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Retiro da Semana Santa: Sábado Santo com Maria
Pregação: Maria Emmir Nogueira
Co-fundadora da Comunidade Católica Shalom
Mantido o tom coloquial
Bom dia, hoje é dia do silêncio, hoje é
um dia em que nós que descemos junto com Jesus no sepulcro,
me pediram para falar um pouco sobre Nossa Senhor nesse momento,
Nossa Senhora no momento que vai depois da morte de Jesus,
nessas horas que passaram e também falar de Nossa Senhora
e a unidade, como é assim alguma coisa um pouco nova
nós vamos palmilhar, passo a passo na oração,
vocês podem pegar a bíblia comigo por favor,
e abrir em João 19, 38.
Nós ontem vimos todo o drama da cruz, toda tragédia,
toa a dor e o versículo 38 vai dizer depois disso José
de Arimatéia que era discípulo de Jesus mas
ocultamente, por medo dos Judeus, desculpem, depois disso
José de Arimatéia que era discípulo de
Jesus mas ocultamente por medo dos judeus rogou a Pilátos
a autorização para tirar corpo de Jesus, Pilátos
permitiu, foi pois e tirou o corpo de Jesus, acompanhou Nicodemos
aquele que anteriormente fora ter de noite ter com Jesus levando
umas cem libras de uma mistura de mirra e aloé, tomaram
o corpo de Jesus e envolveram em pé com os aromas como
os judeus costumam sepultar no lugar em que Ele foi crucificado
havia um jardim e no jardim um sepulcro novo que ninguém
fora depositado, foi ali que depositaram Jesus por causa da
preparação dos Judeus e da proximidade do túmulo.
Para nós compreendermos bem Nossa Senhora e o que
se passou no coração de Nossa Senhora nós
temos que nos deter em vários detalhes, nós
estamos diante de uma mulher nós não estamos
diante de uma jovem de 20 anos mais, nem de uma jovem de 15
anos que ficou grávida pelo poder do Espírito
Santo, nós estamos diante de uma mulher entre os seus
48 e 51 anos uma mulher absorveu na sua vida todos os mistérios
que o seu filho Jesus viveu, sem exceção de
nenhum e quando nós vemos Nossa Senhora que coloca
ou que assisti colocar Jesus no túmulo isso é
a primeira coisa que nos chama a atenção como
toda mãe numa situação dessa, principalmente
diante da tragédia que aconteceu na cruz, da dor, você
vê que Nossa Senhora fica sem ação, nós
não vemos Nossa Senhora saindo para falar com Arimatéia,
nós não vemos Arimatéia que pergunta
a Nossa Senhora se ela quer ou não quer coloca-lo no
túmulo, isso pode ate ter acontecido, mas quanto nós
começamos conhecer a dor humana especialmente a dor
de uma mãe que perde um filho nós começamos
a perceber que a grande possibilidade que Nossa Senhora estivesse
entregue sem ação, muito mais voltada para o
silêncio interior do que para a confusão no seu
interior, muito mais voltada para os mistérios que
aconteciam dentro dela do que para os preparativos de um sepultamento
que acontecia fora dela.
Muito provavelmente via tudo aquilo de uma maneira muito
longinqua, como um sonho, como acontece conosco quando nós
estamos passando por grandes dores, a agitação
das pessoas, tudo que acontece pra nós ficam como um
sonho, como uma coisa que a gente vê mas da qual a gente
não participa, uma coisa que a gente está presente
mas somente com a parte muito pequena do nosso ser então
nós estamos diante dessa mulher, uma mulher volta dos
seus 50 anos como muitas de nós, como muita das mães
de vocês, mas além de nós estarmos diante
de uma mulher, nós estamos diante da mulher, nós
estamos diante da Mãe, estamos diante da mulher por
excelência e da Mãe por excelência.
Jesus é colocado no sepulcro e Nossa Senhora não
o prepara com os guentos não toca Nele no sentido de
preparar o corpo para o sepultamento ela é vamos dizer
assim, ela é chamada a viver muito mais o que está
dentro do que está fora dela, por que ela de certa
forma ela experimenta uma presença de Jesus que nunca
vamos experimentar, experimenta ali a beira do túmulo
uma presença de Jesus que nós precisamos orar
e meditar para compreender quando nós vemos essa mulher
por volta dos seus 50 anos que tem seu Filho sepultado o que
nós devemos talvez pensar é o que se passava
no coração de Nossa Senhora que tipo de presença
de Jesus que essa mulher tinha e a gente vai voltar para o
pé da cruz, quando o evangelista nos diz que aos pés
da cruz estava Maria a mãe de Jesus com aquelas outras
mulheres e com João.
