Os marcos da Festa da Divina Misericórdia na vida de João Paulo II

A instituição da Festa da Divina Misericórdia no calendário litúrgico foi o transbordamento de uma experiência pessoal de São João Paulo II, mas também e, principalmente, uma experiência apostólica da Igreja. No dia 30 de abril do ano 2000, mesma data da canonização de Faustina Kowalska, o papa fez o anúncio da inclusão deste dia especial na vida da Igreja em todo segundo domingo da Páscoa. Sobretudo para os devotos, era a realização de uma promessa muito cara: “de agora em diante na Igreja inteira tomará o nome de Domingo da Divina Misericórdia”.

O primeiro contato de João Paulo II com as mensagens de Jesus Misericordioso aconteceu quando ainda era cardeal. Foi Karol Wojtyła que, em 1967, concluiu  o processo informativo para a causa de beatificação da Irmã Faustina Kowalska. Anos depois, já eleito papa, celebrou a sua beatificação (1993) e canonização (2000). Sobre essa santa, João Paulo II falou: “Ó Faustina, quão maravilhoso foi o teu caminho! (…) É verdadeiramente maravilhoso o modo pelo qual a sua devoção a Jesus Misericordioso se difunde no mundo contemporâneo e conquista tantos corações humanos!” (homilia na beatificação de Santa Faustina). João Paulo II reconheceu que Faustina “fez de sua vida um cântico à Misericórdia Divina” (homilia de canonização de Santa Faustina).

No entanto, dois marcos na vida do santo estão profundamente ligados à Misericórdia de Deus e objetivamente à Festa da Misericórdia. Confira:

João Paulo II fez sua páscoa nas vésperas do Domingo da Misericórdia

Em 31 de março de 2005, depois de uma infecção urinária que evoluiu para infecção generalizada, João Paulo II foi acompanhado por médicos em sua residência privada, desejava morrer no Vaticano. Às 21h37, hora de Roma, do dia 2 de abril de 2005, o mundo parou perante a notícia da morte do Santo Padre João Paulo II.

Segundo declarações do então diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Joaquín Navarro-Valls, às 20h do mesmo sábado teria iniciado a celebração da Santa Missa da festa da Divina Misericórdia, nos aposentos do Pontífice, presidida pelo Monsenhor Stanislaw Dziwisz, com a participação dos cardeais Marian Jaworski, Stanislaw Rylko e Mieczyslaw Mokrzycki.

Ou seja, já era domingo, já era o “dia sem ocaso”, a Festa da Misericórdia, o encontro de Jesus com Tomé, o céu se abria para acolher este grande homem.

João Paulo II é canonizado no Domingo da Misericórdia

Um grande sinal da providência e do amor de Deus permitiu que João Paulo II fosse canonizado na manhã do Domingo da Misericórdia de 2014. A cerimônia também foi de canonização do Papa João XXIII, sem dúvida, um homem que também transformou a Igreja com seu testemunho e amor a Deus.

Presidida pelo Papa Francisco, a celebração reuniu, no Vaticano, cerca de 500 mil pessoas de diversas partes do mundo e foi concelebrada com o Papa Emérito Bento XVI.

A esperança e a alegria pascais, passadas pelo crisol do despojamento, do aniquilamento, da proximidade aos pecadores levada até ao extremo, até à náusea pela amargura daquele cálice. Estas são a esperança e a alegria que os dois santos papas receberam como dom do Senhor Ressuscitado, tendo-as, por sua vez, doado em abundância ao povo de Deus, recebendo sua eterna gratidão”, destacou o Papa Francisco na ocasião.

João Paulo II assumiu a Misericórdia de Deus como sua prioridade

Karol Wojtyla foi eleito papa em 1978, e apenas dois anos depois (1980) ele publicou Divis in Misericordia (Deus, Rico em Misericórdia) – primeira e única encíclica papal dedicada exclusivamente à Divina Misericórdia. Nessa encíclica incentivou os cristãos à confiança na ilimitada Misericórdia Divina: “Em nenhum momento e em nenhum período da história – especialmente numa época tão crítica como a nossa – a Igreja pode esquecer a oração, que é o grito de apelo à Misericórdia de Deus perante às múltiplas formas de mal que pesam sobre a humanidade e a ameaçam… Quanto mais a consciência humana, sucumbindo à secularização, perder o sentido do significado próprio da palavra ‘misericórdia’ e quanto mais, afastando-se de Deus, se afastar do mistério da misericórdia, tanto mais a Igreja terá o direito e o dever de fazer apelo ao Deus da Misericórdia ‘com grande clamor’”.

No ano seguinte (1981) ao celebrar a solenidade de Cristo Rei no Santuário do Amor Misericordioso, em Roma, João Paulo II citando essa encíclica revela: “Desde o princípio do meu ministério na Sede Romana, fiz desta mensagem (da Divina Misericórdia) minha tarefa primordial. A Providência me encarregou ante a presente situação do homem, da Igreja e do mundo. Poderia também se dizer que precisamente esta situação me levou a fazer-me cargo desta mensagem, como minha tarefa ante Deus…”.

Fonte: Misericordia.org

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