

Mesmo as sagradas escrituras-referência objetiva e primeira dos protestantes- paga o preço da manipulação interpretativa  de cada crente,  que os leva pra lá e pra cá, como  constata o próprio artigo quando afirma:65% dos jovens disseram que não há como determinar qual é a religião verdadeira,(..) para a mentalidade vigente na cultura de hoje, a definição de verdade depende do “ponto de vista pessoal” e da “experiência individual”.

À medida que ia lendo esse artigo ia me lembrando de nossa Igreja e lamentando o fato do preconceito e a desonestidade intelectual- infelizmente- impedir que muitos irmãos evangélicos encontrem na Igreja  historicamente fundada por Jesus Cristo a resposta do que procuram com comovente sinceridade.

O  artigo, citando o apologista cristão Josh McDowell, referenda isso ao afirmar: “os jovens de hoje fazem um enorme esforço para encontrar uma verdade duradoura”.

Tomara que na busca sincera da verdade duradoura eles encontrem logo a resposta que nós  – por pura misericordia-já  encontramos.

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* São necessários jornalistas cristãos nos meios de comunicação.

sábado, janeiro 30th, 2010

Entrevista com o cardeal Carlos Amigo Vallejo

Por Gilberto Hernández- El Observador

24 de janeiro foi dia de São Francisco de Sales, santo padroeiro dos jornalistas. Na mensagem do Papa que guia a reflexão da Jornada Mundial das Comunicações Sociais – divulgada nesse dia –, o Papa Bento XVI propôs refletir sobre “O sacerdote e a pastoral no mundo digital”.

Nesse contexto, o cardeal Carlos Amigo Vallejo, OFM, arcebispo emérito de Sevilla, conversou  sobre o tema dos meios de comunicação, particularmente sobre o jornalista católico e sua importância para a Igreja.

Falamos do jornalista sem adjetivos. Qual diagnóstico tem do que se faz hoje em dia?

–Cardeal Amigo: Não é fácil fazer um diagnóstico, e não só pela diversidade e variedade, sim pela mensagem heterogênea que se quer fazer chegar. No geral, pode-se dizer que o grande mérito do jornalismo atual é ter de se desenvolver com liberdade em meio de muitas condições ideológicas, empresariais, políticas, de grupos de pressão… No entanto, não deixa de se notar certa subserviência à ideologia, ao desejo de ganância e de controle político, às rivalidades e conflitos entre grupos. O que conduz que a verdade apareça de uma maneira parcial e o sensacionalismo distorça os fatos.

A Igreja, com sua mensagem de novidade do Evangelho, suas ações a favor dos pobres, testemunho de amor e esperança, não parece atrativa para os meios de comunicação; maximizam-se as notas que acarretam o descrédito. O que o senhor tem a dizer sobre essa situação, o tratamento da Igreja pelos meios de comunicação?

–Cardeal Amigo: Estamos diante de dois extremos. Por um lado, a vida e a atividade da Igreja é desconhecida. Mas, por outro, surpreende que aqueles meios que se declaram abertamente defensores da desaparição do religioso na vida pública e social são aqueles que mais tempo dedicam às notícias referidas à Igreja, sempre, como era de se esperar, com uma versão interessadamente negativa.

O tratamento que estes meios dão, por exemplo, às intervenções do Santo Padre, são marcadas pelo preconceito e pelo desejo de desqualificação de Bento XVI. As palavras são tiradas do contexto e, certamente, ninguém leu o texto original dado pelo Santo Padre, nem teve nenhum cuidado em analisá-lo corretamente. Com ocasião ou sem ela, deve ser dito que o Papa está errado.

–Parece adequada a batalha travada pelos meios de comunicação católicos no esforço de levar o Evangelho, a voz do Papa e dos pastores?

–Cardeal Amigo: Não somente isso me parece adequado, mas sim necessário e até imprescindível. Em primeiro lugar, com um sentido de ajuda ao conhecimento da verdade, a formação de critérios objetivos, a difusão da mensagem de Cristo e a voz do Magistério da Igreja, sobre tudo a do Santo Padre.

O jornalismo católico pode ser uma verdadeira consciência crítica, o que é muito positivo e ajuda a conhecer a busca da verdade objetiva. Agora, não esperemos que uma atitude tão nobre vá passar desapercebida. Os obstáculos, a ridicularização e o interesse por silenciar a voz da Igreja e de seus meios aparecerá em seguida.

A quem deve se dirigir esse esforço de comunicação: ao interior da Igreja ou fora dela, ao mundo laico?

–Cardeal Amigo: Tem-se de levar a todos os ambientes. Os media são muito diferentes, desde as modestas folhas paroquiais até as grandes redes de comunicação. A Igreja tem de chegar a todos. Não é fácil. Mas são muitos os exemplos que podemos dizer, que está se tornando plausível uma tentativa de atingir os mais diversos ambientes públicos e sociais.

Podemos falar realmente de um jornalismo católico? Quais características deve ter?

–Cardeal Amigo: Dizia um famoso comunicador, que foi o cardeal Herrera Oria, que um jornal católico tinha de ser primeiro um bom jornal, ou seja, um meio de comunicação bom sob o ponto de vista técnico. Isso significa levar a notícia de forma objetiva e fiél à Doutrina Social da Igreja na argumentação.

