Herói de calça Lee

jeans

Hoje, pela estrada, encontrei alguém assim, que pensa como eu, que quer ser feliz. Velas estão no mar, pessoas de partida, querendo caminhar, voar, mudar de vida.

Pois Deus é uma força estranha, Deus é nosso pé na estrada, Deus é uma voz que clama: Deus

Vou de peito aberto, sem temer por onde ir, um guerreiro na estrada, um herói de calça Lee. E a luz das estrelas clareando meu caminho, nas memórias vão lembranças que não me deixam sozinho.”

Acho que você conhece essa canção tão cara aos jovens dos anos 70: “Canção para um amigo que vai”. Não conheço a inspiração de origem, mas provavelmente, dado o contexto da época, referia-se a um jovem que deixava tudo pela vocação ao sacerdócio. No YouTube você encontrará pessoas que eram jovens nos anos 70 cantando ao nosso herói desconhecido.

A calça Lee foi a precursora da atual calça jeans. Como ela, era símbolo da juventude, mas não da juventude que “balconeia”¹  vendo a vida passar, como a moça da janela de Chico Buarque, mas a juventude que suja as mãos, a roupa, os cabelos (adeus escova!) e limpa o coração nas periferias existenciais, uma juventude “em saída”.

A grande constatação da música é a de que “Deus é uma força estranha”. É “nosso pé na estrada”, de saída, em movimento, com pressa em busca dos que sofrem a pobreza material, moral e espiritual. A partir do momento em que a gente deixa Deus nos encontrar, a vida muda 180º. Uma força estranha, dentro de nós, nos empurra aos que não conhecem o amor de Deus. E, de repente, a gente passa a escutar gritos, apelos, gemidos, pedidos de socorro, clamores que sempre estiveram ali, desafiando nossa surdez. Sim, Deus é uma voz que clama!

Quando Deus se torna para nós uma força estranha e põe nosso pé na estrada, de verdade, a gente não consegue não rir à toa, nem falar Dele “que nem bobo”. Deixamos de vegetar, passamos a VIVER, de peito aberto, sem medo! Somos guerreiros, violentos de coração, radicais na vivência do Evangelho, FELIZES!

Lembro-me de quando tive minha experiência com Jesus Vivo. Depois de passar a noite acordada rezando, fiquei espantada ao abrir a porta e ir para a faculdade: o jardim, as árvores, os carros, as pessoas, não eram mais preto e branco, eram coloridos! A graça de Deus os havia masterizado em full HD!

“Queridos jovens, não viemos a este mundo para vegetar, para passar a vida comodamente, para fazer da vida um sofá no qual adormecemos. Ao contrário, viemos para deixar uma marca!” 

Que nossa marca seja mais, bem mais alta, bem mais bela, bem mais eterna que a calça jeans. Que ela seja O Rosto e deixe a todos essa força estranha, esse pé na estrada, essa coragem que vem do amor em atos e é guiada pela luz discreta, quase secreta, das estrelas que habitam a clara escuridão da intimidade com Deus.

Maria Emmir Oquendo Nogueira

¹Balconear – esse e outros neologismos e expressões originais são utilizados por Francisco em seus discursos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *