2008-08-27 07:17:00 Raniero Cantalamessa “Naqueles dias, veio Jesus de Nazaré da Galiléia, e
foi batizado por João no Jordão. Enquanto saiu da água, viu que os céus se
rasgavam e que o Espírito, em forma de pomba, baixava sobre ele. E ouviu-se uma
voz que vinha dos céus: ‘Tu és meu Filho amado, em ti me comprazo’.” Será que Jesus precisava, também Ele, ser batizado
como nós? Certamente não. Ele quis, com aquele gesto, mostrar que se havia
feito um de nós A festa do Batismo de Jesus é a ocasião para refletir
sobre o nosso batismo. Uma pergunta que freqüentemente as pessoas fazem acerca
do batismo é: Por que batizar as crianças pequenas? Por que não esperar que
sejam maiores e decidam por si mesmas livremente? É uma questão séria, mas pode
ocultar um engano. Ao procriar um filho e dar-lhe a vida, será que os pais lhe
pedem antes a permissão? Convencidos de que a vida é um dom imenso, supõem
justamente que a criança um dia lhes estará agradecida por isso. Não se pede
permissão a uma pessoa quando se trata de dar-lhe um dom, e o batismo é
essencialmente isto: o dom da vida dado ao homem pelos méritos de Cristo. É claro que tudo isto supõe que os pais sejam eles
mesmos crentes e tenham intenção de ajudar a criança a desenvolver o dom da fé.
A Igreja lhes reconhece uma competência decisiva neste campo e não quer que uma
criança seja batizada contra a vontade deles. Ninguém, portanto, diz hoje que, pelo simples fato de
não ser batizado, será condenado e irá ao inferno. As crianças falecidas sem
batismo, assim como as pessoas que viveram, sem culpa sua, fora da Igreja,
podem salvar-se (estas últimas, entende-se, vivem segundo ditames de sua
própria consciência). Esqueçamos a idéia do limbo como o lugar sem alegria e
sem tristeza no qual acabariam as crianças não batizadas. A sorte das crianças
não batizadas não é diferente da dos Santos Inocentes que celebramos justo
depois do Natal. O motivo disso é que Deus é amor e “quer que todos se salvem”,
e Cristo morreu também por eles! Distinto é, ao contrário, o caso de quem descuida de
receber o batismo só por preguiça ou indiferença, ainda advertindo talvez, no
fundo de sua consciência, sua importância e necessidade. Neste caso, conserva
toda sua seriedade a palavra de Jesus: só “quem crer e for batizado, será salvo”
(cf. Mc 16,16). Cada vez mais há pessoas em nossa sociedade que por diversos
motivos não foram batizadas na infância. Existe o risco de que cresçam e
ninguém decida nada, nem em um sentido nem Para sair ao encontro desta situação, a Igreja dá
muita importância atualmente à chamada “iniciação cristã dos adultos”. Esta
oferece ao jovem ou ao adulto sem batismo a ocasião de formar-se, preparar-se e
decidir com toda liberdade. É necessário superar a idéia de que o batismo é
algo só para crianças. O batismo expressa seu significado pleno precisamente
quando é querido e decidido pessoalmente, como uma adesão livre e consciente a
Cristo e a sua Igreja, ainda que não diminua em absoluto a validez e o dom que
representa ser batizado ainda criança, pelos motivos que expliquei acima.
Pessoalmente, estou agradecido a meus pais por terem me batizado nos primeiros
dias de vida. Não é a mesma coisa viver a infância e a juventude sem graça
santificante! - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
por , Revista Shalom Maná - Ed. Shalom / Faça AQUI sua assinatura |
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