Formação

A missão dos leigos

Dom Sinésio Bohn
Bispo de Santa Cruz do Sul

Em outubro de 1992 aconteceu em Santo Domingo (República Dominicana) a quarta Conferência do Episcopado Latino-Americano. Uma das questões foi sobre a missão dos leigos na Igreja. Vários bispos, já a partir do protagonismo da juventude, defendemos um papel protagônico para os fiéis leigos. De outro lado, era importante que a hierarquia presidisse o povo de Deus na caridade. Concluiu-se que os leigos têm um protagonismo no âmbito que lhes é específico.

Mas o que é específico aos leigos? Segundo o Concílio Vaticano II, os leigos têm a missão específica de procurar o Reino de Deus exercendo funções temporais e ordenando este mundo segundo Deus (LG 31). Portanto, os leigos consagram a Deus o próprio mundo.

É no mundo, em meio às coisas temporais, que o povo leigo vive a santidade, pela qual o próprio Pai é perfeito.

Pelo fato de o Apóstolo Paulo ter colocado o estado de virgindade como o melhor para agradar a Deus (1 Cor 7, 25 ss) sempre de novo se confunde “estado de vida”, com vivência pessoal do Evangelho. Mais santo é quem, no caminho de sua própria vocação, vive o amor e abraça a vontade de Deus. Por exemplo, os pais na família, ao se doarem um ao outro e juntos educarem com amor seus filhos. É uma vida de santidade, agradável a Deus.

Como batizados e confirmados, todos os fiéis são chamados a evangelizar pelo testemunho, pela palavra e pela participação nos vários serviços e ministérios da Igreja. Aqui vai uma referência especial às centenas de milhares (quase um milhão) de catequistas; à multidão de mulheres e homens que presidem a celebração dominical das comunidades; que distribuem a santa Comunhão ao povo; administram o Batismo e sepultam os mortos com a oração da Igreja.

Os antigos ficariam admirados se vissem o austero Direito Canônico aceitar que mulheres e homens com boa formação pudessem lecionar Teologia e mesmo participar no governo da Igreja. No Brasil é pacífica a participação dos leigos nos conselhos pastorais, nos conselhos de assuntos econômicos e mesmo na administração paroquial e diocesana. Até nos tribunais eclesiásticos eles, inclusive mulheres, são chamados a participar sempre mais como notário, chanceler e juiz auditor (Can 129).

Bem diz o Catecismo da Igreja Católica (nº 900) que “nas comunidades eclesiais, a ação dos leigos é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, o mais das vezes, obter seu pleno êxito”.

Contudo, é na política, na economia, nas relações internacionais, na busca da justiça, que os fiéis leigos encontram seu campo específico. No dizer de Pio XII, para “tornar este mundo de selvagem em humano e de humano em divino”.

Fonte: CNBB


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