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shalom Mensagem e crise
 2008-11-03 13:03:00




Dom Walmor Oliveira de Azevedo

A crise econômica é o assunto primeiro da pauta mundial. Em questão está o sistema financeiro, analisado na busca de explicitação do processo de sua saída dos parâmetros da regulagem, quanto na discussão dos procedimentos para se conseguir sua salvação. Neste contexto a linguagem sofisticada da economia é domínio só de parte seleta da sociedade. O que se pode conhecer dos seus descompassos se alcança a partir dos efeitos sobre a vida quotidiana de cada um, particularmente dos mais pobres da terra. A linguagem da economia tem um vocabulário que é verdadeiro maré magnum para a compreensão e explicação das questões Inclui vocábulos e expressões como hipotecas, desregulação dos mercados, colapso do sistema financeiro, autoridade monetária internacional, capitalismo, operações, lucros e tantos outros. Mas, inclui também o vocábulo credibilidade. Os entendidos no assunto sabem bem a extensão semântica da referência credibilidade. Sua significação permite desdobramentos ou trava avanços.

Na extensão da significação, pois, do que é credibilidade há uma incontestável referência à dimensão de valores. Credibilidade é referência a valores. Valores configuram a credibilidade. Para além dos números e das quantidades, os valores que configuram a credibilidade se referem a irrenunciáveis dimensões de caráter ético e moral. Na verdade, a credibilidade no sistema financeiro não é apenas uma questão de números. Se fosse, tudo poderia se resolver até mesmo, como é praxe em tantos procedimentos, com os números virtuais que, tantas vezes, tem a propriedade de cobrir com ilusória maquiagem tantas feridas da realidade social e política. Esta credibilidade que pode devolver ao sistema financeiro um equilíbrio, para não comprometer a justiça e a dignidade humana, tem raízes, pois, na questão fundamental dos valores que inspiram e formatam concepções, ideários sociais, políticos e econômicos.

Esta referência a valores pode não ser admitida e percebida de maneira fácil e natural, em razão das cristalizações que o sistema perverso instalado em economias tem envolvido as mentes e os corações. Contudo, sabe-se que a força de influência e incidência nas instituições, que devem ser repensadas a partir do estouro de uma crise, deve-se ao que é tocado no âmbito dos valores. Os entendidos da área econômica sabem, também, a importância dos valores na configuração dos entendimentos econômicos. Por isso, são perversos ou favoráveis à justiça. Quando são comprometidos os valores, compreende-se a inconsistência de propostas e a falta de solidez nos funcionamentos que trazem prejuízos para a vida do cidadão comum. A crise econômica mundial, portanto, não é apenas uma crise de dinheiro perdido, injetado, favorecido, emprestado. Esta crise é um terremoto tocando as esferas dos valores. Isto requer uma compreensão cuja lucidez precisa ser iluminada por valores e referências quando se considera a mesa de discussão em vistas da superação da crise.

É importante encontrar saídas e soluções para que o equilíbrio permita os avanços nas conquistas sociais e no desenvolvimento global das nações e culturas. Neste contexto a Igreja Católica, na sua fidelidade à verdade que é Jesus Cristo, levanta a voz e proclama sua palavra, acendendo uma luz neste momento crítico da crise econômica mundial. Sua voz vem, de modo especial, na Mensagem do Sínodo dos Bispos, ao concluir a sua XII Assembléia Sinodal, em 26 de outubro de 2008. Uma Mensagem como sinal de esperança e de aposta, fruto do caminho percorrido sob a presidência do Santo Padre o Papa Bento XVI. Em foco está o seguimento de Jesus Cristo, fonte inesgotável da verdade que Ele é. Em quatro partes a mensagem do Sínodo lança luzes para o caminho, a partir das considerações que estão na raiz das questões. Há uma voz, a voz da Palavra, a revelação de Deus, que precisa ser escutada. Nesta primeira parte, focaliza-se que “no princípio era o verbo, e o verbo era Deus. Tudo foi feito por meio dele e sem Ele nada do que existe foi feito.” (Jo 1,3)

A criação, sublinha a mensagem, não nasceu de uma luta intra-divina, como ensinava a mitologia, mas de uma palavra que vence o nada e cria o ser. Esta palavra está na raiz da história humana. Esta palavra é a Palavra de Deus que se fez carne. É uma pessoa, Jesus Cristo, o Salvador. Sua revelação é o tesouro fonte deste entendimento da vida e de sua configuração nas medidas de seu verdadeiro sentido. Esta Palavra de Deus, fonte de toda credibilidade, por estar na raiz dando início e vida, diz a segunda parte da mensagem, tem em Jesus Cristo o seu rosto concreto e visível. O encontro com ele e sua escuta permitem a superação dos fundamentalismos religiosos e sociais, políticos e econômicos. Toda crise indica, pois, que é preciso beber em fonte mais limpa e verdadeira na busca do caminho novo para as instituições e para a vida de todos.



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