Pobreza de Cristo, porta para as bem aventuranças

Queridos irmãos, nesta belíssima liturgia nós poderíamos tirar uma frase que possa servir de itinerário para nossa vida. Esta frase, própria da liturgia da palavra de hoje será muito útil, e se a compreendermos poderíamos levar para toda a semana: a frase é “Felizes os pobres”.

Na leitura do profeta Sofonias, o profeta vai dizer algo bem contraditório para aquela época. Fala de pobres a partir dos quais o senhor iria construir o novo Israel. Isto é muito estranho para o período, pois você sabe como era visto a pobreza material no antigo testamento? Com uma espécie de falta de bênção. Por sua vez a riqueza material era vista como dom de Deus a seus abençoados. Deus fala algo que não é simples de assimilar pro povo da época. Podemos ver por exemplo em Jó que ele sofre muito com a perda dos bens, com os sofrimentos que lhe afligem, entra em cena os amigos, e os estes reclamavam com ele. Sabe por qual motivo? Sabe o que lhe diziam? “Você está assim, Jó, porque você pecou, porque você errou”. Se você está caindo na miséria, é porque você pecou. Pois ao pensamento da época tem-se que ao justo não falta nada. Este livro viria a dizer àquele povo que o justo também sofre, que o justo também pode sofrer. O livro de Jó é como que uma preparação para o Novo Testamento. É então que num período em que se vê o pobre como alguém fora da bênção, em inimizade com Deus que chega Sofonias profetizando que Deus vai construir seu reino através de pobres.

Quando Mateus, o mais fiel às tradições hebraicas fala de Jesus que sobe a montanha, ele o relaciona a Moisés. Ele faz de Jesus ali o novo Moisés. E o Senhor começa dizendo bem aventurados os pobres. Em seu início do discurso, Ele ali não está só dizendo uma bem aventurança, mas abrindo as portas para as bem aventuranças.  A pobreza é a porta para todas as bem aventuranças, para todo seu discurso que vai durar três capítulos. Mas ali ele não fala de qualquer pobres, fala de uma nova pobreza, qual, e que pobreza é esta, é a pobreza de Jesus.

Quando queremos aprender a bem aventurança da pobreza, temos que contemplar Jesus, ele é o pobre. E em Filipenses 2, Paulo vai explicar que Ele por ser divino, não prevaleceu desta natureza, mas rebaixou-se para a pobreza humana. Ele nunca deixou de ser Deus, unido ao Pai, mas mesmo sendo Deus se fez pobre ao se encarnar, se despoja dos direitos que tinha e pobre vem habitar entre nós. E sendo homem se humilha ainda mais assumindo a morte, e morte de cruz. Quando falamos de pobreza evangélica, falamos da pobreza de Jesus, que em relação às pompas e riquezas, vem e nasce em um lugar simples, “filho” de pais terrestres simples, mora em lugares simples, e convive basicamente entre pessoas simples. E é esta pobreza, a de Jesus que abre as portas para todas as outras bem aventuranças.

Se formos pegar as demais, nós vemos que é a partir desta pobreza que são alcançáveis as demais. Ela abre as portas para as demais.

 Quem é pobre é manso. Pois a ira, a raiva a grosseria, a dureza nos relacionamentos, valentia vingativa, é sinal de riqueza, de querer ser superior, desta riqueza que temos em nós. O pobre não se arroga a ser superior aos irmãos. Pobre é aquele que abre mãos dos próprios direitos, quem é pobre não tem direitos, e é por isto que quem é pobre assim é manso. Ira é sinal de riqueza, é sinal de que nos arrogamos de muitas coisas, que temos posses imagens a defender.

Quem é pobre é justo. Pois Cristo o pobre é justo. E qual sua justiça? A que vai à cruz, a que nos justificou, pagou pela injustiça do outro, ainda que na cruz quando necessário foi.  

È misericordioso, pois se sou pobre, considero que ninguém me deve nada, eu não sou credor de ninguém, Deus é meu credor, eu devo a Deus todo o meu amor. Se ninguém me deve nada, eu posso ser misericordioso.

Quem é pobre é puro de coração, por que no coração dele só habita Deus. O coração do pobre não é um coração dividido, o do rico se divide entre Deus e os bens deste mundo. O do pobre, porém nada tem ali senão Deus. Deus lhe basta. E por causa disto é puro, é imaculado, é intacto.

Quem é pobre promove a paz, e nós que caminhamos na obra Shalom, mesmo que só em alguns eventos, ou só na missa de domingo aqui, trilha este caminho. Quem é pobre anuncia a paz. Quem é pobre não anuncia a si mesmo, e sabe por quê? Por que não tem nada. E como seu coração é puro, é habitado somente por Deus, por que não quer nada para si, anuncia Deus.

