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shalom O papel dos pais no desenvolvimento das crianças
 2008-09-29 10:29:00

O desenvolvimento humano encontra na infância uma fase decisiva e de grande importância para a formação integral da pessoa humana. É bem verdade que a atividade educativa privilegia a idade evolutiva, mas não se fecha neste arco temporal, antes tende a abranger a existência inteira, ou seja, é uma educação permanente, onde não somente as crianças e adolescentes estão inseridos neste processo, como também os adultos e anciãos .

 

“Tirar para fora”

 

Etimologicamente, a palavra educação indica o ato ou processo de “tirar para fora” o que existe dentro do educando. Tal processo ou ato envolve dois aspectos importantes: um ambiente favorável e alguém que ajude, um agente externo que intervém, auxiliando neste processo .

No processo educativo, cada um deve fazer sua experiência. Mesmo que exista alguém para ajudar neste “tirar para fora” não se pode prescindir daquilo que se é, ou seja, é cada um por si . A educação tem como alvo promover sempre a autonomia para que o educando cresça a partir das suas próprias “raízes”. O educador é o jardineiro e o educando a planta. Aquele pode oferecer as condições para o desenvolvimento, enquanto este se desenvolve a partir de uma dinâmica própria e pessoal.

 

O papel dos pais e educadores

 

Estes conceitos são muito importantes para compreendermos a educação como um movimento progressivo, operante no desenvolvimento da pessoa. Entretanto, tratando-se das crianças, a intervenção dos pais pode e deve ser mais intensa e positiva.

Respeitando a lei da dinâmica gradual do desenvolvimento, o papel dos pais e educadores é ajudar as crianças a conhecerem-se a si mesmas, descobrindo e desenvolvendo capacidades latentes e adquirindo habilidades necessárias para seu pleno crescimento. Mesmo que os filhos pequenos estejam profundamente identificados com os pais e os tenham como referenciais e objeto de imitação, faz-se necessário ajudá-los a assumir o que são: outros seres, outras personalidades.

Certamente haverá de ser um processo lento, o qual se intensificará com as profundas transformações da adolescência. Para tanto, os processos desta descoberta de si em interação com os outros e com o ambiente é fundamental.

Os elementos egocêntricos, próprios da imaturidade do estágio infantil, podem ser trabalhados de modo pro-ativo, ou seja, conhecendo o valor das potencialidades e capacidades presentes dentro do educando. O educador deve ajudá-lo a conhecer, valorizar e operacionalizar tais riquezas interiores.

Além disso, é preciso fazer a mediação entre o educando e o ambiente social. Acompanhar as experiências e ajudar a criança a tirar proveito delas é de grande importância.

No processo educativo, o papel das recompensas deve ser encarado como um estimulante inicial para gerar atração e gosto por comportamentos e conhecimentos que gerem crescimento para a criança. O pai e a mãe ajudarão, no entanto, o próprio filho a encontrar nas autênticas motivações, um combustível para abraçar condutas cada vez mais condizentes com uma situação de crescimento.

A assimilação dos conhecimentos (introdução nos esquemas que a realidade apresenta) e a acomodação (entendida aqui como modificação dos esquemas em função da realidade) permitem a evolução de estruturas de aprendizagem de qualidade e uma saudável interação com o ambiente .

 

Confiança e frustrações

 

Ora, uma tarefa própria da infância é o de estabelecer sentimentos de confiança com o mundo. Essa confiança de base acontece na medida em que suas necessidades fundamentais são satisfeitas e, assim, a criança estabelece uma confiança de base nos outros e isto constitui o fundamento de sua autoconstrução positiva .

Na formação da criança, o estabelecimento de limites entre ela mesma e o ambiente é profundamente necessário com uma atitude equilibrada, onde o afeto dos carinhos e ternas atenções são contrabalanceados com a capacidade de dizer não, de forma propositiva e solidamente motivada.

As frustrações constituem um importante elemento para uma bem constituída formação da personalidade de uma pessoa. Não é preciso insistir nos tristes exemplares de adultos que não sabem receber ou acolher a frustração, se revoltam quando suas vontades não são satisfeitas, nem seus pontos de vista aceitos. De fato, na vida social, nem sempre será possível fazer o que se quer. Aceitar isso é fundamental na interação grupal. Se as crianças não forem treinadas para isso, então, teremos adultos cheios de manhas e egoístas. Não vai haver casamento que agüente, vida comunitária que se sustente, vida social que perdure.

 

O perigo da superproteção

 

Os extremos, sempre malévolos e nocivos, devem ser estrategicamente evitados e determinadamente combatidos. Na proporcionalidade das descobertas que se sucedem no transcorrer da evolução dos anos, dos passos rumo a uma evolução, é necessário evitar a superproteção. Essa, muitas vezes, se manifesta através da ansiedade, por parte de mães e/ou pais, que atuam de forma substitutiva da criança e do adolescente.

Pessoas que tiveram este tipo de relação com pais que assim se comportaram e, sobretudo com as próprias mães, tendem a ser inseguras, indecisas, medrosas. Não sabem fazer escolhas, nem ter gosto próprio. Os que, por outro lado, tiveram pais autoritários ou muito ausentes, ou poderão ter dificuldades em receber e transmitir positivamente amor, carinho, afeto. Serão tendencialmente indivíduos frios, negativamente independentes, desconfiados.

O papel do pai e da mãe na vida da criança é também fundamental. Com efeito, os papéis masculinos e femininos começam a se definir já nas brincadeiras. Os jogos tornam-se importantes para interagir com os outros e preparam as crianças para assumir seu próprio papel. Por isso, é sempre questionável e redutivo jogos meramente eletrônicos.

A responsabilidade de ser pai e mãe é o de educar para a vida. Os filhos os terão como referenciais e eles não podem se eximir em sê-lo para a sua prole.

Certamente, não existem fórmulas mágicas para educar. Bom senso, diálogo, capacidade de buscar o bem do educando acima dos medos, sem se deixar condicionar ou pressionar pelas dores do processo é uma forma de imitar o próprio Deus que nos educa e forma com sua ação providente e paterna.



Pe. Marcos Chagas


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Revista Shalom Maná - Ed. Shalom
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