PARRESIA
François Callens
Palestra proferida no Forum Carismático Shalom –
Nov/99 – Mantido o tom coloquial
Vou começar contando uma história.
Certa vez, nós encontramos um rapaz de cabelos longos,
com um violão; ele estava com uma moça com quem
vivia, mas não era casado. Ele estava fumando, e não
era um cigarro; a Igreja e Deus para ele não significavam
muita coisa. Então, nós fomos conversar um pouco
com ele e o convidamos a participar de uma noite de oração;
ele veio, foi profundamente tocado, confessou-se e decidiu
mudar de vida. Abandonou a droga, deixou a moça com
quem vivia e cortou os cabelos, mas ficou com o violão.
Alguns meses depois, ele entrou na Comunidade, e, oito anos
mais tarde, ordenou-se padre. Ele se chama Padre Eli e trabalha
nas peregrinações com jovens. Eu tive a graça
de me confessar três vezes com ele.
Portanto, nada se perde! Talvez no meio de nós aqui,
entre vocês, esteja o futuro Cardeal de Fortaleza; talvez
esteja também a futura Irmã Teresa do Nordeste!
Talvez estejam também os bisavós da futura Santa
Teresinha aqui de Fortaleza! Quando eu voltar aqui, daqui
a 8 ou 10 anos, talvez, eu já esteja falando um pouquinho
de português e talvez eu vá me confessar com
um jovem padre, e esse padre pode dizer: “Você
sabe, há 8 anos, quando você disse que aquele
padre tinha ficado com o violão, aquilo me tocou muito”.
Isso é evangelização! Não é
ficar preso àquilo que nós vemos ou àquilo
que nós queremos, mas sim se prender à vontade
de Deus, à visão de Deus. E Deus quer que nós
sejamos santos. E a santidade não é fazer tudo
perfeitamente; a santidade é doação,
e quando nós já tivermos dado tudo, então
é perdoar, e quando tudo tiver sido perdoado, é
se doar. Isso é a santidade.
Eu vou contar outra história. Nós estávamos
pregando com o padre sobre esse tema, Parresia para Evangelização.
E eu estava muito desencorajado; as pessoas que estavam na
minha frente, menos numerosas que vocês, estavam todas
digerindo o almoço e, com a Parresia da Evangelização,
não estavam se incomodando muito; e o padre contou
então, essa história que eu vou contar agora
a vocês.
Ele também disse que no final uma moça que estava
assistindo veio conversar com ele; e essa moça veio
pedir que ele desse a ela um conselho para evangelizar; ela
também estava desencorajada. Aí o padre perguntou
a ela: “Como você veio para cá?”
Ela disse: “De ônibus”. Então, disse
para essa moça que ia sair de ônibus: “Você
vai dizer para a primeira pessoa que se sentar ao seu lado:
Deus te ama e eu vou orar por você”. Ela perguntou:
“O Senhor não tem um outro conselho para me dar,
não?” – A gente sempre quer uma coisa diferente
–. Ele disse: “Não, não tenho outro
conselho”.
Então, essa moça entrou no ônibus, sentou-se,
fechou os olhos e começou a rezar, pedindo que “ninguém”
se sentasse ao lado dela no ônibus. “Oh! Virgem
Maria, que ninguém se sente, pois eu não sou
capaz de fazer isso” (evangelizar). Nós também
pensamos assim! De vez em quando, em cada parada, ela abria
os olhos... E numa dessas vezes, ela viu uma pessoa gorda...
E pediu ao Senhor que não enviasse aquela pessoa. Mas
nós não escolhemos o nosso “próximo”.
Vocês se recordam do Evangelho de Lucas, “O bom
samaritano”. Quem escolhe o seu próximo? É
a mesma história do levita e do publicano... O próximo
é aquele que Deus escolhe e coloca ali, bem próximo
de nós.
E o ônibus parou nessa parada, o homem entrou e se sentou
ao lado dela. Esse senhor tinha um ar muito sério,
muito importante. Então ela pensou: “Como eu
sou da RCC, eu vou primeiro orar para o Espírito Santo
me ajudar”. Ela nunca havia rezado tanto para o Espírito
Santo; passou uma parada, a segunda, a terceira e ela esperando
que ele descesse antes dela terminar de rezar. Mas ele não
descia... Então, ela fechou os olhos, virou-se para
ele e disse: “Moço, eu sou cristã; será
que o senhor quer que eu ore por você?” Fechou
os olhos e ficou esperando a resposta. Embora de olhos fechados,
ela sentiu que ele estava soluçando, chorando. Esse
senhor tinha sofrido muito, estava desesperado e, obviamente,
não esperava de jeito nenhum essa intervenção
de Deus na vida dele! E ela foi tão reconfortada, tão
fortalecida na sua fé, que foi depois para a África,
lá estava à frente da RCC.