As vezes eu fico abismadas quando eu vejo as pessoas reduzirem
a presença de João e de Maria a uma preocupação
vamos dizer humana, física de Jesus, claro Jesus se
preocupou com quem ficaria a sua mãe, Ele não
estava mais lá iria morrer era uma preocupação
tão pequena diante da preocupação maior
que Jesus tinha no seu coração, quando Jesus
olhou para Maria e disse: "mulher eis ai seu filho",
Jesus tornou Maria mãe da humanidade, mãe da
Igreja e quando Jesus diz: "Eis ai a sua mãe",
filho eis ai a sua mãe", Jesus estava resguardando
umas das características principais desta que é
a nova Eva, desta que é a nova mulher, Jesus estava
resguardando em Maria com toda sabedoria de Deus, com todo
cuidado de quem ama, o todo cuidado para não ultraja-la,
o todo cuidado para preserva-la a felicidade da mãe
Dele, o cuidado para preservar a integridade a unidade interior
da mãe Dele.
Jesus preservou a maternidade de Maria, quando diz: "Eis
ai seu filho", ela deixa somente de ser a mulher e como
que volta ou assume uma maternidade nova, isso faz a gente
pensar muito nas mulheres de hoje dentro da comunidade e fora
da comunidade, Jesus fez questão de preservar na sua
mãe aquilo que Ele sabe que não pode ser retirado
na natureza da mulher, Ele preservou na sua Mãe a maternidade
por que Ele sabe que foi pra isso que Ela foi criada e se
isso lhe for tirado ela estaria destruída, se a característica
da maternidade for retirada da mulher a mulher parte em si
mesma, ela despenca, ela não encontra mais sentido
da sua vida e Jesus sabia muito bem que o sentido da vida
daquela que Ele havia criado para ser a mãe de Deus,
o sentido da vida dela era ser mãe, claro Jesus pensou
também na Igreja, Jesus pensou numa Igreja sem mãe
era uma família sem irmãos aonde não
existe mãe, aonde não existe pai, não
existem irmãos, por que não existem filhos.
O primeiro passo para que haja irmãos, portanto, o
primeiro passo para que haja unidade é a presença
do pai e da mãe, de alguém que exerça
a paternidade e de alguém que exerça a maternidade,
Jesus pensou também na Igreja, uma Igreja que Ele queria
unida, Igreja que Ele queria vivendo na unidade não
poderia ser uma Igreja sem mãe, a preocupação
de Jesus então não foi onde Nossa Senhora tivesse
onde morar, Ele estaria se contradizendo, pois Ele mesmo disse
para que não nos preocupássemos com essas coisas
que o Pai cuidaria de tudo isso, a preocupação
de Jesus foi manter a unidade interior de Maria, manter a
vocação essencial de Maria, manter a vocação
essencial de toda mulher, a vocação a maternidade,
a vocação a vida, e Jesus pensou também
manter a unidade, a fraternidade, mas essa palavra acho tão
pouca ainda, talvez o fato de serem irmãos na Igreja,
por que só irmão quem tem mãe quem tem
pai.
Quando nós voltamos para esse momento da cruz de Jesus,
nós entendemos Nossa Senhora de uma maneira um pouco
nova, uma maneira diferente, Nossa Senhora se torna mãe
outra vez, é muito lindo nos pensarmos Nossa Senhora
aos pés da cruz que ouve de Jesus a reafirmação
da sua maternidade, nesse mundo de hoje, nas dores que nós
passamos, nos ultrajes que as mulheres sofrem, nós
raramente como mulheres ouvimos a reafirmação
da nossa maternidade, pelo contrário, a tendência
do mundo hoje, a tendência da própria comunidade
é retirar das mulheres a maternidade, quando eu vejo
aqueles vestidos de moda, aquelas roupas que se usam nos desfiles,
eu sempre fico imaginando como é que uma mulher com
aquele salto 12 aqueles roupas cheias de penacho, se abaixaria
e abriria os braços para acolher um filho, quando eu
vejo aqueles desfiles ridículos, aquelas maquiagens
pesadas eu fico imaginando se aparecesse uma criancinha no
outro lado da passarela e viesse correndo pra mãe como
é que ela abaixaria com aquelas calças apertadas
pra acolher o seu filhinho, tudo no mundo contribui, para
que a maternidade da mulher seja ultrajada.