E o pobre suporta as coisas pela justiça de Deus, é perseguido pelo reino, sofre perseguição pela justiça. O pobre só tem a Deus por ele. E nós que queremos ser pobres, passamos e aceitamos o sofrimento. Isto ocorre em toda a história, nunca o cristão verdadeiro teve vida mansa. Se lemos o evangelho, ou os atos dos apóstolos ou a história da implantação da igreja, vemos isto. É aceitar um grande desafio ser cristão, e para isto, para suportar as perseguições que a supõe, é preciso ser pobre. E por que Paulo diz isto, Paulo vai dizer que não anunciamos a sabedoria própria do mundo grego, riquezas, poder, mas a Cruz de Cristo. O que Paulo nos diz? Não há muitos sábios entre nós, não há poderosos em nosso meio, ou seja, dá uma paulada em coríntios. Não há pessoas por quem se vangloriem, e por que Deus escolheu estes? Porque ele escolheu o que era fraco para confundir os fortes, escolheu o que não tinha valor, para que ninguém pudesse por nisto sua vantagem. Se tivéssemos muita capacitação humana, iríamos obstruir a glória da Cruz de Cristo, mas como não temos nada a oferecer a glória da cruz de cristo resplandece entre nós.

Hoje não tenhamos medo de nos colocar diante de Deus como pobre como fraco, na nossa condição, ainda que de inutilidade, para que a glória de Deus resplandece por meio de nós. Quanto mais colocarmos nossa realidade toda inteira diante de Deus, fracos, reconhecendo nossa pequenez, mais a glória de Deus vai se manifestar através de nós. Para confundir os fortes. Lembremos de GedeHomilia do padre sílvio
Bem aventuranças

Queridos irmãos, nesta belíssima liturgia nós poderíamos tirar uma frase que possa servir de itinerário para nossa vida. Esta frase, própria da liturgia da palavra de hoje será muito útil, e se a compreendermos poderíamos levar para toda a semana: a frase é “Felizes os pobres”.

Na leitura do profeta Sofonias, o profeta vai dizer algo bem contraditório para aquela época. Fala de pobres a partir dos quais o senhor iria construir o novo Israel. Isto é muito estranho para o período, pois você sabe como era visto a pobreza material no antigo testamento? Com uma espécie de falta de bênção. Por sua vez a riqueza material era vista como dom de Deus a seus abençoados. Deus fala algo que não é simples de assimilar pro povo da época. Podemos ver por exemplo em Jó que ele sofre muito com a perda dos bens, com os sofrimentos que lhe afligem, entra em cena os amigos, e os estes reclamavam com ele. Sabe por qual motivo? Sabe o que lhe diziam? “Você está assim, Jó, porque você pecou, porque você errou”. Se você está caindo na miséria, é porque você pecou. Pois ao pensamento da época tem-se que ao justo não falta nada. Este livro viria a dizer àquele povo que o justo também sofre, que o justo também pode sofrer. O livro de Jó é como que uma preparação para o Novo Testamento. É então que num período em que se vê o pobre como alguém fora da bênção, em inimizade com Deus que chega Sofonias profetizando que Deus vai construir seu reino através de pobres.

Quando Mateus, o mais fiel às tradições hebraicas fala de Jesus que sobe a montanha, ele o relaciona a Moisés. Ele faz de Jesus ali o novo Moisés. E o Senhor começa dizendo bem aventurados os pobres. Em seu início do discurso, Ele ali não está só dizendo uma bem aventurança, mas abrindo as portas para as bem aventuranças.  A pobreza é a porta para todas as bem aventuranças, para todo seu discurso que vai durar três capítulos. Mas ali ele não fala de qualquer pobres, fala de uma nova pobreza, qual, e que pobreza é esta, é a pobreza de Jesus.

Quando queremos aprender a bem aventurança da pobreza, temos que contemplar Jesus, ele é o pobre. E em Filipenses 2, Paulo vai explicar que Ele por ser divino, não prevaleceu desta natureza, mas rebaixou-se para a pobreza humana. Ele nunca deixou de ser Deus, unido ao Pai, mas mesmo sendo Deus se fez pobre ao se encarnar, se despoja dos direitos que tinha e pobre vem habitar entre nós. E sendo homem se humilha ainda mais assumindo a morte, e morte de cruz. Quando falamos de pobreza evangélica, falamos da pobreza de Jesus, que em relação às pompas e riquezas, vem e nasce em um lugar simples, “filho” de pais terrestres simples, mora em lugares simples, e convive basicamente entre pessoas simples. E é esta pobreza, a de Jesus que abre as portas para todas as outras bem aventuranças.

