2003-09-08 12:30:00 Eu te exalto, meu Deus, meu rei;
bendirei teu nome para sempre. Vou te bendizer todos os dias e louvarei teu nome para sempre. Grande é o Senhor, merece todo louvor, é incalculável sua grandeza; uma geração pondera tuas obras à outra, e lhe conta tuas façanhas. Eles louvam a glória de tua majestade, e eu repito tuas maravilhas; eles encarecem tuas temíveis proezas, e eu narro tuas grandes ações; difundem a memória de tua imensa bondade, e aclamam tuas vitórias. O Senhor é clemente e misericordioso, lento para a cólera e rico em piedade; o Senhor é bom com todos, é carinhoso com todas as suas criaturas. Que todas as tuas criaturas te dêem graças, Senhor, que te bendigam teus fiéis; que proclamem a glória de teu reinado, que falem de tuas façanhas; explicando tuas façanhas aos homens, a glória e majestade de teu reinado. Teu reinado é um reinado perpétuo, teu governo vai de geração em geração. O Senhor é fiel a suas palavras, Bondoso em todas as suas ações. Queridos irmãos e irmãs: 1. Elevamos a oração do Salmo 114, um gozoso louvor ao Senhor que é exaltado como um rei carinhoso e terno, preocupado com todas as suas criaturas. A Liturgia apresenta-nos este hino em dois momentos distintos, que correspondem também aos dois movimentos poéticos e espirituais do mesmo salmo. Agora nos deteremos na primeira parte, que corresponde aos versículos 1 a 13. O Salmo está dirigido ao Senhor, a quem se invoca e descreve como «rei» (Cf. Salmo 144, 1), representação divina dominante em outros hinos dos salmos (Cf. Salmo 46; 92; 95-98). E mais, o centro espiritual de nosso canto está constituído precisamente por uma celebração intensa e apaixonada da realeza divina. Nela se repete em quatro ocasiões --como indicando os quatro pontos cardeais do ser e da história-- a palavra hebraica «malkut», «reino» (Cf. Salmo 144, 11-13). Sabemos que esta simbologia régia, que terá um caráter central também na pregação de Cristo, é a expressão do projeto salvífico de Deus: ele não é indiferente à história humana, e mais, tem o desejo de atuar conosco e para nós um desígnio de harmonia e de paz. Toda a humanidade está também convocada a cumprir este plano para obedecer à vontade salvífica divina, uma vontade que se estende a todos os «homens», a «toda geração» e a «todos os séculos». Uma ação universal, que arranca o mal do mundo e entroniza a «glória» do Senhor, ou seja, sua presença pessoal, eficaz e transcendente. 2. Para o coração deste salmo, que aparece precisamente no centro da composição, dirige-se o louvor orante do salmista, que se faz porta-voz de todos os fiéis e que hoje gostaria de ser porta-voz de todos nós. A oração bíblica mais alta é, de fato, a celebração das obras de salvação que revelam o amor do Senhor por suas criaturas. O Salmo continua exaltando «o nome» divino, ou seja, sua pessoa (Cf. versículos 1-2), que se manifesta em sua ação histórica: fala-se de «obras», «maravilhas», «prodígios», «potência», «grandeza», «justiça», «paciência», «misericórdia», «graça», «bondade e «ternura». É uma espécie de oração em forma de ladainha que proclama a entrada de Deus nas vicissitudes humanas para levar toda a realidade criada a uma plenitude salvífica. Não estamos à mercê de forças obscuras, nem estamos sós com nossa liberdade, mas que fomos confiados à ação do Senhor poderoso e amoroso, que instaurará para nós um desígnio, um «reino» (Cf. versículo 11). 3. Este «reino» não consiste no poder ou no domínio, no triunfo ou na opressão, como sucede infelizmente com freqüência com os reinos terrenos, mas que é a sede de uma manifestação de piedade, ternura, bondade, de graça, de justiça, como confirma em várias ocasiões nos versículos que contêm o louvor. A síntese deste retrato divino está no versículo 8: o Senhor é «lento para a cólera e rico em piedade». São palavras que recordam a apresentação que o próprio Deus havia feito de si mesmo no Sinai, onde disse: «O Senhor, o Senhor, Deus misericordioso e clemente, lento para a cólera e rico em amor e fidelidade» (Êxodo 34, 6). Temos aqui uma preparação da profissão de fé em Deus de São João, o apóstolo, ao dizer-nos simplesmente que Ele é amor: «Deus caritas est» (Cf. 1 João 4, 8. 16). 4. Além de fixar-se nestas belas palavras, que nos mostram um Deus «lento para a cólera e rico em piedade», disposto sempre a perdoar e ajudar, nossa atenção se concentra também no belíssimo versículo 9: «o Senhor é bom com todos, é carinhoso com todas suas criaturas». Uma palavra que há que meditar, uma palavra de consolo, uma certeza que aporta em nossa vida. Neste sentido, São Pedro Crisólogo (nascido em torno ao ano 380 e falecido em torno a 450) se expressa com estas palavras no «Segundo discurso sobre o jejum»: «“Grandes são as obras do Senhor”: mas esta grandeza que vemos na grandeza da Criação, este poder é superado pela grandeza da misericórdia. De fato, tendo dito o profeta: “Grandes são as obras de Deus”, em outra passagem acrescenta: “Sua misericórdia é superior a todas suas obras”. A misericórdia, irmãos, enche o céu, enche a terra... Por isso a grande, generosa, única misericórdia de Cristo, que reservou todo juízo para um só dia, designou todo o tempo do homem à trégua da penitência... Por isso, confia totalmente na misericórdia o profeta, que não tinha confiança na própria justiça: “Misericórdia, Deus meu, por tua bondade, por tua imensa compaixão apaga minha culpa” (Salmo 50, 3)» (42,4-5: «Sermoni 1-62bis», «Scrittori dell’Area Santambrosiana», 1, Milão-Roma 1996, pp. 299.301). E nós dizemos também ao Senhor: «Piedade de mim, Deus meu, pois grande é tua misericórdia». Fonte: Zenit |
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