E aí vocês podem estar se perguntando: “E
nós, devemos também fazer isso?” Sim.
Devemos. “E como vamos fazer para rezar pela pessoa?”
Coloque a mão sobre a pessoa, feche os olhos e diga
no coração de vocês: “Senhor, faz
alguma coisa; tudo é possível!” De que
vocês têm medo? Por que vocês estão
sufocados?
Vocês se lembram de hoje de manhã, quando o Santíssimo
Sacramento estava aqui exposto? A Emmir proclamou uma palavra
profética muito forte sobre o “combate espiritual”.
Era como se todos nós estivéssemos esmagados,
sufocados. Hoje de manhã, o Senhor falou, acima de
tudo, acerca da impureza. E o demônio, sempre usa a
mesma metodologia. Primeiro ele sufoca, depois ele desencoraja
e se nós conseguimos vencer esses dois obstáculos,
nós veremos o terceiro.
Hoje de manhã era o sufocamento como um “polvo”,
cheio de tentáculos. Aqueles que leram as 20 milhas
submarinas do Júlio Verne, devem lembrar como esse
animal pegava o submarino e ia apertando... apertando... É
isso que o demônio faz. E nós vamos ficando apertados,
sufocados; a nossa liberdade, a nossa alegria vai ficando
sufocada e a nossa Parresia também. Então, o
que foi feito no submarino para que o “polvo”
os deixasse? Eles mandaram uma descarga elétrica, e
com isso o polvo na mesma hora o soltou, e o submarino ficou
livre.
Nós temos o poder de enviar essa descarga elétrica
sobre o demônio, que é esse “polvo”
que nos oprime. Essa descarga é o louvor! Quando nós
louvamos, é como se nós estivéssemos
derramando essa energia nesse polvo. Quando nós louvamos,
o polvo se assusta. Ele grita e nos deixa. Os anjos até
“aplaudem” com as suas asas... Quando eu louvo,
eu faço um ato de louvor a Deus que é bom, que
é eterno no seu amor. E o demônio é obrigado
a sair de cima de nós. E nós é que devemos
rir! Ele tem ódio que a gente ria dele. Então,
a cada momento que vocês forem louvar, lembrem-se disso,
que vocês estão liberando o poder de Deus!
A segunda grande tentação é o desencorajamento.
Então, para ilustrar o desencorajamento, primeiro eu
vou contar uma historinha e depois vou ler uma passagem bíblica
para que compreendam melhor.
É uma pequena parábola que vou contar. Um dia,
o demônio fez uma grande exposição. Ele
expôs todas as armas que utilizava. Era um shopping.
Todos os pecadores, os assassinos, os estupradores, os ladrões,
vinham ver essa exposição. E todas as armas
eram gratuitas. Um “self service”, você
vinha e pegava a que quisesse. Porém, havia um instrumento
que tinha marcado “esse é único, não
está à venda, nem pode ser emprestado”.
Era algo muito pequeno, um pouco envelhecido. E perguntaram
ao demônio: “O que é isso?” Ele respondeu:
“Isso aqui eu guardo, é meu. Com esse instrumento
posso entrar em qualquer lugar. É uma chave. E essa
chave se chama desencorajamento. Com essa chave do desencorajamento
eu abro a mente e penetro até o coração.
E eu consigo entrar no coração dos apóstolos,
no coração dos missionários, no coração
dos pais, dos jovens...”
É uma história triste! Mas escutem, não
sejamos “imbecis”, ele nos deu um meio; ele mostrou
as armas, mostrou que as armas estão aqui. Então,
se eu abaixo muito a minha cabeça, ele não vai
encontrar onde fica a abertura, porque o demônio nunca
se abaixa, só Deus se abaixa. E nós podemos
nos abaixar quando pedimos perdão; assim que vocês
se ajoelham o demônio não pode mais achar essa
abertura da chave, ele não tem mais a fechadura.
Em 1Reis 19 temos a história de Elias. Ele era um grande
profeta. E o Senhor deu a Elias uma Parresia incrível.
