Eutanásia infantil: Cinco reflexões diante da lei belga

Por que legislar sobre uma matéria tão delicada como a eutanásia de crianças, quando se sabe que na Holanda existe uma lei desse tipo desde 2006 que não foi aplicada praticamente nunca?

eutanasia

© DR

Os bispos da Bélgica responderam com uma reflexão que pode ser resumida em cinco pontos, dos quais o primeiro é “a proibição de matar”, na qual se baseia a nossa sociedade, e o último, não menos importante, é o da espiritualidade, já que, no tema da eutanásia, o que está em jogo é o sentido da vida.

Resumimos, a seguir, as reflexões, publicadas originalmente no site InfoCatho.be:

1. Ao abrir a porta para a eutanásia de menores, corre-se o perigo de estendê-la às pessoas com deficiência, dementes, doentes mentais, e inclusive aos que estão cansados de viver (…), de mudar o sentido da vida humana e conceder o valor de humanidade somente aos que são capazes de reconhecer a dignidade da sua própria vida. Introduz-se, portanto, a dúvida sobre o valor de algumas vidas humanas.

2. Ao mudar a prática médica, corre-se o perigo de passar de tudo a nada, de orienta-se imediatamente à eutanásia, de esquecer a função da sedação, que diminui a dor, e a importância dos cuidados paliativos, que preparam serenamente para a morte.

Sobre o que é a morte e o sofrimento, a eutanásia abre uma série de questões:

3. Sobre a morte: como prepará-la e não ignorá-la? Com quem falar, que disposições tomar, como ser atendido? Como evitar fazer da morte um momento tabu? Como morrer com dignidade, respeitando o valor da vida humana?

4. Sobre o sofrimento, sabendo que 70% dos belgas se declaram favoráveis a uma morte doce: como estar preparados para enfrentar o sofrimento como uma provação que pode ser vivida e compartilhada? Como apoiar-nos mutuamente?

5. A interpelação no âmbito espiritual: como a experiência cristã nos ajuda a enfrentar a morte e o sofrimento? Como o mistério pascal inspira a nossa vida e esclarece toda a vida humana? Como as instituições cristãs podem propor uma atitude ética em relação a estes desafios?

No último mês de dezembro, em uma declaração comum, católicos, protestantes, anglicanos, judeus e muçulmanos alertaram sobre o risco de banalização da prática da eutanásia, denunciaram o perigo de que ela se estenda às pessoas frágeis, crianças e pessoas com demência, e reafirmaram sua contradição total com os princípios centrais da moral e do código médico.

O projeto de lei sobre a ampliação da eutanásia às crianças e aos jovens menores de idade poderá ser aprovado esta semana.

Fonte: Aleteia

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