Encontrar-se com Jesus ressuscitado
Publicamos as palavras que Bento XVI pronunciou na Segunda-Feira da Páscoa, ao rezar a oração Mariana do Regina Caeli junto aos peregrinos que encheram o pátio do palácio apostólico de Castel Gandolfo.

O encontro de oração foi acompanhado em conexão televisiva por numerosos fiéis desde a Praça de São Pedro, no Vaticano.

O Papa havia chegado na véspera a Castel Gandolfo -- a trinta quilômetros de Roma --, onde passou alguns dias de descanso após as celebrações do tríduo pascal.

A oração mariana do Regina Caeli substitui a do Ângelus durante todo o período da Páscoa.

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Queridos irmãos e irmãs!

Ainda estamos repletos do gozo espiritual que as celebrações solenes da Páscoa produzem realmente no coração dos fiéis. Cristo ressuscitou! A este mistério tão grande a liturgia não dedica somente um dia -- seria pouco demais para tanta alegria --, mas cinqüenta, isto é, todo o tempo pascal, que termina com Pentecostes. O domingo de Páscoa é um dia absolutamente especial, que se estende durante toda esta semana, até o próximo domingo, e forma a oitava de Páscoa.

No clima da alegria pascal, a liturgia de hoje nos leva ao sepulcro, onde Maria Madalena e a outra Maria, segundo o relato de São Mateus, impulsionadas pelo amor a Ele, tinham ido «visitar» o túmulo de Jesus. O evangelista narra que Jesus saiu ao seu encontro e disse: «Não temais. Ide dizer aos meus irmãos que se dirijam à Galiléia; lá me verão» (Mt 28, 10). Verdadeiramente experimentaram uma alegria inefável ao ver novamente o Senhor e, cheias de entusiasmo, correram para comunicar a notícia aos discípulos.

Hoje, o Ressuscitado repete para nós, como para aquelas mulheres que haviam permanecido junto d’Ele na Paixão, que não tenhamos medo de converter-nos em mensageiros do anúncio de sua ressurreição. Quem se encontra com Jesus ressuscitado e a ele se confia docilmente não tem nada a temer. Esta é a mensagem que os cristãos estão chamados a difundir até os últimos confins da terra.

O cristão, como sabemos, não começa a crer ao aceitar uma doutrina, mas ao encontrar-se com uma Pessoa, com Cristo morto e ressuscitado. Queridos amigos, em nossa existência diária são muitas as ocasiões que temos para comunicar de forma simples e convencida nossa fé aos outros; assim, nosso encontro pode despertar neles a fé. E é muito urgente que os homens e as mulheres de nossa época conheçam e se encontrem com Jesus e, também graças ao nosso exemplo, se deixem conquistar por Ele.

O Evangelho não diz nada sobre a Mãe do Senhor, sobre Maria, mas a tradição cristã a contempla enquanto se alegra mais do que ninguém ao abraçar novamente seu Filho divino, a quem apertou entre seus braços quando o desceram da cruz. Agora, depois da ressurreição, a Mãe do redentor se alegra com os «amigos» de Jesus, que constituem a Igreja nascente.

Ao mesmo tempo em que renovo de coração minha felicitação pascal, eu a invoco, Regina Caeli, para que mantenha viva a fé na ressurreição em cada um de nós e nos converta em mensageiros da esperança e do amor de Jesus Cristo.
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