Formação

A Adolescência e a Educação Sexual

Pela confirmação, tornamo-nos saldados de Deus (cf. Jz 6,12 s.). Tornamo-nos aqueles que aceitam lutar por Deus, lutar por Cristo. É já a criança que começa a compreender as lutas mais pessoais, mais íntimas. E a criança pode muito bem, já nesta idade, conhecer certas lutas para guardar um senso de pureza

“Existem coisas que não se fazem com seus colegas.” E nos dias de hoje, acredito ser necessário despertar muito cedo para isso, na própria luz dessa luta: não se tem mais o direito de deixar que as crianças ignorem completamente que, nas relações de amizade, pode muito cedo haver deslizamentos; pode haver amizades que se desviam para um gozo carnal. Claro, é muito delicado e cada caso é diferente. E depois, isso depende do meio. Mas com o mistério da confirmação é preciso imediatamente é preciso imediatamente fazer compreender que existe um sentido do corpo, um sentido do respeito ao corpo, e que, se existe um despertar do instinto sexual pela puberdade, não se deve ter medo. É preciso que ao mesmo tempo muito pudor e muito realismo: é o realismo que salva nesse domínio. Se existe um tal pudor que não se ousa falar desses problemas – e isso acontece, hoje em dia menos do que antigamente -, corre-se o risco de acentuar e de fazer com que o garoto porte falsos segredos, porque ele não ousará dizer o que aconteceu com esse ou aquele coleguinha. Ele não ousará contar aquilo que talvez ele próprio tenha descoberto em si mesmo. Não ousará falar disso. Essa é então muitas vezes a fonte de uma espécie de complexo terrível, que faz com que o problema da sexualidade não seja mais visto em toda a sua verdade.

Não se deve cair no outro extremo. O outro estremo consiste em querer imediatamente iniciar a criança em todos esses problemas, quanto ela é ainda muito jovem. Infelizmente, é o que se faz às vezes, e publicamente; considero isso muito ruim. A iniciação em relação à sexualidade, ao apetite sexual, reclama ser feita individual e pessoalmente; aí, também, num clima de grande amor, mostrando esta vontade e este amor de Deus que confia a cada um, algo de muito grande, que se tornará para a criança, quando ela crescer, uma capacidade de ser fonte de um dom, fonte de uma vida. A criança se coloca bem cedo as perguntas: Como acontece um nascimento? Por que é que sua mãe espera uma criança? Que significa a distinção do menino e da menina? Com relação a tudo isso, nos dias de hoje, uma reação contra um pudor excessivo, contra uma moralização grande demais, cai-se então na atitude psicológica que consiste em tudo despertar-se a curiosidade, e não se fortifica. É preciso velar, para saber o momento em que se pode ajudar a criança a descobrir-se, a descobrir o que ela é. Esta descoberta não é fácil, é certo, porque é necessário ter uma intimidade suficientemente grande.

São os pais que têm o dever de fazer isso. Acredito que é um dever primordial dos pais. Não são os professores e os mestres na escola que devem fazê-lo. Tampouco é diretamente o padre. Este poderá ajudar, se o adolescente colocar perguntas. Mas não cabe a ele fazê-lo diretamente. É papel dos pais, porque é no interior da família que se realiza o mistério da fecundidade. É no interior da família que essa primeira educação se deve fazer. Ela deve se completar graças ao sacramento da confirmação e à profissão de fé, que devem nos dar a força de sermos capazes de dominar nossos instintos sexuais, para que eles sejam plenamente assumidos pela caridade fraterna. Com efeito, todo o problema da sexualidade normal ou de tendências homossexuais. É sempre o encontro com o outro (para além da família). E este encontro é ultrapassado, envolvido por algo maior, o amor espiritual e a caridade fraterna.

No mundo de hoje, é muito importante que os pais tentem proceder de modo que seus filhos tenham muito cedo esses laços de amor de amizade. Nessa idade ainda se pode orientá-los. Quando tiverem dezessete, dezoito anos, será impossível. Porém aos doze, treze anos, é justamente o momento em que ainda se pode fazê-lo. É importante que eles descubram verdadeiras amizades naquele momento, para que se ligue em seus corações algo muito maior que antes: a amizade de um rapaz com um rapaz, a amizade de um rapaz com uma moça. Não se deve cortar brutalmente dizendo: “Um rapaz nunca deve ter amizade com uma moça”. Isso se diz às vezes, e é muito falso. Isto forma rapazes que não são rapazes, e que são bobocas quando encontram uma moça. Não, existe o jogo das duplas relações. É preciso estar atento, claro, mas o jogo de ambas as relações mostra de imediato que a amizade deve desabrochar diversamente. Não se tem apenas um único amigo no início. Nesse período de formação, não é bom que se tenha um só amigo: tem-se vários; e é bom falar sobre eles. A mãe tentará agir de modo que seu filho ou sua filha possam falar da alegria que experimenta aos se encontrarem no jogo, ou no trabalho em comum. Com efeito, a educação não poderá ir mais longe a não ser que se consolide em torno do amor de amizade.

Por Marie-Dominique Phlippe


Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião da Comunidade Shalom. É proibido inserir comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem os direitos dos outros. Os editores podem retirar sem aviso prévio os comentários que não cumprirem os critérios estabelecidos neste aviso ou que estejam fora do tema.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *