Formação

A castidade no relacionamento

castidadeBuscar a castidade nos relacionamentos é evoluir para o amor maduro e autêntico, permeado de alteridade e busca das “coisas do alto”. Ser casto é ser inteiro.

Ainda o Catecismo da Igreja Católica nos fala sobre o domínio de si, como uma luta contínua: “O domínio de si mesmo é um trabalho a longo prazo e não definitivamente adquirido” (CIC -2342).

A castidade exige que se evitem certas palavras, ações, imagens, pensamentos que alimentam a impureza. E isto requer o domínio de si, que é sinal:

– de certa liberdade interior;

– de responsabilidade consigo e para com os outros;

– de fé convicta;

– inclui tanto o evitar as ocasiões como manter sob domínio os impulsos instintivos da própria natureza.

O domínio de si deve ser exercitado em vários aspectos: no comer, nas tarefas domésticas, na renúncia de si, na solidariedade, na justiça, enfim, saindo de si mesmo em direção aos outros, em vista do bem.

Aprofundaremos um pouco este assunto nos pontos a seguir:

– Na vivência das virtudes: o exercício das virtudes forja meu ser para viver um grande amor! Amor único que se alimenta naquele que é a fonte de todo o bem, derrama-se sobre o outro e transborda para os outros.

– Usando a Internet e a TV, bem como os filmes com temperança, responsabilidade, criticidade, vigilância e prudência.

– Fomentando um estilo de vida simples, virtuoso e sóbrio, confrontado ao consumismo e o hedonismo. Imprimir com a própria vida que a pessoa vale pelo o que é e não pelo que possui.

– Pela ascese física (na disciplina, no comer, no dormir, no trabalhar) que deve ter sempre como motivação a busca do amor autêntico a Deus, a si mesmo e aos outros. O atleta vence porque se exercita continuamente e, certamente, enfrenta a dor muscular que é necessária (mas não de forma insuportável), pois fortalece os músculos. O alongamento distende os músculos, tornando-os flexíveis. Na ascese, é preciso estender o espírito à caridade, alcançando o irmão.

Como alimentar a vontade para o dom de si?

Buscar sempre perceber o amor de Deus na própria vida;

Alimentar o intelecto, a alma e os afetos com “as coisas do alto” pela oração, pela meditação da Palavra, pela vida sacramental.

Através da graça, a castidade recompõe as áreas do nosso ser ferido pelo pecado. Crendo que nada é impossível para Deus e que Ele é o maior interessado na nossa felicidade. Mesmo que haja condicionamentos, vícios, dependências diversas, Ele nos dará a graça de lutar pela libertação e, esta, certamente virá!

Só o casto permanece inteiro diante dos desafios da vida, pois, sendo íntimo de Deus, terá sabedoria, discernimento e fortaleza para prosseguir.

Ninguém melhor do que Maria, nossa Mãe, para nos ensinar e ajudar a ter um coração indiviso, inteiro, casto.

“Não há santidade sem castidade. A falta deste escudo gera feridas. Quando falta castidade, o coração fica dividido e se enfraquece em nós a busca do bem próprio e dos outros. ‘Ela é uma força vital que vai nos dando inteireza de alma, de coração e de corpo.’” (Moysés Louro de Azevedo Filho)

“Este novo deve brilhar em todos os aspectos do nosso ser, do nosso viver, do nosso trabalho, no nosso trabalho, nos nossos relacionamentos, no nosso vestir, no nosso comer, no nosso falar, nas nossas posturas, no nosso silêncio, na nossa alegria, na nossa educação, no nosso estado de vida, nos nossos relacionamentos afetivos, no caminho para eles, nas nossas posses, na Obra, em tudo deve brilhar o novo de Deus.” (Escritos da Comunidade Católica Shalom)

Nosso corpo foi tecido pela sabedoria de Deus de forma perfeita. Assim, ele é constituído de forma a dar atração mútua entre homem e mulher, gerando prazer no ato conjugal para que fôssemos abertos à vida, povoando a terra, educando filhos de Deus. Tudo nos foi dado por Ele para que usufruíssemos de forma ordenada e construtiva, promovendo o bem pessoal e o dos outros. Dessa forma, é importante conhecermos como funciona o nosso corpo, a fim de melhor orientá-lo para o amor autêntico.

Existem áreas do corpo feminino e masculino (zonas erógenas) que favorecem, ao toque, o despertar do desejo sexual. É importante que esta realidade seja conhecida para que se exerça o autodomínio diante das situações de convívio a dois. Na fase do namoro, para que se viva a castidade, é importante evitar carícias, manifestando o amor através do carinho, da delicadeza, da atenção ao outro, evitando o toque em áreas erógenas, fugindo das ocasiões que constituem risco para a castidade (por exemplo, filmes com cenas de sexo, conversas com conteúdos eróticos, trajes sensuais e provocantes, entre outras situações que prejudiquem a vivência da castidade pelo casal de namorados).

Outro cuidado importante diz respeito aos lugares que se escolhe para namorar. Os ambientes mais convidativos ao pecado contra a castidade são locais mais escuros, ou com penumbra, isolados e que favoreçam maior liberdade de comportamentos. Se queremos viver a castidade, cuidemos de escolher a luz e lugares mais públicos, onde também seja possível conversar e, claro, manifestar carinho um pelo outro.

Quando se inicia no namoro atitudes não muito castas, até mesmo chegando ao relacionamento sexual, é necessário o casal parar, rezar, talvez afastar-se fisicamente por um tempo, procurar oportunidades de encontrar-se de forma menos arriscada, fazer algo juntos que seja mais construtivo para os dois, como: visitar um doente, visitar uma família necessitada, exercer a partilha de bens, estar com os amigos, com a família, fortalecer a vivência da espiritualidade (confissão, eucaristia, retiro pessoal, apostolado), entre outras atitudes ascéticas que o Espírito inspirar, a fim de fortalecer a vontade dos dois na direção da castidade.

A mulher, por medo de perder o namorado, tende a ceder aos seus desejos de prazer físico, mas é importante refletir que, se não há esforço do outro nesta direção, é porque também não há amor suficiente ainda para prosseguir o relacionamento. O homem que, durante o namoro, não domina seus instintos, como será fiel a esta esposa nas situações que virão e lhe obrigarão a uma abstinência circunstancial?

O homem é facilmente excitável quanto ao desejo sexual pelo olhar e pelo toque. Portanto, é importante que a namorada esteja atenta para a sua forma de se vestir e nos seus gestos. A sensualidade no vestir deve ser evitada (decotes que enfatizem os seios, shorts, saias, vestidos, calças coladas que exponham exageradamente as formas do corpo) por amor ao namorado, para que ele consiga vivenciar mais facilmente a castidade. Vestir-se com sobriedade não implica em falta de beleza e feminilidade. Existem muitos modelos de roupas bonitas e femininas em sites na internet que ajudam a mulher a se vestir de forma atraente, com elegância e estilo, sem provocações sensuais. Para a mulher é mais fácil o controle da situação, uma vez que seu processo de excitação é mais lento e progressivo em relação ao homem. Por isso, ela deve zelar pelo relacionamento, dando limites a carícias e tudo aquilo que for percebendo como ameaça à sua castidade e a do outro.

Nesta situação, é necessário que os dois sejam firmes para buscar esse fortalecimento da castidade. Se houver enfraquecimento de um lado, o outro seja ainda mais forte para lutar. É prova de amor pelo outro essa admirável luta. A graça de Deus poderá, assim, encontrar espaço para agir em suas vidas de forma mais eficaz. Retomar a castidade é essencial para crescer e amadurecer o relacionamento.

O período de namoro serve para isso: para que o casal cresça no conhecimento mútuo, elabore projetos comuns e adquira virtudes indispensáveis para a vida matrimonial. Se o casal vive bem esse período, sem chegar a ter intimidades próprias da vida matrimonial, passará por uma verdadeira escola de castidade e de fidelidade. Estará mais preparado para viver a fidelidade conjugal quem se preparou bem antes, vivendo a castidade no namoro.

Laura Martins

Livro “Namoro Cristão – Rumo à Maturidade no Amor”

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