Formação

As marcas da Vocação Shalom

É da comunhão com o Senhor que o nosso coração se abastece para também entrar em comunhão com os irmãos.

“Não poderá jamais existir a verdadeira Paz nas almas dos homens e no mundo se esta Paz não estiver embasada em um amor incondicional a Jesus Cristo, pois aí nasce o Shalom de Deus. Aí está também aquilo a que fomos chamados: a entregar, consumir nossas vidas neste amor. No amor que busca cada vez mais o esquecimento de si, de sua própria vontade, de seus próprios interesses, de sua própria vida e que, cada vez mais inflamado de amor pelo Amado busca somente a Ele, a vontade d’Ele, os interesses d’Ele, a vida d’Ele, a obra d’Ele” (Regras de Vida).

Estas palavras escritas em nossa Regra são um farol que ilumina o caminhar de nossa vivência comunitária. É da comunhão com o Senhor que o nosso coração se abastece para também entrar em comunhão com os irmãos. É dela que brotam a unidade e a fraternidade a que somos chamados a viver e a revelar ao mundo o plano de Deus sobre a comunhão a qual todos os homens foram criados para viver. É assim, aos poucos, doando as nossas vidas, unindo os nossos corações, vivendo a fraternidade entre nós para transbordá-la para o mundo, que colaboramos com a construção da “civilização do amor”.

Se temos a consciência profunda de que somos chamados a viver a união com Deus e com os homens, para nós a pobreza, a obediência e a castidade são um porto seguro para que não nos afastemos deste chamado de comunhão. Eles são como terra fértil que ajudarão a desenvolver o amor em nossos corações.

A pobreza a que somos atraídos a viver é “em primeiro lugar estarmos nas mãos de Deus, ser Seus operários, e como fruto de nosso trabalho, esperarmos o pão de cada dia” (Regras de Vida). Trabalhamos com dedicação para evitarmos toda “pseudo pobreza” e investimos nossas vidas na busca da sobriedade em todos os aspectos dela para não atropelarmos a vida dos irmãos e tirar o que é do outro para a nossa própria satisfação, saindo assim de todo individualismo e apegos, como nos ensina Catherine Doherty: “No Reino de Deus, Deus é o primeiro, o irmão é segundo e eu sou o terceiro”. “É isto ser pobre: ser o terceiro”. Seguindo assim também o pensamento de São Francisco: Quando há uma necessidade, aparece a ajuda do outro. A pobreza cria necessidades e as necessidades abrem os irmãos uns para os outros” (Irmão de Assis, p. 203).

A castidade é o outro caminho seguro que nos leva a mergulhar nossas vidas inteiramente nos braços de Deus, onde a graça divina encontra um vazio criado por ela para realizar em nós a transcendência do prazer. Não queremos viver apenas para nos contentar, para termos o prazer egoísta que só pensa em si mesmo, que se fecha em si mesmo, que não sabe pensar nos outros. Temos a certeza que não nascemos apenas para sermos felizes, mas principalmente para fazermos os outros felizes. Queremos trilhar este caminho casto para que possamos amar a Deus Pai e a todos os homens com o mesmo amor total, divino e humano de Cristo, que gera relacionamentos interpessoais que continuarão sendo válidos na outra vida, transcendendo assim toda mediação fundada nos sentidos.

A obediência é sinal para nós de perfeita submissão filial plena e amorosa ao querer do Pai. É demonstração concreta de docilidade ativa e responsável à vontade de Deus diante do conhecimento do plano salvífico d’Ele para as nossas vidas e aceitá-lo incondicionalmente com todas as suas consequências. Por ela nos comprometemos, diante de Deus e dos irmãos, a viver em total docilidade à vontade amorosa do Pai e a acolhê-la como critério único de vida, sejam quais forem as mediações humanas ou sinais que manifestem esta vontade. Pela obediência temos a oportunidade de vivermos a verdadeira liberdade de filhos de Deus, a liberdade cristã, que nos projeta além do horizonte individual, que nos conduz a não decidirmos autonomamente sobre nós mesmos, mas nos liberta dessa tendência inata de colocarmos no centro do universo os nossos próprios interesses.

Para compor este belo jardim divino, o Senhor chama casais ou famílias inteiras, celibatários e sacerdotes, porque estes estados de vida para nós, apesar de terem características próprias que devem e são respeitadas, nunca poderão ser vividos numa perspectiva individualista, fechados neles próprios, mas sempre abertos à doação e transbordamento para a Comunidade, a Obra, a Igreja e o mundo. Compreendemos claramente que os estados de vida, seja ele matrimônio, celibato ou sacerdócio, “são um dom que o Senhor nos dá para amá-lO melhor e servi-lO segundo a Sua vontade, em sinceridade, abertura e serviço” (Regras de Vida).

Assessoria Vocacional

Formação Julho/2009


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