Jesus na hora da sua morte cuidou para que a maternidade
da sua mãe fosse reafirmada, a Maria se tornou mãe
outra vez entre os 48 e 51 anos ela assumiu uma nova maternidade
e é interessante a gente teria até licença
de pensar, quando Jesus se fez carne, quando a Trindade, pelo
poder do Espírito Santo, colocou Jesus no ventre de
Maria, Jesus ficou entregue a natureza dentro do utero de
Maria, Ele que era Deus criador, submeteu-se a natureza no
ventre de Maria, as vezes me ocorre quando eu tô rezando
com o túmulo que Nossa Senhora por um mistério
que a gente vai ver daqui a pouco sabia que não era
um túmulo de morte, mas um túmulo de vida e
ali na túmulo, Jesus estava novamente entregue a natureza
que Ele mesmo havia criado, como Jesus esteve entregue a natureza
no ventre de Maria, Jesus estava entregue a natureza no ventre
da mãe Terra, no ventre de Maria uma mulher, Jesus
estava entregue a natureza e as leis da natureza para viver
a vida humana, morrer a morte humana e ressuscitar a humanidade
inteira, ali entrega a mãe terra, no ventre da mãe
terra entregue novamente a natureza Jesus estava sendo gerado
pelo poder do Pai para dar vida nova a todos os homens.
Jesus se entrega novamente a natureza e Maria de certa forma
se identifica túmulo de vida, Nossa Senhora aos 50
anos já havia passado por muitas coisas e não
sei se você já imaginou o que se passou dentro
de Nossa Senhora quando Jesus morreu na cruz, a resposta mais
fácil é uma dor lancinante e isso é verdade,
passou por Maria uma dor lancinante, mas ai todo um mistério
envolvido, Maria contemplou na sua história, na concretitude
da sua vida, Maria experimentou o momento que a concebeu sem
pecado, ela presenciou na morte de Jesus o momento que tinha
sido antecipado para ela, diante do seu filho que morria ela
presenciava humanamente mas também misticamente aquele
momento que havia sido antecipado pela misericórdia
do Pai para que ela fosse concebida sem pecado original, o
nosso corpo, a nossa alma, a nossa história, eles sentem
em si esses mistérios que nós não vemos,
esses mistérios que nós nem atinamos algumas
realidades da vida espiritual que nós não damos
conta com a razão mas que ocorrem verdadeiramente em
nós, por mais, é uma coisa um pouco pessoal,
é uma partilha, mas por mais que eu tente dissociar
Nossa Senhora do pé da cruz, de Nossa Senhora concebida
sem pecado, não dá para dissociar por que a
realidade espiritual é a mesma, talvez, aliás
com certeza um período entre 49, 52 contando com a
gestação distanciavam aquele momento mistico
daquele momento histórico, mas quando Nossa Senhora
presencia a morte de Jesus ela vivi não só um
momento histórico ela vive um momento mistico, e que
momento mistico, ela vive O momento mistico que deu sentido,
que deu rumo e deu a característica única da
sua vida entre todas as vidas dos seres humanos foi concebida
sem pecado original, nós vemos então que a cruz
de Jesus para Nossa Senhora que paixão, que a morte,
que ressurreição pra Nossa Senhora, não
foi um momento isolado da vida dela, não foi o momento
onde ela participou vendo o seu filho morrer, foi o momento
onde ela morreu, aonde ela pela morte de filho foi gerada,
aonde ela foi gerada concretamente, humanamente pela concepção
sem pecado, e aonde ela foi gerada como nova mãe, como
a mãe da Igreja, com uma maternidade nova, ela foi
gerada misticamente, vivenciando históricamente o que
ela havia vivenciado misticamente ao ser concebida, mas vivenciou
também históricamente o mistério que
ela iria abraçar a vida inteira.
