Formação

Campanha para a Evangelização – D. Odilo Scherer

Entrevista com Dom Odilo Pedro Scherer, bispo auxiliar de São Paulo e secretário-geral da CNBB

AI – O que é a Campanha para a Evangelização?

É uma campanha da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) destinada à sensibilização de todos os católicos sobre a necessidade de colaborar na ação evangelizadora da Igreja, de muitas maneiras. Uma delas é através da partilha fraterna para sustentar o trabalho evangelizador da Igreja. A Campanha para a Evangelização tem início no Domingo de Cristo Rei (26 de novembro) e se estende até o 3º Domingo do Advento (16-17 de dezembro), dia em que se faz a Coleta em todo o Brasil.

AI – Desde quando é feita a CAMPANHA PARA A EVANGELIZAÇÃO?

A CNBB realiza a Campanha de Evangelização desde o Advento de 1998. A partir deste ano, por decisão da Assembléia Geral da CNBB, a Campanha tem início no Domingo de Cristo Rei e vai até o 3° Domingo do Advento.

AI – Qual é o objetivo da CE?

O objetivo desta Campanha é sensibilizar a todos na Igreja para o compromisso evangelizador e para a responsabilidade de todos na sustentação das atividades pastorais da Igreja no Brasil. A colaboração dos fiéis precisa repercutir em toda a Igreja; é por isso que o fruto do gesto concreto de cada um será partilhado solidariamente entre os organismos nacionais da CNBB, os seus 17 regionais e as dioceses, visando à execução das atividades evangelizadoras programadas segundo as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora e nos Planos Bienais.
É preocupante que ainda hoje grande parte das atividades pastorais e das estruturas da vida eclesial no Brasil dependam da ajuda externa. Temos, certamente, maneiras de prover melhor à nossa própria sustentação, sem depender tanto da ajuda externa. Mas isso precisa ser divulgado e precisamos nos conscientizar melhor sobre o nosso compromisso evangelizador e que isso também tem custos, que precisam ser partilhados generosamente por todos os fiéis. A fé adulta passa do receber ao dar e à partilha generosa.

Além disso, as comunidades católicas já bem estabelecidas precisam pensar em como ajudar as comunidades de periferia ou nas áreas de povoamento recente, onde a Igreja precisa colocar suas estruturas de evangelização e de atendimento religioso. As comunidades de todo o Brasil precisam estar atentas às necessidades das regiões mais pobres e necessitadas, como a Amazônia ou as periferias das metrópoles, ajudando com recursos materiais para que a Igreja das áreas mais desprovidas de recursos também possa cumprir bem sua missão.

AI – Como se faz a coleta da CE?

Faz-se no 3° domingo do Advento, em todas as celebrações e missas do fim de semana, em todas as comunidades católicas. É distribuído um envelope para recolher a oferta, mas as doações também podem ser feitas sem o envelope. A coleta se faz uma vez por ano; trata-se de um gesto extraordinário de partilha para as necessidades da Igreja e não substitui o dízimo, que é para as necessidades ordinárias da comunidade local. É importante educar e habituar também as crianças e os jovens para o gesto de partilha fraterna na Igreja; seria bom que a oferta pudesse ser discutida e combinada em família, refletindo sobre os motivos que temos de ajudar na sustentação das atividades evangelizadoras da Igreja e sobre a quantia a ser oferecida.

AI – Como se aplica o fruto da coleta da CE?

O valor recolhido pela coleta nacional para a evangelização constitui o Fundo para a Evangelização que é administrado pelo Conselho Econômico da CNBB e destinado a apoiar as iniciativas evangelizadoras da Igreja em nível diocesano, regional e nacional. Esta Campanha precisa ser vista como proposta de uma forma de globalização da solidariedade eclesial. O que se espera é que a Igreja no Brasil possa, num futuro próximo, alcançar sua auto-sustentação e também partilhar seus recursos com outras Igrejas mais necessitadas. Tudo isso se inspira no exemplo das primeiras comunidades cristãs, entre as quais São Paulo fazia coletas para ajudar outras comunidades mais necessitadas (cf 1Tm 6, 1; e 2Cor 8, 12).

AI – Pode especificar melhor a destinação dos
recursos da CE?

Os recursos arrecadados pela coleta da evangelização nas paróquias e comunidades são repassados integralmente para as cúrias diocesanas; aí são repartidos da seguinte maneira:
Dioceses, 45% do total arrecadado; Regionais da CNBB, 20% do total arrecadado; CNBB Nacional, 35% do total arrecadado. Enquanto os recursos da Campanha da Fraternidade são aplicados em projetos de solidariedade e de pastoral social, o fruto da Campanha para a Evangelização é aplicado nas iniciativas de pastoral e evangelização, como a formação de catequistas e outros agentes de pastoral, de seminaristas, de liturgia, de organização de estruturas de pastoral etc.

AI – Por que a Campanha para a Evangelização é
feita no tempo do Advento?

O Advento, de modo especial, nos lembra do grande dom e alegria que Deus nos fez, enviando-nos seu Filho. Jesus Cristo é a Boa nova e o presente de Deus Pai para o mundo. Quem já tem a alegria e a consolação de crer nele, não pode ficar parado e indiferente diante de tantas pessoas que ainda não chegaram ao conhecimento de Cristo, luz do mundo, caminho, verdade e vida. Quem crê e põe valor na sua fé deseja que também outros possam chegar a crer. Por isso apóia as iniciativas e trabalhos de evangelização da Igreja.

Quem és solidário com a evangelização percebe as necessidades da própria comunidade e faz algo por ela; dispõe-se para um serviço concreto na comunidade, como a animação litúrgica, a catequese, a promoção dos pobres; e também oferece sua colaboração financeira através do dízimo e as coletas que a Igreja prescreve para as necessidades locais e universais da Igreja.

A alegria de crer e de ser cristãos traz a inquietação missionária, como aconteceu com Jesus: não ficou somente nos povoados e aldeias que já o conheciam, mas disse que devia anunciar a boa nova do Reino para outras cidades, pois para isto fora enviado. A alegria de ter sido agraciada por Deus levou Maria a correr apressadamente à casa de sua prima Isabel, para anunciar a ela o quê Deus tinha feito por ela e para colocar-se ao serviço de sua prima. A alegria da fé leva a partilhar a alegre notícia do Evangelho. Nem todos podem sair de sua comunidade para serem missionários na Amazônia ou nas periferias das grandes cidades; mas todos podem colaborar de muitas formas na Evangelização. Uma delas é a ajuda com dinheiro, através da coleta da Evangelização, no terceiro domingo de Advento.

AI – A Campanha para a Evangelização tem um lemaa cada ano. Pode falar destes, e, specificamente, do deste ano?

Os lemas geralmente estão relacionados com algum tema mais em evidência a cada ano:
1998 – Solidariedade na Evangelização
1999 – Abri as portas ao Redentor.
2000 – Evangelho para todos.
2001 – Somos Igreja que evangeliza.
2002 – Lançando as redes com o Cristo.
2003 – Solidários na Evangelização.
2004 – Participar é Evangelizar.
2005 – Anuncia-me.
2006 – Discípulos e missionários.

O lema da Campanha de 2006 já nos faz pensar na Conferência Geral de Aparecida, dos Bispos da América latina e do Caribe, em 2007, com a presença do papa Bento XVI.

AI – Há uma oração para a CE neste ano? Qual é seu conteúdo e sentido?

Cada ano a Campanha tem uma oração própria. Esta oração ajuda a despertar nossa consciência para as necessidades da evangelização e nos compromete, diante de Deus, a fazer a nossa parte. A oração da Campanha de 2006 é a seguinte:
“Senhor Jesus Cristo, Vós deixastes aos apóstolos a missão de evangelizar.
Enviai também a nós, como anunciadores, para que vosso Evangelho continue penetrando na vida das pessoas e transformando a sociedade. Despertai em nós a consciência sobre a grandeza da missão e a responsabilidade em participar
no anúncio do Evangelho. Dai-nos um coração generoso para colaborar espiritual e materialmente na missão.

Com a nossa doação, feita com alegria, queremos ser discípulos e missionários para ajudar outros a receberem a luz do vosso Natal. Amém!”

AI – Para a Campanha existem subsídios?

A Comissão encarregada da preparação da Campanha preparou um cartaz, folhetos para cada Domingo e envelopes para a Coleta; esses subsídios são enviados para todas as dioceses e prelazias do Brasil. O cartaz, a oração e os folhetos também se encontram no “site” da CNBB (www.cnbb.org.br – Campanhas) e podem ser baixados à vontade.

AI – Como será o lançamento da Campanha deste ano?

O lançamento da Campanha em nível nacional será feito na Basílica Nacional de Aparecida, no Domingo de Cristo Rei, dia 26 de novembro, na missa das 8h, transmitida pela televisão para todo o Brasil. Cada diocese e paróquia também podem fazer seu lançamento, dando especial destaque à Campanha. Convém convocar a imprensa local para o lançamento e manter o assunto vivo na mídia local durante toda a duração da Campanha, mediante artigos e entrevistas. Todas as comunidades e organizações católicas precisam se envolver na Campanha e na Coleta. Em cada comunidade e paróquia também deveriam ser designadas comissões ou grupos de animação da Campanha. Isso é imprescindível para o bom êxito da Campanha.

AI – Por quê esta campanha se tornou necessária no Brasil?

Porque é necessário pensar na sustentação das atividades da nossa Igreja. A Campanha e a Coleta são importantes para que a Igreja possa realizar bem sua missão nas paróquias, dioceses e em nível nacional. Grande parte de nossas iniciativas e estruturas eclesiais ainda depende de recursos vindos de fora do Brasil. As ajudas externas sempre são bem-vindas, mas já está na hora de pensarmos na sustentação da vida e a ação da Igreja com nossos esforços e de ajudarmos outras regiões mais pobres nessa mesma tarefa. Fomos muito ajudados; chegou a hora de ajudar.

AI – Para concluir, mais alguma palavra?

Um profundo agradecimento a todas as pessoas que repartem um pouco dos seus bens com o próximo e com a Igreja, para que ela possa cumprir bem sua missão evangelizadora. Deus ama a quem partilha com alegria e não deixará de dar sua recompensa.

Fonte: CNBB


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