Formação

Como será o ano de 2019?

Se você se avaliasse na sua vida cristã neste ano que está terminando, que nota se daria?

A Igreja é no mundo para o mundo, mas caminha guiada pela Palavra de Deus, e segue um ciclo de caminho que manifesta uma intervenção do Deus da vida na nossa história humana. Por isso que o ano litúrgico não começa em primeiro de janeiro, mas sim com o Advento, isto é, com o grande anúncio da salvação. Deus decidiu vir nos visitar com Seu amor enviando o Seu único Filho, Jesus. Sabemos que esta vinda já aconteceu há dois mil anos, mas como pessoas de memória curta e que podem esquecer esta grande novidade, a Igreja Mãe, que vive sempre mergulhada no passado, lutando no presente e olhando o futuro, nos recorda a verdade da salvação através do caminho do Ano litúrgico. Feliz Ano Novo!

Mas o que quer dizer isso para nós que vivemos tateando na noite, que nós mesmos criamos com o fechamento do nosso coração? Temos construído muros tão altos que não nos permitem ver mais quem está do outro lado, e agora que nos sentimos tomados pela angústia e pelo medo, não temos coragem de destruir esses muros. Temos criado a civilização do medo dos outros. Eu mesmo quando saio de casa rezo para que não me aconteça nada e que os outros não me perturbem. Ter medo das pessoas que você encontra na estrada, no metrô, no ônibus, na Igreja na praça, nos bares e nos supermercados é simplesmente terrível, te tira a alegria, a paz e te obriga sempre a ficar com os olhos abertos ao que vai acontecer ao redor.

Deus não tem medo de nós; embora saiba que os homens fecharão as portas ao seu único Filho bem-amado, decide enviá-lo e tem a certeza de que algo vai mudar porque no mundo, na humanidade NEM TUDO ESTÁ PERDIDO… Há sementes de esperança e de vida, de luzes que esmagam as trevas. O tempo que precede o ponto ao início do caminho novo, que se chama encarnação, deve ser vivido com o coração transbordante de esperança, de alegria, porque algo vai acontecer, vai nascer o SALVADOR, e vem não com o poder e a força, mas com o amor, com a ternura e com a força do diálogo. É uma voz que grita no deserto uma mensagem nova, renovada, que assume o seu brilho primitivo de sol que nasce para visitar o mundo inteiro.

Comecemos bem o Advento 2018, que nos conduz ao Natal e nos lança não mais sozinhos para o ano de 2019.

Eis que virão dias (Cf. Jr 33,14-16)

 Jeremias não é um profeta fácil e nem passa a mão na cabeça de ninguém. Grita forte contra os prepotentes, anuncia por parte de Deus fortes desgraças, frutos da infidelidade do povo. Chora e se rebela. Mas no fim há sempre uma janela aberta diante dele. A janela da esperança. Deus nunca fecha esta janela da esperança; virá o Salvador que com Seu amor vai salvar o povo e vai agir com justiça, que não castiga inutilmente, mas com um curativo que sara as feridas e coloca o povo de novo em marcha. O projeto do profeta de Deus deseja fazer nascer uma cidade nova cuja lei seja a justiça e a esperança de vida, edificar o coração do homem sob os alicerces do amor.

 Crescer na caridade (Cf. 1Ts 3,12-4,2)

 A Psicologia Contemporânea, me disseram; – eu sou terrivelmente ignorante em tudo –, prefere que a pessoa aprenda a se avaliar nas suas qualidades e defeitos. Se você se avaliasse na sua vida cristã neste ano que está terminando, que nota se daria? Eu, em algum aspecto cristão, devo reconhecer que melhorei, me daria tranquilamente um 6, em outro beiraria 8, em outros devo reconhecer que zero é muito e em outros até menos que zero. É assim a vida. A comunidade Tessalônica é tranquila, não deu grandes problemas ao apóstolo Paulo, era um pouco preguiçosa, porque esperava a vinda do Senhor dito com uma palavra difícil, a parusia, e pensavam: para que trabalhar se o mundo vai acabar? Mas Paulo convoca a comunidade a ser santa, a crescer na caridade e no amor fraterno. Retomamos o caminho para o Natal crescendo na caridade recíproca. É o convite do apóstolo, progredir sempre mais nas regras que Jesus nos tem dado no Evangelho.

 Atenção: vigiai rezando (Cf. Lc 21,25-28.34-36)

O amigo de caminhada neste ano litúrgico C é o evangelista Lucas, e ele nos acompanha, nos convidando a ler bem os sinais dos tempos. Sempre teremos sinais que nos chamam atenção e que nos advertem que o nosso tempo está terminando. Uma doença, a idade, um terremoto, um desastre da estrada… tudo isso não deve ser subvalorizado e nem supervalorizado, mas devemos dar a  tudo isso o valor que tem. O que importa na vida é não se deixar enganar pelas surpresas e viver uma vida de acordo com a nossa fé. Se a economia do país vai mal, a economia da salvação vai sempre bem. Tem dívida de amor, pecados, moratória…. Tranquilo, uma bela confissão resolve e a conta está paga.

O evangelista neste trecho de desgraça anunciada nos convida a duas atitudes: 1. Vigiar sobre nós mesmos para que o nosso coração não esteja pesado de pecados. 2. Como ficamos alerta? Rezando… A oração é o olho de Deus sobre nós, que nos permite estar em diálogo com Deus, e Ele nos fará ver quais coisas devemos eliminar e quais coisas devemos melhorar para estarmos prontos para a vinda do Senhor com vestido de festa, de alegria e de paz. O melhor presente que podemos dar a nós mesmos, a Deus e aos outros é o AMOR.

Oração

 Senhor, te peço a luz do Espírito Santo para reconhecer os sinais que Tu utilizas para me avisar que devo mudar de vida, e que eu tenha a coragem de me converter neste tempo de preparação ao Natal para receber Jesus na minha vida com alegria e com amor. Amém.


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