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Ponto de Vista

Carlinhos era o lavador de carros da maior loja de veículos do bairro. Ao lado dessa loja, havia uma grande empresa. A fachada principal era decorada com um belo e bem cuidado jardim. Tiago, amigo do Carlinhos, era o jardineiro dessa empresa. Os dois eram bem jovens, 16 anos. Trabalhavam desde pequenos para ajudar suas famílias.

Era sábado pela manhã, por volta de 7h. Carlinhos estava chegando ao trabalho, junto com o amigo Tiago. Cada um se dirigiu à sua empresa, para "pegar no batente", como gostavam de dizer. Não demorou mais que 15 minutos e começou a cair uma chuva forte. Carlinhos olhou desolado para o pátio de carros, pois tinha limpado os veículos no final do dia anterior. Com toda essa chuva, precisaria enxugar todos novamente, para quando os clientes começassem a chegar, por volta de 8h. Praguejou:
- Droga! Isso é hora de cair uma chuva dessas. Imagine agora o trabalhão. Eu sou mesmo um azarado!

Na empresa ao lado, Tiago estava sentado embaixo da marquise de entrada, contemplando a chuva e agradecendo aos céus por ela ter chegado em tão boa hora. Afinal, seu trabalho era exatamente aguar todo o jardim, grama e plantas. Dizia:
- Êta chuvinha boa. Isso é que é sorte. Agora é só torcer para que ela demore mais um pouquinho, molhe bem a terra, e meu trabalho vai estar feito.
Já era quase 10h e nada da chuva passar. A ansiedade de Carlinhos aumentava mais ainda. A loja fechava às 13h aos sábados.
- Já imaginou se essa chuva para às 11h, e mesmo assim eu tiver que enxugar tudo? Quando eu terminar, já vai ser quase a hora de ir embora. Vai ser trabalho perdido! - lamentava ele.

Enquanto isso, Carlinhos, agora deitado, não podia estar mais feliz. Com a continuidade da chuva, já não era mais preciso aguar todo o extenso jardim.

A chuva não dava sinais de parar. Na verdade começou a ficar cada vez mais forte. Já era meio-dia, quando Tiago, o jardineiro, começou a notar que a força da correnteza da água estava começando a criar alguns sulcos na terra, levando algumas das mudas de flores que tinham sido plantadas naquela semana. Notou também que não tinham consertado o sistema de captação de água do telhado e uma grande bica despejava água na grama da frente, formando um grande buraco.

Por volta das 13h, hora de fechar a loja de carros, foi que a chuva começou a parar. Foi parando, parando, até se interromper, totalmente. Carlinhos ia saindo da loja feliz da vida em direção à empresa do amigo. Sempre voltavam juntos para casa. E disse:
- Ei Tiago, tu 'viu' a chuva? Só parou agora, e nem foi preciso enxugar os carros. Agora só segunda-feira. Passei o dia todo parado. Isso é que é sorte!.
No que respondeu Tiago:
- Sorte! Só se for para você. Olha para o meu jardim. Todo esburacado, com as 'florzinha' derrubada. Isso é que azar, sô!

Bem, os fatos por si só nem são benção nem maldição. Não são nem sorte, nem azar. Tudo irá depender de como você irá interpretá-los, de como você irá receber os fatos. É sua atitude, positiva ou negativa, que irá determinar as conseqüências que os fatos trarão para sua vida. É uma questão de escolha. Você não pode determinar os fatos. Eles ocorrem por forças que estão além de sua capacidade decidir. Mas está ao seu alcance determinar como você irá interpretá-los, e como eles lhe afetarão. Eles podem adoçar ou azedar sua vida. São como o calor, que azeda o leite, mas adoça a maça. O calor é o mesmo, mas está em suas mãos escolher ser uma maça.
Quanto aos vendedores da loja, esses já tinham aprendido sobre o conceito da interpretação dos fatos. Aproveitaram que a grande maioria dos clientes ficou em casa, e ligaram para eles fazendo prospecção e marketing de relacionamento. Vários dos clientes contactados foram à loja no dia seguinte, domingo, e fecharam bons negócios. O gerente da loja, na reunião final do dia, afirmou aos vendedores: "Quem dera todo sábado tivesse uma chuvinha dessas."

E você, tem tido sorte ou azar na vida? Espero que nenhum dos dois.
Abraços, bênçãos e SUCESSO!