Se formos pegar as demais, nós vemos que é a partir desta pobreza que são alcançáveis as demais. Ela abre as portas para as demais.

 Quem é pobre é manso. Pois a ira, a raiva a grosseria, a dureza nos relacionamentos, valentia vingativa, é sinal de riqueza, de querer ser superior, desta riqueza que temos em nós. O pobre não se arroga a ser superior aos irmãos. Pobre é aquele que abre mãos dos próprios direitos, quem é pobre não tem direitos, e é por isto que quem é pobre assim é manso. Ira é sinal de riqueza, é sinal de que nos arrogamos de muitas coisas, que temos posses imagens a defender.

Quem é pobre é justo. Pois Cristo o pobre é justo. E qual sua justiça? A que vai à cruz, a que nos justificou, pagou pela injustiça do outro, ainda que na cruz quando necessário foi. 

È misericordioso, pois se sou pobre, considero que ninguém me deve nada, eu não sou credor de ninguém, Deus é meu credor, eu devo a Deus todo o meu amor. Se ninguém me deve nada, eu posso ser misericordioso.

Quem é pobre é puro de coração, por que no coração dele só habita Deus. O coração do pobre não é um coração dividido, o do rico se divide entre Deus e os bens deste mundo. O do pobre, porém nada tem ali senão Deus. Deus lhe basta. E por causa disto é puro, é imaculado, é intacto.

Quem é pobre promove a paz, e nós que caminhamos na obra Shalom, mesmo que só em alguns eventos, ou só na missa de domingo aqui, trilha este caminho. Quem é pobre anuncia a paz. Quem é pobre não anuncia a si mesmo, e sabe por quê? Por que não tem nada. E como seu coração é puro, é habitado somente por Deus, por que não quer nada para si, anuncia Deus.

E o pobre suporta as coisas pela justiça de Deus, é perseguido pelo reino, sofre perseguição pela justiça. O pobre só tem a Deus por ele. E nós que queremos ser pobres, passamos e aceitamos o sofrimento. Isto ocorre em toda a história, nunca o cristão verdadeiro teve vida mansa. Se lemos o evangelho, ou os atos dos apóstolos ou a história da implantação da igreja, vemos isto. É aceitar um grande desafio ser cristão, e para isto, para suportar as perseguições que a supõe, é preciso ser pobre. E por que Paulo diz isto, Paulo vai dizer que não anunciamos a sabedoria própria do mundo grego, riquezas, poder, mas a Cruz de Cristo. O que Paulo nos diz? Não há muitos sábios entre nós, não há poderosos em nosso meio, ou seja, dá uma paulada em coríntios. Não há pessoas por quem se vangloriem, e por que Deus escolheu estes? Porque ele escolheu o que era fraco para confundir os fortes, escolheu o que não tinha valor, para que ninguém pudesse por nisto sua vantagem. Se tivéssemos muita capacitação humana, iríamos obstruir a glória da Cruz de Cristo, mas como não temos nada a oferecer a glória da cruz de cristo resplandece entre nós.

Hoje não tenhamos medo de nos colocar diante de Deus como pobre como fraco, na nossa condição, ainda que de inutilidade, para que a glória de Deus resplandece por meio de nós. Quanto mais colocarmos nossa realidade toda inteira diante de Deus, fracos, reconhecendo nossa pequenez, mais a glória de Deus vai se manifestar através de nós. Para confundir os fortes. Lembremos de Gedeão, no livro dos Juízes, vinha com milhares de homens para a guera, aí Deus lhe disse que era gente demais para manifestar Sua glória, e Deus foi selecionando ao ponto de só ficarem 300. Deus então lhes diz na verdade é que: “Com estes vou manifestar minha glória, e homem nenhum vai dizer que foi por sua força que a vitória foi alcançada”.

Com Ele, com Cristo, aprendamos em sua pobreza a nos abrir a glória de Deus.
ão, no livro dos Juízes, vinha com milhares de homens para a guera, aí Deus lhe disse que era gente demais para manifestar Sua glória, e Deus foi selecionando ao ponto de só ficarem 300. Deus então lhes diz na verdade é que: “Com estes vou manifestar minha glória, e homem nenhum vai dizer que foi por sua força que a vitória foi alcançada”.

Com Ele, com Cristo, aprendamos em sua pobreza a nos abrir a glória de Deus.

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