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I. O Ícone
I.1. Origem
No Antigo Testamento a reprodução da sua imagem,
por causa disso, a Divindade do Senhor só era retratada
através da arte decorativa, em especial, a uma forma
geométrica. Com a encarnação do Filho
de Deus, tornou-se possível retratar o Deus invisível,
uma vez que Aquele é não apenas o Verbo, mas
também a Sua imagem. Dessa forma, o ícone retrata
não uma imagem inacessível à vista, mas
uma pessoa real.
O fundamental e primeiro ícone é, portanto,
a Face de Cristo que exprime, através da imagem o dogma
do Concilio de Calcedônia: “O ícone não
representa tão somente a natureza Divina, nem só
a natureza humana de Cristo, mas representa a sua pessoa,
a pessoa de Deus-Homem que reúne em si sem mistura
nem divisão as duas naturezas.”
Uma vez retratado o Deus invisível, passou-se a retratar
também a Mãe de Deus e os santos porque assumindo
a natureza humana, o Filho de Deus renova no homem a imagem
obscurecida
Uma tradição muito difundida atribui os primeiros
ícones a São Lucas que, admitida a sua intimidade
com a Mãe de Deus ainda viva, tendo levado a Ela para
que a reconhecesse e desse poder para salvar a quem o venerasse.
I.2. Significado do termo
A palavra ícone deriva do termo grego “eikom”
que significa “imagem”. Todavia na historia da
arte e na linguagem comum a palavra ícone é
reservada a uma pintura de gênero sagrado executada
sobre madeira com uma técnica peculiar e segundo tradição
transmitida pelos séculos tem forte caracter sobrenatural,
sua pátria é o Oriente Bizantino.
Os ícones são chamados imagens do invisível
pelo fato de retratarem a realidade espiritual. Representam
Jesus Cristo, a sua Mãe de Deus, os anjos, os santos
e os outros temas religiosos , o ícone não é
o resultado de uma instrução ou da impressão
do artista ele é fruto de uma tradição,
uma obra profundamente meditada, não é um quadro,
nele vem representado não aquilo que o pintor tem diante
dos olhos, mas um protótipo a que ele deve ater-se.
A veneração do ícone deriva da veneração
do protótipo.
I.3. Significado Espiritual
Podemos dar ao ícone 4 “características”
que a profundam e enriquecem o misticismo que o envolve. A
primeira é o de que o ícone é canal de
graça com virtude santificadora, uma vez que, depois
de bento, torna-se um sacramental, sinal da graça eficaz
por causa dos poderes e da oração da Igreja,
é auxilio na vida espiritual; o ícone torna
presente a pessoa que o representa, graças a semelhança
com o seu protótipo (semelhança aprovada pela
Igreja); o ícone é lugar de encontro, quanto
mais o fiel olha os ícones, mais recorda daqueles que
ali estão representados e se esforçam por imitá-los;
por fim, temos a certeza de que o ícone é uma
janela para a eternidade. Saindo do mundo sensorial, que se
atém ao belo e as suas paixões, pode-se mergulhar
no ícone aponto de não mais olhar, mas deixar-se
ser olhado por ele, e dessa forma ser iluminado pela fé
e conduzido ao mundo do Espirito.
II. Momentos Históricos
II.1. Guerra Iconoclasta
Os ícones, no mundo bizantino, conseguiram posição
relevante na manifestação da fé, pessoal
e coletiva. Essa expressão cultural, entretanto, teve
de atravessar um período histórico por demais
crítico, no qual se manifestou aquela que foi considerada
a última das heresias: a crise iconoclasta, 727-843.
Infelizmente, muitos ícones antigos se perderam por
obra dos iconoclastas- pessoas de outra fé que, por
não concordarem com a veneração dos ícones
e por isso os destruíam tanto quanto possível-
porém, foi justamente nessa época que surgiu
a sua importância. Através do sofrimento e do
martírio daqueles que tudo faziam para defender as
imagens sagradas, é que se desenvolveu a teologia necessária
para melhor compreendê-los.
Sabe-se que já na época da heresia de Ário
começa-se a colocar do lado das imagens de Cristo as
letras alfa e ômega, em referencia ao texto de Ap. 2,
13, para melhor explicara divindade do Filho consubstancial
ao Pai.
A Igreja do século VII se interessou pelo conteúdo
da imagem apresentada aos fieis e teve a consciência
de perceber neste a prefiguração do Antigo testamento
a realidade do Novo. Ainda neste século uma decisão
conciliar formula a ligação do ícone
com o dogma da encarnação.
Momento muito marcante da historia dos ícones foi a
conhecida guerra iconoclasta. Esta se deu no império
bizantino durante os séculos VIII e IX e se desenvolveu
sob a direção de príncipes e imperadores
contra a Igreja e suas imagens, conforme já dito antes.
A guerra contra as imagens foi declarada em 725 pelo Imperador
Leão III e repercutiu em grande parte do Oriente chegando
apenas indiretamente no Ocidente, onde aportaram monges foragidos
das perseguições trazendo consigo ícones
salvos violência dos iconoclastas. O triunfo desta guerra
foi bastante comemorada no seio da Igreja e ainda hoje é
conhecido como Festa da Ortodoxia.
