Aos noivos
A vocês, noivos,
que têm coragem de testemunhar, com seu noivado, que acreditam que o amor é risco, mas é também compromisso;
que acolhem o risco de amar na certeza de que o amor é mais forte do que a morte;
que abraçam um período de preparação pela reflexão, pela escuta da vontade de Deus e pela busca da verdade.
A vocês, noivos,
que têm a coragem de testemunhar que noivado não é coisa do passado, não senhor;
que investem, maduramente, em seu futuro, dando-se este período de relacionamento mais intenso e veraz;
que usam a aliança não como um símbolo de uma instituição falida, mas como o sinal de uma esperança eterna.
A vocês, noivos,
mais preocupados com o amor do que com a festa;
com a partilha que com o fraque e vestido;
com o estar com os amigos do que com a comida exótica;
com a graça do sacramento que com a cerimônia e as flores;
A vocês, noivos,
decididos a guardar a castidade mesmo sabendo que “falta pouco tempo”,
decididos a guardar-se um para o outro em corpo e alma – e, como sabem, os dois são inseparáveis, onde um vai, o outro vai também;
decididos a fundamentar o casamento de vocês não em um relacionamento animal de quem “não agüenta mais” mas em um relacionamento humano e espiritual de quem vê o ato conjugal como a consumação e sinal de um amor eterno.
A vocês, noivos,
que não caem no cinismo de que o amor é eterno enquanto dura, mas crêem que é o amor que faz as coisas e acontecimentos serem eternos, e não vice-versa;
que optaram que o amor, sim, é para sempre, pois nunca se cansa de amar;
que crêem no que diz João da Cruz quando afirma que o “amor não cansa e nem se cansa”;
que não têm medo de que o outro “mude” depois do casamento, mas que o ama em sua mudança de cada dia, sinal de crescimento e maturação.
A vocês, noivos,
lúcidos o suficiente para não acreditarem no cor de rosa dos contos de fada;
livres o suficiente para não se deixarem influenciar pela mídia que veicula o hedonismo;
responsáveis o suficiente para saberem que a felicidade depende do renovado ato de vontade de decidir sempre amar;
maduros o suficiente para dialogarem, dialogarem, dialogarem, dialogarem sempre;
A vocês, noivos,
que nem pensam em dizer a frase egoísta e irresponsável: “Se não der certo, separa e parte prá outra....”;
que nem cogitam em desistir um do outro venha o que vier;
que estão dispostos a ser bondosos e pacientes, amantes da verdade e da justiça;
dispostos a tudo crer, tudo esperar e tudo suportar em relação ao outro e a todos os homens;
A vocês, noivos,
dispostos a se abrirem à vida conforme ensina a sábia Igreja;
intransigentes quanto a deixar o egoísmo nortear a vida de vocês;
desejosos a se abrirem ao Cristo que se esconde no pobre, no vizinho solitário, na criança abandonada;
confiantes de vencerem, juntos, como um só, os desafios que vierem;
criativos para contribuírem como puderem com o progresso da humanidade;
indispostos a se isolarem, ilhados em um mundinho pequeno;
A vocês, noivos,
ansiosos por verem os rostinhos dos filhos e criá-los para o amor;
dispostos a criarem filhos livres, autônomos, seguros e maduros através do exercício firme, prudente e caridoso de sua autoridade paterna;
sábios o suficiente para não lhes dar tudo o que quiserem, na hora que quiserem, do jeito que quiserem, achando que isso é amor;
sensatos bastante para reservar tempo para vocês dois e tempo para eles, ainda que não fiquem tão ricos, famosos e preparados quanto o mundo exige de vocês;
A vocês, noivos,
generosos o suficiente para tirar do próprio tempo a fim de anunciar Jesus aos que não o conhecem;
para reservar espaço em seu coração para ouvir e aconselhar, orientar e educar os que não encontram quem faça isso, ainda que sejam pessoas indesejáveis ou não importantes;
A vocês, noivos,
que querem amar a Deus acima de tudo e de todos e, por isso, desejam amar a tudo e a todos;
que querem amar a Deus acima daquele que será seu esposo ou esposa e por isso o ama enormemente,
pessoalmente,
insubstituivelmente,
fielmente,
exclusivamente,
fecundamente,
ternamente,
alegremente;
A vocês, noivos,
parabéns! Vocês são o motivo de nossa esperança.

Maria Emmir Oquendo Nogueira
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