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E o uso de células-tronco embrionárias para a cura de doenças?

Como a vida humana é sagrada e inviolável em cada momento da sua existência, inclusive na fase inicial que precede o nascimento, o homem não pode fazer com ela o que deseja, mesmo com uma finalidade boa, no caso da utilização de células-tronco embrionárias para a cura de algumas doenças.

Os profissionais de saúde que são a favor da manipulação de células-tronco embrionárias, precisam reconhecer que desde o seio materno o homem pertence a Deus que tudo perscruta e conhece, que o forma e plasma com Suas mãos, que o vê quando ainda é um pequeno embrião informe, e que nele entrevê o adulto de amanhã, cujos dias estão todos contados e cuja vocação já está escrita no livro da vida. (cf. Sl 139,1). O papa João XXIII afirma que a vida humana é sagrada, porque desde o seu despontar empenha diretamente a ação criadora de Deus. Portanto, a clonagem e a utilização de células-tronco embrionárias atentam contra a vida humana.

O ser humano, em qualquer fase de sua vida, não pode ser utilizado como um meio para atingir um fim. Se utilizado como um meio deixa de ser considerado uma “pessoa” para ser considerado uma “coisa”. Não se pode destruir uma vida humana para salvar outra vida humana. Isto é inconcebível. Como dizem que estão a favor da vida se atentam contra ela na fase em que é mais fraca e indefesa? Portanto: A clonagem terapêutica para a obtenção de células estaminais implica não só na produção de um embrião, mas também a manipulação e a ulterior destruição. Não é aceitável considerar um ser humano, em qualquer etapa do seu desenvolvimento, como um ‘material de armazém’, ou de fonte de tecidos ou órgãos, de ‘peças de substituição’. Podemos compreender melhor a complexidade moral da clonagem se considerarmos que aquilo que seria produzido, manipulado e destruído não são coisas, mas seres humanos como nós.

Desta forma, a utilização de células-tronco embrionárias para a cura de alguma doença, enquadra-se exatamente nas palavras acima descritas: a manipulação do embrião e a sua posterior destruição.

O “pré-embrião”

Como os cientistas adeptos da utilização de células-tronco embrionárias, não querem deparar-se com obstáculos que impeçam as suas ações criminosas, foi criada a expressão “pré-embrião”, no meio científico dos Estados Unidos para definir o ser humano no espaço de tempo entre a fecundação e a nidação (fixação do embrião na parede interna do útero, no endométrio). Esse artifício possui vários propósitos, entre os quais, a possibilidade de eliminação do ser humano nesta fase inicial da vida sem se qualificar o aborto, a possibilidade de realizar legalmente experiências em seres humanos e possibilitar a fabricação e venda de produtos que causam abortos na fase inicial da vida.

Da mesma forma que estes cientistas levantaram suposições sobre o embrião para que este não seja considerado um ser humano, outros, cujos projetos e consciência são iluminados por outra ética, derrubaram a expressão “pré-embrião”, provando que desde o início da concepção ele já é uma vida.

Hoje, então, tentam convencer a população, com os mesmos propósitos citados acima, de que a vida se inicia somente quando aparece o sistema nervoso central, já que se diagnostica o fim da vida do ser humano com a morte cerebral. Na verdade, estes são dois processos biologicamente opostos: o estado de morte cerebral vem de um processo degenerativo irreversível, enquanto no embrião, o processo se encontra no início.

Seja como for chamado, zigoto, “pré-embrião” ou embrião, biologicamente tem o mesmo significado, com igual potencial de desenvolvimento. Não houve a verificação de um novo fato científico na evolução do embrião para que surgisse esta nova denominação. Apenas estes embriões não se encontram em seu lugar definitivo de desenvolvimento.

No entanto, a ciência tem provado que o embrião, mesmo considerado por alguns cientistas, “pré-embrião”, é um ser, tem dignidade e personalidade humana. Este possui três principais propriedades que caracterizam o processo de desenvolvimento humano: a coordenação, a continuidade e a gradualidade.

A coordenação é uma propriedade muito importante no desenvolvimento do embrião pois: desde o primeiro instante da fusão dos gametas até o aparecimento do disco embrionário, depois de 14 dias e até mais, acontece um processo que manifesta uma coordenada seqüência e a interação de uma atividade molecular e celular, sob o controle de um novo genoma. Esta propriedade exige uma rigorosa unidade do sujeito que está se desenvolvendo. Não é um grupo de células, mas um indivíduo real.

A propriedade de continuidade é constatada pelo fato de que tudo indica acontecer em: uma ininterrupta e progressiva diferenciação de um indivíduo humano bem definido, segundo um plano único e rigorosamente definido que começa no estágio de zigoto. Esta propriedade da continuidade implica e estabelece a unicidade ou singularidade do novo sujeito humano.

A propriedade chamada de gradualidade acontece pelo fato de que o embrião desenvolve-se por fases até atingir a forma final, e leva-nos a entender que: trata-se do desenvolvimento permanente orientado do estágio de zigoto para a forma final, devido a uma intrínseca epigenética. Cada embrião humano mantém a própria identidade, individualidade e unidade.

Devido a estas propriedades pode-se afirmar que: O embrião vivo, começando da fusão dos gametas, não é um mero acúmulo de células disponíveis, mas um individuo humano real em desenvolvimento.

Conclusão

Como cristãos precisamos nos posicionar efetivamente na defesa da vida, faz-se necessário nos organizar e participar politicamente em ações particulares e conjuntas em favor da vida. Por maiores desafios que possamos viver ou ver outros viverem, a vontade e o plano de Deus para a vida humana não podem ser desprezados e muito menos desvirtuados, porque Deus defende a vida humana em todas as suas fases. O homem não pode ficar sujeito às técnicas científicas para proveito próprio ou mesmo de uma população esquecendo-se do que há de mais nobre: o respeito à dignidade humana. À humanidade cabe a tarefa de direcionar seu destino.

Por Germana Perdigão


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