Formação

Era Deus o que me faltava

Nasci em Jardim de Piranhas, Diocese de Caicó-RN, sou a única filha entre três irmãos. Toda minha família é católica. Tive uma vida normal, fui muito amada, meus pais me deram o melhor que podiam.

Estudava, tinha amigos, namorado, uma boa família, não era rica, mas “nada me faltava”. Mas comecei a perceber que eu não tinha tudo, não era feliz, faltava algo que eu não sabia o que era. Como não sabia o que me faltava, comecei a procurar… queria saciar minha sede de algo que não passasse. Havia em mim um vazio muito grande, às vezes me perguntava: Por que existo? Para que ou quem vivo? De onde vim e para onde vou? E não tinha respostas. As pessoas e as coisas não me satisfaziam, não eram capazes de preencher aquele vazio.

Em busca da felicidade, freqüentei “festas e carnavais”. Encontravaa uma alegria passageira. O vazio aumentou, a tristeza envolveu o meu ser. O ritmo social moderno estava tomando a minha vida. Quando percebi, estava sendo escrava, já não era livre. Era induzida a viver o que as outras pessoas viviam; se não o fizesse, sentia-me excluída da sociedade.

Então, chegou à minha cidade a RCC. Convidaram-me a participar do Seminário de Vida no Espírito Santo e eu fui. Não dá para explicar; foi uma experiência inesquecível, que me sustenta até hoje. Lá encontrei o que tanto buscava. Conheci Deus, o vi e me apaixonei, era Ele que faltava em minha vida, era Ele o amor que eu procurava. Depois daquele encontro, já não era mais a mesma, havia renascido no Espírito. Tudo se tornara belo, o amor estava em mim e eu só queria amar! Entrei num grupo de oração e o meu amor a Deus aumentava, nos tornávamos íntimos, amigos. Vi a beleza da vida! Como acontece com todo aquele que ama, fui me dando, entregando-me ao Senhor. Aos poucos fui entregando tudo. Quanto mais o conhecia, mais desejava conhecê-lo.

Convidaram-me a participar do Fórum Shalom 97, nessa época eu estava em busca da minha vocação. Comecei a fazer o vocacional por carta e fui me identificando com o carisma. Em meados de 98 fiz minha experiência na missão de Mossoró-RN e fiquei encantada, com a Comunidade e com Deus. Havia em mim um desejo ardente de santidade. Depois da experiência vocacional, tinha certeza de que encontrara minha vocação, estava decidida a deixar tudo. O amor inflamou meu coração, já fui preparando minha família. No final do mesmo ano fiz o retiro vocacional e escrevi a carta ao Conselho pedindo o ingresso no postulantado. Estava certa de que em breve estaria vivendo minha vocação.

Chegou a resposta da carta: o Conselho da Comunidade confirmava meu pedido. Em março de 99 eu estava deixando tudo. Meu pai, dilacerado pela dor de ver sua filha única sair assim tão nova (19 anos) para assumir a própria vida, disse-me: “Procure sua felicidade”. Minha mãe, mesmo inconformada, abençoou-me. Madre Teresa de Calcutá já dizia que o amor, se não doer, não é amor! Eu estava feliz, o Evangelho era real. Deixei pai, mãe, irmãos, tomei a minha cruz e segui o Cristo.

Fiz meu postulantado em Eunápolis-BA. Foi um ano de bênção, de intimidade com Deus e com o Carisma Shalom. A mão amorosa de Deus foi me moldando, ainda era uma criança na fé e na vocação, estava sendo gerada no amor esponsal. Depois de experimentar durante um ano essa forma de vida, sendo provada e prodigamente amada por Deus e pelos irmãos, tinha convicção de que era isso mesmo que eu queria. A cada dia que passava, mais feliz me descobria. Experimentava a veracidade do Salmo: “Um dia em vossos átrios, vale mais que mil fora deles” (Sl 83,11). Aquele ano tinha valido mais que os dezenove passados. Agora estou no primeiro ano de noviciado e digo: “Sou muito feliz!”. Sendo pobre, tenho tudo; sendo obediente, estou no caminho certo; sendo casta, estou nele e Ele em mim! Sou Shalom, sou feliz! Vale a pena entregar a vida a Deus!


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