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shalom A ação Católica
 2010-07-29 07:35:00

Há não poucos decênios, em diversas nações, os leigos, consagrando-se cada vez mais ao apostolado, reuniram-se em várias formas de atividade e de grupos que, mantendo uma mais estreita relação com a Hierarquia, visavam e ainda visam fins propriamente apostólicos. Entre essas instituições ou entre as similares que, mesmo por métodos diversos de trabalho, apresentaram no entanto os mais abundantes frutos para o reino de Cristo. Devidamente recomendadas e promovidas pelos Sumos Pontífices e por muitos Bispos, por eles foram denominados Ação Católica e muitíssimas vezes descritas como cooperação dos leigos no apostolado hierárquico.

 Estas formas de apostolado, quer levem o nome de Ação Católica quer outro, as quais exercem em nosso tempo um apostolado precioso, estão constituídas pelas seguintes características, tomadas em conjunto.

A finalidade imediata de tais organizações é a finalidade apostólica da Igreja, ou seja, evangelizar e santificar os homens e formar-lhes cristãmente a consciência, para assim conseguirem impregnar com o espírito do Evangelho as diversas comunidades e os diversos ambientes;

Os leigos, cooperando segundo o modo próprio deles com a hierarquia, apresentam sua experiência e assumem a responsabilidade na direção destas organizações, na apreciação das condições nas quais se deva exercer a ação pastoral da Igreja, como também na elaboração e execução do planejamento;

Os leigos agem unidos, à maneira de um corpo orgânico, para assim significar de modo mais apropriado a comunidade da Igreja e tornar mais eficaz o apostolado;

Os leigos, quer oferecendo-se espontaneamente, quer convidados para a ação e cooperação direta com o apostolado hierárquico, agem sob a superior orientação da mesma Hierarquia, que pode confirmar esta cooperação também por mandato explícito.

As organizações em que, a juízo da Hierarquia, tais características se encontrarem reunidas, devem considerar-se Ação Católica, mesmo que por causa das exigências dos lugares e povos assumam várias formas e nomes.

O Sacrossanto Concílio recomenda insistentemente estas instituições que, em muitas nações, respondem certamente às necessidades do apostolado da Igreja: convida sacerdotes e leigos, que nelas trabalham, a tornarem mais e mais realidade as notas acima enunciadas, e cooperem sempre fraternalmente na Igreja com todas as demais formas de apostolado.

Valor das Associações

  Todos os agrupamentos de apostolado merecem estima; aqueles porém que a hierarquia, segundo as necessidades dos tempos e lugares, citar ou recomendar ou decretar como mais urgentes a serem instituídos, devem ser tidos em alto apreço pelos sacerdotes, religiosos e leigos e promovidos segundo a forma que lhes é própria. Entre estas porém merecem figurar, hoje em dia, sobretudo, as organizações e grupos internacionais dos católicos.

Leitos que a Título Especial servem à Igreja

Dignos de honra e apreço especial na Igreja não os leigos, quer celibatários, quer casados, que se dedicam com sua habilidade profissional, ou para sempre, ou para algum tempo, ao serviço das Instituições e de suas obras. Causa-lhe grande alegria o fato de diariamente crescer o número de leigos que oferecem seu serviço às associações e às obras de apostolado, seja dentro dos limites de sua nação, seja no campo internacional, seja sobretudo nas comunidades católicas das missões e das igrejas novas.

Acolham os pastores da Igreja a esses leigos com alegria e gratidão. Cuidem que a situação deles corresponda o melhor possível ás exigências da justiça, eqüidade e caridade, sobretudo quanto no sustento honesto, deles e de suas famílias, e que eles próprios desfrutem da necessária formação, consolo e incentivo espiritual.

OBSERVÂNCIA DA RETA ORDEM

O apostolado dos leigos, individual ou em grupos de fiéis, deve inserir-se de maneira ordenada dentro do apostolado de toda a Igreja. Mais. A união estreita com aqueles a quem o Espírito Santo estabeleceu para regerem a Igreja de Deus. (cf. At 20,28) é elemento essencial de apostolado cristão. Não menos necessária é a cooperação entre as diversas iniciativas do apostolado que devem ser ordenadas de maneira conveniente pela Hierarquia.

Para promover o espírito de união e assim resplandecer a caridade da fraternidade em todo o apostolado da Igreja, colimarem-se objetivos comuns e evitarem-se emulações perniciosas, impõe-se na Igreja a mútua estima de todas as formas de apostolado, além de uma coordenação acertada, conservando-se, embora a índole própria de cada uma.

Isso é sobremaneira conveniente, uma vez que a ação peculiar na Igreja exige harmonia e cooperação apostólica de ambos os cleros, dos religiosos e dos leigos.

Relações com a Hierarquia

É dever da hierarquia incentivar o apostolado dos leigos, apresentar princípios e subsídios espirituais, orientar o exercício deste mesmo apostolado para o bem comum da Igreja e permanecer vigilante para resguardar a doutrina e a ordem.

O apostolado dos leigos admite de fato várias modalidades de relações com a hierarquia, segundo suas diversas formas e objetivos.

Pois existem na Igreja muitíssimas iniciativas apostólicas que se criam por livre escolha dos leigos e se regem pelo prudente parecer dos mesmos. Por tais iniciativas em certas circunstâncias pode realizar-se mais perfeitamente a missão da Igreja. E, por isso, não raro são citadas e recomendadas pela hierarquia.2 Nenhuma iniciativa no entanto reclame para si o nome de católica, se não obtiver o consenso da legítima autoridade eclesiástica.