Ele disse: “Você vai fazer a chuva parar durante
três anos. Você vai ressuscitar uma pessoa morta,
e você principalmente vai afrontar os profetas de Baal.
Eles são 450 e você vai sozinho. Mas eu, Deus,
estou com você.” Então Elias foi lá
e provocou os profetas de Baal.
Ele provocou-os e disse: “Vamos lá, façam
cair o fogo do céu”; e durante o dia inteiro
os 450 profetas de Baal ficaram rezando, pedindo que o fogo
caísse do céu; elas faziam todo o ritual, mas
não adiantava nada. E Elias ficava só rindo.
Ele ficava se divertindo, e dizia: “Coloquem o dinheiro
de vocês nos bancos, comprem muitas coisas, casas de
luxo, carro, casa de praia, de montanha, vamos ver se isso
vai fazer com que vocês sejam felizes”. As pessoas
não são felizes assim, e o fogo do céu
também não desce.
E aí, no fim do dia, eles dizem: “Elias, agora
é com você!” Então Elias foi lá,
colocou no altar o sacrifício, e para mostrar que aquilo
não era um acaso, ele pediu que sobre o sacrifício
se derramasse água. Ele fez com que a água fosse
derramada três vezes sobre o sacrifício, em cima,
do lado, no meio, em todo lugar. E disse então: “Senhor,
agora é com você”. E o fogo do céu
desceu. Então Elias disse: “Prendam os profetas
e que nenhum deles fuja”. Elias foi lá, e degolou
cada um deles.
Depois Elias, que não teve medo desses 450 profetas
de Baal, foge para o deserto; e diz: “Senhor, chega!
Eu quero morrer, toma a minha vida”... Ele estava em
pé nesse momento, ele sabia bem que tinha sido Deus
que tinha feito tudo isso. Mas ele deve ter achado que ele
tinha feito alguma coisa também. O resultado é
que o grande profeta Elias ficou desencorajado, como se ele
fosse um “principiante”, um “estagiário”.
Isso é normal! O desencorajamento é normal.
É normal que uma mulher casada se sinta desencorajada
de ver o seu marido sempre bêbado.
É normal que as pessoas se sintam desencorajadas por
não acharem um trabalho estável, por não
ter oportunidade de fazer os estudos. Vocês são
como Elias! E Deus diz: “Você está desencorajado,
porque você ainda é “muito grande”...
Vá se abaixando, se abaixando, dobre os joelhos no
chão e ore. Você não vale mais do que
os outros, mas eu te amo! Eu te amo infinitamente.”
Então, vocês serão vencedores. Vocês
serão renovados no fervor, na Parresia; vocês
então terão ultrapassado o desencorajamento
e para se atravessar esse obstáculo é preciso
estar de “joelhos”, porque nós somos “muito
grandes”, sempre “muito grandes”.
E o último ponto que eu quero abordar é que
se vocês se colocam de joelhos, vocês colocam
os olhos de vocês no nível dos olhos de Jesus,
porque Jesus passa sua vida gloriosa de joelhos. A ocupação
de Jesus é lavar os meus pés. Quando Jesus lavou
os pés dos apóstolos, vocês achavam que
Ele estava em pé? Se Jesus estivesse em pé,
os apóstolos teriam de levantar os pés bem alto
para Ele lavar; não teria dado certo. Mas não,
Jesus colocou-se de joelhos, e se eu me coloco de joelhos,
eu me aproximo dos olhos de Jesus. Eu não posso ficar
desencorajado. Quando eu estou desencorajado, então
significa que é porque eu estou em pé. Então,
é impossível sermos renovados no fervor, na
Parresia, sem que nós devoremos a Bíblia. A
Bíblia é como uma roupa. Eu entendo que a gente
não tenha uma cruz... Mas que a gente não tenha
uma Bíblia! Então, de que é que vocês
vivem?
Vamos agora ver os instrumentos de combate de São Paulo
(Ef 6,14ss). Vamos fazer uma revisão rápida
e ilustrada. Existem quatro armas para que possamos nos defender
e duas para atacar. As de defesa são o cinto, a couraça,
o capacete e o escudo; As de ataque – o demônio
é quem nós atacamos – são a espada
e as sandálias.
O cinto é para se defender. Por que o soldado usa o
cinto? Para segurar a calça, porque senão, ao
correr, ela cai e ele vai se atrapalhar. E se ficamos segurando
a calça com as duas mãos, não podemos
lutar. Isso é o que São Paulo diz.
