A maternidade foi canal de cura, milagres e graças em nossas vidas

Desde criança sempre sonhei em ser mãe. Escolhi nomes, imaginei seus rostinhos…de como seria maravilhoso ouvir aquela linda voz me chamando de “mamãe”.

Casei-me aos vinte e um anos, após sete anos de namoro. Foi um namoro vivido dentro da igreja, na juventude da renovação carismática. Tínhamos muitos planos e um deles era de sermos pais. Com quase cinco anos de casados o desejo da maternidade aumentou, nos sentíamos prontos. Logo engravidei, mas com trinta dias de gestação perdi o bebê. Foi muito doloroso e em minha imaturidade achava que não era digna de ser mãe (cegueira das dores). O médico tentou nos acalma, disse que era normal a primeira gestação não prosseguir devido a adaptação do corpo, rejeição do corpo a fetos defeituosos… essas justificativas frias, biológicas que não traz nenhum conforto ou amparo, mas conformismo.

Após seis meses engravidei novamente! Fiquei radiante de felicidade, porém sentia dores abdominais e com isso a médica passou medicamentos para sustentar a gravidez e pediu para eu ficar alguns dias em repouso. Mesmo com todos esses cuidados perdi novamente o bebê com quase dois meses de gestação. Fiquei muito triste, mas nunca perdi a confiança em Deus e Nele encontrei conforto para seguir adiante. Meu esposo teve um papel muito importante nesse momento, pois sempre esteve ao meu lado, ouvindo minhas lamentações, sentindo minhas dores que também eram dele e assim conseguimos ficar mais fortes e seguir adiante.

Engravidei pela terceira vez, dessa vez a gestação durou até os três meses e eu estava confiante que tudo daria certo. Fui fazer o ultrassom de rotina, mas durante o exame o médico viu que o coraçãozinho do meu bebê não batia a mais de uma semana. Fiquei em estado de choque, não conseguia me mover ou raciocinar. Depois de alguns minutos chorei descontroladamente, sentia-me perdida… foi a pior dor que sentir em minha vida.

Minha ginecologista considerou suspeito esses abortos recorrentes e nos orientou a procurar um especialista em reprodução humana. Decidimos fazer uma Inseminação artificial. Procuramos nos confessar antes de iniciarmos o procedimento, pois necessitávamos da bênção e orientação da igreja. Iniciamos o procedimento a inseminação, mas na condição de não descartar e nem congelar nenhum óvulo, pois era vida e todas elas deveriam ser geradas. A inseminação não aconteceu, pois todos os óvulos não resistiram. O médico considerou incomum e pediu autorização para fazer biópsia em um dos óvulos. O exame identificou meu esposo possuía uma translocação genética onde os cromossomos tinham os braços trocados e por isso o bebê não conseguia passar de três meses, período crucial para sua formação.

Diante de todos os acontecimentos e exames feitos, o médico geneticista sugeriu que eu fizesse inseminação com esperma doado, pois a possibilidade de eu gerar um filho naturalmente era mínima. Consideramos um absurdo a sugestão dele e decidimos rezar e pedir a Deus forças, algo que deveríamos ter feito desde o começo, pois eu estava agindo mais pelas minhas dores e inseguranças e com isso tomei muitas decisões erradas.

Descobri em meio as dores o meu fechamento a adoção. Via-me fechada a vida e me questionei como eu queria ser mãe se eu não compreendia que meu amor deveria ir além do desejo de gestar? Que deveria ir ao simples desejo de amar, de ser mãe. Compreendi que o meu desejo era limitado, era egoísta e cheio de feridas. Pedi a Deus a graça de me abrir a vida, pedi sabedoria para compreender o mistério do amor incondicional da maternidade. Como fruto da oração Deus curou-me, abriu-me a vida e assim decidimos adotar. Em meio a todos esses acontecimentos Deus trouxe de volta ao nosso convívio nossa afilhada e sobrinha Ana Letícia que estava precisando de amor de mãe e pai. Nela depositamos todo amor que desejávamos dar a nossos filhos e acolhemos como nossa filha.