As características da atuação do católico nos meios de comunicação seriam as que, em mais de uma ocasião, expressa o Magistério da Igreja: informação verdadeira, respeito às leis morais, ter em mente a que as pessoa e a comunidade são o fim e a medida do uso dos meios de comunicação social.

Na sua opinião qual deve ser o perfil de um autêntico comunicador católico?

–Cardeal Amigo: Se o jornalista se confessa católico, essa condição não deve limitar a liberdade de expressão e o direito à informação, e sim deve ser uma garantia de profissionalismo.

São necessários cristãos profissionais nos media, e também meios de comunicação própios para poder dizer nossa palavra em uma sociedade democrática, aberta e pluralista. Ao mesmo tempo que se pensa dessa forma, nem sempre existe um autêntico interesse por levar adiante essa missão. E mais, não é encontrado o apoio necessário para levar adiante esse trabalho apostólico. Os fiéis contribuem generosamente a manter as obras caritativas e assistenciais que realiza a Igreja. Mas não há consciência de que a Igreja também tem de pregar o Evangelho através dos diferentes meios de comunicação.

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* Cristianismo, Modernidade e Autonomia.

sexta-feira, janeiro 29th, 2010

Entrevista com o filósofo francês Rémi Brague

IHU On-Line – O senhor afirma que vários dos grandes slogans do projeto moderno vêm de Paulo. Que slogans seriam esses?

Rémi Brague – Eu pensava na idéia segundo a qual a humanidade, chegada à idade adulta, já não necessitaria mais de preceptores (Gálatas 3, 25; 4, 2-3). Tal concepção está na base da idéia moderna de emancipação. Eu também penso na idéia de autonomia, no sentido etimológico do termo: ser sua própria lei, obedecendo à própria consciência (Romanos 2, 14). Penso, enfim, na imagem de um esquecimento do passado compensado por uma tensão de todo ser para frente (Filipenses 3, 13). Chesterton  dizia que os tempos modernos estavam infestados de “virtudes cristãs tornadas loucas”. Temos algo de análogo com essas idéias paulinas.

IHU On-Line – Alguns autores muçulmanos acusam Paulo de ter corrompido a mensagem de Jesus. Qual é a base desta afirmação e o que o senhor pensa a respeito?

Rémi Brague – O problema do islã é que seu livro fundamental, o Corão, contém afirmações que não estão na Bíblia. O Antigo e Novo Testamentos confundidos até contradizem a Bíblia. O islã resolve essa questão dizendo que a Bíblia foi corrompida. Moisés teria recebido a Tora, e Jesus, o Evangelho (no singular!). O conteúdo destes livros seria, em grandes linhas, o mesmo do Corão, e anunciaria a vinda de Maomé. Mas a Tora e o Evangelho teriam, em seguida, sido traficados.

Por quem? O Corão diz que os judeus tomam Uzayr pelo filho de Deus (IX, 30). Às vezes, se entendeu este nome obscuro como designando Esdras, pretenso corruptor da Tora. Tornar Paulo responsável por uma corrupção da mensagem de Jesus é uma invenção bastante recente, tomada dos judeus cristãos dos inícios da era cristã e dos quais alguns grupos teriam talvez durado até a conquista árabe no século VII. Encontra-se esta idéia, por exemplo, em Nietzsche,  que a havia tomado de certas correntes da exegese protestante de seu tempo. Os muçulmanos assumem certas hipóteses da ciência bíblica cristã para criticar o cristianismo, de onde provém esta idéia sobre Paulo.

Não há nenhuma “mensagem de Jesus” que Paulo teria deformado. Falar, assim, é ainda situar-se do ponto de vista muçulmano. Jesus não traz uma “mensagem”, mas sim sua própria pessoa divina e humana. Ele é uma pessoa que fala, certamente, e diz coisas extraordinárias, além de curar os doentes e nutrir as multidões. E, sobretudo, realiza tudo como se fosse o próprio Deus que estaria em seu lugar: perdoar os pecados, expulsar os demônios etc. Trata-se de um evento que foi perturbador para os Doze e que derrubou Paulo no caminho de Damasco. Paulo difundiu sobre o evento da vida de Jesus uma interpretação determinada, que ele recebera dos Doze. Ele só transmite o que recebeu (1 Coríntios 11, 23-26).

IHU On-Line – O senhor afirma que a Europa está doente e que há uma crise de valores em curso. Que tipo de cristianismo emerge deste cenário?

Rémi Brague – Que a Europa esteja doente parece-me claro. Um continente inteiro que não renova suas gerações não pode estar em boa saúde. Mas eu espero não ter jamais falado de “valores”. Se há crise, não se trata de uma crise dos pretendidos “valores”. Falar de “valores” já é fomentar a crise. Com efeito, um valor é aquilo que eu decido que isto está bem. Por isso, posso mudar de valores a meu bel-prazer, como se penduram lampiões e depois se retiram para substituí-los por outros. Se sou eu que decido que tal ou tal bem tem um valor, eu também posso recusar-lhe de ter valor, se isso me serve.

E que, sobretudo não se fale de “valores cristãos”, como demasiados cristãos adquiriram o hábito de fazer. Como se houvesse valores cristãos, budistas, islâmicos ou mesmo leigos. O cristianismo não defende nenhum bem que só seria bom para ele. Os dez mandamentos e a caridade são bons, para todos os homens, sem exceção.

A crise mais fundamental é o ódio da vida. A humanidade está a ponto de realizar o sonho da filosofia moderna: fundamentar tudo sobre a liberdade. Concretamente, a busca da experiência humana, a continuação da vida humana sobre a terra depende cada vez mais da vontade do homem. Mas trata-se de perguntar por que precisamente este deveria obrigatoriamente escolher a vida. “Escolher a vida” é um conselho de Deus: “escolhei, pois, a vida, para que tu e tua posteridade vivam” (Deuteronômio 30, 19). Isso me pareceu há muito tempo uma evidência, pois, enfim, quem escolheria a morte? Eu me enganava. Somos disso perfeitamente capazes. O cristianismo que teria alguma chance de sair disso seria, talvez, justamente um cristianismo que se vinculasse ao Cristo, e não a “valores”.

IHU On-Line – Pensando na afirmação de Bérgson,  de que “a democracia é de essência evangélica”, as bases igualitárias propostas por esse sistema político, tal como conhecemos hoje nas sociedades ocidentais, podem ser creditadas a Paulo em função do universalismo que propõe?

Rémi Brague – Sim, a idéia de igualdade de todos os seres humanos, homens ou mulheres, livres ou escravos, judeus e pagãos diante de Deus é uma idéia de Paulo. Ele retoma sucessivamente os grandes desníveis do mundo antigo, tanto grego como judeu, para recusar-lhes toda outra pertinência além da puramente funcional. A “democracia” grega se fundava na superioridade dos homens sobre as mulheres, dos gregos em relação aos bárbaros, e sobre a exclusão dos escravos da vida pública. O judeu piedoso, de seu lado, agradece a Deus todas as manhãs por não tê-lo feito mulher, escravo ou pagão.

No entanto, é preciso não esquecer que o próprio Paulo se enraíza numa tradição bem mais antiga. O Antigo Testamento é, em todo o caso, o único livro que nos legou a Antigüidade, no qual se encontra uma crítica da instituição monárquica (1 Samuel 8, 11-17), e não somente de tal ou tal rei concreto.

Tudo isto se funda na capacidade que se supõe que todo homem possua, de ter acesso direto e imediato a Deus. Sem esta suposição, pode-se perguntar se nossas democracias (que certamente são imperfeitas) não desapareceriam, deslizando irresistivelmente para regimes de castas. Quem estaria no poder? Os engenheiros? Os militares? Os biólogos? Os psicólogos? Os homens da mídia? Isso importaria muito pouco. Em todo o caso, uma elite procuraria imitar, não Deus, seguramente, mas a imagem perversa que faria da divindade: um manipulador, um condutor de marionetes todo-poderoso, um policial infalível, um feiticeiro. Em todo o caso, esse Deus não teria grande coisa a ver com aquele que nos mostra Jesus Cristo.

IHU On-Line – Sob que aspectos o projeto de um humanismo ateu é incompatível com o cristianismo?

Rémi Brague – Não é somente por ser ateu que este projeto seria incompatível com o cristianismo. É também porque ele não é verdadeiramente humanista, mas se volta contra o homem, ou antes, contra os homens concretos. As tentativas de humanismo ateu levaram todos à catástrofe e produziram em alguns anos mais crimes que as religiões em muitos séculos. Todas se atribuíam um modelo do homem (o ariano, o proletário) e quiseram liquidar tudo o que não lhe correspondia. Isso é exigido pela lógica imanente desse projeto. Ou todo homem é objeto do amor e do respeito de Deus, ou certos homens são mais humanos do que outros. Eu não digo: mais belos, mais fortes, mais inteligentes, desigualdades evidentes que só podem fundamentar classificações em vista de diferentes papéis sociais. Eu digo: mais dignos de ser humanos e, então, de serem tratados como tais. Seria, então, preciso conceber-se um modelo do que é ser plenamente humano. E estes homens, mais homens do que os outros, teriam o direito de dominar àqueles e, no limite, o dever moral de eliminá-los.

Acredita-se, então, verdadeiramente no projeto de um humanismo desse gênero? Ouve-se falar cada vez mais de um “transumanismo ”, de uma transformação do homem por meios técnicos e biológicos. Que isso seja tecnicamente possível ou não, que isso seja moralmente aceitável ou não, estes dois problemas não me interessam aqui. Mas são um sintoma forte de uma insatisfação de si, e mesmo de um ódio de si!

Além disso, é preciso notar uma virada interessante na crítica que se dirige ao cristianismo. Este é considerado responsável por tudo, mas também pelo contrário de tudo. Há muito tempo lhe foi atribuída a suspeita de rebaixar o homem, de desprezá-lo, de humilhá-lo, de ter dele uma visão “negra”. Basta pensar na crítica de Pascal  feita por Voltaire,  no final das Lettres philosophiques. Acusa-se agora o cristianismo, desde Schopenhauer  (que se apoiava, aliás, sobretudo no Antigo Testamento), de privilegiar em demasia o homem em relação aos animais. E agora certos ecologistas o acusam de fazer do homem um tirano que se rebela contra a deusa Terra.

IHU On-Line – O senhor sugere que os cristãos devem tornar-se melhores. Que ética pode sedimentar uma nova prática cristã?

Rémi Brague – Não é que os cristãos são os que devem tornar-se melhores! Todos os homens têm este dever com a maior urgência. E não se trata de sugeri-lo, é preciso gritá-lo. E gritá-lo em primeiro lugar a si próprio.

Uma ética? O projeto de uma prática autenticamente cristã nos conecta de vez ao domínio da ética. O cristianismo tem esta particularidade entre as religiões: a de não ter trazido nenhuma regra nova. Nenhuma regra moral, bem entendido, pois isso não é de qualquer modo possível. Mas também nenhum sistema social, nenhuma prática de culto, nenhuma prece, nenhum sacrifício, nenhuma peregrinação que fossem determinantes. Tudo isso é deixado à iniciativa de quem crê. As regras morais do cristianismo não são outras senão aquelas elementares que, em todos os tempos, permitiram às sociedades subsistirem. O cristianismo tem, em compensação, um tesouro que ele talvez seja o único a possuir ainda. É a afirmação da bondade do mundo, de um mundo que Deus ama e que Ele quis salvar. As regras morais permitem viver bem. Somente a fé permite crer que é bom viver.

***

R. Brague leciona na Universidade Paris I, Sorbonne, na França. É autor de Europe, la voie romaine (Paris: Critérion, 1992), A Sabedoria do Mundo (Lisboa: Edições Piaget, 2002) e La Loi de Dieu. Histoire philosophique d’une alliance (Paris: Gallimard, 2005).

Tradução Benno Dischinger.

Fonte: Revista IHU online

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* Você sabe explicar o que é o “Relativismo”?

domingo, janeiro 24th, 2010

O que você vê: Uma jovem ou uma senhora idosa?

O que você vê: Uma jovem ou uma senhora idosa?

O relativismo nega a validade perene da verdade.

Afirma que o que era verdade numa época, pode já não sê-lo noutra. A validade perene da verdade fica subjugada ao tempo e lugar. Nega-se a validade da verdade que pela sua real sabedoria consegue superar as fronteiras do espaço e do tempo.

Assim, relativizando a verdade, o certo e o errado, caímos na fossa, porque eliminada a culpa, não há arrependimento, sem arrependimento, não há reparação. Tudo se torna permitido, porque o que é certo para uns, podem não ser para outros, o que é errado para uns pode não ser para outros.

Se seguirmos a ideologia relativista, não poderíamos julgar ninguém por nada, já que o que se considera errado agora poderia tornar-se certo no futuro! Ora, neste sentido não haveria verdade para ninguém, o que é um absurdo e contraproducente. Neste sentido, o infanticídio não é objetivamente um bem ou um mal; pelo contrário, é um bem numa sociedade que o aprove e um mal numa sociedade onde não obtenha aprovação, já que a moral é um produto da cultura e não se tem meios claros para resolver as diferenças, bastando para tal ser tolerantes com outras culturas e não olhá-las como estando erradas, mas como sendo diferentes.

Admitir o relativismo implica que a intolerância e o racismo sejam um “bem” se a sociedade o aprovar como um “bem”.

Se todas as coisas são aparentes e relativas, então podemos afirmar que não existe nada de verdadeiro, livre e absoluto entre as pessoas. Em outras palavras, se todas as pessoas negam a verdade absoluta e estabelecem verdades relativas unicamente provindas de suas experiências, então tudo é aparente ao indivíduo.

Perguntamos: partindo dessa premissa, como então poderá alguém julgar o que é realmente certo ou errado, verdade ou mentira? Mas sabemos que quando temos idéia de um ser que corresponde ao que ele é, então possuímos a verdade sobre aquele ser.

Verdade é a correspondência entre a idéia que se tem de um ser e o próprio ser conhecido.

A verdade não depende do que cada um acha, mas depende do objeto. A Verdade é objetiva. Ainda que todo o mundo dissesse que sol é frio, ele continuaria quente. A verdade não depende do que achamos e nem do que a maioria acha. O próprio postulado relativista muito em voga atualmente afirma irracionalmente que a verdade não existe. Ora, a sentença “a verdade não existe” é contraditória, porque :

a) ou essa tese é correta

b) ou é falsa.

Se a tese é correta, então eis aí a única coisa de que o homem pode ter certeza, a única tese realmente segura, a única verdade: a de que a verdade não existe. Aí está a verdade. Portanto, a verdade existe. Se a tese afirmada é falsa, então a afirmação oposta é certa. E a verdade então existe. Portanto, as duas pontas do dilema levam à conclusão de que a verdade existe.

As verdades cujo prazo de validade se esgota em alguns anos são mentiras camufladas, manipulação da linguagem, arremedos de verdade que, como tais, causam medo, e não alegria. “Os homens não criam verdades, apenas constatam” (Santo Agostinho, A doutrina cristã, Iib, 33, 50.); “Não é o ato de reflexão que cria as verdades. Ele somente as constata” (Santo Agostinho, A verdadeira religião, VI, 40, 74.)