Essas coisas todas se passavam dentro de Maria e Nossa Senhora
não podia encarar o túmulo como nós o
encaramos, por que o túmulo era uma imagem do seu ventre
que gerava para vida, Nossa Senhor não podia encarar
a morte como nós a encaramos por que a morte para ela,
a morte de Jesus era o início da sua própria
concepção era sua própria vida, ela não
podia enxergar ali nem a morte de Jesus nem no túmulo
a sua própria morte, ela morria com Ele, mas essa morte
para ela era vida, vida sem pecado original, era vida plenamente
feliz, era vida que era o maior testemunho que a salvação
era verdade, ela era o testemunho vivo que nós fomos
criado para a vida e para a felicidade de pé na frente
da cruz, Nossa Senhora era a humanidade de pé, era
a mulher de pé, o testemunho de que a salvação
é uma realidade, não só por que ela não
caiu isso seria reduzir tanto o papel de Nossa Senhora, seria
ver tão pouco o papel de Maria, seria uma cegueira
em relação a riqueza que se passava dentro dela,
ela é testemunho de salvação não
só por que ela não caiu, mas naquele momento
ela misticamente ela experimentou a concepção
sem pecado e a geração da sua nova maternidade,
da maternidade espiritual.
A partir daí João levou Maria para sua casa,
e Maria foi então viver o seu sábado santo e
sábado santo para Nossa Senhora foi provavelmente muito
diferente, foi com certeza um sábado santo de silêncio
como ele é para a maioria de nós, mas ela foi
também um sábado santo aonde ela experimentou
de maneira e irrepetível a presença de Jesus,
nós poderíamos parar e pensar e contemplar a
presença de Jesus ao longo da vida de Nossa Senhora,
antes de Jesus ser concebido Nossa Senhora cheia do Espírito
Santo experimentava na sua vida a presença de Deus,
não sei com que graus e nomes ela podia dar, mas os
nomes, os conceitos ela era cheia de Deus, quando Jesus foi
concebido, mais e mais, quando Jesus se encarnou no seio de
Maria concebido pelo Espírito Santo, Nossa Senhora
começou conceituar a presença de Deus em si,
evidentemente Nossa Senhora sabia-se diferente das outras
pessoas.
Ela não se julgava superior por que ela era a serva
de todos, mas mesmo antes de Jesus ser concebido ela se sabia
diferente, é obvio é impossível até
pela dor, pelo pecados dos outros, a dor que ela sentia pela
rejeição de Deus, Nossa Senhor sabia que algo
existia diferente nela, depois da encarnação
de Jesus esse algo diferente começou a ter um nome
Yeshua, e começou a se fazer sentir, e começou
a modificar o corpo de Maria, e Nossa Senhora começou
a sentir seus seios doloridos sua cintura engrossando era
a presença Daquele que ela chamou de Yeshua e essa
presença se fez sentir quando se mexeu, e essa presença
se fez sentir quando se espriguiçou no colo, no ventre
de Maria, ele se foi fazendo sentir cada vez mais fisicamente,
Nossa Senhora não via Jesus, Nossa Senhora gerava Jesus
e o tinha dentro de si e podia sentir isso como nenhum de
nós jamais sentirá, a vida continuou com o nascimento
de Jesus e Nossa Senhora experimentou a presença de
Jesus não de maneira conceitual como antes de encarnação,
não mais de uma maneira de ter físico dentre
de si antes da gestação, mas como Jesus ao seu
lado e assim foi passando toda infância de Jesus.
Na vida pública Nossa Senhora muitas vezes teve a
presença de Jesus apenas em forma de memorial, apenas
em forma de memória, Nossa Senhora muitas vezes na
vida pública de Jesus pode rezar como São João
da Cruz em busca da figura e da formosura, Nossa Senhora durante
a vida pública de Jesus muitas vezes viveu da memória
do seu Filho, por que não podia vê-lo, não
podia tocá-lo, com a morte Nossa Senhor começa
a experimentar um mistério por que vejam bem o que
foi antecipado para Nossa Senhora não foi só
a cruz de Jesus, o que foi antecipado para a concepção
imaculada de Nossa Senhora não foi só o momento
da morte de Jesus, o que foi antecipado para ela foi a morte
e ressurreiçao de Jesus, a concepção
imaculada de Maria ela não vem só da morte,
a concepção imaculada de Maria vem da morte
e ressurreição de Jesus por que esse o mistério
da salvação, a encarnação, a morte
e a ressurreição e esse sábado santo
quando Nossa Senhora estava na casa de João no seu
silêncio, Nossa Senhora podia experimentar Jesus de
uma maneira nova, não mais de uma maneira conceitual
como antes da encarnação, não mais de
uma maneira física dentro de si, não mais com
Jesus perto de si como durante a infância, não
mais com Jesus muitas vezes como memória sem ter presente
a figura e formosura como diz São João da Cruz.
