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O Natal no Front.
A História de São Nicolau
24 de dezembro de 1914, primeiro
ano da Primeira Guerra Mundial...
No front, a batalha é intensa e entra pela noite manifestando
a bravura dos soldados nas trincheiras de ambos os lados.
Inesperadamente, as fileiras
alemãs param de atirar! Os contingentes franceses,
surpresos, também fazem o mesmo e o silencio desce
sobre o campo de batalha. De repente, os franceses percebem
que, das trincheiras alemãs, saem soldados levando
tochas que brilham na noite. Eles caminham sobre a neve em
cortejo e entoam uma conhecida canção de natal.
Nas fileiras francesas há
um momento de expectativa. Os soldados observam os alemães
que se aproximam e ficam indecisos se devem ou não
atirar. Quando se dão conta, o cortejo já está
a poucos passos. Entendem tudo em um relance, saem sem medo
de seus postos e abraçam comovidos os soldados alemães.
Era noite de natal!
Reunidos em baixo de um bosque de pinheiros, aqueles
homens que instantes atrás tinham dado provas
de heroísmo e de virtudes militares, recordaram-se
dos seus antigos natais dos tempos de menino.
Um grupo conversa sobre São
Nicolau, o legendário São Nicolau que enchia
a imaginação das crianças... Alguns soldados
alemãs lembram de suas aldeiazinhas montanhosas cobertas
de neve.
No dia 6 de dezembro, as famílias reuniam-se na noite
em preparação para o Natal. Todos se sentavam
em volta das mesas cheias de bolos, doces, frutas perfumadas...
o ambiente iluminado à luz de muitas velas era de grande
recolhimento, de uma alegria discreta e séria, ao lado
do presépio. Perto da lareira brilhava uma linda árvore
de Natal. Fora de casa, a neve caia lentamente em leves flocos.
Em determinado momento, o
rosto das crianças se iluminava... Ao longe se ouvia
um bimbalhar de sinos e um tropel de animais em marcha. As
crianças corriam para a janela e encostavam o narizinho
no vidro. Viam, na curva do caminho, um trenó dourado
puxado por quatro renas, nele estava sentado pomposamente
um bispo de longa barba branca. Era São Nicolau, ele
estava todo paramentado. Na mão direita trazia um báculo
de ouro lavrado e, na mão esquerda, um grande livro
cuja capa era de couro em alto relevo e cravejado de rubis
e outras pedras preciosas. Seu criado conduzia o trenó.
Ao lado do criado, encontrava-se um saco repleto de presentes
até as bordas!
Chegando, o Bispo mandava
parar o trenó. O criado tomava o saco e batia na porta
da casa. O dono vinha recebê-los com a alegria estampada
no rosto e em atitude de grande respeito e veneração.
O alto porte do prelado, sua longa barba branca, Mitra e o
báculo que trazia, tudo isso lhe conferia um ar de
solenidade que se entremeava com a afabilidade da fisionomia
e a doçura do olhar. Ele sorria para as crianças,
erguia depois a mão de modo solene e traçava
o sinal da cruz abençoando a todos!
O ancião dirigia-se às crianças com ternura.
A uma pedia que cantasse uma canção de Natal,
a outra, que recitasse uma poesia. A uma terceira, que rezasse
uma oração. E todas as crianças, que
viviam sua fase de inocência e estavam abertas para
o maravilhoso e o sobrenatural, percebiam que aqueles homens
eram pessoas que haviam descido dos céus. Realidade
para todos nós católicos e para as almas verdadeiramente
inocentes.
Dando-se por satisfeito, o
respeitado visitante abria então o grande livro, o
Livro de Ouro! Nele havia sido registrado, durante o ano,
o comportamento das crianças. Após consultá-lo,
o bispo chamava uma por uma cada criança. A algumas
ele dava bolo, doces, bombons e frutas como presente, pois
elas haviam sido bem comportadas.
A outras, porém, ele
as colocava sentadas em seu joelho. Afável, mais serio,
repreendia o mal comportamento que tiveram, fazia prometerem
emenda. Caso contrario, no próximo ano, mandaria seu
criado aplicar um bom castigo. Às mais especialmente
insubordinadas, ele ameaçava colocar dentro do saco
e levá-las caso não se corrigissem.
Assim, São Nicolau
ia de casa em casa dando bons conselhos, presentes e também
reprimendas. Nas casas em que ele não podia passar,
deixava presentes nos sapatos postos do lado de fora da janela,
À ninguém o ancião esquecia!
Depois destas recordações,
os soldados alemãs despediram-se dos franceses.
Comemoraram juntos o Natal. Agora, deviam voltar para suas
trincheiras! Comovidos, os franceses viram formar-se o mesmo
cortejo e os alemãs se afastaram pouco a pouco... deixando
na neve a marca de seus passos.
E o som da maravilhosa canção
cortou novamente o campo de batalha, cada vês mais distantes..
e o silêncio acabou por se fazer no front, deixando
nas almas o eco daquela canção!
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