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* Comprovações históricas não biblicas sobre Jesus.

sexta-feira, janeiro 22nd, 2010

Jesus Cristo é, sem dúvida, o personagem mais glorioso da História humana e nisto concordam todos os cristãos

Todavia, há quem diga que Jesus não é mais do que uma referência necessária à humanidade, dado que apela a sentimentos nobres, à moral e mesmo à fraternidade entre os povos. E há quem pense que a Sua existência se limita à Bíblia e à tradição religiosa, estando ausente da literatura não cristã.

Mas se quisermos ser imparciais e analisar com cuidado e perseverança os manuscritos antigos, de pressa chegaremos à conclusão de que as referências à pessoa de Jesus são abundantes e rigorosamente honestas, mesmo quando O contestam, ou por isso mesmo.

1- Jesus e a Pax Romana.

Jesus Cristo veio ao mundo durante o período conhecido como “Pax Romana”, um histórico período de paz, em que o mundo inteiro era controlado por um único e inexorável poder: Roma.

Polibo, na sua História, que abrange este período, faz o seguinte comentário: “Os romanos, em menos de cinquenta e três anos, conseguiram submeter a quase totalidade do mundo à sua autoridade, coisa nunca antes igualada.” Quando Jesus nasceu, a nação de Israel era dominada e governada pelo Império romano.

O evangelho segundo S. Lucas dá pormenores acerca dessa época, explicitando as razões políticas que levaram os Seus pais a Belém:

“Aconteceu, naqueles dias, que saiu um decreto da parte de César Augusto, para que todo o mundo se alistasse … E todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade. E subiu também José da Galileia, da cidade de Nazaré, na Judeia, à cidade de David, chamada Belém (porque era da casa e família de David), a fim de alistar-se com Maria, sua mulher, que estava grávida” (S. Lucas 2:1-4).

Para os romanos, Israel era apenas uma “província do império”, isto é, uma nação colonizada, e os cristãos não passavam de mais uma seita, como tantas outras que, naquela época, existiam em Israel, tal como os fariseus, os publicanos, os herodianos e os hesseniamos.

O único ponto de realce é que a situação geográfica de Israel o tornava de algum modo um país estratégico. Por isso, os historiadores romanos de então não dedicam muita atenção a Jesus e aos Seus seguidores, tanto mais que o Seu discurso não era político e nas Suas palavras não havia qualquer incitação à sublevação.

Uma outra razão que pode explicar esse silêncio é que o período de vida pública de Jesus se limitou a pouco mais de três anos.

É também sabido que grande parte da literatura contemporânea relativa ao Império Romano desapareceu, devido a incêndios ou a comportamentos vandalistas, ou ainda pela erosão do tempo. Por essa razão é extraordinário o facto de ainda encontrarmos documentos que são autênticos tesouros e que fazem referencia específica a Jesus de Nazaré.

2- Jesus nos escritos romanos não cristãos.

Plnínio, governador da Bitínia, numa carta dirigida ao imperador Trajano, dizia que “os cristãos adoram a Cristo como Deus e vivem uma moral estrita” Epitolas, X, 96. não é este um testemunho extraordinário da fé e vivência cristã desses primeiros crentes?

Tácito, cônsul no ano 97 d.C., diz que Cristo foi crucificado à ordem de Pôncio Pilatos e faz ainda referência à expansão do Cristianismo, bem como à perseguição que lhes era movida com o intuito de os destruir e para desmotivar outros a juntarem-se-lhes. Annales, XV, 44.

Suetónio, na sua célebre biografia do imperador Cláudio , faz também uma breve referência a Cristo e aos cristãos. Vita Caude, C. 23.

Celso, que viveu no século II, sob o reinado de Marco Aurélio, escreveu muito sobre o cristianismo e sobre a pessoa de Cristo. Os seus escritos são de grande valor pelo facto do seu objectivo ser denegrir e refutar o cristianismo, para o que diz possuir documentos que mais ninguém tem (Origne, c. II, 13). É um historiador que assume claramente a sua posição de inimigo, mas, por isso mesmo, ao fazer referência ao cristianismo e a Cristo, apresenta uma prova irrefutável da existência histórica de Jesus.

Flégon, nos seus escritos, menciona um eclipse do sol durante a morte de Jesus (Oriegene, Contra Celsum, II, 13, 33, 59). Ora, nós sabemos que as Escrituras dizem explicitamente que no momento em que Jesus morreu, “o sol se escureceu” (S. Lucas 23:45). É importante saber que todas estas fontes, com referências directas e abundantes a Jesus, são dignas de crédito.

3- Jesus nos escritos judaicos, não cristãos.

Se, durante o ministério de Jesus, os judeus O trataram dura e severamente, depois da Sua ressurreição e ascensão não deixaram de multiplicar lendas a Seu respeito, com o objectivo de O ridicularizar como Messias, isto é, como Ungido de Deus.

Uma boa parte dessas histórias encontram-se no Talmude, livro dos ensinamentos rabínicos posteriores a Jesus. Do século IV d. C., em diante, as lendas, orais e escritas, tem manifestamente o objectivo de criar uma imagem negativa do Salvador. Muitas delas encontram-se compiladas num livro intitulado: Vida de Jesus (Samuel Krauss, Das Leben Jesu Judischen Quelle, Berlim, 1902, 22.)

