|
Católico
e Maçom, é possível?
Do livro "Entrai pela porta Estreita" do Prof.
Felipe Aquino
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Hoje a Maçonaria atrai muitos católicos, infelizmente,
embora a Igreja proiba que nos tornemos maçons.
Com todo o respeito que devemos a cada pessoa, em face à
sua opção, devemos contudo, lembrar aos que
querem ser autenticamente católicos, que a filiação
à Maçonaria é considerada pela Igreja
Católica "pecado grave", já que as
concepções de Deus e religião, assim
como o processo de iniciação secreta imposto
aos novos membros, não se coadunam com as noções
do Cristianismo relativos a Deus e aos sacramentos, principalmente.
A Igreja tem uma posição oficial sobre o assunto,
que foi feita pelo pronunciamento da Santa Sé em 26/11/1983,
por ocasião da promulgação do atual Código
de Direito Canônico pelo Papa João Paulo II.
Esta é a Declaração da Congregação
para a Doutrina da Fé, que vem assinada pelo seu Prefeito,
Cardeal Joseph Ratzinger e pelo Fr. Jérome Hamer, Secretário:
Tem-se perguntado se mudou o parecer da Igreja a respeito
da Maçonaria pelo fato de que no novo Código
de Direito Canônico, ela não vem expressamente
mencionada como no código anterior.
Esta Sagrada Congregação quer responder que
tal circunstância é devida a um critério
redacional, seguido também quanto às outras
associações igualmente não mencionadas,
uma vez que estão compreendidas em categorias mais
amplas.
Permanece, portanto, imutável o parecer negativo da
Igreja a respeito das associações maçônicas,
pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis
com a doutrina da Igreja e, por isto, permanece proibida a
inscrição nelas. Os fiéis que pertencem
às associações maçônicas,
estão em estado de pecado grave, e não podem
aproximar´se da Sagrada Comunhão.
Não compete às autoridades eclesiásticas
locais pronunciar-se sobre a natureza das associações
maçônicas com um juízo que implique derrogação
de quanto foi acima estabelecido, e isto segundo a mente da
Declaração desta Sagrada Congregação
de 17 de fevereiro de 1981 (cf. AAS 73, 1981, pp. 240s).
O Sumo Pontífice João Paulo II, durante a audiência
concedida ao subscrito Cardeal Prefeito, aprovou a presente
Declaração, definida em reunião ordinária
desta Sagrada Congregação, e ordenou a sua publicação".
Roma, da Sede da Sagrada Congregação para a
Doutrina da Fé, 26 de novembro de 1983.
É importante notar que a Declaração
da Santa Sé afirma que "estão em estado
de pecado grave, e não podem aproximar-se da Sagrada
Comunhão". Isto é muito sério para
os católicos. E é a palavra oficial da Igreja
sobre a questão!
O número 386 da Revista "Pergunte e Responderemos",
de autoria de D. Estevão Bittencourt, nas páginas
323 a 327, traz um elucidativo artigo sobre o assunto.
Neste artigo D. Estevão, de reconhecida seriedade
e competência, teólogo renomado; afirma:
"A Maçonaria professa a concepção
de Deus dita "deista", ou seja, a que a razão
natural pode atingir; ´ admite "a religião
na qual todos os homens estão de acordo, deixando a
cada qual as suas opiniões particulares". Esta
noção de Deus e de Religião é
vaga e não condiz com o pensamente cristão,
que reconhece Jesus Cristo e as grandes verdades por Ele reveladas".
"Além disto, tanto a Maçonaria Regular
como a Irregular têm seu processo de iniciação
secreta. Propõem o aperfeiçoamento ético
do homem através da revelação de doutrinas
reservadas a poucos e recebidas dos "grandes iniciados"
do passado - entre os quais alguns maçons colocam o
próprio Jesus Cristo. Celebram também ritos
de índole "secreta ou esotérica",
que vão sendo manifestados e aplicados aos membros
novatos à medida que progridem nos graus de iniciação.
"Ora um tal processo de formação contrasta
com o que o Cristianismo professa: este não conhece
verdades nem ritos reservados a poucos; nada tem de oculto
ou esotérico".
Outra razão muito séria que D. Estevão
levanta, para mostrar ao católico que não se
faça maçom, é esta:
"Ademais, quem se filia a uma sociedade secreta, não
pode prever o que lhe acontecerá, o que se lhe pedirá
ou imporá; não sabe se lhe será fácil
guardar sua liberdade de opções pessoais. Embora
tencione manter fidelidade a seus princípios íntimos,
pode-se ver em encruzilhadas constrangedoras".
Por outro lado, é preciso lembrar aos católicos
que a fé e a doutrina da Igreja é insuperável
e completa: herdada dos profetas e dos Apóstolos; revelada
por Deus; confirmada pela Tradição dos Santos
Padres, Doutores e Santos; confessada pelo sangue dos mártires
e guardada pelo Sagrado Magistério. Não é
preciso buscar "coisas novas" para alimentar o espírito,
uma vez que o próprio Senhor nos oferece a sua Palavra
e o seu próprio Corpo na Eucaristia.
O Santo Padre nos outorgou o Catecismo da Igreja Católica,
de riqueza inefável, capaz de nos preparar para cumprir
aquilo que São Pedro nos pede:
"Estai sempre prontos a responder para a vossa defesa
a todo aquele que vos perguntar a razão da vossa esperança"
(IPe 3,15).
Antes de buscarmos "coisas novas", e perigosas
para a nossa vida espiritual, ou que põem em risco
a nossa própria salvação eterna, vamos
antes aprender o que devemos, no seio sagrado e puro da nossa
Santa Mãe Igreja.
Além do mais é preciso lembrar que a principal
virtude do católico é a obediência à
Santa Igreja, chamada pelo Papa João XXIII, de Mater
et Magistra (Mãe e Mestra).
Quem desejar compreender melhor as razões pelas quais
a Igreja, como Mãe cautelosa, proibe os seus filhos
de se associarem às lojas maçonicas, poderá
ler o livro do Bispo de Novo Hamburgo, D. Boaventura kloppenburg,
Igreja
Maçonaria, Ed. Vozes, 2a. Edição, 1995,
ou ainda o livro do Bispo Auxiliar de Brasília, D.João
Evangelista Martins Terra, sobre o mesmo assunto.
Infelizmente, em desobediência à Igreja, alguns
no passado, até mesmo do clero, se associaram à
Maçonaria, no intuito, às vezes, de serem úteis
à sociedade, mas isto nunca foi permitido pela Igreja.
|