“Não tenho mais vontade de viver. Por favor, me ajude!”

Eram 23h. Estava prestes a ir dormir. Depois de fazer a costumeira oração das Completas, estava para desligar meu celular quando decidi dar uma última olhada nas minhas mensagens. Em geral, a internet já estaria desligada antes, mas sabe lá porque naquele dia tinha me esquecido de fazê-lo. Vi então a mensagem de uma pessoa que acompanhei algum tempo atrás, em uma outra cidade em que morei. Uma mensagem que me espantou: “Não tenho mais vontade de viver. Por favor, me ajude!”

Quantos hoje em dia não são assolados por este sentimento dramático de desejo de desistir de viver, mesmo entre os jovens! Segundo a Organização Mundial da Saúde, entre os 15 e os 29 anos, o suicídio é a segunda causa de morte em todo o mundo, ficando atrás somente dos acidentes de trânsito. Em alguns países desenvolvidos, chega a ocupar o primeiro lugar entre as causas de morte juvenil. Os números são ainda maiores quando se trata de tentativas de suicídio: em todo o planeta, a cada 3 segundos, uma pessoa tenta tirar a própria vida.

O que pode levar um jovem a pensar e até mesmo arquitetar a própria morte? É uma questão muito complexa. Os fatores psicológicos interferem bastante, especialmente as doenças psíquicas. Mas também a ausência de referenciais da sociedade de hoje, na família e na sociedade, faz com que se torne cada vez mais difícil encontrar em que se agarrar nos momentos de crise. Dizia o padre Cantalamessa, fazendo referência a Bauman: “vivemos em uma sociedade ‘líquida’; não existem mais pontos fixos, valores indiscutíveis, nenhuma rocha no mar, a qual se agarrar, ou talvez contra a qual se chocar. Tudo é fluido”. Em um tal cenário, é muito mais fácil perder o norte e não mais reencontrá-lo…

Claro que existem outros fatores em jogo: as já citadas doenças psíquicas, personalidade mais vulneráveis, o relacionamento com o próprio corpo e com si mesmo, o consumo de álcool e drogas, o relacionamento com a família, os meios de comunicação, tudo isso pode influenciar o surgimento de pensamentos suicidas. Ao fundo está sempre, contudo, o dramático mistério da decisão humana…

Muito importante para as pessoas que estão ao lado de tais jovens é saber ler as mensagens que se dá antes de cometer qualquer ato suicida. Pensamentos, conversas, postagens nas redes sociais… Tudo isso pode ser um velado pedido de ajuda, que a pessoa aflita manda, esperando alguma resposta de alguém que se preocupe com ela. Por isso, qualquer tipo de mensagem suicidária deve ser levada em consideração (não quer dizer que sempre existe algo por trás, mas que vale à pena a averiguação).

Mas se diferentes são os motivos que podem levar alguém a pensar em tirar a sua própria vida, uma só é a resposta que podemos dar a essa pessoa:

“Sua vida é preciosa aos olhos de Deus, meu caro. Não importa o que esteja acontecendo, o seu problema não é sem solução e você tem pessoas ao seu lado que certamente querem ajudá-lo a sair dele”. Foi o que a princípio respondi ao meu jovem amigo. Uma resposta pronta? Talvez. Mas cheia de verdade.

Tentei acalmá-lo no momento, para em seguida marcar uma conversa a dois com ele e tentar descobrir como socorrê-lo, avaliando inclusive a possibilidade de encaminhá-lo para algum tratamento médico.

Deus é o Deus dos vivos, não dos mortos (cf. Lc 20,38), e a sua glória é o homem vivente (cf. Irineu de Lyon). Toda e qualquer vida humana glorifica aquele que a criou, pelo simples fato de existir!

Edinardo de Oliveira

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