Celibatário: um solteirão ou tem a quem amar?

Meu nome é Wilde Fábio, tenho 38 anos, sou Shalom, comunidade de vida e celibatário. Esses dias se aproximando o dia dos namorados comecei a ver inúmeras postagens nas redes sociais. Alguns celebrando estarem acompanhados, outros celebrando estarem sozinhos, que era melhor sozinho que mal acompanhando, rsrs…

Quando comecei então a pensar: e eu? Como vou passar o dia dos namorados?

Sim, eu estou em qual dos lados? Eu celebro por ter alguém ao meu lado? Ou eu me alegro por não ter ninguém? Sou um solteirão ou tenho a quem amar? Essas perguntas me levaram a percepções que gostaria de partilhar com vocês.
Primeiro consenso que cheguei foi que realmente não sou um solteirão mesmo. Um solteirão é uma pessoa disponível, e eu não estou disponível, eu realmente elegi e fui elegido por uma pessoa, eu tenho a quem amar. Assim eu estou do lado dos que celebram por ter alguém ao seu lado.

Joia, demos um primeiro passo, mas vamos continuar. Quem é essa pessoa que eu amo? A resposta facilmente chega, é Jesus! Mas como eu posso amar a Jesus? Como posso comemorar com ele o dia dos namorados? Como posso fazer um carinho nele? Ou mesmo receber um carinho dele? Cada resposta abria novas perguntas.
Como amar alguém que não tem um corpo?

Bem, ele tem um corpo. Na verdade, seu corpo é imenso. Vai desde a eucaristia que eu tomo na Santa Missa até o corpo de cada homem pelo qual Ele deu sua vida. Nesse mesmo corpo encontro os sinais do seu amor. Esse mesmo corpo me beija e eu o beijo, me abraça e eu o abraço. Me desposa e eu o desposo. Tanto no aspecto teologal, como no contexto físico e corporal. Assim eu tenho milhões de formas de celebrar esse dia dos namorados. Tanto diante de Jesus eucarístico, de Jesus Palavra, como de Jesus “o outro”. Quando pensamos em amar Jesus no outro pensamos normalmente em coisas extraordinárias. Eu sinceramente penso no esforço que preciso fazer pra fazer uma faxina bem feita pra que meus irmãos que moram comigo tenham um ambiente digno e saudável pra viver. Aqui percebo o quanto ainda o amo pouco, e quero ama-Lo mais.

Penso em todos aqueles que podem descobrir-se amados por Jesus através do meu trabalho na arte. Porque como toda pessoa apaixonada eu não sei falar de outra coisa que não seja D’Ele. Ele entra em tudo, seja qual for o assunto, sem eu nem perceber, Ele acaba entrando e fazendo parte do argumento, seja falando da pessoa Dele mesmo ou falando dos valores Dele, do seu coração.

Ao mesmo tempo acho que preciso ser mais romântico com Ele. Vivemos muitos momentos juntos mas, pra mim, o momento mais romântico com Ele é meu dia de vigília. Nesse dia já acordo animado, me arrumo todo, é até engraçado, me preparo, vejo roupa, lanche, separo violão, meu material de oração, esse dia pra mim é dia de namorar mesmo. Na vigília eu pego o violão e faço uma serenata pra Ele com todas as músicas antigas que eu sei tocar. É ótimo! Porém, todo o tempo estamos juntos, e mesmo quando não estou em oração, estou com Ele. Não sei não estar. E quando me disperso com minha agitação Ele logo me chama de volta. Impressionante como ele sabe fazer isso com extrema delicadeza.

Também brigamos, sou birrento e marrento. Qualquer pessoa em momentos de doença e fragilidade se lança pra Deus e se coloca mais dependente dele. Eu faço é resistir a prova e brigo até ele me vencer pelo cansaço. Ele sempre vence!

Continuando pude perceber algo muito interessante. Ao longo dos anos muitos outros amores surgiram em minha vida, muitas outras belezas, que encantaram meu coração e até me fizeram trair o meu Amado. Mas hoje, depois de todos esses anos, posso dizer que todas eles passam, que só Ele fica, e que nada que eu conheci brilhou tanto aos meus olhos, valeu tanto a minha vida e conquistou tanto o meu coração como Ele. E eu sou artista, sensível demais, apaixonado demais, exigente demais! Mas nada passou nem perto do que Ele é pra mim!

Todos os dias Ele me reconquista de novo. Nunca permite que a vida fique na mesmice. Nunca me canso de ser surpreendido com Ele e com a sua capacidade de tornar aquilo que já é bom, ainda melhor. Ele que me ensinou o que é o amor, o que é amar. Inclusive o amor a mim mesmo, é Ele que me educa. Me cerca de carinho, de ternura, de consolo. Para que eu possa ser para o seu corpo, carinho, ternura e consolo. Vence diariamente a minha imperfeição com o seu amor, sendo mais forte que toda morte.

Amo-o com intensidade, com paixão, com meu corpo, com meu genital, com meus olhos, com meus ouvidos, com meus braços, com minhas pernas, com minha inteligência e razão, com minha memória e imaginação, com minhas emoções, com minha vontade, com meu tempo, com minha essência, com minhas entranhas, com Sua eternidade. Amo-o com aquilo que tenho e não tenho. Amo-o com a certeza de que Ele mesmo é o meu amor.

Porque o princípio de tudo isso é Ele. Ele veio primeiro, me conquistou, me seduziu, me atraiu. Ele amou primeiro. Eu assim, não tenho outra coisa a fazer, a não ser me deixar amar. Hoje, eu me deixo amar amando. E assim o ciclo fecha.

E isso não se dá de forma fantasiosa. Meu dia dos namorados começou com academia, depois fomos pras laudes, depois fiz estudo bíblico e oração pessoal. Agora estou escrevendo esse texto que vou postar e daqui a pouco vou pra missa recebe-lo na eucaristia. Minha tarde será de trabalho, no início da noite terei oração comunitária, depois convivência com os irmãos, depois a oração das completas. Tudo isso viverei com Ele, Nele e por Ele. E assim encerrarei o meu dia com essa certeza:

– Eu tenho o melhor namorado do mundo!

Diaconia Shalom, Aquiraz, 12 de junho de 2017
Wilde Fábio

4 thoughts on “Celibatário: um solteirão ou tem a quem amar?

  1. Meu irmão, que forte as suas palavras! Expressam decisão de quem sabe para aonde vai como Paulo! Parabéns pelo artigo! Muito belo e profundo.

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