O signo do grão de mostarda

Cuidado com a Teologia do Sucesso ou com a Teologia de Resultados.Não trabalhe com o objetivo de arrastar multidões. Erraria desde o começo. O Papa Emérito Bento XVI, quando ainda cardeal Joseph Ratinger diz isso no livro O Sal da Terra, pg 14-15, Editora Imago:

Nunca imaginei que pudesse, por assim dizer, mudar o rumo da História. E se até Nosso Senhor acaba primeiro na Cruz, vê-se que os caminhos de Deus não conduzem tão depressa a sucessos que se possam avaliar.

Julgo que isso seja de suma importância. Os discípulos fizeram-lhe algumas perguntas tais como : “o que se passa, por que é que nada avança?” E ele respondeu com as parábolas do grão de mostarda, do fermento e com outras semelhantes e disse-lhes que a estatística não era uma das medidas de Deus. Não obstante, acontece com os grãos de mostarda e com o fermento alguma coisa essencial e decisiva que não se pode ver agora.

Nesse sentido penso que se tem de abstrair dos parâmetros quantitativos do sucesso. É que nós não somos uma empresa comercial que pode avaliar em números se faz uma política de sucesso e se vende cada vez mais…

O então cardeal , hoje papa emerito, vai ainda mais longe:

Talvez tenhamos de nos despedir das idéias existentes de uma Igreja de massas. Estamos possivelmente perante uma época diferente e nova da história da Igreja. Nela o cristianismo voltará a estar sob o signo do grão de mostarda, em pequenos grupos, aparentemente sem importância,mas que vivem intensamente contra o Mal e trazem o Bem para o mundo.Deixam Deus entrar! Vejo que há muitos movimentos desse tipo.

E observa:

Não há conversões em massa ao cristianismo, não há uma mudança história paradigmática nem uma virada. Mas existem formas fortes de presença da fé que voltam a dar ânimo, dinamismo e alegria às pessoas:presença da fé que significa alguma coisa para o mundo.

O papa emérito compara a Igreja a um barco experimentado e provado e contudo novo porque renovado. O mundo ainda precisa dele para a travessia. E se ele não existisse teria que ser inventado.

O decantado declínio da Igreja que perdeu para o marketing do mundo dá a entender que o modelo de comunicação do mundo venceu e o da Igreja perdeu. Mas Ratinger lembra que exatamente nos últimos 60 anos quando a Igreja foi praticamente ignorada pelas políticas do mundo e pela mídia foi esta visão de sucesso mundano que causou tantos colapsos espirituais, econômicos, e abandonos que conhecemos.

O esquema do sucesso pessoal leva a graves cisões e rupturas com a família e com a comunidade. O modelo do sucesso pessoal ou de um grupo sobre o outro expulsa a cooperação e solidariedade e cria fanatismos e fechamentos.

Mais tarde o papa no livro DIO E IL MONDO continuação dessa mesma entrevista Peter Seewald entra no tema ESSENCIALIZAR. Tema que ele aborda também na página 17 do já citado livro o Sal da Terra.

E isto seria anunciar

um Deus no qual se crê de verdade

num Deus que conhece o Homem

num Deus que entra em relação com o Homem

num Deus que é acessível a todos

que se tornou acessível em Cristo

e que faz História conosco

e se tornou tão concreto que fundou uma comunidade.

O perigo do marketing da fé diz o papa é

1-Lançar uma religião contra a outra

2-ou nivelar tudo como se tudo fosse a mesma coisa

Deduzir que as religiões são simplesmente todas iguais e que estão umas para as outras como num grande concerto, numa grande sinfonia, em que todas, afinal, tem o mesmo significado seria errado. Há religiõesque tocam desafinado e algumas delas podem tornar mais difícil para oHomem ser bom, porque aceitam ou pregam a vingança ou a violência, o aniquilamento dos outros. ( pg 21)

Aí entramos na comunicação sectária.

Assim como o homem tem capacidade para construir pontes e destruí-las, assim também as religiões. Depende de quem a dirige e de quem prega.

Se usar errado dos símbolos e sinais e ensinar como se fosse o que realmente não é vamos ter cegos guiando outros cegos. Alguém pode estar cego pelas luzes do seu grupo e de tanto holofote em si mesmo não saber para onde está levando seus ouvintes.

O marketing não tem paciência. Diz ainda o papa que faz parte da fé da Igreja a paciência do tempo. ( pg 27)

Fomos ensinados e muitos de nós adotamos a urgência do vencedor agora já. Aceite Jesus agora já. Consiga a graça agora, já. Deus está lhe dizendo agora, já. Somos pregadores e fiéis afobados porque os tempos urgem. Mas isto, só parta o milenaristas que acham que o mundo acabará em 2012…. São como os que achavam que acabaria a cada começo de século e apostavam que o anticristo já estava no mundo e que estávamos molhados da sua chuva! Erraram. O marketing leva a um pregação urgente.Vendem a laranja verde como se fosse madura e quase sempre a um preço futuro!

É mais do que oportuna a mística da paciência para com a semente que tem seu tempo de germinar. O marketing agressivo de algumas igrejas não dá tempo á semente. Por isso elas se proclamam igrejas de resultados. Apergunta : – Que resultados? O tempo responde. Respondeu ao comunismo e ao nazismo implantados á força e responderá aos púlpitos apressados e apressadores do Reino de Deus.

Padre Zezinho, SCJ

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