TIPO-ASSIM-FIM-DE-GUERRA-INSTANTÂNEO

De vez em quando o céu se abre e nos damos conta da batalha espiritual em que constantemente vivemos. Nesses momentos, apenas poucas pessoas caem em si e, através do discernimento dos espíritos e da fé, conseguem olhar o mundo da mesma forma que João, em Apocalipse 12. Vêm, então, uma enorme batalha entre o demônio e a humanidade, entre o demônio e a Igreja, entre o demônio e a mulher e seu Filho.

Fátima foi uma das vezes em que o céu, literalmente, se abriu e… pediu socorro aos homens, muito embora não precisasse. Foi um daqueles momentos em que Deus resolve fazer o homem participar de Sua cruz redentora e reparadora, por puro amor, pois nada mais seria necessário.

A Mãe de Deus, em Fátima vem, quem diria, convocar três crianças iliteratas, pobres e impotentes para a guerra! Isso mesmo: convocá-las para entrar em batalha contra ninguém mais, ninguém menos, que o próprio Satanás e seus sequazes. Era necessário desbaratar seus planos de morte na primeira guerra mundial que, dizem muitos historiadores, é uma só com a segunda.

Era necessário desfazer seus planos de atrocidades, vingança, morte, mentira, sangue, traição, genocídio, holocausto contra a humanidade enganada e seduzida por planos de hegemonia e superioridade. Era preciso destruir poderosos generais, nações armadas até os dentes, planos de guerra perfeitos, armas nucleares capazes de destruir milhares com uma só ogiva.

A Mãe, para que não tenham medo, promete sua proteção e arma-os para a guerra. Envia-os, então, às trincheiras que fizeram sucumbir milhões na primeira parte da guerra? Arma-os, talvez, com metralhadoras e radares, com aviões e navios de guerra? Submarinos? Códigos secretos?

Todos sabemos a resposta: arma aqueles três pobrezinhos com rosários e penitências, com Ave-Marias e Pai Nossos e sacrifícios ofertados pelos pecadores. Com vidas ofertadas no sofrimento de amor na saúde e na doença. Arma-os da Caridade para com Deus e os homens que faz arder o seu coração de Mãe. E, o mais incrível, com armas tão simples, baratas, interiores e discretas – por vezes, como as ogivas, secretas – promete a paz e que a guerra não tocará Portugal.

A história comprova a eficácia da oração dos pobres e pequenos pastorinhos.

Como assim, diríamos nós em nossa pressa! À custa de milhões de vidas?!? De indescritíveis atrocidades, de reiterada maldade durante uma guerra dividida em duas?

Claro que gostaríamos de um milagre “tipo-assim-fim-de-guerra-instantâneo”. Especialmente nós, filhos do “fast food” do século XXI. Batalhas, porém, não se ganham assim, de uma hora para outra. Foi o que nós mesmos estabelecemos ao longo dos milênios. Batalhas exigem processos de dor, de desagregação, de perda, de morte, morte de todos os tipos.

Muitas vezes os pastorinhos pediram a Nossa Senhora que curasse doentes instantaneamente, que convertesse pecadores com um estalar de dedos. A resposta dela surpreendeu: às vezes dizia “sim”, outras vezes “não”, outras vezes “daqui a algum tempo”, ou “daqui a um ano” e, ainda, “sim, se a pessoa mudar de vida e esforçar-se bastante”. Pasme!

Quero agora viajar com você um século: Síria, Coréia do Norte, África, Venezuela. Rios e rios de sangue, rios e rios de ódio, rios e rios de refugiados a se arrastar penosamente entre os países, rios de gritos desesperados de quem se arrisca em um barco inflável sem sequer saber nadar. Rios distantes exibidos nos noticiários e, agora, rios bem próximos, que cruzam as fronteiras do Norte do Brasil “por que nos han dicho que acá habria comida”!

Viajo agora para dentro dos corações. Descortino as famílias e a grande guerra que nos ameaça muito mais que as ogivas nucleares, mais que a fome, mais que a guerra civil. Arrasto, quase a desfalecer, a grande guerra espiritual revestida de “cultural”: o relativismo, a destruição da autoridade, a crise de valores, a ideologia de gênero. Ogivas espirituais dos nossos tempos. Dragão contra a Mulher e seus filhos. Sempre.

Sou tentada a emendar: “Sempre… nada de novo sobre a face da terra!” Mas minha inteligência me impede: há, sim, uma nova estratégia maligna sobre a face da terra. Essa estratégia agora usa a mídia, as escolas, os amigos, os livros para implantar mentalidades revestidas de “cultura” com o cerne de malignidade de espantosa ousadia.

Em 1997, há um século, a estratégia era destruir os corpos e bens dos homens e levá-los à morte física. Hoje, um século depois, a estratégia está bem mais disfarçada e refinada, como o Maligno costuma fazer em sua estratégia de enganação, falsidade e mentira.

O objetivo, hoje, é destruir a identidade do homem. Aquela, onde reside a imagem e semelhança de Deus. Os atingidos – especialmente os jovens – continuam a respirar e a mover-se. No entanto, são mortos que matam outros enquanto cultivam a própria morte. Sim, a estratégia do Dragão, hoje, é destruir a família, a autoridade paterna e, em consequência, a preciosa imagem e semelhança de Deus impressa no homem. A partir dos jovens e das crianças! Não nos iludamos. Nós, adultos, somos meras peças da “estratégia”.

Isso é assunto comprido, doloroso, complicado, desafiador, que precisa ficar para outra hora. Mas faço questão de frisar que, dentre algumas outras armas que podem derrotar esse Dragão do Século XXI há aquela de Fátima, mais poderosa que todas as outras, mais avassaladora e temível que muitos exércitos preparados para a batalha. Mais potente que armas químicas, ogivas nucleares e espionagem cibernética: o rosário e a penitência pelos pecadores.

Será “tipo-assim-fim-de-guerra-instantâneo?” Hashtag, não sei. Já há tantos milhares de vítimas espalhados por aí, da Baleia Azul ao “gênero convicto”. Só sei de uma coisa: essa arma do céu precisa ser usada por todos e logo, ou Stephen Hawking será taxado de exagerado ao dar cem anos para o final de nossa civilização. Ela estará, na verdade, morta, não quando algum asteroide desgovernado cair sobre nossas cabeças, mas quando a imagem e semelhança de Deus estiverem mortas em nós, quando se admitir o ataque “modernoso” à identidade do homem, quando ele, iludido pela contracultura, deixar cair das mãos o rosário e, passivo e iludido, permitir que seja apagada em si mesmo ou em seus filhos a imagem e semelhança do Deus que se fez homem e, homem, morreu de amor, em entrega e sacrifício para que fossemos plenamente filhos de Deus.

Preocupado? “Fique não”… Nossa Senhora triunfará! Feliz e cheio de esperança Centenário de Fátima!

Emmir Nogueira

13 DE MAIO DE 2017

One thought on “TIPO-ASSIM-FIM-DE-GUERRA-INSTANTÂNEO

  1. Perfeito entendimento e discernimento! Conte com minhas orações e sacrifícios em favor da humanidade, em favor do povo escolhido! Por mais que seja dolorido!

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