Desapegar-se de tudo (Foto: Unsplash)
Formação

É incompatível a fé e com apego aos bens

A nossa partilha de bens, a nossa pobreza tem um efeito na nossa carne, tem um efeito na carne da humanidade, tem um efeito na carne de Cristo.

Após ler as reflexões do Papa Francisco no livro “Mundanismo hoje”, lançado pela Edições Shalom, vou partilhar sobre um aspecto próprio do mundanismo, que é o apego aos bens, às riquezas, mas, sobretudo, o apego ao dinheiro. Nós vamos ver muito essa dimensão do apego ao dinheiro. Isso porque é um tema muito caro ao Papa Francisco.

A Palavra de Deus no Evangelho de Marcos 10, 17-231, diz assim:

“Ao retomar o seu caminho, alguém correu e ajoelhou-se diante dele, perguntando: “Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?” Jesus respondeu: “Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão só Deus. Tu conheces os mandamentos: Não mates, não cometas adultério, não roubes, não levantes falso testemunho, não defraudes ninguém, honra teu pai e tua mãe”. Então ele replicou: “Mestre, tudo isso eu tenho guardado desde minha juventude”. Fitando-o, Jesus o amou e disse: “Uma só coisa te falta: vai, vende o que tens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me”. Ele, porém, contristado com essa palavra saiu pesaroso, pois era possuidor de muitos bens”.

Um futuro próspero

O jovem  quando diz “Que farei para herdar a vida eterna?” fala de ter um futuro próspero. Jesus apresenta um presente pobre e um futuro próspero. O jovem diz: “Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?”. Ele se detém a um futuro próspero. E Jesus, diz: “Vai, vende o que tens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me”. O Eterno, no tempo, eterniza o tempo quando Ele dá ao jovem o caminho, Jesus se apresenta como o caminho. 

Jesus convida o jovem a ter o padrão de vida Dele. Jesus convida o jovem a viver como Ele vivia, no tempo presente, e ofertar aquilo que ele trazia de desejo mais profundo do seu coração, que era um futuro próspero, que era a herança eterna, a herança que é algo que cabe aos filhos.

Eu não sei em que mistério esse jovem estava envolvido, não sei que intensidade o mundanismo ocupava espaço no seu coração, é difícil saber o quão grande era o ídolo dinheiro nele, mas é importante entender que Jesus fitou-o e o amou. Jesus olhou nos olhos dele. Com esse “fitando-o, Jesus o amou e disse” o evangelista quis retratar a forma como Jesus disse as palavras para o jovem. Jesus ofereceu ao rapaz uma experiência de amor.

Os aspectos da pobreza

A pobreza tem dois aspectos. Ela nos atrai, como diz os Escritos da Comunidade Católica Shalom, e ao mesmo tempo sentimos uma profunda rejeição. Aqui, na vida desse jovem, a rejeição foi maior do que a atração. O dinheiro foi mais importante para esse jovem do que o próprio Jesus. O jovem não suportou. Ele rejeitou. A carne dele rejeitou. Os seus conceitos rejeitaram. Todo o seu ser rejeitou a pobreza.

Jesus deixou claro: “Uma só coisa te falta”. Então, era um jovem extremamente generoso. Era um rapaz que tinha a relação com os outros mandamentos muito boa. Não era alguém que estava no início de caminhada. Não era alguém que estava conhecendo Jesus pela primeira vez.

O Papa Francisco diz que a pobreza é “uma palavra muito incômoda. O mundo não a conhece, não a quer, a esconde, não por pudor, mas por desprezo. E se tem que pecar e ofender a Deus para que não chegue a pobreza, o faz. O espírito do mundo não ama o caminho do Filho de Deus, que se fez pobre, se fez nada, se humilhou para ser um de nós” (Papa aos Consagrados). A pobreza, diz Francisco, colocou medo neste jovem tão generoso. A pobreza pode colocar medo também em nós.

A pobreza como mãe

O Papa Francisco no mesmo texto aos consagrados cita os escritos de um santo e cita também uma religiosa. Ele diz que a pobreza é apresentada como um muro e como mãe da vida consagrada. Era mãe porque gerava mais confiança em Deus. A pobreza é a mãe, é apresentada como mãe da vida consagrada, porque gera confiança em Deus. Quando o homem peca, morre no coração dele a confiança na bondade de Deus, e todo esse movimento contrário à pobreza é um movimento contrário a Deus.

Isso porque é como se eu dissesse para Deus: “Tu não tens condição de cuidar de mim”. É como se o jovem dissesse: “Eu vou vender tudo, vou dar tudo aos pobres, e eu vou te seguir, mas tu não vais cuidar de mim. Tu vais me abandonar, vais me deixar só. Eu não quero lhe seguir nessa dimensão. Eu prefiro seguir ao dinheiro, porque o dinheiro me dá uma sensação maior de segurança, de confiança”. É por isso que a pobreza é apresentada como uma mãe, que gera confiança em Deus.

É incompatível a fé e o apego ao dinheiro

Na decisão do jovem, constatou-se a ausência de fé, porque é incompatível a fé e o apego ao dinheiro, porque o medo da partilha, da pobreza evangélica, da comunhão de bens, é uma falta de fé, é uma falta de confiança naquele que é invisível. A fé é confiar naquilo que é invisível.

Então, o que eu e você precisamos fazer, em especial nessa Quaresma, iluminados pelo livro com as reflexões do Papa Francisco e por toda a liturgia própria da Quaresma, é pedir o dom de ser pobre a Deus. Dizer: “Senhor, para mim é impossível, mas para Ti não é. Faz-me um homem pobre. Dá-me o privilégio de ser um homem pobre”. Nós precisamos pedir isso. Nós precisamos implorar isso. Nós precisamos buscar isso, porque é um dom de Deus.

O único e verdadeiro bem

A partilha das primícias, a partilha generosa com os pobres, a ajuda ao próximo, o desapego dos bens, como eu podia me apegar a eles e abandonar a Deus, a Jesus, o movimento contrário tem o mesmo efeito. No momento em que eu partilho, por amor a Jesus, eu estou indo na direção de Jesus e O recebendo como verdadeiro bem. O dinheiro deixa de ser o meu único bem e Jesus passa a ser o meu único e verdadeiro bem.

Aquilo que eu passei a ter depois da minha partilha de bens passou verdadeiramente a ser um dom. Antes da minha partilha de bens era posse. Quando eu peguei o meu salário ou o recurso que chegou a minhas mãos e não o partilhei, ele se transformou numa posse e a minha relação é eu e ele. Quando eu vivo a comunhão de bens, quando vivo a partilha de bens, ele passa a ser um dom.

A nossa partilha de bens, a nossa pobreza tem um efeito na nossa carne, tem um efeito na carne da humanidade, tem um efeito na carne de Cristo.

Leandro Formolo

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