Agora, misteriosamente neste sábado santo Nossa Senhora
experimenta Jesus vivo dentro de si, não mais como
nenenzinho que espernéia, mas como Deus vivo, o Deus
ressuscitado que está dentro de si, Jesus ressuscitaria
no domingo, mas o mistério da morte e ressurreição
foram antecipados para Maria isso é uma realidade espiritual
no coração de Nossa Senhora que não viveu
apenas uma realidade histórica como nós pobres
coitados não vivemos uma realidade histórica,
vivemos uma realidade espiritual, vivemos uma realidade mistica,
e agora neste sábado santo, a presença de Jesus
em Maria, não era a presença morto, era a presença
de um filho vivo, por que essa presença Maria a tinha
vivido de uma maneira ou de outra, Maria a tinha vivido historicamente
a sua vida inteira, agora não restava mais o Jesus
Mestre que pregava na sinagoga, nem o Jesus menino de quem
ela tinha que tomar conta, nem o Jesus como um feto, um bebe
que era gerado, agora restava a realidade mistica de um Deus
que antes de todos morreu por ela, ressuscitou por ela, antes
que ela tivesse consciência disso, antes que ela tivesse
a vida, essa realidade de morte e ressurreição
já era uma realidade mistica na vida de Maria, no sábado
santo Nossa Senhora experimenta essa realidade nova e profunda
a presença de Jesus é uma presença viva,
a presença de Jesus não é uma lembrança
de um Filho pendurado na cruz, a presença de Jesus
é a presença de um Filho que é Deus,
e que é Deus vivo.
Muitas vezes eu me pego a imaginar a primeira eucaristia
de Nossa Senhora, ela junto dos apostolos fazendo a fração
do pão, partilhando a palavra, ouvindo a pregação
dos apostolos, como terá sido a primeira vez que Nossa
Senhora comungou aquela presença que já existia
dentro dela em plenitude, como terá sido a primeira
vez que ela pela boca tomou dentro de si Aquele que tinha
vivido nela, como foi a primeira eucaristia de Nossa Senhora
em que ela pode ter em si a presença mística
que ela tinha desde sempre, como ela terá tido vontade
de explicar sem poder, sem deter em palavras o que ela experimentava,
o que ela sentia, para a Igreja, para os seus filhos, para
os discípulos de Jesus e dela.
No sábado santo Nossa Senhora estava na casa de João,
estava no silêncio dessa realidade mistica profundíssima,
mas estava no silêncio de uma maternidade que começava,
Nossa Senhora estava na casa de João provavelmente
com a roupa do corpo, com a chuva que ela tinha tomado lá
ao pé da cruz, provavelmente arranjaram a roupa da
mãe de João, ou de alguma vizinha, pra dar para
Nossa Senhora, continuava pobre e abandona como nos pés
da cruz, mas ela era mãe, e como ela tinha tido preservada
a sua maternidade, a sua vida tinha um sentido que se renovava.
A maternidade de Nossa Senhora não acabou com a cruz,
Jesus teve o cuidado de preservar a sua mãe e sendo
mãe de João ela agora não via Jesus como
nós agora vemos um ente querido quando a gente perde
a cama lembra aquela pessoa, um traço lembra aquela
pessoa, um quarto lembra aquela pessoa, uma cadeira lembra
aquela pessoa, nós pobres coitados nós temos
a lembrança dos nossos mortos através de objetos,
de lugares de cheiro, de som, não era assim com Nossa
Senhora ela tinha duas presenças muito vivas, primeira
essa presença mística e misteriosa desse Deus
vivo, desse Filho Deus vivo dentro dela, embora muitos o vissem
como morto. Em segundo lugar Nossa Senhora encontrou presença
de Jesus em João, ela encontrou a presença de
Jesus numa pessoa, não num objeto, não num lugar,
não no cheiro, nem na música, nem num som, nem
numa paisagem, mas numa pessoa e aí Nossa Senhora exerceu
a sua maternidade.
