Formação

Cinzas e conversão

cinzasCom a quarta-feira de cinzas iniciamos um tempo de conversão quaresmal rumo à Páscoa quando deveremos renovar as promessas batismais iniciando um novo tempo em nossas vidas. Ao recebermos as cinzas significamos que estamos dispostos a aproveitar para dar passos na vida de conversão. “Convertei-vos e crede no Evangelho” é o texto mais utilizado nesse dia. Porém, um outro, mais antigo ainda é uma possibilidade, embora sejam palavras duras, mas sem dúvida, reais!

“Lembra-te, homem, que és pó, e em pó retornarás!” (Gen 3, 19b). É uma das passagens bíblicas que são lembradas neste dia das Cinzas. Cinzas enquanto a Ressurreição não nos restaurar em Jesus Cristo, o novo Adão. Daí não ser motivo de desesperança frente a tantos sofrimentos e violências. Tenhamos cabeça e coração regenerados pela penitência para sermos testemunhas vivas da paz transbordante da cruz que não é mais morte, mas vida plena.

Tudo nos adverte da vaidade com que presumimos ser sem termos Deus no coração. O nosso corpo volta ao pó recordando a nossa criação, porém com a presença de Deus, e unidos a Ele, temos a plenitude de vida, no “já e o ainda não”. Não temos o direito de afogarmo-nos no desespero, pois temos o dever de juntos buscarmos novos canais e esperar, ativamente como cristãos autênticos promotores de vida, de esperança e de paz. Tempo de esperança e paz! São os temas do ano em que vivemos! Eis um qualificativo necessário em nosso mundo hoje, homens e mulheres de esperança, eis a minha, a sua e a nossa missão. Procuremos semear e ser testemunhas da esperança e mantê-la viva no coração de nossas cidades. Tempo de verdade profunda, que converte, restitui esperança e, levando a repor tudo no seu lugar, traz serenidade e faz nascer otimismo. Eis o tempo privilegiado da quaresma que somos chamados a viver!

Somos destinados a ter parte no Cristo à vida de Deus: filhos no Filho. Com alegria de Pastor renovamos sempre este momento de oração e de exercícios espirituais, celebração penitencial, jejum, abstinência, lectio divina mais intensa, e esmola à luz da Palavra de Deus ao retornar a Cristo Nosso Senhor reconciliando-nos com Deus. Aproveitaremos também para numa reflexão espiritual e pastoral entre amigos e irmãos refletirmos sobre as questões sociais trazidas pela Campanha da Fraternidade: Igreja e Sociedade questionando-nos se realmente vivemos para servir o próximo. Sem a fé e a esperança a nossa caridade seria apenas “um címbalo que retine”, ou seja, sem a oração e reflexão, por meio da qual procuramos manter-nos unidos a Deus. Eis o momento propício de encarnarmos em nossas vidas a figura emblemática do Bom Samaritano, que para no caminho, reconhece o irmão e coloca o seu tempo e bens ao serviço, numa partilha diária. O Bom Samaritano é a Igreja, é cada um de nós; por vocação e por dever. O Papa Francisco não se cansa de anunciar que a Igreja deve ser “samaritana”. Para isso necessitamos de conversão qu enoa leve a servir os irmãos. O Bom Samaritano vive a caridade.

O Apóstolo Paulo nos diz no texto da quarta-feira de cinzas que “somos embaixadores ao serviço de Cristo” (2 Cor 5,20). Eis aí a nossa responsabilidade. Somos enviados ao encontro dos outros, ao encontro dos nossos irmãos. Correspondamos generosamente a esta confiança que Cristo depositou em cada um de nós.

Devemos ir ao encontro do outro como ao Cristo que vem até nós, e Ele vem às vezes desfigurado pelo pecado, mas confia em nosso acolhimento e abraço sem interesse. “O verdadeiro discípulo de Cristo se distingue tanto pelo amor de Deus como pelo amor do próximo… todos os fiéis cristãos são, pois, convidados e obrigados a procurar a santidade e a perfeição do próprio Estado”. Pois “os que usam deste mundo não se fixem nele, pois passa a aparência deste mundo”. Árduo o esforço para alcançar vitória sobre as paixões desordenadas. Entre essas paixões estão o ódio e a vingança, que jamais poderão medrar um discípulo de Jesus Cristo.

Reflitamos como temos caminhado em nossa vida cristã de serviço desinteressado aos irmãos e irmãs, sobre como nos temos comportado a respeito. E se a consciência nos acusar alguma injustiça escutemos com o coração aberto “convertei-vos e crede no Evangelho renovando o coração e o comportamento. “Reconciliai-vos com Deus, eis o tempo favorável”.

O cristão, de fato, chamado pela Igreja à oração, à penitência e ao jejum, ao despojamento de si mesmo, interior e exterior, ao pôr-se diante de Deus, reconhece-se e redescobre-se a si mesmo. As cinzas que recebemos na quarta feira, nos levam a pensar na seriedade da nossa conversão e é um primeiro sinal externo dela. Vivamos estes quarenta dias de penitência e de conversão como sinal de esperança na vida futura, a vida das bem aventuranças do céu. A graça de Jesus, nosso Senhor, nos dê a coragem de seguir o caminho que leva a Deus e nos afaste de todo pecado e nos conduza à vida.

Cardeal Dom Orani João Tempesta

 

Fonte: ArqRio

18.02Há alguns anos, Frei Patrício Sciadini nos presenteia com seu comentários cheios de sabedoria e verdade publicados a cada domingo no Pão da Vida, nossa liturgia para cada dia. Neste primeiro volume, reunimos parte da riqueza que temos publicado a cada mês. Uma seleção dos melhores comentários de Frei Patrício Sciadini lançados de 2007 a 2009. Além das reflexões, apresentamos também as passagens bíblicas do domingo, incluindo o texto do Evangelho completo.

Adquira o seu [AQUI]


Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião da Comunidade Shalom. É proibido inserir comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem os direitos dos outros. Os editores podem retirar sem aviso prévio os comentários que não cumprirem os critérios estabelecidos neste aviso ou que estejam fora do tema.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *