Procura-se Mulher

coluna

Aproveito o “Dia Internacional da Mulher” para colocar em todos os jornais do país, o seguinte anúncio desesperado:

Procura-se mulher: não precisa ser bonita; pode ser feia mesmo. Não precisa ser sensual, pode mesmo ser tão atraente aos sentidos quanto um pedaço de compensado sem graça. Não precisa ser provocante, nem insinuante; pode até ser nem um pouco atraente e não insinuar nada à imaginação. Não precisa ser fêmea; pode ser apenas feminina. Não precisa ser magra; pode ser gorda, mesmo. Pode até ter celulite, rugas e seios caídos. Não precisa ter cabelos longos, sedosos e perfumados; pode ter cabelos desnutridos e ressecados, ralos, fora de moda e fedorentos ao suor do trabalho. Não precisa ter pele sedosa como pêssego nem mãos macias como a seda; pode ter a pele seca, mesmo, e as mãos podem ser rachadas pelo detergente e as unhas manchadas pela impiedosa palha de aço. Para mim, não faz a menor diferença. Não precisa ser um gênio nas finanças, nem uma empresária de destaque, nem mesmo uma exímia literata; pode ser mesmo uma pessoa simplória, que saiba apenas partilhar do que tem, na matemática rara do amor. Não importam a aparência, a idade, a cultura, o desempenho profissional. Precisa apenas ser rara.

Procura-se mulher rara. Precisa-se de mulher que, mesmo em meio a tantas conquistas sociais e intelectuais, ainda saiba amar até doer, amar até o sacrifício de si, ciosa de não impô-lo aos outros. Precisa-se de mulher que ainda saiba viver a ternura e promover a paz na família. Procura-se mulher rara: que ainda saiba exercer o dom da sabedoria e da prudência; que ainda saiba exercer a virtude do conselho, da humildade, da pureza, da sobriedade. Procura-se desesperadamente, precisa-se urgentemente de mulher que humanize o coração do homem, do ser masculino.

Procura-se e precisa-se, em regime de emergência, mulher pronta a dar a vida por amor ao marido, aos filhos, aos irmãos, aos pobres; mulher pronta a renunciar a seus próprios prazeres por amor aos filhos, ao marido, aos irmãos, especialmente os mais pobres. Procura-se, desoladamente, mulher que entenda que Jesus está nos filhos, no marido, no irmão, na irmã, nos pais, no vizinho, nos que sofrem, nos pobres. Precisa-se de mulher que entenda o óbvio: Jesus está nos de dentro de casa, não somente nos de fora!

Procura-se mulher com coragem, coerência e liberdade interior para trocar todo o sucesso do mundo pelas conquistas escondidas do amor do dia a dia. Procura-se mulher com coerência e liberdade interior para saber que uma pilha de louça na pia pode ser mais importante que uma reunião de negócios; mulher coerente e livre para optar por dedicar aos de fora o tempo que reserva para si e não para roubar aos seus o tempo que lhes deve para dedicá-lo a si mesma e aos de fora.

Precisa-se de mulher que ame a vida, não com curtições e prazeres, mas com o respeito de levar até o fim uma gravidez que a surpreende. Precisa de mulher que não costume assassinar filhos a cada mês através dos 1 ou 2 por cento que podem ser fecundados apesar dos DIUs e dos anticoncepcionais. Procura-se uma mulher disposta a entender a explicação banal de que estes 1, 2, ou décimos por cento de chances de gravidez significam uma vida que, fecundada, não encontrará em seu útero ambiente hormonal ou de saúde para se instalar. Procura-se mulher sóbria e independente da propaganda maciça contra a vida. Procura-se mulher que compreenda o raciocínio infantil de que 0,1 por cento de vida fecundada e não acolhida pelo útero é tão aborto e tão assassinato quanto tirar uma criança com meses de gestação. Procura-se mulher que, ao ler as bulas do DIU e dos anticoncepcionais compreenda que “interrupção da gravidez” é um eufemismo covarde para “aborto”.

Procura-se mulher de fé. Mulher coerente. Mulher confiante em Deus. Procura-se mulher que respeite a Deus e respeite a vida, que respeite seu marido, seus filhos, cada pessoa.. Mulher que compreenda a mais simples matemática: para cada embrião fecundado e implantado pela inseminação artificial em seu útero, dezenas de outros são literalmente jogados no ralo do consultório ou hospital. Tornam-se, no máximo, “lixo hospitalar” ou “material” congelado para futuras pesquisas. Precisa-se mulher que compreenda a explicação simples de que estes, que foram ralo abaixo para uma fossa qualquer, são tão seus filhos quanto os que ela – feliz, a comentar com as amigas o sucesso da gravidez inseminada – traz em seu ventre.

Procura-se mulher rara: mulher que seja mulher, que não seja, absolutamente, igual ao homem em sua essência; que tenha a inteligência de entender que é igual ao homem em sua dignidade, mas diferente em seu ser, em sua vocação, em sua missão; que tenha “gênio feminino” suficiente para compreender que sua maior contribuição para a humanidade é ser mulher, pensar como mulher, agir como mulher, trabalhar como mulher, em tudo amar como uma mulher ama.

Precisa-se de mulher rara o suficiente para ter um pensamento independente do que metralha a mídia. Mulher com coragem para ser mulher, com coragem para pensar diferente, para agir diferente, para amar de verdade, para defender a verdade da vida que traz impressa em si.

Procura-se esta mulher cada vez mais rara. Precisa-se, desesperadamente, desta mulher terna, amorosa, humilde, coerente, livre. Caso você a encontre, por favor, comunique-se comigo. Sua recompensa será a mesma que a minha: um mundo mais humano, que ainda crê no amor, que ainda espera e ama, que ainda acredita no ser humano, que opta, em tudo, pelo amor.

Procura-se mulher rara, em extinção. Procura-se esta mulher de forma agonizante, aos prantos, como quem morre por não saber mais encontrar a ternura do humilde e sábio amor, perdido entre as plásticas e cremes, entre as malhações e computadores, entre as aplicações e MBAs.

Se você a viu, se você a conhece, ajude-me, que a solidão me mata, que a indiferença me adoece, que a frieza me angustia, que sua falta me amargura e me deixa perdido, sem encontrar o sentido para a vida. Ajude-me, tenho pressa!

Assinado: um filho desamado; um marido abandonado; uma filha milimétrica, fecundada in vitro, atualmente enganchada na curva de um esgoto, ainda viva em meio aos nutrientes, mas, certamente, fadada à morte.

 

Maria Emmir Oquendo Nogueira

Cofundadora da Comunidade Católica Shalom

em “Entrelinhas” da Revista Shalom Maná
TT @emmiroquendo
Facebook/ mariaemmirnogueira
Coluna da Emmir – www.comshalom.org

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