II.2. Defesa do ícone por parte
da Igreja
Várias vezes a Igreja se posicionou a favor da veneração
dos ícones e das imagens em geral. O Concílio
Niceno II, 787, sancionou a legitimidade do culto aos ícones
e pediu à Igreja e ao imperador o controle da tipologia
iconografia por medo dos desvios heréticos. O conceito
fundamental do concílio era que os ícones são
santos e que se pode realizar perante eles atos de veneração.
III. O ícone na liturgia e na
devoção
III.1. O lugar do ícone na liturgia e na devoção
Desde a mais remota antigüidade, a imagem acompanhou
a vida litúrgica cristã. Para o ícone
obedecesse uma norma quanto ao seu lugar: no fundo do presbitério,
atras do altar, dominam os ícone de Jesus Cristo e
da Mãe de Deus. Entrando em uma Igreja tanto sacerdotes
como fieis da tradição bizantina, sejam ortodoxo
ou católicos, tem uma postura de respeito para com
estes, ao se aproximarem dos ícones expostos, inclinam
respeitosamente a cabeça, fazendo o sinal da cruz sobre
o peito 1 ou 3 vezes, tocando o chão com a mão
direita. Após uma breve oração, beijam
primeiramente a imagem de Cristo, sempre à direita,
depois a da Mãe de Deus, à esquerda, e, eventualmente,
aquela da festa ou do periodo liturgico sempre colocada no
centro da igreja sobre uma mesinha alta. Ao lado dos ícones
temos um grande círio ou uma cantoneira com muitas
velas acendidas pelos fieis como expressão exterior
de sua invocação.
Os ícones são levados em procissão pelos
sacerdotes ou pelas pessoas encarregadas, que geralmente os
seguram com respeito pela moldura, a fim de evitar o contato
direto das mãos. Abençoa-se com o ícone.
III.2. O ícone e os fiéis
Dependendo do país e da cultura deste, os ícones
recebem um “papel” diferente, mais sempre tendo
preservado o respeito e a veneração que lhes
são devidos. Antes da cerimonia de casamento, por exemplo,
os pais abençoam os filhos com o ícone, em geral
da virgem Maria; um filho que parta para o serviço
militar também é abençoado com este;
o casal antes do ato conjugal consagram-se diante deste; diante
do ícone que a família adota para si, são
colocados os desejos existentes no coração de
seus membros, geralmente através de bordados na estola-
um casal que deseja Ter um filho, pode bordar na estola decorativa
uma criança, a fim de que tão anseio esteja
sempre aos olhos Daquele que é representado pelo ícone.
Como preparação para a eterna liturgia celeste,
nas igrejas e nas casas, o ícone tem um papel de ajudar
os fiéis na penetração da Revelação,
guiando-os e santificando-os.
III.3. Iconostase
Nas Igrejas Bizantinas nota-se uma divisão entre a
parte destinada ao Clero, o Santuário ou “Santos
dos Santos” e a nave dos fieis. Essa separação
que é uma parede divisória é revestida
de ícones é chamado de Íconostase. Ela
deseja colocar aos olhos dos fieis o plano da salvação
e sua progressiva realização. Os temas dos ícones
variam nas diversas igrejas. Sem a íconsotase, os ritos
liturgicos bizantinos não são celebrados adequadamente,
uma vez que, durante estes, o Sacerdote pode passar por suas
portas nos momentos fixados pelo rito.
A íconostase embora seja uma parede divisória,
não é um muro de separação, uma
separação para esconder o altar. Ela tem o desejo
e objetivo de ajudar os fieis a entrar em comunhão
com a Igreja do céu, a participar da história
da salvação e exaltar os santos mistérios
renovados sobre o altar com todos os que nos aguardam nos
tabernáculos celestes.
III.4. Iconografia
É uma arte teológica que consiste na visão
e no conhecimento de Deus. Separadamente nem a arte nem a
teologia poderiam criar um ícone, pois o ícone
tem dupla responsabilidade, deve ser fiel ao mundo visível
e também a Deus.
O ícone é o resultado de uma longa tradição
de meditação elaboração de aperfeiçoamento
de técnicas de pintura e possui rica teologia de formas
e cores estreitamente relacionadas com está. Os temas
dos ícones são determinados por regras estabelecidas
pela Igreja Ortodoxa; não estão, portanto, sujeitos
à especulação intelectual. O ícone
revela a realidade espiritual que está além
de toda expressão verbal.
As técnicas envolvidas no emprego da luz e da cor criam
a sensação de estarmos olhando para um mundo
iluminado, não por uma luz externa que lança
sobras, mas pela luz da graça divina que transforma
edificações e paisagens e se manifesta principalmente
na iluminação interior dos santos. As edificações
mostram que determinados acontecimentos ao seu alcance não
estão confinados a um momento histórico preciso,
mas pertencem ao mundo do Espírito. O sentido mais
amplo tem de ser encontrado na alma do espectador.
Gaetano Passarelli diz que “o ícone tornou-se
e símbolo das Igrejas de tradição bizantina.
Na realidade, é a expressão e o patrimônio
da Igreja indivisa, isto é, de todos os povos cristãos
que professam a mesma fé no único Santo”.
Os ícones são, assim, um meio de entrar na quietude
do coração onde Deus pode ser conhecido e amado.
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