Espiritualidade

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“Que fazer, ó Senhor, a não ser amar-Te perdidamente! Entregarmo-nos a Ti com toda a nossa fraqueza e, apesar dela, nos consumirmos de amor por Ti e sermos servos de Teu Reino?” (Escrito Amor Esponsal).

A Espiritualidade Shalom está embasada no amor incondicional, “esponsal”, a Jesus Cristo e na vivência radical do Evangelho. O Amor Esponsal, que gera união à vontade divina, desabrocha e amadurece no cultivo da intimidade com Deus, fomentada em profunda vida de oração pessoal e comunitária.

A oração é guia eficaz na experiência de Contemplação, Unidade e Evangelização. São mestres da vida espiritual Santa Teresa de Jesus, que trilhou caminho de união íntima com o Senhor através da oração pessoal, diária e contemplativa, e São Francisco de Assis, modelo de despojamento e total oferta de vida.

Conhecimento da Palavra, zelo pelos sacramentos, amor à Eucaristia e à Virgem Maria, louvor, penitência e vivência dos tempos litúrgicos são elementos essenciais à intimidade com Deus no Carisma Shalom.

Também constituem a Espiritualidade a vida fraterna; o apostolado exercido no serviço a Deus e aos irmãos; a forma de vida acolhida como dom divino; a vivência do espírito dos conselhos evangélicos “pobreza, obediência e castidade”.

 

Tau
Maria
Santa Teresa D’Ávila
São Francisco de Assis

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Significado

O TAU tem a forma da letra grega TAU (T) que é uma cruz.

As duas maiores influências diretas em Francisco, em relação ao TAU, foram os antonianos e o Quarto Concílio Laterano. São Francisco tomou o TAU e seu significado dos antonianos. Eles eram uma comunidade religiosa masculina, fundada em 1095, cuja única função era cuidar dos leprosos.

Em seus hábitos era pintada uma grande cruz. Francisco tinha relações muito familiares com eles, porque trabalhavam no leprosário de Assis, no Hospital de São Brás, em Roma, onde Francisco esteve hospedado.

No princípio de sua conversão, Francisco encontrou os antonianos e seu símbolo do TAU. Mas a influência mais forte que fez do TAU um símbolo tão querido para Francisco e pela qual ele se tornou sua assinatura, foi a do Concílio de Latrão. Os historiadores geralmente admitem que Francisco estava presente nesse Concílio, no qual o Papa Inocêncio III fez o discurso de abertura, incorporando em sua homilia a passagem de Ezequiel (9,4) que diz que os eleitos, os escolhidos serão marcados com o sinal do TAU: “Percorre a cidade, o centro de Jerusalém, e marca com uma cruz na fronte os que gemem e suspiram devido a tantas abominações que na cidade se cometem e acrescenta: “O TAU é a última letra do alfabeto hebraico e a sua forma representa a cruz, exatamente tal e qual foi a cruz antes de ser nela fixada a placa com inscrição de Pilatos. O TAU é o sinal que o homem porta na fronte quando – como diz o apóstolo – crucifica o corpo com os seus pecados quando diz: “Não quero gloriar-me a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo foi crucificado para mim, e eu para o mundo” (…) Sejam portanto mestres desta cruz!

Sejam os campeões do Tau!

Quando Inocêncio III terminou sua homilia com “SEJAM OS CAMPEÕES DO TAU!” Francisco tomou estas palavras como dirigidas a ele e fez do TAU seu próprio símbolo, o símbolo de sua Ordem, de sua assinatura; mandou pintá-lo em toda parte e teve grande devoção a ele até o fim de sua vida.

Simples e basicamente, o TAU representa a CRUZ. Os Concílios da Igreja foram convocados para reformar a Igreja, cabeça e membros. Assim o grande tema da Reforma: pessoal, interior, conversão constante e mudança de vida. Aqueles que deviam comprometer-se com a conversão contínua, uma vida de constante penitência, deviam ser marcados com o TAU.
O TAU para Francisco é um sinal da certeza de salvação; é o sinal de universalidade da salvação e é o símbolo da conversão contínua.

