2003-09-07 12:18:00 José Ricardo F. Bezerra
Consagrado na Comunidade de Aliança Shalom O método da Lectio Divina, como você, leitor (a), já sabe, consiste em quatro passos que nos ajudam muito a ler e a pôr em prática a Palavra de Deus. Como uma fonte inesgotável, a cada momento a Palavra de Deus oferece saciedade à nossa sede, e por mais que a bebamos ou que já a tenhamos lido e meditado, ela nunca, nunca cessa de nos dar algo novo, um entendimento novo, uma vida nova. Isto é próprio do Espírito Santo, que “faz novas todas as coisas”. Tome, portanto, este método da Lectio: leitura, meditação, oração e contemplação, e usufrua da graça atual. Neste mês de junho, mês do Sagrado Coração de Jesus e da solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, tomemos o trecho de Jo 19,31-37. Embora seja uma passagem bastante conhecida, pois a liturgia da Igreja a propõe em várias ocasiões, nunca podemos dizer que já a meditamos o suficiente. Aliás, este é um dos trechos mais importantes da Sagrada Escritura, pois está no centro de nossa fé: a morte de Jesus. A morte e a ressurreição de Jesus são como duas faces da mesma moeda, do mesmo mistério. Segundo o Evangelho de São Lucas, Jesus morreu por volta das três horas da tarde de sexta-feira (cf. Lc 23,44-46). Ora, no dia seguinte – o sábado – os judeus comemoravam a Páscoa. E para eles, o sábado não começa após a meia-noite da sexta-feira, mas a partir do anoitecer da sexta-feira. Então eles tinham de sepultar os mortos antes das seis horas, aproximadamente. Também, era necessário fazer uma série de coisas nessa sexta-feira, pois sábado era o dia do descanso, o shabat. No dia da Preparação, eles imolavam o cordeiro pascal para a ceia e faziam desaparecer das casas todo fermento e pão fermentado e até os farelos que pudessem estar nas roupas, mesas e armários. Muitos preocupavam-se com o exterior, mas não com o interior da alma, como denunciava Jesus em Mt 23. Naquele dia, alguns judeus pediram a Pilatos que apressasse a morte dos condenados, quebrando-lhes as pernas, pois estas, sustentando o corpo, retardavam a morte por asfixia. Os soldados cumpriram as ordens, mas chegando a Jesus viram que já estava morto e não lhe quebraram as pernas; entretanto, um dos soldados traspassou-lhe o coração, e dele saiu sangue e água. O que seria mais um gesto de crueldade ou talvez de cumprimento do dever para o soldado, transforma-se no supremo gesto de amor de Jesus: o coração aberto. E é assim que ele permanece, como testemunha na aparição a Tomé: “...aproxima tua mão e mete-a no meu lado...” (cf. Jo 20,27c). Todos os ensinamentos de Jesus são coroados com este gesto. “Do seu seio correrão rios de água viva”; “Quem tem sede, venha a mim e beba”; “A minha carne é verdadeira comida e o meu sangue verdadeira bebida”; “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos”; “Quando eu for elevado da terra atrairei todos a mim” (...) A meditação sobre o coração aberto de Jesus nos leva a relembrar muitas palavras de Jesus. Que esta meditação seja a base de sua oração, hoje. Lemos para conhecer e meditar. Meditamos para orar sobre as revelações de Deus a nós. Oramos para prolongar o diálogo, louvando e agradecendo, deixando que Deus complete a obra iniciada através da contemplação. Você deve ter tido outras meditações acerca deste texto de hoje. Então, faça sua oração espontânea com tudo o que Deus lhe revelou. Se puder, fique diante do Santíssimo Sacramento, em adoração, e contemple o mistério do coração aberto de Jesus. Não esqueça de anotar os rhemas desta Lectio e partilhar no seu grupo ou comunidade |
|