Algumas formas de apostolado leigo são explicitamente reconhecidas pela hierarquia, de vários modos porém.

Além disso pode a autoridade eclesiástica, por causa das exigências do bem comum da Igreja, escolher e promover de modo peculiar alguns dentre os grupos e empreendimentos apostólicos que visam a um fim espiritual imediato, assumindo junto a estes responsabilidade especial. Assim a hierarquia, orientando de diversos modos o apostolado conforme as circunstâncias, une mais estreitamente com seu próprio múnus apostólico alguma forma dele, conservando no entanto a natureza e a distinção entre a ação hierárquica e leiga, e não suprimindo tampouco a faculdade necessária dos leigos de agirem por própria iniciativa. Esse ato da hierarquia é chamado em vários documentos eclesiásticos de mandato.

Finalmente, a hierarquia confia aos leigos certas funções que estão mais de perto ligadas aos deveres de pastores, como na exposição da doutrina cristã, em certos atos litúrgicos, na cura d’almas. Por força desta missão, os leigos, no exercício de sua função, estão de todo sujeitos à superior orientação eclesiástica.

No que diz respeito às atividades e instituições de ordem temporal, é função da hierarquia eclesiástica ensinar e interpretar autenticamente os princípios de ordem moral que devem ser seguidos nos assuntos temporais. Compete também a ela julgar – depois de tudo bem considerado e depois de valer-se do auxílio de peritos – da conformidade de tais obras e institutos com os princípios morais e distinguir dentre eles os que são necessários para tutelar e promover os bens da ordem sobrenatural.

 Os Bispos, os párocos e os demais sacerdotes de um e outro clero tenham diante dos olhos que o direito e o dever de exercer o apostolado é comum a todos os fiéis, sejam eles clérigos ou leigos, e que na edificação da Igreja também os leigos tem sua função própria.3 Trabalhem por isso fraternalmente com os leigos, na Igreja e pela Igreja, e dêem especial atenção aos leigos nas obras apostólicas que realizam.

Selecionem-se conscienciosamente sacerdotes idôneos e bem formados, para assistentes das formas especializadas do apostolado leigo.5 Os que no entanto se dedicarem a tal ministério, depois de receberem a missão da hierarquia, representam-na em sua ação pastoral; estimulem as relações oportunas dos leigos com a hierarquia, mantendo-se sempre fielmente ligados ao espírito e doutrina da Igreja; empenhem-se a si mesmos por alimentar a vida espiritual e os senso apostólico dos grupos católicos a eles confiados; assistam-nos na atividade apostólica com seus conselhos prudentes e estimulem as iniciativas. Num diálogo contínuo com os leigos, investiguem com cuidado quais sejam as formas capazes de tornarem a ação apostólica mais frutuosa. Promovam o espírito de unidade dentro do próprio grupo como também entre ele e os demais.

Saibam afinal os religiosos, irmãos e irmãs, apreciar as obras apostólicas dos leigos; segundo o espírito e as normas de seus instintos, dediquem-se com gosto a promover-lhes as obras6, procurem apoiar, auxiliar e completar as tarefas dos sacerdotes.

Meios para Mútua Cooperação

 Nas dioceses, enquanto for possível, existam conselhos que auxiliem a obra apostólica da Igreja, seja no campo da evangelização e santificação, seja no campo da caridade, da assistência social e outros. Neles cooperem convenientemente os clérigos e religiosos junto com os leigos. Tais conselhos poderão servir para a mútua coordenação dos vários grupos e iniciativas dos leigos, mantendo-se a índole própria e autonomia de cada um deles.

Tais conselhos existam, se possível, também no âmbito paroquial e interparoquial, interdiocesano, como ainda em nível nacional e internacional.8

Crie-se além disso junto à Santa Sé um secretariado especial para serviço e estímulo do apostolado dos leigos, como centro que forneça, por meios apropriados, as notícias sobre as diversas iniciativas apostólicas dos leigos, que estude as pesquisas sobre as questões suscitadas neste campo e que assista com seus conselhos a hierarquia e os leigos nas obras apostólicas. Neste secretariado estejam representados os diversos movimentos e as iniciativas mundiais do apostolado dos leigos. Cooperem aí com os leigos também os clérigos e os religiosos.

 Cooperação com os Outros Cristãos e com os não-Cristãos

 O patrimônio evangélico enquanto comum e a conseqüente tarefa comum do testamento cristão recomendam e muitas vezes exigem a cooperação, dos católicos com os outros cristãos, exercida pelos indivíduos e pelas comunidades da Igreja, tanto nas atividades quanto nos agrupamentos, na esfera nacional ou internacional.

Os valores humanos comuns não raro reclamam também semelhante cooperação dos cristãos, que visam objetivos apostólicos, com aqueles que não professam o nome cristão, mas reconhecem tais valores.

Por tal cooperação dinâmica e prudente,10 que assume grande importância nas atividades temporais, os leigos dão testemunho de Cristo Salvador do mundo e da unidade da família humana.

Carta sobre o Apostolado dos Leigos - Concílio Vaticano II

» Apostolado dos Leigos
» O Apostolado de Evangelização e Santificação dos Homens

» Os campos de apotolados dos leigos
» As diversas modalidades do apostolado dos leigos na Igreja
» A ação Católica
» Formação para o apostolado
» Formação Adequada para os Diversos Tipos de Apostolado




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por Papa Paulo VI *
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