#DiaDosPais: “Nós, celibatários, experimentamos uma paternidade diferente”

Certa vez, ouvi alguém dizer que o homem chega ao ápice de sua masculinidade ao tornar-se pai. Não sei se a assertiva é totalmente verdadeira, pois não poderia afirmar existir tal ápice. Entretanto, todos os meus amigos sofreram positivas transformações a partir do momento em que se tornaram pais biológicos.

Diante disso, muitas vezes, quando ainda em discernimento do meu estado de vida, percebia-me imerso em pensamentos acerca desse tal ápice… Como um celibatário o alcançaria? Estaríamos em uma posição inferior aos demais irmãos? Não! Seguramente, não! Em que pese a grande graça e beleza da paternidade biológica, nós, celibatários, experimentamos uma paternidade diferente, a espiritual.

O celibato torna-nos pais espirituais e, nesta missão, vivenciamos um misto de sentimentos, responsabilidades, afetos, preocupações, alegrias… Tudo isto nos insere em uma verdadeira dinâmica de paternidade, que nos completa como homens, conduzindo-nos a um verdadeiro processo de maturidade humana e espiritual.

Ao assumirmos o celibato como nosso estado de vida, tornamo-nos também responsáveis pelo crescimento na fé dos filhos e filhas que o Senhor nos concede; tornamo-nos referenciais. Ainda que imperfeitos, frágeis (assim o seremos sempre), os nossos filhos buscam em nós um espelho, um exemplo a seguir. A partir de nós, muitos deles reconstroem suas relações familiares e, principalmente, unem-se a Deus.

Como um pai biológico, somos chamados a despertar no meio da noite para ajudar um filho que sofre, que precisa ser ouvido, aconselhado. Devemos estar atentos e oferecer o remédio dos Sacramentos e da oração para aquele filho enfermo pela distância ou indiferença com Deus, com a Igreja. Também somos chamados a ofertar o nosso sono, o nosso lazer, a nossa vida pelos filhos espirituais que, muitas vezes, não tem um nome ou um rosto conhecido, que encontramos na rua, durante um evento ou ação de evangelização, ao passo que devemos ensinar e exortar, se necessário, aqueles com os quais convivemos, frutos do nosso pastoreio em nossas missões.

Talvez o tal ápice da masculinidade seja, na verdade, o ápice do amor-oblação; do amor que faz sair de si em vista do outro gratuitamente, sem nada receber em troca. E, se assim o é, somos chamados, como celibatários, a exercitar tal amor a todo instante, na intercessão, mas também em atos concretos dirigidos aos filhos e filhas de diversas idades que o Senhor nos concede, independente de tê-los perto ou longe, de conhecermos ou não o seu rosto ou nome; de recebermos ou não um carinho ou um abraço de gratidão.

A dimensão da paternidade espiritual constitui, portanto, uma das bases da vida de um celibatário. Pois, chamados a amar, com exclusividade, o Senhor, somos convidados a multiplicar esse amor a um sem número de filhos e filhas espirituais, que esperam a nossa ação, o nosso testemunho, a nossa oração, o nosso abraço, a nossa paternidade.

José Carlos 

Celibatário e Missionário da Comunidade de Aliança em  Natal

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