O cinturão é a verdade. A verdade é que
me permite manter as mãos livres e o coração
livre... Há 14 anos, nós estávamos pregando
a um grupo, durante uma semana. Na sala tinha uma mãe
e ela estava orando pela sua filha de 15 anos, sem saber que
nesse mesmo momento, ela estava indo para casa, e, lá
na esquina, um homem pulou sobre a menina e disse: “Tire
a roupa, porque eu vou te violentar”. E a filha teve
esta resposta extraordinária: “Eu não
posso, porque sou virgem”. Essa é uma resposta
absurda, nessa situação.
O homem começou a ficar nervoso. Ela pegou a Medalha
dela e disse: “Eu pertenço à Virgem Maria,
eu não posso”! Então, o homem olhou a
Medalha e saiu correndo. A moça começou a chorar
e foi correndo para a Igreja. Ela veio falar comigo e quando
nós compreendemos a história dissemos: “Nós
iremos rezar por você para que a sua memória
seja curada; e se você quiser, nós vamos orar
depois para que você perdoe”. Ela disse: “Não,
eu quero que vocês orem para que eu perdoe esse homem
agora, não depois”! E assim fizemos.
No dia seguinte então, nós continuamos a fazer
o nosso trabalho pastoral e, no dia seguinte, a mãe
estava novamente lá e ela orava agradecendo ao Senhor;
e nesse momento a filha voltava novamente para casa, e o homem
voltou também, pulou perto da menina de novo e disse:
“Eu peço perdão a você”, e
saiu correndo de novo. Aí está a Parresia do
testemunho cristão. Ela disse a verdade para ele, simplesmente
uma verdade pobre que parece até ridícula, ser
virgem e andar com a Medalha de Nossa Senhora, hoje em dia
diante da televisão e da mídia, isso pode até
ser ridículo. Eu poderia multiplicar esses exemplos
durante horas...
A verdade é esse cinto que nos deixa livres, sem medo.
Nós devemos conhecer a verdade, devemos tomar essa
decisão; devemos ler regularmente o Catecismo da Igreja,
estudar, pedir explicação sobre ele.
A segunda arma é a couraça. A couraça
serve para proteger o coração. Ela é
a justiça; mas é a justiça que defende
o amor, que protege o amor. O nosso coração
é como um recipiente pequenino e a abertura é
bem pequenininha, mas aí tudo pode entrar; o bom vinho,
ou coisas ruins...
Nós vimos no desencorajamento a mesma coisa; mas como
essa abertura é pequenininha, Deus nos dá um
funil, e nesse funil tem na parte fina um filtro, que se chama
inteligência. E a parte grande como um “vê”,
é a boa vontade. Se você coloca esse funil no
seu coração, no sentido correto, o “vê”
para cima, essa então é a couraça de
Deus.
As coisas passam pela boa vontade são filtradas pela
inteligência e entram no coração. Mas
eu quero que a minha inteligência compreenda antes.
Eu quero que me provem, antes de crer. Eu quero que me expliquem
antes que eu aceite. Eu quero que me mostrem, que me demonstrem
antes de eu aceitar. Então eu quero as coisas em contrário.
Eu quero que as coisas funcionem primeiro, como se eu colocasse
esse funil de cabeça para baixo, ao contrário.
Se vocês colocarem a inteligência primeiro, como
é que vocês querem que funcione? Porque a justiça
de Deus é colocar a inteligência a serviço
do coração. Não é a ditadura da
razão; é a minha razão servindo o amor.
Se nós colocarmos a razão nas nossas experiências
de amor, nós não encontraremos jamais a pessoa
da nossa vida, jamais o homem da nossa vida, a mulher da nossa
vida. Quando alguém está apaixonado nós
perguntamos: “Por que você está apaixonado?”
E a pessoa vai dizer: “Porque, porque, porque...”
Então, a inteligência tem de vir depois.
Eu vou contar a vocês um exemplo, que eu vou até
rir de mim mesmo. Mas isso é verdade, para mostrar
como eu era quando tinha 18 anos. Graças a Deus, a
minha mãe, coitadinha, não vai ouvir isso que
eu estou dizendo, porque senão ela ficaria com vergonha...
Quando tinha 18 anos, eu, um homem francês, inteligente,
com um espírito cartesiano disse: “Ó minha
inteligência, como será a mulher da minha vida?”
