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Formação

Homem e mulher têm a mesma dignidade, mas não a mesma identidade

A submissão da mulher deve ser corretamente entendida: não se trata de subserviência, mas de estar “sob a missão” do marido, de ser dele companheira.

“Deus, que é amor e criou o homem por amor, chamou-o a amar. Criando o homem e a mulher, chamou-os, no Matrimônio, a uma íntima comunhão de vida e de amor entre eles, «de modo que já não são dois, mas uma só carne» (Mt 19,6). Abençoando-os, Deus disse-lhes: «sede fecundos e multiplicai-vos» (Gn 1,28).

A união matrimonial do homem e da mulher, fundada e dotada de leis próprias pelo Criador, está por sua natureza ordenada à comunhão e ao bem dos cônjuges e à geração e bem dos filhos. Segundo o desígnio originário de Deus, a união matrimonial é indissolúvel, como afirma Jesus Cristo: «O que Deus uniu não o separe o homem» (Mc 10,9).” (Comp. Cat., 337-338)

“No Gênesis encontramos ainda uma outra descrição da criação do homem — homem e mulher (cf. 2, 18-25) — à qual nos referiremos em seguida. Desde agora, todavia, é preciso afirmar que da citação bíblica emerge a verdade sobre o caráter pessoal do ser humano. O homem é uma pessoa, em igual medida o homem e a mulher: os dois, na verdade, foram criados à imagem e semelhança do Deus pessoal.” (Sua Santidade, o Papa João Paulo II. Carta Apostólica Mulieris Dignitatem, de 15 de agosto de 1988, nº 6).

O homem, como cabeça do casal e chefe da família não pode, em razão de sua autoridade, desprezar e maltratar sua esposa. A autoridade do marido é inconteste na Escritura: “Sujeitai-vos uns aos outros no temor de Cristo. As mulheres sejam submissas a seus maridos, como ao Senhor, pois o marido é o chefe da mulher, como Cristo é o chefe da Igreja, seu corpo, da qual ele é o Salvador.

Maridos, amai as vossas mulheres

Ora, assim como a Igreja é submissa a Cristo, assim também o sejam em tudo as mulheres a seus maridos. Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a pela água do batismo com a palavra, para apresentá-la a si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível. Assim os maridos devem amar as suas mulheres, como a seu próprio corpo. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. (…) Em resumo, o que importa é que cada um de vós ame a sua mulher como a si mesmo, e a mulher respeite o seu marido.” (Ef 5,21-28.33)

Entretanto, essa autoridade é espiritual e, pois, não se confunde, com a autoridade mundana. Ser chefe, ser senhor, na espiritualidade cristã, importa em ser servidor. O marido, por chefe, não é o que manda, mas o que serve, o que protege, o que provê a casa com os mantimentos necessários – ainda que a mulher possa e, nos dias de hoje, quase que deva também fazê-lo, como veremos adiante. Outrossim, a submissão da mulher deve ser corretamente entendida: não se trata de subserviência, mas de estar “sob a missão” do marido, de ser dele companheira.

Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança. “O homem e a mulher foram criados por Deus com uma igual dignidade enquanto pessoas humanas e, ao mesmo tempo, numa complementaridade recíproca enquanto masculino e feminino. Deus quis que fossem um para o outro, para uma comunhão de pessoas. Juntos são também chamados a transmitir a vida humana, formando no matrimônio «uma só carne» (Gn 2, 24), e a dominar a terra como «administradores» de Deus.” (Comp. Cat., 71)

Homem e mulher como iguais

De um lado, a tentativa de humilhar e escravizar, na prática, a mulher, como se fosse inferior ao homem. Tal foi a ideia predominante no mundo antigo até o advento do Cristianismo. Com efeito, o paganismo foi pródigo em desprezar a mulher e só com a Idade Média, aquela época em que o espírito do Evangelho governou os povos, no dizer de Leão XIII, que garantias jurídicas passaram a existir para a companheira do homem, que lhe é igual em dignidade.

O outro erro é o igualitarismo, de matriz marxista, que vê homem e mulher como iguais não só em essência, mas mesmo nos acidentes. Ora, a igualdade de ambos está em sua origem e destino comuns, no chamado universal à felicidade, e na sua dignidade; não nos elementos acidentais.

Homens e mulheres, é a própria natureza quem nos diz, não são superiores ou inferiores uns aos outros, mas tampouco são iguais. São distintos.


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