Flávio Josefo, patriota judeu e autor das famosas obras tais como; Antiguidades Judaicas e Guerra dos Judeus, escritas entre os anos 93 e 94 da nossa era, diz o seguinte: “Nesse tempo viveu Jesus, homem sábio, se é que se lhe pode chamar homem. Porque ele foi autor de coisas impressionantes, mestre daqueles que recebe a verdade com alegria. Ele conduziu muitos judeus e outros vindos do helenismo. Ele era o Cristo. E quando Pilatos ordenou a sua crucifixão, por denúncia dos principais do nosso povo, aqueles que o amavam não o abandonaram. De facto, ao terceiro dia, ele apareceu-lhes como lhes tinha prometido. Até hoje ainda subsiste o grupo chamado pelo seu nome, os cristãos.” (Flabio Josepho , Antiquitates XVIII, 3.3,3d. B. Niese IV. Berolini, Weidmann 1890, 151 ss).

Devemos precisar que esta obra também não foi escrita em favor do cristianismo, mas como celebração da glória do povo de Israel. Todas as seitas judaicas, bem como todos os movimentos de libertação e feitos históricos que ocorreram entre os reina do imperador Augusto e a destruição de Jerusalém, no ano 70 d. C., estão aí mencionados. Mas, para os cristãos, a maneira como Jesus é referido nesta obra tem grande importância histórica.

Na verdade, só a incredulidade pode constatar a existência de Jesus, porque, de fato, a Sua vida, morte e ressurreição, embora historicamente provados, são, aos olhos humanos, “inacreditáveis”. Esta foi a atitude de um dos próprios discípulos de Jesus, de nome Tomé. Ele teve dificuldade em acreditar que Jesus ressuscitara e estava vivo, vivo para sempre, e declarou aos seus companheiros: “Se eu não vir o sinal dos cravos nas Suas mãos, e não meter o dedo no lugar dos cravos, e não meter a minha mão no Seu lado, de maneira nenhuma o crerei.” Então, oito dias depois, o Divino Ressuscitado apareceu outra vez aos Seus discípulos e disse a Tomé: “ Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente. Tomé respondeu, e disse-lhe: Senhor meu e Deus meu” (João 20:27,28).

Também eu, em certo período da minha vida, disse: “Não acredito que Jesus tenha existido e seja real.” Mas um dia Ele iluminou esta parte da minha alma que estava obscurecida e isso permitiu-me alcançar dimensões de paz e equilíbrio interior que antes não tinha.

Jesus ainda tem todo o poder que manifestou quando apareceu aos discípulos e em particular a Tomé. Ele continua a ir ao encontro de muitas pessoas incrédulas, mas que no fundo da alma sentem um vazio e são sinceras. Esta – confesso – foi a minha experiência e creio que pode ser a sua também.

José Carlos Costa

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* Diálogo Católico Muçulmano,Três desafios.

quarta-feira, dezembro 2nd, 2009

Existe um triplo desafio que cristãos e muçulmanos devem enfrentar, afirmou o cardeal Jean-Louis Tauran em uma conferência na localidade francesa de Villeurbanne.

Trata-se do “desafio da identidade” (saber e aceitar o que somos), o “desafio da alteridade” (nossas diferenças são fonte de enriquecimento) e o “desafio da sinceridade” (os crentes não podem renunciar a propor sua fé, mas devem fazê-lo dentro dos limites do respeito e da dignidade de cada ser humano).

Em sua intervenção, o presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso recordou que o diálogo inter-religioso “se baseia nas relações de confiança entre fiéis de diversas religiões para conhecer-se, enriquecer-se mutuamente e considerar como cooperar juntos para o bem comum”.

Isso não supõe renunciar à própria fé – indicou. Supõe deixar-se interpelar pelas convicções de outro, aceitar levar em consideração alguns argumentos diferentes dos meus ou dos da minha comunidade.”

Assim, para o cardeal Tauran, as “condições para um diálogo inter-religioso fecundo” são múltiplas: “ter uma ideia clara da própria religião”, “ser humilde” (reconhecer os erros de ontem e de hoje), “reconhecer os valores do outro”, (que não é necessariamente um inimigo) e “compartilhar os valores que temos em comum”.

No diálogo inter-religioso, “não se põe a própria fé entre parênteses, o que implica em um conhecimento da própria tradição”.

“O diálogo, para ser sincero, deve ser levado a cabo sem segundas intenções”, acrescentou em sua intervenção, que foi publicada na íntegra no site da diocese de Lyon.

“Os crentes podem oferecer aos seus companheiros de humanidade, em particular aos responsáveis das sociedades, os valores que podem contribuir para a harmonia dos espíritos, ao reencontro das culturas e à conservação do bem comum”, destacou.

Por outro lado, reconheceu “graves dificuldades que subsistem”, citando “os líderes muçulmanos mais acesos que não são capazes de admitir aos seus correligionários o princípio de liberdade de mudar de religião segundo sua consciência”.

Também indicou que “o novo clima que experimentamos no âmbito das elites ainda não penetrou na base da sociedade”.