Essa presença interior que ela experimentava talvez
sem sentir, talvez sem saber dar nome, essa presença
interior que era viva dentro dela, não precisava mais
de uma mãe, mas a presença que ela via em João
precisava sim de uma mãe e da Mãe de Deus. Quando
Nossa Senhora retomou a sua maternidade de maneira nova, ela
retomou com a maternidade a unidade o carisma, o mistério
da unidade, Nossa Senhora não exerceu um papel, não
fez um favor, Nossa Senhora foi e é mãe e sendo
mãe ela teve em si, em sua maternidade não ultrajada,
ela tem em si o ministério da paz, o ministério
de promover a paz, o ministério de promover a unidade,
a vida que só é vivida como vista a unidade,
a vida que tem sentido quando ela é vivida para Nossa
Senhora como maternidade, a vida da mulher seja casada, seja
solteira, só tem sentido porque está intríseco
a mulher, só tem sentido se for vivida para a maternidade
Nossa Senhora começou a ser mãe de uma pessoa
e depois de milhões e bilhões de pessoas nas
quais ela via Jesus, Jesus não é uma lembrança,
Jesus não é um corpo pendurado na cruz, Jesus
não é um corpo metido dentro da terra, Jesus
é vivo dentro de Nossa Senhora mesmo no sábado
santo e Jesus é encontrado por Maria em João
e João ao seu tempo encontra Jesus em Maria, Maria
encontra Jesus em João, não foi porque ela vê
João aquele que Jesus amava, isso é normal nas
mães, as mães amam aqueles que seus filhos amam,
é normal, muito normal, toda mãe é assim,
mesmo que ela não vá muito com a cara da pessoa
ela se esforça para amá-lo porque o seu filho
o ama, mas Nossa Senhora não via presente em João
como uma lembrança Nossa Senhora via Jesus presente
em João porque João era filho como Jesus era
filho.
Nossa Senhora assumiu João como assumiu Jesus, na
obediência e na renúncia a si mesmo, João
por sua vez olhava para Nossa Senhora e não via Jesus
em Nossa Senhora como uma lembrança a mãe do
meu Senhor, João olhava para Nossa Senhora e místico
como ele era, espiritual de vida interior como nós
sabemos que ele era, ele enxergava no seio profundo da alma
de Maria Jesus vivo e ressuscitado João talvez não
soubesse dizer isso com palavras, como conceitos, mas a unidade,
a união espiritual que havia entre aquele filho novo
e aquela nova mãe, essa unidade espiritual, ela podia
até ultrapassar os conceitos, mas ela era centrada
na pessoa de Jesus que vivia plenamente vivo e ressuscitado
em Maria apesar de ser o sábado santo, assim como na
primeira maternidade, assim como na primeira gestação,
geração Nossa Senhora foi elo de unidade entre
os homens e Deus, assim também Nossa Senhora é
elo de unidade porque ela traz Jesus em si.
A presença dela faz Jesus presente na casa de João
e a casa de João não se encheu de luto, a casa
de João não se encheu de lágrimas, a
casa de João se encheu de paz porque a paz é
inseparável da unidade, o Senhor Jesus não permitiu
que fosse quebrada a unidade espiritual, a amizade espiritual,
a unidade espiritual, a amizade espiritual entre João
e sua mãe, ele sabia que era fundamental para que a
unidade da Igreja nascente fosse preservada, ele não
permitiu que isso fosse tocado e João não rejeitou
a presença de Nossa Senhora e nem rejeitou a presença
de Jesus nela e Maria não rejeitou pelo contrário,
ambos acolheram a presença de Jesus um no outro, para
João era fácil quem não acolhe a presença
de Jesus em Maria? Mas para Maria era fácil por causa
do amor porque o amor faz fácil todas as coisas, via
bem os pecados de João, mas Maria via melhor ainda
Jesus dentro de João e esse Jesus que um via no outro,
esse Jesus vivo que João via em Maria, esse Jesus amado
que Nossa Senhora via em João esse Jesus que ambos
amava em si próprio e um no outro, esse Jesus que ambos
amava como um dado objetivo, como uma pessoa ativa e que ambos
amavam e viam no outro e acolhiam no outro respeitando a maternidade
da mãe, respeitando a filiação do filho
que ia percorrer um caminho tão difícil de Igreja
nascente, esse respeito, essa acolhida desse amor, essa abertura
gerou a unidade que o Espírito Santo viria selar em
Pentecostes.
Que nesse sábado santo aonde tantos mistério
passam no coração de Maria, onde tantos mistérios
passam no coração de Jesus nós possamos
amar e respeitar a nossa Mãe, que nós possamos
amar e respeitar a maternidade de todas as mulheres no mundo
que nós mulheres possamos amar e respeitar a essência
do nosso ser e não vilipendiá-lo que nós
aprendamos neste sábado santo que a unidade vem de
amar, acolher respeitar Jesus presente no irmão que
é filho de Maria porque se não fosse filho dela
não seria meu irmão.
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