Se você permite ser marcado com o TAU ou usa o TAU, você está dizendo que se comprometeu com a conversão contínua, isto é, com o tema da Espiritualidade Franciscana. Não que você esteja convertido de uma só vez, mas dia-a-dia, mês após mês, ano após ano, você conserva seu olhar fixo no Senhor como sua única meta, e caminha em direção a ele com a mente indivisa (Carta S. Mary Margaret, out. 1989).

Shalom

O TAU é um sinal dos eleitos que Deus chama a exercer uma missão. A exemplo de Francisco, somos conscientes disso e queremos dizer sim a esse chamado, a essa eleição que Deus nos faz.

Trazemos uma semente de São Francisco, dentro do nosso coração como vocação, como comunidade, por isso o TAU é, também,um sinal de eleição para nós e para o mundo (Moysés Azevedo Filho, IN. Maná – set./out. 1990).
Na vocação Shalom, cada elemento do TAU tem um significado especial:

• Ele é feito de madeira e confeccionado por nós próprios, como um sinal de que desejamos viver a pobreza, na Obra e da Obra (RVS); viver do que o Senhor faz através de nossas mãos, do nosso trabalho;

• É preso por um cordão de linha para que nos lembremos, como aconselha Santa Teresa, baluarte de nossa vocação, de que “tudo passa. Só Deus basta”;

• Porque foi adotado por São Francisco, é um sinal da importância deste santo na vocação;
• Tem as letras hebraicas “SHALOM” gravadas, significando que a Paz da qual buscamos ser ministros e discípulos é a plenitude da Paz, no sentido hebraico da palavra;

• A palavra “SHALOM” escrita sobre a cruz (TAU) significa que, para nós, a Paz é Jesus;
• “SHALOM” é escrito no TAU como fogo (pirógrafo) simbolizando a escolha irreversível de Deus por nós e a vocação gravada a fogo nos nossos corações;

• Toda vez que retiramos ou colocamos o TAU, nós beijamos dizendo: “Obrigado Senhor, por me teres escolhido”.

Retirado do livro “Orando com a Bíblia e São Francisco de Assis”, a. Jussara Lima Dias, da Comunidade Católica Shalom. Ed. Shalom.

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Amor à Virgem Maria

O Evangelho narra que, estando Maria mãe de Jesus e o apóstolo João aos pés da Cruz, Jesus confiou-os um ao outro (Jo 19,27). A Igreja ensina que naquele momento, manifestando-se mais uma vez a união de Nossa Senhora com Jesus na obra da salvação, a mãe recebe todos os discípulos de Cristo como filhos.

Na Vocação Shalom, Maria desempenha papel indispensável de mãe e mestra espiritual na contemplação do mistério de Cristo e da Igreja. Por isso, os membros da Comunidade buscam, através da recitação do terço diário e do zelo litúrgico, honrar aquela que os acolheu na qualidade de filhos. Na oração, cultiva-se o amor filial à Virgem Maria.

Nossa Senhora é invocada, na Comunidade, com os títulos de Esposa do Espírito, Rainha da Paz e Porta do Céu. No entanto, acima de toda invocação, o sentimento que se tem para com ela é o sentimento de filhos de uma mãe única, incomparável, que Deus deixou como precioso dom. Ela é a primeira de todas as discípulas.

