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Papa diz que internet é um novo espaço para proclamar o Evangelho

Um programa para o futuro da Internet, de meio militar a instrumento ao serviço da paz, é apontado por João Paulo II na mensagem publicada hoje em preparação da 36ª Jornada mundial das Comunicações Sociais.

Refletindo sobre o tema escolhido, "Internet: um novo espaço para proclamar o Evangelho", o Papa não toma o nosso instrumento que navega pela fibra ótica como uma caixa fechada, mas junto com tantas possibilidades positivas, sublinha também os riscos e os perigos.

O primeiro deles é o de agravar na época da globalização, a divisão existente entre as pessoas, e o risco de apresentar importantes todos os fatos apresentados na Rede, independentemente dos valores. O espaço da Rede "favorece uma maneira de agir relativista e às vezes alimenta a fuga das responsabilidades e do compromisso pessoal", sublinha o Pontífice.

No entanto o anúncio da Boa Nova não elimina a importância da relação pessoal e direta, também se não menospreza a contribuição dos meios de comunicação. Mas também nesta "galáxia de imagens e de sons" formada por "milhões de imagens" em "milhões de telas" pode aparecer o rosto de Cristo e a boa notícia de sua redenção para todos.

Esta, de fato, "é a finalidade da evangelização e isto fará da Intenet um espaço humano autêntico, porque se não existe espaço para Cristo, não existe espaço para o homem". É tempo pois - escreve o Papa em sua mensagem difundida em 6 línguas, de "navegar mar adentro na Rede".

Depois de ter lembrado como a Igreja. nos séculos, adaptou-se à evolução dos tempos e da linguagem para anunciar o Evangelho, o Papa sublinha que a revolução das comunicações e da informações coloca a Igreja diante de um novo limiar decisivo. A Internet é certamente um novo "fórum", em sentido atribuído por esta palavra na antiga Roma, ou seja um espaço público onde se debatiam política e negócios, onde se cumpriam os deveres religiosos, onde se realizava boa parte da vida social da cidade e onde a natureza se apresentava em seu estágio melhor ou pior.

Era um espaço urbano lotado e caótico que refletia a cultura dominante, mas criava também uma cultura própria. Isto vale também para a Rede, que é uma nova fronteira que se abre no início deste milênio. Como as novas fronteiras de outras épocas, também esta é uma mistura de perigos e premissas, não imune deste sentido de aventura que caracterizou outros grandes períodos de mudança.

Para a Igreja, o novo mundo da Internet exorta à grande aventura para utilizar seu potencial a fim de anunciar a mensagem evangélica. Este desafio é a essência do significado que, no início do milênio, se revestem o seguimento de Cristo e o seu mandato "vai ao largo: Duc in altum!" (Lc 5,4).

A Igreja - explica o Pontífice - aproxima-se deste meio com realismo e confiança. "Como outros meios de comunicação, ele é meio e não fim em si mesmo. Internet pode oferecer magníficas oportunidades de evangelização se utilizada com competência e com clara consciência de sua força e de suas fraquezas. Sobretudo, oferecendo informações e suscitando interesse, a Rede torna possível um primeiro encontro com a mensagem cristã, em particular aos jovens que cada vez mais utilizam este instrumento como janela sobre mundo".

Já existem na Rede inúmeras fontes de informação, documentação e instrução sobre a Igreja, sua história e sua tradição, sua doutrina e seu compromisso em todos os campos, em todos os lugares do mundo. " É claro então - observa o Papa - que, apesar de nunca poder substituir a experiência profunda de Deus que só a vida litúrgica e sacramental da Igreja pode oferecer, Internet poderá certamente oferecer um suplemento e um apoio únicos seja em preparar o encontro com Cristo na comunidade, seja em sustentar os novos fiéis no caminho da fé que iniciam".

A característica essencial da Internet "consiste em oferecer um fluxo quase infinito de informações, muitas das quais duram apenas um segundo. Numa cultura que se alimenta do passageiro, pode-se facilmente correr o risco de acreditar que o que conta são os fatos, em lugar dos valores.Internet oferece numerosas noções, mas - para João Paulo II - não ensina valores, e quando estes últimos são deixados de lado a nossa própria humanidade está sendo enfraquecida e o homem perde facilmente de vista sua dignidade transcendente.

Apesar de seu enorme potencial de bem, algumas modalidades desagradantes e prejudiciais na utilização da Internet são de todos conhecidos e as autoridades públicas têm certamente a responsabilidade de garantir para este instrumento maravilhoso sirva ao bem de todos e não se torne nocivo. Além disso, Internet re-difine de modo radical a relação psicológica de uma pessoa com o tempo e o espaço.

Prestando-se atenção àquilo que é tangível, útil e alcançável instanataneamente, pode vir a faltar o estímulo para o pensamento e a reflexão mais profundos. Contudo, os seres humanos têm a necessidade vital do tempo e do silêncio interior, para refletir e examinar a vida e os seus mistérios, e para crescer de modo gradual até atingir um domínio amadurecido de si mesmos e do mundo que os rodeia".

"Neste contexto, como podemos cultivar a sabedoria que deriva não só do informação, mas da introspecção, a sabedoria que compreende a diferença entre o que é correto e o que é errado, e sustenta a escalada de valores que provém desta diferença? O fato de que, através da Internet, as pessoas multiplicam seus contatos de maneiras até agora impensáveis, oferece maravilhosas oportunidades para a difusão do Evangelho.

Todavia, é também verdade que as relações mantidas através dos meios eletrônicos jamais podem substituir o contato humano direto, necessário para uma evangelização autêntica, porque a evangelização depende sempre do testemunho pessoal daquele que é enviado para evangelizar".

Sem dúvida, "a revolução eletrônica apresenta a promessa de grandes conquistas positivas para o mundo em vias de desenvolvimento; contudo, há também a possibilidade de agravar efetivamente as desigualdades já existentes, na medida em que aumenta a separação da informação e das comunicações.

Como podemos garantir que a revolução da informação e das comunicações, que tem na Internet o seu primeiro motor, atuará em benefício da globalização do desenvolvimento e da solidariedade humana, objetivos que estão estritamente ligados à missão evangelizadora da Igreja?

Finalmente, nestes tempos de dificuldades, permitam-me perguntar: como é que podemos garantir que este maravilhoso instrumento, inicialmente pensado no âmbito das operações militares, pode agora servir à causa da paz? Pode ele favorecer a cultura do diálogo, da participação, da solidariedade e da reconciliação, sem a qual a paz não consegue florescer? A Igreja acredita que sim; e para assegurar que é isto que acontecerá, ela está determinada a entrar neste novo espaço, armada com o Evangelho de Cristo, o Príncipe da Paz".