Comecei a pensar como seria o físico dela. Então,
isso tudo para fazer um robô, um retrato daquela mulher
que eu deveria encontrar. E eu procurava nas revistas, e quando
eu encontrava o rosto de uma mulher que me agradava, eu cortava
o rosto e no final do ano, eu teria 80 fotos; e aí
eu fui procurando que rosto me agradava mais. Aí fui
separando os olhos, o nariz, a boca, então, eu fui
deixando assim de lado, cinco ou seis narizes, olhos... boca,
que me agradavam, que eu achava que seria bonito na minha
mulher.
O problema, é que eu tinha escolhido cinco ou seis,
mas eu só poderia encontrar uma! Porque uma mulher
só tem um nariz. Então, depois de muito refletir,
cheguei a uma conclusão e encontrei o meu nariz preferido,
o olho preferido, a boca preferida etc. E aí, eu fui
montando, aí eu colei, e isso se tornou como um robô,
um modelo. O resultado disso foi um desastre! Simplesmente
essa mulher se tornou um monstro! Graças a Deus, a
minha esposa, Eveline, não se parece nada com esse
desenho que eu fiz. Vocês estão vendo? Isso não
era justo.
Essa é a couraça da justiça. Não
era a melhor maneira de agir! Deus não age assim. Então,
coloquem sempre a couraça, e coloquem esse funil do
coração no sentido coreto, senão todas
as histórias de amor que vocês viverão
serão loucuras. As meninas que estão sonhando
com o Leonardo de Caprio, e os rapazes com uma atriz famosa.
O demônio sempre age assim.
A terceira arma para permanecer fervoroso é o capacete
da esperança! A esperança é viver hoje,
fazer o que eu tenho de fazer hoje, mas olhando como Deus.
Olhando para o tempo em que estaremos todos reunidos no Paraíso;
nós nos reconheceremos! Vocês me dirão
em português: “Ó Dudu, eu estou tão
feliz de você estar aqui. Você chegou quando?”
E eu vou entender tudo! E vou dizer: “Ah! Você
é aquele que estava lá na décima fila
e que estava dormindo?” E eu vou perguntar: “E
o que foi que você gravou dessa palestra?” Aí
ele vai dizer: “Eu me lembrei de que devia ficar de
joelhos e com o “funil para cima”! E aí
durante a Missa eu me coloquei de joelhos e coloquei esse
funil no bom sentido”.
E eu vou dizer: “Foi tudo o que você ouviu? E
você evangelizou lá no ônibus?”.
“Ah não! Porque eu era o motorista, não
dava!”. “E você estava usando uma cruz?
Não? E a Bíblia você está lendo?”
“Eu não! Mas de joelhos eu fiquei”. E é
isso mesmo, vocês vão estar no céu comigo.
E nós lá vamos nos confraternizar, vamos cantar
Shalom! A Virgem Maria vai ficar conosco.
É assim que a evangelização acontece.
Vocês vão falar disso para outras pessoas. Vocês
vão dizer para um amigo daqui a pouco: “Eu não
entendi bem o que ele estava dizendo, mas eu ri bastante.
E esse amigo pode ser tocado, pode ser que ele vá à
Missa todos os domingos, todos os dias, e talvez ele se torne
o pai do Cardeal de Fortaleza em 2080. E nós todos
estaremos lá no céu. Então, São
Pedro vai dizer: “Senhor Jesus, eu vou te apresentar
agora o Cardeal de Fortaleza”. E este vai dizer: “Estou
aqui no céu graças a um senhor que foi tocado
pelo que disse outro senhor, que estava lá atrás
numa reunião do Shalom.” Aí, Jesus vai
dizer: “Ah! O Shalom!” E vai dizer para São
Pedro: “Faça entrar toda a Comunidade Shalom!”
Então, isso é a Parresia, isso é a Comunhão
dos Santos, isso é o Tesouro da Igreja Católica.
Então, o Capacete da Esperança é que
me faz capaz de ver como Deus. É melhor do que um capacete
de vídeo, daquele vídeo game.
O escudo agora! Ele faz o mesmo feito do colete à prova
de bala que os policiais americanos usam. É a Fé!
Que gênero, de que tipo de fé estou falando?
É crer que, qualquer coisa que aconteça, Deus
está aí. Nada pode me separar do amor de Deus.
O garotinho que fica aqui nas costas do pai, que é
campeão de box, não tem medo de nada. Ele tem
fé no seu pai.
Fonte: Revista Shalom Maná
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