“Mas estou certo de que é preciso continuar encontrando-se para escutar, compreender e propor as maneiras concretas e modestas que podem abrir o caminho para os debates mais profundos”, disse.

E concluiu: “A história das religiões ensina que só existe um futuro possível: o futuro compartilhado”.

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* Substituir Deus pela própria autonomia?

sexta-feira, novembro 20th, 2009

“Quem pretende substituir Deus com sua própria autonomia perde a própria vida, porque rechaça quem a criou e encaminhou ao cumprimento definitivo e glorioso de seu plano de salvação.”

Com estas palavras pronunciadas durante a homilia, o cardeal secretário de Estado vaticano, Tarcisio Bertone, convidou os membros do Conselho Nacional das Associações Médicas Católicas Italianas (AMCI) a refletir sobre a crise moral que assola a sociedade moderna.

Na sexta-feira passada, na Capela Paulina do Palácio Apostólico, dentro da Cidade do Vaticano, o secretário de Estado transmitiu à AMCI o “mais vivo alento para prosseguir em vossa missão”.

“O Papa –afirmou o purpurado– acompanha-os com a oração e envia sua bênção, estendendo-a a todos os sócios” da instituição.

Abordando os desafios da modernidade, o cardeal Bertone recordou que “a atividade do médico católico se revela útil não apenas para os fins da saúde física, mas também, de certo modo, da saúde moral e espiritual do paciente”.

Isso –continuou– porque “corpo e espírito estão no homem tão unidos que um influencia no outro, e vossa tarefa principal é tutelar e promover a vida em sua realização integral”.

O cardeal referiu-se à crise de civilização que caracteriza nosso tempo, em que “a própria medicina, que por sua natureza deve tender à defesa e ao cuidado da vida humana, em alguns de seus setores presta-se cada vez mais a realizar atos contra a pessoa”.

Neste sentido, destacou “a urgência de educar na cultura da vida”.

“Por um lado, assiste-se à eliminação de vidas humanas nascentes ou que se encontram no fim; por outro, torna-se cada vez mais difícil para a consciência distinguir o bem do mal no que afeta o próprio valor fundamental da vida humana”, explicou.

Referindo-se à encíclica Caritas in veritate, o secretário de Estado vaticano denunciou a “concepção material e mecanicista da vida humana” que reduz o amor sem verdade a “uma casca vazia que preencher arbitrariamente” e pode comportar efeitos negativos para o desenvolvimento humano integral.

Segundo o purpurado, para educar na cultura da vida, é necessário “poder contemplar em todo ser humano o reflexo da beleza e do amor de Deus”.

Porque “sem Deus o homem deixa de perceber a si mesmo como ‘misteriosamente outro’ em relação às diversas criaturas terrenas, e é considerado como um de tantos seres vivos, como um organismo que, quando muito, alcançou um estado muito elevado de perfeição”, afirmou.

O secretário de Estado vaticano denunciou então o aborto e as mortes por causa da fome. “Há vidas que não são notícia e cuja perda não dá sobressaltos”, lamentou.

“Há batalhas sacrossantas para salvar a vida de condenados à pena de morte e para salvaguardar o direito à vida também dos que cometeram graves delitos –acrescentou–, enquanto se considera legal e justa a morte de inocentes, com leis aprovadas por maiorias em Parlamentos civis.”

“A emotividade ou as ideologias e as razões políticas substituem na prática a consciência retamente iluminada”, constatou.

Em resposta aos que pretendem substituir Deus pela sua própria autonomia, o cardeal Bertone propôs “o testemunho dos crentes que reafirmam a primazia de Deus sobre tudo: este é de fato o único caminho que conduz o homem a sua plena realização”.

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* Adiada votação de projeto que criminaliza preconceito contra idosos, deficientes e homossexuais.

quinta-feira, novembro 19th, 2009


Foi concedido pedido de vista coletiva ao substitutivo da senadora Fátima Cleide (PT-RO) ao PLC 122/06, que torna crime a discriminação contra idosos, deficientes e homossexuais. A expectativa é que a proposição entre novamente em pauta na reunião da próxima semana.

O projeto divide opiniões: os senadores Marcelo Crivella (PRB-RJ) e Magno Malta (PR-ES), por exemplo, temem que os religiosos possam ser punidos por ensinar a seus filhos que a homossexualidade é um pecado, de acordo com valores religiosos. Malta afirma temer que se crie uma “casta” ao proteger pessoas que, segundo afirma, já tem direitos como cidadãos garantidos na Constituição.

Já a relatora da proposta, senadora Fátima Cleide, salienta que a sociedade brasileira “não pode mais continuar se omitindo” diante da violência, física e psicológica, a que são submetidos os homossexuais. O presidente da CDH, senador Cristovam Buarque (PDT-DF), afirmou que o projeto já não se trata mais de homofobia, mas sim de “sociofobias”.

A CDH deverá realizar uma audiência pública para discutir o tema.

Fonte: Agência Senado

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* Abortista se converte após assistir feto sendo sugado pelo monitor de ultrassom.

quinta-feira, novembro 5th, 2009

A organização norte-americana Planned Parenthood, que oferece serviços de aborto e contracepção nos Estados Unidos, decidiu ir à Justiça contra uma ex-diretora que se tornou pró-vida e abandonou a organização em outubro.