No dia 13 de agosto de 2009 fui para uma missa de cura no Shalom da Paz e durante a adoração ao Santíssimo foi proclamado uma profecia: “Uma mulher que está lutando para ser mãe, Deus está olhando pra ti, Nossa Senhora está olhando por ti, assim como você agora olha para ela e nesse mesmo mês Deus dará teu filho.” Eu estava olhando para Nossa Senhora naquele momento pedindo a ela sabedoria e graça da maternidade. Tomei posse daquela graça e no dia 31 de agosto descobri que estava grávida. Eu fiz o exame só para protocolo, pois eu já tinha certeza. Meu esposo, muito cauteloso, sugeriu que esperássemos até depois de três meses para comunicarmos aos amigos e familiares, assim o fizemos. Por graça e milagre de Deus nosso filho estava crescendo dentro de mim sadio.

Quando eu estava com quatro meses de gestação surgiu uma grávida de seis meses desejando doar seu filho para adoção. Naquele momento eu e meu esposo ficamos eufóricos de tanta felicidade e nos sentindo muito amados por Deus, pois a alguns meses não tínhamos nada, só dor e sofrimento e naquele momento estávamos com nossa primeira filha do coração, eu grávida do nosso filho, recebendo outro de coração e claro que nós dissemos sim ao nosso terceiro filho, pois nos sentíamos gratos a Deus. No dia que o bebê nasceu os familiares não deixaram a mãe dá-lo para adoção, foi um momento de dor e descoberta da misericórdia de Deus e ali eu vi que Ele só queria nosso sim aquela vida, Ele queria o meu sim a vida.

João Vítor nasceu dia 18 de Maio de 2010, dia da natividade de São João Paulo II, por isso o demos o nome “João”. O médico pediu que eu não tentasse engravidar novamente, pois eu havia passado por vários abortos, curetagens e ele tinha receio que eu passasse por tudo novamente. Quando João Vítor tinha cinco meses engravidei da Mariana (nome escolhido como entrega e consagração a Santa Ana e Nossa Senhora).

Deus fez uma transformação em nossas vidas, curou-me de muitas feridas que nem eu mesma sabia que tinha, abriu-me a vida, fortificou nosso matrimônio, pois na dor, onde nos víamos sós, apoiamo-nos em Deus juntos e de mãos dadas, isso nos consolidou como família, como marido e mulher. Meu esposo foi meu amparo em todos os momentos, mesmo sofrendo soube ser apoio, ser amigo, cúmplice.

Hoje somos pais de dez filhos! Três na terra e sete anjinhos no céu, orando por nós. Deus fez uma transformação em nossas vidas, curou-me de muitas feridas que nem eu mesma sabia que tinha, abriu-me à vida, fortificou nosso matrimônio, pois na dor, onde víamo-nos sós, apoiamo-nos em Deus e juntos de mãos dadas, isso nos consolidou como família, como marido e mulher. Meu esposo foi meu amparo em todos os momentos, mesmo sofrendo soube ser apoio, ser amigo, cúmplice!

Sinto-me completamente realizada como mãe não só por ter tido nossos filhos por milagre de Deus, mas por ter entendido que a maternidade é abertura à vida além do ato biológico-conjugal. É um preparar de coração, transformando-o como uma manjedoura que aguarda uma criança biológica ou adotada ocupar esse lugar. Assim como Deus confiou seu Filho Jesus ao um pai adotivo, São José, somos felizes pela predestinação para sermos adotados como filhos seus por Jesus Cristo, segundo o beneplácito da sua livre vontade (Ef 1,5).   

A maternidade foi canal de cura, milagres e graças em nossa vida. Por gratidão a Deus estamos hoje como postulantes da comunidade Aliança no Shalom, ofertando nossas vidas para evangelização de outras famílias que tanto sofrem, nos deixando ser usados por Deus para sermos instrumentos de Sua vontade.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *