Frei Antônio
de SantAna Galvão
Frei Antônio de SantAna Galvão nasceu
na cidade de Guaratinguetá, São Paulo,
no ano de 1739. Seus pais eram Antônio Galvão
de França, português natural de Faro, no
Algarve, e Isabel Leite de Barros, natural de Pindamonhangaba,
São Paulo.
Em 1760 ingressou no noviciado da Província
Franciscana da Imaculada Conceição, no
Convento de São Boaventura do Macacu, na Capitania
do Rio de Janeiro. Foi ordenado sacerdote em 11 de julho
de 1762, sendo transferido para o Convento de São
Francisco em São Paulo. Em 1774 fundou o Recolhimento
de Nossa Senhora da Conceição da Divina
Providência, hoje Mosteiro da Imaculada Conceição
da Luz, das Irmãs Concepcionistas (Mosteiro da
Luz). Cheio do Espírito de caridade, não
media sacrifícios para aliviar os sofrimentos
alheios. Por isso o povo a ele recorria em suas necessidades.
Às 10 horas do dia 23 de dezembro de 1822, no
Mosteiro da Luz, em São Paulo, havendo recebido
todos os Sacramentos, adormeceu santamente no Senhor,
contando com seus quase 84 anos de idade. Foi sepultado
na Capela-Mor da Igreja do Mosteiro da Luz, em São
Paulo, e sua sepultura, ainda hoje, continua sendo visitada
pelos fiéis.
Frei Antônio de SantAna Galvão é
o primeiro brasileiro nato a merecer a honra dos altares.
Sacerdote da Ordem dos Frades Menores Descalços,
foi beatificado pelo Papa João Paulo II no dia
25 de outubro de 1998, na cidade eterna, Roma.
Milagre de Frei Galvão graças
ao qual ele foi beatificado
Trata-se da cura de uma criança de quatro anos
de idade, Daniela Cristina da Silva, residente na Vila
Brasilândia, na cidade de São Paulo. Daniela,
filha de Valdecir da Silva e Jacira Francisco da Silva,
foi desde o nascimento, em 9 de março de 1986,
uma criança miudinha e de saúde delicada.
Em maio de 1990, por causa de complicações
bronco-pulmonares, foi internada e tratada com antibióticos
e metoclorpramida. Com alta hospitalar retornou para
casa, mas logo depois começou a apresentar sonolência
e crises convulsivas, sendo encaminhada pelo seu pediatra
para o Hospital Emílio Ribas (Instituto de Infectologia
Emílio Ribas), em São Paulo, com suspeita
de meningite ou hepatite, na noite de 24 de maio de
1990. Foi imediatamente levada para a UTI (Unidade de
Terapia Intensiva) com quadro clínico instável
e sinais de triste prognóstico.
O diagnóstico inicial foi: coma por encefalopatia
hepática, conseqüência do vírus
A, insuficiência hepática grave, insuficiência
renal aguda e intoxicação por causa de
metoclorpramida. Houve ainda hipertonia intensa nos
membros inferiores e superiores.
Com diagnóstico de insuficiência
hepática fulminante, sofreu ainda parada
cardiorrespiratória. Evoluiu com epistaxe, sangramento
gengival, gematúria, ascite, progressivo aumento
da circunferência abdominal, broncopneumonia,
parotidite bilateral, faringite, além de dois
episódios de infeção hospitalar
(Staphylococus aureus e bacilo Gram negativo).
Daniela permaneceu do dia 25 de maio a 07 de junho
de 1990 na UTI, passando depois para a Seção
de Pediatria. Em 13 de junho de 1990 foi feita uma biópsia
hepática cujo resultado foi hepatite aguda
colestática. Finalmente a menina recebeu
alta hospitalar no dia 21 de junho de 1990, considerada
curada. Acompanhada ambulatorialmente, nunca apresentou
nenhuma recaída. Em 1995, o pediatra, que acompanha
a menina desde do nascimento, atestou: A menor
foi examinada por mim nesta data (04 de agosto de 1995),
estando a mesma em perfeitas condições
de saúde física e mental. Ele mesmo,
diante do Tribunal Eclesiástico, afirmou a respeito
da cura de Daniela: Eu atribuo à intervenção
divina, não só a cura da doença,
mas a recuperação total dela.
A intervenção de Deus foi pedida pelos
pais, parentes, amigos, vizinhos e religiosas do Mosteiro
da Luz, que, unidos numa só prece, invocaram
com muita fé a intercessão de Frei Antônio
Galvão. Estavam todos tão certos e convictos
da intercessão de Frei Galvão, que, quando
Daniela recebeu alta do Hospital Emílio Ribas,
ela foi levada diretamente ao túmulo de Frei
Galvão no Mosteiro da Luz como agradecimento
pela graça alcançada.
Pílulas do Frei Galvão
Certo dia, um moço que se debatia com fortes
dores provocadas por cálculos renais pediu a
Frei Galvão que o abençoasse para ficar
livre da dor. Compadecido, Frei Galvão lembra-se
do infalível poder da Virgem Maria e, tomando
um pequeno pedaço de papel, nele escreve estas
palavras do Ofício de Nossa Senhora: Depois
do parto, ó Virgem, permaneceste intacta. Mãe
de Deus, intercede por nós. Em seguida,
enrolou o papel na forma de um minúsculo canudo,
em forma de pílulas, e mandou o moço ingeri-lo.
Este, confiando em Nossa Senhora, apenas o ingeriu,
expeliu os cálculos sem dificuldade e imediatamente
ficou são.
Caso semelhante se deu com um senhor que, bastante
aflito, foi procurar Frei Galvão pedindo ajuda,
pois sua esposa se encontrava em trabalho de parto e
corria perigo de vida. Frei Galvão se lembrou
do caso do moço curado e deu ao senhor as pílulas
de papel com os mesmos dizeres. Depois de ter ingerido
as pílulas, a mulher deu à luz sem problemas.
Esta foi a origem das Pílulas do Frei Galvão,
que desde então foram freqüentemente procuradas
pelos seus devotos, e ainda hoje são distribuídas
no Mosteiro da Luz às pessoas que têm confiança
na intercessão do bem-aventurado.