A entidade teme que Abby Johnson – que trabalhou para a Planned Parenthood por 8 anos, 2 deles como diretora na cidade texana de Bryan – revele informações confidenciais, como nomes de clientes, mas ela diz não ter essa intenção.

Abby falou ao canal de televisão Fox News que mudou de ideia sobre o aborto após ver um . Na entrevista, ela afirmou que a organização vinha enfatizando a realização de abortos em detrimento do trabalho de contracepção – as mulheres pagam à Planned Pa­­renthood de US$ 500 a US$ 700 por aborto. “Em todos os encontros, ouvíamos ‘não temos dinheiro suficiente, precisamos fazer mais abortos’. É um negócio lucrativo, e por isso a diretoria queria aumentar o número”, disse ao canal de televisão.

Abby renunciou ao cargo de diretora no início de outubro, e se juntou a um grupo pró-vida chamado Coalition for Life, que tem escritório na mesma rua da Planned Parenthood e cujos membros costumam rezar diante da sede da entidade.

Na sexta-feira passada, uma corte local aceitou um pedido da Planned Parenthood e proibiu Abby de revelar a qualquer pessoa informações, documentos ou arquivos relativos à organização (como nomes de médicos, enfermeiros ou clientes da clínica de aborto), argumentando que a Planned Parenthood “seria afetada de modo irreparável pela divulgação de certas informações”.

A ordem vale até 10 de no­­vembro, quando Abby e representantes da entidade terão uma audiência no tribunal de Bryan para discutir sobre o que a ex-diretora poderá fazer em relação à organização à qual pertencia.

Fonte: Gazeta do povo

***

A verdade triunfa!

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* Igreja Católica no Brasil pede apoio à instalação da CPI do aborto

terça-feira, outubro 27th, 2009

Representantes católicos de São Paulo elevaram uma moção de apoio aos deputados federais Luís Bassuma (PT/BA) e Henrique Afonso (PT/AC), condenados pela comissão de Ética do seu partido por assumirem a defesa da vida.

O texto apóia também a instalação da (CPI) do Aborto. A ocasião foi a 31ª. Assembléia das Igrejas Particulares da Regional Sul 1 da CNBB concluída no último 18 de outubro.

Se instalada, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) descobriria facilmente não apenas que há um projeto internacional interessado em promover o aborto no Brasil mas que, mais ainda, a partir do  momento em que chegou ao poder, a cúpula do Partido dos Trabalhadores, contrariando suas próprias bases eleitorais e os interesses que afirma representar, quis transformar-se no principal aliado deste projeto que pretende negar a personalidade jurídica antes do nascimento, remover completamente todos os tipos de aborto do Código Penal, reconhecer o aborto como um novo direito humano e
tornar a prática totalmente livre em qualquer momento da gestação.

Devido às suas atividades em defesa da vida, o Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores, em julgamento ocorrido no dia 17 de setembro de 2009, condenou por unanimidade os Deputados Luiz Bassuma e Henrique Afonso, à suspensão de suas atividades legislativas, acusados de haverem violado gravemente o Código de Ética Partidária por haverem militado contra a descriminalização do aborto.

Abaixo divulgamos o texto da moção, tomado da página da Regional Sul 1:

“Na 31ª. Assembléia das Igrejas Particulares do Regional Sul 1 da CNBB, nós, povo de Deus reunido de 16 a 18 de outubro de 2009, em Itaici, Indaiatuba-SP, vimos a público manifestar nossa indignação diante do sucedido com os deputados federais, Luís Bassuma (PT/BA) e Henrique Afonso (PT/AC), que foram processados, julgados e condenados pela Comissão de Ética de seu partido, à pena de suspensão de suas atividades parlamentares; retirados da Comissão de Seguridade Social eFamilia da Câmara dos Deputados e ainda instados a retirarem todas as suas iniciativas legislativas que defendam e promovam a vida humana.

Os deputados foram punidos por assumirem a defesa do direito humano primário: o direito à vida do inocente indefeso, desde a concepção. O proceder do Partido dos Trabalhadores (PT), assim como de qualquer outro partido que se comporte da mesma forma, demonstra intolerância e desrespeito à liberdade de consciência garantida pela Constituição Federal, provocando um retrocesso na construção do estado democrático, além de violar o direito fundamental à vida, desde a concepção, garantido pela Convenção Americana dos Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica) homologada pelo nosso Congresso Nacional, em 1992, e contrariando frontalmente a mensagem central do Evangelho : “Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância” (Jo 10,10), pois “Tu me teceste no seio materno” (Sl 139,13).

Manifestamos nossa solidariedade e apoio aos deputados pelo testemunho exemplar de cidadania e de profunda consciência humana e cristã, bem como apoiamos a instalação na Câmara dos Deputados, da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Aborto, para investigar a prática do aborto clandestino, sustentada pelo financiamento e interesses estrangeiros, que querem impor ao Brasil e à América Latina a política perversa do controle populacional.
“Se quisermos sustentar um fundamento sólido e inviolável para os direitos humanos, é indispensável reconhecer que a vida humana deve ser defendida sempre, desde o momento da fecundação” (DA 467)”

Fonte : ACI

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