Saiba mais sobre a devoção mariana na Vocação Shalom, no artigo de Emmir Nogueira “Três nomes de mãe”

Confira texto de Moysés Azevedo sobre Maria na espiritualidade Shalom

 

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“Depois de contemplar a grande beleza do Senhor, nunca mais vi alguém que, comparado a Ele, me parecesse formoso ou me ocupasse o espírito. Basta-me voltar um pouco os olhos para a imagem que guardo na alma para adquirir uma liberdade que, desde então, me faz ter asco de tudo o que vejo; porque nada faz par com as excelências e graças que vi no Senhor. Não há saber nem prazer que eu considere dignos de estima diante do ouvir uma única palavra dita por aqueles lábios divinos – e com que frequência as tenho ouvido! Considero impossível – desde que o Senhor, pelos meus pecados, não permita que essa memória se apague – que alguém possa me ocupar o pensamento; basta-me lembrar um pouco deste Senhor para disso ficar livre.’’ Santa Teresa D’Ávila, no Livro da Vida

Santa Teresa D’Ávila, reformadora da Ordem dos Carmelitas e doutora da Igreja, é baluarte da Vocação Shalom. Assim como São Francisco de Assis, a religiosa espanhola é exemplo de firmeza, perseverança, doação e de um profundo Amor Esponsal por Jesus Cristo.

No Shalom, a experiência com o Ressuscitado que passou pela Cruz é fundamentada na oração, fonte para o desabrochar e o amadurecer do Amor Esponsal. Por isso, o caminho de Santa Teresa é trilhado por quem tem a Vocação Shalom. Com Teresa D’Ávila, deve-se aprender que a vida de oração, intimidade com o Senhor e união íntima com o Amado, é sustento para as almas.

A vivência dos conselhos evangélicos “pobreza, castidade e obediência” também é motivada no estudo dos escritos teresianos e através de sua intercessão. A obediência é a fonte da pobreza, “um autêntico caminho de perfeição”, como afirma a santa. Na obediência aos que tem autoridade para formar e pastorear, os membros da Comunidade encontram a porta para a humildade, o desapego e a pobreza em todos os seus aspectos.

Para saber mais sobre a vida e a espiritualidade de Santa Teresa D’Ávila, confira aqui entrevista com Frei Maximiliano Herráiz, conselheiro geral do Carmelo para a América Latina e autor de vários livros sobre os santos místicos.

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“Neste caminho de Amor Esponsal e santidade, o Senhor nos dá um modelo: Francisco de Assis. Como o Senhor deu a Francisco um coração amante e despojado assim também Ele no-lo quer dar.” (Escrito Amor Esponsal)

Shalom é uma vocação com características específicas, que recebe influência da espiritualidade franciscana. Juntamente com Santa Teresa D’Ávila, São Francisco de Assis é mestre da vida espiritual dos membros da Comunidade Shalom. Caminho seguro que a tradição mística católica apresenta, a vida do santo inspira o desejo de corresponder ao apelo expresso por ele mesmo, quando gritou: “O Amor não é amado!”.

A verdadeira Paz nas almas dos homens e no mundo só pode ser estabelecida se estiver embasada no amor incondicional, “esponsal”, a Jesus Cristo. Depois de uma autêntica experiência de conversão, São Francisco passou a seguir o Evangelho de maneira radical, vivendo essa esponsalidade.

Despojando-se de tudo o que podia impedi-lo de fazer a vontade divina, ele evidenciava que Deus é o Amor pelo qual vale a pena ofertar a própria vida.

Assim como São Francisco, os membros da Comunidade também devem acolher os conselhos evangélicos “pobreza, castidade e obediência” como grandes presentes de Deus. A pobreza cujo significado primordial é confiar plenamente na providência divina, a castidade que se revela na pureza de coração e a obediência à Igreja são “as três dádivas” recebidas pelo santo e pelas pessoas que têm a Vocação Shalom.

Outra influência de São Francisco na espiritualidade Shalom manifesta-se na escolha do Tau como símbolo visível da pertença dos membros da Comunidade a Deus e da aderência plena ao Carisma.

Leia aqui mais informações sobre o Tau na Vocação Shalom

Confira aqui texto do fundador Moysés Azevedo: “São Francisco de Assis, baluarte da Vocação Shalom”

 

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